Educação ambiental no Brasil

domingo, 11 de março de 2012
"Así como hay un conocimiento lógico a que la ciencia sirve, así hay un conocimiento estético a que sirve el arte."  -  Miguel de Unamuno  -  Inquietudes y Meditaciones

A educação ambiental (EA) no Brasil ainda não tem uma sistemática pedagógica estabelecida, sendo influenciada por diversas tendências. No documento “A educação ambiental no Brasil” lemos: “Deve ser considerado que há diversas e variadas formas de conceber e praticar, tanto a pesquisa quanto ações em Educação Ambiental. De fato, as concepções de Educação Ambiental são diversas e variadas, pois dependem das concepções que seus praticantes têm de Educação, de Ambiente e de Sociedade. De outra forma, podemos dizer que as concepções de Educação Ambiental sofrem as mais variadas interferências (e, portanto, assumem diferentes matizes) das diversas condições de sua produção, em especial, das propostas produzidas e veiculadas pelas seguintes principais instâncias: OG’s, ONG’s, mídia, empresas, legislação e normas etc. (GARCIA MUÑOZ, 2002; SATO & PASSOS, 2002; LEVY, 2004)” (Apud Fracalanza, 2005).
Observamos que há uma variação no ensino da EA entre as diversas escolas e até entre professores. Alguns enfoques são mais do tipo “corretivo”, apontando apenas os diversos problemas ambientais existentes – como a falta de saneamento, a destinação incorreta de grande parte do lixo, a questão da reciclagem, a poluição atmosférica – e mostrando as soluções a nível governamental, mas sem se aprofundar em outros aspectos. Outras abordagens nem chegam a este nível de detalhamento, apresentando a EA apenas como um adendo à Biologia, estudando apenas a questão da biodiversidade e a destruição da fauna e da flora. Escreve Edson Travassos em “A educação ambiental nos currículos: dificuldades e desafios”: “Muitos professores, preocupados com os problemas ambientais, acham que a educação ambiental tem que estar voltada para a formação de uma consciência conservacionista. Uma consciência, portanto, relacionada com aspectos naturalistas, que considera o espaço natural fora do meio humano.” (Travassos, 2001). Estes são apenas alguns exemplos da vasta gama de direcionamentos que existem em termos de EA.
A falha de todas estas abordagens é a falta de uma visão sistêmica e o relacionamento desta visão com os aspectos sociais, econômicos, isto é, os aspectos humanos. Não podemos esquecer que a função principal da EA é capacitar os discentes a terem uma visão mais aprofundada da realidade, das implicações das ações humanas – da ecologia humana, como diriam alguns – com o meio ambiente natural. Afinal, não se pode dissociar um de outro; ambos formam um todo e estão presentes no conceito de biosfera terrestre.
Desta forma, consideramos a EA como forma de análise da interação das estruturas econômicas e sociais com o meio ambiente, considerando aspectos políticos, éticos e ideológicos envolvidos. Nesta ótica a EA capacitará os alunos a poder exercer uma função crítica em relação à organização de sua sociedade e o impacto desta organização social ao meio ambiente onde se localiza. Esta abordagem considera como básicos os seguintes aspectos:
a) A conscientização dos indivíduos sobre as relações socioambientais da sociedade;
b) A construção de um conhecimento, baseado em fatos e teorias;
c) A adoção de práticas éticas em relação à natureza e aos semelhantes;
d) O desenvolvimento de competências, capacidade de agir efetivamente em seu meio social;
e) Desenvolver a capacidade de avaliação, considerando o grau de acerto das ações empreendidas;
f) Desenvolver a capacidade de participação em grupos, visando a apresentação de soluções para problemas.
Somente através da prática constante da EA e de sua concretização através de ações, é que os diversos grupos sociais poderão chegar a um denominador comum sobre a melhor maneira de praticar a EA. A própria diversidade cultural, social, geográfica e ambiental impede que se crie uma “fórmula única” de praticar a EA no País. Evidentemente, os problemas enfrentados pelo morador da caatinga, no interior do Nordeste, são completamente diferentes daqueles do ribeirinho amazônico ou do morador da periferia de São Paulo. Para cada comunidade – com suas características sociais, inserida em um ambiente natural específico e com organização econômica distinta – deverá haver uma abordagem diferente da EA, sempre considerando os aspectos de abordagem mencionados acima.
BIBLIOGRAFIA:
Fracalanza, Hilário, et al. A educação ambiental no Brasil - Panorama Inicial da Produção Acadêmica.
Travassos, Edson. A educação ambiental nos currículos: dificuldades e desafios. Revista de Biologia e Ciências da Terra, Volume 1, nº 2, 2001. Disponível em :
< http://eduep.uepb.edu.br/rbct/sumarios/pdf/educamb.pdf> Acesso em 31/05/10.
(Imagens: fotografias de Chema Madoz)

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