Quais serão os limites da Terra?

segunda-feira, 11 de março de 2013
"Na Noite Verde do Sertão
 lá pelos cafundós do Oeste, 
 havia ouro? havia prata?
 A ambição dizia que sim.
 A morte dizia que não..."
Cassiano Ricardo  -  Martim Cererê

Em interessante artigo publicado no jornal Valor, o economista Ricardo Abramovay comenta o livro The Human Quest (A busca humana), recentemente lançados nos Estados Unidos. A publicação aborda aspectos da evolução cultural e econômica do homem, desde o final do último período glacial; sua evolução através da história, até chegar à sociedade industrializada atual.
A evolução da espécie humana foi relativamente estável, sem importantes avanços tecnológicos, por no mínimo 90% do período de nossa existência como espécie homo sapiens. Indícios paleontológicos indicam que o homem moderno apareceu há cerca de cem ou duzentos mil anos, tendo feito poucos avanços tecnológicos durante a maior parte deste período. No entanto, por volta de dez mil anos atrás, o clima da Terra passou por mudanças, provocando o derretimento das geleiras acumuladas por milhares de anos no hemisfério Norte. Desde então, o clima da Terra se tornou mais quente e as variações médias de temperatura nunca foram superiores a um grau. O homem, premido pelas condições, mas encontrando ambiente favorável, começa a praticar a agricultura.
Ao longo deste período de cem séculos, a humanidade provocou grandes mudanças sobre a face da Terra. A agricultura se espalhou; surgiram as grandes civilizações e os impérios; a tecnologia se modernizou; novos continentes foram descobertos; inventou-se a produção industrial e o consumo em massa; a população aumentou e expandiu-se a área ocupada pela agricultura. Como consequência - cada vez mais confirmada pelas pesquisas - o ambiente da Terra foi sofrendo alterações: de 1960 até hoje, o aumento da temperatura média global foi de 0,8 graus. O ritmo de destruição dos ecossistemas (e com eles o das espécies) avança vertiginosamente. As alterações que estamos provocando no planeta são tão grandes e em tantas áreas, que muitos cientistas já falam em um novo período geológico: o antropoceno, significando "a era do homem". A ação da humanidade é hoje, sem sombra de dúvida, o mais importante causador das mudanças geológicas, naturais e climáticas por que passa o planeta.

O livro define aspectos do ambiente da Terra, para os quais os autores estabeleceram limites de alteração. Estas marcas, se ultrapassados, tornarão incerta a manutenção das condições de sobrevivência, assim como as conhecemos atualmente. Os aspectos considerados pelos autores são as mudanças climáticas; a destruição da camada de ozônio e a acidificação dos mares; a perda da biodiversidade; o uso da água; a mudança no uso da terra; os ciclos do nitrogênio e do fósforo; a poluição atmosférica por particulados e a poluição química. Estes aspectos, associados ao aumento da população, do consumo e das desigualdades econômicas já estão colocando em marcha um processo, cujo desenvolvimento e resultados são praticamente imprevisíveis.Em consequência desta imponderabilidade, os autores também criticam o conceito de desenvolvimento sustentado, tão difundido e pouco avaliado. O objetivo escreve Abramovay em seu comentário, "não pode ser o de continuar fazendo o que se fez até aqui, procurando, porém, "reduzir impactos"". A relação entre sociedade e natureza deve ser colocada no centro de todas as decisões econômicas, para que ainda possamos - nós e a natureza - ter capacidade de reação e recuperação, de voltar à situação inicial - processo conhecido como resiliência. 
(Imagens: fotografias de John Gutmann)          

0 comentários:

Postar um comentário