Brasil produzirá etanol de 2ª geração

sábado, 19 de julho de 2014
"No entanto, se observarmos, sob o prisma da história das instituições, vemos como a liberdade se corrige por uma intensa servidão voluntária, já que as duas funcionam bem juntas... Será que, um dia, a liberdade chegou a existir verdadeiramente? Sem dúvida, ela existiu enquanto ideia, enquanto ideal, em uma espécie de imaginação iluminista da modernidade, uma espécie de parênteses um tanto quanto maluco."  -  Jean Baudrillard  -  De um fragmento a outro

Nos anos 1970 o Brasil importava a maior parte de seus combustíveis, aumentando a dívida externa do país. Em 1975, atuando junto com a indústria automobilística e o setor sucroalcooleiro, o governo lançou o programa Proálcool (Programa Nacional do Álcool), que visava à utilização do álcool derivado da cana-de-açúcar como combustível para veículos, reduzindo com isso as importações de derivados de petróleo.
A aceitabilidade do programa junto às montadoras e ao público consumidor foi gradualmente aumentando. No final dos anos 1980 parte dos veículos de passeio brasileiros era movida a álcool. No entanto, problemas de disponibilidade do combustível fizeram com que consumidores e montadoras perdessem a confiança no programa, o que provocou queda nas vendas e, consequentemente, na fabricação de veículos a álcool.
Nos anos 1990 o Proálcool toma novo impulso com o desenvolvimento da tecnologia “flexfuel”, que permite ao motor queimar tanto gasolina quanto etanol. A tecnologia foi regulamentada pelo governo em 2003, fato que impulsionou fortemente as vendas de veículos flex.
Nos últimos anos o programa do carro a álcool – apesar de seu forte apelo ambiental e de envolver diversos setores da economia brasileira – voltou a perder sua aceitabilidade junto aos consumidores. O principal problema é que o uso do etanol estava se tornando antieconômico, já que rodando com este combustível a rentabilidade do veículo é menor, comparado à gasolina. Desta maneira caiu a demanda por álcool e aumentou o uso da gasolina, que em parte é importada. A queda nas vendas do etanol e a falta de reajuste em seu preço provocaram a maior crise pela qual já passou o setor sucroalcooleiro. Segundo reportagem publicada pelo jornal Folha de São Paulo, nas últimas cinco safras 44 usinas encerraram suas atividades, 33 estão em recuperação judicial e dez não deverão moer cana-de-açúcar neste ano.
Apesar da situação, o setor está desenvolvendo novas tecnologias e com apoio financeiro do BNDES prepara a implantação da primeira unidade de produção de álcool celulósico no Brasil. A usina está localizada na cidade de Piracicaba e tem capacidade de produção de 40 milhões de litros de etanol. O biocombustível é o chamado de “segunda geração”, produzido a partir do bagaço, das folhas, cascas e outros resíduos da cana-de-açúcar. Se a experiência for bem sucedida, segundo o vice-presidente de etanol, açúcar e bioenergia da Raízen, Pedro Mizutani, a empresa pretendem construir mais sete unidades no país, investindo aproximadamente R$ 2 bilhões e produzindo cerca de 1 bilhão de litros de etanol celulósico. O volume ainda é diminuto em comparação ao consumo do mercado brasileiro (21 bilhões de litros em 2013), mas representa o marco inicial de uma nova tecnologia que poderá aumentar a produção brasileira do biocombustível.
O físico, professor e pesquisador do programa brasileiro do etanol celulósico, Igor Polikarpov, é um entusiasta da tecnologia. Segundo ele, temos um “pré-sal de biomassa” para fabricar o combustível: “disponibilidade de terra e água, luz solar à vontade e uma cadeia produtiva já montada, com vasta quantidade de matéria-prima pronta para ser processada”. Atualmente a equipe envolvida no projeto está pesquisando enzimas capazes de processar a celulose e outros componentes orgânicos, a fim de transformá-los em etanol.
(Imagens: pinturas jainistas)    

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