“As pessoas que imaginam se ‘eventos
mentais são processos cerebrais sofisticados’ tacitamente supõem que se algo é
mental qua mental, então não pode ser um processo cerebral, e
se algo é um processo cerebral qua processo cerebral, então
não poderá ser mental. Ambas as assunções estão erradas. Alguns de nossos
processos cerebrais são processos subjetivos qualitativos da consciência
existindo em nossos cérebros. São características de nossos cérebros da mesma
maneira que a liquidez da água é uma característica da água, ou como a solidez
da mesa é uma característica da mesa. A consciência não é uma substância extra
secretada pelo cérebro, mas uma condição do próprio. Uma vez que as pessoas
percebam isso, então a maioria, ainda que não todos, dos problemas mente-corpo
simplesmente desaparecerão.”
“O ponto não é simplesmente que todos
os nossos estados mentais são causados por processos mentais, mas eles são, de
fato, características do cérebro. Agora, o problema aqui não é somente a mente
e o corpo com a causação. As pessoas supõem que a explicação causal deve ser
algo totalmente ontologicamente diferente da ontologia básica dos fenômenos que
isso explica. Mas isso não é verdade. A mesa em que meu computador está suporta
o computador. Qual a explicação causal para isso? Bem, a explicação causal é
que o comportamento das moléculas é tal que o computador não passará através
delas. Há uma explicação causal para a solidez da mesa, mas com certeza a
explicação causal explica a própria característica do sistema do qual o
comportamento causa a característica. Semelhantemente com a consciência e o
cérebro. O disparo de neurônios explica uma característica do cérebro, a
consciência, que é uma característica do próprio sistema cujo comportamento
explica a consciência em virtude de seus disparos dos neurônios.”
John Searle (1932-2025), filósofo estadunidense em entrevista para o livro O Que Pensam Os Filósofos Contemporâneos?, do filósofo e professor Léo Peruzzo Júnior




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