Gilbert Freyre (1900-1987)

quinta-feira, 3 de abril de 2025


Veja entrevista do sociólogo, antropólogo, historiador escritor e ensaísta brasileiro Gilberto Freyre, autor de Casa Grande e Senzala (1933), um dos clássicos da sociologia mundial. O vídeo está disponível no site Núcleo de Memória abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=EG97N0x0Rd4

Essa não poderia faltar

quarta-feira, 2 de abril de 2025

 A mesma música, duas versões:



Crosby, Still, Nash & Young

Woodstock (1970) 

https://www.youtube.com/watch?v=4lx86B6a3kc




Joni Mitchell

Woodstock (2021 remaster)

https://www.youtube.com/watch?v=ZzZTSfXcHYI

Leituras diárias

terça-feira, 1 de abril de 2025



“Se alguém tivesse feito esta pergunta a mim, eu teria respondido que, se ele se referisse aos agnósticos, eles não têm credo; e, pela natureza do caso, não podem ter. O agnosticismo, de fato, não é um credo, mas um método, cuja essência reside na aplicação rigorosa de um único princípio. Esse princípio é de grande antiguidade; é tão antigo quanto Sócrates; tão antigo quanto o escritor que disse: ‘Experimente todas as coisas, segure o que é bom’; é o fundamento da Reforma, que simplesmente ilustrou o axioma de que todo homem deve ser capaz de dar uma razão para a fé que está nele; é o grande princípio de Descartes; é o axioma fundamental da ciência moderna. Positivamente, o princípio pode ser expresso: em questões do intelecto, siga sua razão até onde ela o levar, sem levar em conta qualquer outra consideração. E pode ser expresso negativamente: em questões do intelecto, não finja que as conclusões são certas se não são demonstradas ou demonstráveis. Isso eu considero ser a fé agnóstica, na qual se um homem se mantiver íntegro e imaculado, ele não terá vergonha de olhar o universo na cara, seja qual for o futuro que possa ter reservado para ele. 

Os resultados da elaboração do princípio agnóstico variarão de acordo com o conhecimento e a capacidade individual e de acordo com a condição geral da ciência. Aquilo que não está provado hoje pode ser provado amanhã com a ajuda de novas descobertas. Os únicos pontos fixos negativos serão aquelas negações que fluem da demonstrável limitação de nossas faculdades. E a única obrigação aceita é ter a mente sempre aberta a ser convencido. Os agnósticos que nunca falham na realização de seus princípios são, receio, tão raros quanto outras pessoas das quais a mesma consistência pode ser verdadeiramente prevista.” (Huxley, págs. 34 e 35).

 

Thomas Henry Huxley (1825-1895), biólogo e antropólogo inglês em Agnosticismo

1º de abril - 61 anos do golpe civil-militar de 1964

(Fonte: CRP/SP)

Outras leituras

segunda-feira, 31 de março de 2025


 

“Formada entre os anos de 1554 e 1555, a Confederação dos Tamoios durou até 1567, com sua derrota final diante da campanha militar sob o comando do governador-geral Mem de Sá. O momento-chave da aniquilação em massa das tribos litorâneas de língua tupi-guarani foi a construção da fortaleza que marca a fundação da cidade do Rio de Janeiro, no coração do território hostil, base para a vitória militar dos portugueses, com o massacre dos tupinambás. O Brasil não foi, dessa forma, descoberto e ocupado. Foi conquistado em uma luta na qual pereceram milhares de pessoas, entre índios e europeus, portugueses e franceses. Nela, sacrificaram-se velhos, mulheres, crianças e religiosos. Morreram guerreiros e soldados anônimos, chefes de tribo e comandantes, entre os quais um sobrinho e um filho do próprio Mem de Sá. Dali em diante, o caminho estava aberto para a hegemonia de Portugal, tanto sobre os franceses, que tentaram se instalar no Brasil a partir da Guanabara, quanto sobre os índios remanescentes, dispersos e incapazes de oferecer resistência. ‘É certo que os manuais escolares não esquecem a valiosa contribuição das populações nativas para a nossa formação sociocultural, mas pouco informam sobre o seu extermínio, quando não o explicam como consequência inevitável, quase natural, de um longo e difícil processo de acomodação de interesses conflitantes’, afirmou Francisco M . P . Teixeira.” (Guaracy, págs. 18 e 19) 

 

“Com Ramalho, Martim Afonso teve a perspectiva de estabelecer ali uma base para o comércio de pau-brasil e a captura de escravos, aproveitando o fato de que São Vicente se tornara escala para as naus que faziam a rota das Índias pela corrente do Atlântico. Conheceu o planalto de Piratininga, no qual Ramalho havia se estabelecido. Dali, poderia realizar incursões pelo sertão para capturar escravos. Martim Afonso se interessou pelo Peabiru, a velha trilha indígena sertão adentro, que poderia se transformar em acesso para as minas de ouro de Potosí, já em território espanhol, e, mais adiante, ao rico império Inca – vasta extensão que ia dos Andes à floresta amazônica. Por sua determinação, uma expedição com noventa homens partiu de Cananeia, em 1 de setembro de 1531, sob o comando de Pedro Lobo, tendo Francisco de Chaves como guia, com o objetivo de explorar essa via. O resultado da expedição foi funesto. Como confirmam registros da Câmara de São Paulo, encontrados pelo historiador Pedro Taques de Almeida Paes Leme, os exploradores foram dizimados por índios guaranis quando atravessavam o rio Paraná, perto das cataratas do Iguaçu. Em 22 de janeiro de 1532, Martim Afonso fundou a vila de São Vicente, primeira povoação colonial do Brasil, chamada pelos índios de Uapú-nema. O preposto do rei reafirmava o nome já dado a toda a ilha por Gaspar de Lemos, em 1502. Seria a primeira das sete vilas criadas na costa durante o período de dom João III, seguida de Porto Seguro, na Bahia (1534), a Vila do Espírito Santo (1535), Olinda (1537), Santos (1543) e Salvador (1549). Martim Afonso imediatamente instalou na nova povoação os símbolos do poder organizado: uma igreja (o poder atemporal), a câmara dos vereadores (o poder secular) e um pelourinho (o judiciário). Mandou ainda levantar uma trincheira na barra de Bertioga (do tupi Buriquioca, ‘cova dos [macacos] bugios’). Localizava-se no canal que separa do continente a ilha de Guaíbe, mais tarde chamada pelos portugueses de Santo Amaro, vizinha da ilha de São Vicente.” (Guaracy, págs. 68-69) 

 

“Com isso, João Ramalho passou a caçar índios em expedições por mar, atacando tribos tupinambás do litoral. Aldeias entre Ubatuba e Angra dos Reis foram invadidas e destruídas. Vivendo em aldeias, os tupinambás constituíam um alvo fixo. Em vez de fugir, defendiam-se – numa luta desigual. Seus guerreiros eram hábeis com o arco e o tacape, mas enfrentavam um páreo duro diante dos trabucos dos portugueses. Estes contavam também com o conhecimento da mata e a sede vingativa dos guaianazes, seus ferozes aliados, que os auxiliavam no combate. A Ramalho juntaram-se ainda tribos carijós, para as quais ele garantiu liberdade e proteção, em troca da colaboração na captura de índios inimigos. Os caçadores de homens de Piratininga não se limitavam a fazer incursões no litoral ao norte de São Vicente. Em 1553, o espanhol João Sanches, de Biscaia, que seguia para o Prata em uma nau da armada do tesoureiro real João de Salazar na qual se encontrava o alemão Hans Staden, já notava os efeitos da ação dos paulistas fora de território português. Em carta ao rei da Espanha, Carlos V, Sanches conta que encalhou sua nau nas proximidades de Jurumirim, como a chamavam os índios carijós, batizada depois pelos europeus de ilha de Santa Catarina, onde hoje está a cidade de Florianópolis. Não encontrou ajuda de qualquer espécie, ‘visto que a ilha de Santa Catarina estava despovoada por causa dos portugueses e seus amigos (selvagens) terem feito muitos saltos aos índios naturais da dita ilha, e aniquilado todos os silvícolas do litoral que eram amigos dos vassalos de Sua Majestade [sobretudo carijós]’” (Guaracy, págs. 77-78).

 

“Por sua vez, os portugueses criticavam os próprios jesuítas, dizendo que tinham se assenhorado dos índios, pois estes também trabalhavam praticamente como escravos nas propriedades da Igreja. ‘Eram verdadeiros servos […] não só nos colégios, como nas terras chamadas ‘dos índios’, que acabavam por ser fazendas e engenhos dos padres jesuítas’, afirmou Varnhagen. No fim das contas, a situação dos índios se tornava sujeita a todo tipo de interpretação. Os que restaram nas casas dos portugueses podiam ser alugados, vendidos ou forrados, mas pouco disso estava documentado. Nascia aí a ambígua figura do ‘agregado’, comum nas casas brasileiras ao tempo da colônia, em que se adotava ou dava sustento a um morador que não era da família. Este não era empregado, ou escravo, nem parente, e trabalhava na casa e nos negócios da família a título de gratidão por ter sido recolhido da pobreza. O agregado foi uma versão tropical da ‘casta de escravos que os árabes tomavam de seus pais para adestrar e criar em suas casas-criatórios, onde desenvolviam o talento que acaso tivessem’, afirma Darcy Ribeiro. Depois de conviver com os índios em Iperoig, e de toda sua experiência nas escolas, os jesuítas já haviam concluído que seu esforço com o ‘gentio’ era inútil, como afirma o próprio Nóbrega, em carta de 1559 ao então ex-governador-geral Tomé de Sousa: ‘como é gente brutal, não se faz nada com eles, como por experiência vimos todo este tempo que com ele tratamos com muito trabalho, sem dele tirarmos mais fruto que poucas almas inocentes que aos céus mandamos’. Veladamente, os jesuítas amadureciam a ideia de que a única saída para a colonização era o extermínio dos tupinambás. E não apenas defenderiam essa ideia na correspondência a seus superiores e com a corte em Lisboa como atuariam diretamente na sua execução.” (Guaracy, págs. 186-189) 

 

Thales Guaracy (1964-) jornalista, escritor e editor brasileiro em A conquista do Brasil

Paulo Vanzolini (1924-2013)

domingo, 30 de março de 2025


Veja depoimento do zoólogo, cientista e compositor brasileiro Paulo Vanzolini dado ao programa Intérpretes do Brasil. O vídeo está disponível no link abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=Xi4_gLf2Yqs

Privatização?

sábado, 29 de março de 2025

(Fonte: Remolino Cultural/ Facebook)
 

IA


 (Fonte: Pinterest)

Leituras diárias

sexta-feira, 28 de março de 2025


 

“A penetração do capital estrangeiro no setor industrial e seu papel na criação da grande empresa monopólica alteram substancialmente esta situação. O poder da grande empresa a converte no setor líder da classe dominante, representado pelos gerentes das grandes corporações multinacionais. A respeito destes homens, pouquíssimo estudados pelas ciências sociais, sabe-se que são geralmente estrangeiros e que fazem parte de uma espécie de estrato burocrático-empresarial internacional. Estão acostumados aos modelos de ação nacional de longo prazo destas companhias, sua visão ideológica certamente se baseia no pragmatismo científico e, portanto, no seu neocapitalismo baseado na grande corporação e no capitalismo de Estado liderado por uma tecnocracia apoiada nos grupos de pressão dos diferentes setores econômicos. Nesta situação, todas as classes do sistema de poder se reformulam. A oligarquia tradicional perde posições na hierarquia da classe dominante e se torna um setor quase residual. A burguesia industrial é obrigada a converter-se em sócia menor da corporação estrangeira. Parte das classes médias é incorporada às funções gerenciais e em geral se torna assalariada do grande capital. O capitalismo de Estado passa integrar-se diretamente à política do grande capital. O proletariado passa a organizar-se sindicalmente para pressionar o poder, e o camponês se transforma em proletariado sindicalizado ou em pequeno proprietário acomodado.” (Pág.51) 

 

Theotonio dos Santos (1936-2018), economista formulador da “Teoria da Dependência” em Socialismo ou fascismo: O novo caráter da dependência e o dilema latino-americano

"Capitalismo verde"

quinta-feira, 27 de março de 2025

"Capitalismo verde" está contribuindo para a preservação dos recursos naturais



"Capitalismo verde" está contribuindo para a preservação


"Capitalismo verde" está contribuindo para



"Capitalismo verde" está contribuindo



"Capitalismo verde"


(Fonte das imagens: diversas fontes da internet)

Caciporé Torres (1935 - )


Conheça mais sobre a vida e obra do artista no site Enciclopédia Itau Cultural e Wikipedia abaixo:

https://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoas/6169-cacipore-torres/obras

e

https://pt.wikipedia.org/wiki/Cacipor%C3%A9_Torres

Ler!

quarta-feira, 26 de março de 2025

 Não perca tempo na vida! Leia!

Fronteira - Almir Sater

Música brasileira


Almir Sater

Álbum: Instrumental Dois (1990)

Música: Fronteira




https://www.youtube.com/watch?v=GFe2NjwqXXg&list=RDGFe2NjwqXXg&start_radio=1&rv=tQ93CmbgVwI


Almir Eduardo Melke Sater (Campo Grande14 de novembro de 1956) é um violeirocantorcompositorator e instrumentista brasileiro. Seu estilo caracteriza-se pelo experimentalismo. Agrega uma sonoridade tipicamente caipira da viola de 10 cordas, também com influências das culturas fronteiriças do seu estado, como a música paraguaia e andina, ao mesmo tempo refletindo traços populares e eruditos.

Com mais de 30 anos de carreira e 10 discos solo gravados, Almir tornou-se um dos responsáveis pela preservação da viola de 10 cordas. O músico acrescentou um toque mais sofisticado ao instrumento, temperado com estilos estrangeiros como o blues, o rock e o folk, uma mistura de música folclórica, clássica e popular. Foi incluído na lista 30 maiores ícones brasileiros da guitarra e do violão (Categoria: Raízes Brasileiras) da revista Rolling Stone Brasil, em 2012.

 

Fonte do texto: Wikipedia 

Frases de Meio Ambiente

terça-feira, 25 de março de 2025

 

Somente quando a última árvore for derrubada, o último peixe comido e o último riacho envenenado, você perceberá que não pode comer dinheiro.”

 

Provérbio do povo indígena Cree (USA). Fonte: Jersey Girl Organics

Manuela Carneiro da Cunha (1943 -)

segunda-feira, 24 de março de 2025


Veja entrevista da antropóloga e professora luso-brasileira Manuela Carneiro da Cunha, referência nas áreas da antropologia histórica e etnologia. O vídeo é do canal Interpretes do Brasil (Luís Eduardo Mascaro):

Outras leituras

domingo, 23 de março de 2025


 

“Bach sabe que criou algo especial. Muitos países tiveram reis, rainhas, ditadores em um momento ou outro de sua história. Bach, Beethoven e muitos outros grandes compositores, matemáticos e cientistas trabalharam para esses governantes. Mas eles não foram confinados pelas circunstâncias. Eles foram movidos por sua própria paixão para produzir obras-primas. O trabalho deles os libertou. Pois são apenas os livros, a arte, a música e as descobertas que nos elevam a seres humanos verdadeiramente livres.”

 

“É claro que o destino do universo ainda precisa ser escrito. Mas o que sabemos é que o nosso fim está inseparavelmente entrelaçado com o nosso início, porque foram as energias da inflação e as energias escuras juntas que impulsionaram o nosso universo em sua expansão acelerada. Ambos controlaram e controlarão o crescimento do universo desde o primeiro ao último momento. E desde o início, ambos tiveram que ser calibrados corretamente para garantir que o nosso universo sobreviveu.”

 

“Hoje, muitos cientistas consideram evidente a possibilidade do nosso cosmos ser mais vasto do que um único universo. Pela primeira vez, temos o que precisamos para olhar para o céu a partir do nosso pequeno planeta e ver e testar os confins da teoria cósmica, para além do horizonte do nosso universo único. Agora, de dentro do nosso universo finito e efêmero, podemos finalmente alcançar o infinito e a eternidade.”

 

“A filosofia de Epicuro foi reintroduzida no mundo romano e na filosofia ocidental pelo poeta Lucrécio em seu poema épico De Rerum Natura (“Sobre a Natureza das Coisas”). Ao contrário de Platão, Epicuro rejeitou a necessidade da intervenção divina na formação e regulação do universo. Tal como Demócrito, ele pensava no mundo como um espaço e tempo infinitos contendo muitos universos – um multiverso. Mas, ao contrário de Demócrito, Epicuro acreditava que o mundo não tinha certezas.”

 

“O argumento fundamental entre um mundo determinista demócrito versus um mundo indeterminista epicurista é praticamente o mesmo que continua até hoje. Os dois lados permaneceram em um cabo de guerra, com ambos os campos por décadas divididas entre um universo clássico inspirado por Einstein, onde cada evento pode ser estimado e determinado, e uma teoria quântica do multiverso concorrente de um cosmos indeterminístico que permite muitos universos.”

 

“Antes de chegarem à nossa era, essas antigas teorias gregas viajaram através dos séculos seguintes. No século XIII, a visão aristotélica do cosmos fascinou o teólogo e filósofo ocidental Tomás de Aquino. Tomás de Aquino tentou conciliar o paradigma aristotélico com o cristianismo. Embora ainda respeitando a visão de Aristóteles, Tomás de Aquino postulou um universo que teve um começo e, portanto, exigia a intervenção divina para existir. Na Polónia do início do século XVI, o astrónomo Nicolau Copérnico, num artigo publicado pouco antes da sua morte em 1543, formulou o sistema heliocêntrico, no qual a Terra fazia parte de uma coleção de planetas que orbitavam o sol, embora durante grande parte de sua vida Copérnico tenha relutado em romper com a autoridade aristotélica e continuado a subscrever as esferas celestes de Aristóteles. Algumas décadas mais tarde, nas décadas de 1570 e 1580, o astrônomo dinamarquês Tycho Brahe descobriu que os planetas, incluindo a Terra, estavam de fato orbitando o Sol. Usando medições detalhadas, ele mostrou que os caminhos dos cometas passaram ao redor do Sol e, portanto, através das esferas celestes. Pela primeira vez, houve evidências observacionais para desafiar o ‘modelo de concha’ do universo de Aristóteles. O matemático e astrônomo alemão Johannes Kepler (1571–1630) baseou-se nos cálculos de Brahe para produzir as leis do movimento planetário, confirmando a posição central do Sol em nosso sistema solar.”

 

Laura Mersini-Houghton (1969-), física teórica, cosmóloga e professora albanesa-estadunidense em Antes do Big Bang (Before the Big Bang)

Leituras diárias

sábado, 22 de março de 2025


“O populismo vira tudo isso de cabeça para baixo, insistindo na unidade essencial do povo em sua luta com as elites. Como Jan-Werner Müller afirma, o populismo se equipara a ‘uma determinada imaginação moralista da política, um modo de perceber o mundo político que coloca um povo moralmente puro e plenamente unido — mas, em última análise, fictício — contra elites que são consideradas corruptas ou, de um modo ou de outro, moralmente inferiores’. Isso vai muito além do tipo de lógica majoritária a que estamos acostumados na democracia representativa, rumo a uma postura que muitos comentaristas veem como embrionariamente totalitária, em que todas as diferenças entre indivíduos são apagadas a favor de uma compreensão ‘monista’ do coletivo. O populismo é uma forma inabitual ou extraordinária de política. Ele se torna viável onde a política ‘normal’ não consegue fornecer soluções aos problemas que dizem respeito aos cidadãos ou que os motivam. As pessoas passam a olhar além do menu habitual de opções, voltam-se para um líder ou partidos que trazem uma análise mais radical abordando suas preocupações e prometendo resolvê-las.” (Tormey págs. 25 e 26). 

“O populismo é um efeito da crise, mas também pode ser sua causa. Políticos populistas compreendem que seu jogo só ganhará força se as pessoas acreditarem que existe uma crise que requer uma mudança radical de curso, uma nova política e uma nova liderança. Isso ajuda a explicar o caráter e o tom da política populista, que com frequência procura destacar alguma suposta deficiência, usando estatísticas distorcidas e linguagem e imagens dramáticas para tornar mais intenso o sentimento de que é necessária uma providência — providência que as elites são incapazes ou não estão dispostas a tomar.” (Tormey pág. 28). 

“Se não chegou a eliminar por completo a política, o neoliberalismo subordinou-a, a ela e à comunidade política, a uma agenda ditada de fora ou além do Estado-nação, deixando a impressão de que a política não importava. Isso foi motivo de comemoração para neoliberais como Margaret Thatcher, autora de uma declaração famosa: ‘Não existe alternativa’. Sermos informados de que não há nada que possamos fazer, individual ou coletivamente, para alterar um estado de coisas é uma fórmula para nos desligar da política. E esse, para os neoliberais, era o ponto. Por que incentivar a ideia de que os cidadãos podem mudar seus arranjos sociais e econômicos quando estava claro que o mercado detinha as respostas para a questão fundamental de como deveríamos nos organizar? Por que argumentar que a política é importante quando a economia e o mercado é que devem dominar o poleiro? Nessa leitura, não são os cidadãos que são ‘antipolíticos’, mas as elites. Foram as elites que procuraram nos convencer de que o Estado havia se tornado inflado demais, sobrecarregado demais, parecendo um obstáculo para a realização de metas individuais. Quanto menos Estado e política tivéssemos, mais livres estaríamos. Assim nos disseram.” (Tormey pág.63). 

“O populismo é um estilo redentor de política. O importante não é fazer com que o governo funcione melhor, fornecendo melhores serviços médicos ou resolvendo os muitos quebra-cabeças com que os que fazem as leis têm de lidar no dia a dia. O importante é a promessa de um país melhor, um mundo melhor, um povo mais feliz e mais satisfeito. Marine Le Pen promete tornar a França mais segura, mais unida e mais ‘francesa’. Beppe Grillo promete dar fim à corrupta forma de governo marcada pelo clientelismo e pelo favoritismo que há décadas tem se mantido na Itália. Bernie Sanders oferece ‘um futuro em que acreditar’. Jeremy Corbyn promete um governo ‘para os muitos e não para os poucos’. O populismo se alonga em promessas, mas é curto nos detalhes. Oferece um futuro promissor sem nos contar como será alcançado ou de que recursos precisará. Embora a imprecisão e a generalidade da promessa sejam dois dos pontos mais fortes do populismo como estilo de campanha e mobilização políticas, uma vez no poder o populismo pode se tornar uma fonte de decepção que leva à desilusão dos cidadãos. O populismo joga com altas expectativas. É o que o torna uma força política tão envolvente em termos emocionais, tão atraente. Os populistas não precisam ajustar sua mensagem a orçamentos limitados ou às dificuldades de melhorar a vida dos cidadãos. O próprio otimismo, combinado com uma extravagante visão de sua eficácia, cria a dinâmica associada aos regimes populistas: uma intolerância a instituições independentes, como a imprensa livre, o judiciário e órgãos autônomos da administração pública.”  (Tormey págs. 77 e 78).

 

Simon Tormey, professor e acadêmico irlandês em Populismo: Uma Breve Introdução

O que eles pensam

sexta-feira, 21 de março de 2025


 

“Tudo o que você não entendeu será finalmente resolvido - ambiguamente.”

“Afinal, pode ser que Deus não esteja dormindo, mas se escondendo de nós por medo.”

 

Elias Canetti (1905-1994), escritor e ensaísta búlgaro em O coração secreto do relógio (The secret heart of the clock)

Juros aumentam de novo: 14,5%!

quinta-feira, 20 de março de 2025



(Fonte: Auditoria Cidadã da Dívida)



Aumento de 1% da Selic concentra muito mais renda que a reforma do IRPF distribui:

Sem palavras


 (Fonte: Site Moises Cartuns)

Essa não poderia faltar

quarta-feira, 19 de março de 2025


 

Leslie West Band

Dear Prudence (Beatles) 1976


https://www.youtube.com/watch?v=Li04vWOJNFw


Outras leituras

terça-feira, 18 de março de 2025

 

“No século XVI EC, enquanto as produtoras de cerâmicas polícromas que ocupavam a calha do Solimões estabeleciam seus primeiros contatos com os europeus, o filósofo gascão Étienne de la Boétie redigiu seu Discurso da servidão voluntária (1574). Nesse texto, La Boétie se pergunta: ‘Como pode ser que tantos homens, tantos burgos, tantas cidades, tantas nações suportam às vezes um tirano só, que tem apenas o poderio que lhes dão?’. Creio que essa seja uma das questões mais importantes que a arqueologia, não só na Amazônia, pode ajudar a entender. Por que, após dezenas de milhares de anos vivendo como caçadores-coletores, as sociedades humanas abriram mão de sua liberdade em prol da agricultura e do Estado? Os povos antigos da Amazônia central escaparam desse desígnio, desenvolvendo maneiras engenhosas de vida no bosque tropical. Essa é uma lição que vale a pena ser aprendida, nem que seja por seu valor ético.” (Neves, pág. 196).

 

Eduardo Góes Neves, arqueólogo brasileiro em Sob os tempos do equinócio: Oito mil anos de história na Amazônia central.

Antonio Risério (1953 -)

segunda-feira, 17 de março de 2025


Veja entrevista com Antonio Risério, antropólogo, poeta, ensaísta e historiador brasileiro para a série Intérpretes do Brasil, falando sobre o Nordeste brasileiro:

https://www.youtube.com/watch?v=oH9K8TJsaZw

Chaves e Freud

domingo, 16 de março de 2025

(Fonte: Instagram/memepsicanálise)

Zé Caboclo (José Antonio da Silva - 1921-1973)


Conheça mais sobre a vida e obra do artista no site Artesanato de Pernambuco abaixo:

https://www.artesanatodepernambuco.pe.gov.br/pt/mestres/ze-caboclo-familia/mestre

Leituras diárias

sábado, 15 de março de 2025


 

“Somente quando nos entendemos, podemos controlar nossas emoções. E só quando temos as nossas emoções sob controle, é que somos capazes de dirigir consistentemente a nossa atividade para um objetivo definido e racional. Nossa atividade decorre então de nossa própria natureza, e não da natureza das coisas externas que despertam nossas emoções e determinam sua força. E, como já foi observado, ser a causa necessária da nossa própria atividade é, segundo Spinoza, ser livre. É claro que é impossível que o homem seja alguma vez a única causa da sua atividade. Para ser tal, ele teria que ser um ser inteiramente independente – um poder absoluto – algo que ele nunca poderá ser. Não importa quão eloquentemente os entusiastas equivocados exaltem os poderosos méritos do ‘livre arbítrio’ do homem; sempre será verdade que as emoções, sensações e ideias do homem mudam muito significativamente com as mudanças orgânicas que ocorrem em seu corpo. As emoções, sensações e ideias de uma criança diferem das de um homem, e as de um homem maduro diferem das de um homem decrépito pela velhice. E estas e outras mudanças semelhantes estão muito além do controle do homem.”

 

Joseph Ratner (1901-1979), filósofo inglês em A Filosofia de Spinoza

O que eles pensam

sexta-feira, 14 de março de 2025


 

“O capitalismo, além de dominar o aparato militar, avança sobre corações e mentes: o Estado de bem-estar social, promessa da social-democracia do pós-guerra, foi substituído pelo neoliberalismo. O indivíduo toma o lugar da sociedade.”


Roberto Amaral, ex-ministro da Ciência e Tecnologia e ex-presidente do PSB em artigo “Como deter o avanço da direita?”, publicado no jornal online Carta Capital em 28/02/2025


Follow the money!

 (Fonte: Ateus.net)

Aziz Ab'Saber (1924-20212)

quinta-feira, 13 de março de 2025

 

Veja apresentação do geógrafo, professor e cientista Aziz Ab'Saber, que atuou nas área da geografia, ecologia e arqueologia. Um dos mais importantes cientistas brasileiros. O vídeo faz parte da série Intérpretes do Brasil:

https://www.youtube.com/watch?v=SQwJb2qNflw

Eletricidade no Brasil é uma das mais caras do planeta

quarta-feira, 12 de março de 2025

(Fonte: Profesional)

Os custos de eletricidade no Brasil são dos mais altos no mundo. Apesar da propalada abundância de recursos energéticos - energia hídrica, eólica, solar, biomassa, biogás - (sem falar da energia nuclear e da grande disponibilidade de gás de petróleo GLP),  os custos da energia elétrica pagos pelos consumidores são muito altos. 


  1) A tabela "Household electricity prices worldwide in June 2024, by country"

https://www.statista.com/statistics/263492/electricity-prices-in-selected-countries/

mostra os custos de eletricidade em 28 países no mundo.


2) A tabela "Minimum wage levels in the EU (European Union) 2025" mostra os salários mínimos na Europa.

https://qery.no/minimum-wage-levels-in-the-eu/

Observação: No Reino Unido o salário mínimo médio é de aproximadamente R$ 9.152,00 mensais. A Itália e a Dinamarca não têm salário mínimo oficial, mas os valores médios mínimos são de aproximadamente R$ 6.500,00 (Itália) e R$ 27.180,00 (Dinamarca).


3) Para os cálculos abaixo consideramos as taxas de:

1 US$ = R$ 5,81

1 Euro = R$ 6,00 (média de 90 dias)

 

De 1) e 2) e 3) temos os seguintes valores (aproximados):

País                 Custo da eletricidade*      Sal. mínimo

Alemanha                   R$ 339,88                R$ 12.966,-

Bélgica                       R$ 322,45                R$ 12.420,-

Irlanda                        R$ 322,45                R$ 13.692,-

Reino Unido               R$ 305,02  (aprox.) R$ 9.152,- 

Itália                            R$ 296,31 (médio)  R$ 6.500,-

Dinamarca                  R$ 278,88  (aprox.) R$ 27.183,-

França                        R$ 278,88                R$ 10.812,-

Brasil                          R$ 226,59                R$ 1.518,-


* Consideramos um consumo médio mensal de 150 kW 

PERGUNTA: 
Por quê a eletricidade é tão cara num país extenso e com tantos recursos naturais? A mesma pergunta é válida para o alto custo dos alimentos. 
Quem está faturando alto à custa dos baixos rendimentos da maior parte da população?

Trem fantasma - Robertinho de Recife

 Música brasileira


Robertinho de Recife

Álbum: Trem Fantasma (2019)

Música: Trem Fantasma (com Zé Ramalho)




https://www.youtube.com/watch?v=NzdwggP3gVY


Robertinho de Recife, nome artístico de Carlos Roberto Cavalcanti de Albuquerque (Recife5 de novembro de 1953), é um guitarristacompositorprodutor musical e arranjador musical brasileiro. Considerado um dos melhores guitarristas do Brasil, sua trajetória no universo da música popular consagra-o como profissional de múltiplos talentos e iniciativas.

No período em que foi músico de estúdio, tocava estilos radicalmente diversos ao acompanhar artistas como Jane DubocCauby PeixotoThe Fevers Hermeto Pascoal. Outras modalidades que também tocou incluem o heavy metal e a música infantil. Na ocasião do lançamento de seu disco "Rapsódia Rock", em 1990, apresentava-se vestido de Mozart.

 

(Fonte do texto: Wikipedia)