Como o "sonho americano" entrou em colapso
quarta-feira, 4 de novembro de 2026Labels: Antropologia, Cultura, Economia, Gestão Pública, Política, Sociologia
Sigmund Freud
terça-feira, 3 de novembro de 2026“Apenas
em um único campo de nossa civilização foi mantida a onipotência de pensamentos
e esse campo é o da arte. Somente na arte acontece ainda que um homem consumido
por desejos efetue algo que se assemelhe à realização desses desejos e o que
faça com um sentido lúdico produza efeitos emocionais – graças à ilusão
artística – como se fosse algo real. As pessoas falam com justiça da ‘magia da
arte’ e comparam os artistas aos mágicos.
Mas
a comparação talvez seja mais significativa do que pretende ser. Não pode haver
dúvida de que a arte não começou como arte por amor à arte. Ela funcionou
originalmente a serviço de impulsos que estão hoje, em sua maior parte,
extintos. E entre eles podemos suspeitar da presença de muitos intuitos
mágicos.”
Sigmund Freud (1856-1939), médico neurologista austríaco
e fundador da psicanálise em Totem e Tabu
(1913)
Outras leituras
segunda-feira, 2 de novembro de 2026“O
título de guarda-mor do campo de que já gozava João Ramalho é provável que lhe
fosse conferido por Martim Afonso de Sousa quando pela primeira vez ali fora,
em companhia do mesmo Ramalho, aos 10 de outubro de 1532.
Ao
que parece, Martim Afonso teve ótima impressão da visita que fez a Borda do
Campo. Achou que o lugar se prestava magnificamente para assento de uma povoação.
Viu
que aqueles terrenos, secos e descampados, deviam ser com vantagem preferidos
pelos colonos europeus, aos terrenos úmidos e baixos do litoral de São Vicente,
de aspecto selvagem, de um emaranhado de lianas quase medonho, em relação às
florestas de serra acima, que lhe
parecia uma continuação das terras eurpeias, com seus magotes de arvoredos, com
seus campos, como que já cuidados pela mão do homem civilizado.
Pensou
que seria ali, ou por aquelas imediações, a sede de sua colônia que mais tarde
se deveria estabelecer; porém como homem previdente que era, julgou que não
convinha distrair os poucos colonos que se achavam situados em São Vicente e
seu litoral.
Ordenou,
proibiu expressamente que nenhum branco fosse ao campo de Serra acima, nem se sitiar, nem regatear (negociar) com os índios sem licença ou dos capitães, seus
loco-Tenentes.
Dessa
regra geral apenas foi excetuado João Ramalho, o qual veio sitiar-se meia légua
diante da Borda do Campo, no lugar em que hoje existe a freguesia de São
Bernado (São Bernardo do Campo, na atual região
metropolitana de São Paulo – nota nossa).” (Calixto págs. 26 e 27).
Benedito Calixto (1853-1927), pintor, desenhista, fotógrafo, historiador e cartógrafo brasileiro em A Vila de Itanhém – Segunda povoação fundada por Martim Affonso de Souza, 1895
Jean-Claude Guillebaud
domingo, 1 de novembro de 2026“Nestas
condições, os desejos da massa poderiam, sem grande dificuldade, ser orientados
para um consumo determinado e para o consumismo em geral. É verdade que os
benefícios políticos esperados dessa
operação não eram negligenciáveis. A promoção do consumismo não servia apenas
para fazer a economia girar. Fabricar consumidores em vez de cidadãos permitia
colocar uma sociedade (relativamente) ao abrigo das paixões políticas e das
reivindicações plebeias. Em outras palavras, as massas tornavam-se dóceis por
meio do consumo. As teses de Bernays tinham tudo para agradar as grandes
sociedades que contrataram seus serviços. Para satisfazer os produtores de
porcos, ele promoveu a moda dos ovos com bacon no café da manhã; para a empresa
Procter & Gamble, ele tornou popular junto às crianças o sabão Ivory; em
benefício dos caminhões Mack Truck, ele arruinou deliberadamente a imagem das
ferrovias.”
“Citemos
André Gorz: ‘Encontra-se no terreno do consumo a mesma sujeição de si que
constatávamos no domínio do trabalho. A incitação para que o consumidor produza
a si mesmo à imagem do que a publicidade lhe propõe, e para que mude sua
identidade de empréstimo segundo as mudanças dos gostos da moda, prepara-o para
produzir-se em seu trabalho de acordo com o modelo que o tornará empregável e
vendável. Em qualquer um desses casos, a atividade de produzir a si mesmo é a
chave que dá acesso ao mudo social.’ ”
Jean-Claude Gullebaud (1944-2025), escritor, jornalista e ensaísta francês em A Vida Viva – Contra as novas dominações (2011)
Oração ao Tempo - Caetano Veloso
sábado, 31 de outubro de 2026Música brasileira
Caetano Veloso
Álbum: Cinema Transcendental (1979)
Música: Oração ao Tempo
https://www.youtube.com/watch?v=Xcpf473RJ3E
Cinema
Transcendental é um álbum do
cantor e compositor brasileiro Caetano
Veloso, lançado em 1979.
Algumas faixas do álbum fizeram sucesso no Brasil, como "Lua de São
Jorge", "Oração ao Tempo" e "Beleza Pura".
Tárik de
Souza, do Jornal do
Brasil, analisou positivamente o álbum, falando que
"Cansado de ser moderno, no sentido vanguardista do termo, Caetano Veloso,
seguindo a lição do poeta Carlos Drummond, preferiu eternizar-se. Para encurtar
caminho, resolveu logo cantar a transcendência".
(Fonte do texto: Wikipedia)
Bibliotecas
sexta-feira, 30 de outubro de 2026O vídeo foi feito pela equipe de reportagem do jornal O Estado de São Paulo:
Dia Nacional do Livro
quinta-feira, 29 de outubro de 2026Leituras diárias
“Freud
considerou três eventos fundamentais da modernidade. Primeiro, a astronomia de
Nicolau Copérnico e a física-matemática de Galileu Galilei possibilitaram o
entendimento de que a Terra não é mais o centro do universo, e que o
conhecimento científico depende da materialização do real, abalando o senso
comum da crença e da vontade. Expôs-se que a Terra gira em torno do Sol,
fazendo parte de um sistema com grandeza virtualmente inimaginável. É nesse
ponto que reside a primeira ferida narcísica: ao deslocarem a Terra do centro
do universo, a astronomia e a física-matemática mostram como o planeta em que o
ser humano vive é parte de um universo multi-centralizado em galáxias e sistemas.
No século 19, a teoria da evolução das espécies de Charles Darwin definiu o
animal humano a partir das mesmas leis que regem a evolução de todos os seres
vivos, rompendo com o mito de imagem e semelhança do criador. A segunda ferida
consiste na questão de que, embora racional, o ser humano não passa de uma
espécie animal, sujeita à mortalidade e à natureza como qualquer outra.
Por
fim, a psicanálise irrompe como terceira ferida – marcadamente sobre a
centralidade da consciência no funcionamento subjetivo. O conceito de
inconsciente impõe uma inevitável crítica ao modelo de indivíduo racional,
transparente e autorrealizável – junto aos impasses da identidade preconizado
pelo processo civilizatório. É o que Jacques Lacan irá destacar ao
reinterpretar a fórmula do cogito cartesiano a partir da descoberta freudiana
do inconsciente, subvertendo a centralidade do indivíduo transparente a si
mesmo, formalizado pela consciência entre pensamento e ser. Essa subversão é
formalizada por um novo cogito: penso onde não sou; sou onde não penso.”
“Poderíamos
pensar então, à luz dos descentramentos provocados pelas revoluções científicas, os
impasses tecnológicos do século 21 enquanto quarta ferida narcísica – em que a
digitalização nos assombra para a possibilidade de uma obsolescência humana; em
que automação mecânica, cognitiva e sensorial, promovida pelos avanços da IA
combinados com a robótica, parece tornar autônomas muitas das práticas que nos
definem enquanto humanos.
A IA
gera uma revolução em larga escala, cujos impactos ainda estão em processo de
dimensionamento. Algoritmos e internet das
coisas – os novos gadgets da ciência – vêm transformando, profunda e
velozmente, a subjetividade e o laço social. A velocidade dessas inovações tecnológicas
torna muito difícil (até mesmo para especialistas) acompanhar os avanços mais
recentes em tal domínio de pesquisa.”
Trecho do artigo O mal-estar na digitalização: Da ferida narcísica imposta pelas IAs ao risco de aniquilação, de Cian Barbosa, sociólogo e filósofo, e Cláudia Henschel de Lima, doutora em psicologia e professora. O artigo foi publicado na Revista CULT de maio de 2026
Steven Rose
quarta-feira, 28 de outubro de 2026“O
pecado da grande metáfora da seleção natural é sua dedução de que os organismos
são passivos, soprados de um lado para outro do ambiente pelo acaso, em vez de
serem atores ativos em seu próprio destino.
Segundo,
a seleção natural, a evolução, não tem o poder de prever mudanças futuras; é um
processo que só reage ao aqui e agora. Não há metas, tentativas de alcançar
alguma perfeição metafísica. A seleção, em qualquer ocasião, só pode funcionar
nos materiais que ela tem disponíveis. A evolução opera por acréscimos, por
remendo contínuo. Não é capaz de redesenhar e construir a partir do início.”
“Os
peixes, anfíbios, répteis e aves sobrevivem hoje porque são inteiramente ‘aptos’
para seus ambientes e estilos de vida – pelo menos tão aptos e ‘evoluídos’
quanto os seres humanos. Os processos de evolução que deram origem a seus
ancestrais lhes garantiram isso. A linha evolutiva que levou os mamíferos e daí
aos primatas e seres humanos descreve apenas uma das inúmeras trajetórias
evolutivas que geraram todas as atuais formas vivas e que continuam a
incentivar a adaptação em reação às contingências permanentemente em mutação do
meio ambiente.”
“Para
um não especialista, pisar nesse campo minado é claramente um perigo, mas o
consenso atual pareceria datar a divergência de pré-humanos (as formas mais
primitivas são conhecidas como hominoides; as mais recentes hominídeos) de seus
primos chimpanzés em uns 6 a 7 milhões de anos, enquanto o Homo sapiens apareceu como um ser diferente dos outros hominídeos
por volta de 200 mil anos atrás. Hoje, o H.
sapiens é o único membro sobrevivente do gênero Homo, e é um ponto de discussão saber se os diversos outros membros
fósseis do gênero coexistiram em diferentes épocas durante esse período de 6
milhões de anos ou se houve uma espécie Homo
de cada vez, implicando em algum tipo se progressão linear. Durante esse
período, no entanto, há o que pode ser interpretado como uma mudança sequencial
no desenvolvimento dos crânios; não apenas mudanças no tamanho dos cérebros,
determinadas pelo volume do crânio (medida como um molde endocraniano), mas
também a retração da face e das órbitas oculares sob o crânio, em vez de se
projetarem para fora como em outros símios. Isso permitiu a expansão dos lobos
frontais (embora a alegação de que os seres humanos têm lobos frontais desproporcionalmente
expandidos quando comparados a outros símios, vista até há pouco tempo como
controversa, já tenha sido contestada). Os crânios mais antigos atribuídos à
condição de H. sapiens já descobertos,
em Hero, na Etiópia, foram datados de cerca de 160 mil anos atrás. No entanto,
para quem está de fora, poderia parecer que quase cada fóssil descoberto
implica mais espécies de hominídeos (uma revisão recente inclui uns vinte)
irradiando-se por um período de cerca de 4 milhões de anos, depois da diferenciação
original dos ancestrais dos grandes símios de hoje.”
Steven Rose (1938-2025), neurocientista, pesquisador e professor inglês em O cérebro no século XXI (2005)
Fugiu
Frases de Meio Ambiente
terça-feira, 27 de outubro de 2026“A
crítica cultural do consumismo é necessária, mas perfeitamente insuficiente. É
preciso atacar o próprio modo de produção: se o problema é sistêmico, a solução
tem de ser antissistêmica, isto é, anticapitalista. O projeto ecossocialista
consiste em associar o "vermelho" - a crítica marxista do capital e a
alternativa socialista - com o "verde", a crítica ecológica do
produtivismo.”
Giacomo Leopardi
segunda-feira, 26 de outubro de 2026“A morte não é um mal, pois liberta o homem de todos os males e, juntamente com os bens, tira-lhe todos os desejos. A velhice é um mal extremo, pois priva o homem de todos os prazeres, deixando-lhe as vontades, e traz consigo todas as dores. A despeito disso, os homens temem a morte e desejam a velhice.”
“Nisso os homens têm uma desculpa, pois é raro alguém que tenha realmente mais do que precisa; e as necessidades dependem quase principalmente de hábitos, e as despesas, em geral, são proporcionais às riquezas e, muitas vezes, maiores. Os poucos que acumulam sem gastar têm essa necessidade de acumular para seus projetos ou para necessidades futuras ou temidas. Não importa que essa ou aquela necessidade seja imaginária, pois demasiado poucas são as coisas da vida que não consistem totalmente, ou em grande parte, de algo imaginado.”
“Rindo de nossos males encontro algum
conforto e procuro levá-lo a outrem do mesmo modo. Se não consigo, tenho como
certo que o rir de nossos males é o único proveito que se possa tirar e o único
remédio que nele se possa achar. Dizem os poetas que o desespero tem sempre um
sorriso na boca. Não deves pensar que eu não me condoa da infelicidade humana.
Mas não podendo defender-se dela com força ou com arte alguma, nem indústria ou
pacto algum, julgo muito mais digno do homem, e de um desespero magnânimo, rir
dos males comuns do que pôr-me a suspirar, a chorar e a clamar com os outros ou
incitá-los a fazer o mesmo.”
Giacomo Leopardi (1798-1837), ensaísta, filólogo, filósofo e um dos maiores poetas da língua italiana em Pensamentos e Opúsculos Morais, 1992
A frase do dia
domingo, 25 de outubro de 2026“Não pergunte o que você
pode fazer pelo seu país. Pergunte o que há para o almoço.”
George Orson Welles (1915-1985) ator, diretor e produtor de cinema
estadunidense, considerado um dos diretores mais aclamados de todos os tempos. Citado por Goodreads
Marcelo Leite
sábado, 24 de outubro de 2026“O
cerne da razão sociobiológica é a suposição de que os comportamentos humanos
encontrem sua explicação profunda na biologia (seleção natural) e, portanto,
tenham fundamento genético. Embora o termo em si tenha surgido somente em 1975,
com a publicação de um livro controverso de Edward O. Wilson, Sociobiology: The new synthesis (Sociobiologia
a nova síntese), como programa intelectual sua história se confunde com a da
eugenia e dos estudos sobre a hereditariedade da inteligência. Nas duas ou três
primeiras décadas após a Segunda Guerra Mundial, ainda sob o impacto das
atrocidades nazistas e em meio a um clima de reconstrução, essa perspectiva
permaneceu eclipsada e prevaleceu o otimismo ambiental, ‘nurturista’, segundo o
qual tudo poderia ser inventado no domínio da cultura, nurture tinha precedência óbvia sobre nature e se inaugurava uma ‘era da psicologia’ (Keller, 1983, p.
285), mas sementes poderosas haviam sido lançadas e permaneciam dormentes no
solo. Desde a década de 1930, por exemplo, a Rockfeller Foundation patrocinava
sob a rubrica ‘Ciência do Homem’ uma linha de pesquisa, no estilo do que viria
a se chamar de biologia molecular, voltada para o estudo do comportamento e
para seu controle (Kay, 2000, p.45).”
“A
sociobiologia de Wilson compõe um tipo peculiar de determinismo biológico, pois
não chega a ser experimental e nem mesmo genético (Sarkar, 1999, p.191n);
pressupõe que tanto os universais do comportamento (‘natureza humana’) quanto
suas variações e desvios individuais tenham substrato em genes, mas não se
propõe a identificar as correspondentes sequências de DNA ou trechos de
cromossomos equivalentes, contentando-se com combinar observações selecionadas
de etologia e antropologia com engenhosas hipóteses sobre o conteúdo adaptativo
de tipos comportamentais no passado remoto da espécie, do altruísmo à divisão
sexual do trabalho. Do outro lado do Atlântico, a obra inaugural da
sociobiologia foi The Selfish Gene (O
Gene egoísta), de Richard Dawkins, que, mesmo sem deixar o campo especulativo
característico da doutrina sociobiológica, chega mais perto do determinismo
genético propriamente dito. Afinal, poucas obras foram tão enfáticas ao
conferir um papel de primazia para o DNA nos labores da evolução, alçando os
genes à condição de protagonistas (na condição de replicators) e rebaixando organismo à de meros veículos (interactors) para multiplicação
daqueles.”
Marcelo Leite, jornalista, doutor em sociologia e divulgador científico brasileiro em Promessas do Genoma (2006).
Voto crítico
sexta-feira, 23 de outubro de 2026Leituras diárias
"Falamos
como se houvesse um eu unificador que nos sustenta ao longo da vida, ou dia
após dia, mas, na verdade, quando olhamos sinceramente para dentro de nós
mesmos, não encontramos nada além desse fluxo mental; a introspecção honesta
não revela a suposta substância metafísica do eu simples e contínuo. Não há
nada disso lá dentro. Há um pensamento perturbador, porque nos faz parecer
muito menos substanciais do que presumíamos: não há solidez no eu, apenas uma
espécie de conjunto perpetuamente móvel de estados psicológicos. A noção de eu
parece se dissolver diante de nossos olhos, como um pedaço de gelo derretendo
em um líquido. O corpo é uma entidade sólida, visivelmente duradoura ao longo
do tempo e dotada de integridade material em qualquer momento dado, mas aquilo
que nos agrada chamar de eu é como uma mistura variável de percepções
distintas. Em termos simples, não existe um eu, pelo menos não da forma como
ingenuamente supomos; e isso, segundo Hume, torna-se evidente assim que
começamos a buscá-lo de forma introspectiva.
Hume
não afirma isso explicitamente, mas a mesma observação pode ser feita sobre a
noção de caráter ou personalidade. Se pensarmos que cada pessoa possui algo
chamado caráter que define sua identidade – que a torna a pessoa que é – então
devemos nos perguntar se tal coisa pode ser encontrada por meio da
introspecção. Mas certamente nunca encontramos tal entidade; encontramos apenas
ocorrências conscientes particulares – sensações, emoções, pensamentos e assim
por diante. O que chamamos de caráter não é um dado da consciência, mas uma
espécie de construção hipotética: supõe-se que de alguma forma ‘esteja por trás’
do que ocorre em nossa consciência, embora não seja ela própria um constituinte
da consciência.”
Colin McGinn (1950-) filósofo inglês em Shakepeare’s Philosophy – Discovering the Meaning Behind the Plays (A Filosofia de Shakespeare – Descobrindo o Sentido por Trás das Peças Teatrais)
O que eles pensam
quinta-feira, 22 de outubro de 2026Cortes
de Flávio Bolsonaro podem levar o Brasil à recessão
A
proposta de Flávio Bolsonaro de cortar gastos públicos em até 1,5% do Produto
Interno Bruto (PIB) pode levar o Brasil à recessão, ampliar a desigualdade e
comprometer a renda de trabalhadores e pequenos empreendedores.
A
avaliação é da economista Laura Carvalho, professora da Universidade de São Paulo (USP),
e do Nobel de Economia Joseph E. Stiglitz, em artigo publicado pelo site Project Syndicate.
Trecho de artigo publicado na revista eletrônica IHU Online em 22/10/2026
Música de vanguarda
Edgar Varèse
https://www.youtube.com/watch?v=DhpMBedBJ0k&list=PLwCr9cqVvxlZWNQuOxt_hT-rxerOlA_9U&index=11
Edgar(d)
Victor Achille Charles Varèse (Paris, 22 de
dezembro de 1883 — Nova Iorque,
em 6 de novembro de 1965) foi um compositor francês naturalizado estadunidense.
É amplamente reconhecido como um dos pioneiros da música eletrônica e da música contemporânea, tendo influenciado
profundamente a estética sonora e conceitual da música erudita moderna.
(...)
Sua primeira grande criação em solo americano foi escrita entre 1918 e
concluída em 1921, Amériques. A
peça, composta para grande orquestra, rompe com estruturas tradicionais,
propondo uma nova morfologia sonora baseada em timbres contrastantes, massas em
transformação e um espaço acústico em constante mutação. Para isso, Verèse
desenvolveu o que chamou de matéria sonora proteiforme, palavra criada a
partir do mito grego de Proteu,
onde há a descrição de uma divindade com poder de se metamorfosear, e criou o
conceito de campo sonoro, influenciado pela teoria quântica de campos e na relatividade geral de Albert Einstein,
de 1915. Contudo, a obra foi estreada apenas em 1926, interpretada
pela Orquestra da Filadélfia, sob regência
de Leopold
Stokowski.
Varèse
influenciou diversos músicos e compositores modernos inclusive da área do rock
progressivo e jazz, como o compositor, guitarrista e arranjador estadunidense Frank Zappa.
(Fonte do texto: Wikipedia e editor do blog)
"Flavinho-bomba" no Brasil?
Ruy Mauro Marini
quarta-feira, 21 de outubro de 2026Assista ao documentário sobre a vida e obra de Ruy Mauro Marini (1932-1997) Ruy Mauro Marini e a dialética da dependência do canal Expressão Popular.
Ruy Mauro Marini foi cientista social e um dos elaboradores da Teoria da Dependência. Exilado do país durante os anos da ditadura militar, Marini foi professor no Chile e no México.
De volta ao Brasil em 1980, dedica-se à pesquisa e ao ensino. Conheça detalhes sobre suas atividades e ideias no vídeo abaixo:
Labels: Autores, Cultura, Economia, Gestão Pública, Jornalistas/Escritores, Política, Sociologia
A frase do dia
terça-feira, 20 de outubro de 2026“Onde quer que a moral se baseie na
teologia, onde quer que o que é justo seja tornado dependente de uma autoridade
divina, as coisas mais imorais, injustas e infames podem ser justificadas e
estabelecidas.”
Ludwig Feuerbach (1804-1872), filósofo e antropólogo alemão em A Essência do Cristianismo
Bibliotecas
segunda-feira, 19 de outubro de 2026Pousada - Lou Borges
domingo, 18 de outubro de 2026Música brasileira
Lou Borges (1952-2025)
Música: Pousada (2026 - lançamento póstumo)
Álbum: A Estrada
https://www.youtube.com/watch?v=ZDCNPrwsFuI&list=PLTiej1LIy3djYnQEk9l5HU5U72BB_F-oU&index=1
A Estrada é
o álbum póstumo de Lô Borges e chega
como reflexo de um dos períodos mais férteis de sua trajetória artística. O
disco é o oitavo lançado em oito anos, marca que evidencia uma fase de intensa
produtividade criativa e reafirma a vitalidade de um compositor que permaneceu
ativo, inquieto e profundamente comprometido com a canção até seus últimos
trabalhos.
(Fonte
do texto: Site Phono)
Leituras diárias
sábado, 17 de outubro de 2026“Uma crença inabalável no progresso contínuo está no cerne da maior parte da teoria econômica moderna, notadamente naquilo que é considerado o paradigma econômico atual: o neoliberalismo. A expectativa de progresso tornou-se tão arraigada no público em geral — após uma experiência histórica tão prolongada de avanços tecnológicos que levaram a uma qualidade de vida cada vez melhor (pelo menos no Ocidente) — que raramente questionamos esse princípio ou as teorias que o sustentam. Quaisquer vozes que o questionem — como ambientalistas ou teóricos do ‘decrescimento’, por exemplo —, embora ouvidas com o devido respeito, não refletem o sentimento da maioria.
Uma economia em expansão é considerada a norma em nosso cotidiano. É isso que todos os governos se empenham em proporcionar, cientes de que sua popularidade depende disso. Partidos políticos que defendem o oposto — talvez propondo a implementação de políticas de decrescimento caso eleitos — dificilmente conquistam muito apoio. O otimismo neoliberal quanto aos efeitos benéficos do livre mercado — também conhecido como ‘fundamentalismo de mercado’ — parece imune a quaisquer evidências em contrário. Discordo profundamente dessa posição. Para pessimistas como eu, parece simplesmente irrealista afirmar que a crise de crédito de 2007-2008 — em grande parte inesperada e não prevista pela maioria dos economistas convencionais — será a última do gênero. Basta um olhar superficial sobre a história econômica para perceber que ciclos de expansão e retração não são a exceção, mas a regra geral. Isso deveria suscitar certo grau de ceticismo. Para o historiador econômico Charles P. Kindleberger, a história econômica moderna pode ser mais bem descrita como uma sucessão de ‘manias, pânicos e quebras’, como se observa em fenômenos como a infame Bolha dos Mares do Sul, no início do século XVIII, ou a especulação desenfreada com bulbos de tulipa na Holanda do século XVII.”
“Na Grécia clássica, acreditava-se que os deuses podiam controlar os acontecimentos no mundo humano. Os seres humanos eram, assim, meros joguetes em seus planos, e a mensagem clara era a de que não tínhamos — nem jamais poderíamos ter — pleno controle sobre nossos próprios destinos. Por fim, os indivíduos se viam diante de probabilidades adversas, independentemente de quanto sucesso tivessem alcançado anteriormente. Em ‘Édipo Rei’, de Sófocles, testemunhamos os eventos trágicos que podem ocorrer quando nosso destino escapa ao nosso controle. A história é muito conhecida e deu origem ao conceito freudiano de ‘complexo de Édipo’, que mantém vivos os seus temas no mundo moderno. Ela também tem sido fonte de fascínio e inspiração para gerações de artistas e compositores desde a Antiguidade clássica (a adaptação do texto em forma de oratório por Igor Stravinsky, com libreto de Jean Cocteau, é um exemplo notável do século XX).”
Stuart Sim, professor, crítico literário e crítico social inglês em A Philosophy of Pessimism, 2015 (Uma Filosofia do Pessimismo)
Jessé de Souza
sexta-feira, 16 de outubro de 2026“Como
o que denominamos de economia se refere à forma específica como a produção e
distribuição de bens materiais e simbólicos são viabilizados, a questão aqui é
sobre quem fica com muito e quem fica com pouco ao fim e ao cabo desse
processo. Essa questão, que é o núcleo da economia, não é nem técnica nem ‘econômica’;
é ‘moral’ (e política) e é respondida pela forma dominante com que dada
sociedade ‘escolhe’ quem merece o acesso privilegiado aos bens econômicos.
A economia é, portanto, sempre e em todos os casos, uma ‘economia política’. Afinal, o que decide para privilégio de quem a economia funciona é uma questão moral e política e não econômica. O ‘espírito’ do capitalismo é uma questão moral e política e não econômica. O ‘espírito’ do capitalismo como sistema econômico remete, portanto, à necessidade inevitável de uma construção moral que o legitima a partir de ‘fora’, ainda que de modo imperceptível enquanto tal. Em outras palavras, a economia funciona melhor quanto mais invisível for a base moral que a legitima e que permite a reprodução no tempo da atividade econômica.”
“Essa opacidade da justificação moral no capitalismo é constitutiva do capitalismo, ou seja, um recurso sem o qual ele não funcionaria. A explicação para isso é simples. Pode-se obrigar as pessoas a ir ao seu local de trabalho e, se houver controle e vigilância constantes (o que envolve custos crescentes), também obriga-las a realizar suas funções porque necessitam do salário no final do mês para aplacar a fome. Mas isso seria pouco. Como qualquer sistema de dominação eficiente e que pretende se reproduzir no tempo, o capitalismo necessita se legitimar, ou seja, fazer com que as pessoas acreditem no que fazem e que, se possível, se empenhem o máximo possível. O sucesso do capitalismo nem sequer pode ser compreendido sem o trabalho de legitimação prévio no sentido de ganhar a boa vontade, a adesão ativa e o comprometimento de seus participantes.”
“Como explicação totalizante hegemônica da história do país, no entanto, é a elite que seleciona tudo o que o povo vai ver na imprensa e na indústria cultural. Assim, por sua força e pregação diária, imaginamos que somos mais corruptos que os outros povos e por isso imbecilizados a ponto de entregar de bandeja a Petrobrás e a Odebrecht aos americanos, posto que seriam, ao contrário de nossos políticos, honestos, produtivos e confiáveis. A mesma ideia vai explicar também por que toda corrupção estaria só no Estado e na política. Com uma mesma ideia é possível matar dois coelhos: culpa-se a política e o Estado por tudo de ruim, o que fragiliza a política como um todo e apequena a participação popular; e aproveita os golpes também para ‘privatizar’ – um eufemismo do saque sobre a riqueza pública – as empresas estatais lucrativas e produtivas a preço de banana.”
Jessé de Souza (1960-) sociólogo, advogado, professor e escritor brasileiro em Por que a esquerda morreu? E o que devemos fazer para ressuscitá-la, 2025.
Labels: Autores, Cultura, Jornalistas/Escritores, Política, Sociologia
Paul M. Churchland
quinta-feira, 15 de outubro de 2026“Se realmente existe uma entidade distinta, na qual o raciocínio, as emoções e a consciência têm lugar, e se essa entidade depende do cérebro unicamente para experiências sensoriais, como entrada de dados, e para execuções da vontade, como saída, então seria de esperar que a razão, a emoção e a consciência fossem relativamente invulneráveis ao controle direto ou às patologias resultantes da manipulação ou de danos ao cérebro. Mas, de fato, é exatamente o oposto que ocorre. O álcool, os narcóticos ou a degeneração senil de tecidos nervosos danificam, incapacitam ou mesmo destroem a capacidade de pensamento racional de uma pessoa. A psiquiatria conhece centenas de produtos químicos que controlam as emoções (o lítio, a cloropromazina, a anfetamina, a cocaína, e assim por diante), que entram em ação ao ser transportados até o cérebro. A vulnerabilidade da consciência aos anestésicos, à cafeína e a algo tão simples quanto uma pancada forte na cabeça mostra sua dependência muito estreita com relação à atividade neural no cérebro. Tudo isso faz plenamente sentido se a razão, as emoções e a consciência forem atividades do próprio cérebro. Mas faz muito pouco sentido se elas forem puramente atividades de alguma outra coisa.”
“Como todos os organismos, exceto os mais simples, nós temos um sistema nervoso. E pela mesma razão: um sistema nervoso torna possível uma orientação discriminativa do comportamento. Mas um sistema nervoso é apenas uma ativa matriz de células, e uma célula é apenas uma ativa matriz de moléculas. Somos extraordinários apenas porque nosso sistema nervoso é mais complexo e potente que o das outras criaturas à nossa volta. Nossa natureza interior difere da de criaturas mais simples apenas em grau, mas não em gênero.”
“Se
essa é a descrição correta de nossas origens, então não parece haver
necessidade, nem espaço, para a introdução de substâncias ou propriedades
não-físicas em nossa explicação teórica de nós mesmos. Somos criaturas da
matéria. E deveríamos aprender a conviver com esse fato.”
Paul M. Churchland (1942-), filósofo especializado em
neurofilosofia e filosofia da mente canadense em Matéria e Consciência (2004)
Os cortes de Flavinho
quarta-feira, 14 de outubro de 2026Essa não poderia faltar
The Flower Kings
The Bridge (2019)
https://www.youtube.com/watch?v=vXIAau3A6rM&list=PLPRRD-TPe2tCJDY3Te5P28ZvbmZyWa6Si&index=5
Queremos teu voto!
terça-feira, 13 de outubro de 2026A frase do dia
“Cada vez mais acredito que Deus não pode ser julgado por este
mundo. É um estudo mal-acabado dele.”
Vincent van Gogh (1853-1890), pintor pós-impressionista
holandês, considerado um dos mais influentes na moderna arte ocidental, citado
por Albert Camus em O Homem Revoltado













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