Frank Zappa
Little
Umbrellas (1969)
“Quem poderá dizer ao homem o que acontecerá depois dele debaixo do sol?” (Eclesiastes 6,12)
Segredos
da arte mágica surrealista
Composição
surrealista escrita, ou primeiro e último esboço
“Instale-se
confortavelmente no lugar mais favorável à concentração de sua mente e faça com
que lhe tragam material de escrita. Abstraia de seu gênio, de seu talento, e
também do gênio e do talento dos outros. Diga a si mesmo que a literatura é um
dos mais tristes caminhos que levam a tudo. Escreva rápido, sem qualquer
assunto preconcebido, rápido bastante para não reter na memória o que está
escrevendo e para não se reler. A primeira frase surgirá por si mesma, a tal é
verdade que, a cada segundo, ocorre uma frase estranha ao nosso pensamento
consciente, que mais não quer do que se exteriorizar. É muito difícil
pronunciar-se sobre o caso da frase seguinte; ao que tudo indica, ela
participa, ao mesmo tempo de nossa atividade consciente e da outra, se admitirmos
que o fato de ter escrito a primeira implica um mínimo de percepção. Isto,
aliás, deve importar-lhe pouco; é nessas coisas que reside a maior parte do
interesse suscitado pelo jogo surrealista.” (Breton, pág. 45)
André Breton (1896-1966), escritor e poeta francês, líder do Movimento
Surrealista (1924) em Manifesto
do Surrealismo
“O
que antes era a apropriação privada do Estado por linhagens políticas e
burocráticas tornou-se, hoje, a subordinação do Estado à lógica da acumulação
financeirizada. Não se trata de “menos Estado”, mas de outro uso do Estado como
menor garantia de direitos e mais comprometido com a proteção da riqueza,
propriedade, pagamento da dívida, fluxos financeiros e grandes interesses
econômicos. Ao longo de mais de três décadas de dominância neoliberal no
Brasil, o Estado capturado passou a sustentar a continuidade dessa ordem
neopatrimonial por meio de juros elevados, rearranjos cambiais, baixo
investimento, privatizações e reconfiguração das políticas públicas.”
“Na
sua forma neoliberal, a corrupção não se resume mais a propina, clientelismo ou
troca de favores, embora tudo isso continue existindo. Ela se transforma também
em arquitetura institucional do privilégio. Corrupção, nesse plano, é fazer da
legalidade um mecanismo de transferência regressiva de riqueza, organizando
regras fiscais, monetárias, regulatórias e administrativas de modo que
interesses privados apareçam como se fossem interesses gerais.”
Marcio Pochmann (1962-), economista, professor, pesquisador e político brasileiro em artigo As faces da oligarquia brasileira, publicado no jornal online Outras Palavras em 15/04/2026
e
https://www.catalogodasartes.com.br/artista/Oswaldo%20Pinheiro%20-%20Osvaldo%20Pinheiro/
“Nosso conhecimento atual de neurobiologia deixa claro que não existe liberdade absoluta. Muitos fatores genéticos e influências ambientais no início do desenvolvimento, por meio de seus efeitos no desenvolvimento do nosso cérebro, determinam a estrutura e, portanto, a função do nosso cérebro pelo resto de nossas vidas. Como resultado, começamos a vida não apenas com uma série de possibilidades e talentos, mas também com muitas limitações, como uma tendência congênita ao vício, um nível predefinido de agressividade, uma identidade de gênero e orientação sexual predeterminadas e uma predisposição para TDAH, transtorno de personalidade borderline, depressão ou esquizofrenia. Nosso comportamento é determinado desde o nascimento.”
“O fato de muito ser determinado durante nosso desenvolvimento inicial se aplica não apenas a transtornos psiquiátricos, mas também ao nosso funcionamento no dia a dia. Nascemos em um ambiente linguístico que molda a estrutura e a função do nosso cérebro sem que tenhamos a liberdade de escolher nossa língua materna. O ambiente religioso em que acabamos após o nascimento também determina como moldamos nossa espiritualidade (cujo nível é geneticamente predeterminado) — ou seja, se nosso foco será a crença, o materialismo ou as preocupações ambientais. Em outras palavras, nossa herança genética e todos os fatores que afetaram permanentemente o desenvolvimento inicial do nosso cérebro nos impõem uma série de limitações internas; não somos livres para decidir mudar nossa identidade de gênero, orientação sexual, nível de agressividade, caráter, religião ou língua materna. Nem podemos decidir ter um determinado talento ou nos abster de pensar. Como escreveu Nietzsche: Um pensamento vem quando ‘ele’ quer, não quando ‘eu’ quero. Nossa influência sobre nossas escolhas morais também é limitada. Aprovamos ou rejeitamos as coisas, não porque tenhamos pensado profundamente sobre o assunto, mas porque não podemos fazer de outra forma. A ética é um produto do nosso antigo instinto social de fazer o que é bom para o grupo, uma descoberta que remonta a Darwin.”
“Como nosso cérebro sobrecarregado toma decisões constantemente usando processos inconscientes, o psicólogo de Harvard, Daniel Wegner, fala de uma vontade inconsciente em vez de livre-arbítrio. O inconsciente toma decisões em frações de segundo com base em eventos ao nosso redor, um processo determinado pela forma como nossos cérebros se formaram durante o desenvolvimento e pelo que aprendemos desde então. O ambiente complexo e em constante mudança em que vivemos significa que nossas vidas nunca podem ser previsíveis, e a forma como nossos cérebros se desenvolveram significa que não pode haver livre-arbítrio completo. No entanto, acreditamos que estamos constantemente fazendo escolhas livres, e chamamos isso de ‘livre-arbítrio’. De acordo com Wegner, isso é uma ilusão.”
“O
trabalho de Wegner demonstra claramente que tanto as ações em si quanto a ideia
‘consciente’ de iniciar uma ação são desencadeadas por processos inconscientes
no cérebro. Não é possível supervisionar esses processos, mas é possível
interpretar a ação resultante. A ‘imagem consciente’ que nossos cérebros
registram quando realizamos uma ação nos dá a sensação de que a executamos
conscientemente. Mas essa sensação não constitui prova de uma cadeia causal
consciente de eventos que levam à ação. De acordo com o psicólogo de Amsterdã,
Victor Lamme, a ilusão da consciência só ocorre deliberadamente quando a
informação sobre a ação que está sendo realizada é transmitida de volta ao
córtex cerebral. Wegner acredita que a ilusão do livre-arbítrio é necessária
para conferir legitimidade pessoal a uma ação.”
Dick Frans Swaab (1944), médico, neurobiólogo e
professor holandês em We are our brains –
A neurobiography of the brain from the womb to Alzheimer’s (Nós somos
nossos cérebros – Uma neurobiografia do cérebro do útero ao Alzheimer)
Música brasileira
Orquestra Tabajara
Álbum: 50 anos Orquestra Tabajara (1985)
Música: Espinha de Bacalhau (Severino Araújo, 1937)
A Orquestra
Tabajara foi fundada em 1934 na cidade
de João Pessoa (Paraíba), pelo empresário e
cônsul holandês Oliver Von Sohsten. À época da fundação, a orquestra levava o
nome de Jazz Tabajara. Em 1937,
com a inauguração da Rádio
Tabajara, a orquestra foi contratada para fazer parte de seu
elenco. Daí, a fama da orquestra chegou ao Rio de Janeiro, então capital do
país e pólo de produção musical. Em dezembro de 1944, a Orquestra Tabajara
recebeu da Rádio Tupi o
convite para se apresentar na capital e a estreia aconteceu no dia 20 de
janeiro de 1945, tendo tido grande repercussão no país.
A
orquestra permaneceu por dez anos como contratada da Rádio Tupi. Posteriormente, passou mais cinco
anos na Rádio Mayrink Veiga, dez na Rádio Nacional e cinco
na TV Rio.
Em 1952 a orquestra tocou em Paris, por ocasião do lançamento do algodão
brasileiro, na Festa do Jaques Fath;
em 1955, apresentou-se no Carnaval de Montevidéu; no ano de 1961, apresentou-se
na feira internacional, em Buenos Aires; em 1989 tocou no Casino
Estoril, de Lisboa e em 1990 excursionou por diversas cidades de
Portugal.
(Fonte do texto: Wikipedia)
“Em
face dos danos causados pelos automóveis à saúde humana, assim como à
mobilidade geral – embora o automóvel particular tenha contribuído, durante
décadas, para a mobilidade individual, e ainda possa servir a esse fim desde
que a forma e usá-lo seja profundamente transformada – já se tornou consensual
que eles reduzem a mobilidade geral. Assim, não é demais imaginar que esses
objetos serão severamente restringidos.”
Eduardo Fernandez Silva, economista com especialização em desenvolvimento urbano, professor universitário em Meio Ambiente & Mobilidade Urbana
“Pelo que acontece hoje, são imagináveis as condições de trabalho e de vida dos trabalhadores durante o longo período em que inexistiu qualquer legislação trabalhista ou em que esta mal começava a ser elaborada. Os salários eram muito baixos e, por sinal, segundo dados do Censo de 1920, situavam-se em São Paulo em nível inferior ao do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul, o que acrescentava mais uma vantagem para os industriais paulistas; a jornada de trabalho habitual se estendia de onze a doze horas e as condições higiênicas e de segurança, dentro das fábricas, só podem ser caracterizadas como calamitosas. Na indústria têxtil, em particular, o proletariado era constituído, em sua maioria, por mulheres e crianças.
Segundo testemunho insuspeito do começo do século XX, a idade mínima para o trabalho fabril era de...cinco anos! Numa das fábricas de Matarazzo, foram encontradas máquinas de proporções apropriadas ao manejo infantil. Pior ainda: os menores viam-se forçados a horários noturnos de onze horas e, com frequência, sofriam espancamentos dentro das fábricas. Não havia descanso semanal remunerado, férias remuneradas, seguro contra acidentes, previdência social, nada, enfim, que impusesse algum limite legal à taxa de exploração da força de trabalho. A exploração desenfreada se combinava com duas táticas calculistas por parte do patronato: a do paternalismo e a da repressão policial.”
Jacob Gorender (1923-2013), historiador, cientista social e escritor brasileiro em A Burguesia Brasileira
“Essa constatação nos põe diante da evidência de que a civilização surgida da Revolução Industrial europeia conduz inevitavelmente a humanidade a uma dicotomia entre ricos e pobres, a qual se manifesta entre países e dentro de cada país de forma pouco ou muito acentuada. Segundo a lógica desta civilização, somente uma parcela minoritária da humanidade pode alcançar a homogeneidade social ao nível da abundância. A grande maioria dos povos terá que escolher entre a homogeneidade a níveis modestos, de consumo e um dualismo social de grau maior ou menor.”
“Não
me escapava que o verdadeiro desenvolvimento dá-se nos homens e nas mulheres e
tem importante dimensão política. A história subsequente não fez senão
confirmar minhas opiniões iniciais. Assim, como ignorar que foi porque a partir
de 1964 o Brasil paralisou seu desenvolvimento político – em realidade,
retrocedeu nesse plano enquanto sua sociedade crescia e se nos fazia mais complexa
–, como ignorar, dizíamos, que nos tornamos uma nação de difícil
governabilidade, que destrói recursos escassos e cumula problemas de forma
alucinante?
A
visão global também me fez perceber, desde começos dos anos 70, que a fratura
do subdesenvolvimento se faria mais deformante à medida que se aprofundasse a
crise manifesta que aflige a civilização consumista em vias de planetarização.
Que é inerente a essa civilização um processo depredador, já o sabíamos há
muito tempo: as fontes de energia em que se funda o estilo de vida que ela
estimula caminham para a exaustão, eleva-se a temperatura em nosso ecúmeno e é
progressivo o empobrecimento da biosfera.”
Celso Furtado (1920-2004), economista, ministro do Planejamento e da Cultura, um dos maiores intelectuais brasileiros em Brasil a Construção Interrompida
“O conhecimento incessante da verdade faz com que o homem caminhe para o anjo. Chegarão primeiro os que mais depressa conheceram ao seu semelhante, tanto quanto a si mesmo. Nunca foi impossível o exato conhecimento próprio. É necessária, porém, a coragem bastante, para que cada qual se veja e se pegue, se espie e se apalpe, em cada um dos seus mais íntimos espaços físicos e morais.
Que as constantes feiuras a encontrar não nos retraia os olhos (no caso, o sentir) e as mãos. Depois, será mais fácil conhecer-se o próximo. E depois, então, mesmo que se minta, só se saberá da utilidade e do consolo da verdade. Faltará ânimo para o fingimento e a fuga, quando acreditarmos em que ninguém engana ninguém e em que somos capazes de conhecer o próximo, desde o instante inicial do primeiro conhecimento. A sintomatologia do mal é evidente e constante.
O homem mau ri errado. Por isso,
deve-se viver em multidão. Falar e rir em coro, andar e parar em batalhões.
Viver entre os que, simplesmente, estiverem vivendo. A vida coral nos alivia da
obrigação do êxito, do êxito que é casual (e verdadeiro) ou é fabricado e
cínico. Desconfiai dos feitos que são repetidamente comemorados com jantares e
missas de ação de graças!
É esta uma simples canção de fim de ano. Escrevia, confessando-me e comprometendo-me em cada uma das minhas pequenas descobertas. Se não atingi, rondei mais das vezes a insolente verdade dos homens e das coisas. Em vez disso, escreveria uma crônica de Natal… Mas, em tudo o que eu dissesse do Nascimento de Cristo e fraternidade humana, correria o erro constante de repetir: ‘Natal, Natal, bimbalham os sinos…’. 14/ 12/ 1956” (Trecho da crônica 'Canção de Fim de Ano').
Antônio Maria (Antônio
Maria Araújo de Morais - 1921-1964), jornalista, produtor de rádio e televisão,
cronista e compositor brasileiro em Manhã
de Carnaval & Outras Crônicas
“No
final do século XIX, berço do modernismo, não se sentiam as incertezas sobre a
máquina que sentimos hoje. Não havia estatísticas sobre poluição, nem a
perspectiva de fusões nucleares ou explosões no horizonte, e muito poucos dos
visitantes da Exposição Universal de 1889 tinham muita experiência com a
miséria em massa e o sofrimento silencioso contra os quais William Blake se
insurgiu e Friedrich Engels descreveu. No passado, a máquina havia sido
representada e caricaturada como um ogro, um gigante ou – devido à fácil
analogia entre fornos, vapor, fumaça e o Inferno – como o próprio Satanás. Mas,
em 1889, sua ‘alteridade’ havia diminuído, e o público da Exposição Universal
tendia a pensar na máquina como inquestionavelmente boa, forte, estúpida e
obediente. Pensavam nela como uma escrava gigante, um aço incansável,
controlado pela Razão em um mundo de recursos infinitos. A máquina significava
a conquista do processo, e apenas espetáculos muito excepcionais como o
lançamento de um foguete, podem nos dar algo que se assemelhe à emoção com que
nossos ancestrais na década de 1880 contemplavam as máquinas pesadas: para
eles, o ‘romance’ da tecnologia parecia muito mais difuso e otimista, atuando
publicamente em uma gama mais ampla de objetos, do que é hoje.”
Robert Studley Forrest Hughes (1938-2012) crítico de arte, escritor e
produtor de documentários australiano em The
Shock of the new (O choque do novo)
Soft
Machine
Floating
World (1975)
https://www.youtube.com/watch?v=_BlNEvCLdos&list=OLAK5uy_kQQLeMAf0Nl1-CKeziCf66Z8rm60ejGfg&index=12
“O
jornalismo deveria ser mais parecido com a ciência. Na medida do possível, os
fatos devem ser verificáveis. Se os jornalistas querem credibilidade a longo
prazo para a sua profissão, precisam seguir nessa direção. Devem ter mais
respeito pelos leitores.”
Julian Assange (1971-) jornalista australiano, fundador do site WikiLeaks, citado por BrainyQuote
“Darwin mostrou, através da seleção natural, que havia outra maneira que não a existência de um Fabricante de Relógios, uma maneira pela qual era possível uma enorme ordem surgir de um mundo natural mais desordenado sem a interferência de nenhum Fabricante de Relógios com inicial maiúscula. Era a seleção natural.”
“Em terceiro lugar, há a ideia dos muito mundos, ou muitos universos. E era isso que eu tinha em mente quando a princípio falei de história. Quer dizer, se a cada microinstante de tempo o universo se divide em universos alternativo, em que as coisas acontecem de modo diferente, e se existe no mesmo momento uma série imensamente grande, talvez infinitamente grande de outros universos com outras leis da natureza e outras constantes, então nossa existência não é tão impressionante assim. Existem todos estes outros universos em que não há vida. Só calhamos, por acidente, de estar em um que tenha. É um pouco como uma mão vencedora no bridge. A chance de, digamos, receber doze cartas de espadas é uma probabilidade absurdamente pequena. Mas é tão provável como receber qualquer outra combinação de cartas, portanto, se jogarmos tempo suficiente, algum universo terá que ter nossas leis naturais.”
“Assim,
conforme a ciência avança, parece haver cada vez menos coisas para Deus fazer.
É um universo enorme, é claro, portanto Ele, ou Ela, poderia ter utilidade em
muitos lugares. Mas o que claramente vem acontecendo é que está evoluindo
diante de nós um Deus das Lacunas; isto , o que não conseguimos explicar é
atribuído a Deus. Depois de um tempo, achamos a explicação, e a coisa deixa de
fazer parte do domínio divino. Os teólogos abrem mão dela, que, na divisão de
tarefas, passa para o lado da ciência.
Já vimos
isso acontecer muitas vezes. Então o que aconteceu foi que Deus mudou – se existe
mesmo um Deus do tipo ocidental, estou, é claro, falando apenas metaforicamente
–, Deus evoluiu para o que os franceses chamam de um roi fainéant – um rei que não faz nada –, que cria o universo,
estabelece as leis da natureza e aí se aposenta, indo para algum outro lugar.
Isso não está muito distante da ideia aristotélica do primeiro motor imóvel,
exceto pelo fato de que Aristóteles tinha dúzias de primeiros motores imóveis,
e ele achava que se tratava de um argumento a favor do politeísmo, o que hoje é
frequentemente negligenciado.”
Carl Sagan (1934-1996), astrônomo, cientista
planetário e divulgador científico em Variedades
da Experiência Científica – Uma visão pessoal da busca por Deus
“As pessoas que imaginam se ‘eventos
mentais são processos cerebrais sofisticados’ tacitamente supõem que se algo é
mental qua mental, então não pode ser um processo cerebral, e
se algo é um processo cerebral qua processo cerebral, então
não poderá ser mental. Ambas as assunções estão erradas. Alguns de nossos
processos cerebrais são processos subjetivos qualitativos da consciência
existindo em nossos cérebros. São características de nossos cérebros da mesma
maneira que a liquidez da água é uma característica da água, ou como a solidez
da mesa é uma característica da mesa. A consciência não é uma substância extra
secretada pelo cérebro, mas uma condição do próprio. Uma vez que as pessoas
percebam isso, então a maioria, ainda que não todos, dos problemas mente-corpo
simplesmente desaparecerão.”
“O ponto não é simplesmente que todos
os nossos estados mentais são causados por processos mentais, mas eles são, de
fato, características do cérebro. Agora, o problema aqui não é somente a mente
e o corpo com a causação. As pessoas supõem que a explicação causal deve ser
algo totalmente ontologicamente diferente da ontologia básica dos fenômenos que
isso explica. Mas isso não é verdade. A mesa em que meu computador está suporta
o computador. Qual a explicação causal para isso? Bem, a explicação causal é
que o comportamento das moléculas é tal que o computador não passará através
delas. Há uma explicação causal para a solidez da mesa, mas com certeza a
explicação causal explica a própria característica do sistema do qual o
comportamento causa a característica. Semelhantemente com a consciência e o
cérebro. O disparo de neurônios explica uma característica do cérebro, a
consciência, que é uma característica do próprio sistema cujo comportamento
explica a consciência em virtude de seus disparos dos neurônios.”
John Searle (1932-2025), filósofo estadunidense em entrevista para o livro O Que Pensam Os Filósofos Contemporâneos?, do filósofo e professor Léo Peruzzo Júnior
“Devemos acolher o futuro, lembrando que em breve ele será passado; e
devemos respeitar o passado, lembrando que ele já foi tudo o que era
humanamente possível.”
George Santayana (1863-1952), filósofo espanhol citado por Goodreads
Música brasileira
Charlie Brown Jr.
Álbum: Não Deixe o Mar Te Engolir (2000)
Música: Não Deixe o Mar Te Engolir
Charlie
Brown Jr. foi uma banda de rock brasileira formada
em Santos,
em 1992, tendo em sua formação original o vocalista Chorão, o baixista Champignon, os guitarristas Marcão Britto e Thiago
Castanho, além do baterista Renato Pelado. Sua
discografia contabiliza dez álbuns de estúdio lançados, três álbuns ao vivo e
sete DVDs. Excetuando
Chorão, todos os membros da banda são naturais de Santos,
uma vez que o vocalista é natural de São Paulo.
A
banda encerrou suas atividades em 2013, quando na madrugada do dia 6 de março
daquele ano, Chorão foi encontrado morto em seu apartamento em São Paulo,
devido a uma overdose de cocaína.
Posteriormente a isso os demais membros do Charlie Brown Jr. se reuniram em
projetos distintos para preservar a memória de Chorão e manter o seu legado
vivo.
(Fonte
do texto: Wikipedia)
“Mesmo depois da morte, alguma coisa parecia continuar compelindo Montaigne de volta ao fluxo da vida, em vez deixá-lo congelado numa lembrança perfeita. E seu verdadeiro legado nada tem a ver, em absoluto, com esse túmulo. É na posteridade turbulenta de Os Ensaios que ele pode ser encontrado, seu segundo ‘eu’ em interminável evolução. Eles continuaram vivos, e, para Montaigne, era sempre a vida que importava. Virginia Woolf gostava particularmente de citar este pensamento de seu último ensaio: era o mais próximo que Montaigne havia chegado da melhor ou definitiva resposta à pergunta sobre como viver.
A vida deve ser um objetivo em si mesma, uma finalidade em si mesma. Ou bem não se trata de uma resposta em absoluto, ou então é a única resposta possível. Ela tem a mesma qualidade que a resposta dada pelo mestre zen que, diante da pergunta ‘Que é o esclarecimento?’, deu com um bastão na cabeça daquele que perguntava. O esclarecimento é algo que aprendemos no próprio corpo, assumindo a forma de coisas que nos acontecem. Por isso é que os estoicos, os epicuristas e os céticos ensinavam truques, e não preceitos. Os filósofos podem oferecer apenas essa pancada na cabeça: uma técnica útil, uma aventura do pensamento, ou uma experiência — no caso de Montaigne, a experiência da leitura de Os Ensaios. O tema por ele ensinado é simplesmente ele próprio, um exemplo comum de um ser vivo. Embora Os Ensaios apresente uma diferente faceta para cada um, tudo, nele, converge nessa mesma figura: Montaigne. Por isso é que os leitores voltam a ele como a poucos outros do seu século, e mesmo a raros escritores de qualquer época. Os Ensaios é o seu ensaio . Testa e dá amostra de uma mente que é um ‘eu’ em si mesma, como todas as mentes o são.
Haverá talvez quem questione se ainda existe necessidade de um ensaísta como Montaigne. No mundo desenvolvido do século XXI, as pessoas já são excessivamente individualistas, além de estarem ligadas umas às outras num grau muito além dos sonhos mais delirantes de um cultivador de vinhedos do século XVI. Sua preocupação com o ‘eu’ em todas as coisas pode ficar parecendo um típico caso de pregação para convertidos, ou mesmo de fornecimento de drogas a viciados. Mas Montaigne oferece mais que uma mera indução à autocomplacência. O século XXI teria tudo a ganhar com uma concepção montaigniana da vida, e, nos momentos mais conturbados por que passou até agora, verificou-se quão terrivelmente precisaria de uma política montaigniana. Poderia valer-se da sua moderação, do seu amor à sociabilidade e à cortesia, de sua ausência de julgamento e da sutil compreensão por ele demonstrada dos mecanismos psicológicos envolvidos no confronto e no conflito. Precisa também da sua convicção de que, no mundo real, nenhuma visão do paraíso, nenhum Apocalipse imaginário, nenhuma fantasia perfeccionista pode ser mais importante que a mais minúscula das individualidades.” (Bakewell, págs. 350-360).
Sarah Bakewell (1963-), filósofa, escritora e professora britânica em Como viver: ou Uma biografia de Montaigne em uma pergunta e vinte tentativas de resposta
“Desde
os anos 1968, e particularmente na sequência da virada neoliberal, a mente
coletiva da humanidade passou por um profundo processo de reformulação. A
esfera do conhecimento objetivo foi enormemente ampliada, enquanto o tempo
disponível para a elaboração consciente diminuiu inversamente. Essa dupla
dinâmica provocou uma explosão de inconsciência. Inconsciência não significa
falta de informação (ignorância), mas sim uma redução sistêmica da assimilação
consciente subjetiva do conhecimento.
Nos anos 1968, todos esperavam um longo processo de emancipação social da miséria e da exploração. Essa percepção estava totalmente errada, como sabemos agora. A exploração e a miséria não diminuíram; elas se transformaram e se expandiram de muitas maneiras. Hoje, as expectativas predominantes são muito diferentes, quase opostas. Por quê? O que quebrou as expectativas de cinquenta anos atrás, o que provocou esse tipo de inversão de imaginação?”
“Dinheiro
e linguagem são as abstrações que movem o mundo: são nada, mas mobilizam a energia
que o transforma. A palavra latina abstrahere
significa 'arrastar para longe, entreter a partir de'. Abstração, portanto, é a
extração do nada de algo: a extração de uma relação matemática do conjunto
físico de fenômenos, a extração de um algoritmo informacional de um processo
material. Esse nada está funcionando.
Na
esfera da produção capitalista, o trabalho é abstraído da utilidade concreta da
atividade. Então, o próprio capital é abstraído dos ativos físicos e da
produção material de coisas, e transformado em pura relação matemática:
números, algoritmos, deduções. Corpos proliferam fora do bunker abstrato:
isolados do cérebro funcional do cadáver congelado do capitalismo, agem como
corpos dementes. Na era da plena implementação do autômato linguístico, o nada
assume a forma de conhecimento sem consciência.”
Franco “Bifo” Berardi (1949-) filósofo, historiador e
ativista social italiano em The Second
Coming (A Segunda Vinda)
“O ‘capitalismo
verde’, mesmo que os produtos sejam produzidos com o máximo cuidado ambiental e
projetados para fácil reutilização, não oferece uma saída para um sistema que
precisa se expandir exponencialmente e, portanto, continuar aumentando o uso de
recursos naturais, a poluição química, o efluente contaminado, o lixo e
muitas outras substâncias tóxicas. Algumas dessas ‘soluções’ provavelmente
diminuirão o ritmo da destruição ambiental, mas a magnitude das mudanças
necessárias supera em muito essas abordagens.”
Fred Magdoff, cientista do solo e professor estadunidense em What Every Environmentalist Needs to Know About Capitalism (O que todo ambientalista precisa saber sobre o capitalismo)
Um movimento que mudou a economia brasileira, impulsionando a industrialização, urbanização e o crescimento econômico.
O Estado planejando, fomentando e impulsionando a economia do país. Grandes projetos de infraestrutura, programas sociais, legislação trabalhista e criação de milhões de empregos. Veja mais no vídeo Desenvolvimentismo, da série Economia Brasileira, do canal de Louise Sottomaior: