“O
título de guarda-mor do campo de que já gozava João Ramalho é provável que lhe
fosse conferido por Martim Afonso de Sousa quando pela primeira vez ali fora,
em companhia do mesmo Ramalho, aos 10 de outubro de 1532.
Ao
que parece, Martim Afonso teve ótima impressão da visita que fez a Borda do
Campo. Achou que o lugar se prestava magnificamente para assento de uma povoação.
Viu
que aqueles terrenos, secos e descampados, deviam ser com vantagem preferidos
pelos colonos europeus, aos terrenos úmidos e baixos do litoral de São Vicente,
de aspecto selvagem, de um emaranhado de lianas quase medonho, em relação às
florestas de serra acima, que lhe
parecia uma continuação das terras eurpeias, com seus magotes de arvoredos, com
seus campos, como que já cuidados pela mão do homem civilizado.
Pensou
que seria ali, ou por aquelas imediações, a sede de sua colônia que mais tarde
se deveria estabelecer; porém como homem previdente que era, julgou que não
convinha distrair os poucos colonos que se achavam situados em São Vicente e
seu litoral.
Ordenou,
proibiu expressamente que nenhum branco fosse ao campo de Serra acima, nem se sitiar, nem regatear (negociar) com os índios sem licença ou dos capitães, seus
loco-Tenentes.
Dessa
regra geral apenas foi excetuado João Ramalho, o qual veio sitiar-se meia légua
diante da Borda do Campo, no lugar em que hoje existe a freguesia de São
Bernado (São Bernardo do Campo, na atual região
metropolitana de São Paulo – nota nossa).” (Calixto págs. 26 e 27).
Benedito Calixto (1853-1927), pintor, desenhista, fotógrafo, historiador e cartógrafo brasileiro em A Vila de Itanhém – Segunda povoação fundada por Martim Affonso de Souza, 1895











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