Elias Canetti

terça-feira, 24 de março de 2026

 

“Não me arrependo dessas orgias de compra de livros. Parece a época em que minha biblioteca se expandiu enquanto eu escrevia Massa e Poder. Tudo naquela época também acontecia por meio da aventura dos livros. Em Viena, quando eu estava sem dinheiro, ainda desembolsava dinheiro que não tinha em livros. Em Londres, nos piores momentos, eu ainda conseguia comprar livros de vez em quando. Nunca aprendi nada sistematicamente, como outros, mas sim em explosões repentinas. Tudo sempre começava com meus olhos caindo sobre algo que eu simplesmente precisava ler. A sensação de tirar um livro da prateleira, a alegria de desembolsar dinheiro, levá-lo para casa ou para um café, observá-lo, avaliá-lo, folheá-lo, guardá-lo por anos, finalmente descobri-lo de novo, quando realmente importava – tudo isso faz parte do processo criativo cujos detalhes ocultos eu não entendo. Mas é assim comigo, e até o dia da minha morte preciso comprar livros, principalmente quando tenho certeza de que nunca mais os lerei.

Acredito que isso também tenha a ver com a minha defesa da morte. Nunca quero saber qual desses livros permanecerá sem ser lido. Até o fim, não fica claro quais serão. Tenho a liberdade de escolher, pois, em meio a todos os livros que me cercam, sou livre para escolher a qualquer momento e, por meio dessa escolha, ter o curso da vida em minhas mãos.” 

 

Elias Canetti (1905-1994), escritor e ensaísta búlgaro-britânico em O Livro Contra a Morte (The Book Against Death)

Leituras diárias

segunda-feira, 23 de março de 2026

“É melhor para o intelectual não falar o tempo todo. Para começar, isso o esgotaria e, acima de tudo, o impediria de pensar. Ele deve criar, se puder, antes de tudo, especialmente se sua criação não ignora os problemas de seu tempo. Mas em certas circunstâncias excepcionais (Guerra da Espanha, perseguições e campos de concentração hitleristas, julgamentos e campos de concentração stalinistas, revolta húngara), ele não deve deixar margem para dúvidas quanto ao lado que toma; deve ser muito cuidadoso para não deixar sua escolha ser obscurecida por distinções astutas ou truques de equilíbrio discretos, e não deixar dúvidas quanto à sua determinação pessoal de defender a liberdade. Agrupamentos de intelectuais podem, em certos casos, e particularmente quando a liberdade das massas e do espírito está mortalmente ameaçada, constituir uma força e exercer influência; os intelectuais húngaros acabaram de provar isso (levante popular contra o domínio soviético em 1956). No entanto, deve-se salientar, para nossa própria orientação no Ocidente, que a assinatura contínua de manifestos e protestos é uma das maneiras mais seguras de minar a eficácia e a dignidade do intelectual. Existe uma chantagem permanente que todos conhecemos e à qual devemos ter a coragem, muitas vezes solitária, de resistir.”

 

Albert Camus (1913-1960), filósofo, jornalista, escritor e ensaísta francês em Resistance, Rebellion and Death (Resistência, Rebelião e Morte) 

Marcos Nobre

domingo, 22 de março de 2026

 

“O capitalismo é uma forma histórica que se caracteriza por organizar toda a vida social em torno do mercado. Em contraste com todas as formas históricas anteriores, o mercado capitalista não é simplesmente um elemento social entre muitos outros, mas é o centro para o qual convergem todas as atividades de produção e de reprodução da sociedade. Por isso, a tarefa primordial da Teoria Crítica desde sua primeira formulação na obra de Marx é a de compreender a natureza do mercado capitalista. Compreender como se estrutura o mercado e de que maneira o conjunto da sociedade se organiza a partir dessa estrutura significa, simultaneamente, compreender como se distribui o poder político e a riqueza, qual a forma do Estado, que papéis desempenham a família e a religião, e muitas outras coisas mais. 

Diferentemente de todas as formas históricas anteriores, no capitalismo todo e qualquer artefato é um produto para ser trocado. É a lógica da troca que determina o comportamento dos agentes no mercado, e não quaisquer outras motivações como valores, crenças religiosas ou determinações culturais. Não se pretende com isso dizer que não haja valores e crenças, mas sim que, no mercado, eles devem se subordinar à lógica da troca a mercadoria. Dizer que o mercado é o centro em torno do qual se organiza o conjunto da sociedade capitalista significa então dizer que, potencialmente, todo e qualquer bem deve ter um determinado valor, quer dizer, que todo bem deve poder ser apreciável, deve poder assumir a forma de uma mercadoria.” 

 

Marcos Nobre (1965-), filósofo e cientista social brasileiro em A Teoria Crítica

Música de vanguarda

 

Eunice Katunda




https://www.youtube.com/watch?v=rV3W32HKEIQ&list=RDrV3W32HKEIQ&start_radio=1


Eunice do Monte Lima Catunda (1915-1990) foi uma compositoraregentepianista e professora brasileira.

Iniciou seus estudos de piano com 5 anos de idade com a professora Mima Oswald, filha do compositor Henrique Oswald. Mais tarde será aluna de Oscar Guanabarino e, de 1936 a 1942, de Furio Franceschini, Marietta LionCamargo Guarnieri.

Em 1946, Eunice volta para o Rio de Janeiro e torna-se aluna do mentor do grupo Música Viva e introdutor da música dodecafônica no Brasil, Hans-Joachim Koellreutter, que terá grande influência na sua formação. É justamente de 1946 uma de suas principais obras - a cantata Negrinho do pastoreio. Em 1948, juntamente com outros alunos de Koellreutter, realiza viagem de estudos à Itália, onde estudará regência com Hermann Scherchen. Durante o curso, torna-se próxima de seus colegas de curso, Luigi Nono e Bruno Maderna.

A frase de Mário de Andrade é bem representativa dessa orientação: "O critério atual da Música Brasileira deve ser não filosófico, mas social. Deve ser um critério de combate." Assim, Eunice acaba por abandonar o Música Viva e distanciar-se dos seus amigos Nono e Maderna, assumindo a perspectiva da arte engajada, nos moldes do realismo socialista. Depois de assistir à capoeira no terreiro de mestre Waldemar da Paixão, escreverá um artigo, publicado em 1952, na revista literária Fundamentos. A compositora experimentaria, no final dos anos 1950 um período de grande aproximação com o mundo da cultura afro-brasileira, especialmente com o terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, para isso contando com o apoio de Pierre Verger. Eunice Catunda inspirou-se neste universo sonoro para diversas de suas composições, ao longo dos anos 1950.

 

(Fonte do texto editado: Wikipedia)

Outras leituras

sábado, 21 de março de 2026

 

“Em todos os países em que o homem é livre para pensar e para falar, diferenças de opinião surgirão de diferenças de percepção e da imperfeição da razão; mas estas divergências, quando permitidas, como acontece neste país feliz, a fim de se purificarem pela livre discussão, são apenas nuvens passageiras, que se espalham transitoriamente pela nossa terra e deixam, depois, o nosso horizonte mais resplandecente e sereno.”

 

O pensamento vivo de Thomas Jefferson (1743-1826), terceiro presidente dos Estados Unidos e principal autor da Declaração da Independência daquele país, apresentado por John Dewey (1859-1952), filósofo, psicólogo e educador estadunidense.

Ler

(Caetano Veloso/Blog)
Não perca tempo na vida! Leia!

 

Jonah R. Lehrer

sexta-feira, 20 de março de 2026

 

“Agora sabemos o suficiente para saber que nunca saberemos tudo. E por essa razão que necessitamos da arte: ela nos ensina a viver com o mistério. Somente o artista consegue explorar o inefável sem nos oferecer uma resposta, pois, às vezes, não há resposta. John Keats chamou esse impulso romântico de ‘habilidade negativa’.  Afirmava que certos poetas, como Shakespeare, tinham a habilidade de permanecer nas incertezas, nos mistérios e nas dúvidas sem a irritante vontade de procurar razões e fatos.”

“Como Karl Popper, um defensor eminente de ciência, escreveu: ‘É imperativo que desistamos da ideia de uma fonte definitiva de conhecimento e admitamos que todo conhecimento é humano: que está misturado com nossos erros, nossos preconceitos, sonhos e esperanças, que tudo que podemos fazer é buscar a verdade mesmo que esteja além de nosso alcance. Não existe nenhuma autoridade além do alcance da crítica.’”

 

Jonah R. Lehrer (1981-) escritor, neurologista e blogueiro estadunidense em Proust foi um Neurocientista – Como a arte antecipa a ciência

João Garcia

(Fonte: João Garcia/Site Com Ciência)

Lídia Lisbôa (1970-)

quinta-feira, 19 de março de 2026

Conheça mais sobre a vida e obra da artista no site Lídia Lisboa abaixo:

https://www.lidialisboa.com.br/

Michel Alcoforado (1986-)


Veja entrevista com o antropólogo brasileiro Michel Alcoforado, autor do livro Coisa de Rico - A vida dos endinheirados brasileiros. 

Como vivem e pensam os ricos brasileiros? Como se sentem num país que tem uma das maiores concentrações de renda no planeta? Como tentam conviver com estas grandes diferenças sociais?

A entrevista feita pela jornalista Thais Reis Oliveira para o canal Carta Capital em agosto de 2025 está no link abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=ydUFYL6roSA

Educação?

quarta-feira, 18 de março de 2026

(Fonte: Blog Política por Elas)

Guerra

            (Fonte: aterraeredonda/Quinho)

Outras leituras

terça-feira, 17 de março de 2026

 

“Machado de Assis travou contato com o ceticismo através de Montaigne e Pascal, e possivelmente também através de Erasmo, Voltaire, Plutarco e Luciano. Plutarco é crítico implacável do estoicismo e faz farto uso das críticas que os céticos acadêmicos desenvolveram ao longo de suas polêmicas com os estoicos. Luciano assemelha-se a Timão, principal discípulo de Pirro, ao mostrar (1) o conflito dos diversos sistemas filosóficos helenísticos; (2) a disparidade entre as teorias dos filósofos e realidade; e sobretudo (3) ao ridicularizar os filósofos e suas doutrinas. O primeiro ponto é observado por alguns dos personagens centrais de Machado, em particular o Conselheiro Aires e Jacobina de ‘O espelho’. O segundo ponto bem caracteriza o procedimento de Brás Cubas-autor em relação ao humanitismo e é a essência do conto ‘Ex-cáthedra’. O terceiro ponto verifica-se novamente no Humanitismo, em ‘Ex-cáthedra’ e em outros contos de Machado que satirizam diretamente filósofos e doutrinas como ‘Academias de Sião’, ‘Contos alexandrinos’ e o ‘Segundo Bonzo’.”

“Como já observou Afrânio Coutinho, Montaigne e sobretudo Pascal e o Eclesiastes, exerceram influência significativa na visão de mundo de Machado. O Eclesiastes é um dos livros do Velho Testamento preferidos pelos fideístas céticos (Montaigne e Pascal o citam inúmeras vezes) na medida em que ressalta a vaidade do saber humano. Tendo sido escrito por volta do século II a.C. na Palestina num período de marcante influência helenística, é impossível que tenha sido diretamente influenciado pelo ceticismo grego. Machado é consciente da conexão Montaigne-Pascal-Eclesiastes, pois associa este último, em uma crônica, a Motaigne e, em carta a Nabuco, a Pascal.”

 

José Raimundo Maia Neto, filósofo e professor brasileiro em O Ceticismo na Obra de Machado de Assis

Ler

segunda-feira, 16 de março de 2026


 Não perca tempo na vida! Leia!

A frase do dia

“O talento de falar de maneira diferente, mais que o de argumentar bem, é o principal instrumento da transformação cultural.”


Richard Rorty (1931-2007) filósofo e professor estadunidense , citado por Stephen Batchelor em Budismo sem Crenças

José de Alcântara Machado Oliveira

domingo, 15 de março de 2026

 

(A casa do bandeirante na cidade)

“Pouco, na verdade, os que restam desse tempo. Alheio à preocupação da beleza, o construtor não tem sequer a ânsia profundamente humana de duração. Despreza o granito, os elementos nobres. Aplica sem discernimento materiais que não suportam o clima, nem resistem ao tempo. No século XVIII se torna forçosa a reconstrução de quase todos os templos primitivos.

A pobreza da vila é de explicação facílima. Resulta da supremacia inconteste do meio rural sobre o meio urbano, supremacia que não entra a declinar senão mais tarde, com o advento do Império.”

“Na cidade o fazendeiro tem apenas a sua casa para descansar alguns dias, liquidar um ou outro negócio, assistir as festas civis ou religiosas. Um pouco. Nada mais. Só nos dias santos é que há gente na vila, e por isso mesmo são eles os escolhidos para o praceamento dos bens de órfãos.”

 

(a casa no campo) 

"Representa em suma a habitação permanente, o centro da atividade social, o solar da família. A outra, a da vila, de proporções modestas é apenas um teto destinado a abrigar o dono durante alguns dias ou semanas, e que, tirante ocasiões, permanece deserta e silenciosa, a entristecer o povoado.”

 

José de Alcântara Machado Oliveira (1875-1941), jurista, historiador, escritor, professor e político brasileiro em Vida e Morte do Bandeirante

Carmela Gross (1946-)

Conheça mais sobre a vida e obra da artista no site Carmela Gross abaixo:

https://carmelagross.com/

Leituras diárias

sábado, 14 de março de 2026

 

“Há uma série de afirmações sobre as quais os budistas podem ser descritos como céticos, como a afirmação de que existe um Ishvara (Deus pessoal). Eles não são, no entanto, céticos quanto à existência de um eu: afirmam que podemos saber que tal coisa não existe. Mas nenhum budista indiano é cético quanto a outro assunto que muitos diriam estar além das capacidades do conhecimento humano: a existência de carma e renascimento. Isso deveria, creio eu, nos fazer refletir ao considerar se algum budista endossa o tipo de ceticismo praticado pelos pirrônicos (filósofos céticos gregos do século IV AEC). Certamente Sexto Empírico veria a crença na ideologia do carma-renascimento como um obstáculo à tranquilidade (ataraxia).”

 

Mark Siderits (1946-), filósofo e professor de Filosofia do Budismo na Universidade do Havaí e Universidade de Yale em Buddhism and Scepticism (Budismo e ceticismo), organizado por Oren Hanner, filósofo e professor de Estudos sobre o Budismo na Universidade Duke

O perigo dos data centers

sexta-feira, 13 de março de 2026

(Fonte: TGR Datacenters)

Em todo planeta, países estão discutido e avaliando com bastante precaução a instalação dos data centers em seus territórios. 

Sabe-se que as promessas de criação de muitos empregos nem sempre são realizadas, e que estas instalações têm um colossal consumo de água e de eletricidade.

O atual governo brasileiro está criando uma série de facilidades para a instalação de vários data centers no país. Eldorado do Sul (RS), Maringá (PR) Rio de Janeiro (RJ) e Uberlândia (MG), deverão ter os primeiros centros instalados.

Somente estes primeiros data centers de inteligência artificial, poderão ter um consumo de energia equivalente a 16,4 milhões de casas (conforme site G1). Para se ter uma ideia, na cidade de São Paulo com cerca de 12 milhões de habitantes, o número de domicílios permanentes ocupados é de pouco mais de 4 milhões (conforme AI Overview).

Apesar do impacto ambiental e da pouca geração de empregos, projeto recentemente aprovado pelo Congresso isenta os data centers de impostos durante cinco anos. 

Valerá a pena facilitar tanto a vinda destes data centers ao país? Veja todos os aspectos desta situação nos links abaixo:

https://idec.org.br/dicas-e-direitos/data-centers-no-brasil-meio-ambiente-ia


https://idec.org.br/publicacao/nao-somos-quintal-de-data-centers


https://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2025/10/16/se-tiver-um-apagao-todos-serao-afetados-presidente-da-anatel-alerta-para-risco-de-concentracao-de-data-centers-no-brasil.ghtml

Tá difícil!

quinta-feira, 12 de março de 2026

(Fonte: A Terra e redonda /JotaCamelo)

Sinfonia em Re - Marconi Notaro

 Música brasileira


Marconi Notaro

Álbum: No Reino dos Metazoários (1973)

Música: Sinfonia em Re




https://www.youtube.com/watch?v=KdixOBZboeY&list=PLm7VTe8bokHGJqTll5KNi5l4Me2_AXQSQ&index=9


Marconi Notaro (1949-2000) foi um poeta e músico brasileiro.

Como poeta escreveu sete livros. Como músico, foi um representante da cena musical psicodélica recifense da década de 1970, junto com Ave SangriaFlaviolaZé RamalhoLula CôrtesLailsonRobertinho de Recife e outros. Seu trabalho mais conhecido é o álbum No Sub Reino dos Metazoários, de 1973.


(Fonte do texto: Wikipedia)

Salários baixos

quarta-feira, 11 de março de 2026

(Fonte: Facebook/ Ranking dos Políticos - Dados de 2025)

Allan Sieber

(Fonte: Allan Sieber/Revista Piauí)

Miguel de Unamuno

terça-feira, 10 de março de 2026

 

“É um princípio de continuidade no tempo. Sem entrar em discussão — uma discussão ociosa — se sou ou não sou o mesmo que era há vinte anos, é indiscutível, parece-me, o fato de que aquele que sou hoje provém, por uma série contínua de estados de consciência, daquele que eu era em meu corpo há vinte anos. A memória é a base da personalidade individual, assim como a tradição é a base da personalidade coletiva de um povo.

Mais de uma vez foi dito que todo homem infeliz prefere ser quem ele é, mesmo com suas desgraças, a ser outro sem elas. E é que os homens infelizes, quando mantêm a sanidade em sua desgraça, ou seja, quando se esforçam para perseverar em seu ser, preferem a desgraça à não existência. Posso dizer sobre mim que, quando era jovem, e mesmo quando era criança, as pinturas patéticas do inferno não me comoviam, pois desde então nada me parecia tão horrível quanto o próprio nada. Era uma fome furiosa de ser, um apetite de divindade, como nosso asceta disse.” 

“E toda essa batalha trágica do homem para se salvar, esse desejo imortal de imortalidade que fez o homem Kant dar aquele salto imortal do qual eu falava, tudo isso não passa de uma batalha pela consciência. Se a consciência não é, como disse algum pensador desumano, nada mais do que um relâmpago entre duas eternidades de trevas, então não há nada mais execrável do que a existência.” 

“Fiquemos agora com essa suspeita veemente de que o desejo de não morrer, a fome de imortalidade pessoal, o esforço pelo qual tendemos a persistir indefinidamente em nosso próprio ser e que é, segundo o trágico judeu (o filósofo Espinosa), nossa própria essência, é a base afetiva de todo conhecimento e o ponto de partida íntimo e pessoal de toda filosofia humana, forjada por um homem e para os homens. E veremos como a solução desse problema íntimo afetivo, solução que pode ser a renúncia desesperada de resolvê-lo, é a que colore todo o resto da filosofia. Até mesmo sob o chamado problema do conhecimento não há senão esse afeto humano, assim como sob a busca da causa não há senão a busca do para quê, da finalidade. Todo o resto é enganar-se ou querer enganar os outros. E querer enganar os outros para enganar a si mesmo. E esse ponto de partida pessoal e afetivo de toda filosofia e de toda religião é o sentimento trágico da vida.” 

 

Miguel de Unamuno (1863-1936), filósofo, ensaísta, escritor e poeta espanhol em O Sentimento Trágico da Vida

Nosso Deus

segunda-feira, 9 de março de 2026

(Fonte: Blog E Viva a Farofa!)

Essa não poderia faltar

 

Rory Gallagher

Just The Smile (1971)

https://www.youtube.com/watch?v=XcK7xSj6n9E&list=PLdgFk-dTMiRgRBNY5Oi7a5ZzTZqJdtZSs&index=2

Banco Master: e agora?

domingo, 8 de março de 2026

(Fonte: Correio Brasiliense/Blog da Denise/Gomez)

Leituras diárias


 

“Müller trocou correspondências com Darwin por 17 anos, no período de 1865 a 1882. A título de curiosidade vale lembrar que a primeira carta foi escrita por Darwin e enviada ao naturalista alemão após a leitura de seu livro. Se Müller tivesse escrito a Darwin depois da leitura de Origin (Origin of species – Origem das espécies de Darwin), ocorrida no ano de 1861, com certeza haveria mais epístolas disponíveis. Zillig (1997) traduziu as cartas entre os dois naturalistas para o português. Durante o processo de tradução, ele encontrou 39 cartas de Darwin a Müller e 34 de Müller a Darwin. Dentre os assuntos discutidos pelos naturalistas, nota-se que Darwin encomendava ao amigo residente no Brasil muitas pesquisas sobre assuntos impossíveis de se pesquisar na Europa. Exemplos são os tucanos, as orquídeas e as bromélias. A influência dos estudos de Müller sobre Darwin ainda é um assunto que carece de mais pesquisas na historiografia. Porém, nas edições posteriores de Origin corrigidas pelo autor, o nome de Müller é citado mais de 17 vezes (ZILLIG, 1997, p. 2). 

A amizade e a troca de informações científicas fizeram com que Darwin apelidasse Müller de ‘Príncipe dos observadores’ (CASTRO, 2007, p. 86) devido às observações minuciosas da natureza realizadas pelo naturalista. Aqui é importante ressaltar que, diferentemente dos naturalistas europeus, que possuíam à disposição os mais recentes equipamentos técnicos para suas pesquisas, todas as investigações de Müller feitas em Santa Catarina foram executadas com pouco equipamento. O equipamento mais luxuoso e tecnológico utilizando por Müller foi um microscópio simples enviado pelo amigo Schultze, da Alemanha. 

Os hábitos peculiares de Müller (andar descalço) só fomentaram os boatos na época. Vale ressaltar que a bisneta de Müller, Tula Mayer, concedeu uma entrevista para o documentário Fritz (2009). No depoimento, ela afirma que o seu pai, quando viu a estátua erguida na cidade de Blumenau em homenagem a Fritz Müller, exclamou: ‘Este não é o meu avô! Ele nunca andou calçado! Gustav Stutzer, pastor alemão residente em Blumenau em 1886, também descreve Müller em seu livro de memórias, publicado na Alemanha em 1928. A figura de Müller era tão exótica e singular que foi descrita da seguinte forma: ‘Logo depois da nossa chegada, notei um senhor que toda manhã, às nove horas, a passos lentos e largos, cruzava o centro da cidade. Não olhava nem para a direita e nem para a esquerda, e não respondia aos cumprimentos dos passantes. Sua aparência era tão estranha quanto ao seu comportamento. Descalço, ou de sandálias, magro e alto, vestia calças brancas de sarja, amarradas na cintura com um cinto preto, onde trazia pendurado um facão. Uma comprida bengala acompanhava seus passos lentos. Toda a figura dava a impressão de um autômato. No entanto, a lata coletora verde que levava nas coisas fazia saber que se tratava de um colecionador. Era sem dúvida uma figura muito original.’ (CASTRO, 2007, p. 126).” 

  

Flavia Pacheco Alves de Souza, doutora em Biologia e professora na Universidade Federal do ABC em Notas de um naturalista do sul do Brasil: Fritz Müller: história da ciência e contribuições para a biologia

João Manuel Cardoso de Mello (1942-)

sábado, 7 de março de 2026


Veja palestra do professor João Manuel Cardoso de Mello, um dos mais destacados economistas brasileiros. 

A palestra, proferida há oito anos, faz uma análise do desenvolvimento da economia e da sociedade brasileira nas últimas décadas e, por isso, permanece atual para entendermos o desenvolvimento da história recente do país. 

A apresentação Do "milagre econômico" à estagnação: as raízes da inequalidade no Brasil foi organizada pelo Instituto de Economia da Unicamp.

https://www.youtube.com/watch?v=rNS8NaTuzWE

Jornalismo isento?

(Fonte: Site A Terra e Redonda/ Maringoni)

Ler

(Batman)
 Não perca tempo na vida! Leia!

A frase do dia

sexta-feira, 6 de março de 2026

Há sempre mais miséria entre as classes mais baixas do que humanidade nas mais altas.”

 

Victor Hugo (1802-1885), romancista, poeta, dramaturgo, ensaísta e ativista político francês em Os Miseráveis

Quem lucra com os altíssimos juros cobrados no Brasil?

(Fonte: Sindicato dos Bancários de Santos) 

A taxa de juros no Brasil (Selic 15%) é a segunda maior do mundo. Apesar da inflação controlada e do crescimento da economia, os juros fixados pelo Banco Central são absurdos.

Diminuem os investimentos produtivos, o consumo das famílias, reduzem o crescimento da economia e a arrecadação de impostos pelo Estado.  

Mas, a quem interessam os juros escorchantes fixados no país? Quem ganha muito e quem perde quase tudo? Veja no vídeo abaixo do canal Opera Mundi, entrevistando o professor e consultor internacional Ladislau Dowbor:

https://www.youtube.com/watch?v=64ItCVgDDBI

A ordem do novo mundo

quinta-feira, 5 de março de 2026

(Tom Janssen/Cagle Cartoons)

Antonio Kuschnir (2001-)


Conheça mais sobre a vida e obra do artista no Revista Amarelo abaixo:

https://amarello.com.br/2022/07/arte/amarello-visita-antonio-kuschnir/

Essa não poderia faltar

 

Beggars Opera

Time Machine (1971)

https://www.youtube.com/watch?v=AO_RY0fEPSM&list=RDAO_RY0fEPSM&start_radio=1

Andre Dahmer

quarta-feira, 4 de março de 2026


                                                                       (Fonte: Andre Dahmer/Folha de São Paulo) 

Leituras diárias


“Soube, hoje, da morte de Miguel Torga, em Coimbra, aos oitenta e sete anos. Nunca vi Torga. Fui a Coimbra e pude ver a placa singela, Adolfo Rocha. Ele era otorrinolaringologista. Não bati. Não lhe falei. Tinha fama de ser esquivo, reservado.

Nunca o vi. Mas a confraria literária tem esse privilégio de uma união profunda, uma comunhão, que nos emociona e está para além do espaço e tempo. Sentimo-nos, sim, unidos. Unidos na literatura, no amor da literatura.

Ele escreveu Requiem por mim. Agora, tenho vontade de escrever o meu Requiem por mim, em memória dele. A meditação da morte nos dilata. Ela nos liberta de nós mesmos, perecíveis.

A morte não me assusta, não me espanta. Creio que convivo bem com a morte. A morte é fraternal. A morte é nossa amiga íntima. Ela convive conosco. Vai indo conosco, ao mais profundo de nós, como uma companheira cotidiana, amável. (...)”  


Antonio Carlos Villaça (1928-2005), escritor, jornalista, tradutor e conferencista em Os Saltimbancos da Porciúncula. Villaça é um dos mais importantes memorialistas brasileiros, ao lado de Pedro Nava e Gilberto Amado.

"Vamos libertar o Irã da barbárie!"

terça-feira, 3 de março de 2026

(Fonte: swaha cartoons/ Twitter)

Noam Chomsky

 

“A solidariedade é algo muito perigoso. Do ponto de vista dos senhores da humanidade, você só deve cuidar de si mesmo e não dos outros. É uma visão muito diferente daquela das pessoas que eles alegam considerar seus heróis, como (o filósofo e economista pioneiro do liberalismo econômico) Adam Smith, que baseou todo o seu enfoque à economia no princípio de que a simpatia é um traço fundamental da personalidade humana, mas, para os nossos senhores, isso tem que ser extirpado de nossas cabeças. Você tem que se preocupar apenas consigo mesmo e seguir a máxima vil — ‘não se importar com os outros’ —, atitude normal para os ricos e poderosos, mas devastadora para todo o restante da humanidade. Tem sido necessário muito esforço para apagar esse tipo de sentimento da cabeça das pessoas. 

Vemos isso na elaboração de políticas públicas — por exemplo, no ataque contra a Previdência Social. Tem-se falado muito na crise da Previdência Social, mas ela simplesmente não existe. A Previdência está em muito boa situação — tão boa quanto sempre esteve. O sistema de Previdência Social é uma instituição muito eficiente e não tem custo administrativo quase nenhum. E, embora exista a possibilidade de uma crise daqui a algumas décadas, dispomos de uma maneira fácil de vencê-la. No entanto, debates em torno de políticas públicas se concentram nela sobretudo porque os senhores não querem que exista — eles sempre a odiaram, pois ela beneficia o povo de uma forma geral. Contudo, existe outro motivo que os faz odiá-la. A Previdência Social se baseia em um princípio. É baseada no princípio de solidariedade. 

Solidariedade: interesse e cuidado para com os outros. Previdência Social significa o seguinte: ‘Eu pago encargos sociais para que a viúva do outro lado da cidade tenha algo com que possa sobreviver.’ No que se refere à maior parte da população, é assim que funciona. Como a Previdência não tem nenhuma utilidade para os muito ricos, existe então um plano sistemático para destruí-la. Uma das possíveis formas para se fazer isso é cortar verbas destinadas a ela. Ora, você quer destruir um sistema? A primeira coisa a fazer é cortar suas verbas. Feito isso, não funcionará mais. As pessoas ficarão revoltadas e depois vão querer outra coisa que a substitua. É uma técnica padrão, a que se costuma recorrer para se conseguir a privatização de um determinado sistema.” (Chomsky, págs. 75 e 76).

“E isso acontece bem diante de nossos olhos. Vejam, por exemplo, os Estados Unidos — aqui, martelam na cabeça da maior parte da população o princípio de que ela tem de ‘deixar o mercado comandar os rumos da economia’. Portanto, que as autoridades tratem de cortar o número de benefícios sociais, de reduzir a previdência social ou acabar com ela de uma vez, de diminuir ainda mais o limitado serviço de saúde pública, enfim, deixem o livre mercado comandar tudo. Mas não para os ricos. Para estes, o Estado deve ser uma entidade poderosa, sempre pronta para intervir e resgatá-los sempre que se meterem em apuros financeiros. 

Tomemos o exemplo de Reagan, um ícone do neoliberalismo, do livre mercado entre outras coisas. Ele foi o presidente mais protecionista na história do pós-guerra americano, tendo dobrado as barreiras de importação, na tentativa de proteger os incompetentes dirigentes americanos da superioridade dos produtos japoneses. Assim, mais uma vez, ele socorreu bancos, em vez de deixá-los arcar com seus custos. Na verdade a economia americana cresceu durante o governo Reagan, tornando-se um ícone do neoliberalismo. Devo acrescentar que seu programa ‘Guerra nas Estrelas’ foi abertamente propagandeado no mundo dos negócios como um incentivo do governo, como uma espécie de profícua vaca-leiteira em cujas tetas eles podiam mamar. Mas isso era apenas para os ricos. Já no caso dos pobres, que deixassem que os princípios do livre mercado conduzissem os rumos da economia e que não esperassem nenhum auxílio do governo.” (Chomsky, págs. 99 e 100).

 

Noam Chomsky (1926-), linguista, filósofo, sociólogo, cientista cognitivo e ativista político estadunidense em Réquiem para o sonho americano: Os dez princípios de concentração de renda e poder