November Song (1973)
https://www.youtube.com/watch?v=wH4NefZVYns&list=RDwH4NefZVYns&start_radio=1
Online desde 21 de maio de 2010 --- Editor: Ricardo Ernesto Rose
November Song (1973)
https://www.youtube.com/watch?v=wH4NefZVYns&list=RDwH4NefZVYns&start_radio=1
“A visão
de conjunto – ressalve-se – é sempre provisória e nunca pode pretender esgotar
a realidade a que ele se refere. A realidade é sempre mais rica do que o
conhecimento que temos dela. Há sempre algo que escapa às nossas sínteses;
isso, porém, não nos dispensa do esforço de elaborar sínteses, se quisermos
entender melhor a nossa realidade. A síntese é a visão de conjunto que permite
ao homem descobrir a estrutura significativa da realidade com que se defronta,
numa situação dada. E é essa estrutura significativa – que a visão de conjunto
proporciona – que é chamada de totalidade.
A
totalidade é mais do que a soma das partes que a constituem. No trabalho, por
exemplo, dez pessoas bem entrosadas produzem mais do que a soma das produções
individuais de cada uma delas, isoladamente considerada. Na maneira de se
articularem e de constituírem uma totalidade, os elementos individuais assumem
características que não teriam, caso permanecessem fora do conjunto. Há
totalidades mais abrangentes e totalidades menos abrangentes: as menos
abrangentes, é claro, fazem parte das outras. A maior ou menor abrangência de
uma totalidade depende do nível de generalização do pensamento dos objetivos
concretos dos homens em cada situação dada.
Para
trabalhar dialeticamente com o conceito de totalidade, é muito importante
sabermos qual é o nível de totalização exigido pelo conjunto de problemas com
que estamos nos defrontando; e é muito importante, também, nunca esquecermos
que a totalidade é apenas um momento de um processo de totalização (que,
conforme já advertimos, nunca alcança uma etapa definitiva e acabada). Afinal,
a dialética – maneira de pensar elaborada em função da necessidade de
reconhecermos a constante emergência do novo na realidade humana – negar-se-ia
a si mesma, caso cristalizasse ou coagulasse suas sínteses, recusando-se a
revê-las, mesmo em face de situações modificadas.”
Leandro Konder (1936-2014), filósofo brasileiro em O que é dialética
Veja imagens da região amazônica, sua floresta, seus habitantes e cidades no início do século XX, no link para o filme abaixo:
“Nós
observamos as galáxias mais distantes exploramos os mistérios subatômicos por
meio da nossa ciência. A ciência deveria ser a base do nosso conhecimento e
sabedoria. Mesmo assim, a crença no sobrenatural – crenças que não são naturais
ou científicas – ainda são bem comuns.
Se a
ciência faz tanto sucesso, por que a maioria das pessoas ignora o que ela tem a
dizer em relação ao sobrenatural? Por que o público como um todo não dá ouvidos
aos cientistas que dizem que tais crenças são infundadas? Nesse ponto, eu
gostaria de chamar a atenção para o fato de que as crenças sobrenaturais geralmente
aparecem em duas formas diferentes. Há crenças sobrenaturais religiosas (Deus,
anjos, demônios, reencarnação, céu, inferno e assim por diante) e crenças
sobrenaturais seculares (como telepatia, clarividência, percepção
extrassensorial). Todas as religiões são baseadas em crenças sobrenaturais, mas
nem todas as crenças sobrenaturais são baseadas em religião. Essa é uma
distinção importante, pois existem argumentos e grupos de interesse muito
poderosos envolvidos na diferenciação entre religião, ciência e
sobrenaturalismo.”
Bruce Hood, psicólogo e filósofo canadense em Supersentido – Por que acreditamos no inacreditável
Música brasileira
Chico Buarque
Álbum: Vida (1980)
Música: Bye bye Brasil
https://www.youtube.com/watch?v=jyvexkKMH6c&list=RDjyvexkKMH6c&index=1
"Bye Bye Brasil" é uma famosa canção
de Chico
Buarque, composta em parceria com Roberto Menescal em 1979 para o filme homônimo dirigido por Cacá Diegues. A música retrata as transformações e a
modernização do Brasil, misturando nostalgia e uma visão crítica social através
de imagens do cotidiano. A letra de "Bye bye Brasil" narra basicamente a história de um personagem
que, por um telefone público, conta suas aventuras errantes para a namorada.
Como
Chico Buarque havia preparado uma
letra muito maior do que se poderia encaixar no filme, Cacá Diegues decidiu sobre o corte final da canção. O diretor
chegou a pedir que o compositor fizesse pequenas alterações, entre as quais, o
verso 'tem um japonês trás de mim' - o diretor receava que pudesse
aludir a Shigeaki Ueki, ministro das Minas e Energia do
governo Geisel.
Sem jamais ter confirmado tampouco negado a suposta referência, o compositor
manteve o verso.
(Fonte
do texto: AI Overview e Wikipedia)
Oportunistas e seus
cúmplices
“Não é sempre que um sociólogo tem a
oportunidade de observar ao vivo um processo de transição social tão radical
como este que agora se dá a ver na contradição reveladora do que fizeram
conosco. E, também, do que é o poder da ignorância, da facilidade com que se
aproveitaram de nossa inocência.
Quando nos demos conta, na lentidão do
período que chega ao fim, uma família de oportunistas profissionais tinha se
apoderado do país, fez-se acompanhar de uma multidão de agregados e cúmplices,
gente que se não fossem as fake news sobre adversários, as manipulações de
impressões e de informações sobre pessoas e realidades, jamais chegaria ao
poder.”
José de Souza
Martins (1938-) sociólogo, escritor e professor aposentado da USP em
artigo Estado do paciente, publicado no jornal Valor em
9/01/2026
“Petrarca, o grande poeta, escritor e estudioso, é, portanto, uma figura ambígua e transitória quando julgada por seu papel na história do pensamento filosófico. Seu pensamento é aspirações e não ideias desenvolvidas, mas essas aspirações foram desenvolvidas por pensadores posteriores e, com o tempo, transformadas em ideias mais elaboradas. Seu programa intelectual pode ser resumido na fórmula que ele usa às vezes no tratado Sobre Sua Ignorância: sabedoria platônica, dogma cristão, eloquência ciceroniana. Sua cultura clássica, sua fé cristã e seu ataque à escolástica são todos pessoais e, de certa forma, modernos. Ao mesmo tempo, tudo o que ele diz é permeado por suas fontes clássicas e, frequentemente, pelos vestígios remanescentes do pensamento medieval. O antigo e o novo estão inextricavelmente interligados, e devemos evitar enfatizar apenas um lado ou outro, como frequentemente se faz. Não podemos sequer dizer que, em termos de seu próprio pensamento, o antigo é acidental e apenas o novo é essencial. Se quisermos fazer-lhe justiça e compreender sua peculiar estrutura mental, devemos aceitar o antigo e o novo como componentes igualmente essenciais de seu pensamento e perspectiva. Nesse aspecto, e em tantos outros, Petrarca é um representante típico de sua época e do movimento humanista. Podemos até ir um passo além: Petrarca não apenas antecipou os desenvolvimentos posteriores do Renascimento por ser excepcionalmente talentoso ou um filósofo (e político) profético; ele foi um daqueles que previram o futuro porque ajudou a torná-lo realidade.” (Kristeller, págs. 33 e 34).
“Por fim, os humanistas trouxeram para a filosofia sua preferência por determinados problemas e temas. Se é difícil vê-los concordando em opiniões filosóficas específicas, é fácil notar sua orientação comum em alguns de seus tópicos favoritos, bem como em seu classicismo e estilo de apresentação. A ênfase em problemas morais e humanos, especialmente no que diz respeito à dignidade do homem e seu lugar no universo, parece intimamente relacionada ao credo central dos humanistas. Eles também estavam invariavelmente preocupados com os problemas do livre-arbítrio, do destino e da sorte, com os direitos de mérito e nascimento no julgamento do valor de uma pessoa, e com as questões atuais da ética antiga. Quando se aventuraram fora da ética, em outros ramos da filosofia tradicional, interessavam-se por tratar o assunto com a maior clareza e simplicidade, e em conformidade com suas autoridades (pensadores) antigas preferidas. Ao mesmo tempo, conseguiram fazer algumas contribuições originais, especialmente no campo da lógica.” (Kristeller, págs. 40 e 41).
Paul Oskar Kristeller (1905-1999), historiador e professor teuto-estadunidense
em Ocho filósofos del Renacimiento
italiano (Oito filósofos do Renascimento italiano)
Working Class Hero (1970)
https://www.youtube.com/watch?v=iMewtlmkV6c&list=RDiMewtlmkV6c&start_radio=1
O relatório, intitulado Estado das Finanças para Natureza 2026, traz uma série de dados comparando investimento benéficos à natureza (SbN - Soluções Baseadas na Natureza) com investimentos prejudiciais à natureza.
“Porque,
por trás de tudo isso, está a verdade real que temos evitado: a mudança
climática não é um 'problema' a ser adicionado à lista de
preocupações, ao lado da saúde e dos impostos. É um chamado para o despertar da
civilização. Uma mensagem poderosa — expressa na linguagem de incêndios,
inundações, secas e extinções — que nos diz que precisamos de um modelo
econômico inteiramente novo e de uma nova maneira de compartilhar este planeta.
Diz-nos que precisamos evoluir.”
Naomi Klein (1970-), jornalista, escritora e ativista canadense citada por Goodreads
“A
vida é curta demais para ler um livro ruim.”
James Joyce (1882-1941), escritor, poeta e crítico literário irlandês, citado por Goodreads
Steve
Reich ou Stephen Michael Reich (Nova Iorque, 3 de outubro de 1936) é considerado um dos
mais importantes compositores da música minimalista e da música modalista.
Estudou percussão aos
catorze anos com o timpanista da Orquestra Filarmônica de Nova Iorque;
formou-se em Filosofia na Universidade Cornell; estudou composição
por dois anos com Hall Overton, de 1958 até 1961 na escola de
música Juilliard.
Além disso, estudou em institutos africanos e balineses. Em 1990 ganhou
o Grammy de
melhor compositor contemporâneo.
Recebeu
o Prémio Pulitzer de Música em 2009
por Double Sextet.
(Fonte do texto: Wikipedia)
Conheça mais sobre a vida e obra do artista no site do Museu de Arte Moderna de São Paulo abaixo:
Documentário Desigualdade à brasileira 3 sobre a disparidade econômica no Brasil é parte da série Documentário de Impacto.
Depoimentos mostram a realidade diária de grande parte da população brasileira, vítima da concentração de renda:
“Mas, é claro, Reagan e Thatcher não estiveram sozinhos, nem foram pioneiros exclusivos do neoliberalismo e da financeirização. Em meados da década de 1970, o milionário David Rockfeller criou a Comissão Trilateral. Ela reuniu duzentos membros selecionados entre as elites político-econômicas dos Estados Unidos, da Europa e do Japão. Essa reunião tinha como objetivo propor uma carta de ações conjuntas diante dos impasses do capitalismo, basicamente a preocupação com a queda da taxa de lucro. É interessante notar o caráter reativo do documento produzido pela comissão. A ideia expressa no documento, significativamente denominado ‘A crise da democracia’, publicado em 1975, nada tinha de complexa. Dizia que o problema mundial estava no ‘excesso de democracia’. A democracia, para a comissão, precisava ter limites, de modo que uma elite seria melhor para o governo, e não um governo passível de ser pressionado por amplas bases populacionais. O que a Comissão visava era elaborar um argumento para que a sociedade se desfizesse dos compromissos da política que uniu Keynes com Ford.
Preparou-se aí a tese de que o problema da queda da taxa de lucro das empresas advinha, especialmente, das reivindicações sindicais. O regime do Estado de bem-estar social havia gerado um poder sindical que precisava ser afastado. Deixou-se de lado a ideia de que uma sociedade de consumo de massas, com salários capazes de manter esse consumo aquecido e, ao mesmo tempo, controlado, faria o capital e o trabalho andarem juntos, resultando em progresso. Esse regime foi para o espaço quando o próprio modo de produção fordista deu mostras de não mais poder acelerar o ciclo produção/consumo. Quando esse fato se agrupou às vicissitudes da estagflação dos anos 1970, tudo começou a se encaminhar para a confluência de um novo casamento. Ford e Keynes se tornaram um casal fora de moda. O novo par adveio de um casamento celebrado com clérigos presentes para a cerimônia: foi a união de Thatcher e Reagan, com a bênção de Friedrich Hayek (1899‑1992) e Milton Friedman (1912‑2006), que haviam adquirido respeitabilidade acadêmica recente graças ao Prêmio Nobel em Economia que receberam, respectivamente, em 1974 e 1976.” (Ghiraldelli, págs. 56 e 57).
Paulo Ghiraldelli (1957-), filósofo, escritor, professor e youtuber brasileiro em Capitalismo 4.0: Sociedades e Subjetividades
“O rádio passava a ser, na década de 1930, portanto, o grande
porta-voz das mudanças apresentadas pela cidade, mesmo considerando a questão
do tempo. A velocidade do tempo mudava de acordo com as necessidades do
trabalho. Tempo movido pela hora da entrada e da saída do trabalho, tempo de
mudanças constantes entre construções e demolições difíceis de acompanhar, o
tempo da programação radiofônica. Também o tempo da transmissão publicitária, e
a necessidade de, nesse determinado período, fazer o ouvinte crer que
precisaria comprar a mercadoria anunciada. Assim, o rádio se tornava cada dia
mais integrado ao cotidiano de parte da população e adaptado ao ritmo e ao
tempo industrializado. Também jogos de futebol e lutas, além de notícias e da
programação cotidiana, faziam com que o rádio oferecesse lazer à população. O
lazer podia estar circunscrito ao âmbito do rádio ou então nas reuniões
organizadas em alguns lugares com a finalidade de apreciar a programação
transmitida. Importantes centros de concentração de pessoas para escutar rádio
eram os salões de ‘vendas’.”
“Assim, o lazer estava garantido, tendo como ponto principal a
radiodifusão, mesmo àqueles que, não obstante a maior facilidade em se adquirir
um rádio na década de 1930, ainda não tinham acesso ao aparelho. Afinal, as
reuniões nas vendas traziam a oportunidade da conversa informal, da troca de
informações cotidianas, das discussões em torno das notícias, da torcida em
conjunto ou adversária nas transmissões esportivas, entre outras possibilidades.”
“A sociabilidade era de extrema necessidade para a sua produção
agrícola, de forma que o território contava com uma vizinhança disposta a
participar do auxílio mutuo, quando necessário. As possibilidades que o meio
rural caipira fornecia às produções de subsistência ditavam a dieta caipira, ‘[...] ligada à agricultura itinerante, à
coleta, à caça e à pesca [...]’. Assim, é possível visualizar uma situação em
que o agrupamento e seu consequente auxílio mútuo nas situações de trabalho
para subsistência das famílias caipiras estava diretamente relacionada, ou
mesmo se confundia com o meio em que viviam. Os bairros caipiras contavam com a
criação de um laço de sobrevivência, que tornava a sociabilidade do bairro uma
necessidade cotidiana, na realização dos trabalhos de subsistência. Assim,
ficava clara a sua diferença em relação a uma economia de mercado, marcada pela
troca por intermédio do dinheiro.”
“Os códigos de convivência nos bairros caipiras formavam uma
rede de auxílio, conhecida como mutirão, no qual todos se ajudavam em caso de
necessidades como na derrubada da mata a fim de criar um roçado, na plantação,
na colheita, na limpeza dos gêneros cultivados. Também era um modo de auxilio
na construção ou manutenção das moradias e estradas. Essas características de
sociabilidades na manutenção da sobrevivência permitiam que fosse possível uma
produção agrícola caipira com gêneros de subsistência, bem como a produção do
arroz e do feijão. Esses códigos de organização da vida nos bairros caipiras
ditavam regras de agradecimento, sendo que aquele que tivesse recebido auxílio
com o mutirão devia oferecer aos trabalhadores a alimentação. Ao fim dos
trabalhos também era de bom grado a oferta de uma festa, regada a música e
pinga. Percebe-se que a sociabilidade de um território, no caso o bairro
caipira, perpassava toda uma gama de construção da cultura caipira, que, na
realidade do seu espaço geográfico, construía uma gama de relações culturais.”
“A situação econômica do caipira muitas vezes o obrigou a
abandonar seu território, não considerando a terra como uma mercadoria, sendo
ela o seu espaço de entrelaçamento entre socialização, trabalho e lazer. O meio
em que vivia era por ele apossado, com a finalidade de suprir suas necessidades
de sobrevivência. O avanço do latifúndio obrigava, muitas vezes, as famílias a
abandonarem suas posses, sem os títulos de propriedades, se tornavam presas de
grileiros. Considera-se essa situação como uma das causas da migração caipira
para a cidade. No centro urbano, ele tinha que se adequar a novas situações que
alteraram sua forma de vida o que levou a readequações em toda sua organização
social. Entre elas, o contato com os vizinhos e o lazer praticado muitas vezes
no próprio local de trabalho.”
“Na situação de migrante, o caipira estava impossibilitado de exercer
no meio urbano a cultura com a qual estava acostumado no ambiente rural.
Enquanto cultura, pensa-se aqui todo ato de organização de vida, bem como a
economia, as relações entre pessoas, as festividades e suas características, as
cantorias, a religiosidade, enfim, todos os aspectos inseridos na vida caipira.
O espaço da cidade não oferecia possibilidades aos migrantes de exercerem
integralmente todas essas características culturais, obrigando os migrantes a
se adequar às novas condições de vida. Não quer dizer que abandonassem todo seu
conhecimento anterior e recomeçassem a partir do nada, para constituir um novo
modelo cultural.”
“Nessas oportunidades, a produção cultural de Monteiro Lobato e
Cornélio Pires acerca do caipira também era responsável por estabelecer espaços
diferenciados entre o rural e o urbano. Marcavam diferenças que acabavam por
sedimentar a separação entre esses meios, ora adjetivando positivamente, ora
negativamente ambos.”
Bruno Elton Ferreira, doutor em História e professor universitário em Sonoridades caipiras na cidade: A produção de Cornélio Pires (1929-1930)
“Ministros
da religião dizem ensinar a caridade. Isto é natural. Eles vivem de doações.
Todos os pedintes ensinam que os outros devem doar.”
Robert
Ingersoll
(1833-1899), livre-pensador, orador, político e escritor estadunidense defensor
do agnosticismo, citado por Darrel W. Ray
em The God Virus
“Uma coluna do jornal The New York
Times, de autoria de Michelle Goldberg, faz uma admissão importante: a de que
estiveram certos aqueles que durante
todos estes anos defenderam a tese de que Donald Trump representa um fascismo
do século 21.”
Rui Tavares, historiador e deputado na Assembleia da República de Portugal, autor de Agora, Agora e Mais Agora, em artigo A Pulsão de Trump é totalitária, publicado no jornal Folha de São Paulo em 14/01/25
“Aquilo que não é bem nem mal senão
para um particular, e que pode ser o contrário disso com relação ao resto dos
homens, não pode ser visto em geral como um mal ou como um bem.”
Luc Clapier, Marquês de
Vauvenargues (1715-1747), escritor e moralista francês em Das
Leis do Espírito - Florilégio Filosófico
No ambiente obscuro das privatizações, veja o que acontece. Também no caso do banco Master, existem ligações entre privatização e negócios escusos.
Entenda por que muitos políticos e empresários temem que o caso do banco Master seja investigado a fundo e divulgado.
É preciso colocar às claras o caso e publicar o nome de todos direta e indiretamente envolvidos.
Veja entrevista do Prof. Kobori ao canal do ICL:
“Com o tempo, podemos supor, os deuses escolheram deixar as festas em que eram revelados para se tornarem objetos de estudo teológico. Mas os seus festivais permaneceram como a principal forma pela qual as comunidades praticavam o estado de pertencimento por meio de atividades recreativas que restauravam o significado partilhado do seu mundo. Um desses festivais era o dedicado a Dionísio, em Atenas, quando os poetas competiam pela aprovação da multidão com as suas histórias trágicas de deuses e heróis. E algumas dessas tragédias sobreviveram, exemplos da mais elevada arte e testemunho de uma longa tradição de especulação e discernimento. Essa genealogia é, obviamente, uma ficção. Mas creio que seja uma ficção esclarecedora, que explica no tempo as conexões atemporais entre coisas contíguas. Leva-nos das necessidades específicas do caçador-coletor ao nascimento da religião revelada, daí ao culto organizado e ao festival comunitário e, finalmente, à cultura como um subproduto genial das nossas celebrações festivas.
A conexão entre culto e cultura pode ser feita de outras maneiras, mas sua plausibilidade intrínseca é exibida na história que contei, e essa história suscita o seguinte pensamento. A cultura cresce a partir da religião; e a religião vem de uma necessidade da espécie. Mas a cultura gerada por uma religião também pode ter um olhar cético em relação a esta. Isso tem acontecido muitas vezes, e, na verdade, já vinha acontecendo no teatro grego. Não apenas os deuses e heróis passaram a ser satirizados por Aristófanes (446 a. C. -386 a. C.); as histórias solenes desses mesmos deuses e heróis foram contadas por Ésquilo (c. 524 a. C. - c. 555 a. C.) e Eurípides (c. 480 a. C.- c. 406 a. C.) com um ar de distanciamento, como alegorias da condição humana, em vez de descrições literais de acontecimentos imortais. Não que os trágicos não acreditassem nos deuses. A julgar pelas obras que sobreviveram, eles não acreditavam nem desacreditavam, considerando a crença como, de alguma forma, irrelevante para a sua tarefa, que era a de capturar e ilustrar o significado do mundo. Tal como Platão (c. 428 a. C. - c. 348 a. C.) e Sócrates (c. 470 a. C. - c. 399 a. C.), eles viam as histórias dos deuses como mitos e tratavam o mito como outro modo de conhecimento, distinto tanto da ciência racional como da narrativa. Eles acreditavam em Deus e não nos deuses, e o seu Deus era, como o de Platão, Sócrates e Aristóteles, infinito, eterno, inescrutável, julgando um mundo que realmente não O contém.” (Scruton, págs. 33 e 34).
“Contudo, mesmo na sua forma mais ateísta, a arte ocidental demonstra um grande respeito pelo mito, vendo-o tal como os trágicos gregos o viam – um veículo por meio do qual as verdades secretas da condição humana podem ser transmitidas em formato alegórico. Wagner (1813 - 1883) reescreveu os mitos germânicos e as lendas medievais, incorporando-os em obras de arte expressamente modeladas nas tragédias de Ésquilo. Desde então, tem sido comum entre os artistas representar a verdade espiritual da condição humana, utilizando-se de mitos antigos em formato de romance. Aos poucos a arte assumiu a tarefa de simbolizar as realidades espirituais que escapam ao alcance da ciência da religião. Dessa forma, à medida que a religião perdeu o seu domínio sobre a imaginação coletiva, a cultura passou a parecer cada vez mais importante, sendo o canal mais confiável por meio do qual ideias éticas elevadas podem entrar nas mentes das pessoas cépticas.” (Scruton, pág. 36).
Roger Vernon Scruton (1944-2020), filósofo, escritor e crítico social inglês em A cultura importa: fé e sentimento em um mundo sitiado
“O
começo de 1975 traria ao jornal uma mudança simples, porém simbólica. A partir
da edição 289, da última semana de janeiro, o artigo que antecedia o nome do
hebdomadário desde o primeiro número seria suprimido. Daquele momento em diante
o jornal passava a ser identificado na capa apenas como Pasquim. A brisa da ainda incipiente abertura política também
começa a soprar para os lados do Pasquim. Os novos parlamentares haviam sido
empossados poucos dias antes, quando em 24 de março de 1975 o telefone tocou na
mesa de Dona Nelma. Do outro lado da linha, quem ligava pedia para falar com
Jaguar. Nelma passa o aparelho ao editor, com Sérgio Augusto ao lado. O que
parecia trote era um curto recado de apenas duas frases vindo de Brasília. A
primeira parte parecia um bálsamo, uma mensagem há muito aguardada: ‘Vocês
agora não precisam mandar mais nada para a censura’. O aviso se completava com
uma quase ameaça e uma incumbência: ‘Agora a responsabilidade é de vocês’.
Jaguar pôs o telefone no gancho e falou: ‘Estamos fodidos. Agora, como vamos fazer
o jornal?’.
De
imediato, houve uma discussão muito tensa. A edição que estava sendo preparada
para ser enviada aos censores já estava praticamente fechada. Era uma edição
comemorativa, a de número 300, com 40 páginas e com entrega programada para
dali a cinco dias. Estava prevista, inclusive, uma página desenhada por Demo.
Os personagens de Jaguar, Millôr, Ziraldo e Sérgio Augusto eram facilmente
identificáveis. Millôr resolveu mexer na edição e testar os limites da censura
que acabara de ser revogada. Na página 3 do jornal, escreveu: ‘A
responsabilidade sempre foi nossa’, no texto que trazia o título óbvio e
provocador de ‘Editorial sem censura’. E prossegue: ‘A ausência de censura no
Pasquim é assim, neste momento e neste país, um privilégio amedrontador e quase
insuportável’. Até chegar ao final de uma maneira irônica e agressiva. ‘Num
país em que publicações como Tribuna da
Imprensa, Veja, Opinião, O São Paulo continuam a ser editadas pela ignorância, pelo tédio e
até pelo ódio pessoal dos censores, e o periódico Argumento está definitivamente proibido de circular, este jornal,
só, pobre, sem qualquer cobertura – política, militar ou econômica – e que tem
como único objetivo a crítica aos poderosos, não pode se considerar livre.’”
(Pinheiro, págs. 124 e 125)
Márcio Pinheiro, jornalista e escritor brasileiro em Rato de redação; Sig e a história do Pasquim
Black
Sabbath
Lord
of this World (1971)
https://www.youtube.com/watch?v=rCJ95vya8l0&list=PL5JzXwEXiQubyyAnTq9bs8OkZzJiHaXmn&index=6
Ontem, dia 7/01 foi o Dia do Leitor.
Lembramos (atrasados) da data e publicamos o texto abaixo da Profa. Dra. Luciana Molina, originalmente publicado no site A Terra é Redonda em 31/12/2025: