"Os que, no regime capitalista, trabalham não lucram e os que lucram não trabalham."
Karl Marx (1818-1883) filósofo e economista alemão
“Quem poderá dizer ao homem o que acontecerá depois dele debaixo do sol?” (Eclesiastes 6,12)
Karl Marx (1818-1883) filósofo e economista alemão
Gentle
Giant
The
Moon is Down (1971)
https://www.youtube.com/watch?v=qEUTPwgKKdI&list=RDqEUTPwgKKdI&start_radio=1
“Chego
agora ao único ponto de inquestionável superioridade natural do homem: ele tem
uma alma. É isso que o distingue de todos os outros animais e o torna, de certa
forma, seu mestre. A natureza exata dessa alma tem sido debatida por milhares
de anos, mas quanto à sua função, é possível falar com alguma autoridade. Essa
função é colocar o homem em contato direto com Deus, torná-lo consciente de
Deus e, acima de tudo, fazê-lo assemelhar-se a Deus. Bem, consideremos o
fracasso colossal desse mecanismo. Se presumirmos que o homem realmente se
assemelha a Deus, somos forçados à teoria impossível de que Deus é um covarde,
um idiota e um canalha. E se presumirmos que o homem, depois de todos esses
anos, não se assemelha a Deus, então fica evidente que a alma humana é uma
máquina tão ineficiente quanto o fígado ou as amígdalas humanas, e que o homem
provavelmente estaria melhor, assim como o chimpanzé sem dúvida está, sem ela.”
Henry Louis Mencken (1880-1956), jornalista, escritor e crítico social estadunidense em A Mencken Chrestomathy (Uma antologia de Mencken)
“Na realidade, não houve um grande
complô nem uma doutrina pré-fabricada que os políticos teriam aplicado com
cinismo e determinação para satisfazer as expectativas de seus poderosos amigos
do mundo dos negócios. A lógica normativa que acabou se impondo constituiu-se
ao longo de batalhas inicialmente incertas e de políticas frequentemente
tateantes. A sociedade neoliberal em que vivemos é fruto de um processo
histórico que não foi integralmente programado por seus pioneiros; os elementos
que a compõem reuniram-se pouco a pouco, interagindo uns com os outros,
fortalecendo uns aos outros. Da mesma forma como não é resultado direto de uma
doutrina homogênea, a sociedade neoliberal não é reflexo de uma lógica do
capital que suscita as formas sociais, culturais e políticas que lhe convém à
medida que se expande. A explicação marxista clássica esquece que a crise de
acumulação a que o neoliberalismo supostamente responde, longe de ser uma crise
de um capitalismo sempre igual a si mesmo, tem a particularidade de estar
ligada às regras institucionais que até então enquadravam certo tipo de
capitalismo.
Consequentemente, a originalidade do neoliberalismo está no fato de criar um novo conjunto de regras que definem não apenas outro ‘regime de acumulação’, mas também, mais amplamente, outra sociedade. Tocamos aqui num ponto fundamental. Na concepção marxista, o capitalismo é, antes de tudo, um ‘modo de produção’ econômico que, como tal, é independente do direito e gera a ordem jurídico-política de que necessita a cada estágio de seu autodesenvolvimento. Ora, longe de pertencer a uma ‘superestrutura’ condenada a exprimir ou obstruir o econômico, o jurídico pertence de imediato às relações de produção, na medida em que molda o econômico a partir de dentro. ‘O inconsciente dos economistas’, como diz Foucault, que é na verdade o inconsciente de todo economicismo, seja liberal, seja marxista, é precisamente a instituição, e é justamente a instituição que o neoliberalismo, em particular em sua versão ordoliberal, quer reconduzir a uma posição determinante.”
Pierre Dardot (1952-) filósofo e sociólogo francês
e Christian Laval (1953-) sociólogo e
professor francês em A Nova Razão do Mundo
“Sabemos,
também, que nossa percepção da realidade é severamente incompleta. Muito do que
ocorre à nossa volta passa despercebido pelos nossos sentidos. Produto de
milhões de anos de evolução, o cérebro é cego e surdo para informações que não
aumentariam as chances de sobrevivência de nossos antepassados. Por exemplo,
trilhões de neutrinos provenientes do coração do Sol atravessam nossos corpos a
cada segundo; ondas eletromagnéticas de todos os tipos – micro-ondas, ondas de
rádio, infravermelho, ultravioleta – transportam informação que nossos olhos
não veem; sons além do além do alcance de nossa audição passam despercebidos;
partículas de poeira e bactérias invisíveis. Como a Raposa disse ao Pequeno
Príncipe na fábula de Saint-Exupéry, ‘O essencial é invisível aos olhos.’”
“Os
muitos passos bioquímicos e genéticos da não vida à vida, seguidos de tantos
outros que levaram da vida unicelular à vida multicelular complexa, são
extremamente difíceis de serem duplicados em outros mundos. Ademais, os
pormenores dependem crucialmente dos detalhes da história do nosso planeta: se
algum evento deixa de ocorrer – por exemplo a extinção dos dinossauros – isso muda
a história da vida. Não significa que possamos concluir que não existam outras
formas de vida inteligente em algum canto do cosmos. O que podemos concluir com
confiança é que, caso alienígenas inteligentes existam, são raros e estão muito
longe de nós. (Ou, caso sejam comuns,
certamente sabem esconder-se muito bem.) A verdade é que, na prática, estamos
sós e devemos aprender a viver com nossa solidão cósmica e a explorar suas
consequências de forma construtiva.”
Marcelo Gleiser (1959-) físico, astrônomo, professor e
divulgador científico brasileiro em A
Ilha do Conhecimento – Os limites da ciência e a busca por sentido
https://pt.wikipedia.org/wiki/Estanislau_Traple
e
“Demócrito e Heráclito eram dois filósofos. O primeiro, achando que a condição humana é vã e ridícula, apresentava-se em público sempre a rir e motejar. Heráclito, tomado de piedade por essa mesma humanidade, andava permanentemente triste e de lágrimas nos olhos: ‘Logo que punham o pé fora de casa, um ria e o outro chorava’ (Juvenal). Prefiro o primeiro, não porque seja mais agradável rir do que chorar, mas porque sua atitude é testemunha de seu desdém, porque ela nos condena mais do que a outra e acho que nunca podemos ser desprezados quanto merecemos. Piedade e comiseração misturam-se a alguma estima por aquilo de que temos dó; o de que se caçoa, consideramo-lo sem valor. Penso que há em nós mais vaidade do que infelicidade, mais tolice do que malícia, mais vazio do que maldade, mais vileza do que miséria.
Diógenes, em seu tonel, divertindo-se com seus botões em zombar das vaidades humanas, escarnecendo de Alexandre, encarando os homens como moscas ou bexigas cheias de vento, foi um crítico mais acerbo e agudo, e por conseguinte mais de meu agrado, do que Timão, a quem chamavam o Misantropo porque odiava os homens. O que odiamos, por algum aspecto nos interessa e preocupa. Timão desejava o nosso mal, aspirava à nossa ruína, fugia da conversação que achava perigosa porque de gente ruim e depravada. Diógenes estimava-nos tão pouco que não supunha sequer que nossa frequentação o pudesse perturbar ou lhe alterar o humor. Se não desejava a nossa companhia, não era por temor de contágio, mas por desprezo. Não nos acreditava capazes nem de fazer o bem nem de fazer o mal.”
Michel de Montaigne (1533-1592) filósofo humanista e cético francês em Ensaios
A Day in The Life (1967)
https://www.youtube.com/watch?v=usNsCeOV4GM
Sgt.
Pepper's Lonely Hearts Club Band o álbum que
revolucionou a música pop e o rock. Um marco na história da moderna música
ocidental. Veja mais em:
Álbum completo em:
https://www.youtube.com/watch?v=xwwABrNLvFs&list=PLUbWhnfHu1fWSgdDC3hKhX8qilexEMkXy
“A gente não escolhe a família em que
nasce, não dispõe do poder de negar a parentela e renegar os antepassados, as
matrizes do nosso DNA. Na eleição dos artistas, filósofos e escritores que mais
admiramos, entretanto, somos livres para explicitar nosso pertencimento a uma
família intelectual, a uma família de tipo especial. Escrevendo sobre o Barão
de Itararé, me senti meio sobrinho dele, por afinidade. Tive a impressão de que
ele me dava uma pista para que eu entendesse melhor alguns pontos nos quais a
esquerda podia ser diferente do que vinha sendo, podia ser melhor do que era. E
um desses pontos era a excessiva "seriedade" com que ela se apresentava,
o fato de se levar muito a sério. O humor cria a possibilidade de atenuar o
inevitável sofrimento do necessário aprofundamento da crítica e da passagem da
crítica à autocrítica. O humor, nas suas melhores expressões, sempre nos
surpreende, por isso consegue, ao menos momentaneamente, sacudir a poeira das
convicções enrijecidas.”
Leandro
Konder
(1936-2014), filósofo, professor e jornalista brasileiro em Memórias de Um Intelectual Comunista
“Desde bilhões de anos, a vida existe nesta terra, e houve tempo suficiente para permitir ao processo vital formar seres humanos a partir das células mais simples e também para deixar perecer miríades de seres vivos que não eram capazes de se opor ao poder de agressão de seu entorno. Nesta concepção que reúne visões fundamentais de Darwin e de Lamarck, deve-se considerar o ‘processo vital’ como uma tendência cuja direção é mantida, ao longo da evolução, em direção a um objetivo eterno de adaptação às exigências do mundo exterior. Neste esforço em direção a um objetivo que não permite nem término nem repouso, dado que as exigências e os problemas impostos pelas forças do mundo exterior nunca poderão obter uma solução definitiva por parte de seres que foram criados por ela, deve ter se desenvolvido também essa faculdade que, segundo o ângulo sob o qual é considerada, é chamada de alma, espírito, psique, inteligência, e que inclui todas as outras ‘faculdades psíquicas’.”
“E, embora nos movamos em um terreno
transcendental ao considerar o processo psíquico, podemos, fiéis às nossas
convicções, sustentar que a alma, pertencente ao processo vital e a tudo o que
nele incluímos, deve apresentar o mesmo caráter fundamental que a matriz, a
célula viva da qual é originária. Esse caráter fundamental se manifesta, em
primeiro lugar, na eterna tentativa de chegar a um acordo vantajoso com as
exigências do mundo circundante, de vencer a tendência a uma forma final ideal
e, conjuntamente, de mobilizar forças físicas preparadas para esse fim ao longo
da evolução, buscando, por meio de influência e ajuda mútua, um objetivo de
superioridade, perfeição e segurança.”
Alfred Adler (1879-1937), médico e psicoterapeuta austríaco, fundador da Escola da Psicologia Individual em O Sentido da Vida
Terry Riley
Terrence
Mitchell Riley (nascido em 24 de junho de 1935) é um
compositor e músico estadunidense mais conhecido como pioneiro da escola
minimalista de composição. Influenciado pelo jazz e pela música clássica
indiana, seu trabalho tornou-se notável pelo uso inovador da repetição,
técnicas de música gravada, improvisação e sistemas de delay. Suas obras mais
conhecidas são a composição In C
(1964) e o álbum A Rainbow in Curved Air
(1969), ambos considerados marcos do minimalismo e importantes influências na
música experimental, no rock e na música eletrônica contemporânea. Trabalhos
subsequentes, como Shri Camel (1980),
exploraram a entonação justa.
Criado
em Redding, Califórnia, Riley começou a estudar composição e a se apresentar
como pianista solo na década de 1950. Ele fez amizade e colaborou com o
compositor La Monte Young e,
posteriormente, envolveu-se com o San
Francisco Tape Music Center e com o coletivo nova-iorquino de Young, o Theater of Eternal Music. Um contrato de três discos com a CBS no
final da década de 1960 levou seu trabalho a um público mais amplo. Em 1970,
ele começou estudos intensivos com o cantor hindustani Pandit Pran Nath, a quem frequentemente acompanhava em
apresentações. Ele colaborou frequentemente ao longo de sua carreira, mais
extensivamente com o conjunto de câmara Kronos
Quartet e com seu filho, o guitarrista Gyan
Riley.
(Fonte do texto: Wikipedia com tradução Google Translator)
Elegia
1938
Trabalhas sem alegria para um mundo caduco,
onde as formas e as ações não encerram nenhum exemplo.
Praticas laboriosamente os gestos universais,
sentes calor e frio, falta de dinheiro, fome e desejo sexual.
Heróis enchem os parques da cidade em que te arrastas,
e preconizam a virtude, a renúncia, o sangue-frio, a concepção.
À noite, se neblina, abrem guarda-chuvas de bronze
ou se recolhem aos volumes de sinistras bibliotecas.
Amas a noite pelo poder de aniquilamento que encerra
e sabes que, dormindo, os problemas te dispensam de morrer.
Mas o terrível despertar prova a existência da Grande Máquina
e te repõe, pequenino, em face de indecifráveis palmeiras.
Caminhas entre mortos e com eles conversas
sobre coisas do tempo futuro e negócios do espírito.
A literatura estragou tuas melhores horas de amor.
Ao telefone perdeste muito, muitíssimo tempo de semear.
Coração orgulhoso, tens pressa de confessar tua derrota
e adiar para outro século a felicidade coletiva.
Aceitas a chuva, a guerra, o desemprego e a injusta distribuição
porque não podes, sozinho, dinamitar a ilha de Manhattan.
Carlos
Drummond de Andrade
(1902-1987), poeta, escritor e cronista brasileiro em Sentimento do mundo (1940). Fonte site Revista Prosa, Verso e Arte
“Até cortar os próprios defeitos pode
ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício
inteiro.”
Clarice Lispector (1920-1977) novelista, contista e jornalista ucraniana-brasileira, citada pelo site O Pensador
Este vídeo tem como título Nietzsche e o Sofrimento, apresentado aspectos da obra e vida do filósofo alemão do século XIX.
Segredos
da arte mágica surrealista
Composição
surrealista escrita, ou primeiro e último esboço
“Instale-se
confortavelmente no lugar mais favorável à concentração de sua mente e faça com
que lhe tragam material de escrita. Abstraia de seu gênio, de seu talento, e
também do gênio e do talento dos outros. Diga a si mesmo que a literatura é um
dos mais tristes caminhos que levam a tudo. Escreva rápido, sem qualquer
assunto preconcebido, rápido bastante para não reter na memória o que está
escrevendo e para não se reler. A primeira frase surgirá por si mesma, a tal é
verdade que, a cada segundo, ocorre uma frase estranha ao nosso pensamento
consciente, que mais não quer do que se exteriorizar. É muito difícil
pronunciar-se sobre o caso da frase seguinte; ao que tudo indica, ela
participa, ao mesmo tempo de nossa atividade consciente e da outra, se admitirmos
que o fato de ter escrito a primeira implica um mínimo de percepção. Isto,
aliás, deve importar-lhe pouco; é nessas coisas que reside a maior parte do
interesse suscitado pelo jogo surrealista.” (Breton, pág. 45)
André Breton (1896-1966), escritor e poeta francês, líder do Movimento
Surrealista (1924) em Manifesto
do Surrealismo
“O
que antes era a apropriação privada do Estado por linhagens políticas e
burocráticas tornou-se, hoje, a subordinação do Estado à lógica da acumulação
financeirizada. Não se trata de “menos Estado”, mas de outro uso do Estado como
menor garantia de direitos e mais comprometido com a proteção da riqueza,
propriedade, pagamento da dívida, fluxos financeiros e grandes interesses
econômicos. Ao longo de mais de três décadas de dominância neoliberal no
Brasil, o Estado capturado passou a sustentar a continuidade dessa ordem
neopatrimonial por meio de juros elevados, rearranjos cambiais, baixo
investimento, privatizações e reconfiguração das políticas públicas.”
“Na
sua forma neoliberal, a corrupção não se resume mais a propina, clientelismo ou
troca de favores, embora tudo isso continue existindo. Ela se transforma também
em arquitetura institucional do privilégio. Corrupção, nesse plano, é fazer da
legalidade um mecanismo de transferência regressiva de riqueza, organizando
regras fiscais, monetárias, regulatórias e administrativas de modo que
interesses privados apareçam como se fossem interesses gerais.”
Marcio Pochmann (1962-), economista, professor, pesquisador e político brasileiro em artigo As faces da oligarquia brasileira, publicado no jornal online Outras Palavras em 15/04/2026
e
https://www.catalogodasartes.com.br/artista/Oswaldo%20Pinheiro%20-%20Osvaldo%20Pinheiro/
“Nosso conhecimento atual de neurobiologia deixa claro que não existe liberdade absoluta. Muitos fatores genéticos e influências ambientais no início do desenvolvimento, por meio de seus efeitos no desenvolvimento do nosso cérebro, determinam a estrutura e, portanto, a função do nosso cérebro pelo resto de nossas vidas. Como resultado, começamos a vida não apenas com uma série de possibilidades e talentos, mas também com muitas limitações, como uma tendência congênita ao vício, um nível predefinido de agressividade, uma identidade de gênero e orientação sexual predeterminadas e uma predisposição para TDAH, transtorno de personalidade borderline, depressão ou esquizofrenia. Nosso comportamento é determinado desde o nascimento.”
“O fato de muito ser determinado durante nosso desenvolvimento inicial se aplica não apenas a transtornos psiquiátricos, mas também ao nosso funcionamento no dia a dia. Nascemos em um ambiente linguístico que molda a estrutura e a função do nosso cérebro sem que tenhamos a liberdade de escolher nossa língua materna. O ambiente religioso em que acabamos após o nascimento também determina como moldamos nossa espiritualidade (cujo nível é geneticamente predeterminado) — ou seja, se nosso foco será a crença, o materialismo ou as preocupações ambientais. Em outras palavras, nossa herança genética e todos os fatores que afetaram permanentemente o desenvolvimento inicial do nosso cérebro nos impõem uma série de limitações internas; não somos livres para decidir mudar nossa identidade de gênero, orientação sexual, nível de agressividade, caráter, religião ou língua materna. Nem podemos decidir ter um determinado talento ou nos abster de pensar. Como escreveu Nietzsche: Um pensamento vem quando ‘ele’ quer, não quando ‘eu’ quero. Nossa influência sobre nossas escolhas morais também é limitada. Aprovamos ou rejeitamos as coisas, não porque tenhamos pensado profundamente sobre o assunto, mas porque não podemos fazer de outra forma. A ética é um produto do nosso antigo instinto social de fazer o que é bom para o grupo, uma descoberta que remonta a Darwin.”
“Como nosso cérebro sobrecarregado toma decisões constantemente usando processos inconscientes, o psicólogo de Harvard, Daniel Wegner, fala de uma vontade inconsciente em vez de livre-arbítrio. O inconsciente toma decisões em frações de segundo com base em eventos ao nosso redor, um processo determinado pela forma como nossos cérebros se formaram durante o desenvolvimento e pelo que aprendemos desde então. O ambiente complexo e em constante mudança em que vivemos significa que nossas vidas nunca podem ser previsíveis, e a forma como nossos cérebros se desenvolveram significa que não pode haver livre-arbítrio completo. No entanto, acreditamos que estamos constantemente fazendo escolhas livres, e chamamos isso de ‘livre-arbítrio’. De acordo com Wegner, isso é uma ilusão.”
“O
trabalho de Wegner demonstra claramente que tanto as ações em si quanto a ideia
‘consciente’ de iniciar uma ação são desencadeadas por processos inconscientes
no cérebro. Não é possível supervisionar esses processos, mas é possível
interpretar a ação resultante. A ‘imagem consciente’ que nossos cérebros
registram quando realizamos uma ação nos dá a sensação de que a executamos
conscientemente. Mas essa sensação não constitui prova de uma cadeia causal
consciente de eventos que levam à ação. De acordo com o psicólogo de Amsterdã,
Victor Lamme, a ilusão da consciência só ocorre deliberadamente quando a
informação sobre a ação que está sendo realizada é transmitida de volta ao
córtex cerebral. Wegner acredita que a ilusão do livre-arbítrio é necessária
para conferir legitimidade pessoal a uma ação.”
Dick Frans Swaab (1944), médico, neurobiólogo e
professor holandês em We are our brains –
A neurobiography of the brain from the womb to Alzheimer’s (Nós somos
nossos cérebros – Uma neurobiografia do cérebro do útero ao Alzheimer)
Música brasileira
Orquestra Tabajara
Álbum: 50 anos Orquestra Tabajara (1985)
Música: Espinha de Bacalhau (Severino Araújo, 1937)
A Orquestra
Tabajara foi fundada em 1934 na cidade
de João Pessoa (Paraíba), pelo empresário e
cônsul holandês Oliver Von Sohsten. À época da fundação, a orquestra levava o
nome de Jazz Tabajara. Em 1937,
com a inauguração da Rádio
Tabajara, a orquestra foi contratada para fazer parte de seu
elenco. Daí, a fama da orquestra chegou ao Rio de Janeiro, então capital do
país e pólo de produção musical. Em dezembro de 1944, a Orquestra Tabajara
recebeu da Rádio Tupi o
convite para se apresentar na capital e a estreia aconteceu no dia 20 de
janeiro de 1945, tendo tido grande repercussão no país.
A
orquestra permaneceu por dez anos como contratada da Rádio Tupi. Posteriormente, passou mais cinco
anos na Rádio Mayrink Veiga, dez na Rádio Nacional e cinco
na TV Rio.
Em 1952 a orquestra tocou em Paris, por ocasião do lançamento do algodão
brasileiro, na Festa do Jaques Fath;
em 1955, apresentou-se no Carnaval de Montevidéu; no ano de 1961, apresentou-se
na feira internacional, em Buenos Aires; em 1989 tocou no Casino
Estoril, de Lisboa e em 1990 excursionou por diversas cidades de
Portugal.
(Fonte do texto: Wikipedia)
“Em
face dos danos causados pelos automóveis à saúde humana, assim como à
mobilidade geral – embora o automóvel particular tenha contribuído, durante
décadas, para a mobilidade individual, e ainda possa servir a esse fim desde
que a forma e usá-lo seja profundamente transformada – já se tornou consensual
que eles reduzem a mobilidade geral. Assim, não é demais imaginar que esses
objetos serão severamente restringidos.”
Eduardo Fernandez Silva, economista com especialização em desenvolvimento urbano, professor universitário em Meio Ambiente & Mobilidade Urbana
“Pelo que acontece hoje, são imagináveis as condições de trabalho e de vida dos trabalhadores durante o longo período em que inexistiu qualquer legislação trabalhista ou em que esta mal começava a ser elaborada. Os salários eram muito baixos e, por sinal, segundo dados do Censo de 1920, situavam-se em São Paulo em nível inferior ao do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul, o que acrescentava mais uma vantagem para os industriais paulistas; a jornada de trabalho habitual se estendia de onze a doze horas e as condições higiênicas e de segurança, dentro das fábricas, só podem ser caracterizadas como calamitosas. Na indústria têxtil, em particular, o proletariado era constituído, em sua maioria, por mulheres e crianças.
Segundo testemunho insuspeito do começo do século XX, a idade mínima para o trabalho fabril era de...cinco anos! Numa das fábricas de Matarazzo, foram encontradas máquinas de proporções apropriadas ao manejo infantil. Pior ainda: os menores viam-se forçados a horários noturnos de onze horas e, com frequência, sofriam espancamentos dentro das fábricas. Não havia descanso semanal remunerado, férias remuneradas, seguro contra acidentes, previdência social, nada, enfim, que impusesse algum limite legal à taxa de exploração da força de trabalho. A exploração desenfreada se combinava com duas táticas calculistas por parte do patronato: a do paternalismo e a da repressão policial.”
Jacob Gorender (1923-2013), historiador, cientista social e escritor brasileiro em A Burguesia Brasileira
“Essa constatação nos põe diante da evidência de que a civilização surgida da Revolução Industrial europeia conduz inevitavelmente a humanidade a uma dicotomia entre ricos e pobres, a qual se manifesta entre países e dentro de cada país de forma pouco ou muito acentuada. Segundo a lógica desta civilização, somente uma parcela minoritária da humanidade pode alcançar a homogeneidade social ao nível da abundância. A grande maioria dos povos terá que escolher entre a homogeneidade a níveis modestos, de consumo e um dualismo social de grau maior ou menor.”
“Não
me escapava que o verdadeiro desenvolvimento dá-se nos homens e nas mulheres e
tem importante dimensão política. A história subsequente não fez senão
confirmar minhas opiniões iniciais. Assim, como ignorar que foi porque a partir
de 1964 o Brasil paralisou seu desenvolvimento político – em realidade,
retrocedeu nesse plano enquanto sua sociedade crescia e se nos fazia mais complexa
–, como ignorar, dizíamos, que nos tornamos uma nação de difícil
governabilidade, que destrói recursos escassos e cumula problemas de forma
alucinante?
A
visão global também me fez perceber, desde começos dos anos 70, que a fratura
do subdesenvolvimento se faria mais deformante à medida que se aprofundasse a
crise manifesta que aflige a civilização consumista em vias de planetarização.
Que é inerente a essa civilização um processo depredador, já o sabíamos há
muito tempo: as fontes de energia em que se funda o estilo de vida que ela
estimula caminham para a exaustão, eleva-se a temperatura em nosso ecúmeno e é
progressivo o empobrecimento da biosfera.”
Celso Furtado (1920-2004), economista, ministro do Planejamento e da Cultura, um dos maiores intelectuais brasileiros em Brasil a Construção Interrompida
“O conhecimento incessante da verdade faz com que o homem caminhe para o anjo. Chegarão primeiro os que mais depressa conheceram ao seu semelhante, tanto quanto a si mesmo. Nunca foi impossível o exato conhecimento próprio. É necessária, porém, a coragem bastante, para que cada qual se veja e se pegue, se espie e se apalpe, em cada um dos seus mais íntimos espaços físicos e morais.
Que as constantes feiuras a encontrar não nos retraia os olhos (no caso, o sentir) e as mãos. Depois, será mais fácil conhecer-se o próximo. E depois, então, mesmo que se minta, só se saberá da utilidade e do consolo da verdade. Faltará ânimo para o fingimento e a fuga, quando acreditarmos em que ninguém engana ninguém e em que somos capazes de conhecer o próximo, desde o instante inicial do primeiro conhecimento. A sintomatologia do mal é evidente e constante.
O homem mau ri errado. Por isso,
deve-se viver em multidão. Falar e rir em coro, andar e parar em batalhões.
Viver entre os que, simplesmente, estiverem vivendo. A vida coral nos alivia da
obrigação do êxito, do êxito que é casual (e verdadeiro) ou é fabricado e
cínico. Desconfiai dos feitos que são repetidamente comemorados com jantares e
missas de ação de graças!
É esta uma simples canção de fim de ano. Escrevia, confessando-me e comprometendo-me em cada uma das minhas pequenas descobertas. Se não atingi, rondei mais das vezes a insolente verdade dos homens e das coisas. Em vez disso, escreveria uma crônica de Natal… Mas, em tudo o que eu dissesse do Nascimento de Cristo e fraternidade humana, correria o erro constante de repetir: ‘Natal, Natal, bimbalham os sinos…’. 14/ 12/ 1956” (Trecho da crônica 'Canção de Fim de Ano').
Antônio Maria (Antônio
Maria Araújo de Morais - 1921-1964), jornalista, produtor de rádio e televisão,
cronista e compositor brasileiro em Manhã
de Carnaval & Outras Crônicas