Essa não poderia faltar

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

West, Bruce & Laing

Maringoni

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

 (Fonte: A Terra e Redonda/Maringoni)

Leituras diárias

 

“A visão de conjunto – ressalve-se – é sempre provisória e nunca pode pretender esgotar a realidade a que ele se refere. A realidade é sempre mais rica do que o conhecimento que temos dela. Há sempre algo que escapa às nossas sínteses; isso, porém, não nos dispensa do esforço de elaborar sínteses, se quisermos entender melhor a nossa realidade. A síntese é a visão de conjunto que permite ao homem descobrir a estrutura significativa da realidade com que se defronta, numa situação dada. E é essa estrutura significativa – que a visão de conjunto proporciona – que é chamada de totalidade.

A totalidade é mais do que a soma das partes que a constituem. No trabalho, por exemplo, dez pessoas bem entrosadas produzem mais do que a soma das produções individuais de cada uma delas, isoladamente considerada. Na maneira de se articularem e de constituírem uma totalidade, os elementos individuais assumem características que não teriam, caso permanecessem fora do conjunto. Há totalidades mais abrangentes e totalidades menos abrangentes: as menos abrangentes, é claro, fazem parte das outras. A maior ou menor abrangência de uma totalidade depende do nível de generalização do pensamento dos objetivos concretos dos homens em cada situação dada.

Para trabalhar dialeticamente com o conceito de totalidade, é muito importante sabermos qual é o nível de totalização exigido pelo conjunto de problemas com que estamos nos defrontando; e é muito importante, também, nunca esquecermos que a totalidade é apenas um momento de um processo de totalização (que, conforme já advertimos, nunca alcança uma etapa definitiva e acabada). Afinal, a dialética – maneira de pensar elaborada em função da necessidade de reconhecermos a constante emergência do novo na realidade humana – negar-se-ia a si mesma, caso cristalizasse ou coagulasse suas sínteses, recusando-se a revê-las, mesmo em face de situações modificadas.”

 

Leandro Konder (1936-2014), filósofo brasileiro em O que é dialética

Amazônia em 1918

domingo, 1 de fevereiro de 2026

(Fonte: Blog Iba Mendes Pesquisa)

Canal Uma História a Mais apresenta trechos e comenta o filme Amazonas o maior rio do mundo, rodado em 1918. A película esteve desaparecida por dezenas de anos e só foi redescoberta recentemente.

Veja imagens da região amazônica, sua floresta, seus habitantes e cidades no início do século XX, no link para o filme abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=bd1c7YBXLEA

Bruce Hood

sábado, 31 de janeiro de 2026

“Nós observamos as galáxias mais distantes exploramos os mistérios subatômicos por meio da nossa ciência. A ciência deveria ser a base do nosso conhecimento e sabedoria. Mesmo assim, a crença no sobrenatural – crenças que não são naturais ou científicas – ainda são bem comuns.

Se a ciência faz tanto sucesso, por que a maioria das pessoas ignora o que ela tem a dizer em relação ao sobrenatural? Por que o público como um todo não dá ouvidos aos cientistas que dizem que tais crenças são infundadas? Nesse ponto, eu gostaria de chamar a atenção para o fato de que as crenças sobrenaturais geralmente aparecem em duas formas diferentes. Há crenças sobrenaturais religiosas (Deus, anjos, demônios, reencarnação, céu, inferno e assim por diante) e crenças sobrenaturais seculares (como telepatia, clarividência, percepção extrassensorial). Todas as religiões são baseadas em crenças sobrenaturais, mas nem todas as crenças sobrenaturais são baseadas em religião. Essa é uma distinção importante, pois existem argumentos e grupos de interesse muito poderosos envolvidos na diferenciação entre religião, ciência e sobrenaturalismo.”

 

Bruce Hood, psicólogo e filósofo canadense em Supersentido – Por que acreditamos no inacreditável   

Angeli

(Fonte: X/Angeli)

Bye bye Brasil - Chico Buarque

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

 Música brasileira 


Chico Buarque

Álbum: Vida (1980)

Música: Bye bye Brasil




https://www.youtube.com/watch?v=jyvexkKMH6c&list=RDjyvexkKMH6c&index=1


"Bye Bye Brasil" é uma famosa canção de Chico Buarque, composta em parceria com Roberto Menescal em 1979 para o filme homônimo dirigido por Cacá Diegues. A música retrata as transformações e a modernização do Brasil, misturando nostalgia e uma visão crítica social através de imagens do cotidiano. A letra de "Bye bye Brasil" narra basicamente a história de um personagem que, por um telefone público, conta suas aventuras errantes para a namorada.

Como Chico Buarque havia preparado uma letra muito maior do que se poderia encaixar no filme, Cacá Diegues decidiu sobre o corte final da canção. O diretor chegou a pedir que o compositor fizesse pequenas alterações, entre as quais, o verso 'tem um japonês trás de mim' - o diretor receava que pudesse aludir a Shigeaki Uekiministro das Minas e Energia do governo Geisel. Sem jamais ter confirmado tampouco negado a suposta referência, o compositor manteve o verso.

 

(Fonte do texto: AI Overview e Wikipedia)

Leda Catunda (1961-)

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Conheça mais sobre a vida e obra da artista no site Fortes D'Aloia & Gabriel abaixo:

https://fdag.com.br/artistas/leda-catunda/

O que eles pensam

 

Oportunistas e seus cúmplices

 

“Não é sempre que um sociólogo tem a oportunidade de observar ao vivo um processo de transição social tão radical como este que agora se dá a ver na contradição reveladora do que fizeram conosco. E, também, do que é o poder da ignorância, da facilidade com que se aproveitaram de nossa inocência.

Quando nos demos conta, na lentidão do período que chega ao fim, uma família de oportunistas profissionais tinha se apoderado do país, fez-se acompanhar de uma multidão de agregados e cúmplices, gente que se não fossem as fake news sobre adversários, as manipulações de impressões e de informações sobre pessoas e realidades, jamais chegaria ao poder.”

 

José de Souza Martins (1938-) sociólogo, escritor e professor aposentado da USP em artigo Estado do paciente, publicado no jornal Valor em 9/01/2026

Leituras diárias

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026


 

“Petrarca, o grande poeta, escritor e estudioso, é, portanto, uma figura ambígua e transitória quando julgada por seu papel na história do pensamento filosófico. Seu pensamento é aspirações e não ideias desenvolvidas, mas essas aspirações foram desenvolvidas por pensadores posteriores e, com o tempo, transformadas em ideias mais elaboradas. Seu programa intelectual pode ser resumido na fórmula que ele usa às vezes no tratado Sobre Sua Ignorância: sabedoria platônica, dogma cristão, eloquência ciceroniana. Sua cultura clássica, sua fé cristã e seu ataque à escolástica são todos pessoais e, de certa forma, modernos. Ao mesmo tempo, tudo o que ele diz é permeado por suas fontes clássicas e, frequentemente, pelos vestígios remanescentes do pensamento medieval. O antigo e o novo estão inextricavelmente interligados, e devemos evitar enfatizar apenas um lado ou outro, como frequentemente se faz. Não podemos sequer dizer que, em termos de seu próprio pensamento, o antigo é acidental e apenas o novo é essencial. Se quisermos fazer-lhe justiça e compreender sua peculiar estrutura mental, devemos aceitar o antigo e o novo como componentes igualmente essenciais de seu pensamento e perspectiva. Nesse aspecto, e em tantos outros, Petrarca é um representante típico de sua época e do movimento humanista. Podemos até ir um passo além: Petrarca não apenas antecipou os desenvolvimentos posteriores do Renascimento por ser excepcionalmente talentoso ou um filósofo (e político) profético; ele foi um daqueles que previram o futuro porque ajudou a torná-lo realidade.” (Kristeller, págs. 33 e 34). 

“Por fim, os humanistas trouxeram para a filosofia sua preferência por determinados problemas e temas. Se é difícil vê-los concordando em opiniões filosóficas específicas, é fácil notar sua orientação comum em alguns de seus tópicos favoritos, bem como em seu classicismo e estilo de apresentação. A ênfase em problemas morais e humanos, especialmente no que diz respeito à dignidade do homem e seu lugar no universo, parece intimamente relacionada ao credo central dos humanistas. Eles também estavam invariavelmente preocupados com os problemas do livre-arbítrio, do destino e da sorte, com os direitos de mérito e nascimento no julgamento do valor de uma pessoa, e com as questões atuais da ética antiga. Quando se aventuraram fora da ética, em outros ramos da filosofia tradicional, interessavam-se por tratar o assunto com a maior clareza e simplicidade, e em conformidade com suas autoridades (pensadores) antigas preferidas. Ao mesmo tempo, conseguiram fazer algumas contribuições originais, especialmente no campo da lógica.” (Kristeller, págs. 40 e 41).

 

Paul Oskar Kristeller (1905-1999), historiador e professor teuto-estadunidense em Ocho filósofos del Renacimiento italiano (Oito filósofos do Renascimento italiano)

Congresso inimigo do meio ambiente

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

(Fonte: National Geographic)

O atual Congresso mostrou ser o pior de todos tempos, em relação à proteção dos recursos naturais. Alinhados com grupos de interesse (agronegócio, mineração, madeireiras, etc.), parlamentares e senadores têm aprovado uma série de projetos de Lei (PL) que provocarão um retrocesso na proteção ambiental no país. 

Outros projetos que devem entrar em votação durante o ano de 2026, representam ainda mais ameaças aos biomas brasileiros. Falta de visão de futuro, interesses financeiros e pouco (ou nenhum) conhecimento do assunto, parecem ser as forças motrizes a guiar os votos da maioria dos congressistas.

Veja o que foi e (infelizmente) ainda pode ser aprovado pelo Congresso:

Essa não poderia faltar

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026


John Lennon / Plastic Ono Band

Working Class Hero (1970)

https://www.youtube.com/watch?v=iMewtlmkV6c&list=RDiMewtlmkV6c&start_radio=1

A espantosa vitória da desigualdade

domingo, 25 de janeiro de 2026

(Fonte: Linkedin)

Leia artigo sobre a concentração de renda em todo o planeta, escrito pelo jornalista inglês George Monbiot, publicado em tradução no jornal online Outras Palavras:

Adão Iturrusgarai

 (Fonte: Ignorância Times/Adão)

Investimentos que prejudicam a natureza

sábado, 24 de janeiro de 2026

(Fonte: Torres Marketing)
Para cada 1 US$ investido na proteção do meio ambiente, gasta-se U$ 30 para destruí-lo. É basicamente o que diz o mais recente relatório do PNUMA, o Programa da Nações Unidas para o Meio Ambiente, publicado em 22 de janeiro último.

O relatório, intitulado Estado das Finanças para Natureza 2026, traz uma série de dados comparando investimento benéficos à natureza (SbN - Soluções Baseadas na Natureza) com investimentos prejudiciais à natureza.

"Se você rastrear o dinheiro, verá o tamanho do desafio à nossa frente. Podemos investir na destruição da natureza ou impulsionar a recuperação dela – não há meio-termo", afirma Inger Andersen, diretora-executiva do PNUMA. “Enquanto o financiamento de soluções baseadas na natureza avança lentamente, investimentos prejudiciais e subsídios estão crescendo rapidamente. Este relatório oferece aos líderes globais um roteiro claro para reverter essa tendência e trabalhar com a natureza, e não contra ela.

Veja mais sobre os dados apresentados e faça download do relatório completo no link abaixo:

Frases de Meio Ambiente

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026


“Porque, por trás de tudo isso, está a verdade real que temos evitado: a mudança climática não é um 'problema' a ser adicionado à lista de preocupações, ao lado da saúde e dos impostos. É um chamado para o despertar da civilização. Uma mensagem poderosa — expressa na linguagem de incêndios, inundações, secas e extinções — que nos diz que precisamos de um modelo econômico inteiramente novo e de uma nova maneira de compartilhar este planeta. Diz-nos que precisamos evoluir.”

 

Naomi Klein (1970-), jornalista, escritora e ativista canadense citada por Goodreads

A frase do dia


“A vida é curta demais para ler um livro ruim.”


James Joyce (1882-1941), escritor, poeta e crítico literário irlandês, citado por Goodreads

Música de vanguarda

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026



Steve Reich



 

https://www.youtube.com/watch?v=Wxg6oMDv1Ds&list=PL7j1IgAZoq4HobPPVg91QKBpomp-spHmi&index=4


Steve Reich ou Stephen Michael Reich (Nova Iorque3 de outubro de 1936) é considerado um dos mais importantes compositores da música minimalista e da música modalista.

Estudou percussão aos catorze anos com o timpanista da Orquestra Filarmônica de Nova Iorque; formou-se em Filosofia na Universidade Cornell; estudou composição por dois anos com Hall Overton, de 1958 até 1961 na escola de música Juilliard. Além disso, estudou em institutos africanos e balineses. Em 1990 ganhou o Grammy de melhor compositor contemporâneo.

Recebeu o Prémio Pulitzer de Música em 2009 por Double Sextet.

 

(Fonte do texto: Wikipedia)

Cazo

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

(Fonte: Blog do AFTM/Cazo)

Sergio Milliet (1898-1966)

Conheça mais sobre a vida e obra do artista no site do Museu de Arte Moderna de São Paulo abaixo:

https://mam.org.br/exposicao/nova-aquisicao-sergio-milliet/

Desigualdade à brasileira

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

(Fonte: InfoMoney)

Documentário Desigualdade à brasileira 3 sobre a disparidade econômica no Brasil é parte da série Documentário de Impacto. 

Depoimentos mostram a realidade diária de grande parte da população brasileira, vítima da concentração de renda:

https://www.youtube.com/watch?v=VCYG9jECCyI

Outras leituras

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

 

“Mas, é claro, Reagan e Thatcher não estiveram sozinhos, nem foram pioneiros exclusivos do neoliberalismo e da financeirização. Em meados da década de 1970, o milionário David Rockfeller criou a Comissão Trilateral. Ela reuniu duzentos membros selecionados entre as elites político-econômicas dos Estados Unidos, da Europa e do Japão. Essa reunião tinha como objetivo propor uma carta de ações conjuntas diante dos impasses do capitalismo, basicamente a preocupação com a queda da taxa de lucro. É interessante notar o caráter reativo do documento produzido pela comissão. A ideia expressa no documento, significativamente denominado ‘A crise da democracia’, publicado em 1975, nada tinha de complexa. Dizia que o problema mundial estava no ‘excesso de democracia’. A democracia, para a comissão, precisava ter limites, de modo que uma elite seria melhor para o governo, e não um governo passível de ser pressionado por amplas bases populacionais. O que a Comissão visava era elaborar um argumento para que a sociedade se desfizesse dos compromissos da política que uniu Keynes com Ford. 

Preparou-se aí a tese de que o problema da queda da taxa de lucro das empresas advinha, especialmente, das reivindicações sindicais. O regime do Estado de bem-estar social havia gerado um poder sindical que precisava ser afastado. Deixou-se de lado a ideia de que uma sociedade de consumo de massas, com salários capazes de manter esse consumo aquecido e, ao mesmo tempo, controlado, faria o capital e o trabalho andarem juntos, resultando em progresso. Esse regime foi para o espaço quando o próprio modo de produção fordista deu mostras de não mais poder acelerar o ciclo produção/consumo. Quando esse fato se agrupou às vicissitudes da estagflação dos anos 1970, tudo começou a se encaminhar para a confluência de um novo casamento. Ford e Keynes se tornaram um casal fora de moda. O novo par adveio de um casamento celebrado com clérigos presentes para a cerimônia: foi a união de Thatcher e Reagan, com a bênção de Friedrich Hayek (1899‑1992) e Milton Friedman (1912‑2006), que haviam adquirido respeitabilidade acadêmica recente graças ao Prêmio Nobel em Economia que receberam, respectivamente, em 1974 e 1976.” (Ghiraldelli, págs. 56 e 57). 

 

Paulo Ghiraldelli (1957-), filósofo, escritor, professor e youtuber brasileiro em Capitalismo 4.0: Sociedades e Subjetividades

Leituras diárias

domingo, 18 de janeiro de 2026


 

“O rádio passava a ser, na década de 1930, portanto, o grande porta-voz das mudanças apresentadas pela cidade, mesmo considerando a questão do tempo. A velocidade do tempo mudava de acordo com as necessidades do trabalho. Tempo movido pela hora da entrada e da saída do trabalho, tempo de mudanças constantes entre construções e demolições difíceis de acompanhar, o tempo da programação radiofônica. Também o tempo da transmissão publicitária, e a necessidade de, nesse determinado período, fazer o ouvinte crer que precisaria comprar a mercadoria anunciada. Assim, o rádio se tornava cada dia mais integrado ao cotidiano de parte da população e adaptado ao ritmo e ao tempo industrializado. Também jogos de futebol e lutas, além de notícias e da programação cotidiana, faziam com que o rádio oferecesse lazer à população. O lazer podia estar circunscrito ao âmbito do rádio ou então nas reuniões organizadas em alguns lugares com a finalidade de apreciar a programação transmitida. Importantes centros de concentração de pessoas para escutar rádio eram os salões de ‘vendas’.”

“Assim, o lazer estava garantido, tendo como ponto principal a radiodifusão, mesmo àqueles que, não obstante a maior facilidade em se adquirir um rádio na década de 1930, ainda não tinham acesso ao aparelho. Afinal, as reuniões nas vendas traziam a oportunidade da conversa informal, da troca de informações cotidianas, das discussões em torno das notícias, da torcida em conjunto ou adversária nas transmissões esportivas, entre outras possibilidades.”

“A sociabilidade era de extrema necessidade para a sua produção agrícola, de forma que o território contava com uma vizinhança disposta a participar do auxílio mutuo, quando necessário. As possibilidades que o meio rural caipira fornecia às produções de subsistência ditavam a dieta caipira,  ‘[...] ligada à agricultura itinerante, à coleta, à caça e à pesca [...]’. Assim, é possível visualizar uma situação em que o agrupamento e seu consequente auxílio mútuo nas situações de trabalho para subsistência das famílias caipiras estava diretamente relacionada, ou mesmo se confundia com o meio em que viviam. Os bairros caipiras contavam com a criação de um laço de sobrevivência, que tornava a sociabilidade do bairro uma necessidade cotidiana, na realização dos trabalhos de subsistência. Assim, ficava clara a sua diferença em relação a uma economia de mercado, marcada pela troca por intermédio do dinheiro.”

“Os códigos de convivência nos bairros caipiras formavam uma rede de auxílio, conhecida como mutirão, no qual todos se ajudavam em caso de necessidades como na derrubada da mata a fim de criar um roçado, na plantação, na colheita, na limpeza dos gêneros cultivados. Também era um modo de auxilio na construção ou manutenção das moradias e estradas. Essas características de sociabilidades na manutenção da sobrevivência permitiam que fosse possível uma produção agrícola caipira com gêneros de subsistência, bem como a produção do arroz e do feijão. Esses códigos de organização da vida nos bairros caipiras ditavam regras de agradecimento, sendo que aquele que tivesse recebido auxílio com o mutirão devia oferecer aos trabalhadores a alimentação. Ao fim dos trabalhos também era de bom grado a oferta de uma festa, regada a música e pinga. Percebe-se que a sociabilidade de um território, no caso o bairro caipira, perpassava toda uma gama de construção da cultura caipira, que, na realidade do seu espaço geográfico, construía uma gama de relações culturais.”

“A situação econômica do caipira muitas vezes o obrigou a abandonar seu território, não considerando a terra como uma mercadoria, sendo ela o seu espaço de entrelaçamento entre socialização, trabalho e lazer. O meio em que vivia era por ele apossado, com a finalidade de suprir suas necessidades de sobrevivência. O avanço do latifúndio obrigava, muitas vezes, as famílias a abandonarem suas posses, sem os títulos de propriedades, se tornavam presas de grileiros. Considera-se essa situação como uma das causas da migração caipira para a cidade. No centro urbano, ele tinha que se adequar a novas situações que alteraram sua forma de vida o que levou a readequações em toda sua organização social. Entre elas, o contato com os vizinhos e o lazer praticado muitas vezes no próprio local de trabalho.”

“Na situação de migrante, o caipira estava impossibilitado de exercer no meio urbano a cultura com a qual estava acostumado no ambiente rural. Enquanto cultura, pensa-se aqui todo ato de organização de vida, bem como a economia, as relações entre pessoas, as festividades e suas características, as cantorias, a religiosidade, enfim, todos os aspectos inseridos na vida caipira. O espaço da cidade não oferecia possibilidades aos migrantes de exercerem integralmente todas essas características culturais, obrigando os migrantes a se adequar às novas condições de vida. Não quer dizer que abandonassem todo seu conhecimento anterior e recomeçassem a partir do nada, para constituir um novo modelo cultural.”

“Nessas oportunidades, a produção cultural de Monteiro Lobato e Cornélio Pires acerca do caipira também era responsável por estabelecer espaços diferenciados entre o rural e o urbano. Marcavam diferenças que acabavam por sedimentar a separação entre esses meios, ora adjetivando positivamente, ora negativamente ambos.”

 

Bruno Elton Ferreira, doutor em História e professor universitário em Sonoridades caipiras na cidade: A produção de Cornélio Pires (1929-1930)

Mike Luckovich

Se Trump fosse presidente em 1939

(Fonte: Mike Luckovich/r/europe)
 
"Foi a Inglaterra que começou..." 

Alan Sieber

sábado, 17 de janeiro de 2026

(Fonte: Alan Sieber)

Robert Green Ingersoll

“Ministros da religião dizem ensinar a caridade. Isto é natural. Eles vivem de doações. Todos os pedintes ensinam que os outros devem doar.”

 

Robert Ingersoll (1833-1899), livre-pensador, orador, político e escritor estadunidense defensor do agnosticismo, citado por Darrel W. Ray em The God Virus

O que eles pensam

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

 

“Uma coluna do jornal The New York Times, de autoria de Michelle Goldberg, faz uma admissão importante: a de que estiveram certos  aqueles que durante todos estes anos defenderam a tese de que Donald Trump representa um fascismo do século 21.”

 

Rui Tavares, historiador e deputado na Assembleia da República de Portugal, autor de Agora, Agora e Mais Agora, em artigo A Pulsão de Trump é totalitária, publicado no jornal Folha de São Paulo em 14/01/25

Maringoni

(Fonte: A Terra e Redonda/Maringoni)

Duke

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

(Fonte: Duke/Brasil Escola)

A frase do dia

 

“Aquilo que não é bem nem mal senão para um particular, e que pode ser o contrário disso com relação ao resto dos homens, não pode ser visto em geral como um mal ou como um bem.”

 

Luc Clapier, Marquês de Vauvenargues (1715-1747), escritor e moralista francês em Das Leis do Espírito - Florilégio Filosófico

Banco Master e as privatizações

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

No ambiente obscuro das privatizações, veja o que acontece. Também no caso do banco Master, existem ligações entre privatização e negócios escusos.

Entenda por que muitos políticos e empresários temem que o caso do banco Master seja investigado a fundo e divulgado.

É preciso colocar às claras o caso e publicar o nome de todos direta e indiretamente envolvidos. 

Veja entrevista do Prof. Kobori ao canal do ICL:

https://www.youtube.com/watch?v=6rApx5gpKww

Roger Scruton


“Com o tempo, podemos supor, os deuses escolheram deixar as festas em que eram revelados para se tornarem objetos de estudo teológico. Mas os seus festivais permaneceram como a principal forma pela qual as comunidades praticavam o estado de pertencimento por meio de atividades recreativas que restauravam o significado partilhado do seu mundo. Um desses festivais era o dedicado a Dionísio, em Atenas, quando os poetas competiam pela aprovação da multidão com as suas histórias trágicas de deuses e heróis. E algumas dessas tragédias sobreviveram, exemplos da mais elevada arte e testemunho de uma longa tradição de especulação e discernimento. Essa genealogia é, obviamente, uma ficção. Mas creio que seja uma ficção esclarecedora, que explica no tempo as conexões atemporais entre coisas contíguas. Leva-nos das necessidades específicas do caçador-coletor ao nascimento da religião revelada, daí ao culto organizado e ao festival comunitário e, finalmente, à cultura como um subproduto genial das nossas celebrações festivas. 

A conexão entre culto e cultura pode ser feita de outras maneiras, mas sua plausibilidade intrínseca é exibida na história que contei, e essa história suscita o seguinte pensamento. A cultura cresce a partir da religião; e a religião vem de uma necessidade da espécie. Mas a cultura gerada por uma religião também pode ter um olhar cético em relação a esta. Isso tem acontecido muitas vezes, e, na verdade, já vinha acontecendo no teatro grego. Não apenas os deuses e heróis passaram a ser satirizados por Aristófanes (446  a. C. -386 a. C.); as histórias solenes desses mesmos deuses e heróis foram contadas por Ésquilo  (c. 524 a. C. - c. 555 a. C.) e Eurípides (c. 480 a. C.- c. 406 a. C.) com um ar de distanciamento, como alegorias da condição humana, em vez de descrições literais de acontecimentos imortais. Não que os trágicos não acreditassem nos deuses. A julgar pelas obras que sobreviveram, eles não acreditavam nem desacreditavam, considerando a crença como, de alguma forma, irrelevante para a sua tarefa, que era a de capturar e ilustrar o significado do mundo. Tal como Platão (c. 428 a. C. - c. 348 a. C.) e Sócrates (c. 470 a. C. - c. 399 a. C.), eles viam as histórias dos deuses como mitos e tratavam o mito como outro modo de conhecimento, distinto tanto da ciência racional como da narrativa. Eles acreditavam em Deus e não nos deuses, e o seu Deus era, como o de Platão, Sócrates e Aristóteles, infinito, eterno, inescrutável, julgando um mundo que realmente não O contém.” (Scruton, págs. 33 e 34). 

“Contudo, mesmo na sua forma mais ateísta, a arte ocidental demonstra um grande respeito pelo mito, vendo-o tal como os trágicos gregos o viam – um veículo por meio do qual as verdades secretas da condição humana podem ser transmitidas em formato alegórico. Wagner (1813 - 1883) reescreveu os mitos germânicos e as lendas medievais, incorporando-os em obras de arte expressamente modeladas nas tragédias de Ésquilo. Desde então, tem sido comum entre os artistas representar a verdade espiritual da condição humana, utilizando-se de mitos antigos em formato de romance. Aos poucos a arte assumiu a tarefa de simbolizar as realidades espirituais que escapam ao alcance da ciência da religião. Dessa forma, à medida que a religião perdeu o seu domínio sobre a imaginação coletiva, a cultura passou a parecer cada vez mais importante, sendo o canal mais confiável por meio do qual ideias éticas elevadas podem entrar nas mentes das pessoas cépticas.” (Scruton, pág. 36). 

 

Roger Vernon Scruton (1944-2020), filósofo, escritor e crítico social inglês em A cultura importa: fé e sentimento em um mundo sitiado

O que foi o CINEMA NOVO?

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

 (Fonte: Adorocinema)

Documentário sobre o Cinema Novo, movimento cinematográfico surgido no Brasil no anos 1960, fortemente influenciado pelo neorrealismo do cimena italiano e a Nouvelle Vague (Nova Onda) do cinema francês.

O contexto reflete a situação social e econômica do país nos anos 1960 (industrialização, migrações internas, ditadura civil-militar, tropicalismo, etc.)

O movimento, liderado por cineastas como Nelson Pereira dos Santos, Anselmo Duarte, Glauber Rocha, Cacá Diegues, Leon Hirszman e Alex Viany, entre outros, projetou o cinema brasileira no cenário internacional.

Veja o documentário no link abaixo:

Leituras diárias

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

 

“O começo de 1975 traria ao jornal uma mudança simples, porém simbólica. A partir da edição 289, da última semana de janeiro, o artigo que antecedia o nome do hebdomadário desde o primeiro número seria suprimido. Daquele momento em diante o jornal passava a ser identificado na capa apenas como Pasquim. A brisa da ainda incipiente abertura política também começa a soprar para os lados do Pasquim. Os novos parlamentares haviam sido empossados poucos dias antes, quando em 24 de março de 1975 o telefone tocou na mesa de Dona Nelma. Do outro lado da linha, quem ligava pedia para falar com Jaguar. Nelma passa o aparelho ao editor, com Sérgio Augusto ao lado. O que parecia trote era um curto recado de apenas duas frases vindo de Brasília. A primeira parte parecia um bálsamo, uma mensagem há muito aguardada: ‘Vocês agora não precisam mandar mais nada para a censura’. O aviso se completava com uma quase ameaça e uma incumbência: ‘Agora a responsabilidade é de vocês’. Jaguar pôs o telefone no gancho e falou: ‘Estamos fodidos. Agora, como vamos fazer o jornal?’.

De imediato, houve uma discussão muito tensa. A edição que estava sendo preparada para ser enviada aos censores já estava praticamente fechada. Era uma edição comemorativa, a de número 300, com 40 páginas e com entrega programada para dali a cinco dias. Estava prevista, inclusive, uma página desenhada por Demo. Os personagens de Jaguar, Millôr, Ziraldo e Sérgio Augusto eram facilmente identificáveis. Millôr resolveu mexer na edição e testar os limites da censura que acabara de ser revogada. Na página 3 do jornal, escreveu: ‘A responsabilidade sempre foi nossa’, no texto que trazia o título óbvio e provocador de ‘Editorial sem censura’. E prossegue: ‘A ausência de censura no Pasquim é assim, neste momento e neste país, um privilégio amedrontador e quase insuportável’. Até chegar ao final de uma maneira irônica e agressiva. ‘Num país em que publicações como Tribuna da Imprensa, Veja, Opinião, O São Paulo continuam a ser editadas pela ignorância, pelo tédio e até pelo ódio pessoal dos censores, e o periódico Argumento está definitivamente proibido de circular, este jornal, só, pobre, sem qualquer cobertura – política, militar ou econômica – e que tem como único objetivo a crítica aos poderosos, não pode se considerar livre.’” (Pinheiro, págs. 124 e 125)


Márcio Pinheiro, jornalista e escritor brasileiro em Rato de redação; Sig e a história do Pasquim

Andre Dahmer

domingo, 11 de janeiro de 2026


                                         (Fonte: Andre Dahmer/Folha de São Paulo) 

Torquato Bassi (1880-1967)

Conheça mais sobre a vida e obra do artista no site Guia das Artes abaixo:

https://www.guiadasartes.com.br/torquato-bassi/pintor

Neurobiologia vegetal

sábado, 10 de janeiro de 2026

(Fonte: BBC)

A neurobiologia vegetal é um novo ramo da ciência, que se propõe a investigar como as plantas captam, processam e respondem às informações do ambiente. Ciência de desenvolvimento recente, possui abordagens reducionistas e outras de caráter mais amplo.

Aspecto principal, no entanto, é que a neurobiologia vegetal abre novas perspectivas para as ciências, tanto biológicas quanto humanas, na maneira de encarar a natureza, a ciência em geral e o modo como enxergamos o mundo e a nós mesmos. 

Nesta longa entrevista do jornal IHU Online com o pesquisador e doutor em antropologia Guilherme Soares, publicada em 08/01/2026, são discutidos diversos aspectos deste interessante tema:

Essa não poderia faltar

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Black Sabbath

 Lord of this World (1971)

https://www.youtube.com/watch?v=rCJ95vya8l0&list=PL5JzXwEXiQubyyAnTq9bs8OkZzJiHaXmn&index=6

O inferno de Borges

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Ontem, dia 7/01 foi o Dia do Leitor. 

Lembramos (atrasados) da data e publicamos o texto abaixo da Profa. Dra. Luciana Molina, originalmente publicado no site A Terra é Redonda em 31/12/2025:

https://aterraeredonda.com.br/o-inferno-de-borges/