“À medida que as fábricas se tornaram
a norma e as famílias foram expulsas das terras comunitárias, cidades como
Manchester experimentaram um crescimento explosivo. Os trabalhadores migraram
para onde podiam encontrar empregos em fábricas, que ofereciam salários
estáveis e trabalho tanto para homens quanto para mulheres. O trabalho também
era durante todo o ano. Muitas dessas fábricas estavam ligadas a ‘cidades
empresariais’, como a Cromford Mill de Arkwright, que fornecia alojamento,
alimentação e (raramente) educação para as crianças.
No entanto, as fábricas
frequentemente apresentavam condições de trabalho insalubres e perigosas, além
de baixos salários. As crianças eram enviadas para trabalhar quando seus pais
precisavam de renda extra para complementar seus baixos salários. Os
trabalhadores viviam em condições de superlotação e insalubridade e tinham
poucos ou nenhum direito trabalhista. Se um trabalhador sofresse um acidente e
não pudesse trabalhar, não havia proteção para garantir sua recuperação.
A riqueza se concentrou nas mãos de poucos donos de fábricas, que controlavam toda a linha de produção e não ofereciam flexibilidade aos seus trabalhadores. Aliás, os trabalhadores que faltavam um dia por motivo de doença eram considerados improdutivos. Se chegassem atrasados, eram punidos fisicamente ou com o desconto em seus salários. Muitas vezes, eram obrigados a reembolsar os donos das fábricas pelo custo da mão de obra perdida, além do desconto salarial. A centralização das fábricas tornou-se a base do capitalismo industrial moderno, que frequentemente prioriza a eficiência em detrimento do trabalho artesanal. A indústria podia fornecer materiais baratos, rápidos e consistentes, impulsionando as economias, mas também consolidava as desigualdades sociais, criando um barril de pólvora para movimentos de resistência e lutas trabalhistas.”
“O Movimento Ludita
Os trabalhadores qualificados que
haviam construído um sustento sólido por meio da agricultura de subsistência e
da produção têxtil não ficaram de braços cruzados enquanto seu trabalho era
substituído por máquinas mais rápidas. Desde o início, muitos perceberam como a
mecanização possibilitaria a exploração da classe trabalhadora, então
protestaram não contra as máquinas em si, mas contra o que essas máquinas
poderiam fazer com suas vidas. Batizados em homenagem à figura mítica de Ned
Ludd, um personagem semelhante a Robin Hood que destruiu um tear em um acesso
de fúria, eles visavam máquinas como teares mecânicos e teares hidráulicos, que
consideravam uma ameaça ao seu trabalho.
Os luditas eram tecelões, tricotadores,
cortadores de trigo e todos os outros que viram seus salários despencarem
graças às fábricas e à automação. E seu protesto não se limitou às máquinas em
si. Os luditas também lutaram contra a inflação causada pelas Guerras
Napoleônicas (que afetou desproporcionalmente a classe trabalhadora), a
escassez de alimentos e a ausência de proteção para aqueles que trabalhavam nas
fábricas.
O movimento começou em
Nottinghamshire em 1811, onde tricotadeiras destruíram teares em uma fábrica de
meias. Em um ano, o protesto se espalhou por Yorkshire, Lancashire e Midlands,
com luditas destruindo teares a vapor, moinhos e máquinas de debulhar. Eles se
organizavam em segredo, enviando cartas ameaçadoras assinadas pelo ‘General
Ludd’ antes de atacar as fábricas, tudo para evitar a retaliação igualmente
violenta do governo.
A Lei de Quebra de Tears de 1812 tornou a quebra de máquinas um crime capital punível com enforcamento, e o governo britânico enviou cerca de doze mil soldados para o norte, onde a fabricação têxtil era mais popular, a fim de suprimir quaisquer protestos abertos e caçar luditas que se reuniam em segredo. O governo chegou a empregar informantes que se infiltravam nessas reuniões secretas e forneciam informações sobre ataques planejados. Em janeiro de 1813, um julgamento em massa em York viu mais de sessenta homens acusados de crimes relacionados às atividades luditas. Desses, dezessete foram enforcados por seus crimes, e o restante foi transportado para colônias penais na Austrália.”
Billy Wellman, autor e historiador estadunidense em Revolução Industrial: Um olhar fascinante sobre como as máquinas e as fábricas transformaram o nosso mundo (Industrial Revolution: An Enthralling Look at How Machines and Factories Changed Our World)







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