“Uma das promessas mais frequentes da propaganda é a de um produto que ‘funciona como se fosse mágica’. Ele funciona, em outras palavras, como a propaganda, a magia por meio da qual ele é interpretado e apresentado ao público. Se essa identidade entre o produto e suas qualidades anunciadas for de fato mantida, se a imagem redefinida dos desejos humanos, o estilo de vida projetado pela propaganda, for feita pela audiência, então o produto se encaixará em suas vidas como nas vidas projetadas pelo anúncio. A propaganda vende seus produtos ‘vendendo’ sua objetificação dos produtos, sua imagem de uma vida que os inclui. Tudo o que temos de fazer é acreditar no anúncio (como no encantamento); então nossos atos irão assumir o foco do anunciante e o produto irá ‘funcionar como se fosse mágica’.”
“Como
uma mídia interpretativa, a propaganda refaz constantemente o significado e a
experiência da vida para a sua audiência e constantemente objetifica seus
produtos por meio dos significados e experiências que ela cria. Sua
interpretação da vida frequentemente se assemelha ou se sobrepõe às
interpretações propostas por outras mídias – temos filmes sobre automobilismo,
comerciais na forma de notícias e de shows de rock. Isso é assim porque todas
essas mídias compartilham a mesmíssima intenção de investir os elementos
triviais da vida em contextos provocativos e inusitados, que conferem a esses
elementos novas e poderosas associações e recarregam seus significados
convencionais. O lucro realizado com este tipo de investimento – sob a forma da
popularidade de um produto (‘vendas’), do número de livros, pneus ou ingressos
vendidos – é o resultado direto do incremento de significado criado. Compensa
ser diferente, mas o que compensa nas diferenças é que elas são repletas de
significado.”
Roy Wagner (1938-2018), antropólogo cultural
estadunidense em A Invenção da Cultura






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