Andre Dahmer

quarta-feira, 4 de março de 2026


                                                                       (Fonte: Andre Dahmer/Folha de São Paulo) 

Leituras diárias


“Soube, hoje, da morte de Miguel Torga, em Coimbra, aos oitenta e sete anos. Nunca vi Torga. Fui a Coimbra e pude ver a placa singela, Adolfo Rocha. Ele era otorrinolaringologista. Não bati. Não lhe falei. Tinha fama de ser esquivo, reservado.

Nunca o vi. Mas a confraria literária tem esse privilégio de uma união profunda, uma comunhão, que nos emociona e está para além do espaço e tempo. Sentimo-nos, sim, unidos. Unidos na literatura, no amor da literatura.

Ele escreveu Requiem por mim. Agora, tenho vontade de escrever o meu Requiem por mim, em memória dele. A meditação da morte nos dilata. Ela nos liberta de nós mesmos, perecíveis.

A morte não me assusta, não me espanta. Creio que convivo bem com a morte. A morte é fraternal. A morte é nossa amiga íntima. Ela convive conosco. Vai indo conosco, ao mais profundo de nós, como uma companheira cotidiana, amável. (...)”  


Antonio Carlos Villaça (1928-2005), escritor, jornalista, tradutor e conferencista em Os Saltimbancos da Porciúncula. Villaça é um dos mais importantes memorialistas brasileiros, ao lado de Pedro Nava e Gilberto Amado.

"Vamos libertar o Irã da barbárie!"

terça-feira, 3 de março de 2026

(Fonte: swaha cartoons/ Twitter)

Noam Chomsky

 

“A solidariedade é algo muito perigoso. Do ponto de vista dos senhores da humanidade, você só deve cuidar de si mesmo e não dos outros. É uma visão muito diferente daquela das pessoas que eles alegam considerar seus heróis, como (o filósofo e economista pioneiro do liberalismo econômico) Adam Smith, que baseou todo o seu enfoque à economia no princípio de que a simpatia é um traço fundamental da personalidade humana, mas, para os nossos senhores, isso tem que ser extirpado de nossas cabeças. Você tem que se preocupar apenas consigo mesmo e seguir a máxima vil — ‘não se importar com os outros’ —, atitude normal para os ricos e poderosos, mas devastadora para todo o restante da humanidade. Tem sido necessário muito esforço para apagar esse tipo de sentimento da cabeça das pessoas. 

Vemos isso na elaboração de políticas públicas — por exemplo, no ataque contra a Previdência Social. Tem-se falado muito na crise da Previdência Social, mas ela simplesmente não existe. A Previdência está em muito boa situação — tão boa quanto sempre esteve. O sistema de Previdência Social é uma instituição muito eficiente e não tem custo administrativo quase nenhum. E, embora exista a possibilidade de uma crise daqui a algumas décadas, dispomos de uma maneira fácil de vencê-la. No entanto, debates em torno de políticas públicas se concentram nela sobretudo porque os senhores não querem que exista — eles sempre a odiaram, pois ela beneficia o povo de uma forma geral. Contudo, existe outro motivo que os faz odiá-la. A Previdência Social se baseia em um princípio. É baseada no princípio de solidariedade. 

Solidariedade: interesse e cuidado para com os outros. Previdência Social significa o seguinte: ‘Eu pago encargos sociais para que a viúva do outro lado da cidade tenha algo com que possa sobreviver.’ No que se refere à maior parte da população, é assim que funciona. Como a Previdência não tem nenhuma utilidade para os muito ricos, existe então um plano sistemático para destruí-la. Uma das possíveis formas para se fazer isso é cortar verbas destinadas a ela. Ora, você quer destruir um sistema? A primeira coisa a fazer é cortar suas verbas. Feito isso, não funcionará mais. As pessoas ficarão revoltadas e depois vão querer outra coisa que a substitua. É uma técnica padrão, a que se costuma recorrer para se conseguir a privatização de um determinado sistema.” (Chomsky, págs. 75 e 76).

“E isso acontece bem diante de nossos olhos. Vejam, por exemplo, os Estados Unidos — aqui, martelam na cabeça da maior parte da população o princípio de que ela tem de ‘deixar o mercado comandar os rumos da economia’. Portanto, que as autoridades tratem de cortar o número de benefícios sociais, de reduzir a previdência social ou acabar com ela de uma vez, de diminuir ainda mais o limitado serviço de saúde pública, enfim, deixem o livre mercado comandar tudo. Mas não para os ricos. Para estes, o Estado deve ser uma entidade poderosa, sempre pronta para intervir e resgatá-los sempre que se meterem em apuros financeiros. 

Tomemos o exemplo de Reagan, um ícone do neoliberalismo, do livre mercado entre outras coisas. Ele foi o presidente mais protecionista na história do pós-guerra americano, tendo dobrado as barreiras de importação, na tentativa de proteger os incompetentes dirigentes americanos da superioridade dos produtos japoneses. Assim, mais uma vez, ele socorreu bancos, em vez de deixá-los arcar com seus custos. Na verdade a economia americana cresceu durante o governo Reagan, tornando-se um ícone do neoliberalismo. Devo acrescentar que seu programa ‘Guerra nas Estrelas’ foi abertamente propagandeado no mundo dos negócios como um incentivo do governo, como uma espécie de profícua vaca-leiteira em cujas tetas eles podiam mamar. Mas isso era apenas para os ricos. Já no caso dos pobres, que deixassem que os princípios do livre mercado conduzissem os rumos da economia e que não esperassem nenhum auxílio do governo.” (Chomsky, págs. 99 e 100).

 

Noam Chomsky (1926-), linguista, filósofo, sociólogo, cientista cognitivo e ativista político estadunidense em Réquiem para o sonho americano: Os dez princípios de concentração de renda e poder

Outras leituras

segunda-feira, 2 de março de 2026


 

“A mineração exigiu intercâmbio com as Capitanias do norte e do sul, no primeiro momento de integração nacional. A área devia importar gêneros alimentícios, artigos elaborados. O ouro provocou a mudança da capital de Salvador para o Rio de Janeiro, em 1763. Criou uma consciência nacional, traduzida em rebeliões contra o poder português ou em um movimento artístico fecundo. A riqueza pouco ficava em Minas ou no Brasil; nem mesmo em Portugal, pois ouro e diamante só passavam por Lisboa, indo para os Países Baixos — aí se fazia a lapidação dos diamantes, ou para a Inglaterra, em pagamento das inúmeras e dispensáveis importações. Como antes com as especiarias e com o açúcar, o português perdia outra oportunidade. Em obras suntuárias e não reprodutivas, na desorganização de um governo pouco lúcido para o econômico, esvaía-se a riqueza. 

Lembre-se, a propósito, o célebre Tratado de Methuen, em 1703 — quando começa a aparecer o Ouro —, entre Portugal e Inglaterra. Em termos simples, Portugal compromete-se 'para sempre' a importar tecidos ingleses, enquanto a Inglaterra compromete-se a importar vinhos portugueses. É outro momento marcante das relações entre os dois países, vindo de longe e marcado pela desigualdade de tratamento, com a submissão portuguesa. O assunto já foi muito estudado, aparecendo mesmo em clássicos como Montesquieu e Adam Smith.” 

“É geral a impressão de desenvolvimento. Multiplicam-se as iniciativas, não mais, como na regência de D. João, sob o signo oficial, mas pelo investimento privado. As chamadas fábricas nacionais encontram-se no Rio e nas províncias, para tecidos, chapéus, sapatos, couros, vidros, rapé, cerveja, sabão. A contar de 1860, realizam-se exposições industriais — fato significativo, apesar da modéstia do que se exibe e sua falta de repercussão. O país parecia maduro, consolidado — os indivíduos agiam, respirava-se confiança. Constroem-se ferrovias e instala-se o telégrafo, em busca da integração nacional. Aparece o que o ministro da Agricultura Manuel Buarque de Macedo, em 1880, chama ‘a nobre impaciência do amor do progresso’. Em parte dos dirigentes nacionais desenvolve-se o gosto pelas inovações, com o abandono da rotina, em nome de ideias novas, realizações materiais condutoras ao enriquecimento. É a modernização para um Brasil rico, livre, realizador, como a Grã-Bretanha, os Estados Unidos. 

É a ‘era Mauá’. Irineu Evangelista de Souza — Barão e depois Visconde de Mauá — domina a década com trabalhos de industrial ousado, banqueiro, construtor de ferrovias, empresário de navegação, introdutor de inovações tecnológicas, político, diplomata. Sua ação estende-se por todo o Brasil e mesmo áreas vizinhas, como o Uruguai, sem falar em participações bancárias, como as de Montevidéu, Buenos Aires, Nova Iorque, Paris, Londres, Manchester. É o melhor símbolo da euforia de então, quando o país parece despertar do torpor e se lança à aventura econômica e financeira, como se fosse a Grã-Bretanha ou os Estados Unidos. Mauá tem os traços do grande empresário, aquele que se joga no negócio com crença, entusiasmo, domínio da situação, vencedor. É raro no Brasil, de ontem ou de hoje, essa figura que marca com traço forte a história do capitalismo, essa psicologia do pioneiro que é criação de um sistema.”

 

Francisco Iglesias (1923-1999), economista e historiador brasileiro em A Industrialização Brasileira (1985)

A Marcha - Antonio Adolfo

domingo, 1 de março de 2026

 Música brasileira


Antonio Adolfo

Álbum: Viralata (1979)

Música: A Marcha




https://www.youtube.com/watch?v=BLfgvqK-3s0&list=RDBLfgvqK-3s0&start_radio=1


Antonio Adolfo Maurity Sabóia (1947-) é um pianistatecladista e compositor brasileiro. Filho de uma violinista da Orquestra do Teatro Municipal do Rio, carioca de Santa Teresa, aos 16 anos, como pianista, já pertencia ao fechado clube da Bossa Nova.

Começou a estudar música na infância, e no início dos anos 60 passou a frequentar os ambientes cariocas onde se tocava jazz e bossa nova. Em 1964 montou o Trio 3-D para encenar o musical "Pobre Menina Rica", de Vinicius de Moraes e Carlos Lyra. Participou como compositor dos festivais de música popular, obtendo sucesso com "Sá Marina" em 1968 e no ano seguinte com "Juliana" (parceria com Tibério Gaspar), interpretada pelo conjunto A Brazuca, do qual fazia parte.

Em 1969, sua carreira é impulsionada por Maysa, com quem trabalhou em parte dos arranjos do seu LP intitulado simplesmente Maysa. Em 1970 vence a Fase Nacional do V Festival Internacional da Canção, com a música BR-3 interpretada por Tony Tornado, composta em parceria com Tibério Gaspar. Trata-se de uma canção soul nos moldes de James Brown. Acompanhou Elis Regina em turnê à Europa um pouco depois, e nos anos 70 esteve nos Estados Unidos tocando e estudando, influenciado principalmente pela linguagem do jazz.

Em 2016, foi indicado ao Grammy Latino de Melhor Álbum de Jazz Latino por seu álbum Tropical Infinito. No ano seguinte, foi indicado novamente na mesma categoria, desta vez pelo álbum Hybrido/From Rio to Wayne Shorter. Em 2021, recebeu sua terceira indicação na categoria, desta vez pelo álbum Bruma: Celebrating Milton Nascimento, que foi indicado ainda na categoria de Melhor Engenharia.

 

(Fonte do texto: Wikipedia)

A família real no Brasil

sábado, 28 de fevereiro de 2026

“Se a beleza do cenário geográfico da cidade encantava a maioria da corte portuguesa que desembarcava no porto do Rio, os primeiros dias mostrariam a precariedade da estrutura da nova capital. ‘Numa pequena área espremida entre a praia e a montanha, formada por escassas ruas paralelas e mais algumas transversais, rodeadas por matas e logradouros desertos, mais de dez mil pessoas foram alojadas às pressas, com a chegada da Família Real, transformando a pequena cidade dos vice-reis em capital do império português na América’, descreve a historiadora Leila Mezan Algranti (1988:26). 

Para acomodar os acompanhantes da corte, o conde dos Arcos instituiu o sistema de aposentadorias que, na prática, requisitava as casas dos moradores locais para aconchego da nobreza. Na porta de muitas casas foram pregadas as letras PR – Príncipe Regente –, interpretadas pela população como Ponha-se na Rua. ‘O afluxo de uma grande quantidade de pessoas agravou os problemas urbanos. Além da falta de moradia, havia carência no abastecimento de água, saneamento, segurança pública’, descreve o historiador Paulo de Assunção (2008:88). Essa situação causou um enorme rebuliço tanto para a população que ficava desabrigada, quanto para a nobreza portuguesa que considerava as moradias desconfortáveis, mal construídas e sem o luxo das suas residências em Lisboa. Já a população mais pobre ficou marginalizada à região norte da cidade, circunscritas aos bairros de Catumbi e Mata-Porcos. Nesse espaço, as habitações se restringiam a choças aglomeradas entre os morros e o mar, o que já marcava a profunda desigualdade social no especo geográfico (Lima, 2000:106).” 

“O contato cada vez maior com a cultura europeia também estimulava um novo hábito na Corte: difundia-se o costume de almoçar fora de casa, nas denominadas casas de pasto, que serviam diariamente diferentes cardápios pré-estabelecidos com preços também já previamente fixados pelo comerciante. Tais mudanças na prática incentivam a procura por cozinheiros, um ofício bem remunerado. Em 1808, ‘um cozinheiro que soubesse trabalhar de caçarolas e massas ganharia por mês 14 $000 réis, mais do que muitos letrados obtinham em suas aulas’, elucida a historiadora Maria Beatriz Nizza da Silva (2007:35). A sobremesa teve seu espaço garantido. Em julho de 1813, Vicente Ferreira, o ilustre chocolateiro da princesa Carlota Joaquina, abria uma fábrica de chocolate na rua do Ouvidor, n.28. Para além da venda de todas as qualidades de chocolate, a loja vendia ainda extratos de manteiga de cacau para a produção de outros doces (Gazeta do Rio de Janeiro, 1813, N 58). A diversidade e a quantidade dos gêneros que foram importados nos Reinos de Portugal e Brasil durante 1816 foram tema de destaque da folha oficial, tamanha era a preponderância do comércio interatlântico de alimentos dentro dos limites do Império Português.”

 

Juliana Gesuelli Meirelles, doutora em história política pela UNICAMP e professora brasileira em A família real no Brasil: política e cotidiano (1808-1821)

O que eles pensam

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026


Tecnofeudalismo 

“Quando Yanis Varoufakis descreve o que estamos vivenciando como tecnofeudalismo – ou seja, alta tecnologia, mas formas feudais de apropriação de riqueza sem uma contrapartida produtiva, ele pinta um quadro realista. A transformação torna-se muito clara quando percebemos que a maior parte da riqueza no topo da pirâmide social não resulta de iniciativa produtiva, mas sim de dividendos e fortunas herdadas. Estamos muito próximos da aristocracia que herdava feudos pelo 'mérito' do sangue familiar. As análises de Sandel sobre o absurdo de considerar fortunas como 'mérito' são perfeitamente realistas. Essa aristocracia rentista se beneficia igualmente do sistema de relações herdado das universidades de elite, da interação social e das várias formas de fratura social que nos afastam da simplificação de que nossa condição econômica depende de nossos esforços.”

 

Ladislau Dowbor (1941-), economista e professor brasileiro de origem polonesa. Trecho do artigo Assim os rentistas dissolvem a democracia, publicado no jornal eletrônico Outras Palavras em 23/01/26

Essa não poderia faltar

 

King Crimson

Fracture (1974)

https://www.youtube.com/watch?v=ZaD7gk7BTwU&list=RDZaD7gk7BTwU&start_radio=1


(Pra quem conhece e gosta de rock progressivo)

Frases de Meio Ambiente

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

 

“A criatura que vence o seu ambiente acaba por se destruir.”

 

Gregory Bateson (1904-1980), antropólogo, sociólogo e semiólogo inglês citado por AZQuotes

Carlos Bracher (1940-)

Conheça mais sobre a vida e obra do artista no site Guia das Artes abaixo:

https://www.guiadasartes.com.br/carlos-bracher/obras-principais

Todo ano a história se repete

(Fonte: Blog do AFTM/Gazo)

Outras leituras

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

 

“É apropriado reconhecer que a linguagem é, em grande parte, um acidente histórico. As línguas humanas básicas são tradicionalmente transmitidas a nós em várias formas, mas sua própria multiplicidade prova que não há nada de absoluto e necessário nelas. Assim como línguas como o grego ou o sânscrito são fatos históricos e não necessidades lógicas absolutas, é razoável supor que a lógica e a matemática sejam formas de expressão igualmente históricas e acidentais. Elas podem ter variantes essenciais, ou seja, podem existir em outras formas além daquelas às quais estamos acostumados. De fato, a natureza do sistema nervoso central e dos sistemas de mensagens que ele transmite indicam positivamente que isso é assim.

Agora acumulamos evidências suficientes para ver que, qualquer que seja a linguagem que o sistema nervoso central esteja usando, ela é caracterizada por menos profundidade lógica e aritmética do que aquela a que estamos normalmente acostumados. O seguinte é um exemplo óbvio disso: a retina do olho humano realiza uma reorganização considerável da imagem visual percebida pelo olho. Ora, essa reorganização é efetuada na retina, ou para ser mais preciso, no ponto de entrada do nervo óptico, por meio de apenas três sinapses sucessivas, ou seja, em termos de três etapas lógicas consecutivas. O caráter estatístico do sistema de mensagens usado na aritmética do sistema nervoso central e sua baixa precisão também indicam que a degeneração da precisão, descrita anteriormente, não pode ir muito longe nos sistemas de mensagens envolvidos.

Consequentemente, existem aqui estruturas lógicas diferentes daquelas com as quais estamos normalmente acostumados em lógica e matemática. Elas são, como apontado anteriormente, caracterizadas por menos profundidade lógica e aritmética do que estamos acostumados em circunstâncias semelhantes. Assim, a lógica e a matemática no sistema nervoso central, quando vistas como linguagens, devem ser estruturalmente essencialmente diferentes daquelas linguagens às quais nossa experiência comum se refere.”

 

John von Neumann (1903-1957), matemático, físico, engenheiro húngaro-estadunidense e um dos cientistas da computação precursores da moderna informática. Desenvolveu o conceito moderno do computador. Trecho de sua palestra (livro) O Computador e o Cérebro (The Computer and The Brain)

Toni D'Agostinho

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

 (Fonte: Toni D'Agostinho/A Caricatura)

A luta dos indígenas contra a privatização do rio Tapajós

(Fonte: ANDES)

Projeto de Lei do governo "popular" do PT prevê a dragagem e a privatização das águas do Rio Tapajós para transporte de grãos para exportação. 

A iniciativa terá forte impacto ambiental e social na região, afetando povos indígenas que há milênios habitam o local.

Leia abaixo artigo do jornalista Raúl Zibechi, publicado no jornal IHU Online em 23/02/26:

Fim da escala 6X1: querem nos enganar!

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026


Empresários farão campanha dizendo que fim da escala 6X1 trará mais gastos para empresas (leia-se menos lucros). 

Veja o que realmente acontece, no vídeo do professor José Kobori abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=adjkXrAgrIA

Leituras diárias


“Nos processos de desenvolvimento da ‘industrialização clássica’ o emprego cada vez maior de mão de obra gerou um processo de urbanização crescente. No Brasil as indústrias que têm absorvido pouca mão de obra na última década ofereceram um terço do total dos empregos gerados.

No Brasil, a urbanização resulta principalmente do forte incremento demográfico, cuja parcela rural, por não encontrar trabalho nos campos, na mesma proporção de seu crescimento, e frente à crescente pauperização rural, emigra para zonas urbanas. Nestas existe a perspectiva de algum trabalho, porque é nas cidades que se despende o grosso da renda, mesmo daquela que se concentra em mãos de proprietários agrícolas.

No Brasil a extrema concentração na distribuição da renda produz como consequência um crescimento intenso no mercado de ‘serviços’, absorvendo direta ou indiretamente, importantes contingentes de mão de obra. Corresponde a um fator sociológico que atua com particular intensidade nos países em que existe um desnível acentuado nos padrões de vida entre cidade e campo.

Por outro lado, nos países subdesenvolvidos o aparelho administrativo estatal, geralmente centralizado nas grandes cidades, tende a crescer mais que proporcionalmente, seja porque emprega mão de obra de baixa produtividade, nos serviços públicos, seja porque necessita enfrentar grandes obras em prazo relativamente curto. Em suma, a administração pública acaba tornando-se um elemento de atração, que contribui para intensificar o processo de urbanização.” (Bruna, págs. 102, 103 e 104). 

 

Paulo J. V. Bruna (1941-) arquiteto e professor em Arquitetura, Industrialização e Desenvolvimento

Música de vanguarda

domingo, 22 de fevereiro de 2026


Luigi Nono

 


https://www.youtube.com/watch?v=dzXkeI3Oho4&list=PL8hVc6VvPyKLH0CKI6lro6eY73msRiNat&index=7


Luigi Nono (1924 — 1990) foi um compositor italiano de música contemporânea.

Criada por Wolfgang Steinecke em 1946 na cidade de Darmstadt, a Escola Internacional de Verão promovia a ascensão da nova música. Música essa dedicada à composição serial (iniciada por Arnold Schoenberg). Foi nesse festival que Luigi Nono viria a conhecer compositores que – junto com ele – constituiriam a essência daquela vanguarda de pós-guerra: Karlheinz Stockhausen Pierre Boulez.

Luigi Nono passou a representar um dos compositores mais radicais desse grupo, muito devido a sua militância política. Seu interesse pela política era tanto que passou a combinar com frequência textos políticos radicais com música revolucionária. A sua ligação a Schöenberg foi bem para além do uso do serialismo nas suas primeiras obras; o indício mais evidente é o fato de sua primeira obra orquestral, estreada em Darmstadt em 1950, chamar-se Variazioni canoniche sulla serie dell'op.41 di Arnold Schoenberg; e obviamente, também por 5 anos depois, ter casado com Nuria, filha de Schöenberg.

 

(Fonte do texto: Wikipedia)

Tema importante: Orçamento Participativo

sábado, 21 de fevereiro de 2026

(Fonte: Blog Sabedoria Política)

O Orçamento Participativo é uma maneira efetiva de fomentar a participação do cidadão nas decisões de seu município, contribuindo para democratizar o uso dos recursos do orçamento público. 

Saiba mais sobre esta importante ferramenta política do cidadão, em sua constante luta contra grupos econômicos que querem gerir a administração municipal de acordo com seus interesses: 

A frase do dia

 

“Os homens não moldam o destino. O destino produz o homem para o momento.” 


Fidel Castro (1926-2016), "El Comandante", político e um dos líderes da Revolução Cubana (1959), citado por Brainy Quote

Michael J. Sandel (1953-)

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Veja entrevista com o filósofo, escritor, professor e palestrante estadunidense Michael Sandel, mundialmente conhecido por livros como O que é fazer a coisa certa? (2009) e Tirania e Mérito: O que aconteceu com o bem comum (2020). 

Defensor da democracia liberal, a entrevista de Sandel está disponível no canal Canal Um Brasil abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=qNbsJ5m6APY

Outras leituras

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026


“É claro que o fato de que os seres vivos têm uma organização não é exclusivo deles, mas sim comum a todas as coisas que podem ser investigadas como sistemas. Entretanto, o que lhes é peculiar é que sua organização é tal que seu único produto são eles mesmos. Donde se conclui que não há separação entre produtor e produto. O ser e o fazer de uma unidade autopoiética são inseparáveis, e isso constitui seu modo específico de organização.”

“É preciso entender que todos os seres vivos multicelulares conhecidos são variações elaboradas sobre o mesmo tema – a organização e a filogenia da célula. Cada indivíduo multicelular representa um momento elaborado da ontogenia de uma linhagem, cujas variações continuam sendo celulares. Nesse sentido, o aparecimento da multicelularidade não introduz, basicamente, nada de novo.”

“Nos insetos, como já vimos, a coesão da unidade social é proporcionada por uma interação química, a trofolaxe. Entre nós, humanos, a ‘trofolaxe’ social é a linguagem, que faz com que existamos num mundo sempre aberto de interações linguísticas recorrentes. Quando se tem uma linguagem, não há limites para o que é possível descrever, imaginar, relacionar. A linguagem permeia de modo absoluto, toda a nossa ontogenia como indivíduos, desde o modo de andar e a postura até a política.”

 

Humberto R. Maturana (1928-2021) neurobiólogo e filósofo chileno, Francisco Varela (1946-2001) biólogo e filósofo chileno, em A Árvore do Conhecimento – As bases biológicas da compreensão humana

Ler!

(Carlos Drummond de Andrade - fonte: O Globo)

Não perca tempo na vida! Leia!

Jaguar

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

(Fonte: Jaguar)

Thomas Cahill

 

“A Assembleia não era a única arena da democracia ateniense. Já na velhice de Sólon, surgiu outro tipo de foro, uma inovação artística tão inventiva quanto a primeira. Tornou-se possível devido à atmosfera de livre debate que permeava a cidade, e proporcionava a seus cidadãos oportunidades regulares de examinar os temas mais profundos de sua vida política e social. Era chamada drama, e evoluiu a partir de apresentações musicais que eram parte central dos grandes festivais religiosos. O solista que se destacava do coro frequentemente representava um deus ou herói célebres, com uma personalidade assumida, às vezes vestido de maneira reconhecível (por exemplo, a armadura de Atena ou a pele de leão de Hércules), outras vezes usando máscara para facilitar identificação. Com o tempo, o diálogo entre o solista e o coro se tornou mais elaborado, à medida que episódios de algum dos mitos eram representados numa pista circular de dança (chamada orquestra) em volta de um altar com degraus dedicado ao deus do festival. O coro, disposto ao redor do altar, cantava comentando a história narrada pelo solista e dançava em movimentos ensaiados, enquanto os membros da plateia, sentados em um theatron (lugar de assistir), numa encosta da colina semicircular em forma de terraço, ouviram a narrativa em silêncio reverente e apoiavam com sua próprias vozes as respostas musicais do coro. Era essa a essência daquilo que os gregos denominavam leitourgia (obra do povo, serviço público executado sem recompensa, liturgia)”

 

Thomas Cahill (1940-2022), escritor e scholar estadunidense em Navegando o Mar de Vinho – Por que a Grécia Antiga é essencial hoje

Ainda é Carnaval na política brasileira!

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

(Fonte: Blog Carnaxehumor)

Essa não poderia faltar

Joe Walsh

County Fair (1974)

https://www.youtube.com/watch?v=TvvtD98ItIc

É Carnaval!

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

(Fonte: Blog Carnaxehumor/Duke)

Leituras diárias


 

“Essa tese primordial compele-nos a supor que as diferentes formas de prática a que correspondem os diferentes períodos ou modos de desenvolvimento sócio-psíquico determinam a formação de processos psicológicos que se diferenciam pela sua própria estrutura, e que as pessoas que vivem nas condições de diferentes regimes históricos diferenciam-se não apenas pelas diferentes formas de prática e pelos diferentes conteúdos de sua consciência, mas também pelas diferentes estruturas das formas fundamentais da atividade consciente.

Com isso, nossa tese básica também nos leva a presumir que as mudanças histórico-sociais significativas – mudanças vinculadas à alteração dos regimes sócio-históricos e a transformações culturais radicais – conduzem a mudanças radicais na estrutura dos processos psíquicos e, em primeiro lugar, à reestruturação radical da atividade cognitiva. Tal reestruturação implica não apenas a utilização de novos códigos de organização da atividade cognitiva, mas também uma mudança fundamental na correlação dos processos psíquicos com cuja ajuda essa atividade cognitiva desencadeia a sua efetivação.”

 

Alexander Luria (1902-1977) psicólogo russo, pioneiro da psicologia do desenvolvimento e da neuropsicologia em A Psicologia como Ciência Histórica

Élisée Reclus

domingo, 15 de fevereiro de 2026

 

“Dominados pelo terror do desconhecido, bem como pela sensação de impotência na busca por causas, os homens criaram no passado uma ou mais divindades providenciais em seu intenso desejo, que representavam para eles, alternadamente, um ideal mais ou menos informe e o fulcro, o eixo de todo este mundo misterioso, visível e invisível, que os cerca. Tais fantasmas da imaginação, revestidos de onipotência, tornaram-se aos olhos dos homens o princípio de toda justiça e autoridade; senhores dos céus, consequentemente tinham intérpretes na terra, magos, conselheiros, capitães, diante dos quais os homens se prostravam como se esses seres fossem verdadeiramente emanações do alto.

Isso era lógico; mas o homem sobrevive às suas obras, e esses deuses que ele criou não cessaram de se transformar continuamente, como sombras projetadas no infinito. Visíveis a princípio, impulsionados por paixões humanas, violentas e terríveis, eles recuaram pouco a pouco para a imensidão da distância. Os deuses acabaram se tornando abstrações, ideias sublimes que não podem ser nomeadas, até que gradualmente passaram a ser confundidos com as próprias leis naturais do mundo e assim retornaram ao universo material, que, segundo a lenda, haviam criado do nada. Assim, o homem hoje se encontra sozinho na Terra, sobre a qual já havia erguido a imagem colossal de um Deus.”

 

“A crítica desrespeitosa a que o Estado é submetido é exercida igualmente contra todas as instituições sociais. O povo não acredita, de modo algum, na origem pura da propriedade privada, produzida, como diziam os economistas (agora não se atrevem a repetir), unicamente pelo trabalho pessoal dos proprietários Sabe muito bem que o trabalho individual jamais criou milhões e milhões, e que os enriquecimentos monstruosos de nossos dias são todos consequência da falsa ordem social, que confere a uma pessoa o direito de se apropriar do produto do trabalho de mil outras. Esse povo respeitará o pão que o trabalhador ganhou com o seu esforço, a cabana que construiu com as próprias mãos, a horta que cultiva, mas certamente perderá todo o respeito pelas mil propriedades fictícias representadas pelos papéis de todos os tipos depositados nos bancos.”

 

Élisée Reclus (1830-1905), geógrafo, pensador, escritor e militante anarquista francês em La Anarquia (A Anarquia)

Gregório Gruber (1951-)

Conheça mais sobre a vida e obra do artista no site Blombo abaixo:

https://blombo.com/artistas/gregorio-gruber/?srsltid=AfmBOooumz7_fdwrNcedRTYpIFYmBL3hxm4IJQcopLe1AM8Ws0VoZtZA

O que dizem os jornalistas

sábado, 14 de fevereiro de 2026

 

Apparício Fernando de Brinkerhoff Torelly, também conhecido pelo falso título de nobreza de Barão de Itararé (1895-1971), foi jornalista, escritor e pioneiro do humorismo político brasileiro. Iniciou estudos de medicina, que mais tarde abandona, e paralelamente começa a contribuir em jornais de seu estado, o Rio Grande do Sul. Em 1925 muda para o Rio de Janeiro e começa a trabalhar para o jornal O Globo. No ano seguinte passa a escrever coluna humorística do jornal A Manhã e ainda no mesmo ano cria seu próprio semanário, A Manha.

Durante a Revolução de 1930, propagou-se pela imprensa que haveria uma batalha sangrenta em Itararé, na divisa de São Paulo com o Paraná. Mas antes que houvesse a batalha ‘mais sangrenta da América do Sul’, fizeram acordos. Uma junta governativa assumia o poder no Rio de Janeiro e não aconteceu nenhum conflito. O Barão de Itararé comentaria este fato mais tarde da seguinte maneira:

Foi então que resolvi conceder a mim mesmo uma carta de nobreza. Se eu fosse esperar que alguém me reconhecesse o mérito, não arranjava nada. Então passei a Barão de Itararé, em homenagem à batalha que não houve.’

Na verdade, em outubro de 1930, Apparicio se autodeclara ‘duque’ nas páginas de A Manha:

O Brasil é muito grande para tão poucos duques. Nós temos o quê por aqui? O duque Amorim, que é o duque dançarino, que dança bem mas não briga e o duque de Caxias que briga muito bem, mas não dança. E agora eu, que brigo e danço conforme a música.'

Mas, como ele próprio anunciara semanas depois, ‘como prova de modéstia, passei a barão’.

Em 1934, fundou também o Jornal do Povo. Nos dez dias em que durou, o jornal publicou em fascículos a história de João Cândido, um dos marinheiros da Revolta da Chibata, de 1910. Em represália, o barão foi sequestrado e espancado por oficiais da Marinha, até hoje nunca identificados. Depois desse episódio, voltou à redação do jornal e colocou uma placa na porta onde se lia: ‘Entre sem bater’, mantendo o seu espírito humorístico.

O jornal A Manha circulou até fins de 1935, quando o Barão foi preso por ligações com o Partido Comunista Brasileiro (PCB), então clandestino. Foi libertado em dezembro de 1936, já ostentando a volumosa barba que cultivaria por boa parte de sua vida. Retomou o jornal por um curto período, até que viesse nova interrupção, ao longo de todo o Estado Novo e voltando em edições espasmódicas até 1959.

Foi candidato em 1947 a vereador do então Distrito Federal, com o lema ‘Mais leite! Mais água! Mas menos água no leite’. Porém, em janeiro de 1948, os vereadores do PCB foram cassados: ‘Um dia é da caça... os outros da cassação’, anunciou A Manha.

No final dos anos 1950, foi deixando o humor de lado e passou a se interessar pela ciência, e pelo esoterismo, estudou filosofia hermética, as pirâmides do Antigo Egito e a astrologia, campo no qual desenvolveu o ‘horóscopo biônico’. Faleceu, dormindo, em seu apartamento no bairro carioca de Laranjeiras.


(Fonte do texto: adaptação de texto da Wikipedia)

 

Algumas observações do Barão de Itararé:


“A criança diz o que faz, o velho diz o que fez e o idiota o que vai fazer.”

“Os homens nascem iguais, mas no dia seguinte já são diferentes.”

“A forca é o mais desagradável dos instrumentos de corda.”

“O tambor faz muito barulho, mas é vazio por dentro.”

“De onde menos se espera, daí é que não sai nada.”

“Nunca desista do seu sonho. Se acabou numa padaria, procure em outra!”

“A moral dos políticos é como elevador: sobe e desce. Mas em geral enguiça por falta de energia, ou então não funciona definitivamente, deixando desesperados os infelizes que confiam nele.”

“Os bancos das praças estão sempre ocupados por desocupados”

“Este mundo é redondo, mas está ficando muito chato.”

“Tudo é relativo: o tempo que dura um minuto depende de que lado da porta do banheiro você está.”

 

(Fonte das frases: Site Bula Revista, Acervo O Globo e Site Cliente SA)