Bibliotecas
segunda-feira, 19 de outubro de 2026Pousada - Lou Borges
domingo, 18 de outubro de 2026Música brasileira
Lou Borges (1952-2025)
Música: Pousada (2026 - lançamento póstumo)
Álbum: A Estrada
https://www.youtube.com/watch?v=ZDCNPrwsFuI&list=PLTiej1LIy3djYnQEk9l5HU5U72BB_F-oU&index=1
A Estrada é
o álbum póstumo de Lô Borges e chega
como reflexo de um dos períodos mais férteis de sua trajetória artística. O
disco é o oitavo lançado em oito anos, marca que evidencia uma fase de intensa
produtividade criativa e reafirma a vitalidade de um compositor que permaneceu
ativo, inquieto e profundamente comprometido com a canção até seus últimos
trabalhos.
(Fonte
do texto: Site Phono)
Leituras diárias
sábado, 17 de outubro de 2026“Uma crença inabalável no progresso contínuo está no cerne da maior parte da teoria econômica moderna, notadamente naquilo que é considerado o paradigma econômico atual: o neoliberalismo. A expectativa de progresso tornou-se tão arraigada no público em geral — após uma experiência histórica tão prolongada de avanços tecnológicos que levaram a uma qualidade de vida cada vez melhor (pelo menos no Ocidente) — que raramente questionamos esse princípio ou as teorias que o sustentam. Quaisquer vozes que o questionem — como ambientalistas ou teóricos do ‘decrescimento’, por exemplo —, embora ouvidas com o devido respeito, não refletem o sentimento da maioria.
Uma economia em expansão é considerada a norma em nosso cotidiano. É isso que todos os governos se empenham em proporcionar, cientes de que sua popularidade depende disso. Partidos políticos que defendem o oposto — talvez propondo a implementação de políticas de decrescimento caso eleitos — dificilmente conquistam muito apoio. O otimismo neoliberal quanto aos efeitos benéficos do livre mercado — também conhecido como ‘fundamentalismo de mercado’ — parece imune a quaisquer evidências em contrário. Discordo profundamente dessa posição. Para pessimistas como eu, parece simplesmente irrealista afirmar que a crise de crédito de 2007-2008 — em grande parte inesperada e não prevista pela maioria dos economistas convencionais — será a última do gênero. Basta um olhar superficial sobre a história econômica para perceber que ciclos de expansão e retração não são a exceção, mas a regra geral. Isso deveria suscitar certo grau de ceticismo. Para o historiador econômico Charles P. Kindleberger, a história econômica moderna pode ser mais bem descrita como uma sucessão de ‘manias, pânicos e quebras’, como se observa em fenômenos como a infame Bolha dos Mares do Sul, no início do século XVIII, ou a especulação desenfreada com bulbos de tulipa na Holanda do século XVII.”
“Na Grécia clássica, acreditava-se que os deuses podiam controlar os acontecimentos no mundo humano. Os seres humanos eram, assim, meros joguetes em seus planos, e a mensagem clara era a de que não tínhamos — nem jamais poderíamos ter — pleno controle sobre nossos próprios destinos. Por fim, os indivíduos se viam diante de probabilidades adversas, independentemente de quanto sucesso tivessem alcançado anteriormente. Em ‘Édipo Rei’, de Sófocles, testemunhamos os eventos trágicos que podem ocorrer quando nosso destino escapa ao nosso controle. A história é muito conhecida e deu origem ao conceito freudiano de ‘complexo de Édipo’, que mantém vivos os seus temas no mundo moderno. Ela também tem sido fonte de fascínio e inspiração para gerações de artistas e compositores desde a Antiguidade clássica (a adaptação do texto em forma de oratório por Igor Stravinsky, com libreto de Jean Cocteau, é um exemplo notável do século XX).”
Stuart Sim, professor, crítico literário e crítico social inglês em A Philosophy of Pessimism, 2015 (Uma Filosofia do Pessimismo)
Jessé de Souza
sexta-feira, 16 de outubro de 2026“Como
o que denominamos de economia se refere à forma específica como a produção e
distribuição de bens materiais e simbólicos são viabilizados, a questão aqui é
sobre quem fica com muito e quem fica com pouco ao fim e ao cabo desse
processo. Essa questão, que é o núcleo da economia, não é nem técnica nem ‘econômica’;
é ‘moral’ (e política) e é respondida pela forma dominante com que dada
sociedade ‘escolhe’ quem merece o acesso privilegiado aos bens econômicos.
A economia é, portanto, sempre e em todos os casos, uma ‘economia política’. Afinal, o que decide para privilégio de quem a economia funciona é uma questão moral e política e não econômica. O ‘espírito’ do capitalismo é uma questão moral e política e não econômica. O ‘espírito’ do capitalismo como sistema econômico remete, portanto, à necessidade inevitável de uma construção moral que o legitima a partir de ‘fora’, ainda que de modo imperceptível enquanto tal. Em outras palavras, a economia funciona melhor quanto mais invisível for a base moral que a legitima e que permite a reprodução no tempo da atividade econômica.”
“Essa opacidade da justificação moral no capitalismo é constitutiva do capitalismo, ou seja, um recurso sem o qual ele não funcionaria. A explicação para isso é simples. Pode-se obrigar as pessoas a ir ao seu local de trabalho e, se houver controle e vigilância constantes (o que envolve custos crescentes), também obriga-las a realizar suas funções porque necessitam do salário no final do mês para aplacar a fome. Mas isso seria pouco. Como qualquer sistema de dominação eficiente e que pretende se reproduzir no tempo, o capitalismo necessita se legitimar, ou seja, fazer com que as pessoas acreditem no que fazem e que, se possível, se empenhem o máximo possível. O sucesso do capitalismo nem sequer pode ser compreendido sem o trabalho de legitimação prévio no sentido de ganhar a boa vontade, a adesão ativa e o comprometimento de seus participantes.”
“Como explicação totalizante hegemônica da história do país, no entanto, é a elite que seleciona tudo o que o povo vai ver na imprensa e na indústria cultural. Assim, por sua força e pregação diária, imaginamos que somos mais corruptos que os outros povos e por isso imbecilizados a ponto de entregar de bandeja a Petrobrás e a Odebrecht aos americanos, posto que seriam, ao contrário de nossos políticos, honestos, produtivos e confiáveis. A mesma ideia vai explicar também por que toda corrupção estaria só no Estado e na política. Com uma mesma ideia é possível matar dois coelhos: culpa-se a política e o Estado por tudo de ruim, o que fragiliza a política como um todo e apequena a participação popular; e aproveita os golpes também para ‘privatizar’ – um eufemismo do saque sobre a riqueza pública – as empresas estatais lucrativas e produtivas a preço de banana.”
Jessé de Souza (1960-) sociólogo, advogado, professor e escritor brasileiro em Por que a esquerda morreu? E o que devemos fazer para ressuscitá-la, 2025.
Labels: Autores, Cultura, Jornalistas/Escritores, Política, Sociologia
Paul M. Churchland
quinta-feira, 15 de outubro de 2026“Se realmente existe uma entidade distinta, na qual o raciocínio, as emoções e a consciência têm lugar, e se essa entidade depende do cérebro unicamente para experiências sensoriais, como entrada de dados, e para execuções da vontade, como saída, então seria de esperar que a razão, a emoção e a consciência fossem relativamente invulneráveis ao controle direto ou às patologias resultantes da manipulação ou de danos ao cérebro. Mas, de fato, é exatamente o oposto que ocorre. O álcool, os narcóticos ou a degeneração senil de tecidos nervosos danificam, incapacitam ou mesmo destroem a capacidade de pensamento racional de uma pessoa. A psiquiatria conhece centenas de produtos químicos que controlam as emoções (o lítio, a cloropromazina, a anfetamina, a cocaína, e assim por diante), que entram em ação ao ser transportados até o cérebro. A vulnerabilidade da consciência aos anestésicos, à cafeína e a algo tão simples quanto uma pancada forte na cabeça mostra sua dependência muito estreita com relação à atividade neural no cérebro. Tudo isso faz plenamente sentido se a razão, as emoções e a consciência forem atividades do próprio cérebro. Mas faz muito pouco sentido se elas forem puramente atividades de alguma outra coisa.”
“Como todos os organismos, exceto os mais simples, nós temos um sistema nervoso. E pela mesma razão: um sistema nervoso torna possível uma orientação discriminativa do comportamento. Mas um sistema nervoso é apenas uma ativa matriz de células, e uma célula é apenas uma ativa matriz de moléculas. Somos extraordinários apenas porque nosso sistema nervoso é mais complexo e potente que o das outras criaturas à nossa volta. Nossa natureza interior difere da de criaturas mais simples apenas em grau, mas não em gênero.”
“Se
essa é a descrição correta de nossas origens, então não parece haver
necessidade, nem espaço, para a introdução de substâncias ou propriedades
não-físicas em nossa explicação teórica de nós mesmos. Somos criaturas da
matéria. E deveríamos aprender a conviver com esse fato.”
Paul M. Churchland (1942-), filósofo especializado em
neurofilosofia e filosofia da mente canadense em Matéria e Consciência (2004)
Os cortes de Flavinho
quarta-feira, 14 de outubro de 2026Essa não poderia faltar
The Flower Kings
The Bridge (2019)
https://www.youtube.com/watch?v=vXIAau3A6rM&list=PLPRRD-TPe2tCJDY3Te5P28ZvbmZyWa6Si&index=5
Queremos teu voto!
terça-feira, 13 de outubro de 2026A frase do dia
“Cada vez mais acredito que Deus não pode ser julgado por este
mundo. É um estudo mal-acabado dele.”
Vincent van Gogh (1853-1890), pintor pós-impressionista
holandês, considerado um dos mais influentes na moderna arte ocidental, citado
por Albert Camus em O Homem Revoltado
O que eles pensam
segunda-feira, 12 de outubro de 2026(...)
“Flávio Bolsonaro nega o
aquecimento global, vê o meio ambiente como um entrave ao
desenvolvimento econômico e tripudia da
ciência. É discípulo da cartilha ecocida de seu pai, Jair, que nos
legou o maior conjunto de retrocessos socioambientais e humanitários da
história. Na herança
deixada estão a explosão do desmatamento na Amazônia (60% a mais em relação à
média dos quatro anos anteriores), maior alta nas emissões dos gases de efeito
estufa em 19 anos, recorde nas invasões de Terras Indígenas, perseguição a
povos e comunidades tradicionais, congelamento de mecanismos de financiamento,
como o Fundo Clima e Fundo Amazônia, e boicote à ação climática brasileira. O
impacto foi negativo para o clima e para o país, incluindo o agronegócio.”
Trecho da nota do Observatório do Clima (https://oc.eco.br/) Votar em Bolsonaro é um desastre, publicada em 08/10/2026
Provocações com Paulo Ghiraldelli
domingo, 11 de outubro de 2026Minha opinião
sábado, 10 de outubro de 2026O meio
ambiente parece ter saído de moda no Brasil. Os temas ambientais praticamente
desapareceram dos noticiários, dos jornais, das mídias sociais e das conversas
entre as pessoas. Até na política temas de ecologia são cada vez mais raros e muitas
candidaturas nem falam na questão. Apesar da obrigatoriedade de seu ensino, a
matéria tornou-se transversal e assim perdeu em grande parte seu foco nas
escolas.
Mas
nem sempre foi assim. Nos anos 1990, a reciclagem de materiais, a poluição atmosférica,
o saneamento, a proteção dos biomas originais, eram assuntos correntes no dia a
dia da população. Nos congressos nacionais e internacionais empresários,
especialistas e cientistas discutiam temas relacionados à sustentabilidade. Em
2000 a ONU promovia a Cúpula do Milênio da Organização das Nações Unidas, reunindo
189 países para assinarem a Declaração do Milênio, que estabelecia oito objetivos
a serem alcançado até 2015: 1. Erradicar a pobreza extrema e fome; 2. Alcançar
educação primária universal; 3. Promover igualdade entre sexos e autonomia das
mulheres; 4. Reduzir a mortalidade infantil; 5. Melhorar a saúde materna; 6.
Combater HIV/AIDS, a malária e outras doenças; 7. Garantir a sustentabilidade
ambiental; 8. Estabelecer uma parceria global para o desenvolvimento.
Guerras
localizadas, relações assimétricas entre nações ricas e pobres, crises
econômicas e impactos ambientais, foram os principais fatores que fizeram com
que Os Objetivos da Declaração do Milênio não fossem alcançados. Outro aspecto
que influenciou negativamente a implementação da agenda da Declaração do
Milênio foi a crise da economia mundial em 2007-2008, que teve origem no
mercado das hipotecas de alto risco (subprimes)
dos Estados Unidos. Com a crise, o empenho das empresas em temas ambientais
diminuiu ou desapareceu. É sintomático que neste período muitos empresários descontinuaram projetos ambientais mantidos com ONGs, programas internos de qualidade
ambiental e de responsabilidade social corporativa (RSC), limitando-se, estritamente, a cumprir a legislação ambiental da região onde atuam.
No
Brasil temos outro quadro. Se na década de 1990 o tema dominante na agenda da
sustentabilidade, tanto para o setor privado quanto para o governo, era
essencialmente a preservação do meio ambiente, na década de 2000 adquirem
importância maior as questões ligadas às energias renováveis, em suas diversas
aplicações, como energia eólica, solar (térmica e fotovoltaica), pequenas
centrais hidrelétricas (PCH), energia de biomassa, de biogás, células de
combustível e uso em grande escala do biodiesel, entre outros. É deste período
a instalação dos primeiros geradores eólicos no Nordeste, a criação do Programa
Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB), a criação do Programa Nacional
de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (PROINFA) entre outras
inciativas privadas e governamentais.
Apesar
de não ter sido imediatamente afetada pela crise de 2007-2008, a economia
brasileira começa a sentir seus efeitos ao longo dos anos seguintes,
notadamente a partir de 2012. Com a crise que se avizinha, o governo federal e
governos estaduais reduzem seus investimentos na área da infraestrutura, o que
acaba impactando ramos do setor ambiental, como o tratamento de esgotos, a construção
de aterros sanitários, a criação de áreas de proteção ambiental, etc. O setor
privado, também atingido pela diminuição da atividade econômica, reduz seus aportes
em programas considerados não essenciais, como a implantação de programas de
qualidade ambiental, produção mais limpa (P+L), análise de ciclo de vida de
produto, etc.. Limita-se a cumprir a legislação enquanto que apenas os grandes
grupos empresariais continuam mantendo iniciativas ambientais e sociais que agreguem
valor à imagem da companhia.
Em
2015 a ONU lança os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), agenda
sucessora dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, lançada durante a Conferência
Rio+20 em 2012, no Rio de Janeiro. Os ODS contemplam 17 objetivos, divididos em
169 metas, basicamente abrangendo temas importantes para a humanidade, como “pessoas”,
“planeta”, “prosperidade”, “paz” e “parcerias”. Estas iniciativas da ONU são
essencialmente propositivas e não têm caráter mandatório. A implantação das
metas acordadas pelos países depende das condições de desenvolvimento político,
social, econômico e tecnológico de cada nação. Por isso a diferença nos padrões
ambientais de países como, por exemplo, a Suécia e a Bolívia, ambos signatários
de todas estas iniciativas ambientais da ONU.
Fatores
econômicos, governos que pouca atenção deram à questão ambiental, falta de
discussão do tema, contribuíram para que diminuíssem os investimentos em meio
ambiente, fazendo com que a questão perdesse em importância na sociedade brasileira
em geral. Associada à falta de recursos, ocorre também uma diminuição dos repasses
destinados aos órgãos de controle ambiental – IBAMA (Instituto Brasileiro do
Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), Secretarias do Meio
Ambiente, agências estaduais de controle ambiental –, impossibilitando compra
de equipamentos, contratações de funcionários e diminuindo o número de operações
de fiscalização.
Com
isso, o Brasil entrou em um verdadeiro retrocesso no que diz respeito à
proteção ambiental. Apesar de todo o ufanismo que governo e empresas expressam
em sua propaganda, ainda temos graves deficiências em áreas ambientais básicas.
Empresas continuam poluindo e provocando grandes desastres ambientais, cujos processos
se arrastam na justiça, sem que os afetados sejam devidamente indenizados. Nos
novos temas ambientais, como o das mudanças climáticas e da transição
energética, na prática, as ações do governo tem se restringido à redução do desmatamento
na Amazônia e em zonas de agricultura, e à substituição de combustíveis. Ao
planejamento, já encaminhado, falta seguir a prática, a depender de recursos.
O
Brasil ainda tem muito por fazer na área da proteção/preservação ambiental.
Ainda não resolvemos o baixo índice do saneamento e a gestão de resíduos
urbanos, necessidades básicas em toda sociedade civilizada. Na falta de
recursos públicos, o governo tem aumentado o número de projetos de concessão e
privatização, soluções que nem sempre deram certo aqui e no exterior. Os gases
de efeito estufa (GEE), causadores das mudanças climáticas, são gerados principalmente
pelo desmatamento (42%) e pelo setor agropecuário (29%), que representam interesses
de latifundiários, grileiros, do agronegócio, investidores e do setor
financeiro. Os próximos governos precisarão de muita vontade e força política
para cobrar medidas de redução de emissões destes grupos econômicos.
À medida
que o ambiente urbano e natural se tornar cada vez mais degradado pela ação da
poluição, do esgotamento dos recursos naturais ou até pelos efeitos das mudanças
do clima, perceberemos, finalmente, que ações de correção e preservação
ambiental são urgentes. Mas será que haverá vontade – coragem política – dos futuros
governantes de implantá-las?
Ricardo
E. Rose, 09/10/26
(Imagens: pinturas de Francisco Goya, 1746-1828)
Frases de Meio Ambiente
sexta-feira, 9 de outubro de 2026“A natureza é ordenada. O que parece caótico na natureza é apenas um
tipo de ordem mais complexo.”
Gary Snyder (1930-), poeta, ensaísta, linguista e antropólogo estadunidense, citado por Goodreads
Blue Riviera - Sá, Rodrix & Guarabira
quinta-feira, 8 de outubro de 2026Música brasileira
Sá, Rodrix & Guarabira
Música: Blue Riviera
Álbum: Terra (1973)
https://www.youtube.com/watch?v=aq1LghBRl5Y&list=PLBEzm76YUYg7z8r5o4frty48HKWf5JMGU&index=4
Sá,
Rodrix & Guarabyra foi um trio musical brasileiro formado
por Luiz Carlos
Sá, Zé Rodrix e Guttemberg Guarabyra. Surgiu em 1971.
Se notabilizou pela criação do chamado “rock rural”, em
que se mesclavam diversas influências musicais, do rock à música sertaneja. Em 1973, Zé Rodrix se
desligou do trio, que passou a ser um duo (Sá e
Guarabyra). Em 1999, Zé Rodrix reuniu-se novamente ao duo,
permanecendo até sua morte, em 2009.
(Fonte do texto: Wikipedia)
Nova política externa?
Flávio
promete, caso eleito, "nomear imediatamente um negociador para conduzir as
negociações de boa-fé" e indica ações do seu governo para resolver as
acusações de comércio desleal contra o Brasil.
Entre as medidas prometidas estão não
conectar o Pix a meios de pagamento instantâneos internacionais não ocidentais,
desonerar o setor de cartões de crédito (beneficiando grandes empresas
americanas) e buscar acordos bilaterais de comércio com os EUA, libertando o
Brasil das "amarras do Mercosul".
Ele
também diz que, caso a atual oposição ganhe mais cadeiras no Senado em outubro,
será possível cassar ministros do
Supremo Tribunal Federal (STF) que têm tomado decisões contra plataformas
americanas de redes sociais, uma das questões que irritam a gestão Trump —
e que o campo bolsonarista chama de censura.
(Fonte: BBC Brasil em 03/07/26)
Albert Camus e O Homem Revoltado
quarta-feira, 7 de outubro de 2026“Nietzsche não quer redenção. A alegria do devir é a alegria da
aniquilação. Mas só o indivíduo é destroçado. O movimento de revolta, no qual o
homem reivindica o seu próprio ser, desaparece na submissão absoluta do
indivíduo ao devir. O amor fati substitui o que era um odium
fati. ‘Todo indivíduo colabora com todo o ser cósmico, quer saiba ou não
disso, quer queira ou não.’ O indivíduo perde-se, assim, no destino da espécie
e no eterno movimento dos mundos. ‘Tudo o que foi é eterno, o mar devolve-o à beira da praia.’”
“A
insurreição humana, em suas formas elevadas e trágicas, não é nem pode ser
senão um longo protesto contra a morte, uma acusação veemente a esta condição
regida pela pena de morte generalizada. Em todos os casos que encontramos, o
protesto dirige-se sempre a tudo aquilo que, na criação, é dissonância,
opacidade, solução de continuidade. Trata-se portanto, no essencial, de uma
interminável exigência de unidade. A recusa da morte, o desejo de duração e de
transparência são as molas de todas essas loucura sublimes e pueris. Trata-se
somente da recusa covarde e pessoal de morrer? Não, porque muitos destes
rebeldes pagaram o preço necessário para ficar à altura de suas exigências. O
revoltado não exige vida, mas razões de vida. Ele rejeita as consequências que
a morte traz. Se nada perdura, nada se justifica, aquilo que morre fica privado
de sentido. Lutar contra a morte equivale a reinvindicar o sentido da vida, a
lutar pela ordem e pela unidade.”
“Já se disse que o mundo de Proust era um mundo sem deus. Se isto for verdade, não é porque ele nunca fala em Deus, mas porque este mundo tem ambição de ser uma perfeição completa e de dar à eternidade o semblante do homem. O Tempo reencontrado, pelo menos em sua ambição, é a eternidade sem deus. A obra de Proust, a esse respeito, surge como um dos empreendimentos mais ambiciosos e mais significativos do homem diante de sua condição mortal. Ele demonstrou que a arte do romance refaz a própria criação, tal como ela nos é imposta e tal como é recusada. Pelo menos sob um de seus aspectos, esta arte consiste em preferir a criatura ao criador. No entanto, com maior perspicácia, ela alia-se à beleza do mundo ou dos seres humanos contra as forças da morte e do esquecimento. É desta forma que a revolta é criadora.”
Albert Camus (1913-1960), filósofo, escritor, ensaísta, dramaturgo e jornalista franco-argelino em O Homem Revoltado (1951)
Bibliotecas
terça-feira, 6 de outubro de 2026Veja entrevista dada pela monja à equipe do jornal O Estado de São Paulo em agosto de 2024:
E agora?
segunda-feira, 5 de outubro de 2026José
E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?
Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?
E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio — e agora?
Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!
Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?
Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), poeta, cronista e contista
brasileiro em José, publicado em Poesias, 1942
Poesia Moderna Russa
domingo, 4 de outubro de 2026Nacos
de Nuvem
No céu flutuavam trapos
de nuvem – quatro farrapos:
do primeiro ao terceiro –
gente;
o quarto – um camelo
errante.
A ele, levado pelo instinto,
pé, se desgarra um elefante.
Um sexto salta – parece.
Susto: o grupo desaparece.
E em seu rasto agora se
estafa
o sol – amarela girafa
1917-1918
(Tradução
de Augusto Campos)
Vladímir Maiakóvski (1893-1930), poeta e agitador cultural russo,
citado em Poesia Russa Moderna, organizado
por Augusto de Campos (1931-), Haroldo de Campos (1929-2003) e Boris Schnaiderman (1917-2016).
Minha opinião
sábado, 3 de outubro de 2026“A
manipulação consciente e inteligente dos hábitos e opiniões organizados das
massas é um elemento importante na sociedade democrática. Aqueles que manipulam
esse mecanismo invisível da sociedade constituem um governo invisível, que é o
verdadeiro poder dominante do nosso país. Somos governados, nossas mentes são
moldadas, nossos gostos são formados e nossas ideias são sugeridas, em grande
parte, por homens de quem nunca ouvimos falar... São eles que puxam os fios que
controlam a mente pública.”
Edward Bernays (1891-1995), pioneiro das relações públicas e propaganda em seu livro Propaganda
Esta
é certamente, guardadas as proporções, a mais confusa fase pré-eleitoral desde
a redemocratização do país, em 1985. O alvoroço é provocado pelo grande número
de personagens que através das mídias sociais digitais opinam, debatem e atacam
adversários no ambiente político que antecede as eleições, além das intervenções da justiça eleitoral e do Superior Tribunal Federal (STF). O efeito que no passado as mídias
convencionais – televisão, jornais e o rádio – tinham sobre a opinião pública,
foi ampliado exponencialmente pela comunicação digital. Praticamente 90% da
população brasileira possui telefone celular, instrumento que em muitos grupos
das plataformas digitais de comunicação, como Facebook ou WhatsApp, funciona como difusor de informações verdadeiras, boatos e
fake news.
As mídias
sociais vivem de notícias, verdadeiras ou falsas, cuja principal função na
ótica das plataformas digitais das big techs como Alphabet (Google), Meta (Facebook, Whatsapp,
Instagram), Microsoft (Linkedin), ByteDance (Tik Tok), etc., é gerar reações, likes. Via de regra, as plataformas não
têm qualquer preocupação quanto à veracidade ou não do que é veiculado pela
mídias sociais. Estas, efetivamente, são utilizadas como instrumentos de coleta
de informações sobre seus usuários. As “curtidas” funcionam como meio para identificar
opiniões, preferências, objetivos, receios, expectativas, etc., dos diversos usuários das comunidades virtuais. O clima pré-eleitoral brasileiro aumentou muito o número de interações e consultas nestas redes. Segundo o instituto de pesquisa Genial/Quest, as mídias sociais se tornaram fonte principal de consulta política para 39% dos eleitores.
Este
imenso volume de informações diversificadas é organizado através do sistema big data: é armazenado (data lakes),
processado e transformado em dados através do data mining e inteligência artificial (IA). Ferramentas essenciais
em todo este processo são a IA, no processamento e seleção do grande número de
informações, e os datacenters para
armazená-los. Estes dados, por sua vez, são adquiridos por empresas, partidos
políticos, órgãos do governo, institutos de pesquisa, universidades, etc.; organizações
ou entidades que procuram potenciais consumidores, eleitores, cidadãos em geral
com determinado perfil, interesses e necessidades.
As
informações, os dados adquiridos sobre os usuários das mídias sociais, são utilizados
como base para o desenvolvimento de novos produtos e serviços, direcionados
para um público consumidor cujos grupos já estão identificados e cujas preferências e
expectativas se conhece em vários aspectos. Definido o perfil aproximado
de certo grupo, a propaganda, com estratégias psicológicas e emocionais, pode
criar expectativas, desejos e necessidades – antes inexistentes – para interessar o potencial consumidor para certo produto ou serviço. Este é apenas um exemplo simples da utilização da IA
para influenciar grupos sociais. Mas ainda há várias outras aplicações da tecnologia, incluindo a política.
Eleições
também são grande campo de utilização do big
data, influenciando decisões de eleitores. Segundo dados disponíveis, a IA
vem sendo utilizada para analisar as redes sociais, identificar perfis
psicológicos de usuários e enviar propaganda política direcionada para estes
grupos - técnica conhecida como microssegmentação de mercado. Outra forma é a
montagem de deepfakes em áudios e
vídeos, criando fatos falsos, afetando ou impulsionando a imagem de candidatos.
Com chatbots (simulação de conversa
através de IA) criaram-se discursos e diálogos falsos com grupos de eleitores
customizados.
Nas
eleições presidenciais dos Estados Unidos em 2024, os chatbots foram usados para simular pronunciamentos defendendo
candidatos e foram criadas imagens e vídeos, encenando declarações fictícias.
Fatos semelhantes ocorreram nas eleições da Polônia e Canadá, em 2025 e nas
eleições brasileiras em 2024. Visando diminuir estas atividades ilícitas nas mídias sociais, o Tribunal Superior
Eleitoral (TSE) e o Senado Federal estabeleceram restrições para impedir o uso de informações falsas através da IA nas eleições de 2026.
O desenvolvimento da IA progride rapidamente e já se discute retardar o seu avanço. Grandes desenvolvedores como
as empresas Anthropic, OpenAI, xAI e Google
DeepMind pleiteiam uma diminuição no ritmo das pesquisas, a criação de
legislação específica e a conscientização de governos a nível local e mundial. Suspeita-se
que a tecnologia possa fugir do controle daqueles que a operam. Dario Amodei,
CEO da Anthropic declarou recentemente na imprensa: "A IA acarreta riscos e,
por ser uma tecnologia tão poderosa, esses riscos são graves".
Será que corremos o risco de que logo
mais a IA se transforme nos “homens de quem nunca ouvimos falar”, aos quais se
refere Bernays no texto introdutório acima, ou seja, a entidade impessoal que controlará a
humanidade?
Ricardo E. Rose, 01/10/26
(Imagens: pinturas de George Gorsz, 1893-1959)
Daniel Dennett
sexta-feira, 2 de outubro de 2026“(...)
Esse é um passo crucial na campanha darwinista para derrubar a visão do cosmo
de Mente-primeira de Locke. Os filósofos costumam concordar, com bons motivos,
que não se pode separar significado e mente, nunca poderia haver significado
onde não houvesse mente, ou mente onde não houvesse significado. Intencionalidade é o termo técnico do
filósofo para esse significado; é o ‘sobre o que se fala’ que pode relacionar
uma coisa com outra – um nome para seu dono, um aviso de alerta para perigo que
o acionou, uma palavra para seu referente, um pensamento para seu objeto. Só
algumas coisas no universo manifestam intencionalidade. Um livro ou uma pintura
podem ser sobre uma montanha, mas a montanha em si não é sobre nada. A
intencionalidade é amplamente considerada pelos filósofos como a marca do elemento mental. De onde vem
a intencionalidade? De mentes, é claro.
Mas essa ideia, perfeitamente boa à sua maneira, transforma-se em uma fonte de mistérios e confusões quando usada como um princípio metafísico, e não como um fato da história natural recente. Aristóteles chamou Deus de Motor Imóvel, fonte de todo movimento no universo, e a versão de Locke para a doutrina aristotélica, como vimos, identifica Deus como Mente, transformando o Motor Imóvel em Intenção Involuntária, fonte de toda Intencionalidade. Locke achava que estava provando dedutivamente o que a tradição já considerava óbvio: a intencionalidade surge da Mente de Deus; nós somos criaturas de Deus, e a Ele atribuímos nossa intencionalidade.”
“Vamos agora para o extremo oposto e consideremos uma heresia que seria fatal para o darwinismo, não fosse ela uma alternativa tão confusa e, em última análise, contraditória: a tentativa do paleontólogo jesuíta, Teilhard de Chardin, de conciliar sua fé religiosa com sua crença na evolução. Ele propôs uma versão da evolução que colocava a humanidade no centro do universo, e descobriu que o cristianismo expressava a meta – ‘o ponto-ômega’ – que toda a evolução tenta alcançar. Teilhard até achou lugar para o Pecado Original (na sua versão católica, não na científica que observei no Capítulo 8). Para sua tristeza, a Igreja considerou isso uma heresia e o proibiu de ensiná-la em Paris, por isso ele passou o resto da vida estudando fósseis na China, até morrer em 1955. Seu livro The Phenomenon of Man (1959) foi publicado depois de sua morte e aclamado internacionalmente, mas as instituições científicas, e o darwinismo ortodoxo em particular, foram tão firmes quanto a Igreja ao rejeitá-lo como herege. É justo dizer que nos anos logo após a publicação do livro, tornou-se unânime entre os cientistas que Teilhard não oferecia nenhuma alternativa séria à ortodoxia; sua ideias peculiares eram confusas, e o resto não passava de uma bombástica redescrição da ortodoxia.”
“(...) O problema coma visão de Teilhard é simples. Ele negou com ênfase a ideia fundamental de que a evolução é um processo algorítmico, irracional, sem objetivo. Este não era um compromisso construtivo; era uma traição da ideia básica que permitia a Darwin derrubar a ideia da Mente-primeira de Locke.”
“As pessoas querem a todo custo acreditar que nós, seres humanos, somos imensamente diferentes de todas as outras espécies – e elas estão certas! Nós somos diferentes. Somos a única espécie que tem um meio extra de preservação e comunicação de projeto: a cultura. Isso é um exagero; outras espécies também têm rudimentos de cultura, e sua capacidade de transmitir informações ‘pelo comportamento’, além de geneticamente, é em si mesma um fenômeno biológico importante (Bonner, 1980), mas essas outras espécies não desenvolveram cultura como uma forma de decolagem como nossa espécie fez. Nós temos a linguagem, o meio básico da cultura, e a linguagem nos abriu novos espaços no Espaço de Projeto aos quais só nós temos acesso. Em poucos e breves milênios – um mero instante no tempo biológico – já usamos nossos novos veículos de exploração para transformar não só o nosso planeta como o próprio processo de desenvolvimento de projetos que nos criou.”
Daniel Dennett (1942-2024), filósofo, cientista cognitivo, professor estadunidense em A Perigosa Ideia de Darwin (1995)
Michael Shermer
quinta-feira, 1 de outubro de 2026“Isso
significa que nossa intenção de fazer alguma coisa segue a onda cerebral
inicial de atividade associada à ação em cerca de 300 milésimos de segundo. Ou
seja, 3/10 de um segundo se passam entre o cérebro tomar uma decisão e a
consciência dessa decisão. Acrescente-se a isso o tempo de processamento de outros
2/10 de segundo para agir e constata-se que ½ segundo se passa entre a intenção
de fazer alguma coisa e nossa consciência de fazer realmente o que queremos. A
atividade neural que precede à intenção de agir é inacessível à nossa mente
consciente, e por isso temos a sensação de livre-arbítrio. Mas é uma ilusão,
causada pelo fato de que não podemos identificar a causa da consciência de
nossa intenção de agir. Juntos, esses estudos mostram quão profundamente a
padronicidade está arraigada em nosso cérebro, estruturalmente inserida em
nosso inconsciente e gerando padrões abaixo de nossa consciência.”
“Como
hominídeos de cérebro maior, com um córtex desenvolvido e uma ‘teoria da mente’
– consciência de estados mentais como desejos e intenções, tanto em nós quanto
nos outros –, praticamos o que chamo de acionalização:
a tendência de infundir nos padrões significado, intenção e ação. Ou seja,
quase sempre transmitimos ação e intenção aos padrões que encontramos e
acreditamos que esses agentes intencionais controlam o mundo, às vezes de
maneira invisível, de cima para baixo, e não de maneira aleatória e casual, de
baixo para cima, que governa nosso mundo. Acredita-se em almas, espíritos,
fantasmas, deuses demônios, anjos, extraterrestres, designers inteligentes, conspiradores políticos e todos os tipos de
agentes invisíveis, dotados de força e intenção, assombrem nosso mundo e
controlem nossa vida. Combinadas com nossa propensão de descobrir padrões
significativos em fatos significativos e não significativos, a padronicidade e
a acionalização constituem a base cognitiva do xamanismo, do paganismo, do
animismo, do politeísmo, do monoteísmo e de todos os espiritualismos da velha e
da nova era.”
Michael Shermer (1954-), historiador da ciência, escritor
divulgador da ciência e diretor da The
Skeptics Society em Cérebro &
Crença (2011)

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