domingo, 24 de maio de 2026
“Durante
a Idade Média, o pensamento humano estava acorrentado, interna e externamente,
aos dogmas da Igreja; Espinosa, por meio de seu tratado (Tratado Teológico-Político), libertou a razão da compulsão infernal
da palavra bíblica; ele foi o primeiro a criticar toda a teologia. Na conquista
do medo e na crítica bíblica, ele foi superado por pessoas corajosas que o
seguiram; mas na libertação da moralidade humana da teologia, ele permanece
insuperável até hoje, pois sua crítica moral é ainda mais pura e atemporal do
que a doutrina desonrosa que nós (seguindo as brilhantes declarações de
Nietzsche) costumamos chamar de amoralidade ou desenvolvimento histórico da
moralidade. Em Espinosa, essa critica não é espirituosa ou zombeteira; é tão
simples e necessária quanto a imagem multicolorida do sol em uma gota de
orvalho.
Trata-se
de sua concepção sobre a necessidade incondicional de todos os eventos; o que
acontece em Deus ou na Natureza é necessário, não é livre. Deus (a Natureza)
não tem vontade nem intelecto; o homem tem um pouco de intelecto, mas nenhum
livre-arbítrio, que permita que suas ações sejam avaliadas moralmente; não há
espaço em todo o mundo humano para o que se chama de moralidade. O bem e o mal
são meramente conceitos humanos. No entanto, deve haver
indivíduos do bem, porque Espinosa viveu da forma que a moral cristã esperaria que
vivesse um santo – como até seus inimigos foram obrigados a reconhecer.
Como
o homem não obedece a um dever imposto quando é bom – porque é necessariamente de um jeito ou de outro
(bom ou mau no conceito humano), o homem também não tem o direito de esperar
que Deus ou a Natureza o amem em retorno.”
Fritz
Mauthner (1849-1923), filósofo, jornalista e escritor austríaco em Espinosa – Biografia, Filosofia e Teologia
(Spinoza – Lebensgeschichte, Philosophie
und Theologie, em alemão no original)
sábado, 23 de maio de 2026
“Este preâmbulo histórico é apenas pano
de fundo para contextualizar a ideia da seleção natural. A ideia é tão simples
que, conforme apontado por Richard Dawkins, poderia ter sido elaborada
centenas, ou mesmo milhares de anos antes. Seleção natural consiste na
reprodução diferencial de indivíduos no decorrer das gerações, com consequentes
mudanças na frequência de características herdáveis (ou frequências
gênicas) no decorrer do tempo. A variabilidade das populações fornece a
matéria-prima sobre a qual a seleção atua, e variabilidade nova é suprida
por mutações que ocorrem constantemente. Na época de Darwin e
dos outros idealizadores da seleção natural, claro, não se conhecia quase nada
sobre genética ou mecanismos de herança. Sabia-se, contudo, que a maioria das
características dos seres vivos era herdável. Isto era suficiente, pois a
seleção natural foi baseada em uma série de observações simples.”
“(...) A alguns destes devemos a
difusão e permanência muito infeliz da ideia de um progresso inerente ao
processo evolutivo. A associação da ideia de evolução ao progresso, e
consequentemente à virtude moral e material, já foi utilizada no passado para
objetivos mais vis. Estas ideias ainda permeiam o discurso de muitos, às vezes
inadvertidamente, mas são cientificamente erradas e devem ser combatidas.
Na verdade, há certa dificuldade em
entender e aceitar que os produtos dos mecanismos evolutivos são fortemente
contingenciais. Não há direção predeterminada, ou um objetivo final. Os
resultados da evolução são determinados tanto pelos mecanismos evolutivos
intrínsecos como pela situação específica em que cada caso se desdobrou. Uma
pequena modificação na cadeia de eventos que resultou em nós, ou em qualquer
outra espécie, poderia chegar a algo muito diferente. A evolução é uma
ciência histórica. Qualquer tentativa de abordá-la de outra forma será
incompleta. A dinâmica dos horizontes físicos onde a vida ocorre é fator
determinante na sua evolução.”
Maria
Isabel Landim, Cristiano Rangel
Moreira (orgs.) em Charles Darwin – Em um
Futuro não Distante
sexta-feira, 22 de maio de 2026
Max Richter
https://www.youtube.com/watch?v=klbTuQeBPo4&list=OLAK5uy_my04DUoWmrxtfRTWXSRCwbxhpOi6IoVNs&index=38
Max Richter, nascido
em 22 de março de 1966, é um compositor e pianista britânico nascido na
Alemanha. Ele trabalha com estilos pós-minimalistas e clássicos contemporâneos.
Richter tem formação clássica, tendo se graduado em composição pela Universidade de Edimburgo, pela Royal Academy of Music em Londres e
estudado com Luciano Berio na Itália.
Richter
arranja, interpreta e compõe música para palco, ópera, balé e cinema. Ele
colaborou com outros músicos, bem como com artistas de performance, instalação
e mídia. Gravou oito álbuns solo e sua música é amplamente utilizada no cinema.
Em dezembro de 2019, Richter havia ultrapassado um bilhão de streams e um milhão de álbuns vendidos.
(Fonte:
Wikipedia e Google Translator)
quinta-feira, 21 de maio de 2026
(Fonte: Mastodon/Matt Lacey)
A função dos Três Poderes do Estado é promover
a manutenção do status quo, através de estratagemas de dominação –
propaganda, coação, coerção e punição.
Ao povo é dada a oportunidade de interferir
na condução do Estado através das eleições; o que faz com que acredite que é
livre e que conduz a nação através da delegação de poderes.
No fim, tudo se ajeita: os Três
Poderes, o povo e principalmente aqueles que não aparecem mas controlam a
todos, e que têm todo interesse na manutenção do status quo.
A
Estrela
Vi
uma estrela tão alta,
Vi uma estrela tão fria!
Vi uma estrela luzindo
Na minha vida vazia.
Era uma estrela tão alta!
Era uma estrela tão fria!
Era uma estrela sozinha
Luzindo no fim do dia.
Por que da sua distância
Para a minha companhia
Não baixava aquela estrela?
Por que tão alto luzia?
E ouvi-a na sombra funda
Responder que assim fazia
Para dar uma esperança
Mais triste ao fim do meu dia.
Manuel
Bandeira
(1886-1968), poeta, tradutor, crítico literário e de arte em Estrela da Vida Inteira (1965).
quarta-feira, 20 de maio de 2026
“Depois
de Galileu descobrir os satélites de Júpiter em seu telescópio em 1610, os
críticos religiosos desprezaram sua nova teoria heliocêntrica, considerando-a
um destronamento do homem. Não suspeitavam de que este era o primeiro de vários
destronamentos. Cem anos depois, o estudo de camadas sedimentares pelo
agricultor escocês James Hutton derrubou a idade da Terra estimada pela igreja,
tornando-a 800 mil vezes mais antiga. Não muito tempo depois, Charles Darwin relegou
o ser humano a apenas outro ramo do pululante reino animal. No início do século
XX, a mecânica quântica alterou irreparavelmente nossa noção do tecido da
realidade. Em 1953, Francis Crick e James Watson decifraram a estrutura do DNA,
substituindo o misterioso fantasma da vida por algo que podemos escrever em
sequências de quatro letras e armazenadas num computador.
E no
século passado a neurociência mostrou que não é a mente consciente que pilota o
barco. Apenas quatrocentos anos depois de nossa queda do centro do universo,
vivemos a queda do centro de nós mesmos. No primeiro capítulo, vimos que o
acesso consciente à maquinaria que temos por baixo é lento e, em geral, nem
acontece. Aprendemos então que o modo de vermos o mundo não reflete
necessariamente o que está lá fora: a visão é uma construção do cérebro, e sua única
tarefa é gerar uma narrativa útil a nossas escalas de interação (digamos, com
frutas maduras, ursos e parceiros). As ilusões de ótica revelam um conceito
mais profundo: nossos pensamentos são
gerados pela maquinaria à qual não temos acesso direto. Vimos que as rotinas
estão lá, não temos mais acesso a elas. A consciência parece estabelecer metas
para o que deve ser gravado no circuito e pouco faz além disso. No capítulo 5
aprendemos que a mente contém multidões, o que explica por que você pode se
xingar, rir de si e fazer pactos comigo mesmo. E no capítulo 6 vimos que o
cérebro pode operar de forma bem diferente quando é modificado por derrames,
tumores, narcóticos ou qualquer variedade de eventos que alterem a biologia.
Isto abala nossas concepções simples de imputabilidade. “
David Eagleman (1971-), neurocientista e divulgador
científico estadunidense em Incógnito – As
vidas Secretas do Cérebro
terça-feira, 19 de maio de 2026
(Manuel Bandeira)
Não perca tempo na vida. Leia!
Conheça mais sobre a vida e obra do artista no site Guia da Artes abaixo: https://www.guiadasartes.com.br/francisco-leopoldo-e-silva
segunda-feira, 18 de maio de 2026
Música brasileira
Toquinho e Paulinho Nogueira
Álbum: Toquinho e Paulinho Nogueira (1999)
Música: Bachianinha Nº 1
https://www.youtube.com/watch?v=t8DXYjMVdGk&start_radio=1
Paulo
Artur Mendes Pupo Nogueira, conhecido por Paulinho Nogueira (1927—2003) foi um músico, compositor, cantor, violonista e professor brasileiro.
Exímio violonista, foi também um grande compositor, tanto de músicas
instrumentais (famosas inclusive fora do Brasil, como as suas Bachianinhas), quanto de músicas com
letra como Menina gravada
lançada pelo próprio Paulinho Nogueira
em 1970 e várias regravações posteriores. Foi inventor da craviola,
e o primeiro mestre de Toquinho.
Teve músicas gravadas por grandes nomes como Jane Duboc, Jair
Rodrigues, Yamandú Costa e Badi Assad, entre muitos outros.
Desde
criança se mostrou grande apreciador das músicas de Johann
Sebastian Bach, tendo-o como influência para a composição
de uma de suas músicas mais famosas, a Bachianinha.
(Fonte do texto: Wikipedia)
domingo, 17 de maio de 2026
(Fonte: A Terra é Redonda/Quinho)
“Shakespeare não nos tornará melhores
nem piores, mas pode nos permitir ouvir a nós mesmos quando falamos conosco
mesmos.”
Harold Bloom (1930-2019), professor e crítico
literário estadunidense em O Cânone
Ocidental
sábado, 16 de maio de 2026
“Os jesuítas escolheriam um dos deuses menos importantes, Tupã, o
do trovão, para estabelecer a equivalência com o Deus único dos europeus. Uma
escolha estranha, aliás: os indígenas não só davam pouca atenção a Tupã como
não gostavam dele. Era temido porque os seus raios podiam provocar a morte e
destruição. Aparentemente, os religiosos cristãos não quiseram desafiar uma
entidade mais popular do panteão. Preferiram dar um novo significado para o
deus menor, sem perder uma característica constante na Bíblia, em especial no
Antigo Testamento – o fato de que Deus pode ser bastante violento.”
Tiago Cordeiro, jornalista e escritor em Os Primeiros Brasileiros
sexta-feira, 15 de maio de 2026
Reportagem do canal São Paulo Nas Alturas, do jornalista, escritor e pesquisador de arquitetura e urbanismo Raul Juste Lores sobre a atuação da jornalista, autora, teórica e ativista social Jane Jacobs (1916-2006).
As ideias de Jane Jacobs exerceram (e ainda exercem) grande influência sobre a arquitetura, o urbanismo a sociologia e a economia. Seu mais famoso clássico Morte e Vida de Grandes Cidades (The Death and Life of Great American Cities, 1961) é leitura obrigatória para arquitetos e urbanistas ainda hoje.
Veja abaixo vídeo sobre a atuação e as ideias de Jane Jacobs, que exerceram grande influência sobre o moderno urbanismo:
https://www.youtube.com/watch?v=-JnbKo0Xn_o&t=1s
(Fonte: Blog Pragmatismo/Bira Dantas)
quinta-feira, 14 de maio de 2026
(Fonte: Africa Wildlife Safari)
“Por
outro lado, vamos rumo a uma eliminação do Inumano, rumo a um integrismo
antropológico que visa submeter tudo à jurisdição do Humano. Empreendimento de
hominização generalizada nos animais, na natureza e em todas as espécies, sob o
signo dos direitos humanos, de uma antropologia moral e de uma ecologia
universal – ponta de lança de uma anexação do Inumano ao pensamento único do
Humano. Visada planetária de exterminação
do Inumano sob todas as formas, visada integrista de domesticação de
toda realidade vinda de fora – extrema peripécia de um imperialismo pelo qual,
paradoxo irônico e vingativo, privam-nos de todo pensamento do Humano enquanto
tal. Por isso se deriva Inumano. É só a partir de uma alteração radical de
nosso ponto de vista que podemos ter uma visão de nós mesmos e do mundo, não
para cair em um universo do não-sentido, mas para encontrar a potência e a
originalidade do mundo antes que tome força de sentido e se torne
simultaneamente o lugar de todos os poderes.”
Jean Baudrillard (1929-2007), sociólogo e filósofo
francês em A Troca Impossível
quarta-feira, 13 de maio de 2026
“Um
dos aspectos mais evidentes da crise das sociedades ocidentais é a volta da
desigualdade, no fim de um período histórico de democratização que se instalou
há séculos. No momento em que o mundo desenvolvido pensava ter atingido uma
espécie de idade do ouro, que combinava uma distribuição de renda justa com um
sistema de proteção social razoável, voltam a surgir desigualdades objetivas e
doutrinas que afirmam que a ideia de desigualdade é socialmente útil.”
“Doutrinas
e teorias cada vez mais numerosas afirmam a necessidade econômica da
desigualdade. Frequentemente, elas se manifestam sob a forma política de
reivindicação que exige uma diminuição do imposto direto nas faixas de renda
elevada: ‘para estimular trabalho, a poupança e o investimento das camadas
superiores da sociedade’, mais ativas e, talvez, mais inteligentes...
Novamente, pode ser observada uma defasagem temporal e intelectual entre o
mundo anglo-saxão e o continente europeu, pois a redução da progressividade do
imposto estava no centro das realizações ultraliberais reaganianas e
thatcherianas dos anos 80 (...)”
Emmanuel Todd (1951-), historiador, antropólogo e
sociólogo francês em A Ilusão Econômica –
Ensaio sobre a Estagnação das Sociedades Desenvolvidas
(Fonte: Facebook Jornalistas/Rino)
terça-feira, 12 de maio de 2026
Conheça mais sobre a vida e obra do artista no site abaixo:
https://edicoesnaifs.sescsp.org.br/2012/pt/8_197/autor.html
Assista entrevista feita com o escritor, filósofo, professor e bibliófilo italiano Umberto Eco (1932-2016) pelo programa Globo News Literatura em 2015.
Eco fala principalmente do seu livro Número Zero, lançado naquele ano. A obra é uma crítica à mídia que explora a chantagem e o sensacionalismo - um prenúncio do que ocorreria anos depois nas mídias sociais.
Veja a entrevista (legendada) no link abaixo:
https://www.youtube.com/watch?v=nru8LyIOAVQ
segunda-feira, 11 de maio de 2026
domingo, 10 de maio de 2026
(Fonte: Blog do Tarso/Laerte)
sábado, 9 de maio de 2026
(Fonte: Portal Solar)
Segundo pesquisas recentes, o Brasil dispõe da segunda maior reserva de terras raras no planeta, depois da China. Os maiores estoques nacionais destes 17 minerais ficam principalmente nos estados de Minas Gerais, Goiás e Amazonas.
Matéria prima para diversos componentes na indústria eletrônica e de informática, as terras raras tornaram-se objeto de cobiça dos setores industriais das economias mais avançadas do planeta.
Neste contexto, qual deverá ser o papel do governo Lula? Como garantir a posse destes preciosos minerais, assegurando seu uso em benefício da sociedade brasileira, ao invés do enriquecimento de grupos privados estrangeiros?
Leia abaixo o artigo Três Questões Urgentes sobre as terras raras, do especialista no tema Diógenes Moura Breda, publicado no jornal online Carta Capital em 05/05/2026:
https://www.cartacapital.com.br/economia/tres-questoes-urgentes-sobre-as-terras-raras/
sexta-feira, 8 de maio de 2026
Música brasileira
Mauro Senise, Kiko Continentino, Leonardo Amuedo
Álbum: Caixa de Música (2008)
Música: Pé Quebrado
https://www.youtube.com/watch?v=S2v6Hdc3F1E&list=PLp3SkHQCXCZ3zGZi8vWe_Jl2QjhCN60uB&index=10
Caixa
de Música é um álbum instrumental de 2008 lançado
pela Delira Música, reunindo os
músicos Mauro Senise (saxofone,
flauta) , Kiko Continentino
(teclados) e Leonardo Amuedo (guitarra).
Focado no gênero instrumental, o disco destaca a colaboração entre estes
artistas brasileiros.
(Fonte:
Wikipedia)
quinta-feira, 7 de maio de 2026
(Fonte: Brasil de Fato)
Em 2025 o setor agrícola brasileiro bateu mais um recorde; o de intoxicações por agrotóxicos.
O agronegócio do Brasil é um dos campeões mundiais no uso de herbicidas, fungicidas, inseticidas, entre outros. Uma parte destes produtos químicos acaba em nossos pratos.
Enquanto isso, milhares de trabalhadores adoecem e morrem por uso indevido e excessivo de agrotóxicos, muitos deles proibidos há anos em outros países.
Veja mais abaixo em reportagem do jornal online Repórter Brasil:
https://reporterbrasil.org.br/2026/03/brasil-recorde-intoxicacao-agrotoxico/
quarta-feira, 6 de maio de 2026

“A escala esmagadora (da cidade de Brasília) é,
portanto, deliberada. O visitante tem razão de sentir-se esmagado: a paisagem é
planejada para subjugar completamente o indivíduo. Como em Versalhes, como na
Cuba admirada por Niemeyer, tudo em Brasília está submetido à vontade do Grande
Homem, pouco importa quem seja. A mensagem está na arquitetura: por exemplo,
nas linhas perfeitamente organizadas dos ministérios. Pouco debaixo da linha do
equador, torrando no sol tropical, essas caixas de vidro estão desprovidas da
primeira necessidade deste lugar: sombra. A mais básica consideração climática
foi ignorada para fazer uma coisa que poderia fazer sentido no norte da Europa.
Como carros estacionados com os vidros fechados, os edifícios são impraticáveis
sem enormes aparatos de ar condicionado. Mas não importa: respondem, afinal, à
retórica, não à função. As pessoas sentadas nos escritórios são imateriais. O
que importa é a fantasia totalitária de ordem e progresso, de linhas retas, de
panoramas impecáveis.”
“A
desaparição do monumento era o que se via nas cidades novas, e nas áreas novas
da cidades antigas. A mensagem conclamava ao consumo – pouco importava do quê.
Prédios medonhos arranhavam os céus com o simples condão de instigar as pessoas
a procurarem por mais vagas para mais carros feios que sufocavam as cidades
brasileiras. Não havia ali um objetivo mais elevado. Assim sendo, gosto e
beleza, objetivos elevados em si, podiam ser igualmente desprezados.
A ausência
de gosto e de beleza era notável. A feiura da cidade brasileira moderna fazia
com que se sentisse saudade, não sem culpa, das piores ideologias do passado:
até mesmo do comunismo, que pelo menos pretendia ter um ideal social; ou do
catolicismo, que ao menos sabia escolher bons arquitetos. O melhor que se podia
dizer dos desagradáveis templos dos cultos evangélicos era que eles refletiam
fielmente a vulgaridade espiritual das doutrinas de seus gananciosos pastores.”
Benjamin Moser (1976-) escritor e tradutor
estadunidense em Autoimperialismo – Três Ensaios sobre o Brasil
(Fonte: Correio Brasiliense/Caio Gomez)
terça-feira, 5 de maio de 2026

“Dados recentes e mais precisos demonstram
que o nível de desigualdade no Brasil é bem mais alto do que se estimava
anteriormente. Estimativas prévias sugeriam que as políticas que miraram a
desigualdade nas últimas décadas tiveram sucesso em reduzi-la de modo
significativo, mas evidências recentes indicam que a desigualdade nacional de
renda permaneceu relativamente estabilizada em níveis altos nos últimos 15 anos.
A queda na desigualdade da renda do trabalho, apesar de ser mais moderada do
que se pensava, é confirmada pelas novas estimativas. A distribuição de renda
no Brasil permaneceu estável e extremamente desigual nos últimos 15 anos, com
os 10% do topo recebendo mais de 55% da renda total em 2015, enquanto a
participação dos 50% da base ficou pouco acima de 12% e a dos 40%
intermediários, aproximadamente em 32%. Embora a desigualdade nos 90% da base
tenha caído, por causa da compressão das rendas do trabalho, a concentração no
topo da distribuição aumentou no período, refletindo uma concentração cada vez
maior das rendas de capital.
Desde a crise financeira global em
2008, a parcela do crescimento total na renda capturada pelos 10% mais bem
remunerados foi a mesma que nos anos que a antecederam, de forte crescimento.
Os 50% mais mal remunerados se apropriaram de uma parcela muito limitada do
crescimento total entre 2001-2015. Até agora, as transferências de dinheiro
tiveram um impacto apenas limitado na redução da desigualdade na renda nacional.”
Thomas Piketty (1971-) economista francês (organizador)
em Relatório da Desigualdade Mundial 2018
Conheça mais sobre a vida e obra do artista no site Guia das Artes abaixo: https://www.guiadasartes.com.br/pedro-weingartner
segunda-feira, 4 de maio de 2026
(Fonte: Note/Ryoichi Takahashi)
Assista a mais uma entrevista com o sociólogo e professor Ricardo Antunes para o programa 20 Minutos do canal Opera Mundi.
Trabalhadores uberizados, plataformas de serviços, exploração do trabalhador, futuro do trabalho, entre outros temas tratados nesta longa entrevista feita no dia 1 de maio de 2026, em homenagem aos trabalhadores.
Veja a íntegra da entrevista no link abaixo:
(Fonte: Animated Views - Popeye)
Não perca tempo na vida. Leia!
domingo, 3 de maio de 2026
“O sentido da vida é simplesmente estar
vivo. É tão claro, tão óbvio e tão simples. E, no entanto, todos correm por aí
em grande pânico, como se fosse necessário alcançar algo além de si mesmos.”
Alan
Watts
(1915-1973), filósofo, escritor e agitador social britânico em The Nihilist Anthology (A Antologia
Niilista)
sábado, 2 de maio de 2026
Assista a curto vídeo (legendado) no qual o poeta e escritor estadunidense Charles Bukowski declama uma de suas poesias. Veja no link Joepoeta abaixo:
https://www.youtube.com/watch?v=zziDyCrS8uQ
sexta-feira, 1 de maio de 2026
"Os
que, no regime capitalista, trabalham não lucram e os que lucram não
trabalham." Karl
Marx (1818-1883) filósofo e economista alemão
quinta-feira, 30 de abril de 2026
quarta-feira, 29 de abril de 2026
“Chego
agora ao único ponto de inquestionável superioridade natural do homem: ele tem
uma alma. É isso que o distingue de todos os outros animais e o torna, de certa
forma, seu mestre. A natureza exata dessa alma tem sido debatida por milhares
de anos, mas quanto à sua função, é possível falar com alguma autoridade. Essa
função é colocar o homem em contato direto com Deus, torná-lo consciente de
Deus e, acima de tudo, fazê-lo assemelhar-se a Deus. Bem, consideremos o
fracasso colossal desse mecanismo. Se presumirmos que o homem realmente se
assemelha a Deus, somos forçados à teoria impossível de que Deus é um covarde,
um idiota e um canalha. E se presumirmos que o homem, depois de todos esses
anos, não se assemelha a Deus, então fica evidente que a alma humana é uma
máquina tão ineficiente quanto o fígado ou as amígdalas humanas, e que o homem
provavelmente estaria melhor, assim como o chimpanzé sem dúvida está, sem ela.”
Henry Louis Mencken (1880-1956), jornalista, escritor e
crítico social estadunidense em A Mencken
Chrestomathy (Uma antologia de Mencken)
terça-feira, 28 de abril de 2026

“Na realidade, não houve um grande
complô nem uma doutrina pré-fabricada que os políticos teriam aplicado com
cinismo e determinação para satisfazer as expectativas de seus poderosos amigos
do mundo dos negócios. A lógica normativa que acabou se impondo constituiu-se
ao longo de batalhas inicialmente incertas e de políticas frequentemente
tateantes. A sociedade neoliberal em que vivemos é fruto de um processo
histórico que não foi integralmente programado por seus pioneiros; os elementos
que a compõem reuniram-se pouco a pouco, interagindo uns com os outros,
fortalecendo uns aos outros. Da mesma forma como não é resultado direto de uma
doutrina homogênea, a sociedade neoliberal não é reflexo de uma lógica do
capital que suscita as formas sociais, culturais e políticas que lhe convém à
medida que se expande. A explicação marxista clássica esquece que a crise de
acumulação a que o neoliberalismo supostamente responde, longe de ser uma crise
de um capitalismo sempre igual a si mesmo, tem a particularidade de estar
ligada às regras institucionais que até então enquadravam certo tipo de
capitalismo.
Consequentemente, a originalidade do
neoliberalismo está no fato de criar um novo conjunto de regras que definem não
apenas outro ‘regime de acumulação’, mas também, mais amplamente, outra
sociedade. Tocamos aqui num ponto fundamental. Na concepção marxista, o
capitalismo é, antes de tudo, um ‘modo de produção’ econômico que, como tal, é
independente do direito e gera a ordem jurídico-política de que necessita a
cada estágio de seu autodesenvolvimento. Ora, longe de pertencer a uma
‘superestrutura’ condenada a exprimir ou obstruir o econômico, o jurídico
pertence de imediato às relações de produção, na medida em que molda o
econômico a partir de dentro. ‘O inconsciente dos economistas’, como diz
Foucault, que é na verdade o inconsciente de todo economicismo, seja liberal,
seja marxista, é precisamente a instituição, e é justamente a instituição que o
neoliberalismo, em particular em sua versão ordoliberal, quer reconduzir a uma
posição determinante.”
Pierre Dardot (1952-) filósofo e sociólogo francês
e Christian Laval (1953-) sociólogo e
professor francês em A Nova Razão do Mundo
segunda-feira, 27 de abril de 2026
“Sabemos,
também, que nossa percepção da realidade é severamente incompleta. Muito do que
ocorre à nossa volta passa despercebido pelos nossos sentidos. Produto de
milhões de anos de evolução, o cérebro é cego e surdo para informações que não
aumentariam as chances de sobrevivência de nossos antepassados. Por exemplo,
trilhões de neutrinos provenientes do coração do Sol atravessam nossos corpos a
cada segundo; ondas eletromagnéticas de todos os tipos – micro-ondas, ondas de
rádio, infravermelho, ultravioleta – transportam informação que nossos olhos
não veem; sons além do além do alcance de nossa audição passam despercebidos;
partículas de poeira e bactérias invisíveis. Como a Raposa disse ao Pequeno
Príncipe na fábula de Saint-Exupéry, ‘O essencial é invisível aos olhos.’”
“Os
muitos passos bioquímicos e genéticos da não vida à vida, seguidos de tantos
outros que levaram da vida unicelular à vida multicelular complexa, são
extremamente difíceis de serem duplicados em outros mundos. Ademais, os
pormenores dependem crucialmente dos detalhes da história do nosso planeta: se
algum evento deixa de ocorrer – por exemplo a extinção dos dinossauros – isso muda
a história da vida. Não significa que possamos concluir que não existam outras
formas de vida inteligente em algum canto do cosmos. O que podemos concluir com
confiança é que, caso alienígenas inteligentes existam, são raros e estão muito
longe de nós. (Ou, caso sejam comuns,
certamente sabem esconder-se muito bem.) A verdade é que, na prática, estamos
sós e devemos aprender a viver com nossa solidão cósmica e a explorar suas
consequências de forma construtiva.”
Marcelo Gleiser (1959-) físico, astrônomo, professor e
divulgador científico brasileiro em A
Ilha do Conhecimento – Os limites da ciência e a busca por sentido
domingo, 26 de abril de 2026
“Demócrito e Heráclito eram dois
filósofos. O primeiro, achando que a condição humana é vã e ridícula,
apresentava-se em público sempre a rir e motejar. Heráclito, tomado de piedade
por essa mesma humanidade, andava permanentemente triste e de lágrimas nos olhos:
‘Logo que punham o pé fora de casa, um ria e o outro chorava’ (Juvenal).
Prefiro o primeiro, não porque seja mais agradável rir do que chorar, mas
porque sua atitude é testemunha de seu desdém, porque ela nos condena mais do
que a outra e acho que nunca podemos ser desprezados quanto merecemos. Piedade
e comiseração misturam-se a alguma estima por aquilo de que temos dó; o de que
se caçoa, consideramo-lo sem valor. Penso que há em nós mais vaidade do que
infelicidade, mais tolice do que malícia, mais vazio do que maldade, mais
vileza do que miséria.
Diógenes, em seu tonel, divertindo-se
com seus botões em zombar das vaidades humanas, escarnecendo de Alexandre,
encarando os homens como moscas ou bexigas cheias de vento, foi um crítico mais
acerbo e agudo, e por conseguinte mais de meu agrado, do que Timão, a quem
chamavam o Misantropo porque odiava os homens. O que odiamos, por algum aspecto
nos interessa e preocupa. Timão desejava o nosso mal, aspirava à nossa ruína,
fugia da conversação que achava perigosa porque de gente ruim e depravada.
Diógenes estimava-nos tão pouco que não supunha sequer que nossa frequentação o
pudesse perturbar ou lhe alterar o humor. Se não desejava a nossa companhia,
não era por temor de contágio, mas por desprezo. Não nos acreditava capazes nem
de fazer o bem nem de fazer o mal.”
Michel de Montaigne (1533-1592) filósofo humanista e
cético francês em Ensaios