“O conhecimento incessante da verdade faz com que o homem caminhe para o anjo. Chegarão primeiro os que mais depressa conheceram ao seu semelhante, tanto quanto a si mesmo. Nunca foi impossível o exato conhecimento próprio. É necessária, porém, a coragem bastante, para que cada qual se veja e se pegue, se espie e se apalpe, em cada um dos seus mais íntimos espaços físicos e morais.
Que as constantes feiuras a encontrar não nos retraia os olhos (no caso, o sentir) e as mãos. Depois, será mais fácil conhecer-se o próximo. E depois, então, mesmo que se minta, só se saberá da utilidade e do consolo da verdade. Faltará ânimo para o fingimento e a fuga, quando acreditarmos em que ninguém engana ninguém e em que somos capazes de conhecer o próximo, desde o instante inicial do primeiro conhecimento. A sintomatologia do mal é evidente e constante.
O homem mau ri errado. Por isso,
deve-se viver em multidão. Falar e rir em coro, andar e parar em batalhões.
Viver entre os que, simplesmente, estiverem vivendo. A vida coral nos alivia da
obrigação do êxito, do êxito que é casual (e verdadeiro) ou é fabricado e
cínico. Desconfiai dos feitos que são repetidamente comemorados com jantares e
missas de ação de graças!
É esta uma simples canção de fim de ano. Escrevia, confessando-me e comprometendo-me em cada uma das minhas pequenas descobertas. Se não atingi, rondei mais das vezes a insolente verdade dos homens e das coisas. Em vez disso, escreveria uma crônica de Natal… Mas, em tudo o que eu dissesse do Nascimento de Cristo e fraternidade humana, correria o erro constante de repetir: ‘Natal, Natal, bimbalham os sinos…’. 14/ 12/ 1956” (Trecho da crônica 'Canção de Fim de Ano').
Antônio Maria (Antônio
Maria Araújo de Morais - 1921-1964), jornalista, produtor de rádio e televisão,
cronista e compositor brasileiro em Manhã
de Carnaval & Outras Crônicas













.jpg)













.jpg)









