Andre Dahmer
quarta-feira, 4 de março de 2026Leituras diárias
“Soube, hoje, da morte de Miguel Torga,
em Coimbra, aos oitenta e sete anos. Nunca vi Torga. Fui a Coimbra e pude ver a
placa singela, Adolfo Rocha. Ele era otorrinolaringologista. Não bati. Não lhe
falei. Tinha fama de ser esquivo, reservado.
Nunca o vi. Mas a confraria literária
tem esse privilégio de uma união profunda, uma comunhão, que nos emociona e
está para além do espaço e tempo. Sentimo-nos, sim, unidos. Unidos na
literatura, no amor da literatura.
Ele escreveu Requiem por mim.
Agora, tenho vontade de escrever o meu Requiem por mim, em memória
dele. A meditação da morte nos dilata. Ela nos liberta de nós mesmos,
perecíveis.
A morte não me assusta, não me espanta. Creio que convivo bem com a morte. A morte é fraternal. A morte é nossa amiga íntima. Ela convive conosco. Vai indo conosco, ao mais profundo de nós, como uma companheira cotidiana, amável. (...)”
Antonio Carlos Villaça (1928-2005), escritor, jornalista,
tradutor e conferencista em Os
Saltimbancos da Porciúncula. Villaça é um dos mais importantes
memorialistas brasileiros, ao lado de Pedro Nava e Gilberto Amado.
"Vamos libertar o Irã da barbárie!"
terça-feira, 3 de março de 2026Noam Chomsky
“A solidariedade é algo muito perigoso. Do ponto de vista dos senhores da humanidade, você só deve cuidar de si mesmo e não dos outros. É uma visão muito diferente daquela das pessoas que eles alegam considerar seus heróis, como (o filósofo e economista pioneiro do liberalismo econômico) Adam Smith, que baseou todo o seu enfoque à economia no princípio de que a simpatia é um traço fundamental da personalidade humana, mas, para os nossos senhores, isso tem que ser extirpado de nossas cabeças. Você tem que se preocupar apenas consigo mesmo e seguir a máxima vil — ‘não se importar com os outros’ —, atitude normal para os ricos e poderosos, mas devastadora para todo o restante da humanidade. Tem sido necessário muito esforço para apagar esse tipo de sentimento da cabeça das pessoas.
Vemos isso na elaboração de políticas públicas — por exemplo, no ataque contra a Previdência Social. Tem-se falado muito na crise da Previdência Social, mas ela simplesmente não existe. A Previdência está em muito boa situação — tão boa quanto sempre esteve. O sistema de Previdência Social é uma instituição muito eficiente e não tem custo administrativo quase nenhum. E, embora exista a possibilidade de uma crise daqui a algumas décadas, dispomos de uma maneira fácil de vencê-la. No entanto, debates em torno de políticas públicas se concentram nela sobretudo porque os senhores não querem que exista — eles sempre a odiaram, pois ela beneficia o povo de uma forma geral. Contudo, existe outro motivo que os faz odiá-la. A Previdência Social se baseia em um princípio. É baseada no princípio de solidariedade.
Solidariedade: interesse e cuidado
para com os outros. Previdência Social significa o seguinte: ‘Eu pago encargos
sociais para que a viúva do outro lado da cidade tenha algo com que possa
sobreviver.’ No que se refere à maior parte da população, é assim que funciona.
Como a Previdência não tem nenhuma utilidade para os muito ricos, existe então
um plano sistemático para destruí-la. Uma das possíveis formas para se fazer
isso é cortar verbas destinadas a ela. Ora, você quer destruir um sistema? A
primeira coisa a fazer é cortar suas verbas. Feito isso, não funcionará mais.
As pessoas ficarão revoltadas e depois vão querer outra coisa que a substitua.
É uma técnica padrão, a que se costuma recorrer para se conseguir a
privatização de um determinado sistema.” (Chomsky, págs. 75 e 76).
“E isso acontece bem diante de nossos olhos. Vejam, por exemplo, os Estados Unidos — aqui, martelam na cabeça da maior parte da população o princípio de que ela tem de ‘deixar o mercado comandar os rumos da economia’. Portanto, que as autoridades tratem de cortar o número de benefícios sociais, de reduzir a previdência social ou acabar com ela de uma vez, de diminuir ainda mais o limitado serviço de saúde pública, enfim, deixem o livre mercado comandar tudo. Mas não para os ricos. Para estes, o Estado deve ser uma entidade poderosa, sempre pronta para intervir e resgatá-los sempre que se meterem em apuros financeiros.
Tomemos o exemplo de Reagan, um ícone do neoliberalismo, do livre mercado entre outras coisas. Ele foi o presidente mais protecionista na história do pós-guerra americano, tendo dobrado as barreiras de importação, na tentativa de proteger os incompetentes dirigentes americanos da superioridade dos produtos japoneses. Assim, mais uma vez, ele socorreu bancos, em vez de deixá-los arcar com seus custos. Na verdade a economia americana cresceu durante o governo Reagan, tornando-se um ícone do neoliberalismo. Devo acrescentar que seu programa ‘Guerra nas Estrelas’ foi abertamente propagandeado no mundo dos negócios como um incentivo do governo, como uma espécie de profícua vaca-leiteira em cujas tetas eles podiam mamar. Mas isso era apenas para os ricos. Já no caso dos pobres, que deixassem que os princípios do livre mercado conduzissem os rumos da economia e que não esperassem nenhum auxílio do governo.” (Chomsky, págs. 99 e 100).
Noam Chomsky (1926-), linguista, filósofo, sociólogo, cientista cognitivo e ativista político estadunidense em Réquiem para o sonho americano: Os dez princípios de concentração de renda e poder
Labels: Autores, Cultura, Economia, Gestão Pública, Política
Outras leituras
segunda-feira, 2 de março de 2026“A mineração exigiu intercâmbio com as Capitanias do norte e do sul, no primeiro momento de integração nacional. A área devia importar gêneros alimentícios, artigos elaborados. O ouro provocou a mudança da capital de Salvador para o Rio de Janeiro, em 1763. Criou uma consciência nacional, traduzida em rebeliões contra o poder português ou em um movimento artístico fecundo. A riqueza pouco ficava em Minas ou no Brasil; nem mesmo em Portugal, pois ouro e diamante só passavam por Lisboa, indo para os Países Baixos — aí se fazia a lapidação dos diamantes, ou para a Inglaterra, em pagamento das inúmeras e dispensáveis importações. Como antes com as especiarias e com o açúcar, o português perdia outra oportunidade. Em obras suntuárias e não reprodutivas, na desorganização de um governo pouco lúcido para o econômico, esvaía-se a riqueza.
Lembre-se, a propósito, o célebre Tratado de Methuen, em 1703 — quando começa a aparecer o Ouro —, entre Portugal e Inglaterra. Em termos simples, Portugal compromete-se 'para sempre' a importar tecidos ingleses, enquanto a Inglaterra compromete-se a importar vinhos portugueses. É outro momento marcante das relações entre os dois países, vindo de longe e marcado pela desigualdade de tratamento, com a submissão portuguesa. O assunto já foi muito estudado, aparecendo mesmo em clássicos como Montesquieu e Adam Smith.”
“É geral a impressão de desenvolvimento. Multiplicam-se as iniciativas, não mais, como na regência de D. João, sob o signo oficial, mas pelo investimento privado. As chamadas fábricas nacionais encontram-se no Rio e nas províncias, para tecidos, chapéus, sapatos, couros, vidros, rapé, cerveja, sabão. A contar de 1860, realizam-se exposições industriais — fato significativo, apesar da modéstia do que se exibe e sua falta de repercussão. O país parecia maduro, consolidado — os indivíduos agiam, respirava-se confiança. Constroem-se ferrovias e instala-se o telégrafo, em busca da integração nacional. Aparece o que o ministro da Agricultura Manuel Buarque de Macedo, em 1880, chama ‘a nobre impaciência do amor do progresso’. Em parte dos dirigentes nacionais desenvolve-se o gosto pelas inovações, com o abandono da rotina, em nome de ideias novas, realizações materiais condutoras ao enriquecimento. É a modernização para um Brasil rico, livre, realizador, como a Grã-Bretanha, os Estados Unidos.
É a ‘era Mauá’. Irineu Evangelista de
Souza — Barão e depois Visconde de Mauá — domina a década com trabalhos de industrial
ousado, banqueiro, construtor de ferrovias, empresário de navegação, introdutor
de inovações tecnológicas, político, diplomata. Sua ação estende-se por todo o
Brasil e mesmo áreas vizinhas, como o Uruguai, sem falar em participações
bancárias, como as de Montevidéu, Buenos Aires, Nova Iorque, Paris, Londres,
Manchester. É o melhor símbolo da euforia de então, quando o país parece
despertar do torpor e se lança à aventura econômica e financeira, como se fosse
a Grã-Bretanha ou os Estados Unidos. Mauá tem os traços do grande empresário,
aquele que se joga no negócio com crença, entusiasmo, domínio da situação,
vencedor. É raro no Brasil, de ontem ou de hoje, essa figura que marca com
traço forte a história do capitalismo, essa psicologia do pioneiro que é
criação de um sistema.”
Francisco Iglesias (1923-1999), economista e historiador brasileiro em A Industrialização Brasileira (1985)
A Marcha - Antonio Adolfo
domingo, 1 de março de 2026Música brasileira
Antonio Adolfo
Álbum: Viralata (1979)
Música: A Marcha
https://www.youtube.com/watch?v=BLfgvqK-3s0&list=RDBLfgvqK-3s0&start_radio=1
Antonio
Adolfo Maurity Sabóia (1947-) é um pianista, tecladista e compositor brasileiro.
Filho de uma violinista da Orquestra do Teatro Municipal do Rio, carioca de
Santa Teresa, aos 16 anos, como pianista, já pertencia ao fechado clube
da Bossa Nova.
Começou
a estudar música na infância, e no início dos anos 60 passou a frequentar os
ambientes cariocas onde se tocava jazz e bossa nova. Em 1964 montou o Trio 3-D para encenar o musical
"Pobre Menina Rica", de Vinicius de Moraes e Carlos Lyra. Participou como
compositor dos festivais de música popular, obtendo sucesso com "Sá
Marina" em 1968 e no ano seguinte com "Juliana" (parceria
com Tibério Gaspar),
interpretada pelo conjunto A Brazuca,
do qual fazia parte.
Em 1969, sua carreira é
impulsionada por Maysa, com quem
trabalhou em parte dos arranjos do seu LP intitulado simplesmente Maysa. Em
1970 vence a Fase Nacional do V Festival Internacional da Canção,
com a música BR-3 interpretada por Tony Tornado, composta em parceria com Tibério Gaspar. Trata-se de uma canção
soul nos moldes de James Brown. Acompanhou Elis Regina em
turnê à Europa um pouco depois, e nos anos 70 esteve nos Estados Unidos tocando
e estudando, influenciado principalmente pela linguagem do jazz.
Em
2016, foi indicado ao Grammy Latino
de Melhor Álbum de Jazz Latino por
seu álbum Tropical Infinito. No
ano seguinte, foi indicado novamente na mesma categoria, desta vez pelo
álbum Hybrido/From Rio to Wayne
Shorter. Em 2021, recebeu sua terceira indicação na categoria, desta
vez pelo álbum Bruma: Celebrating
Milton Nascimento, que foi indicado ainda na categoria de Melhor Engenharia.
(Fonte
do texto: Wikipedia)
A família real no Brasil
sábado, 28 de fevereiro de 2026“Se a beleza do cenário geográfico da cidade encantava a maioria da corte portuguesa que desembarcava no porto do Rio, os primeiros dias mostrariam a precariedade da estrutura da nova capital. ‘Numa pequena área espremida entre a praia e a montanha, formada por escassas ruas paralelas e mais algumas transversais, rodeadas por matas e logradouros desertos, mais de dez mil pessoas foram alojadas às pressas, com a chegada da Família Real, transformando a pequena cidade dos vice-reis em capital do império português na América’, descreve a historiadora Leila Mezan Algranti (1988:26).
Para acomodar os acompanhantes da corte, o conde dos Arcos instituiu o sistema de aposentadorias que, na prática, requisitava as casas dos moradores locais para aconchego da nobreza. Na porta de muitas casas foram pregadas as letras PR – Príncipe Regente –, interpretadas pela população como Ponha-se na Rua. ‘O afluxo de uma grande quantidade de pessoas agravou os problemas urbanos. Além da falta de moradia, havia carência no abastecimento de água, saneamento, segurança pública’, descreve o historiador Paulo de Assunção (2008:88). Essa situação causou um enorme rebuliço tanto para a população que ficava desabrigada, quanto para a nobreza portuguesa que considerava as moradias desconfortáveis, mal construídas e sem o luxo das suas residências em Lisboa. Já a população mais pobre ficou marginalizada à região norte da cidade, circunscritas aos bairros de Catumbi e Mata-Porcos. Nesse espaço, as habitações se restringiam a choças aglomeradas entre os morros e o mar, o que já marcava a profunda desigualdade social no especo geográfico (Lima, 2000:106).”
“O contato cada vez maior com a
cultura europeia também estimulava um novo hábito na Corte: difundia-se o
costume de almoçar fora de casa, nas denominadas casas de pasto, que serviam
diariamente diferentes cardápios pré-estabelecidos com preços também já previamente
fixados pelo comerciante. Tais mudanças na prática incentivam a procura por
cozinheiros, um ofício bem remunerado. Em 1808, ‘um cozinheiro que soubesse
trabalhar de caçarolas e massas ganharia por mês 14 $000 réis, mais do que
muitos letrados obtinham em suas aulas’, elucida a historiadora Maria Beatriz
Nizza da Silva (2007:35). A sobremesa teve seu espaço garantido. Em julho de
1813, Vicente Ferreira, o ilustre chocolateiro da princesa Carlota Joaquina,
abria uma fábrica de chocolate na rua do Ouvidor, n.28. Para além da venda de
todas as qualidades de chocolate, a loja vendia ainda extratos de manteiga de
cacau para a produção de outros doces (Gazeta do Rio de Janeiro, 1813, N 58). A
diversidade e a quantidade dos gêneros que foram importados nos Reinos de
Portugal e Brasil durante 1816 foram tema de destaque da folha oficial, tamanha
era a preponderância do comércio interatlântico de alimentos dentro dos limites
do Império Português.”
Juliana Gesuelli Meirelles, doutora em história política pela UNICAMP e professora brasileira em A família real no Brasil: política e cotidiano (1808-1821)
O que eles pensam
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026Tecnofeudalismo
|
“Quando
Yanis Varoufakis descreve o que estamos vivenciando como tecnofeudalismo – ou
seja, alta tecnologia, mas formas feudais de apropriação de riqueza sem uma
contrapartida produtiva, ele pinta um quadro realista. A transformação
torna-se muito clara quando percebemos que a maior parte da riqueza no topo
da pirâmide social não resulta de iniciativa produtiva, mas sim de dividendos
e fortunas herdadas. Estamos muito próximos da aristocracia que herdava
feudos pelo 'mérito' do sangue familiar. As análises de Sandel sobre o
absurdo de considerar fortunas como 'mérito' são perfeitamente realistas.
Essa aristocracia rentista se beneficia igualmente do sistema de relações
herdado das universidades de elite, da interação social e das várias formas
de fratura social que nos afastam da simplificação de que nossa condição
econômica depende de nossos esforços.” |
Ladislau Dowbor (1941-), economista e professor brasileiro de origem polonesa. Trecho do artigo Assim os rentistas dissolvem a democracia, publicado no jornal eletrônico Outras Palavras em 23/01/26
Essa não poderia faltar
King
Crimson
Fracture
(1974)
https://www.youtube.com/watch?v=ZaD7gk7BTwU&list=RDZaD7gk7BTwU&start_radio=1
(Pra quem conhece e gosta de rock progressivo)
Frases de Meio Ambiente
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026“A
criatura que vence o seu ambiente acaba por se destruir.”
Gregory Bateson (1904-1980), antropólogo, sociólogo e
semiólogo inglês citado por AZQuotes
Carlos Bracher (1940-)
https://www.guiadasartes.com.br/carlos-bracher/obras-principais
Outras leituras
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026“É
apropriado reconhecer que a linguagem é, em grande parte, um acidente
histórico. As línguas humanas básicas são tradicionalmente transmitidas a nós
em várias formas, mas sua própria multiplicidade prova que não há nada de
absoluto e necessário nelas. Assim como línguas como o grego ou o sânscrito são
fatos históricos e não necessidades lógicas absolutas, é razoável supor que a
lógica e a matemática sejam formas de expressão igualmente históricas e
acidentais. Elas podem ter variantes essenciais, ou seja, podem existir em
outras formas além daquelas às quais estamos acostumados. De fato, a natureza
do sistema nervoso central e dos sistemas de mensagens que ele transmite
indicam positivamente que isso é assim.
Agora
acumulamos evidências suficientes para ver que, qualquer que seja a linguagem
que o sistema nervoso central esteja usando, ela é caracterizada por menos
profundidade lógica e aritmética do que aquela a que estamos normalmente
acostumados. O seguinte é um exemplo óbvio disso: a retina do olho humano
realiza uma reorganização considerável da imagem visual percebida pelo olho.
Ora, essa reorganização é efetuada na retina, ou para ser mais preciso, no
ponto de entrada do nervo óptico, por meio de apenas três sinapses sucessivas,
ou seja, em termos de três etapas lógicas consecutivas. O caráter estatístico
do sistema de mensagens usado na aritmética do sistema nervoso central e sua
baixa precisão também indicam que a degeneração da precisão, descrita
anteriormente, não pode ir muito longe nos sistemas de mensagens envolvidos.
Consequentemente,
existem aqui estruturas lógicas diferentes daquelas com as quais estamos normalmente
acostumados em lógica e matemática. Elas são, como apontado anteriormente,
caracterizadas por menos profundidade lógica e aritmética do que estamos
acostumados em circunstâncias semelhantes. Assim, a lógica e a matemática no
sistema nervoso central, quando vistas como linguagens, devem ser
estruturalmente essencialmente diferentes daquelas linguagens às quais nossa
experiência comum se refere.”
John von Neumann (1903-1957), matemático, físico, engenheiro
húngaro-estadunidense e um dos cientistas da computação precursores da moderna
informática. Desenvolveu o conceito moderno do computador. Trecho de sua
palestra (livro) O Computador e o Cérebro
(The Computer and The Brain)
Toni D'Agostinho
terça-feira, 24 de fevereiro de 2026A luta dos indígenas contra a privatização do rio Tapajós
Labels: Assim se vive no Brasil, Economia, Gestão Ambiental, Gestão de recursos, Gestão Pública, Política
Fim da escala 6X1: querem nos enganar!
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026Veja o que realmente acontece, no vídeo do professor José Kobori abaixo:
Labels: Assim se vive no Brasil, Economia, Gestão Pública, Política
Leituras diárias
“Nos processos de desenvolvimento da
‘industrialização clássica’ o emprego cada vez maior de mão de obra gerou um
processo de urbanização crescente. No Brasil as indústrias que têm absorvido
pouca mão de obra na última década ofereceram um terço do total dos empregos
gerados.
No Brasil, a urbanização resulta
principalmente do forte incremento demográfico, cuja parcela rural, por não
encontrar trabalho nos campos, na mesma proporção de seu crescimento, e frente
à crescente pauperização rural, emigra para zonas urbanas. Nestas existe a
perspectiva de algum trabalho, porque é nas cidades que se despende o grosso da
renda, mesmo daquela que se concentra em mãos de proprietários agrícolas.
No Brasil a extrema concentração na
distribuição da renda produz como consequência um crescimento intenso no
mercado de ‘serviços’, absorvendo direta ou indiretamente, importantes
contingentes de mão de obra. Corresponde a um fator sociológico que atua com
particular intensidade nos países em que existe um desnível acentuado nos
padrões de vida entre cidade e campo.
Por outro lado, nos países subdesenvolvidos o aparelho administrativo estatal, geralmente centralizado nas grandes cidades, tende a crescer mais que proporcionalmente, seja porque emprega mão de obra de baixa produtividade, nos serviços públicos, seja porque necessita enfrentar grandes obras em prazo relativamente curto. Em suma, a administração pública acaba tornando-se um elemento de atração, que contribui para intensificar o processo de urbanização.” (Bruna, págs. 102, 103 e 104).
Paulo J. V. Bruna (1941-) arquiteto e professor em Arquitetura, Industrialização e Desenvolvimento
Música de vanguarda
domingo, 22 de fevereiro de 2026https://www.youtube.com/watch?v=dzXkeI3Oho4&list=PL8hVc6VvPyKLH0CKI6lro6eY73msRiNat&index=7
Luigi
Nono (1924 — 1990) foi um compositor italiano de
música contemporânea.
Criada
por Wolfgang Steinecke em 1946 na
cidade de Darmstadt, a Escola
Internacional de Verão promovia a ascensão da nova música. Música essa
dedicada à composição serial (iniciada por Arnold Schoenberg). Foi nesse festival que
Luigi Nono viria a conhecer compositores que – junto com ele – constituiriam a
essência daquela vanguarda de pós-guerra: Karlheinz Stockhausen e Pierre Boulez.
Luigi
Nono passou a representar um dos compositores mais radicais desse grupo, muito
devido a sua militância política. Seu interesse pela política era tanto que
passou a combinar com frequência textos políticos radicais com música
revolucionária. A sua ligação a Schöenberg
foi bem para além do uso do serialismo nas suas primeiras obras; o indício
mais evidente é o fato de sua primeira obra orquestral, estreada em Darmstadt
em 1950, chamar-se Variazioni canoniche
sulla serie dell'op.41 di Arnold Schoenberg; e obviamente, também por 5
anos depois, ter casado com Nuria, filha de Schöenberg.
(Fonte do texto: Wikipedia)
Tema importante: Orçamento Participativo
sábado, 21 de fevereiro de 2026Labels: Assim se vive no Brasil, Economia, Gestão de recursos, Gestão Pública, Política
A frase do dia
“Os homens não moldam o destino. O destino produz o homem para o momento.”
Fidel Castro (1926-2016), "El Comandante", político e um dos líderes da Revolução Cubana (1959), citado por Brainy Quote
Michael J. Sandel (1953-)
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026Defensor da democracia liberal, a entrevista de Sandel está disponível no canal Canal Um Brasil abaixo:
Labels: Autores, Cultura, Filosofia, Filósofos, Gestão Pública, Política
Outras leituras
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026“É claro que o fato de que os seres
vivos têm uma organização não é exclusivo deles, mas sim comum a todas as
coisas que podem ser investigadas como sistemas. Entretanto, o que lhes é
peculiar é que sua organização é tal que seu único produto são eles mesmos.
Donde se conclui que não há separação entre produtor e produto. O ser e o fazer
de uma unidade autopoiética são inseparáveis, e isso constitui seu modo
específico de organização.”
“É preciso entender que todos os seres
vivos multicelulares conhecidos são variações elaboradas sobre o mesmo tema – a
organização e a filogenia da célula. Cada indivíduo multicelular representa um
momento elaborado da ontogenia de uma linhagem, cujas variações continuam sendo
celulares. Nesse sentido, o aparecimento da multicelularidade não introduz,
basicamente, nada de novo.”
“Nos insetos, como já vimos, a coesão
da unidade social é proporcionada por uma interação química, a trofolaxe. Entre
nós, humanos, a ‘trofolaxe’ social é a linguagem, que faz com que existamos num
mundo sempre aberto de interações linguísticas recorrentes. Quando se tem uma
linguagem, não há limites para o que é possível descrever, imaginar,
relacionar. A linguagem permeia de modo absoluto, toda a nossa ontogenia como
indivíduos, desde o modo de andar e a postura até a política.”
Humberto R. Maturana (1928-2021) neurobiólogo e filósofo chileno, Francisco Varela (1946-2001) biólogo e filósofo chileno, em A Árvore do Conhecimento – As bases biológicas da compreensão humana
Jaguar
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026Thomas Cahill
“A
Assembleia não era a única arena da democracia ateniense. Já na velhice de
Sólon, surgiu outro tipo de foro, uma inovação artística tão inventiva quanto a
primeira. Tornou-se possível devido à atmosfera de livre debate que permeava a
cidade, e proporcionava a seus cidadãos oportunidades regulares de examinar os
temas mais profundos de sua vida política e social. Era chamada drama, e evoluiu a partir de
apresentações musicais que eram parte central dos grandes festivais religiosos.
O solista que se destacava do coro frequentemente representava um deus ou herói
célebres, com uma personalidade assumida, às vezes vestido de maneira
reconhecível (por exemplo, a armadura de Atena ou a pele de leão de Hércules),
outras vezes usando máscara para facilitar identificação. Com o tempo, o
diálogo entre o solista e o coro se tornou mais elaborado, à medida que
episódios de algum dos mitos eram representados numa pista circular de dança
(chamada orquestra) em volta de um
altar com degraus dedicado ao deus do festival. O coro, disposto ao redor do
altar, cantava comentando a história narrada pelo solista e dançava em
movimentos ensaiados, enquanto os membros da plateia, sentados em um theatron (lugar de assistir), numa
encosta da colina semicircular em forma de terraço, ouviram a narrativa em
silêncio reverente e apoiavam com sua próprias vozes as respostas musicais do
coro. Era essa a essência daquilo que os gregos denominavam leitourgia (obra do povo, serviço
público executado sem recompensa, liturgia)”
Thomas Cahill (1940-2022), escritor e scholar estadunidense em Navegando o Mar de Vinho – Por que a Grécia
Antiga é essencial hoje
Ainda é Carnaval na política brasileira!
terça-feira, 17 de fevereiro de 2026É Carnaval!
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026Leituras diárias
“Essa tese primordial compele-nos a
supor que as diferentes formas de prática a que correspondem os diferentes
períodos ou modos de desenvolvimento sócio-psíquico determinam a formação de
processos psicológicos que se diferenciam pela sua própria estrutura, e que as
pessoas que vivem nas condições de diferentes regimes históricos diferenciam-se
não apenas pelas diferentes formas de prática e pelos diferentes conteúdos de
sua consciência, mas também pelas diferentes estruturas das formas fundamentais
da atividade consciente.
Com isso, nossa tese básica também
nos leva a presumir que as mudanças histórico-sociais significativas –
mudanças vinculadas à alteração dos regimes sócio-históricos e a transformações
culturais radicais – conduzem a mudanças radicais na estrutura dos processos
psíquicos e, em primeiro lugar, à reestruturação radical da atividade
cognitiva. Tal reestruturação implica não apenas a utilização de novos códigos
de organização da atividade cognitiva, mas também uma mudança fundamental na
correlação dos processos psíquicos com cuja ajuda essa atividade cognitiva
desencadeia a sua efetivação.”
Alexander Luria (1902-1977) psicólogo russo, pioneiro da psicologia do desenvolvimento e da neuropsicologia em A Psicologia como Ciência Histórica
Élisée Reclus
domingo, 15 de fevereiro de 2026“Dominados
pelo terror do desconhecido, bem como pela sensação de impotência na busca por
causas, os homens criaram no passado uma ou mais divindades providenciais em
seu intenso desejo, que representavam para eles, alternadamente, um ideal mais
ou menos informe e o fulcro, o eixo de todo este mundo misterioso, visível e
invisível, que os cerca. Tais fantasmas da imaginação, revestidos de
onipotência, tornaram-se aos olhos dos homens o princípio de toda justiça e
autoridade; senhores dos céus, consequentemente tinham intérpretes na terra,
magos, conselheiros, capitães, diante dos quais os homens se prostravam como se
esses seres fossem verdadeiramente emanações do alto.
Isso
era lógico; mas o homem sobrevive às suas obras, e esses deuses que ele criou não
cessaram de se transformar continuamente, como sombras projetadas no infinito.
Visíveis a princípio, impulsionados por paixões humanas, violentas e terríveis,
eles recuaram pouco a pouco para a imensidão da distância. Os deuses acabaram
se tornando abstrações, ideias sublimes que não podem ser nomeadas, até que
gradualmente passaram a ser confundidos com as próprias leis naturais do mundo e
assim retornaram ao universo material, que, segundo a lenda, haviam criado do
nada. Assim, o homem hoje se encontra sozinho na Terra, sobre a qual já havia
erguido a imagem colossal de um Deus.”
“A
crítica desrespeitosa a que o Estado é submetido é exercida igualmente contra
todas as instituições sociais. O povo não acredita, de modo algum, na origem
pura da propriedade privada, produzida, como diziam os economistas (agora não
se atrevem a repetir), unicamente pelo trabalho pessoal dos proprietários Sabe
muito bem que o trabalho individual jamais criou milhões e milhões, e que os
enriquecimentos monstruosos de nossos dias são todos consequência da falsa ordem
social, que confere a uma pessoa o direito de se apropriar do produto do
trabalho de mil outras. Esse povo respeitará o pão que o trabalhador ganhou com
o seu esforço, a cabana que construiu com as próprias mãos, a horta que
cultiva, mas certamente perderá todo o respeito pelas mil propriedades
fictícias representadas pelos papéis de todos os tipos depositados nos bancos.”
Élisée Reclus (1830-1905), geógrafo, pensador, escritor e militante anarquista francês em La Anarquia (A Anarquia)
Labels: Autores, Cultura, Jornalistas/Escritores, Política, Sociologia
O que dizem os jornalistas
sábado, 14 de fevereiro de 2026Apparício Fernando de Brinkerhoff
Torelly, também conhecido pelo falso título de nobreza de Barão
de Itararé (1895-1971), foi jornalista, escritor e pioneiro do
humorismo político brasileiro. Iniciou estudos de medicina, que mais tarde
abandona, e paralelamente começa a contribuir em jornais de seu estado, o Rio
Grande do Sul. Em 1925 muda para o Rio de Janeiro e começa a trabalhar para o
jornal O Globo. No ano seguinte passa
a escrever coluna humorística do jornal A
Manhã e ainda no mesmo ano cria seu próprio semanário, A Manha.
Durante
a Revolução de 1930, propagou-se pela imprensa
que haveria uma batalha sangrenta em Itararé,
na divisa de São Paulo com o Paraná.
Mas antes que houvesse a batalha ‘mais sangrenta da América do Sul’, fizeram
acordos. Uma junta governativa assumia o poder no Rio de Janeiro e não
aconteceu nenhum conflito. O Barão de Itararé comentaria este fato mais tarde
da seguinte maneira:
‘Foi então que resolvi conceder a mim mesmo
uma carta de nobreza. Se eu fosse esperar que alguém me reconhecesse o mérito,
não arranjava nada. Então passei a Barão de Itararé, em homenagem à batalha que
não houve.’
Na
verdade, em outubro de 1930, Apparicio se autodeclara ‘duque’ nas páginas de A Manha:
‘O Brasil é muito grande para tão poucos
duques. Nós temos o quê por aqui? O duque Amorim, que é o duque dançarino, que
dança bem mas não briga e o duque de Caxias que briga muito bem, mas não dança.
E agora eu, que brigo e danço conforme a música.'
Mas,
como ele próprio anunciara semanas depois, ‘como prova de modéstia, passei a
barão’.
Em
1934, fundou também o Jornal do Povo.
Nos dez dias em que durou, o jornal publicou em fascículos a história de João Cândido,
um dos marinheiros da Revolta da Chibata, de 1910. Em represália, o
barão foi sequestrado e espancado por oficiais da Marinha, até hoje nunca
identificados. Depois desse episódio, voltou à redação do jornal e colocou uma
placa na porta onde se lia: ‘Entre sem
bater’, mantendo o seu espírito humorístico.
O
jornal A Manha circulou até
fins de 1935, quando o Barão foi preso por ligações com o Partido Comunista Brasileiro (PCB), então
clandestino. Foi libertado em dezembro de 1936, já ostentando a volumosa barba
que cultivaria por boa parte de sua vida. Retomou o jornal por um curto
período, até que viesse nova interrupção, ao longo de todo o Estado Novo e voltando em edições
espasmódicas até 1959.
Foi
candidato em 1947 a vereador do então Distrito Federal, com o
lema ‘Mais leite! Mais água! Mas menos
água no leite’. Porém, em janeiro de 1948, os vereadores do PCB foram
cassados: ‘Um dia é da caça... os outros
da cassação’, anunciou A Manha.
No
final dos anos 1950, foi deixando o humor de lado e
passou a se interessar pela ciência, e pelo esoterismo,
estudou filosofia hermética, as pirâmides do Antigo Egito e
a astrologia,
campo no qual desenvolveu o ‘horóscopo biônico’. Faleceu, dormindo, em seu
apartamento no bairro carioca de Laranjeiras.
(Fonte do texto: adaptação de texto da Wikipedia)
Algumas
observações do Barão de Itararé:
“A criança diz o que faz, o velho diz o que fez e o idiota o que vai fazer.”
“Os homens nascem iguais, mas no dia
seguinte já são diferentes.”
“A forca é o mais desagradável dos
instrumentos de corda.”
“O tambor faz muito barulho, mas é vazio
por dentro.”
“De onde menos se espera, daí é que não
sai nada.”
“Nunca desista do seu sonho. Se acabou
numa padaria, procure em outra!”
“A moral dos políticos é como elevador:
sobe e desce. Mas em geral enguiça por falta de energia, ou então não funciona
definitivamente, deixando desesperados os infelizes que confiam nele.”
“Os bancos das praças estão sempre
ocupados por desocupados”
“Este mundo é redondo, mas está ficando
muito chato.”
“Tudo é relativo: o tempo que dura um
minuto depende de que lado da porta do banheiro você está.”
(Fonte das frases: Site Bula Revista, Acervo O Globo e Site Cliente SA)
















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