José de Alcântara Machado Oliveira

domingo, 15 de março de 2026

 

(A casa do bandeirante na cidade)

“Pouco, na verdade, os que restam desse tempo. Alheio à preocupação da beleza, o construtor não tem sequer a ânsia profundamente humana de duração. Despreza o granito, os elementos nobres. Aplica sem discernimento materiais que não suportam o clima, nem resistem ao tempo. No século XVIII se torna forçosa a reconstrução de quase todos os templos primitivos.

A pobreza da vila é de explicação facílima. Resulta da supremacia inconteste do meio rural sobre o meio urbano, supremacia que não entra a declinar senão mais tarde, com o advento do Império.”

“Na cidade o fazendeiro tem apenas a sua casa para descansar alguns dias, liquidar um ou outro negócio, assistir as festas civis ou religiosas. Um pouco. Nada mais. Só nos dias santos é que há gente na vila, e por isso mesmo são eles os escolhidos para o praceamento dos bens de órfãos.”

 

(a casa no campo) 

"Representa em suma a habitação permanente, o centro da atividade social, o solar da família. A outra, a da vila, de proporções modestas é apenas um teto destinado a abrigar o dono durante alguns dias ou semanas, e que, tirante ocasiões, permanece deserta e silenciosa, a entristecer o povoado.”

 

José de Alcântara Machado Oliveira (1875-1941), jurista, historiador, escritor, professor e político brasileiro em Vida e Morte do Bandeirante

Carmela Gross (1946-)

Conheça mais sobre a vida e obra da artista no site Carmela Gross abaixo:

https://carmelagross.com/

Leituras diárias

sábado, 14 de março de 2026

 

“Há uma série de afirmações sobre as quais os budistas podem ser descritos como céticos, como a afirmação de que existe um Ishvara (Deus pessoal). Eles não são, no entanto, céticos quanto à existência de um eu: afirmam que podemos saber que tal coisa não existe. Mas nenhum budista indiano é cético quanto a outro assunto que muitos diriam estar além das capacidades do conhecimento humano: a existência de carma e renascimento. Isso deveria, creio eu, nos fazer refletir ao considerar se algum budista endossa o tipo de ceticismo praticado pelos pirrônicos (filósofos céticos gregos do século IV AEC). Certamente Sexto Empírico veria a crença na ideologia do carma-renascimento como um obstáculo à tranquilidade (ataraxia).”

 

Mark Siderits (1946-), filósofo e professor de Filosofia do Budismo na Universidade do Havaí e Universidade de Yale em Buddhism and Scepticism (Budismo e ceticismo), organizado por Oren Hanner, filósofo e professor de Estudos sobre o Budismo na Universidade Duke

O perigo dos data centers

sexta-feira, 13 de março de 2026

(Fonte: TGR Datacenters)

Em todo planeta, países estão discutido e avaliando com bastante precaução a instalação dos data centers em seus territórios. 

Sabe-se que as promessas de criação de muitos empregos nem sempre são realizadas, e que estas instalações têm um colossal consumo de água e de eletricidade.

O atual governo brasileiro está criando uma série de facilidades para a instalação de vários data centers no país. Eldorado do Sul (RS), Maringá (PR) Rio de Janeiro (RJ) e Uberlândia (MG), deverão ter os primeiros centros instalados.

Somente estes primeiros data centers de inteligência artificial, poderão ter um consumo de energia equivalente a 16,4 milhões de casas (conforme site G1). Para se ter uma ideia, na cidade de São Paulo com cerca de 12 milhões de habitantes, o número de domicílios permanentes ocupados é de pouco mais de 4 milhões (conforme AI Overview).

Apesar do impacto ambiental e da pouca geração de empregos, projeto recentemente aprovado pelo Congresso isenta os data centers de impostos durante cinco anos. 

Valerá a pena facilitar tanto a vinda destes data centers ao país? Veja todos os aspectos desta situação nos links abaixo:

https://idec.org.br/dicas-e-direitos/data-centers-no-brasil-meio-ambiente-ia


https://idec.org.br/publicacao/nao-somos-quintal-de-data-centers


https://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2025/10/16/se-tiver-um-apagao-todos-serao-afetados-presidente-da-anatel-alerta-para-risco-de-concentracao-de-data-centers-no-brasil.ghtml

Tá difícil!

quinta-feira, 12 de março de 2026

(Fonte: A Terra e redonda /JotaCamelo)

Sinfonia em Re - Marconi Notaro

 Música brasileira


Marconi Notaro

Álbum: No Reino dos Metazoários (1973)

Música: Sinfonia em Re




https://www.youtube.com/watch?v=KdixOBZboeY&list=PLm7VTe8bokHGJqTll5KNi5l4Me2_AXQSQ&index=9


Marconi Notaro (1949-2000) foi um poeta e músico brasileiro.

Como poeta escreveu sete livros. Como músico, foi um representante da cena musical psicodélica recifense da década de 1970, junto com Ave SangriaFlaviolaZé RamalhoLula CôrtesLailsonRobertinho de Recife e outros. Seu trabalho mais conhecido é o álbum No Sub Reino dos Metazoários, de 1973.


(Fonte do texto: Wikipedia)

Salários baixos

quarta-feira, 11 de março de 2026

(Fonte: Facebook/ Ranking dos Políticos - Dados de 2025)

Allan Sieber

(Fonte: Allan Sieber/Revista Piauí)

Miguel de Unamuno

terça-feira, 10 de março de 2026

 

“É um princípio de continuidade no tempo. Sem entrar em discussão — uma discussão ociosa — se sou ou não sou o mesmo que era há vinte anos, é indiscutível, parece-me, o fato de que aquele que sou hoje provém, por uma série contínua de estados de consciência, daquele que eu era em meu corpo há vinte anos. A memória é a base da personalidade individual, assim como a tradição é a base da personalidade coletiva de um povo.

Mais de uma vez foi dito que todo homem infeliz prefere ser quem ele é, mesmo com suas desgraças, a ser outro sem elas. E é que os homens infelizes, quando mantêm a sanidade em sua desgraça, ou seja, quando se esforçam para perseverar em seu ser, preferem a desgraça à não existência. Posso dizer sobre mim que, quando era jovem, e mesmo quando era criança, as pinturas patéticas do inferno não me comoviam, pois desde então nada me parecia tão horrível quanto o próprio nada. Era uma fome furiosa de ser, um apetite de divindade, como nosso asceta disse.” 

“E toda essa batalha trágica do homem para se salvar, esse desejo imortal de imortalidade que fez o homem Kant dar aquele salto imortal do qual eu falava, tudo isso não passa de uma batalha pela consciência. Se a consciência não é, como disse algum pensador desumano, nada mais do que um relâmpago entre duas eternidades de trevas, então não há nada mais execrável do que a existência.” 

“Fiquemos agora com essa suspeita veemente de que o desejo de não morrer, a fome de imortalidade pessoal, o esforço pelo qual tendemos a persistir indefinidamente em nosso próprio ser e que é, segundo o trágico judeu (o filósofo Espinosa), nossa própria essência, é a base afetiva de todo conhecimento e o ponto de partida íntimo e pessoal de toda filosofia humana, forjada por um homem e para os homens. E veremos como a solução desse problema íntimo afetivo, solução que pode ser a renúncia desesperada de resolvê-lo, é a que colore todo o resto da filosofia. Até mesmo sob o chamado problema do conhecimento não há senão esse afeto humano, assim como sob a busca da causa não há senão a busca do para quê, da finalidade. Todo o resto é enganar-se ou querer enganar os outros. E querer enganar os outros para enganar a si mesmo. E esse ponto de partida pessoal e afetivo de toda filosofia e de toda religião é o sentimento trágico da vida.” 

 

Miguel de Unamuno (1863-1936), filósofo, ensaísta, escritor e poeta espanhol em O Sentimento Trágico da Vida

Nosso Deus

segunda-feira, 9 de março de 2026

(Fonte: Blog E Viva a Farofa!)

Essa não poderia faltar

 

Rory Gallagher

Just The Smile (1971)

https://www.youtube.com/watch?v=XcK7xSj6n9E&list=PLdgFk-dTMiRgRBNY5Oi7a5ZzTZqJdtZSs&index=2

Banco Master: e agora?

domingo, 8 de março de 2026

(Fonte: Correio Brasiliense/Blog da Denise/Gomez)

Leituras diárias


 

“Müller trocou correspondências com Darwin por 17 anos, no período de 1865 a 1882. A título de curiosidade vale lembrar que a primeira carta foi escrita por Darwin e enviada ao naturalista alemão após a leitura de seu livro. Se Müller tivesse escrito a Darwin depois da leitura de Origin (Origin of species – Origem das espécies de Darwin), ocorrida no ano de 1861, com certeza haveria mais epístolas disponíveis. Zillig (1997) traduziu as cartas entre os dois naturalistas para o português. Durante o processo de tradução, ele encontrou 39 cartas de Darwin a Müller e 34 de Müller a Darwin. Dentre os assuntos discutidos pelos naturalistas, nota-se que Darwin encomendava ao amigo residente no Brasil muitas pesquisas sobre assuntos impossíveis de se pesquisar na Europa. Exemplos são os tucanos, as orquídeas e as bromélias. A influência dos estudos de Müller sobre Darwin ainda é um assunto que carece de mais pesquisas na historiografia. Porém, nas edições posteriores de Origin corrigidas pelo autor, o nome de Müller é citado mais de 17 vezes (ZILLIG, 1997, p. 2). 

A amizade e a troca de informações científicas fizeram com que Darwin apelidasse Müller de ‘Príncipe dos observadores’ (CASTRO, 2007, p. 86) devido às observações minuciosas da natureza realizadas pelo naturalista. Aqui é importante ressaltar que, diferentemente dos naturalistas europeus, que possuíam à disposição os mais recentes equipamentos técnicos para suas pesquisas, todas as investigações de Müller feitas em Santa Catarina foram executadas com pouco equipamento. O equipamento mais luxuoso e tecnológico utilizando por Müller foi um microscópio simples enviado pelo amigo Schultze, da Alemanha. 

Os hábitos peculiares de Müller (andar descalço) só fomentaram os boatos na época. Vale ressaltar que a bisneta de Müller, Tula Mayer, concedeu uma entrevista para o documentário Fritz (2009). No depoimento, ela afirma que o seu pai, quando viu a estátua erguida na cidade de Blumenau em homenagem a Fritz Müller, exclamou: ‘Este não é o meu avô! Ele nunca andou calçado! Gustav Stutzer, pastor alemão residente em Blumenau em 1886, também descreve Müller em seu livro de memórias, publicado na Alemanha em 1928. A figura de Müller era tão exótica e singular que foi descrita da seguinte forma: ‘Logo depois da nossa chegada, notei um senhor que toda manhã, às nove horas, a passos lentos e largos, cruzava o centro da cidade. Não olhava nem para a direita e nem para a esquerda, e não respondia aos cumprimentos dos passantes. Sua aparência era tão estranha quanto ao seu comportamento. Descalço, ou de sandálias, magro e alto, vestia calças brancas de sarja, amarradas na cintura com um cinto preto, onde trazia pendurado um facão. Uma comprida bengala acompanhava seus passos lentos. Toda a figura dava a impressão de um autômato. No entanto, a lata coletora verde que levava nas coisas fazia saber que se tratava de um colecionador. Era sem dúvida uma figura muito original.’ (CASTRO, 2007, p. 126).” 

  

Flavia Pacheco Alves de Souza, doutora em Biologia e professora na Universidade Federal do ABC em Notas de um naturalista do sul do Brasil: Fritz Müller: história da ciência e contribuições para a biologia

João Manuel Cardoso de Mello (1942-)

sábado, 7 de março de 2026


Veja palestra do professor João Manuel Cardoso de Mello, um dos mais destacados economistas brasileiros. 

A palestra, proferida há oito anos, faz uma análise do desenvolvimento da economia e da sociedade brasileira nas últimas décadas e, por isso, permanece atual para entendermos o desenvolvimento da história recente do país. 

A apresentação Do "milagre econômico" à estagnação: as raízes da inequalidade no Brasil foi organizada pelo Instituto de Economia da Unicamp.

https://www.youtube.com/watch?v=rNS8NaTuzWE

Jornalismo isento?

(Fonte: Site A Terra e Redonda/ Maringoni)

Ler

(Batman)
 Não perca tempo na vida! Leia!

A frase do dia

sexta-feira, 6 de março de 2026

Há sempre mais miséria entre as classes mais baixas do que humanidade nas mais altas.”

 

Victor Hugo (1802-1885), romancista, poeta, dramaturgo, ensaísta e ativista político francês em Os Miseráveis

Quem lucra com os altíssimos juros cobrados no Brasil?

(Fonte: Sindicato dos Bancários de Santos) 

A taxa de juros no Brasil (Selic 15%) é a segunda maior do mundo. Apesar da inflação controlada e do crescimento da economia, os juros fixados pelo Banco Central são absurdos.

Diminuem os investimentos produtivos, o consumo das famílias, reduzem o crescimento da economia e a arrecadação de impostos pelo Estado.  

Mas, a quem interessam os juros escorchantes fixados no país? Quem ganha muito e quem perde quase tudo? Veja no vídeo abaixo do canal Opera Mundi, entrevistando o professor e consultor internacional Ladislau Dowbor:

https://www.youtube.com/watch?v=64ItCVgDDBI

A ordem do novo mundo

quinta-feira, 5 de março de 2026

(Tom Janssen/Cagle Cartoons)

Antonio Kuschnir (2001-)


Conheça mais sobre a vida e obra do artista no Revista Amarelo abaixo:

https://amarello.com.br/2022/07/arte/amarello-visita-antonio-kuschnir/

Essa não poderia faltar

 

Beggars Opera

Time Machine (1971)

https://www.youtube.com/watch?v=AO_RY0fEPSM&list=RDAO_RY0fEPSM&start_radio=1

Andre Dahmer

quarta-feira, 4 de março de 2026


                                                                       (Fonte: Andre Dahmer/Folha de São Paulo) 

Leituras diárias


“Soube, hoje, da morte de Miguel Torga, em Coimbra, aos oitenta e sete anos. Nunca vi Torga. Fui a Coimbra e pude ver a placa singela, Adolfo Rocha. Ele era otorrinolaringologista. Não bati. Não lhe falei. Tinha fama de ser esquivo, reservado.

Nunca o vi. Mas a confraria literária tem esse privilégio de uma união profunda, uma comunhão, que nos emociona e está para além do espaço e tempo. Sentimo-nos, sim, unidos. Unidos na literatura, no amor da literatura.

Ele escreveu Requiem por mim. Agora, tenho vontade de escrever o meu Requiem por mim, em memória dele. A meditação da morte nos dilata. Ela nos liberta de nós mesmos, perecíveis.

A morte não me assusta, não me espanta. Creio que convivo bem com a morte. A morte é fraternal. A morte é nossa amiga íntima. Ela convive conosco. Vai indo conosco, ao mais profundo de nós, como uma companheira cotidiana, amável. (...)”  


Antonio Carlos Villaça (1928-2005), escritor, jornalista, tradutor e conferencista em Os Saltimbancos da Porciúncula. Villaça é um dos mais importantes memorialistas brasileiros, ao lado de Pedro Nava e Gilberto Amado.

"Vamos libertar o Irã da barbárie!"

terça-feira, 3 de março de 2026

(Fonte: swaha cartoons/ Twitter)

Noam Chomsky

 

“A solidariedade é algo muito perigoso. Do ponto de vista dos senhores da humanidade, você só deve cuidar de si mesmo e não dos outros. É uma visão muito diferente daquela das pessoas que eles alegam considerar seus heróis, como (o filósofo e economista pioneiro do liberalismo econômico) Adam Smith, que baseou todo o seu enfoque à economia no princípio de que a simpatia é um traço fundamental da personalidade humana, mas, para os nossos senhores, isso tem que ser extirpado de nossas cabeças. Você tem que se preocupar apenas consigo mesmo e seguir a máxima vil — ‘não se importar com os outros’ —, atitude normal para os ricos e poderosos, mas devastadora para todo o restante da humanidade. Tem sido necessário muito esforço para apagar esse tipo de sentimento da cabeça das pessoas. 

Vemos isso na elaboração de políticas públicas — por exemplo, no ataque contra a Previdência Social. Tem-se falado muito na crise da Previdência Social, mas ela simplesmente não existe. A Previdência está em muito boa situação — tão boa quanto sempre esteve. O sistema de Previdência Social é uma instituição muito eficiente e não tem custo administrativo quase nenhum. E, embora exista a possibilidade de uma crise daqui a algumas décadas, dispomos de uma maneira fácil de vencê-la. No entanto, debates em torno de políticas públicas se concentram nela sobretudo porque os senhores não querem que exista — eles sempre a odiaram, pois ela beneficia o povo de uma forma geral. Contudo, existe outro motivo que os faz odiá-la. A Previdência Social se baseia em um princípio. É baseada no princípio de solidariedade. 

Solidariedade: interesse e cuidado para com os outros. Previdência Social significa o seguinte: ‘Eu pago encargos sociais para que a viúva do outro lado da cidade tenha algo com que possa sobreviver.’ No que se refere à maior parte da população, é assim que funciona. Como a Previdência não tem nenhuma utilidade para os muito ricos, existe então um plano sistemático para destruí-la. Uma das possíveis formas para se fazer isso é cortar verbas destinadas a ela. Ora, você quer destruir um sistema? A primeira coisa a fazer é cortar suas verbas. Feito isso, não funcionará mais. As pessoas ficarão revoltadas e depois vão querer outra coisa que a substitua. É uma técnica padrão, a que se costuma recorrer para se conseguir a privatização de um determinado sistema.” (Chomsky, págs. 75 e 76).

“E isso acontece bem diante de nossos olhos. Vejam, por exemplo, os Estados Unidos — aqui, martelam na cabeça da maior parte da população o princípio de que ela tem de ‘deixar o mercado comandar os rumos da economia’. Portanto, que as autoridades tratem de cortar o número de benefícios sociais, de reduzir a previdência social ou acabar com ela de uma vez, de diminuir ainda mais o limitado serviço de saúde pública, enfim, deixem o livre mercado comandar tudo. Mas não para os ricos. Para estes, o Estado deve ser uma entidade poderosa, sempre pronta para intervir e resgatá-los sempre que se meterem em apuros financeiros. 

Tomemos o exemplo de Reagan, um ícone do neoliberalismo, do livre mercado entre outras coisas. Ele foi o presidente mais protecionista na história do pós-guerra americano, tendo dobrado as barreiras de importação, na tentativa de proteger os incompetentes dirigentes americanos da superioridade dos produtos japoneses. Assim, mais uma vez, ele socorreu bancos, em vez de deixá-los arcar com seus custos. Na verdade a economia americana cresceu durante o governo Reagan, tornando-se um ícone do neoliberalismo. Devo acrescentar que seu programa ‘Guerra nas Estrelas’ foi abertamente propagandeado no mundo dos negócios como um incentivo do governo, como uma espécie de profícua vaca-leiteira em cujas tetas eles podiam mamar. Mas isso era apenas para os ricos. Já no caso dos pobres, que deixassem que os princípios do livre mercado conduzissem os rumos da economia e que não esperassem nenhum auxílio do governo.” (Chomsky, págs. 99 e 100).

 

Noam Chomsky (1926-), linguista, filósofo, sociólogo, cientista cognitivo e ativista político estadunidense em Réquiem para o sonho americano: Os dez princípios de concentração de renda e poder

Outras leituras

segunda-feira, 2 de março de 2026


 

“A mineração exigiu intercâmbio com as Capitanias do norte e do sul, no primeiro momento de integração nacional. A área devia importar gêneros alimentícios, artigos elaborados. O ouro provocou a mudança da capital de Salvador para o Rio de Janeiro, em 1763. Criou uma consciência nacional, traduzida em rebeliões contra o poder português ou em um movimento artístico fecundo. A riqueza pouco ficava em Minas ou no Brasil; nem mesmo em Portugal, pois ouro e diamante só passavam por Lisboa, indo para os Países Baixos — aí se fazia a lapidação dos diamantes, ou para a Inglaterra, em pagamento das inúmeras e dispensáveis importações. Como antes com as especiarias e com o açúcar, o português perdia outra oportunidade. Em obras suntuárias e não reprodutivas, na desorganização de um governo pouco lúcido para o econômico, esvaía-se a riqueza. 

Lembre-se, a propósito, o célebre Tratado de Methuen, em 1703 — quando começa a aparecer o Ouro —, entre Portugal e Inglaterra. Em termos simples, Portugal compromete-se 'para sempre' a importar tecidos ingleses, enquanto a Inglaterra compromete-se a importar vinhos portugueses. É outro momento marcante das relações entre os dois países, vindo de longe e marcado pela desigualdade de tratamento, com a submissão portuguesa. O assunto já foi muito estudado, aparecendo mesmo em clássicos como Montesquieu e Adam Smith.” 

“É geral a impressão de desenvolvimento. Multiplicam-se as iniciativas, não mais, como na regência de D. João, sob o signo oficial, mas pelo investimento privado. As chamadas fábricas nacionais encontram-se no Rio e nas províncias, para tecidos, chapéus, sapatos, couros, vidros, rapé, cerveja, sabão. A contar de 1860, realizam-se exposições industriais — fato significativo, apesar da modéstia do que se exibe e sua falta de repercussão. O país parecia maduro, consolidado — os indivíduos agiam, respirava-se confiança. Constroem-se ferrovias e instala-se o telégrafo, em busca da integração nacional. Aparece o que o ministro da Agricultura Manuel Buarque de Macedo, em 1880, chama ‘a nobre impaciência do amor do progresso’. Em parte dos dirigentes nacionais desenvolve-se o gosto pelas inovações, com o abandono da rotina, em nome de ideias novas, realizações materiais condutoras ao enriquecimento. É a modernização para um Brasil rico, livre, realizador, como a Grã-Bretanha, os Estados Unidos. 

É a ‘era Mauá’. Irineu Evangelista de Souza — Barão e depois Visconde de Mauá — domina a década com trabalhos de industrial ousado, banqueiro, construtor de ferrovias, empresário de navegação, introdutor de inovações tecnológicas, político, diplomata. Sua ação estende-se por todo o Brasil e mesmo áreas vizinhas, como o Uruguai, sem falar em participações bancárias, como as de Montevidéu, Buenos Aires, Nova Iorque, Paris, Londres, Manchester. É o melhor símbolo da euforia de então, quando o país parece despertar do torpor e se lança à aventura econômica e financeira, como se fosse a Grã-Bretanha ou os Estados Unidos. Mauá tem os traços do grande empresário, aquele que se joga no negócio com crença, entusiasmo, domínio da situação, vencedor. É raro no Brasil, de ontem ou de hoje, essa figura que marca com traço forte a história do capitalismo, essa psicologia do pioneiro que é criação de um sistema.”

 

Francisco Iglesias (1923-1999), economista e historiador brasileiro em A Industrialização Brasileira (1985)

A Marcha - Antonio Adolfo

domingo, 1 de março de 2026

 Música brasileira


Antonio Adolfo

Álbum: Viralata (1979)

Música: A Marcha




https://www.youtube.com/watch?v=BLfgvqK-3s0&list=RDBLfgvqK-3s0&start_radio=1


Antonio Adolfo Maurity Sabóia (1947-) é um pianistatecladista e compositor brasileiro. Filho de uma violinista da Orquestra do Teatro Municipal do Rio, carioca de Santa Teresa, aos 16 anos, como pianista, já pertencia ao fechado clube da Bossa Nova.

Começou a estudar música na infância, e no início dos anos 60 passou a frequentar os ambientes cariocas onde se tocava jazz e bossa nova. Em 1964 montou o Trio 3-D para encenar o musical "Pobre Menina Rica", de Vinicius de Moraes e Carlos Lyra. Participou como compositor dos festivais de música popular, obtendo sucesso com "Sá Marina" em 1968 e no ano seguinte com "Juliana" (parceria com Tibério Gaspar), interpretada pelo conjunto A Brazuca, do qual fazia parte.

Em 1969, sua carreira é impulsionada por Maysa, com quem trabalhou em parte dos arranjos do seu LP intitulado simplesmente Maysa. Em 1970 vence a Fase Nacional do V Festival Internacional da Canção, com a música BR-3 interpretada por Tony Tornado, composta em parceria com Tibério Gaspar. Trata-se de uma canção soul nos moldes de James Brown. Acompanhou Elis Regina em turnê à Europa um pouco depois, e nos anos 70 esteve nos Estados Unidos tocando e estudando, influenciado principalmente pela linguagem do jazz.

Em 2016, foi indicado ao Grammy Latino de Melhor Álbum de Jazz Latino por seu álbum Tropical Infinito. No ano seguinte, foi indicado novamente na mesma categoria, desta vez pelo álbum Hybrido/From Rio to Wayne Shorter. Em 2021, recebeu sua terceira indicação na categoria, desta vez pelo álbum Bruma: Celebrating Milton Nascimento, que foi indicado ainda na categoria de Melhor Engenharia.

 

(Fonte do texto: Wikipedia)

A família real no Brasil

sábado, 28 de fevereiro de 2026

“Se a beleza do cenário geográfico da cidade encantava a maioria da corte portuguesa que desembarcava no porto do Rio, os primeiros dias mostrariam a precariedade da estrutura da nova capital. ‘Numa pequena área espremida entre a praia e a montanha, formada por escassas ruas paralelas e mais algumas transversais, rodeadas por matas e logradouros desertos, mais de dez mil pessoas foram alojadas às pressas, com a chegada da Família Real, transformando a pequena cidade dos vice-reis em capital do império português na América’, descreve a historiadora Leila Mezan Algranti (1988:26). 

Para acomodar os acompanhantes da corte, o conde dos Arcos instituiu o sistema de aposentadorias que, na prática, requisitava as casas dos moradores locais para aconchego da nobreza. Na porta de muitas casas foram pregadas as letras PR – Príncipe Regente –, interpretadas pela população como Ponha-se na Rua. ‘O afluxo de uma grande quantidade de pessoas agravou os problemas urbanos. Além da falta de moradia, havia carência no abastecimento de água, saneamento, segurança pública’, descreve o historiador Paulo de Assunção (2008:88). Essa situação causou um enorme rebuliço tanto para a população que ficava desabrigada, quanto para a nobreza portuguesa que considerava as moradias desconfortáveis, mal construídas e sem o luxo das suas residências em Lisboa. Já a população mais pobre ficou marginalizada à região norte da cidade, circunscritas aos bairros de Catumbi e Mata-Porcos. Nesse espaço, as habitações se restringiam a choças aglomeradas entre os morros e o mar, o que já marcava a profunda desigualdade social no especo geográfico (Lima, 2000:106).” 

“O contato cada vez maior com a cultura europeia também estimulava um novo hábito na Corte: difundia-se o costume de almoçar fora de casa, nas denominadas casas de pasto, que serviam diariamente diferentes cardápios pré-estabelecidos com preços também já previamente fixados pelo comerciante. Tais mudanças na prática incentivam a procura por cozinheiros, um ofício bem remunerado. Em 1808, ‘um cozinheiro que soubesse trabalhar de caçarolas e massas ganharia por mês 14 $000 réis, mais do que muitos letrados obtinham em suas aulas’, elucida a historiadora Maria Beatriz Nizza da Silva (2007:35). A sobremesa teve seu espaço garantido. Em julho de 1813, Vicente Ferreira, o ilustre chocolateiro da princesa Carlota Joaquina, abria uma fábrica de chocolate na rua do Ouvidor, n.28. Para além da venda de todas as qualidades de chocolate, a loja vendia ainda extratos de manteiga de cacau para a produção de outros doces (Gazeta do Rio de Janeiro, 1813, N 58). A diversidade e a quantidade dos gêneros que foram importados nos Reinos de Portugal e Brasil durante 1816 foram tema de destaque da folha oficial, tamanha era a preponderância do comércio interatlântico de alimentos dentro dos limites do Império Português.”

 

Juliana Gesuelli Meirelles, doutora em história política pela UNICAMP e professora brasileira em A família real no Brasil: política e cotidiano (1808-1821)

O que eles pensam

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026


Tecnofeudalismo 

“Quando Yanis Varoufakis descreve o que estamos vivenciando como tecnofeudalismo – ou seja, alta tecnologia, mas formas feudais de apropriação de riqueza sem uma contrapartida produtiva, ele pinta um quadro realista. A transformação torna-se muito clara quando percebemos que a maior parte da riqueza no topo da pirâmide social não resulta de iniciativa produtiva, mas sim de dividendos e fortunas herdadas. Estamos muito próximos da aristocracia que herdava feudos pelo 'mérito' do sangue familiar. As análises de Sandel sobre o absurdo de considerar fortunas como 'mérito' são perfeitamente realistas. Essa aristocracia rentista se beneficia igualmente do sistema de relações herdado das universidades de elite, da interação social e das várias formas de fratura social que nos afastam da simplificação de que nossa condição econômica depende de nossos esforços.”

 

Ladislau Dowbor (1941-), economista e professor brasileiro de origem polonesa. Trecho do artigo Assim os rentistas dissolvem a democracia, publicado no jornal eletrônico Outras Palavras em 23/01/26

Essa não poderia faltar

 

King Crimson

Fracture (1974)

https://www.youtube.com/watch?v=ZaD7gk7BTwU&list=RDZaD7gk7BTwU&start_radio=1


(Pra quem conhece e gosta de rock progressivo)

Frases de Meio Ambiente

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

 

“A criatura que vence o seu ambiente acaba por se destruir.”

 

Gregory Bateson (1904-1980), antropólogo, sociólogo e semiólogo inglês citado por AZQuotes

Carlos Bracher (1940-)

Conheça mais sobre a vida e obra do artista no site Guia das Artes abaixo:

https://www.guiadasartes.com.br/carlos-bracher/obras-principais

Todo ano a história se repete

(Fonte: Blog do AFTM/Gazo)

Outras leituras

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

 

“É apropriado reconhecer que a linguagem é, em grande parte, um acidente histórico. As línguas humanas básicas são tradicionalmente transmitidas a nós em várias formas, mas sua própria multiplicidade prova que não há nada de absoluto e necessário nelas. Assim como línguas como o grego ou o sânscrito são fatos históricos e não necessidades lógicas absolutas, é razoável supor que a lógica e a matemática sejam formas de expressão igualmente históricas e acidentais. Elas podem ter variantes essenciais, ou seja, podem existir em outras formas além daquelas às quais estamos acostumados. De fato, a natureza do sistema nervoso central e dos sistemas de mensagens que ele transmite indicam positivamente que isso é assim.

Agora acumulamos evidências suficientes para ver que, qualquer que seja a linguagem que o sistema nervoso central esteja usando, ela é caracterizada por menos profundidade lógica e aritmética do que aquela a que estamos normalmente acostumados. O seguinte é um exemplo óbvio disso: a retina do olho humano realiza uma reorganização considerável da imagem visual percebida pelo olho. Ora, essa reorganização é efetuada na retina, ou para ser mais preciso, no ponto de entrada do nervo óptico, por meio de apenas três sinapses sucessivas, ou seja, em termos de três etapas lógicas consecutivas. O caráter estatístico do sistema de mensagens usado na aritmética do sistema nervoso central e sua baixa precisão também indicam que a degeneração da precisão, descrita anteriormente, não pode ir muito longe nos sistemas de mensagens envolvidos.

Consequentemente, existem aqui estruturas lógicas diferentes daquelas com as quais estamos normalmente acostumados em lógica e matemática. Elas são, como apontado anteriormente, caracterizadas por menos profundidade lógica e aritmética do que estamos acostumados em circunstâncias semelhantes. Assim, a lógica e a matemática no sistema nervoso central, quando vistas como linguagens, devem ser estruturalmente essencialmente diferentes daquelas linguagens às quais nossa experiência comum se refere.”

 

John von Neumann (1903-1957), matemático, físico, engenheiro húngaro-estadunidense e um dos cientistas da computação precursores da moderna informática. Desenvolveu o conceito moderno do computador. Trecho de sua palestra (livro) O Computador e o Cérebro (The Computer and The Brain)

Toni D'Agostinho

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

 (Fonte: Toni D'Agostinho/A Caricatura)

A luta dos indígenas contra a privatização do rio Tapajós

(Fonte: ANDES)

Projeto de Lei do governo "popular" do PT prevê a dragagem e a privatização das águas do Rio Tapajós para transporte de grãos para exportação. 

A iniciativa terá forte impacto ambiental e social na região, afetando povos indígenas que há milênios habitam o local.

Leia abaixo artigo do jornalista Raúl Zibechi, publicado no jornal IHU Online em 23/02/26:

Fim da escala 6X1: querem nos enganar!

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026


Empresários farão campanha dizendo que fim da escala 6X1 trará mais gastos para empresas (leia-se menos lucros). 

Veja o que realmente acontece, no vídeo do professor José Kobori abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=adjkXrAgrIA