“A natureza é ordenada. O que parece caótico na natureza é apenas um
tipo de ordem mais complexo.”
Gary Snyder (1930-), poeta, ensaísta, linguista e antropólogo estadunidense, citado por Goodreads
Qui addit scientiam, addit et leborem (Eclesiastes 1:18)
“A natureza é ordenada. O que parece caótico na natureza é apenas um
tipo de ordem mais complexo.”
Gary Snyder (1930-), poeta, ensaísta, linguista e antropólogo estadunidense, citado por Goodreads
Música brasileira
Sá, Rodrix & Guarabira
Música: Blue Riviera
Álbum: Terra (1973)
https://www.youtube.com/watch?v=aq1LghBRl5Y&list=PLBEzm76YUYg7z8r5o4frty48HKWf5JMGU&index=4
Sá,
Rodrix & Guarabyra foi um trio musical brasileiro formado
por Luiz Carlos
Sá, Zé Rodrix e Guttemberg Guarabyra. Surgiu em 1971.
Se notabilizou pela criação do chamado “rock rural”, em
que se mesclavam diversas influências musicais, do rock à música sertaneja. Em 1973, Zé Rodrix se
desligou do trio, que passou a ser um duo (Sá e
Guarabyra). Em 1999, Zé Rodrix reuniu-se novamente ao duo,
permanecendo até sua morte, em 2009.
(Fonte do texto: Wikipedia)
Flávio
promete, caso eleito, "nomear imediatamente um negociador para conduzir as
negociações de boa-fé" e indica ações do seu governo para resolver as
acusações de comércio desleal contra o Brasil.
Entre as medidas prometidas estão não
conectar o Pix a meios de pagamento instantâneos internacionais não ocidentais,
desonerar o setor de cartões de crédito (beneficiando grandes empresas
americanas) e buscar acordos bilaterais de comércio com os EUA, libertando o
Brasil das "amarras do Mercosul".
Ele
também diz que, caso a atual oposição ganhe mais cadeiras no Senado em outubro,
será possível cassar ministros do
Supremo Tribunal Federal (STF) que têm tomado decisões contra plataformas
americanas de redes sociais, uma das questões que irritam a gestão Trump —
e que o campo bolsonarista chama de censura.
(Fonte: BBC Brasil em 03/07/26)
“Nietzsche não quer redenção. A alegria do devir é a alegria da
aniquilação. Mas só o indivíduo é destroçado. O movimento de revolta, no qual o
homem reivindica o seu próprio ser, desaparece na submissão absoluta do
indivíduo ao devir. O amor fati substitui o que era um odium
fati. ‘Todo indivíduo colabora com todo o ser cósmico, quer saiba ou não
disso, quer queira ou não.’ O indivíduo perde-se, assim, no destino da espécie
e no eterno movimento dos mundos. ‘Tudo o que foi é eterno, o mar devolve-o à beira da praia.’”
“A
insurreição humana, em suas formas elevadas e trágicas, não é nem pode ser
senão um longo protesto contra a morte, uma acusação veemente a esta condição
regida pela pena de morte generalizada. Em todos os casos que encontramos, o
protesto dirige-se sempre a tudo aquilo que, na criação, é dissonância,
opacidade, solução de continuidade. Trata-se portanto, no essencial, de uma
interminável exigência de unidade. A recusa da morte, o desejo de duração e de
transparência são as molas de todas essas loucura sublimes e pueris. Trata-se
somente da recusa covarde e pessoal de morrer? Não, porque muitos destes
rebeldes pagaram o preço necessário para ficar à altura de suas exigências. O
revoltado não exige vida, mas razões de vida. Ele rejeita as consequências que
a morte traz. Se nada perdura, nada se justifica, aquilo que morre fica privado
de sentido. Lutar contra a morte equivale a reinvindicar o sentido da vida, a
lutar pela ordem e pela unidade.”
“Já se disse que o mundo de Proust era um mundo sem deus. Se isto for verdade, não é porque ele nunca fala em Deus, mas porque este mundo tem ambição de ser uma perfeição completa e de dar à eternidade o semblante do homem. O Tempo reencontrado, pelo menos em sua ambição, é a eternidade sem deus. A obra de Proust, a esse respeito, surge como um dos empreendimentos mais ambiciosos e mais significativos do homem diante de sua condição mortal. Ele demonstrou que a arte do romance refaz a própria criação, tal como ela nos é imposta e tal como é recusada. Pelo menos sob um de seus aspectos, esta arte consiste em preferir a criatura ao criador. No entanto, com maior perspicácia, ela alia-se à beleza do mundo ou dos seres humanos contra as forças da morte e do esquecimento. É desta forma que a revolta é criadora.”
Albert Camus (1913-1960), filósofo, escritor, ensaísta, dramaturgo e jornalista franco-argelino em O Homem Revoltado (1951)
Veja entrevista dada pela monja à equipe do jornal O Estado de São Paulo em agosto de 2024:
José
E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?
Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?
E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio — e agora?
Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!
Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?
Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), poeta, cronista e contista
brasileiro em José, publicado em Poesias, 1942
Nacos
de Nuvem
No céu flutuavam trapos
de nuvem – quatro farrapos:
do primeiro ao terceiro –
gente;
o quarto – um camelo
errante.
A ele, levado pelo instinto,
pé, se desgarra um elefante.
Um sexto salta – parece.
Susto: o grupo desaparece.
E em seu rasto agora se
estafa
o sol – amarela girafa
1917-1918
(Tradução
de Augusto Campos)
Vladímir Maiakóvski (1893-1930), poeta e agitador cultural russo,
citado em Poesia Russa Moderna, organizado
por Augusto de Campos (1931-), Haroldo de Campos (1929-2003) e Boris Schnaiderman (1917-2016).
“A
manipulação consciente e inteligente dos hábitos e opiniões organizados das
massas é um elemento importante na sociedade democrática. Aqueles que manipulam
esse mecanismo invisível da sociedade constituem um governo invisível, que é o
verdadeiro poder dominante do nosso país. Somos governados, nossas mentes são
moldadas, nossos gostos são formados e nossas ideias são sugeridas, em grande
parte, por homens de quem nunca ouvimos falar... São eles que puxam os fios que
controlam a mente pública.”
Edward Bernays (1891-1995), pioneiro das relações públicas e propaganda em seu livro Propaganda
Esta
é certamente, guardadas as proporções, a mais confusa fase pré-eleitoral desde
a redemocratização do país, em 1985. O alvoroço é provocado pelo grande número
de personagens que através das mídias sociais digitais opinam, debatem e atacam
adversários no ambiente político que antecede as eleições, além das intervenções da justiça eleitoral e do Superior Tribunal Federal (STF). O efeito que no passado as mídias
convencionais – televisão, jornais e o rádio – tinham sobre a opinião pública,
foi ampliado exponencialmente pela comunicação digital. Praticamente 90% da
população brasileira possui telefone celular, instrumento que em muitos grupos
das plataformas digitais de comunicação, como Facebook ou WhatsApp, funciona como difusor de informações verdadeiras, boatos e
fake news.
As mídias
sociais vivem de notícias, verdadeiras ou falsas, cuja principal função na
ótica das plataformas digitais das big techs como Alphabet (Google), Meta (Facebook, Whatsapp,
Instagram), Microsoft (Linkedin), ByteDance (Tik Tok), etc., é gerar reações, likes. Via de regra, as plataformas não
têm qualquer preocupação quanto à veracidade ou não do que é veiculado pela
mídias sociais. Estas, efetivamente, são utilizadas como instrumentos de coleta
de informações sobre seus usuários. As “curtidas” funcionam como meio para identificar
opiniões, preferências, objetivos, receios, expectativas, etc., dos diversos usuários das comunidades virtuais. O clima pré-eleitoral brasileiro aumentou muito o número de interações e consultas nestas redes. Segundo o instituto de pesquisa Genial/Quest, as mídias sociais se tornaram fonte principal de consulta política para 39% dos eleitores.
Este
imenso volume de informações diversificadas é organizado através do sistema big data: é armazenado (data lakes),
processado e transformado em dados através do data mining e inteligência artificial (IA). Ferramentas essenciais
em todo este processo são a IA, no processamento e seleção do grande número de
informações, e os datacenters para
armazená-los. Estes dados, por sua vez, são adquiridos por empresas, partidos
políticos, órgãos do governo, institutos de pesquisa, universidades, etc.; organizações
ou entidades que procuram potenciais consumidores, eleitores, cidadãos em geral
com determinado perfil, interesses e necessidades.
As
informações, os dados adquiridos sobre os usuários das mídias sociais, são utilizados
como base para o desenvolvimento de novos produtos e serviços, direcionados
para um público consumidor cujos grupos já estão identificados e cujas preferências e
expectativas se conhece em vários aspectos. Definido o perfil aproximado
de certo grupo, a propaganda, com estratégias psicológicas e emocionais, pode
criar expectativas, desejos e necessidades – antes inexistentes – para interessar o potencial consumidor para certo produto ou serviço. Este é apenas um exemplo simples da utilização da IA
para influenciar grupos sociais. Mas ainda há várias outras aplicações da tecnologia, incluindo a política.
Eleições
também são grande campo de utilização do big
data, influenciando decisões de eleitores. Segundo dados disponíveis, a IA
vem sendo utilizada para analisar as redes sociais, identificar perfis
psicológicos de usuários e enviar propaganda política direcionada para estes
grupos - técnica conhecida como microssegmentação de mercado. Outra forma é a
montagem de deepfakes em áudios e
vídeos, criando fatos falsos, afetando ou impulsionando a imagem de candidatos.
Com chatbots (simulação de conversa
através de IA) criaram-se discursos e diálogos falsos com grupos de eleitores
customizados.
Nas
eleições presidenciais dos Estados Unidos em 2024, os chatbots foram usados para simular pronunciamentos defendendo
candidatos e foram criadas imagens e vídeos, encenando declarações fictícias.
Fatos semelhantes ocorreram nas eleições da Polônia e Canadá, em 2025 e nas
eleições brasileiras em 2024. Visando diminuir estas atividades ilícitas nas mídias sociais, o Tribunal Superior
Eleitoral (TSE) e o Senado Federal estabeleceram restrições para impedir o uso de informações falsas através da IA nas eleições de 2026.
O desenvolvimento da IA progride rapidamente e já se discute retardar o seu avanço. Grandes desenvolvedores como
as empresas Anthropic, OpenAI, xAI e Google
DeepMind pleiteiam uma diminuição no ritmo das pesquisas, a criação de
legislação específica e a conscientização de governos a nível local e mundial. Suspeita-se
que a tecnologia possa fugir do controle daqueles que a operam. Dario Amodei,
CEO da Anthropic declarou recentemente na imprensa: "A IA acarreta riscos e,
por ser uma tecnologia tão poderosa, esses riscos são graves".
Será que corremos o risco de que logo
mais a IA se transforme nos “homens de quem nunca ouvimos falar”, aos quais se
refere Bernays no texto introdutório acima, ou seja, a entidade impessoal que controlará a
humanidade?
Ricardo E. Rose, 01/10/26
(Imagens: pinturas de George Gorsz, 1893-1959)
“(...)
Esse é um passo crucial na campanha darwinista para derrubar a visão do cosmo
de Mente-primeira de Locke. Os filósofos costumam concordar, com bons motivos,
que não se pode separar significado e mente, nunca poderia haver significado
onde não houvesse mente, ou mente onde não houvesse significado. Intencionalidade é o termo técnico do
filósofo para esse significado; é o ‘sobre o que se fala’ que pode relacionar
uma coisa com outra – um nome para seu dono, um aviso de alerta para perigo que
o acionou, uma palavra para seu referente, um pensamento para seu objeto. Só
algumas coisas no universo manifestam intencionalidade. Um livro ou uma pintura
podem ser sobre uma montanha, mas a montanha em si não é sobre nada. A
intencionalidade é amplamente considerada pelos filósofos como a marca do elemento mental. De onde vem
a intencionalidade? De mentes, é claro.
Mas essa ideia, perfeitamente boa à sua maneira, transforma-se em uma fonte de mistérios e confusões quando usada como um princípio metafísico, e não como um fato da história natural recente. Aristóteles chamou Deus de Motor Imóvel, fonte de todo movimento no universo, e a versão de Locke para a doutrina aristotélica, como vimos, identifica Deus como Mente, transformando o Motor Imóvel em Intenção Involuntária, fonte de toda Intencionalidade. Locke achava que estava provando dedutivamente o que a tradição já considerava óbvio: a intencionalidade surge da Mente de Deus; nós somos criaturas de Deus, e a Ele atribuímos nossa intencionalidade.”
“Vamos agora para o extremo oposto e consideremos uma heresia que seria fatal para o darwinismo, não fosse ela uma alternativa tão confusa e, em última análise, contraditória: a tentativa do paleontólogo jesuíta, Teilhard de Chardin, de conciliar sua fé religiosa com sua crença na evolução. Ele propôs uma versão da evolução que colocava a humanidade no centro do universo, e descobriu que o cristianismo expressava a meta – ‘o ponto-ômega’ – que toda a evolução tenta alcançar. Teilhard até achou lugar para o Pecado Original (na sua versão católica, não na científica que observei no Capítulo 8). Para sua tristeza, a Igreja considerou isso uma heresia e o proibiu de ensiná-la em Paris, por isso ele passou o resto da vida estudando fósseis na China, até morrer em 1955. Seu livro The Phenomenon of Man (1959) foi publicado depois de sua morte e aclamado internacionalmente, mas as instituições científicas, e o darwinismo ortodoxo em particular, foram tão firmes quanto a Igreja ao rejeitá-lo como herege. É justo dizer que nos anos logo após a publicação do livro, tornou-se unânime entre os cientistas que Teilhard não oferecia nenhuma alternativa séria à ortodoxia; sua ideias peculiares eram confusas, e o resto não passava de uma bombástica redescrição da ortodoxia.”
“(...) O problema coma visão de Teilhard é simples. Ele negou com ênfase a ideia fundamental de que a evolução é um processo algorítmico, irracional, sem objetivo. Este não era um compromisso construtivo; era uma traição da ideia básica que permitia a Darwin derrubar a ideia da Mente-primeira de Locke.”
“As pessoas querem a todo custo acreditar que nós, seres humanos, somos imensamente diferentes de todas as outras espécies – e elas estão certas! Nós somos diferentes. Somos a única espécie que tem um meio extra de preservação e comunicação de projeto: a cultura. Isso é um exagero; outras espécies também têm rudimentos de cultura, e sua capacidade de transmitir informações ‘pelo comportamento’, além de geneticamente, é em si mesma um fenômeno biológico importante (Bonner, 1980), mas essas outras espécies não desenvolveram cultura como uma forma de decolagem como nossa espécie fez. Nós temos a linguagem, o meio básico da cultura, e a linguagem nos abriu novos espaços no Espaço de Projeto aos quais só nós temos acesso. Em poucos e breves milênios – um mero instante no tempo biológico – já usamos nossos novos veículos de exploração para transformar não só o nosso planeta como o próprio processo de desenvolvimento de projetos que nos criou.”
Daniel Dennett (1942-2024), filósofo, cientista cognitivo, professor estadunidense em A Perigosa Ideia de Darwin (1995)
“Isso
significa que nossa intenção de fazer alguma coisa segue a onda cerebral
inicial de atividade associada à ação em cerca de 300 milésimos de segundo. Ou
seja, 3/10 de um segundo se passam entre o cérebro tomar uma decisão e a
consciência dessa decisão. Acrescente-se a isso o tempo de processamento de outros
2/10 de segundo para agir e constata-se que ½ segundo se passa entre a intenção
de fazer alguma coisa e nossa consciência de fazer realmente o que queremos. A
atividade neural que precede à intenção de agir é inacessível à nossa mente
consciente, e por isso temos a sensação de livre-arbítrio. Mas é uma ilusão,
causada pelo fato de que não podemos identificar a causa da consciência de
nossa intenção de agir. Juntos, esses estudos mostram quão profundamente a
padronicidade está arraigada em nosso cérebro, estruturalmente inserida em
nosso inconsciente e gerando padrões abaixo de nossa consciência.”
“Como
hominídeos de cérebro maior, com um córtex desenvolvido e uma ‘teoria da mente’
– consciência de estados mentais como desejos e intenções, tanto em nós quanto
nos outros –, praticamos o que chamo de acionalização:
a tendência de infundir nos padrões significado, intenção e ação. Ou seja,
quase sempre transmitimos ação e intenção aos padrões que encontramos e
acreditamos que esses agentes intencionais controlam o mundo, às vezes de
maneira invisível, de cima para baixo, e não de maneira aleatória e casual, de
baixo para cima, que governa nosso mundo. Acredita-se em almas, espíritos,
fantasmas, deuses demônios, anjos, extraterrestres, designers inteligentes, conspiradores políticos e todos os tipos de
agentes invisíveis, dotados de força e intenção, assombrem nosso mundo e
controlem nossa vida. Combinadas com nossa propensão de descobrir padrões
significativos em fatos significativos e não significativos, a padronicidade e
a acionalização constituem a base cognitiva do xamanismo, do paganismo, do
animismo, do politeísmo, do monoteísmo e de todos os espiritualismos da velha e
da nova era.”
Michael Shermer (1954-), historiador da ciência, escritor
divulgador da ciência e diretor da The
Skeptics Society em Cérebro &
Crença (2011)
“Os Carvakas são, por vezes, comparados aos filósofos gregos. As crenças heterodoxas atribuídas aos Carvakas evocam imediatamente semelhanças com os filósofos gregos Demócrito e Epicuro. Elas também demonstram afinidade com o filósofo e poeta romano Lucrécio.”
“Para
os Lokayatikas (Carvaka), a totalidade da existência neste mundo reduz-se, em
última análise, a quatro elementos: ar, fogo, água e terra. Tudo surge da
combinação desses quatro elementos, e o seu fim (morte e dissolução) consiste
na separação deles. Esse ponto poderia ser facilmente aceito por oponentes —
tanto heterodoxos (jainismo e budismo) quanto ortodoxos (Nyaya-Vaisheshika,
Samkhya-Yoga e Mimamsa) — no que diz respeito a objetos materiais, os quais
podem ser resultado de uma combinação de elementos materiais, embora alguns
desses oponentes possam acrescentar o akasha
(éter) como um quinto elemento. O verdadeiro conflito surge quando o Carvaka
afirma que até mesmo o ‘eu’ (a personalidade humana), com suas propriedades de
vida e consciência, é um produto resultante de tal combinação. Ao defender um
empirismo realista e racionalista e não admitir a existência de nada além da
natureza, o Carvaka naturalmente sustenta — como todos os materialistas — que a
questão do ‘porquê’ do universo é irrelevante. Não encontramos qualquer ‘propósito’
no universo. A natureza é indiferente à ‘vontade’ de um Ser supremo, cuja
própria existência é posta em dúvida pelo Carvaka. A natureza perdura e existe
por si mesma; não precisamos de nada além dela para explicá-la. A cosmologia
Carvaka, portanto, rejeita a atuação de um Ser inteligente (Deus) como causa do
universo.
O
mundo, segundo o Carvaka, é resultado de um desenvolvimento a partir da
combinação dos quatro elementos em proporções variadas, dando origem a uma
diversidade de coisas, objetos e seres (animais, humanos, etc.), cada qual com
sua própria natureza. Trata-se de uma doutrina de "naturalismo", o Svabhavavada. O Carvaka não acredita na
doutrina da criação e, por isso, não necessita de um Criador ou de uma força
criadora. Ele não apenas rejeita a agência de Deus, mas também a do ‘invisível’
(adrsta), da ‘ação’ (karma), do ‘destino’ (niyati), do ‘tempo’ (kala) e do ‘acaso’ (yadrccha), substituindo todos eles pela ‘natureza’ (svabhava). É a própria dinâmica interna
da matéria que explica o surgimento e o desaparecimento das coisas, segundo
ele.”
Bhupender Heera (1976-) filósofo e professor indiano em
Uniqueness of Carvaka Philosophy in
Traditional Indian Thought, 2011 (A Singularidade da Filosofia Carvaka no
Pensamento Indiano Tradicional)
Spock´s Beard
Stream Of Unconsciousness (2006)
https://www.youtube.com/watch?v=DEyXTaIJdjk&list=PL3ZOG5V0OqAZScXb47AvlwF5weD3l9eeI&index=14
“Não posso dizer se as coisas vão melhorar se mudarmos; o que posso dizer é que elas precisam mudar para melhorar.”
Georg Christoph Lichtenberg (1742-1799), físico, satírico e pensador alemão, citado por Goodreads
“Mas,
a partir de nossas próprias mentes e de nossa própria experiência, não podemos
deduzir nada que nos sirva de base para estabelecer sequer o menor limite ao
comportamento arbitrário da própria natureza. Se o que acontece agora tivesse
acontecido de forma completamente diferente, não nos pareceria, portanto,
minimamente natural. Em outras palavras, embora possa haver um elemento de
inevitabilidade em nossos julgamentos humanos a respeito dos fenômenos
naturais, nunca fomos capazes, e provavelmente nunca seremos, de separar o grão
do inevitável da palha da verdade acidental e casual. Além disso, nem sequer
sabemos o que é mais essencial e importante, o inevitável ou o casual.
Portanto,
somos forçados à conclusão de que a filosofia deve abandonar sua tentativa de
encontrar as veritates aeternae (verdades
eternas). A função da filosofia é ensinar o homem a viver na incerteza — o
homem que tem um medo supremo da incerteza e que está sempre se escondendo
atrás deste ou daquele dogma. Mais resumidamente, a função da filosofia não é
tranquilizar as pessoas, mas perturbá-las.”
Lev Shestov (1866-1938), filósofo existencialista russo em All Things Are Possible, 1919 (Todas as coisas são possíveis)
“Para ser aceita como
paradigma, uma teoria deve parecer melhor do que as suas concorrentes, mas não
precisa — e, de fato, nunca o faz — explicar todos os fatos com os quais pode
ser confrontada.”
Thomas Kuhn, filósofo da ciência estadunidense
Qualquer pessoa no mundo que
disponha de um celular (quase 80% da população mundial), tendo acesso à
informação básica, sabe que a ciência e sua aplicação prática, a tecnologia,
estão sempre avançando. O progresso da ciência é algo evidente, mesmo para o
cidadão comum.
Mas nem sempre foi assim na
história humana. No passado, descobertas e invenções disseminavam-se
lentamente. O uso do arco e flecha teve seu uso identificado inicialmente na
África, há cerca de 70 mil anos. Em seguida, ao longo de milênios, provavelmente
através da troca de mercadorias, guerras e migrações, seu emprego chegou lentamente
a outras regiões – na Europa há cerca de 50 mil anos e na Ásia há 48 mil anos.
Outro exemplo é o ferro, cuja aplicação ocorreu pela primeira vez em cerca
de 2.000 AEC entre os hititas, povo que habitava a atual Turquia. Mas foi
somente cerca de 800 ou 1.000 anos depois, que a utilização deste metal se
generalizou em todo o Oriente Médio, espalhando-se através da Índia para o
restante da Ásia. O mesmo aconteceu, com o uso da roda. Inventada em cerca de
3.500 AEC na Suméria, no atual Iraque, levou de 1.000 a 2.000 anos para se disseminar na Ásia Continental e na Europa. A pólvora, inventada na China,
levou 300 a 400 para chegar à Europa. O papel demorou 1.000 anos para percorrer
o mesmo percurso.
As longas distâncias, as
guerras, os diferentes graus de desenvolvimento tecnológico e cultural, foram fatores
que dificultaram a disseminação de novas tecnologias. Somente a partir do
século XVI, quando povos europeus começaram a percorrer os mares para conhecer,
comercializar e dominar outros povos, é que se acelerou o processo de difusão de
tecnologias, culturas, produtos, hábitos alimentares, plantas, etc. Neste período
o cidadão médio das cidades da Europa, Ásia e África começa a ouvir falar de
outros povos, outras culturas, e a incorporar hábitos e tecnologias estrangeiras
(cultivo e consumo da batata, milho e tabaco, uso de especiarias, refino da
cana-de-açúcar, uso de utensílios de porcelana, consumo de chá, utilização de
novas técnicas de mineração, etc.).
Em períodos históricos
anteriores, na Antiguidade e Idade Média da Europa, a vida diária de escravos,
plebeus, clientes e patrícios do Império Romano; ou a de camponeses, religiosos
e nobres na Idade Média, pouco mudava a cada geração. Nestes períodos o mundo
dos antepassados era cultural e tecnologicamente quase o mesmo das gerações
mais novas. Novidades que chegavam eram apenas as guerras locais e regionais, e
a sucessão de patrícios e imperadores romanos, de nobres e religiosos medievais,
em seus cargos. (As classes baixas; dezenas de milhões de escravos, plebeus e
camponeses, despareceram na história sem serem registradas).
A partir do século XVIII e
início do XIX, com a industrialização, a vulgarização do ensino básico e a modernização
do ensino superior na Europa, ocorre um rápido avanço no desenvolvimento da ciência
e da tecnologia. Nas ciências teóricas surgem a moderna teoria atômica (1808); as
geometrias não euclidianas (1830-1832); lei da termodinâmica (1850); teoria da evolução
das espécies (1859); teoria microbiana das doenças (1880); teoria da hereditariedade
(1865); teoria da unificação de Maxwell (1865); a moderna psicologia (1879),
entre as mais importantes. Baseados nas teorias científicas, atendendo demandas
práticas, os inventos se sucedem: motor a vapor (1777); telégrafo (1837); motor
elétrico (1837); fotografia (1839); fertilizantes químicos (1842); concreto
armado (1849); produção em massa de aço (1856); dinamite (1867); telefone
(1876); motor a explosão (1876); lâmpada incandescente (1879); foram algumas
das novas tecnologias criadas nesse período.
O desenvolvimento
teórico-tecnológico do século XIX foi o maior até então registrado pela
história. O avanço foi tal que alguns cientistas acreditavam não restarem novos
descobrimentos a serem feitos na física. “Não
há mais nada para descobrir na física. Tudo o que resta é fazer medições cada
vez mais precisas”, segundo frase atribuída ao físico Lorde Kelvin
(1824-1907). Esta forma de compreender a ciência, especialmente a física, como
se esta tivesse as respostas finais para todos os fenômenos físicos do
universo, deu origem ao cientificismo e ao positivismo; ideologias que
sustentam que as ciências naturais são a única maneira de se obter conhecimento
válido sobre o mundo, que seria absoluto ou infalível.
O universo, felizmente, é mais
complexo do que imaginavam os cientistas do final do século XIX. Basta lembrar
as duas teorias científicas que revolucionaram e se tornaram a base de toda a
física moderna – a teoria da relatividade (1905 e 1915) e a mecânica quântica
(1900-1925). Em outras áreas científicas os avanços também ultrapassaram o que
se considerava como definitivo e o que se conhecia até o século XIX, por
exemplo, a teoria da deriva continental (1915), a teoria do Big Bang (1920) e a estrutura do DNA
(1953). O imenso avanço tecnológico no século XX e início do XXI – informática,
internet, celulares, TV, antibióticos, ansiolíticos, insulina, energia nuclear,
viagens espaciais, moderna medicina hospitalar, etc. – ocorreu, em grande
parte, baseado em novas teorias científicas desenvolvidas no início do século
XX.
As explicações da ciência sobre
o universo, as teorias científicas, são, por assim dizer, tentativas de
explicar certo fenômeno. No entanto, esta visão proporcionada pela ciência não
é uma “fotografia”, mesmo que temporária, do universo. Ela é a explicação
condicionada pelas limitações técnicas (instrumentos), culturais (informações,
teorias preexistentes, condicionamentos históricos) de uma determinada espécie
(homo sapiens) a analisar o fenômeno.
Trata-se, portanto, de uma visão parcial e limitada, mas que aplicada à
realidade explica o fenômeno por hora. Em algum tempo, com novas descobertas,
será necessário reformular o pressuposto – como tem acontecido ao longo da
história da ciência nos últimos 500 anos.
A ciência, de certa maneira, tem um olhar cético sobre suas teorias; sempre há de se encontrar situações nas quais a teoria possa (e precise) ser falseada/refutada. Assim, a ciência tem começo, mas não tem fim, é um processo. Como escreveu o filósofo cético Sexto Empírico (160-210 EC): "Não afirmamos nada com certeza absoluta; apenas relatamos como cada coisa nos aparece no momento."
Ricardo E. Rose, 23/09/26
(Imagens: pinturas de Gustave Caillebotte, 1848-1894)
No vídeo abaixo, do canal da revista Carta Capital, gravado em 23/09/26, Dowbor fala da economia brasileira e mundial, da financeirização, da economia chinesa, entre outros temas:
“É possível elevar muito os preços e extrair mais lucros quando há pouca concorrência. (Warren) Buffett tinha lá sua razão. O estudo de Grullon descobriu que a estratégia de comprar os setores de maior concentração e vender empresas em setores menos concentrados garantia retornos superiores à média do mercado. Nenhum estudo é perfeito, mas a mensagem central é inconfundível: a competição decresceu muito nos Estados Unidos. Recentemente, John Kwoka, um dos nomes mais respeitados nas áreas de economia industrial, regulamentos antitruste e regulações, apresentou uma conclusão sombria baseada em todas as pesquisas disponíveis: a ‘totalidade desse corpus de trabalhos fornece um retrato abrangente do aumento de concentração nos grandes segmentos da economia do país durante os últimos vinte anos’.
Dezenas de estudos têm mostrado que os resultados de maior concentração industrial são lucros maiores para as corporações, preços mais altos para os consumidores, redução da criação de startups, menor produtividade, salários mais baixos e aumento da desigualdade. Ainda assim, os CEOs continuam devorando outras empresas. Na superfície, nossos problemas atuais podem parecer um simples caso de CEOs gananciosos e investidores desprovidos de ética que se uniram para arruinar a economia em benefício próprio, no entanto há algo mais profundo acontecendo. Edward Queen, diretor do Programa Turner de Ética e Liderança Laboral da Universidade Emory, descobriu que , quando confrontados com um dilema ético, de 20 a 30 % dos estudantes de administração são incapazes de identificar o problema. Na visão de Queen, ‘no mundo todo, uma parcela muito ampla da liderança corporativa está nas mãos de pessoas com poucos escrúpulos morais e de formação muito superior à sua capacidade de julgamento’. Queen argumenta que, nas últimas seis décadas, os discípulos do prêmio Nobel de Economia Milton Friedman vêm enfatizando que o único dever de uma corporação é gerar lucros e retornos para os investidores. E essas lições, inculcadas em diversas gerações de alunos das faculdades de administração, estão sendo aplicadas em grande escala.”
“O arrocho salarial é ainda maior nas pequenas cidades, onde os pequenos mercados de trabalho precisam competir com as corporações. Os monopsônios (um só comprador/contratante da força de trabalho) deixam os trabalhadores com pouca escolha e pouco poder. A Amazon é uma das principais empregadoras do estado de Ohio, e 10 % dos trabalhadores da empresa precisam de auxílio governamental para comprar alimentos. Walmart e McDonald’s também figuram entre os principais culpados: mais de 10 mil funcionários de cada um também são dependentes desse auxílio, segundo o mesmo estudo feito pelo Policy Matters Ohio. O crescente desequilíbrio de poder das corporações que são compradoras únicas explica por que os tão prejudiciais contratos de não concorrência se tornaram mais comuns, e também por que os salários andam tão perigosamente baixos, por que os trabalhadores aceitam a imposição da arbitragem em caso de desavença com os empregadores e abdicam do seu direito a ações judiciais coletivas.
Deixados à própria sorte, eles não têm condições de negociar com
monopolistas ou oligopolistas. A fraqueza dos trabalhadores em relação a seus
empregadores (empresas grandes de setores com alta concentração) fica ainda
mais evidente com o crescimento do trabalho temporário. Os números são
esmagadores: 40 % dos trabalhadores estadunidenses podem ser enquadrados na categoria
que chamamos de precarizados. Um
trabalho é considerado precarizado se qualquer uma das seguintes características
se aplica a ele:
• O empregado não recebe quando não
pode ir trabalhar.
• O empregado não tem vínculo empregatício
padrão.
• Sua renda semanal e horas de
trabalho são instáveis.
• O empregado trabalha por demanda ou
não tem acesso prévio à sua grade horária.
• O empregado é pago em dinheiro vivo.
• O emprego é temporário.
• O empregado não tem direito a
nenhum benefício.
• O empregado tem pouca voz ou pouco poder de negociação no trabalho. Empregos estáveis e de turno integral com direito a benefícios estão se tornando uma relíquia histórica. Isso pode ser atribuído a diversos fatores interligados, como a globalização, a migração da produção para o exterior e a ascensão da ‘gig economy’, ou ‘economia de bicos’, dentre outros. Mas a compreensão desses fatores não altera o fato de que o número de trabalhadores temporários nos Estados Unidos se encontra em seu ápice histórico.”
“Em parte, devemos agradecer a Walt Disney pelo estado lamentável das leis de patente dos Estados Unidos. Embora Mickey Mouse já tenha quase nove décadas e devesse ter caído em domínio público há muitos anos, sempre que os direitos sobre Mickey estão prestes a vencer a Disney gasta milhões com lobby no Congresso para ampliá-los. Ao longo dos anos, a vida útil dos direitos autorais foi se tornando cada vez maior. O último julgamento ocorreu em 1998, quando o Congresso apoiou a Lei de Extensão de Vigência dos Direitos Autorais, aumentando a propriedade de 75 para 95 anos. A lei ficou conhecida como Lei de Proteção ao Mickey Mouse. A ironia suprema é que, enquanto a Disney ganha ampliações perpétuas da legislação de direitos autorais, mais de cinquenta de seus próprios filmes vêm de contos e histórias em domínio público: Alice no País das Maravilhas, Aladim, Frozen e O Rei Leão. Se Hans Christian Andersen pudesse fazer lobby no Congresso, ele também teria ganhado extensões infinitas sobre seus direitos.
As extensões intermináveis de patentes e direitos autorais impõem um fardo à sociedade. Nas palavras de Brink Lindsey e Steven M. Teles, que escreveram muito a respeito dos efeitos da lei de direitos autorais, ‘o atual estado da lei de propriedade intelectual pode ser ruim para o crescimento da economia como um todo, mas é muito eficiente em canalizar riqueza para uns poucos favorecidos’. Eles apontam que, ‘nos setores farmacêutico, de softwares e de entretenimento, o poder de monopólio criado pelas proteções de patentes e direitos autorais estimula a concentração e infla os lucros corporativos. Como resultado, a renda e a riqueza ficam ainda mais concentradas no topo do que ocorreria em outro cenário’. É impossível exagerar o custo imposto à sociedade pelo abuso de patentes e direitos autorais. Os Estados Unidos gastam mais de 3 trilhões de dólares por ano com saúde, e 10 % desse montante é despendido com remédios. O estadunidense médio lidera os gastos internacionais em medicamentos, com mais de mil dólares por ano — valor 40 % maior que o do segundo lugar na lista, o Canadá, e o dobro do índice alemão.”
Jonathan Tepper e Denise Hearn em O Mito do Capitalismo: Monopólios e o Fim da Concorrência, 2024
Grande divulgador do pensamento científico, Carl Sagan publicou vários livros de divulgação científica e é o autor do livro e da famosa série "Cosmos".
Em sua última entrevista para o programa do jornalista Charlie Rose, Sagan fala sobre ciência, crenças religiosas e sobre a relação entre as duas.
Veja a entrevista (legendada) no canal Abra seus Olhos, Abra sua Mente no link abaixo:
George Rochberg
George Rochberg (1918 – 2005) foi um compositor estadunidense de música clássica contemporânea.
Depois de um longo período de composição usando a técnica do serialismo, Rochberg finalmente abandonou após a morte de seu filho adolescente em 1964, dizendo que o serialismo estava vazio de expressão emotiva e era inadequado para expressar seu pesar e sua raiva. Nos anos 70, ele tornou-se controverso pelo uso de passagens tonais em suas músicas. Seu uso da tonalidade tornou-se amplamente conhecido através do String Quartet No. 3 (1972) (Quarteto de Cordas No. 3), que inclui um conjunto inteiro de variações que são no estilo de Beethoven.
(Fonte do texto: Wikipedia)