Igrejas e impostos
domingo, 14 de junho de 2026Franklin Foer
“É por isso que a história da computação segue um padrão tão previsível. A cada inovação revolucionária, a promessa de livrar a tecnologia das garras dos monopolistas, de criar uma rede extremamente democrática, a ponto de transformar a natureza humana. Por algum motivo, e em qualquer instância que seja, a humanidade continua sendo a mesma. Em vez de promover uma profunda redistribuição de poder, as novas redes são capturadas pelos novos monopólios, sempre mais poderosos e sofisticados do que os que vieram antes. O computador pessoal acabou sob o domínio de uma empresa inibidora de inovação (Microsoft). O acesso à internet logo exigiu que fossem pagas quantias mensais significativas para empresas de telecomunicação que fatiaram o mapa em zonas de supremacia quase inquestionável (Comcast, Verizon, Time Warner). Ao mesmo tempo, apenas um site (Google) despontou como o portal para o conhecimento; outro (Amazon), como ponto de partida para todo o comércio. E embora possamos falar em redes sociais no plural, a verdade é que apenas uma delas (Facebook) abarca cerca de dois bilhões de indivíduos.”
“Enquanto a televisão promovia uma
certa passividade, que deixava as pessoas inertes, o Facebook estimula a participação e o empoderamento. Permite que os
usuários leiam sobre os mais variados assuntos, pensem por si mesmos e formem
opiniões. Não podemos desprezar por completo essa retórica. Em algumas partes
do mundo, inclusive nos Estados Unidos, o Facebook
encoraja os cidadãos, possibilitando que se organizem em oposição ao poder
estabelecido. Mas tampouco devemos encarar como plenamente sincera a concepção
da empresa sobre si mesma. Trata-se de um sistema administrado com toda a
minúcia, de hierarquia muito clara, e não uma robusta praça pública. Ele imita
alguns padrões de conversação, mas só na superfície. A verdade é que o Facebook é um emaranhado de regras e
procedimentos para selecionar informações, e essas regras são desenvolvidas
pela empresa, para benefício final da empresa. Ela está o tempo todo vigiando
os usuários, sempre auditando o que estão fazendo e usando-os como ratos de
laboratório em seus experimentos comportamentais. Embora dê a impressão de que
oferece escolhas, o Facebook, de forma
paternalista, empurra os usuários na direção que considera melhor para eles,
que não por acaso costuma ser a direção que os torna completamente dependentes.
Esse é o engodo mais óbvio na meteórica carreira do cérebro que está por trás
disso tudo.”
Franklin Foer (1974-), jornalista e escritor estadunidense em O mundo que não pensa: A humanidade diante do perigo real da extinção do homo sapiens
Labels: Autores, Cultura, Gestão Pública, Política, Sociologia
Leituras diárias
sábado, 13 de junho de 2026“À medida que as fábricas se tornaram
a norma e as famílias foram expulsas das terras comunitárias, cidades como
Manchester experimentaram um crescimento explosivo. Os trabalhadores migraram
para onde podiam encontrar empregos em fábricas, que ofereciam salários
estáveis e trabalho tanto para homens quanto para mulheres. O trabalho também
era durante todo o ano. Muitas dessas fábricas estavam ligadas a ‘cidades
empresariais’, como a Cromford Mill de Arkwright, que fornecia alojamento,
alimentação e (raramente) educação para as crianças.
No entanto, as fábricas
frequentemente apresentavam condições de trabalho insalubres e perigosas, além
de baixos salários. As crianças eram enviadas para trabalhar quando seus pais
precisavam de renda extra para complementar seus baixos salários. Os
trabalhadores viviam em condições de superlotação e insalubridade e tinham
poucos ou nenhum direito trabalhista. Se um trabalhador sofresse um acidente e
não pudesse trabalhar, não havia proteção para garantir sua recuperação.
A riqueza se concentrou nas mãos de poucos donos de fábricas, que controlavam toda a linha de produção e não ofereciam flexibilidade aos seus trabalhadores. Aliás, os trabalhadores que faltavam um dia por motivo de doença eram considerados improdutivos. Se chegassem atrasados, eram punidos fisicamente ou com o desconto em seus salários. Muitas vezes, eram obrigados a reembolsar os donos das fábricas pelo custo da mão de obra perdida, além do desconto salarial. A centralização das fábricas tornou-se a base do capitalismo industrial moderno, que frequentemente prioriza a eficiência em detrimento do trabalho artesanal. A indústria podia fornecer materiais baratos, rápidos e consistentes, impulsionando as economias, mas também consolidava as desigualdades sociais, criando um barril de pólvora para movimentos de resistência e lutas trabalhistas.”
“O Movimento Ludita
Os trabalhadores qualificados que
haviam construído um sustento sólido por meio da agricultura de subsistência e
da produção têxtil não ficaram de braços cruzados enquanto seu trabalho era
substituído por máquinas mais rápidas. Desde o início, muitos perceberam como a
mecanização possibilitaria a exploração da classe trabalhadora, então
protestaram não contra as máquinas em si, mas contra o que essas máquinas
poderiam fazer com suas vidas. Batizados em homenagem à figura mítica de Ned
Ludd, um personagem semelhante a Robin Hood que destruiu um tear em um acesso
de fúria, eles visavam máquinas como teares mecânicos e teares hidráulicos, que
consideravam uma ameaça ao seu trabalho.
Os luditas eram tecelões, tricotadores,
cortadores de trigo e todos os outros que viram seus salários despencarem
graças às fábricas e à automação. E seu protesto não se limitou às máquinas em
si. Os luditas também lutaram contra a inflação causada pelas Guerras
Napoleônicas (que afetou desproporcionalmente a classe trabalhadora), a
escassez de alimentos e a ausência de proteção para aqueles que trabalhavam nas
fábricas.
O movimento começou em
Nottinghamshire em 1811, onde tricotadeiras destruíram teares em uma fábrica de
meias. Em um ano, o protesto se espalhou por Yorkshire, Lancashire e Midlands,
com luditas destruindo teares a vapor, moinhos e máquinas de debulhar. Eles se
organizavam em segredo, enviando cartas ameaçadoras assinadas pelo ‘General
Ludd’ antes de atacar as fábricas, tudo para evitar a retaliação igualmente
violenta do governo.
A Lei de Quebra de Tears de 1812 tornou a quebra de máquinas um crime capital punível com enforcamento, e o governo britânico enviou cerca de doze mil soldados para o norte, onde a fabricação têxtil era mais popular, a fim de suprimir quaisquer protestos abertos e caçar luditas que se reuniam em segredo. O governo chegou a empregar informantes que se infiltravam nessas reuniões secretas e forneciam informações sobre ataques planejados. Em janeiro de 1813, um julgamento em massa em York viu mais de sessenta homens acusados de crimes relacionados às atividades luditas. Desses, dezessete foram enforcados por seus crimes, e o restante foi transportado para colônias penais na Austrália.”
Billy Wellman, autor e historiador estadunidense em Revolução Industrial: Um olhar fascinante sobre como as máquinas e as fábricas transformaram o nosso mundo (Industrial Revolution: An Enthralling Look at How Machines and Factories Changed Our World)
Cortar, cortar e cortar...
sexta-feira, 12 de junho de 2026Labels: Artigo técnico, Autores, Economia, Política, Taxar lucros
Quando a "civilização" chegou às Américas
quinta-feira, 11 de junho de 2026Francis Bacon
“Não
se deve esquecer que em todas as épocas, a filosofia se tem defrontado com um
adversário molesto e difícil na superstição e no zelo cego e descomedido da
religião. A propósito, veja-se como, entre os gregos, foram condenados por
impiedade os que, pela primeira vez, ousaram proclamar aos ouvidos não afeitos
dos homens as causas naturais dos raios e das tempestades. Não foram melhor
acolhidos, por alguns dos antigos padres da religião cristã, os que
sustentaram, com demonstrações certíssimas – que não seriam hoje contraditas
por nenhuma mente sensata – que a Terra era redonda e que, em consequência,
existiam antípodas.”
Francis
Bacon (1561-1626), filósofo, político e ensaísta inglês em Aforismos sobre A Interpretação da Natureza e o Reino do Homem,
1612
A frase do dia
quarta-feira, 10 de junho de 2026“A ideia de nação é uma invenção ideológica nociva e acredito que
o caminho para o mundo seja a federalização.”
Francis Wolff (1950-) filósofo e
professor francês em entrevista para a Revista
Pesquisa Fapesp no. 344
Rio Preto - A Barca do Sol
Música brasileira
A Barca do Sol
Música: Rio Preto
Álbum: Pirata (1979)
https://www.youtube.com/watch?v=-qGXUjhqRvg
A
Barca do Sol foi uma banda brasileira de rock
progressivo e MPB formada em 1973 na cidade do Rio de
Janeiro, e desfeita em 1981, após o lançamento de três álbuns de estúdio — A Barca do Sol,
de 1974; Durante o Verão, de 1976; e Pirata, de 1979. O grupo fez
grande sucesso de crítica enquanto esteve em atividade, embora tenha
permanecido restrito a nichos de público.
Seu
estilo musical diferenciado dentro do panorama da música popular no Brasil -
valendo-se majoritariamente de instrumentos de sopro como solistas e
mantendo a composição de canções e não de temas instrumentais — garantiram para
o conjunto um lugar único na música popular brasileira, tornando-o de difícil
classificação.
(Fonte
do texto: Wikipedia)
David Graeber
terça-feira, 9 de junho de 2026“Na verdade, sequer começamos a pensar sobre como nossas vidas poderiam ser se a tecnologia fosse realmente ordenada para se adequar às necessidades humanas. Quantas horas de fato precisaríamos trabalhar para manter uma sociedade funcional – isto é, se nos livrássemos de todos os cargos inúteis ou destrutivos, como operadores de telemarketing, advogados, carcereiros, analistas financeiros, relações-públicas, burocratas e políticos; desviássemos nossas melhores mentes científicas do desenvolvimento de armas espaciais ou de sistemas de mercado acionário para a mecanização de tarefas perigosas ou perturbadoras, como extração de carvão ou limpeza de banheiros; e distribuíssemos o trabalho restante igualmente entre todos? Cinco horas por dia? Quatro? Três? Duas? Ninguém sabe, porque ninguém sequer faz este tipo de pergunta. Os anarquistas creem que estas são justamente as perguntas que deveríamos estar fazendo.”
“Tudo indica que chegamos a um impasse. O capitalismo, como o conhecemos, parece estar ruindo. Porém, enquanto instituições financeiras cambaleiam e se desfazem, não há alternativa evidente. A resistência organizada mostra-se dispersa e incoerente; o movimento pela justiça global, uma sombra de sua antiga essência. Temos boas razões para crer que, dentro de aproximadamente uma geração, o capitalismo terá deixado de existir: pelo simples motivo de que é impossível manter uma máquina de crescimento perpétuo em um planeta finito. Em face dessa perspectiva, a reação instantânea – mesmos dos ‘progressistas’ – é, muitas vezes, de temor, de aferrar-se ao capitalismo por simplesmente não conseguir imaginar uma alternativa que não fosse ainda pior.”
David Graeber (1961-2020), antropólogo e ativista político anarquista estadunidense em O Anarquismo no século XXI e outros ensaios
Labels: Autores, Cultura, Filosofia, Política, Sociologia
Roy Wagner
segunda-feira, 8 de junho de 2026“Uma das promessas mais frequentes da propaganda é a de um produto que ‘funciona como se fosse mágica’. Ele funciona, em outras palavras, como a propaganda, a magia por meio da qual ele é interpretado e apresentado ao público. Se essa identidade entre o produto e suas qualidades anunciadas for de fato mantida, se a imagem redefinida dos desejos humanos, o estilo de vida projetado pela propaganda, for feita pela audiência, então o produto se encaixará em suas vidas como nas vidas projetadas pelo anúncio. A propaganda vende seus produtos ‘vendendo’ sua objetificação dos produtos, sua imagem de uma vida que os inclui. Tudo o que temos de fazer é acreditar no anúncio (como no encantamento); então nossos atos irão assumir o foco do anunciante e o produto irá ‘funcionar como se fosse mágica’.”
“Como
uma mídia interpretativa, a propaganda refaz constantemente o significado e a
experiência da vida para a sua audiência e constantemente objetifica seus
produtos por meio dos significados e experiências que ela cria. Sua
interpretação da vida frequentemente se assemelha ou se sobrepõe às
interpretações propostas por outras mídias – temos filmes sobre automobilismo,
comerciais na forma de notícias e de shows de rock. Isso é assim porque todas
essas mídias compartilham a mesmíssima intenção de investir os elementos
triviais da vida em contextos provocativos e inusitados, que conferem a esses
elementos novas e poderosas associações e recarregam seus significados
convencionais. O lucro realizado com este tipo de investimento – sob a forma da
popularidade de um produto (‘vendas’), do número de livros, pneus ou ingressos
vendidos – é o resultado direto do incremento de significado criado. Compensa
ser diferente, mas o que compensa nas diferenças é que elas são repletas de
significado.”
Roy Wagner (1938-2018), antropólogo cultural
estadunidense em A Invenção da Cultura
Labels: Autores, Cultura, Filosofia, Filósofos, Sociologia
Outras leituras
domingo, 7 de junho de 2026“Não reconhecemos o direito da
maioria de impor a lei à minoria, mesmo que a vontade da maioria em questões um
tanto complexas pudesse ser realmente apurada. O fato de ter a maioria do seu
lado não prova, de forma alguma, que se esteja certo. De fato, a humanidade sempre
avançou por meio da iniciativa e dos esforços de indivíduos e minorias,
enquanto a maioria, por sua própria natureza, é lenta, conservadora e submissa
à força superior e aos privilégios estabelecidos. Mas se não reconhecemos, nem
por um momento, o direito das maiorias de dominar as minorias, opomo-nos ainda
mais à dominação da maioria por uma minoria. Seria absurdo sustentar que se
está certo porque se pertence a uma minoria. Se em todos os tempos existiram
minorias avançadas e esclarecidas, também existiram minorias atrasadas e
reacionárias; se existem seres humanos excepcionais e à frente de seu tempo,
também existem psicopatas, e, especialmente, indivíduos apáticos que se deixam
levar inconscientemente pela correnteza dos acontecimentos.
Em qualquer caso, não se trata de estar certo ou errado; trata-se de liberdade, liberdade para todos e liberdade para cada indivíduo, desde que não viole a igual liberdade dos outros. Ninguém pode julgar com certeza quem está certo e quem está errado, quem está mais próximo da verdade e qual é o melhor caminho para o bem maior de cada um. A experiência através da liberdade é o único meio de chegar à verdade e às melhores soluções e não há liberdade se não houver a liberdade de estar errado. Em nossa opinião, portanto, é necessário que a maioria e a minoria consigam viver juntas pacificamente e proveitosamente por meio de acordo e compromisso mútuos, pelo reconhecimento inteligente das necessidades práticas da vida comunitária e da utilidade das concessões que as circunstâncias tornam necessárias.”
“O erro fundamental dos reformistas é sonhar com a solidariedade, uma colaboração sincera entre patrões e empregados, entre proprietários e trabalhadores, que, mesmo que possa ter existido aqui e ali em períodos de profunda inconsciência das massas e de fé ingênua na religião e nas recompensas, é totalmente impossível hoje. Aqueles que imaginam uma sociedade de porcos bem alimentados que se arrastam contentes sob o jugo de um pequeno número de criadores de porcos; que não levam em conta a necessidade de liberdade e o sentimento de dignidade humana; que realmente acreditam em um Deus que ordena, para seus fins obscuros, que os pobres sejam submissos e os ricos sejam bons e caridosos – também podem imaginar e aspirar a uma organização técnica da produção que assegure abundância a todos e seja, ao mesmo tempo, materialmente vantajosa tanto para os patrões quanto para os trabalhadores. Mas, na realidade, a ‘paz social’ baseada na abundância para todos, continuará sendo um sonho enquanto a sociedade estiver dividida em classes antagônicas, ou seja, empregadores e empregados. E não haverá paz nem abundância.”
Errico Malatesta (1853-1932) teórico e propagandista anarquista italiano
em Os Bandidos Trágicos: Propaganda Anarquista e outros ensaios sobre o
Anarquismo (The
Tragic Bandits: Anarchist Propaganda and other essays on Anarchism)
A frase do dia
sábado, 6 de junho de 2026“Eu
quase que nada não sei. Mas desconfio de muita coisa.”
João Guimarães Rosa (1908-1967), escritor, poeta, médico e diplomata brasileiro em Grande Sertão Veredas, citado por Universo dos Leitores
Dia Mundial do Meio Ambiente
sexta-feira, 5 de junho de 2026Viva o meio ambiente!
(Fontes: Jornal de Juatuba/ Olhar Agro & Negócios/Agência de Notícias/WWF Brasil e Observatório do Terceiro Setor)
Labels: Gestão Ambiental, Gestão de recursos, Gestão Pública, Meio Ambiente
Bilionários preocupados com as consequências das mudanças climáticas?
quinta-feira, 4 de junho de 2026Labels: Economia, Gestão Pública, Meio Ambiente, Sociologia
Outras leituras
terça-feira, 2 de junho de 2026“O senso comum nos faz crer que somos senhores de nossos pensamentos e desejos, que nossa consciência é o núcleo a partir do qual agimos e nos compreendemos. Descartes, em sua famosa fórmula ‘Penso, logo existo’, consolida essa ilusão de um eu transparente para si mesmo. Lacan, no entanto, demonstra que o sujeito cartesiano é uma ficção. O verdadeiro sujeito não é aquele que diz ‘eu’, mas aquele que é dito pelo inconsciente, que emerge nos lapsos, nos sonhos, nos atos falhos — nos momentos em que a fala escapa ao controle do eu. Lacan disse, com efeito, ‘Penso onde não existo e existo onde não penso’ para criticar a frase de Descartes, simbolizando nessa máxima e exemplificando o conceito de fantasia a partir do desejo (pois eu penso onde não existo) e trazendo ainda o conceito de existir sem pensar, no automatismo, se é que podemos chamar assim, gerado pelo inconsciente, que inscreve no sujeito o seu caminhar.”
“Freud já havia anunciado essa descentralização do sujeito ao afirmar que ‘o eu (ego) não é senhor em sua própria casa’. Lacan leva essa afirmação às últimas consequências: o sujeito é essencialmente dividido, cindido entre o que acredita ser e o que o inconsciente revela. Não há coincidência entre o sujeito da enunciação (aquele que fala) e o sujeito do enunciado (aquilo que é dito). Quando alguém afirma ‘Eu decidi isso’, é preciso perguntar: quem, afinal, está decidindo? O desejo que move o sujeito não é transparente para ele mesmo. O inconsciente, para Lacan, não é um reservatório de pulsões obscuras, mas uma estrutura linguística. Ele se manifesta como uma cadeia de significantes que escapam ao domínio consciente. A criança, ao entrar na linguagem, é capturada por uma rede simbólica que a precede e a determina. Seus desejos não são puramente seus; são moldados pelo Outro (a linguagem, a cultura, a família).”
“Há, em cada um de nós, uma voz que afirma com convicção: ‘Eu sou assim’. Ela se reconhece no reflexo, constrói narrativas sobre si mesma, defende - se de ameaças à sua coerência. Essa instância, que Freud chamou de ego, é como um retrato pintado a pinceladas de memória e desejo — uma imagem que nos assegura existir como indivíduos inteiros, donos de nós mesmos. Mas Lacan nos adverte: esse retrato é uma ficção. O ego não é o núcleo da psique, mas uma quimera, uma formação imaginária que se cristaliza no teatro das identificações.”
Cristian Delgado Arantes, psicanalista clínico, fisioterapeuta e escritor em Lacan para Iniciantes: Um Guia à Leitura dos Escritos
A frase do dia
segunda-feira, 1 de junho de 2026“Para colher os frutos em dez anos,
plante árvores. Para colher os frutos em cem anos, invista no desenvolvimento
das pessoas.”
Ho Chi Minh (1890-1969), revolucionário, político,
escritor, poeta e jornalista vietnamita citado por Goodreads
Fayga Ostrower (1920-2001)
Leituras diárias
domingo, 31 de maio de 2026“Quão importante é a existência de
Deus? Do que estamos realmente falando quando debatemos a existência de Deus?
Acho que isso pode se tornar um atalho, uma maneira de contornar questões mais
necessárias e mais difíceis. Denunciar os outros como ateus, ou como crentes em
um falso Deus, pode se tornar uma desculpa para tratá-los como menos que
humanos, como não merecedores de consideração real. Quando terroristas atacam
em nome de um certo Deus, pode parecer mais fácil culpar sua religião do que
considerar suas queixas declaradas sobre bases militares estrangeiras em seus
países e estrangeiros apoiando seus líderes corruptos.
Quando comunidades religiosas rejeitam
teorias científicas por razões ruins, pode parecer mais fácil culpar o fato de
acreditarem em Deus, em vez de perceber que outros crentes podem aceitar as
mesmas teorias por boas razões. Boas ideias e más ideias, boas ações e más
ações – todas estão em lados opostos da divisão de Deus.”
Nathan Schneider (1984-), professor de Estudos Midiáticos e escritor estadunidense em Cognition Switch # 3
Outras leituras
sábado, 30 de maio de 2026“Dado
que a linguagem é controlada pelo hemisfério esquerdo do cérebro, não é
coincidência que ela seja a principal forma de expressão do intérprete. Isso é
mais perceptível quando nos comunicamos com os outros, mas o intérprete também
conversa consigo mesmo na forma de pensamentos. Esse diálogo interno acontece
continuamente para quase todas as pessoas no planeta e desempenha um papel
central na criação da ilusão que chamamos de eu.
Isso
nos leva à seguinte pergunta: o que exatamente é a linguagem? Bem, poderíamos
dizer que a linguagem é apenas uma forma de cartografia. Da mesma forma que um
mapa representa um lugar, a linguagem cria símbolos, ou palavras, que
representam outra coisa. Por exemplo, uma cadeira é chamada de cadeira porque
esse símbolo, ou palavra, foi escolhido em comum acordo. Mesmo que todos
decidíssemos chamá-la de limão, ela ainda seria um bom lugar para sentar.”
Chris Niebauer, neurocientista e filósofo estadunidense em No Self, No Problem (em português A Ilusão do Eu)
A frase do dia
sexta-feira, 29 de maio de 2026“A vida não imita a arte, ela imita a televisão
ruim.”
Woody Allen (1935-), cineasta, ator, escritor e comediante estadunidense, citado por Goodreads
O que eles pensam
quinta-feira, 28 de maio de 2026“O
bilionário Luciano Huck não consegue esconder a sua condição de classe social,
integrante do bloco dos privilegiados. Apesar de ter conseguido alcançar o
patamar do topo da elite brasileira, ele traçou este caminho graças a seus
contatos diretos estabelecidos com integrantes da grande maioria da população
por meio de programas televisivos. Vira e mexe, ele pratica seus exercícios de
sincericídio, verbalizando sem nenhum tipo de autocensura aquilo que as classes
dominantes de nosso país pensam a respeito das necessidades do povo e das
funções que caberiam ao Estado a esse respeito. Por sua condição de elevada
popularidade, graças a seus programas dominicais na maior rede de comunicações
e de elevada audiência junto às camadas populares, seu nome sempre volta à
baila quando se trata de buscar uma alternativa da chamada “terceira via” para
a disputa presidencial. Assim foi em 2018 e 2022. Aguardemos as cenas das
próximas pesquisas (...)”
Paulo Kliass, doutor em economia, jornalista e professor em artigo Huck, Galípolo & Durigan: tríplice aliança, publicado no jornal online Outras Palavras em 26/05/2026.
Jaguar
quarta-feira, 27 de maio de 2026Frases de Meio Ambiente
“A sociedade urbano-industrial atual não só afeta os ecossistemas de suporte à vida como também cria acordos inteiramente novos, chamados tecnoecossistemas, que são competitivos e parasitários dos ecossistemas naturais.”
Eugene Odum (1913-2002) biólogo estadunidense, pioneiro no estudo da ecologia, em Fundamentos de Ecologia
Essa não poderia faltar
terça-feira, 26 de maio de 2026Privatização pra quê? Pra quem?
segunda-feira, 25 de maio de 2026Labels: Artigo técnico, Gestão de recursos, Gestão Pública, Política
Outras leituras
domingo, 24 de maio de 2026“Durante
a Idade Média, o pensamento humano estava acorrentado, interna e externamente,
aos dogmas da Igreja; Espinosa, por meio de seu tratado (Tratado Teológico-Político), libertou a razão da compulsão infernal
da palavra bíblica; ele foi o primeiro a criticar toda a teologia. Na conquista
do medo e na crítica bíblica, ele foi superado por pessoas corajosas que o
seguiram; mas na libertação da moralidade humana da teologia, ele permanece
insuperável até hoje, pois sua crítica moral é ainda mais pura e atemporal do
que a doutrina desonrosa que nós (seguindo as brilhantes declarações de
Nietzsche) costumamos chamar de amoralidade ou desenvolvimento histórico da
moralidade. Em Espinosa, essa critica não é espirituosa ou zombeteira; é tão
simples e necessária quanto a imagem multicolorida do sol em uma gota de
orvalho.
Trata-se
de sua concepção sobre a necessidade incondicional de todos os eventos; o que
acontece em Deus ou na Natureza é necessário, não é livre. Deus (a Natureza)
não tem vontade nem intelecto; o homem tem um pouco de intelecto, mas nenhum
livre-arbítrio, que permita que suas ações sejam avaliadas moralmente; não há
espaço em todo o mundo humano para o que se chama de moralidade. O bem e o mal
são meramente conceitos humanos. No entanto, deve haver
indivíduos do bem, porque Espinosa viveu da forma que a moral cristã esperaria que
vivesse um santo – como até seus inimigos foram obrigados a reconhecer.
Como
o homem não obedece a um dever imposto quando é bom – porque é necessariamente de um jeito ou de outro
(bom ou mau no conceito humano), o homem também não tem o direito de esperar
que Deus ou a Natureza o amem em retorno.”
Fritz
Mauthner (1849-1923), filósofo, jornalista e escritor austríaco em Espinosa – Biografia, Filosofia e Teologia
(Spinoza – Lebensgeschichte, Philosophie
und Theologie, em alemão no original)
Leituras diárias
sábado, 23 de maio de 2026“Este preâmbulo histórico é apenas pano de fundo para contextualizar a ideia da seleção natural. A ideia é tão simples que, conforme apontado por Richard Dawkins, poderia ter sido elaborada centenas, ou mesmo milhares de anos antes. Seleção natural consiste na reprodução diferencial de indivíduos no decorrer das gerações, com consequentes mudanças na frequência de características herdáveis (ou frequências gênicas) no decorrer do tempo. A variabilidade das populações fornece a matéria-prima sobre a qual a seleção atua, e variabilidade nova é suprida por mutações que ocorrem constantemente. Na época de Darwin e dos outros idealizadores da seleção natural, claro, não se conhecia quase nada sobre genética ou mecanismos de herança. Sabia-se, contudo, que a maioria das características dos seres vivos era herdável. Isto era suficiente, pois a seleção natural foi baseada em uma série de observações simples.”
“(...) A alguns destes devemos a
difusão e permanência muito infeliz da ideia de um progresso inerente ao
processo evolutivo. A associação da ideia de evolução ao progresso, e
consequentemente à virtude moral e material, já foi utilizada no passado para
objetivos mais vis. Estas ideias ainda permeiam o discurso de muitos, às vezes
inadvertidamente, mas são cientificamente erradas e devem ser combatidas.
Na verdade, há certa dificuldade em entender e aceitar que os produtos dos mecanismos evolutivos são fortemente contingenciais. Não há direção predeterminada, ou um objetivo final. Os resultados da evolução são determinados tanto pelos mecanismos evolutivos intrínsecos como pela situação específica em que cada caso se desdobrou. Uma pequena modificação na cadeia de eventos que resultou em nós, ou em qualquer outra espécie, poderia chegar a algo muito diferente. A evolução é uma ciência histórica. Qualquer tentativa de abordá-la de outra forma será incompleta. A dinâmica dos horizontes físicos onde a vida ocorre é fator determinante na sua evolução.”
Maria Isabel Landim, Cristiano Rangel Moreira (orgs.) em Charles Darwin – Em um Futuro não Distante
Música de vanguarda
sexta-feira, 22 de maio de 2026Max Richter
https://www.youtube.com/watch?v=klbTuQeBPo4&list=OLAK5uy_my04DUoWmrxtfRTWXSRCwbxhpOi6IoVNs&index=38
Max Richter, nascido
em 22 de março de 1966, é um compositor e pianista britânico nascido na
Alemanha. Ele trabalha com estilos pós-minimalistas e clássicos contemporâneos.
Richter tem formação clássica, tendo se graduado em composição pela Universidade de Edimburgo, pela Royal Academy of Music em Londres e
estudado com Luciano Berio na Itália.
Richter
arranja, interpreta e compõe música para palco, ópera, balé e cinema. Ele
colaborou com outros músicos, bem como com artistas de performance, instalação
e mídia. Gravou oito álbuns solo e sua música é amplamente utilizada no cinema.
Em dezembro de 2019, Richter havia ultrapassado um bilhão de streams e um milhão de álbuns vendidos.
(Fonte:
Wikipedia e Google Translator)









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