“As
coisas derivam seu ser e sua natureza da interdependência e nada são em si
mesmas.”
Nagarjuna (aprox.150-250), monge budista indiano e o mais importante filósofo da tradição Mahayana, citado por BrainQuote
Nihil sub sole novum. (Eclesiastes 1:10)
“As
coisas derivam seu ser e sua natureza da interdependência e nada são em si
mesmas.”
Nagarjuna (aprox.150-250), monge budista indiano e o mais importante filósofo da tradição Mahayana, citado por BrainQuote
Nils Frahm
https://www.youtube.com/watch?v=dIwwjy4slI8
Nils
Frahm (nascido em 20 de setembro de 1982) é um músico,
compositor e produtor musical alemão radicado em Berlim. Ele é conhecido por
combinar música clássica e eletrônica e por uma abordagem não convencional ao
piano, na qual mistura um piano de cauda, um piano vertical, um Roland Juno-60, um piano Rhodes, baterias eletrônicas e um Moog Taurus.
Além
de seu trabalho solo, Frahm lançou colaborações com artistas notáveis como Ólafur Arnalds, F. S. Blumm, Anne Müller
e Woodkid. Com Frederic Gmeiner e Sebastian
Singwald, ele grava e se apresenta como Nonkeen.
(Fonte
do texto: Wikipedia com tradutor Google)
A
educação pela pedra
Uma educação pela pedra: por
lições;
para aprender da pedra,
frequentá-la;
captar sua voz inenfática,
impessoal
(pela dicção ela começa as
aulas).
A lição de moral, sua
resistência fria
ao que flui e a fluir, a ser
maleada;
a de poética, sua carnadura
concreta;
a de economia, seu
adensar-se compacta:
lições de pedra (de fora
para dentro, cartilha muda), para quem soletra-la.
Outra educação pela pedra:
no Sertão
(de dentro para fora, e
pré-didática).
No Sertão a pedra não sabe
lecionar,
e se lecionasse não
ensinaria nada;
lá não se aprende a pedra:
lá a pedra,
uma pedra de nascença,
entranha a alma.
João Cabral de Melo Neto (1920-1999) poeta e diplomata
brasileiro em Poesia Completa, vol. 2,
citado por Italo Moriconi em Os Cem Melhores Poemas Brasileiros do Século.
“Não
há apenas a questão dos dados que mudam as teorias; a própria visão das teorias
muda. Karl Popper disse que as teorias não são induzidas dos fenômenos, mas são
construções do espírito mais ou menos bem aplicadas ao real, isto é, são
sistemas dedutivos. Em outras palavras, uma teoria nunca é, enquanto tal, um ‘reflexo’
do real. A partir daí, uma teoria científica é admitida não por ser verdadeira,
mas por resistir à demonstração de sua falsidade. Popper concebe, assim, a
história das teoria científicas em analogia com a seleção natural: são as
teorias mais adaptadas à explicação dos fenômenos que sobrevivem, até que o
mundo dos fenômenos que sobrevivem, até que o mundo dos fenômenos dependentes
de análise se alargue e exija novas teorias. Aqui, Popper inverteu a
problemática da ciência; julgava-se que a ciência progredia por acumulação de
verdades; ele mostrou que a progressão se faz sobretudo por eliminação de erros
na procura da verdade.”
Edgar
Morin (1921-2026),
filósofo e sociólogo francês, conhecido por suas pesquisas sobre o ‘pensamento
complexo’ em Ciência com Consciência
“Atualmente, o capital produz, para a maioria da população das metrópoles, não tanta privação material como outrora mas, sobretudo, uma satisfação ‘guiada’ das necessidades materiais, ao mesmo tempo que faz do ser humano inteiro – inteligência e sentidos – um objeto de administração, engrenado para produzir e produzir não só as metas mas também os valores e promessas do sistema, seu paraíso ideológico. Por trás do véu tecnológico, por trás do véu político de democracia, surge a realidade, a servidão universal, a perda de dignidade humana em uma liberdade de escolha pré-fabricada.”
“E
na sociedade de consumo, a contraparte interna do neoimperialismo, a tendência
foi igualmente invertida: os salários reais estão declinando, a inflação e o
desemprego continuam, e a crise monetária internacional indica o
enfraquecimento da base econômica do império. Uma base potencial de massa para
transformação social encontra sua expressão difusa, pré-política, nas atitudes e
protestos do trabalho que ameaçam abalar os requisitos e valores operacionais
do capitalismo. Não será possível viver sem essa estúpida, exaustiva e
interminável labuta – viver com menos esbanjamentos, menos plásticos e menos
aparelhos, mas com mais tempo e mais liberdade? Esta interrogação velha de um
século, que sempre tem sido refutada pelos fatos de vida imposta pelos donos do
mundo, deixou de ser uma pergunta abstrata, emocional e irrealista. Hoje, ela
assume formas perigosamente concretas, realistas e subversivas.”
Herbert
Marcuse
(1898-1979), filósofo alemão, crítico social e teórico político em Contra-Revolução e Revolta
Haroldo de Campos escreveu sobre poesia francesa, russa, grega antiga e hebraica. Na Editora Perspectiva dirigiu a coleção Signos além de escrever várias peças de teatro.
Veja entrevista deste intelectual e literato brasileiro no site Fernando Graça gravada em 2002. A entrevista foi dada ao diretor de teatro brasileiro Gerald Thomas:
“Para
Rufus de Éfeso, no século II, ‘aqueles cuja inteligência é aguda e penetrante
caem facilmente na melancolia’, e Aristóteles escreve no início de sua Metafísica: ‘Todos os homens eminentes
são condenados a ser infelizes’. Isso subentende que, inversamente, as pessoas
felizes não são inteligentes, ideia que já encontramos. O problema é que apenas
os espíritos inteligentes podem alcançar a sabedoria, e que a sabedoria é,
segundo o mesmo Aristóteles, o caminho para a felicidade. Assim, para ser
feliz, é preciso ser sábio, mas para ser sábio é preciso ser infeliz: de novo,
o impasse.”
“Tomás
de Aquino percebe muito bem: o pessimismo radical de Agostinho arrisca-se a
levar à desesperança. Se a felicidade é impossível de se atingir, de que vale a
pena estar vivo? Aristóteles propõe uma solução: existe felicidade e
felicidade. ‘É possível nesta vida tomar parte de certa maneira da felicidade,
mas não possuir a felicidade verdadeira e perfeita’. Afirmação tranquilizadora
a se considerar com bastante precaução: o homem não deve se desesperar, mas ele
tampouco deve acreditar que pode recriar uma paraíso na terra.”
“Tirando
essa exceção, a igualdade é o traço dominante de todas as utopias, em
detrimento da liberdade. Nisso, os utopistas são mais realistas do que os
revolucionários de 1789, que imaginavam ser possível conciliar esses dois
valores contraditórios. O lema dos utopistas, sua receita de felicidade, não é ‘liberdade,
igualdade, fraternidade’, mas ‘uniformidade, igualdade, racionalidade’. A
posição das duas formulas evidencia um dos problemas principais na
concretização da vida feliz, um tema central da reflexão dos filósofos: a
felicidade é um assunto público ou privado? Coletivo ou individual? Político ou
psicológico? Objetivo ou subjetivo? ‘Quero que a sociedade seja feliz, mas eu
também quero ser’, escreve Diderot, e aí está toda a dificuldade. De um lado, ‘desejo
de aproveitar, liberdade de aproveitar, não há senão essas duas motivações para
a ação, esses dois princípios de sociabilidade entre homens’. Ou a vida em
sociedade exige que limitemos nossos desejos, e isso traz risco de levar ‘à
insensibilidade mais do que à felicidade’, ao manter ‘o homem em uma espécie de
embotamento, e em uma mediocridade de gozo e de ventura’.”
Georges Minois (1946-), historiador francês em A Idade de Ouro – História da Busca da
Felicidade
“Heidegger
fala da desdivinação (Entgötterung)
para designar a constatação da ausência de Deus. Este fenômeno designa a
supressão de todas as imagens de Deus, quer elas provenham do nosso desejo
moral (eros) ou da nossa representação (eidos) lógica. Como mostrou Nietzsche,
a representação de Deus é a exigência que a nossa visão antropomórfica do mundo
pressupõe. Se nos desembaraçarmos dos fantasmas da nossa imaginação,
purificaremos, imediatamente, o nosso olhar sobre as coisas de toda a
interpretação teológica. Mas, segundo Heidegger, o mundo desdivinizado e
desumanizado não é o jogo provocado pela intervenção conjugada da força
criadora de Dionísio e do poder sereno de Apolo: é o jogo alterado da ausência
e da presença, o Acontecimento inexplicado e inexplicável que desafia toda a
razão.”
Jean-Paul
Resweber,
filósofo contemporâneo francês em O
Pensamento de Martin Heidegger (1979)
“A filosofia do senso comum quer que pensemos como de fato
pensamos. A questão da filosofia é outra: por que pensamos assim? Mais
precisamente: por que já não podemos pensar exatamente assim?”
Bento Prado Jr. (1937-2007), filósofo, escritor,
professor, crítico literário, tradutor e poeta brasileiro, citado por
Robespierre Oliveira em O papel da
filosofia na teoria crítica de Herbert Marcuse
“Na
área da Saúde, o TCU (Tribunal de Contas da União) destaca atrasos em programas
considerados prioritários pelo próprio governo. A expansão da atenção primária
não atingiu nenhuma das metas previstas. Dos R$ 3,2 bilhões destinados à construção e reconstrução das Unidades Básicas de Saúde
(UBSs), apenas sete das 1,8 mil unidades previstas para entrega em 2025 foram
efetivamente concluídas. Também não foi entregue nenhum dos equipamentos
estratégicos previstos para 2,5 mil unidades de saúde. ‘Esses dados evidenciam
que, mesmo em áreas com elevada centralidade na agenda governamental, o alcance
das metas permaneceu limitado’, afirma o relatório.”
Artigo
‘Corte detecta atraso em programas prioritários e obras não concluídas’, do
jornalista Daniel Weterman publicado no jornal O Estado de São Paulo em 13/07/2026
“Fazer
admitir sua dominação, tal era o problema que se colocava à burguesia. Tornar
aceitável à grande maioria a situação privilegiada que era a sua, obrigou a
burguesia a abandonar algumas migalhas de sua prosperidade, para tentar apagar
a imagem de um povo em andrajos, famélico contemplando carruagens reluzentes,
imagem do século passado que retoma vida tão logo o sistema conhece uma crise
profunda como foi o caso em 1932. Era preciso, portanto, aumentar o volume das
mercadorias, diminuindo seu custo de produção, multiplicar os empregos,
elevando relativamente os salários, de modo que todos pudessem consumir.
Fim
do rico e do pobre em aspecto caricatural. O operário fabrica as mercadorias
contra um salário graças ao qual compra os bens que ele próprio produziu. O
circuito é fechado. A cada elo da corrente, a classe dirigente, por intermédio
das classes médias especializadas na distribuição, saca seu lucro. Para
consolidar o circuito, bastou ajustar sabiamente os preços e os salários, ainda
que esse equilíbrio seja, com frequência, ameaçado pela avidez do patronato e
pelas exigências dos sindicatos.”
Maurice Joyeux (1910-1991), jornalista, escritor e
ativista anarquista francês em Reflexões
sobre a Anarquia
Boards of Canada
Prophecy at 1429 MHz (2026)
https://www.youtube.com/watch?v=oASl50Rg650&list=PLxA687tYuMWhfQT_pdvQKGo8ZPtAGKTqE&index=2“Tal
como ressaltou Oswaldo Porchat Pereira, a ideia cética de critério não diz
respeito à crença na realidade ou irrealidade do mundo e nem tampouco ao
discernimento de qualquer verdade. Trata-se de um critério de ação no mundo. Esse é um dos pontos mais intrigantes do
ceticismo: uma atitude filosófica de retraimento e suspensão diante de embates
dogmáticos, acompanhada de um convite à ação na vida ordinária e à investigação
no mundo fenomênico. Tomar os fenômenos
como critério tem como contrapartida o reconhecimento de que estamos
limitados às aparências: tal como em um universo pirandelliano, podemos dizer
como as coisas parecem ser, mas nunca como elas são por natureza.”
“A ataraxia cética, alternativamente, é o
resultado de uma complexa elaboração filosófica que toma como objetivo
proposições descritivas e normativa a respeito da real natureza do mundo,
postuladas por outros sistemas filosóficos. Em outros termos, a tranquilidade
dos céticos seria um componente destacado desse combate à filosofia orientado
por procedimentos filosóficos. Por meio dela, os céticos apagam de suas considerações
as proposições estabelecidas pelas filosofias dogmáticas. Sua contrapartida é a
aceitação da vida ordinária. Não há, pois, que confundir a tranquilidade que
resulta da indiferença com relação ao embate filosófico com qualquer garantia
de imersão bem-sucedida e pacífica na vida ordinária. O ceticismo pirrônico
pretende tão-somente estabelecer uma terapia para os logoi assaltados pela
obsessão dogmática. Os dilemas da vida ordinária são incuráveis. Vivê-los de
forma adoxática não conduz a nenhum privilégio cognitivo ou existencial.
Imaginar a possibilidade de resolução
dos dilemas da vida ordinária, ou de erradicar sua aparência dilemática,
implica legislar sobre a real natureza das coisas e postular um critério
arbitrário e não-evidente de reorganização do mundo. Nesse sentido, a pretensão
de curar-se da vida ordinária constitui, em si mesmo, um sintoma de patologia
da razão.”
Renato Lessa (1954-), cientista político e filósofo brasileiro em Veneno
Pirrônico
“Pois,
se a autoridade legislativa é delegada, segue-se que aqueles de quem ela
procede são os senhores daqueles a quem ela é conferida. Segue-se ainda que como
senhores, eles conferem a referida autoridade voluntariamente e isso implica
que eles podem concedê-la ou negá-la como bem entenderem. Chamar de delegado
aquilo que é arrancado dos homens, quer queiram ou não, é um absurdo. Mas o que
aqui é verdade para todos coletivamente é igualmente verdade para cada um
separadamente. Assim como um governo só pode agir corretamente em nome do povo quando
por ele autorizado, também só pode agir corretamente em nome do indivíduo
quando por ele autorizado.
Se
A, B e C debatem se devem contratar um agente para prestar um determinado
serviço, e se, enquanto A e B concordam em fazê-lo, C discorda, C não pode ser
equitativamente incluído no acordo contra a sua vontade. E isto deve ser igualmente
verdade para trinta como para três. E, se para trinta, por que não para
trezentos, ou três mil, ou três milhões?
Das
superstições políticas recentemente mencionadas, nenhuma é tão universalmente
difundida quanto a noção de que as maiorias são onipotentes. Sob a impressão de
que a preservação da ordem sempre exigirá que o poder seja exercido por algum
grupo, o senso moral de nosso tempo sente que tal poder não pode ser
legitimamente conferido a ninguém além da maior metade da sociedade. Interpreta
literalmente o ditado de que ‘a voz do povo é a voz de Deus’ e, transferindo
para um a sacralidade atribuída ao outro, conclui que da vontade do povo — isto
é, da maioria — não pode haver apelação.
No
entanto, essa crença é inteiramente errônea. Suponha, para fins de
argumentação, que, tomada por algum pânico malthusiano, uma legislatura que
representasse devidamente a opinião pública decretasse que todas as crianças nascidas
durante os próximos dez anos deveriam ser afogadas. Alguém acha que tal decreto
seria justificável? Se não, há evidentemente um limite para o poder da maioria.”
Herbert Spencer (1820-1903), polímata inglês, que atuou
como filósofo, biólogo, psicólogo, sociólogo e antropólogo em O Direito de Ignorar o Estado (The Right to Ignore the State)
Música brasileira
Flaviola e o Bando do Sol
Álbum: Flaviola e o Bando do Sol (1974)
Música: Canto Fúnebre
Flaviola
e O Bando do Sol é o primeiro e único álbum do poeta,
cantor e compositor recifense Flaviola,
que é um dos principais expoentes da cena musical psicodélica pernambucana dos anos 1970. O
álbum foi lançado no formato LP em 1976.
O
disco é considerado um grande expoente do “movimento
Udigrudi”. O álbum ganha destaque pela participação de músicos
que consolidaram o agreste psicodélico setentista como Lula Côrtes, Paulo Raphael, Robertinho de Recife e Zé da Flauta.
Em
2015, Flaviola tocou o álbum na íntegra e na ordem de aparição das músicas na 23ª edição do Festival
Abril Pro Rock, festival musical sediado em Recife, Pernambuco.
(Fonte do texto: Wikipedia)
“A
crítica marxista de Lefebvre (filósofo francês) à vida cotidiana tinha algum mérito, mas era
insuficiente e precisava ser aprimorada por uma teoria dos signos — como
palavras e símbolos significam e representam significado. Baudrillard sabia que os signos são parte integrante da sociedade, porque articulam significados
sociais e são organizados em sistemas de significado. Ele argumentou que as
mercadorias deveriam ser caracterizadas não estritamente por seu valor de uso e
troca, como Marx havia dito, mas por seu ‘valor de signo’ — o que esses objetos
significam e representam. Por exemplo, o valor de um relógio de luxo reside
mais em seu valor de signo como expressão de prestígio, riqueza e estilo do que
em seu ‘valor de uso’ como dispositivo para medir o tempo ou em seu valor de
troca monetária.
Na vida cotidiana, as pessoas compram e exibem suas mercadorias tanto por seu valor de signo quanto por seu valor de uso. A percepção de Baudrillard é ainda mais verdadeira agora, décadas depois, visto que o consumismo é cada vez mais dominado pelos signos — os valores da fidelidade à marca e a necessidade de estar ‘na moda’. Olhe ao seu redor e veja quantas pessoas vestem roupas com marcas estampadas, tendo pago por elas muitas vezes mais do que o seu valor real de uso.
Baudrillard argumenta que identidades e significados são
construídos pela apropriação de signos culturais — imagens, códigos e modelos —
que determinam como nos vemos, como os outros nos veem, e, portanto, como nos
relacionamos uns com os outros. Baudrillard rompeu com a grande narrativa
marxista de que a classe social diferenciava as fronteiras entre as pessoas.
Isso era verdade na modernidade, mas no mundo pós-moderno, a diferenciação por
classe, gênero, política, economia, cultura e sexualidade está implodindo sob a
força da simulação."
Douglas Giles, filósofo e professor inglês em Postmodern Philosophy: A Primer
(Filosofia Pós-Moderna: Uma Introdução)
“A democracia não governa o mundo, é
melhor você entender isso; este mundo é governado pela violência. Mas acho
melhor não falar disso.”
Bob Dylan (1941-), cantor, compositor, escritor e ator estadunidense citado por BrainyQuote
Capital se dá bem. Já o trabalhador...
“O mundo, o mesmo em todos, nenhum dos deuses e nenhum dos homens o fez, mas sempre foi, é e será, fogo sempre vivo, acendendo segundo a medida e segundo a medida apagando.”
“Não encontraria a caminho os limites da vida mesmo quem percorresse todos os caminhos, tão profundo é o Logos que possui.”
“No mesmo rio entramos e não entramos; somos e não somos.”
“O tempo é uma criança, criando, jogando o jogo de pedras; vigência da criança.”
“O mistério: dia-noite, inverno-verão, guerra-paz, saciedade-fome, cada vez que entre fumaça recebe um nome segundo o gosto de cada um, se apresenta diferente.”
“(Heráclito diz que as ideias dos homens são) jogos de criança.”
“Os homens acordados têm um mundo só que é comum (enquanto cada um dos que dormem se voltam para seu mundo particular).”
“Eu me busco a mim mesmo.”
“Para o Deus, tudo é belo e bom e justo. Os homens, porém, tomam umas coisas por injustas, outras por justas.”
“Não é melhor para os homens que lhes aconteça tudo que eles querem.”
“A doença faz da saúde coisa boa e agradável; a fome da saciedade; a fadiga do repouso.”
“A morada do homem, o extraordinário.”
“De coisas lançadas ao acaso, o arranjo mais belo, o cosmos.”
“Que a riqueza não vos venha a faltar, Efésios, a fim de vossa miséria desvendar- se toda.”
Aforimos de Heráclito de Éfeso (540-470 aec), filósofo grego conhecido como “O Obscuro”. Publicado em Anaximandro, Parmênides e Heráclito – Os Pensadores Originários, tradução de Emmanuel Carneiro Leão e Sérgio Wrublewski
“Na
forma atualmente mais popular na literatura técnica sobre evolução, o ambiente
propõe problemas e o organismo lança soluções aleatórias. Nessa estrutura
conceitual, a metáfora da adaptação é, sem dúvida, apropriada. Adaptação é,
literalmente, o processo pelo qual um objeto se torna apto a satisfazer uma
exigência preexistente.”
“Assim
como não pode haver organismo sem ambiente, não pode haver ambiente sem
organismo. Há uma confusão entre a assertiva correta de que existe um mundo
físico externo a um organismo que continuaria a existir na ausência da espécie
e a afirmação incorreta de que os ambientes existem sem as espécies.”
“A
segunda característica que distingue os sistemas vivos de outros fenômenos
físicos é sua abertura, ou seja, o intercâmbio e a reprodução de um organismo
dependem de processos energéticos que somente se tornam possíveis se houver a
importação pelo organismo de fontes de energia externas a ele e a exportação
para o exterior dos produtos degradados resultantes das transformações
energéticas.”
Richard Lewontin (1929-2021), matemático, biólogo
evolucionista, professor e geneticista estadunidense em A Tripla Hélice – Gene, Organismo e Ambiente
“Dizer
que o capitalismo é um sistema fracassado não significa, naturalmente, sugerir
que seu colapso e desintegração sejam iminentes. Significa, contudo, que ele
deixou de ser um sistema historicamente necessário e criativo em sua origem, para se tornar um sistema historicamente desnecessário e destrutivo no século
atual.”
John Bellamy Foster (1953-), sociólogo, professor, editor e
escritor estadunidense. Autor de livros e publicações sobre política econômica e capitalismo,
crise ecológica e econômica, entre outros temas. Fonte: Wikiquote.
"O verdadeiro problema não é se as máquinas pensam, mas se os homens pensam."
Burrhus Frederic (B. F.) Skinner (1904-1990), psicólogo, inventor e filósofo social estadunidense, citado por Emad Mostaque em The Last Economy: A Guide to the Age of Intelligent Economics
“O novo petróleo do século XXI é a consciência humana. Uma indústria inteira de trilhões de dólares foi construída para capturar e monetizar nossa atenção. O resultado é uma população com a capacidade de atenção média de um peixinho dourado, constantemente agitada e neurologicamente incapaz de pensamento profundo. Essa fragmentação da consciência é uma catástrofe metabólica para nossa espécie, mas, para o PIB, a ‘economia da atenção’ é um dos setores de crescimento mais promissores. Estamos explorando as mentes humanas e chamando isso de progresso. Isso não é um sentimento; é um fato estatístico. Enquanto a narrativa oficial fala de prosperidade, a história humana é escrita em um livro-razão diferente. É uma história contada não em preços de ações, mas no desespero silencioso dos 47% dos americanos que agora dizem estar em pior situação do que seus pais. É uma história medida pelo aumento de cerca de 30% nas prescrições de saúde mental desde 2020 e pelas taxas de natalidade que despencaram para 1,6 por mulher, um número que sinaliza declínio civilizacional. É uma história de desilusão, onde 52% dos recém-formados são forçados a aceitar empregos que não exigem seus diplomas, e onde a confiança em nossas instituições fundamentais caiu para os níveis mais baixos já registrados.”
“Eis o paradoxo que confunde a maioria das mentes. Em um sistema suficientemente conectado com um horizonte temporal suficientemente longo, o egoísmo e o altruísmo convergem. Ser generoso torna-se a estratégia mais egoísta possível, não em algum sentido místico, mas em termos de puro retorno matemático. Considere o Projeto Genoma Humano. Na década de 1990, começou uma corrida entre um consórcio público de código aberto e uma empresa privada para sequenciar nosso DNA. O projeto público compartilhava seus dados gratuitamente a cada 24 horas. O modelo aberto venceu. Os dados resultantes de domínio público geraram desde então um valor econômico estimado em um trilhão de dólares, criando novas indústrias inteiras. Os colaboradores doaram seu trabalho e receberam em troca um mundo transformado. Essa é a lógica da economia simbiótica. É um jogo em que a jogada vencedora é criar valor para a rede. Ao aumentar a saúde e a inteligência do sistema em que você vive, você aumenta suas próprias chances de persistência e prosperidade. O jogo antigo era sobre extrair valor da rede. O novo jogo consiste em gerar valor através da rede.”
“A Evolução e a Traição do Contrato
Americano:
O experimento americano foi a primeira tentativa de sintetizar essas ideias, uma negociação dinâmica entre a visão de Jefferson (Thomas Jefferson 1743-1826, um dos fundadores dos EUA) de liberdade descentralizada e a visão de Hamilton (Alexander Hamilton 1755-1804, principal fundador do sistema financeiro dos EUA) de poder industrial nacional. No século XX, isso evoluiu para o Pacto Fordista, o Sonho Americano concretizado. O acordo era simples: produtividade em troca de prosperidade. Funcionou, criando a classe média mais próspera da história. Por volta da década de 1970, esse contrato foi traído. Foi substituído por um severo contrato neoliberal: você está por sua conta. Em vez de segurança, daremos crédito e produtos baratos. Mas uma traição mais profunda e insidiosa estava acontecendo no âmbito digital.
Como Shoshana Zuboff documentou, surgiu o ‘Capitalismo de Vigilância’, um sistema que secretamente reivindicava nossa experiência humana privada como sua matéria-prima. Nosso consentimento (às mídias) tornou-se uma ficção por trás de ‘termos de serviço’ ilegíveis. A Inversão da Inteligência completa essa traição. Ela cria um futuro que não é a tirania opressora de ‘1984’ (romance distópico de George Orwell), mas a passividade confortável e planejada de um ‘Admirável Mundo Novo’, de Aldous Huxley (filósofo inglês). Nos é oferecido um mundo onde trocamos nossa liberdade e a busca da felicidade por uma vida garantida, confortável e sem sentido. Este é o ponto final do contrato quebrado.”
Emad Mostaque (1983-), matemático, investidor, ensaísta e empresário britânico-bangalês em The Last Economy: A Guide to the Age of Intelligent Economics (A Última Economia: Um Guia para a Era da Economia Inteligente)