José de Alcântara Machado Oliveira

domingo, 15 de março de 2026

 

(A casa do bandeirante na cidade)

“Pouco, na verdade, os que restam desse tempo. Alheio à preocupação da beleza, o construtor não tem sequer a ânsia profundamente humana de duração. Despreza o granito, os elementos nobres. Aplica sem discernimento materiais que não suportam o clima, nem resistem ao tempo. No século XVIII se torna forçosa a reconstrução de quase todos os templos primitivos.

A pobreza da vila é de explicação facílima. Resulta da supremacia inconteste do meio rural sobre o meio urbano, supremacia que não entra a declinar senão mais tarde, com o advento do Império.”

“Na cidade o fazendeiro tem apenas a sua casa para descansar alguns dias, liquidar um ou outro negócio, assistir as festas civis ou religiosas. Um pouco. Nada mais. Só nos dias santos é que há gente na vila, e por isso mesmo são eles os escolhidos para o praceamento dos bens de órfãos.”

 

(a casa no campo) 

"Representa em suma a habitação permanente, o centro da atividade social, o solar da família. A outra, a da vila, de proporções modestas é apenas um teto destinado a abrigar o dono durante alguns dias ou semanas, e que, tirante ocasiões, permanece deserta e silenciosa, a entristecer o povoado.”

 

José de Alcântara Machado Oliveira (1875-1941), jurista, historiador, escritor, professor e político brasileiro em Vida e Morte do Bandeirante

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