(A casa do bandeirante na cidade)
“Pouco, na verdade, os que restam desse
tempo. Alheio à preocupação da beleza, o construtor não tem sequer a ânsia
profundamente humana de duração. Despreza o granito, os elementos nobres.
Aplica sem discernimento materiais que não suportam o clima, nem resistem ao
tempo. No século XVIII se torna forçosa a reconstrução de quase todos os
templos primitivos.
A pobreza da vila é de explicação
facílima. Resulta da supremacia inconteste do meio rural sobre o meio urbano,
supremacia que não entra a declinar senão mais tarde, com o advento do
Império.”
“Na cidade o fazendeiro tem apenas a
sua casa para descansar alguns dias, liquidar um ou outro negócio, assistir as
festas civis ou religiosas. Um pouco. Nada mais. Só nos dias santos é que há
gente na vila, e por isso mesmo são eles os escolhidos para o praceamento
dos bens de órfãos.”
(a casa no campo)
"Representa em suma a habitação
permanente, o centro da atividade social, o solar da família. A outra, a da
vila, de proporções modestas é apenas um teto destinado a abrigar o dono
durante alguns dias ou semanas, e que, tirante ocasiões, permanece deserta e
silenciosa, a entristecer o povoado.”
José de Alcântara Machado Oliveira (1875-1941), jurista, historiador, escritor, professor e político brasileiro em Vida e Morte do Bandeirante


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