Leituras diárias

domingo, 5 de julho de 2026

 

“A crítica marxista de Lefebvre (filósofo francês) à vida cotidiana tinha algum mérito, mas era insuficiente e precisava ser aprimorada por uma teoria dos signos — como palavras e símbolos significam e representam significado. Baudrillard sabia que os signos são parte integrante da sociedade, porque articulam significados sociais e são organizados em sistemas de significado. Ele argumentou que as mercadorias deveriam ser caracterizadas não estritamente por seu valor de uso e troca, como Marx havia dito, mas por seu ‘valor de signo’ — o que esses objetos significam e representam. Por exemplo, o valor de um relógio de luxo reside mais em seu valor de signo como expressão de prestígio, riqueza e estilo do que em seu ‘valor de uso’ como dispositivo para medir o tempo ou em seu valor de troca monetária.

Na vida cotidiana, as pessoas compram e exibem suas mercadorias tanto por seu valor de signo quanto por seu valor de uso. A percepção de Baudrillard é ainda mais verdadeira agora, décadas depois, visto que o consumismo é cada vez mais dominado pelos signos — os valores da fidelidade à marca e a necessidade de estar ‘na moda’. Olhe ao seu redor e veja quantas pessoas vestem roupas com marcas estampadas, tendo pago por elas muitas vezes mais do que o seu valor real de uso. 

Baudrillard argumenta que identidades e significados são construídos pela apropriação de signos culturais — imagens, códigos e modelos — que determinam como nos vemos, como os outros nos veem, e, portanto, como nos relacionamos uns com os outros. Baudrillard rompeu com a grande narrativa marxista de que a classe social diferenciava as fronteiras entre as pessoas. Isso era verdade na modernidade, mas no mundo pós-moderno, a diferenciação por classe, gênero, política, economia, cultura e sexualidade está implodindo sob a força da simulação."

 

Douglas Giles, filósofo e professor inglês em Postmodern Philosophy: A Primer (Filosofia Pós-Moderna: Uma Introdução)

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