“A
crítica marxista de Lefebvre (filósofo francês) à vida cotidiana tinha algum mérito, mas era
insuficiente e precisava ser aprimorada por uma teoria dos signos — como
palavras e símbolos significam e representam significado. Baudrillard sabia que os signos são parte integrante da sociedade, porque articulam significados
sociais e são organizados em sistemas de significado. Ele argumentou que as
mercadorias deveriam ser caracterizadas não estritamente por seu valor de uso e
troca, como Marx havia dito, mas por seu ‘valor de signo’ — o que esses objetos
significam e representam. Por exemplo, o valor de um relógio de luxo reside
mais em seu valor de signo como expressão de prestígio, riqueza e estilo do que
em seu ‘valor de uso’ como dispositivo para medir o tempo ou em seu valor de
troca monetária.
Na vida cotidiana, as pessoas compram e exibem suas mercadorias tanto por seu valor de signo quanto por seu valor de uso. A percepção de Baudrillard é ainda mais verdadeira agora, décadas depois, visto que o consumismo é cada vez mais dominado pelos signos — os valores da fidelidade à marca e a necessidade de estar ‘na moda’. Olhe ao seu redor e veja quantas pessoas vestem roupas com marcas estampadas, tendo pago por elas muitas vezes mais do que o seu valor real de uso.
Baudrillard argumenta que identidades e significados são
construídos pela apropriação de signos culturais — imagens, códigos e modelos —
que determinam como nos vemos, como os outros nos veem, e, portanto, como nos
relacionamos uns com os outros. Baudrillard rompeu com a grande narrativa
marxista de que a classe social diferenciava as fronteiras entre as pessoas.
Isso era verdade na modernidade, mas no mundo pós-moderno, a diferenciação por
classe, gênero, política, economia, cultura e sexualidade está implodindo sob a
força da simulação."
Douglas Giles, filósofo e professor inglês em Postmodern Philosophy: A Primer
(Filosofia Pós-Moderna: Uma Introdução)


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