“Os
costumes sociais tendem a complicar inutilmente a vida, afastando o homem da
natureza, que é a fonte única de sua felicidade. O supérfluo e o frívolo,
disfarçados com frequência com o nome de refinamentos, aumentam de hora em hora
a quantidade de sacrifícios estéreis que não servem para intensificar o ser. O
homem, incentivado por paixões ambiciosas e egoístas, dá menos de si à
comunidade e nela não encontra a cooperação moral que o estimularia a empreender grandes
coisas, belas e desinteressadas.
O
mundo particular dos políticos profissionais inspira terror. Como é possível
que o interesse de reuniões, isentas de moral e de ideais progressivos, possa
ser sobreposto ao interesse de toda a nação, de toda a sociedade? E é
inadmissível que certos homens, não sendo os mais ilustrados nem os mais
morais, tenham o direito de administrar os frutos da inteligência e do trabalho
de todos, como se a sociedade tivesse que continuar pagando um imposto feudal a
esse bando de bandidos que abandonaram os caminhos e as montanhas para
refugiarem-se nas cidades? E não prova uma incapacidade moral do maior número,
essa mesma possibilidade de que uns poucos maliciosos possam sobrepor sua
atividade maléfica à necessidade social de encaminharmos à solidariedade, por
meio do estudo e do trabalho?”
José Ingenieros (1877-1925), médico, psiquiatra, filósofo, sociólogo e professor argentino em Para uma Moral sem Dogmas (2009)

%20(1)%20(1).jpg)
0 comments:
Postar um comentário