Outras leituras

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

“Os costumes sociais tendem a complicar inutilmente a vida, afastando o homem da natureza, que é a fonte única de sua felicidade. O supérfluo e o frívolo, disfarçados com frequência com o nome de refinamentos, aumentam de hora em hora a quantidade de sacrifícios estéreis que não servem para intensificar o ser. O homem, incentivado por paixões ambiciosas e egoístas, dá menos de si à comunidade e nela não encontra a cooperação moral que o estimularia a empreender grandes coisas, belas e desinteressadas.

O mundo particular dos políticos profissionais inspira terror. Como é possível que o interesse de reuniões, isentas de moral e de ideais progressivos, possa ser sobreposto ao interesse de toda a nação, de toda a sociedade? E é inadmissível que certos homens, não sendo os mais ilustrados nem os mais morais, tenham o direito de administrar os frutos da inteligência e do trabalho de todos, como se a sociedade tivesse que continuar pagando um imposto feudal a esse bando de bandidos que abandonaram os caminhos e as montanhas para refugiarem-se nas cidades? E não prova uma incapacidade moral do maior número, essa mesma possibilidade de que uns poucos maliciosos possam sobrepor sua atividade maléfica à necessidade social de encaminharmos à solidariedade, por meio do estudo e do trabalho?”

 

José Ingenieros (1877-1925), médico, psiquiatra, filósofo, sociólogo e professor argentino em Para uma Moral sem Dogmas (2009)

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