(Paisagem - 1953)
(Online desde 21 de maio de 2010 - Editor: Ricardo Ernesto Rose)
“Há
uma história, quase que uma anedota, atribuída ao pintor belga René Magritte,
segundo a qual, certa vez, tendo pintado a figura de uma mulher contemporâneas em
cor verde e tendo mostrado essa obra a um crítico, ouviu - o dizer: “Não
existem mulheres verdes”. Ao que Magritte respondeu: “Mas não é uma mulher, é
uma pintura”. Desde o Renascimento, a arte tratou de criar imagens parecidas
com o mundo que ‘vemos’ à nossa volta. A natureza da criação e as tendências
contemporâneas artísticas são únicas, não podendo se confundir com a realidade
que as inspira.”
Duílio Battistoni Filho, Pequena História das Artes no Brasil
"Em um sentido importante, consciência é saber que você sabe enquanto sabe." - Thomas Metzinger - The Ego Tunnel
Nos
últimos quarenta anos a agricultura brasileira vem se desenvolvendo e
sofisticando cada vez mais. Fruto de pesquisas científicas, altos investimentos
e do esforço de milhares de empreendedores, o setor agrícola – principalmente
as grandes propriedades – se transformou em um grande negócio, o agronegócio,
responsável por quase metade das exportações brasileiras. O Brasil é hoje um
dos maiores fornecedores mundiais das chamadas commodities agrícolas, como a soja, o milho, o açúcar, o algodão e
a carne de boi. As exportações destes produtos, principalmente para a China,
têm ajudado a manter a balança comercial positiva e em 2022 vão ajudar a manter
o crescimento do PIB em torno dos 0,7% – a previsão inicial era de 0,3%. Uma
expansão muito baixa da economia brasileira, em comparação a outros países
latino-americanos, que só se ampliou em 0,4% devido à crise alimentar mundial ocasionada
pela guerra da Ucrânia, aumentando a demanda por alimentos.
Uma
agricultura de larga produção como a brasileira, precisa de vastas áreas para
plantio, máquinas modernas para a semeadura e colheita, além de produtos
químicos – fertilizantes, herbicidas e inseticidas – para proteger a plantação
e garantir uma boa safra. Por este motivo o Brasil é, desde 2008, o maior
consumidor mundial de defensivos agrícolas, também chamados de agrotóxicos. Estes
produtos são bastante usados pelos grandes e médios agricultores, e por trás
deles existe toda uma cadeia de produção, atrelada a campanhas de marketing e vendas
técnicas, mantidas pelos grandes produtores – empresas de atuação global.
No
entanto, os agrotóxicos apresentam uma série de efeitos colaterais. Quando são
aplicados em excesso, acumulam-se no legume, na verdura e na fruta. Os animais
e seres humanos ao ingerirem estes alimentos, acabam absorvendo também os
agrotóxicos, o que pode causar problemas hepáticos, doenças de pele, disfunções
hormonais, problemas reprodutivos, danos ao sistema nervoso e câncer. Segundo a
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), por diversas vezes legumes e
frutas coletados em feiras e supermercados apresentaram quantidades de
agrotóxicos bem acima dos níveis permitidos pela lei. O maior perigo de
contaminação ocorre no campo, com os próprios trabalhadores rurais. Uso
inadequado dos produtos, falta de equipamentos de proteção individual (EPI),
ausência de treinamento adequado, fazem com que ocorram milhares de casos de
contaminação, de menor ou maior gravidade. Segundo matéria publicada no site
Globo Rural em março de 2019, foram notificados 40 mil casos de intoxicação por
agrotóxicos no campo, entre 2007 e 2017 e ocorreram quase 1.900 mortes. Nos
países em desenvolvimento, segundo a Organização Internacional do Trabalho
(OIT), ocorrem anualmente cerca de 70 mil intoxicações agudas ou crônicas, por
vezes seguidas de mortes.
A
aprovação de diversos tipos de agrotóxicos pela ANVISA vem aumentando
rapidamente desde 2019, durante o governo Bolsonaro. Foram aprovados 1.560
novos ingredientes ativos, somente entre janeiro de 2019 até fevereiro de 2021.
Destes produtos registrados, pelo menos 37 são de uso proibidos na Europa e nos
Estados Unidos, devido à sua toxicidade. O glifosato, por exemplo, é o
agrotóxico mais usado no Brasil, mesmo sendo classificado como “provavelmente
cancerígeno” pela Agência Internacional de Pesquisa Contra o Câncer (IARC). A
atrazina, o segundo herbicida mais utilizado no país, segundo a Empresa
Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), é aplicado à cultura do milho. O
produto, oficialmente associado a doenças como o Mal de Parkinson, câncer de
ovário, próstata e infertilidade, é proibido na União Europeia e outros países
desde 2004.
O
acontecimento grave mais recente com relação aos agrotóxicos é o fato de que alguns
fabricantes destes produtos estão cometendo várias irregularidades, que vão
desde a adulteração da fórmula do produto, até o uso de matéria-prima com
validade vencida. Várias linhas de produção destes produtos já foram
interditadas pela ANVISA e o material, que estava prestes a ser distribuído,
foi apreendido pelos fiscais da agência. Outro fato preocupante com relação aos
agrotóxicos, é que por falta de uma regulamentação mais rígida, os fabricantes mantêm
a produção e distribuição de produtos que já foram banidos em outros países. Segundo
dados da Secretaria de Comércio Exterior, as importações de tais produtos vem
aumentando, transformando a agricultura brasileira em mercado para marcas
tecnologicamente ultrapassadas. De uma maneira geral, dos agrotóxicos aprovados
pela ANVISA desde 2019, 32,8% são classificados como “extremamente tóxicos à
saúde” ou “altamente tóxicos à saúde”; e 52% são “altamente perigosos ao meio
ambiente” ou “muito perigosos ao meio ambiente”. Ambientalistas brasileiros há
anos alertam o governo de que a legislação é muito branda em relação aos
limites de toxicidade dos resíduos nos alimentos e que quantidades
consideráveis de produtos poluentes acabam contaminando o solo, os cursos
d’água e os lençóis freáticos.
A
legislação mais recente em relação aos agrotóxicos é o PL 6299/02, chamado do
que “PL do veneno” ainda está em tramitação no Senado. Se transformado em lei,
facilitará o processo de aprovação e registro de novos ingredientes ativos
usados na formulação de agrotóxicos. A notícia não é boa para os consumidores
nem para os trabalhadores do setor agrícola
(Imagens: pinturas de Luigi Russolo)
As melhores bandas de rock de todos os tempos
Tangerine Dream
Album: Force Majeure (1979)
Música: Cloudburst flight
Tangerine Dream é
uma banda alemã,
formada em 1967 por Edgar Froese (teclados e guitarra),
considerada como um grande expoente do rock
progressivo eletrônico, junto com o Kraftwerk.
(Fonte do texto: Wikipedia)
“Heráclito
era orgulhoso; e quando se trata de orgulho num filósofo, trata-se de um grande
orgulho. A atividade do filósofo nunca o distingue na atenção de um “público”,
na aprovação das massas e no coro entusiasta de seus contemporâneos. Seguir um
caminho solitário faz parte da condição de filósofo. Seu dom é o mais raro e,
de certa maneira, o menos natural que possa existir, e é por isso que ele
exclui até os dons próximos do seu e que lhe são hostis.” (Nietzsche, pág. 59)
Friedrich Nietzsche, A filosofia na época trágica dos gregos
Faça download do livro "Os problemas da filosofia" do filósofo, matemático e ativista Bertrand Russel (1872-1970)
No link abaixo:
As melhores bandas de rock de todos os tempos
Camel
Album: Mirage (1974)
Música: Freefall
https://www.youtube.com/watch?v=Gcagz8epRN8
Camel é
uma banda britânica de rock
progressivo, formada em Guildford, Surrey,
em 1971. Liderados pelo guitarrista Andrew
Latimer, o grupo lançou quatorze álbuns de estúdio e quatorze
singles, além de vários álbuns ao vivo e DVDs. Sem atingir a popularidade de
massa, a banda ganhou um culto de seguidores na década de 1970 com álbuns
como Mirage (1974) e The Snow Goose (1975). No início dos anos
90, a banda mudou seu estilo para uma direção mais jazzística e
comercial, antes de entraram em um longo hiato. Em 1991 o Camel tornou-se
independente, passando a lançar seus álbuns por meio de sua própria gravadora.
Apesar
de não ter lançado nenhum novo álbum de estúdio após 2002, a banda continuou se
apresentando ao vivo, saindo em turnês até 2018. Sua música influenciou
artistas como Marillion, Opeth e Steven Wilson. O
jornalista musical Mark Blake descreveu Camel como "os grandes heróis
anônimos do rock progressivo dos anos 70".
(Fonte do texto: Wikipedia)
“Retornamos
assim ao nosso tema. O temor humano, em todos os tempos, sob todos os céus, em
cada coração, não é mais que um só e mesmo temor: o medo do nada, o pavor da
morte. Nós já o escutamos da boca de Gilgamesh; nós o escutamos do Salmo XC, e
assim permanecemos até os tempos atuais.” (Jünger, pág. 71)
Ernst Jünger, Traité du rebelle (Tratado do rebelde, tradução de Ricardo E. Rose)
A
agricultura orgânica é um dos segmentos da atividade agrícola que mais
rapidamente vem se desenvolvendo. Segundo informação do site Brasil
Agroecológico, o número de unidades produtoras destinadas à agricultura
orgânica no Brasil cresceu 300% entre 2010 e 2018, chegando a 17,7 mil
produtores registrados em 2019. Em 2018, havia mais de 22 mil unidades de
produção orgânica devidamente certificadas, frente a pouco mais de 5 mil em
2010, segundo o Cadastro Nacional de Produtores Orgânicos do Ministério da
Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa). O mesmo acontece a nível
internacional, onde apesar da crise econômica o mercado mundial de agricultura
orgânica aumentou 6,4% só entre 2011 e 2012. O número de produtores, que girava
em torno de 253 mil em todo o mundo em 2000, alcançou quase 2,9 milhões em
2017. O aumento ocorreu principalmente na Ásia, África e América Latina.
A expansão
deste setor pode ser notada no aumento das gôndolas destinadas a estes produtos
em supermercados das grandes cidades brasileiras. Alguns estabelecimentos
chegaram a se especializar, vendendo somente produtos orgânicos. Com o aumento
da conscientização em relação a uma alimentação mais saudável, cresce também o
número de consumidores, mesmo nas camadas de menor poder aquisitivo. Aliado a
isso, avança a preocupação com a saúde individual, focada na menor ingestão de açúcar,
sódio, gordura saturada e substâncias tóxicas nos alimentos.
Grande parte dos produtos cultivados pela agricultura convencional está contaminada por quantidades crescentes de agrotóxicos, usados para combater pragas e fortalecer o solo. A cada ano, é aprovado um número maior de defensivos agrícolas no país; alguns até já proibidos nos países desenvolvidos. Na maioria dos casos, no entanto, esta contaminação alimentar não alcança os limites fixados pela Associação Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e não é considerada danosa à saúde humana – pelo menos segundo os padrões brasileiros. Uma exposição prolongada a qualquer tipo de substância tóxica, no entanto, pode trazer problemas para a saúde, causando o desenvolvimento de vários tipos de câncer, doenças do sistema nervoso e transtornos mentais, segundo os especialistas.
De
acordo com estes, produtos aplicados para proteger as plantações - soja e
milho, por exemplo - são absorvidos pelos grãos e incorporados à ração servida
aos animais de abate. Ao longo do tempo as substâncias tóxicas vão se
acumulando no corpo do animal, aumentando a carga tóxica. O consumo prolongado
destas carnes, pode transferir parte desta carga de produtos tóxicos aos seres
humanos. Um estudo recente constatou que são necessários 11,4 quilos de ração
para produzir um frango de abate. No caso do porco, são necessários 21 quilos
de ração, para produzir um quilo de carne. Um quilo de carne bovina demanda 44
quilos de ração, contendo quantidades não desprezíveis de produtos tóxicos.
Em agosto de 2012, durante o governo Dilma Rousseff, o governo federal lançou a Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Pnapo), como objetivo de apoiar o setor da agricultura orgânica em três de seus gargalos: o crédito, a assistência técnica e as pesquisas e o desenvolvimento de tecnologias. Especialistas do setor opinam que uma política governamental sem recursos expressivos pouco ajudaria o desenvolvimento da agricultura orgânica. Era preciso que o governo tratasse o setor de orgânica em igualdade de condições com o a produção convencional; aumentando o crédito e oferecendo linhas de investimento para conversão de terras para a produção agroecológica. No entanto, os governos sequentes ao de Dilma Rousseff, Temer e Bolsonaro, não ofereceram a devida atenção ao setor, já que os créditos foram direcionados principalmente para a agricultura convencional – apesar do grande potencial da agricultura orgânica, principalmente nas pequenas propriedades agrícolas.
Aspecto
importante na comparação da agricultura convencional com a orgânica é o das
externalidades; o impacto provocado pela atividade ao meio ambiente. O
agricultor orgânico precisa conservar as áreas de vegetação original, deve
preservar as nascentes, não pode usar produtos tóxicos. Além disso, é obrigado
a periodicamente certificar sua propriedade e produção. Todas estas providências
não são mandatórias na agricultura convencional, apesar desta geralmente ter um
impacto ambiental bem maior.
(Imagens: pinturas de Aaron Douglas)
As melhores bandas de rock de todos os tempos
Som imaginário
Album: A matança do porco (1973)
Música: Armina
https://www.youtube.com/watch?v=RJPjkreF4mE
Som Imaginário é
uma banda brasileira formada
no princípio da década de 1970. Criada primeiramente para
acompanhar o cantor Milton
Nascimento no show "Milton Nascimento, ah, e o Som
Imaginário". Contou com a participação do músico Wagner Tiso antes
de sua carreira solo. O músico Frederyko (ou
Fredera), também pintor, escultor e jornalista, era o guitarrista. Tavito (violão), Robertinho
Silva (bateria), Luiz Alves (baixo), Naná Vasconcelos
(percussão) e Zé Rodrix (vocais e piano) foram outros
músicos que mais tarde ganharam notoriedade que também passaram pela banda.
(Fonte do texto: Wikipedia)
“A
vida é curta e aborrecida; passa-se toda ela a desejar. Espera-se do futuro o
repouso e a alegria, quando o futuro é já aquela idade em que nossos melhores
bens, a saúde e a juventude, já desapareceram. O futuro chega e ainda o
desejamos; chegamos onde queríamos, quando a febre nos acomete e nos extingue;
se tivéssemos sarado, seria somente para continuar a desejar por mais tempo
ainda.” (La Bruyère, pág. 184)
La Bruyère, Caracteres
Leia o livro "Sidarta" do escritor Hermann Hesse. Faça o download no link abaixo:
As melhores bandas de rock de todos os tempos
Banco del Mutuo Soccorso
Album: Di Terra (1978)
Música: Sagra in sol
https://www.youtube.com/watch?v=hvg0mqDHzcs
Banco del Mutuo Soccorso é uma seminal banda italiana de rock progressivo. Com seu primeiro disco lançado em 1972, eles tiveram por toda a década de 1970 uma obra considerada de alto nível pelos fãs do gênero. Sua música foi influenciada por bandas inglesas de rock progressivo mais antigas, como Emerson, Lake & Palmer, King Crimson, Pink Floyd e Genesis. Banco del Mutuo Soccorso tem seu álbum Darwin! com a mais alta avaliação do sítio Gnosis, conhecida referência de rock progressivo na World Wide Web. Banco del Mutuo Soccorso continua fazendo shows ao redor do mundo. A banda já publicou 25 álbuns, embora não tenha conteúdo inédito desde Il 13.
(Fonte do texto: Wikipedia)
“Deus
não é democrata e muito menos comunista. É um aristocrata puro, que escolhe a
dedo os seus preferidos. E acha que estes devem ser servidos por milhões e
milhões de pobres – um subproduto de sua onipotência.” (Fernandes, pág. 267)
Millôr Fernandes, A Bíblia do caos, verbete hierarquia