Minha opinião

quarta-feira, 31 de julho de 2024


 

Minha opinião

 

Quem tem mais de trinta anos, ainda lembra que nas laterais dos estacionamentos de muitos supermercados havia uma banca de jornal. Se não na área do mercado, nas imediações, em alguma esquina próxima, ou na frente de alguma padaria movimentada.  Era um ponto de parada para quem estava de passagem, à procura de algo interessante para ler ou folhear: jornais, revistas, livros; com temas científicos, esportes, automobilismo, religiões, economia, filosofia, literatura, etc., havia até publicações estrangeiras. As bancas de jornal eram pequenos centros onde se encontrava conhecimento e cultura.

Em São Paulo, além dos jornalões tradicionais como Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, O Globo, Jornal do Brasil e Jornal da Tarde, encontrava-se também, entre os anos 1970 e 1980, publicações da imprensa alternativa (chamada “nanica”), tratando de política, cultura, humor e atualidades, como o Pasquim, Versus, Politika, Movimento, Opinião, Ex, entre outros. Todos de oposição à ditadura civil-militar então vigente no país. Havia também uma grande variedade de revistas, para todos os gostos, como Realidade (reportagens), Enciclopédia Bloch (temas científicos), Planeta (cultura alternativa), Manchete (atualidades), Senhor (jornalismo cultural), Veja (jornalismo), entre outras, e uma variedade de periódicos sobre os mais diversos assuntos. A Editora Abril publicava suas séries de livros “Os Pensadores”, “Os imortais da literatura”, “Os economistas”, que se tornaram campeões de vendas em suas várias edições. Outra editora, a Editora Três, havia lançado uma série de livros sobre esoterismo, magia e religiões orientais; assuntos que tinham grande aceitação entre o público jovem dos anos 1970.

Os grandes jornais que mais circulavam em São Paulo (Estado, Folha, Globo e Jornal do Brasil) publicavam cadernos culturais, encadernados nas edições de sábado e domingo. Suplemento Literário, do Estado; Ilustríssima, da Folha; Caderno B, do Jornal do Brasil e Segundo Caderno, do Globo, eram os mais famosos entre os anos 1970 e 1980. Neles, figuras de destaque da cultura nacional e internacional contribuíam com artigos sobre literatura, política, atualidades, economia, ciência. A crítica literária, com figuras como Otto Maria Carpeaux, Wilson Martins, Antônio Cândido, Álvaro Lins vivia então os seus tempos de grande prestígio entre o público leitor mais intelectualizado.

O contexto econômico e social dos anos 1970 e parte dos 1980 era diferente do atual. O capitalismo mundial ainda estava em expansão, a economia crescia, proporcionando uma melhora no padrão de vida mesmo aqui no Brasil, onde vivíamos os anos da ditadura. Apesar de grande parte da população ainda enfrentar dificuldades, formava-se, gradualmente, uma classe média que já dispunha de um padrão de vida suficiente, para que além dos itens básicos também pudesse consumir cultura. Na sociedade em geral, nos veículos de comunicação que se desenvolviam, como a televisão, o conhecimento e a cultura começavam a ser valorizados como instrumento importante para ascensão social e econômica. Observava-se assim, um aumento no número de editoras e livrarias entre os anos 1960-1980, como resultado do crescimento do número de estudantes em todos os níveis, e em função da melhora do poder aquisitivo da população em geral.

No entanto, depois das várias crises no setor editorial e livreiro brasileiro, o consumo de livros no Brasil não mudou significativamente ao longo dos últimos 20 anos. Segundo dados de pesquisas realizadas em 2022, 44% da população não leem e 30% nunca adquiriram um livro. Ainda segundo o Censo de 2022, apenas 16% das pessoas acima de 18 anos compraram algum livro nos 12 meses que antecederam a pesquisa. As classes A e B são as que mais compram livros; 34% da classe A e 25% da classe B adquirem livros, enquanto apenas 13% da classe C e 5% das classes D e E têm este hábito. 

Falta de incentivo nas escolas, além das dificuldades que ainda persistem na alfabetização dos alunos; ausência de apoio por parte dos órgãos governamentais e dos meios de comunicação através de campanhas educativas; alto preço dos livros (não há edições populares a preços acessíveis) e competição com outras formas de entretenimento como a televisão e, principalmente nos últimos anos, as mídias sociais, são considerados os principais motivos pelos quais o consumo de livros não aumentou e agora parece estar caindo. Segundo o professor Luis Rohden, decano da Escola de Humanidade da Unisinos (Universidade do Vale do Rio dos Sinos, Rio Grande do Sul), “a leitura demanda um esforço, uma concentração, uma dedicação, que muitas vezes nós não temos. Então esse espírito de rapidez, de agilidade, que as mídias nos colocam, nos impede de ter um tempo de maturação, onde possamos ruminar nesse sentido”.

Outra opinião é a do jornalista e editor gaúcho Rafael Guimarães, que em declaração ao site Brasil de Fato disse: “O livro é um fabricante de memória, assim como os jornais. A questão da efetiva democratização da informação, nos dois casos, é mais complicada. Os livros ainda são restritos e os jornais, no caso do Brasil, são vinculados a grupos com interesses econômicos e políticos bastante específicos. Muitas vezes, misturam a informação jornalística, que é de interesse público, com os interesses do proprietário. Talvez por isso estejam perdendo leitores para as redes sociais, o que é preocupante. Vemos os tais influencers, muitos sem qualquer preparo, produzindo para milhões de pessoas conteúdos irrelevantes, que muitas vezes reforçam preconceitos, ou atuam na área da fofoca e do culto a celebridades fabricadas pelos escritórios de gestão de imagem.”.

O celular se tornou o principal instrumento de contato com o mundo e na obtenção de informações e formação de opinião para grande parte da população, substituindo o livro em muitos casos. É comum ver pessoas absortas, esquecidas do que acontece à sua volta, com os olhos fixos na tela do celular. Todavia, o uso excessivo desta nova tecnologia, que afeta nosso cérebro de forma ainda pouco estudada, “contribui para que as pessoas se comportem cada vez mais como máquinas, mimetizando o funcionamento de computadores e perdendo peculiaridades analógicas de empatia, solidariedade e respeito à opinião alheia”, segundo o neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, em entrevista ao jornal do site GGN. Por isso é significativo o fato de que muitos empresários do Vale do Silício, epicentro da economia digital, proíbam seus filhos de fazer uso excessivo destas tecnologias. Bill Gates, criador da Microsoft, limitou o uso de celulares e o tempo de tela de seus filhos, conforme reportagem do jornal El Pais, publicada em 2019. O mesmo fazia o já falecido Steve Jobs, criador da Apple, que em entrevista ao jornal The New York Times em 2010 dizia que restringia o uso destas tecnologias para seus filhos, e que os proibia de usar o então recém-criado iPad.

Em livro publicado em 2020 intitulado “A fábrica de cretinos digitais” o neurocientista Michel Desmurget afirma que a “geração digital” é a primeira a ter um QI (quociente de inteligência) inferior ao dos seus país. Os dados foram coletados em uma pesquisa do Instituto Nacional de Saúde na França. Ao longo das gerações pesquisadas em várias partes do mundo há décadas, observou-se que o QI dos mais jovens sempre tendia a ser um pouco mais alto do que o das gerações mais velhas. Em seu estudo, Desmurget constatou o contrário. Em entrevista ao jornal eletrônico BBC, o cientista declarou que “infelizmente, ainda não é possível determinar o papel específico de cada fator, incluindo, por exemplo, a poluição (especialmente a exposição precoce a pesticidas) ou a exposição a telas. O que sabemos com certeza é que, mesmo que o tempo de tela de uma criança não seja o único culpado, isso tem um efeito significativo em seu QI. Vários estudos têm mostrado que quando o uso de televisão ou videogame aumenta, o QI e o desenvolvimento cognitivo diminuem.”.

Não é por outra razão que países educacionalmente mais avançados, e onde o Estado leva em consideração a individualidade do cidadão, como a Finlândia e a Suécia, os equipamentos digitais estejam sendo gradualmente abandonados, voltando-se ao bom e velho livro, à caneta (ou lápis) e aos cadernos. Pesquisas confirmam que a prática da escrita manual com algum tipo de instrumento para escrever – técnica em uso há pelo menos 5.500 anos desde a antiga Suméria – contribui no desenvolvimento de certas partes do córtex cerebral. Ainda em relatório recente de 2023, antevendo futuros problemas, a UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Ciência e a Cultura) sugeriu banir os celulares das salas de aula.

A tecnologia, seja qual for, deve ser sempre usada com reservas. Nenhuma delas incorpora apenas aspectos positivos e não é panaceia para resolver (quase) todos os problemas que enfrentamos. É o caso, por exemplo, do entusiasmo – em grande parte resultado de uma campanha publicitária bem arquitetada – que a sociedade mundial está demonstrando em relação à inteligência artificial, a famigerada “IA” ou “AI”, como dizem os americanos e os americanizados. Jonathan Crary, professor e ensaísta americano, nos alerta para os efeitos destas tecnologias em seu livro “Terra arrasada: Além da era digital, rumo a um mundo pós-capitalista”. Segundo o autor, um dos funestos aspectos destas tecnologias é o sua característica de domínio, atuando em benefício de grupos políticos e econômicos que as controlam através dos algoritmos, em detrimento da maior parte da população mundial.

Leituras diárias

terça-feira, 30 de julho de 2024


 

“A maior obra do reinado de D. João V foi a construção do gigantesco convento de Mafra, que empregou 40 mil homens e consumiu o equivalente a 140 toneladas  de ouro, ou vinte anos de arrecadação do quinto de ouro no Brasil.  Essa foi apenas a parte maior, mas não a mais conspícua dos gastos. Entre os regalos de Sua Majestade aos prelados, nenhum causou mais furor que os recebidos pelos cardeais Pereira e Cunha: 50 dúzias de pratos de ouro – para cada um. A mesma atenção recebeu a nobreza, como se nota no crescimento do pagamento de pensões, que saltou do equivalente a 4,5 toneladas de ouro anuais em 1681 para 8,5 toneladas em 1716 – e nada menos que 27,4 toneladas anuais em 1748.” (Caldeira, págs. 143 e 144)

 

Jorge Caldeira, História da Riqueza no Brasil – Cinco séculos de pessoas, costumes e governos

O "queridinho do mercado" da direita

segunda-feira, 29 de julho de 2024


 (Fonte: r/brasilivre e Jota Camelo)

Privatizou, se danou!

domingo, 28 de julho de 2024


 (Fonte: Ivan Valente/Brasil de Fato)

A frase do dia


 Povo

Conseguiram o que queriam: transformar o povo num cão que não morde. (Mas também não abana o rabo.)


Millôr Fernandes (1923-2012), escritor, jornalista, humorista e dramaturgo brasileiros em A Bíblia do Caos

Como as empresas sonegam impostos?

sábado, 27 de julho de 2024

O "mercado" (que inclui muitos empresários) reclama que o governo gasta demais. Como assim? O Brasil, tem número reduzido de funcionários públicos, em comparação com nações com o mesmo nível de desenvolvimento e população. Faltam servidores no serviço público, devido à protelação dos exames públicos e das contratações, durante governos anteriores.

(Fonte ASMETRO-SI)

Onde mais "cortar gastos"? Nas aposentadorias, nos programas de benefícios, na Saúde, na Educação, na Infraestrutura, na Pesquisa, na Cultura? 

Existe, no entanto, o reverso da moeda. Aqueles que exigem mais "austeridade", "corte de gastos", "contingenciamento" são muitas vezes aqueles que se utilizam de expedientes para não pagar os devidos impostos. 

Leia artigo "Entenda como empresas sonegadoras atuam para não pagar multas e juros sobre o IR", publicado no site da Central Única dos Trabalhadores (CUT), abaixo:

https://www.cut.org.br/noticias/entenda-como-empresas-sonegadoras-atuam-para-nao-pagar-multas-e-juros-sobre-o-ir-3083

Escolas cívico-militares

sexta-feira, 26 de julho de 2024


 (Fonte: Blog Virtualidades)

Alípio Dutra (1892-1964)


Conheça mais sobre a vida e obra do artista no site CATÁLOGO DAS ARTES abaixo:

https://www.catalogodasartes.com.br/cotacao/obrasdearte/artista/Al%EDpio%20Dutra%20/ordem/avaliacao_mais_recente/pagina/1/

Dia Nacional do Escritor

quinta-feira, 25 de julho de 2024



"No Brasil a gente pode escrever coisas bem audaciosas; isso não vem tanto porém da índole liberal do povo, quanto do fato de quase ninguém ler."


Adelino Magalhães (1887-1968) escritor brasileiro em Os marcos da emoção (citado por Paulo Rónai em Dicionário Universal de Citações)

Minha opinião

quarta-feira, 24 de julho de 2024



Minha opinião

 

Os dados mostram que o governo Lula está realizando mais do que o de Bolsonaro. Este último acabou conseguindo destruir menos do que de início havia anunciado – para sorte do país. Assim, alguns ministérios, mesmo esvaziados, ainda puderam sobreviver; várias privatizações não chegaram a ser realizadas por falta de tempo e leis polêmicas não foram aprovadas. Como dizem alguns, Bolsonaro e sua equipe não tiveram a capacidade de realizar o que eles e seus apoiadores planejavam fazer – em seu próprio benefício e em prejuízo da maior parte da população.

Lula, nos primeiros dias de seu governo e no entusiasmo da vitória, havia indicado que sua equipe preparava projetos de grande interesse. Agora, no segundo ano de seu mandato o país avança em várias áreas – forte redução no desemprego, aumento da média salarial, recorde nas exportações, volta dos financiamentos para diversos setores e um gradual crescimento da economia. Mas tudo isso ainda não é suficiente. Os salários médios, apesar de terem aumentado, ainda continuam sendo baixos em relação ao custo de vida. Os empregos com melhor remuneração, para os milhares de profissionais melhor preparados à procura de uma vaga, ainda são poucos. As ampliações ou novos investimentos no setor industrial – campo que oferece os melhores postos de trabalho – progridem lentamente.

O país não avançará da maneira como necessita, se contar somente com o setor agropecuário como o carro-chefe da economia. Apesar da grande participação do agronegócio no PIB, o numero de empregos, também nesta área, está diminuindo devido à crescente mecanização e automatização das atividades, fazendo com que a média mensal salarial não ultrapasse os R$ 2,5 mil, segundo dados recentes. Outro setor, o de serviços, cuja participação percentual no PIB e no número de empregos gerados nos últimos dez anos só vem aumentando, tornou-se a tábua de salvação para milhões de profissionais, principalmente para aqueles com baixo nível educacional. Neste setor, a média salarial (base maio 2024) situa-se em torno de R$ 1,7 a R$ 2,0 mil mensais.

Uma efetiva arrancada da economia só pode ocorrer com pesados investimentos públicos em obras de infraestrutura e financiamento de setores que absorvam muita mão de obra; caso da construção civil, das telecomunicações, da indústria têxtil, da cadeia da indústria alimentícia, do pequeno comércio, entre outros.

No entanto, dispondo de caixa baixo, ainda devido à crise econômica que vinha se arrastando desde 2016; dos custos da pandemia da Covid; e à gastança de Bolsonaro nos últimos meses de seu governo, com o intuito de se reeleger, o governo Lula não possui fundos suficientes para implantar tudo aquilo que é necessário e que havia planejado de início.

Na parte administrativa, área estratégica na gestão do país, o governo precisa reocupar cerca de 250 mil vagas que estão em aberto no serviço público, em todos os níveis. No caso do serviço público federal, por exemplo, uma em cada três vagas está desocupada. A falta de profissionais na máquina pública – por aumento da demanda de serviços, aposentadorias, mortes ou doenças incapacitantes de funcionários, entre outras causas – prejudica o andamento do atendimento do público.

As dificuldades, no entanto, não param por aí. O ministério do governo Lula, integrado por representantes da frente pluripartidária que se formou durante as eleições, e que até por isso deveria dar estabilidade administrativa ao governo, não está correspondendo às expectativas iniciais. Divergências de opiniões e interesses, suspeitas de irregularidades e autopromoção, são alguns dos obstáculos que o presidente está enfrentando no dia a dia com parte de sua equipe.

Fora do governo também sobram críticas, defendendo interesses de grupos ou dificultando avanços que beneficiariam econômica e socialmente a maior parte da população. Desde a manutenção dos juros altos pelo Banco Central (que é independente do governo), aumento da taxa do dólar (causadas, segundo diz a grande imprensa por declarações de Lula) e críticas às supostas “gastanças” do governo (segundo a grande imprensa, setor financeiro e empresários). Por “gastos”, entendem estes críticos os programas de Estado, como aposentadorias e pensões, programas sociais, benefícios diversos para idosos e pessoas com deficiências. Alguns pleiteiam até cortes na Educação e na Saúde. Estes programas e benefícios são garantidos à população, principalmente às classes baixas, através da Constituição de 1988. Os argumentos para os cortes nestes programas são de que os gastos do governo provocam a alta da inflação e o endividamento do Estado. Não discutiremos aqui os fundamentos bastante polêmicos destas alegações, baseadas em visões ideológicas e não em teorias científicas. Quem se interessar mais a fundo pelo assunto, poderá comparar as opiniões divergentes dos economistas.  

Para completar este difícil quadro enfrentado pelo governo, o Congresso também dá sua contribuição.  Senado e Câmara Federal, cuja maioria é formada por políticos de oposição ao governo integrantes da direita (conservadores, passando por reacionários até direitistas radicais) – visceralmente adversários dos partidos de esquerda e de suas causas – têm muitos de seus membros integrando as bancadas (grupos de interesse) que dominam parte do Legislativo. Bancada do boi, que defende os interesses dos ruralistas; bancada da bala, representando as causas dos armamentistas e a bancada da Bíblia, que representa os interesses de grupos e tendências evangélicas (mas também católicas), são as principais. Além desses, há os grupos de políticos de “causas próprias”; os que votam projetos que primordialmente beneficiem sua região de origem (ou seja, sua própria carreira política) ou até os próprios parentes. 

Assim, de uma maneira muito geral, temos o quadro que em nossa análise retrata a situação atual da politica brasileira. O governo Lula com certeza poderia fazer muito mais, não houvessem tantos empecilhos como os citados acima e, principalmente, os grupos de oposição, cada um defendendo seus próprios interesses, que em pouco coadunam com as necessidades de grande parte da população brasileira. O trabalho do governo Lula e de outras administrações sequentes, se atuarem na mesma linha ideológica, será longo e trabalhoso, cheio de obstáculos. Escreveu o pensador e revolucionário Leon Trotsky (1879-1940): “A ascensão histórica da humanidade, tomada como um todo, pode ser resumida como uma sucessão de vitórias da consciência sobre forças cegas – na natureza, na sociedade, no próprio homem.”.

Leituras diárias

terça-feira, 23 de julho de 2024


 

“Platão era notoriamente hostil à arte. Como teórico político tinha medo da força emocional irracional das artes; sua força para dizer mentiras atrativas ou verdades subversivas. Era a favor de uma rígida censura e queria banir os dramaturgos do Estado ideal. Também tinha medo dos artistas em si. Ele era um homem muito religioso e sentia que a arte era hostil à religião assim como à filosofia: a arte era um tipo de substituto egoísta à disciplina da religião. O paradoxo é que a obra de Platão é grande arte, em um sentido que ele não reconhecia teoricamente. O filósofo dizia existir uma velha querela entre a filosofia e a poesia e nós precisamos lembrar de que no tempo de Platão a filosofia, como a conhecemos, estava emergindo de todo tipo de poesia e especulação teológica. A filosofia faz progressos por se definir como não sendo algo diferente (do que é): no tempo de Platão separou-se da literatura, no século XVII e XVIII das ciências naturais, no século XX da psicologia.” (Murdoch, pág. 13).

 

Iris Murdoch (1919-1999) filósofa e novelista britânica em Existencialistas e Místicos – Textos sobre filosofia e literatura (Existentialists and Mystics – Writings on philosophy and literature – tradução de Ricardo E. Rose)

Essa não poderia faltar

segunda-feira, 22 de julho de 2024




Jamey Johnson 

High Cost of Living (2008)


https://www.youtube.com/watch?v=GpEOmZTYA4A

Não pode gastar com o povo, senão...


 (Fonte: Jota Camelo no X)

O que é economia ecológica?

domingo, 21 de julho de 2024

(Fonte: Quora / Get Tech)

Os recentes fenômenos climáticos, ocorridos no Brasil e em outras partes do mundo, fizeram com que muitas pessoas finalmente acordassem para a questão ambiental.  

A economia capitalista, à maneira que vem sendo conduzida, colocou a humanidade frente a um dilema: "o que acabará primeiro; o capitalismo ou a natureza?"

O funcionamento da economia precisa ser urgentemente revisto. Soluções paliativas não resolverão o problema fundamental: os recursos naturais estão sendo rapidamente usados e destruídos. 

Sobre isso leia artigo "Economia ecológica busca equilíbrio entre meio ambiente e crescimento econômico", publicado no Jornal da USP:

https://jornal.usp.br/radio-usp/economia-ecologica-busca-um-equilibrio-entre-meio-ambiente-e-crescimento-economico/

Outras leituras

sábado, 20 de julho de 2024


 

Pense bem nos motivos para acreditar e não acreditar, no que sua religião lhe ensina e exige tão inexoravelmente que você acredite. Estou convencido de que se você seguir de perto a luz natural do seu espírito, você verá... que todas as religiões do mundo são apenas invenções humanas e que tudo o que a sua religião lhe ensina e o força a acreditar como sobrenatural e divino é ao mesmo tempo erro, mentira, ilusão e malandragem.”


“Para descobrir os verdadeiros princípios da moralidade, os homens não precisam de teologia, de revelação ou de deuses. Eles precisam apenas de bom senso. Basta-lhes olhar para dentro de si, refletir sobre a sua própria natureza, consultar os seus interesses óbvios, considerar o objeto da sociedade e de cada um dos membros que a compõem, e compreenderão facilmente que a virtude é uma vantagem, e que o vício é uma lesão aos seres da espécie.”


 

Jean Meslier (1664-1729), padre católico francês em Memória: o testamento de Jean Meslier

Frases de Meio Ambiente

sexta-feira, 19 de julho de 2024


“A economia é uma subsidiária integral do meio ambiente, e não o contrário.”

 

Herman E. Daly (1938-2022) economista ecológico americano 



 (Foto: Brasil de Fato)

Essa não poderia faltar


 West, Bruce & Laing


Dirty shoes (1973)

https://www.youtube.com/watch?v=9Nz5Ow-tsLU

Walter Lewy (1905-1995)

quinta-feira, 18 de julho de 2024


Conheça mais sobre a vida e obra do artista no site Escritório de arte abaixo:

https://www.escritoriodearte.com/artista/walter-lewy

Fim do mundo (há gente que acredita)


 (Fonte: Blog Um sábado qualquer)

Tudo o que você podia ser - Milton Nascimento e Lô Borges

quarta-feira, 17 de julho de 2024

 Música brasileira


Milton Nascimento e Lô Borges

Álbum: Clube da Esquina (1972)

Música: Tudo o que você podia ser 



https://www.youtube.com/watch?v=v43du81eZHw


Clube da Esquina é um  álbum de estúdio produto da reunião de músicos brasileiros conhecidos como Clube da Esquina, liderado pelos cantores e compositores Milton Nascimento e Lô Borges, a quem o álbum foi creditado.  O LP foi eleito em uma lista da versão brasileira da revista Rolling Stone como o 7º melhor disco brasileiro de todos os tempos. Em setembro de 2012, foi eleito pelo público da rádio Eldorado FM, do portal Estadão.com e do Caderno C2+Música como o segundo melhor disco brasileiro da história.

 

Fonte do texto: Wikipedia

Leituras diárias

terça-feira, 16 de julho de 2024


“O início da sabedoria é a consciência de que existe insuficiente evidência de que um deus ou deuses nos criaram e o reconhecimento de que somos parcialmente responsáveis por nosso próprio destino.”

 

Paul Kurtz (1925-2012) filósofo americano, citado por Joan Konner em The Atheist Bible

Ainda os pobres de direita

segunda-feira, 15 de julho de 2024

 

(Fonte: r/brasil)

É preciso taxar lucros e dividendos!

domingo, 14 de julho de 2024

(Fonte: Brasil de Fato)

13/7 - Dia Mundial do Rock

sábado, 13 de julho de 2024


(Fonte: Consultoria do rock)

Conheça aquela canção que foi considerada "a melhor canção de rock de todos os tempos" em votação organizada pela revista eletrônica Planet Rock:



Veja quais são as outras músicas mais votadas:



Veja também a homenagem à banda em 2 de dezembro de 2012 no Kennedy Center em Washington, DC, USA. Aparecem (com medalhas) Robert Plant (vocal), Jimmy Page (guitarra) e John Paul Jones (baixo). O baterista John Bonham faleceu em 1980  (seu filho toca bateria nesta apresentação):

A frase do dia

sexta-feira, 12 de julho de 2024


 

“Devemos reconhecer e proclamar em voz alta, que cada um, qualquer que seja a sua posição na velha sociedade, seja forte ou fraco, capaz ou incapaz, tem, antes de tudo, o direito de viver e que a sociedade é obrigada a partilhar entre todos, sem exceção, os meios de existência que tem à sua disposição.”

 

Pyotr Alexeyevich Kropotkin (1842-1921), geógrafo, pensador e anarquista russo em A conquista do pão

A religião do pastafarianismo

quinta-feira, 11 de julho de 2024

A sociedade brasileira sempre foi aberta às novas crenças. Mas sempre é bom lembrar, que de acordo com nossa Constituição temos um governo laico, ou seja, um governo SEM religião. 

Somente um governo laico pode promover a verdadeira liberdade religiosa no país, sem privilegiar uma crença em detrimento de outras. 

A liberdade religiosa permite que todos professem suas convicções religiosas - mesmo aqueles que não as têm.


Conheça o pastafarianismo, mais uma religião que entrou na disputa pelas almas dos humanos. Leia sobre a doutrina desta crença nos links abaixo:

https://www.desfavor.com/blog/2016/05/pastafarianismo/

e

https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/igreja-do-monstro-do-espaguete-voador-o-que-e-o-pastafarianismo.phtml

Sem anistia!

quarta-feira, 10 de julho de 2024


(Fonte: r/brasil / Reddit)
 

Palhaço - Egberto Gismonti

 Música brasileira


Egberto Gismonti

Álbum: Circense (1980)

Música: Palhaço




https://www.youtube.com/watch?v=g-YW7I5_3AE


Circense é um álbum de estúdio de 1980 gravado pelo compositor e multi-instrumentista brasileiro Egberto Gismonti. O álbum foi criado com a ideia de ser um “circo musical” e suas sessões contam com alguns dos mais queridos músicos brasileiros da época. Foi listado pela Rolling Stone Brasil como um dos 100 melhores álbuns brasileiros da história.


Fonte do texto: Wikipedia e tradução de Google)

Eduardo Kobra (1975-)

terça-feira, 9 de julho de 2024


Conheça mais sobre a vida e obra do artista no site Westwing abaixo:

https://www.westwing.com.br/guiar/eduardo-kobra/

Fim do mundo (tem gente que acredita)


 

Leituras diárias

segunda-feira, 8 de julho de 2024


 

“Não é apenas uma coisa do passado que as pessoas duvidassem da realidade do conceito do ego e da existência de um ego; os céticos já há muito declararam que isso era incerto, mas foi apenas (David) Hume quem realmente o negou, e para (Ernst) Mach tornou-se irredimível. Nos meus livros ela é identificada com a continuidade da memória, ou seja, com a aparência especial de um quebra-cabeça. Nem preciso notar que o conceito de ego tem uma relação lógica completamente “amaldiçoada” com o conceito de Deus. Até mesmo o Eu, que ninguém ainda viu ou experimentou de outra forma, foi inventado como uma causa, como a causa última da unidade de todo organismo vivo presente à compreensão humana, assim como Deus foi inventado como a Causa Primeira ou a Causa Final do unidade mundial imaginada. O paralelo poderia ser continuado: tanto no conceito de ego quanto no conceito de Deus, a causa efetiva se une à causa final para formar o conceito de um criador.” (Mauthner, pag. 124).

 

Fritz Mauthner, O ateísmo e sua história no Ocidente (Original alemão Der Atheismus und seine Geschichte im Abendland)

Essa não poderia faltar

domingo, 7 de julho de 2024


Beatles

Eleanor Rigby  (1966)

https://www.youtube.com/watch?v=HuS5NuXRb5Y&list=RDHuS5NuXRb5Y&start_radio=1



Sobre as águas


 (Fonte: NaniHumor)

Noam Chomsky - vivendo em um sistema autoritário

sábado, 6 de julho de 2024

Assista vídeo de Noam Chomsky falando sobre autoritarismo.

A entrevista está disponível no site mvpetri, no link abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=eMhkhStPkWo

O segredo das zonas azuis

sexta-feira, 5 de julho de 2024

Leia o artigo "Como viver até os 100 anos: os segredos das zonas azuis"; áreas onde as pessoas vivem significativamente por mais tempo. 

O texto está disponível no link abaixo:

https://www.comciencia.br/como-viver-ate-os-100-os-segredos-das-zonas-azuis/#more-10170 

Outras leituras

quinta-feira, 4 de julho de 2024

 


Lucas Alamán, fundador do Partido Conservador do México e historiador de renome, declarou em 1846 que o país estaria perdido se a Europa não viesse em seu auxílio e logo os fatos lhe deram razão quando ficou evidente que a salvação do México estava em se defender dos Estados Unidos. Em agosto de 1847, observando por um binóculo do telhado de sua casa o triste desfecho da batalha de Padierna, Alamán viu a bandeira estrangeira erguida entre nuvens de fumaça. Ele lembrou a queda das antigas civilizações pré-hispânicas e temeu que a guerra, injusta por qualquer critério, significasse o fim da nação mexicana. Embora o resultado não tenha sido tão grave, o México perdeu mais da metade de seu território: dois milhões de quilômetros quadrados, inclusive os depósitos de ouro da alta Califórnia, que estavam entre os mais ricos do mundo.” (Fukuyama, pág. 69)

 

Francis Fukuyama (1952-) (editor) em Ficando para trás – Explicando a crescente distância entre América Latina e Estados Unidos

Lucro recorde dos bancos em 2023


(Fonte: Peregrinacultural's Weblog/ Walt Disney)

A classe média brasileira está gradativamente perdendo seu poder de compra e a classe baixa mal consegue comer.

Mas os bancos e todos aqueles que vivem do mercado financeiro estão muito bem. Veja a quanto chegou o astronômico lucro dos bancos em 2023 em artigo da Newsletter da Carta Capital:

https://www.cartacapital.com.br/cartaexpressa/lucro-de-bancos-no-brasil-bate-recorde-e-chega-a-r-145-bilhoes-em-2023/

  

A Cidade - Chico Science & Nação Zumbi

quarta-feira, 3 de julho de 2024

Música brasileira


Chico Science & Nação Zumbi

Álbum: Da Lama ao Caos (1994)

Música: A Cidade



https://www.youtube.com/watch?v=S00m_oKqT5k


Da Lama ao Caos é o primeiro álbum de estúdio da banda pernambucana Chico Science & Nação Zumbi, lançado em 1994. Considerado um verdadeiro clássico da música brasileira, apresentou um som revolucionário, com canções energéticas, muito bem elaboradas, mesclando funk rock com maracatuemboladapsicodelia e música Afro. Além disso, foi o disco que inaugurou a cena Manguebeat e foi também um dos responsáveis pela "abertura de portas" para o rock dos anos 90 exercendo uma influencia muito forte para o que surgiria depois. O álbum está na lista dos 100 melhores discos da música brasileira da Rolling Stone na 13ª posição.

 

(Fonte Wikipedia)

Leituras diárias

terça-feira, 2 de julho de 2024


“Alguns deuses morrem. Pode parecer óbvio que os deuses são sempre considerados eternos. Poderíamos até pensar que isso deve fazer parte da definição de “deus”. No entanto, muitos budistas pensam que os deuses, tal como os humanos, estão presos num ciclo interminável de nascimentos e reencarnações. Portanto, os deuses morrerão como todas as outras criaturas. Isso, porém, leva muito tempo e é por isso que os humanos, desde tempos imemoriais, oram aos mesmos deuses. Na verdade, os deuses estão em desvantagem em comparação com os humanos. Ao contrário dos deuses, poderíamos, pelo menos em princípio, escapar do ciclo da vida e do sofrimento. Os deuses devem primeiro reencarnar como humanos para fazer isso.”

 

Pascal Boyer, Religion Explained – The origin of religious thought (Religião explicada – a origem do pensamento religioso)

Jota Mombaça (1991-)


Conheça mais sobre a vida e obra do artista no site GUIA DAS ARTES abaixo:

https://www.jotamombaca.com/

Leituras diárias

segunda-feira, 1 de julho de 2024


“O imposto progressivo foi utilizado em larga escala para o esforço de guerra e para financiar a reconstrução. Piketty observa que, no pós­-guerra, a dívida pública atingia 150% da renda nacional nos Estados Unidos, 180% na Alemanha, 270% na França e incríveis 310% no Reino Unido. Essa dívida foi financiada por diferentes mecanismos: emissão de moeda (que causa inflação), impostos excepcionais sobre os mais ricos ou pura e simples anulação. Piketty enfatiza que o dogma canhestro de que 'toda dívida tem que ser paga' não corresponde à realidade histórica. Anulações de dívidas não são raras na história. A dívida da Alemanha ocidental, por exemplo, foi anulada em 1952, o que permitiu financiar a reconstrução do país e estabilizar a sociedade por meio do gasto social.”

 

Alexandre Alves, Doutor em história econômica pela Universidade de São Paulo - USP e pós-doutorado no Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade do Vale do Rio dos Sinos – UNISINOS em Capital e ideologia de Thomas Piketty, um breve guia de leitura