Outras leituras

terça-feira, 5 de maio de 2026

“Dados recentes e mais precisos demonstram que o nível de desigualdade no Brasil é bem mais alto do que se estimava anteriormente. Estimativas prévias sugeriam que as políticas que miraram a desigualdade nas últimas décadas tiveram sucesso em reduzi-la de modo significativo, mas evidências recentes indicam que a desigualdade nacional de renda permaneceu relativamente estabilizada em níveis altos nos últimos 15 anos. A queda na desigualdade da renda do trabalho, apesar de ser mais moderada do que se pensava, é confirmada pelas novas estimativas. A distribuição de renda no Brasil permaneceu estável e extremamente desigual nos últimos 15 anos, com os 10% do topo recebendo mais de 55% da renda total em 2015, enquanto a participação dos 50% da base ficou pouco acima de 12% e a dos 40% intermediários, aproximadamente em 32%. Embora a desigualdade nos 90% da base tenha caído, por causa da compressão das rendas do trabalho, a concentração no topo da distribuição aumentou no período, refletindo uma concentração cada vez maior das rendas de capital.

Desde a crise financeira global em 2008, a parcela do crescimento total na renda capturada pelos 10% mais bem remunerados foi a mesma que nos anos que a antecederam, de forte crescimento. Os 50% mais mal remunerados se apropriaram de uma parcela muito limitada do crescimento total entre 2001-2015. Até agora, as transferências de dinheiro tiveram um impacto apenas limitado na redução da desigualdade na renda nacional.”

 

Thomas Piketty (1971-) economista francês (organizador) em Relatório da Desigualdade Mundial 2018

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