“A
aparentemente fundamental indagação filosófica: ‘Quanto de nossa ciência é mera
contribuição da linguagem e quanto é um reflexo genuíno da realidade?’ talvez
seja uma falsa pergunta, que surge, ela própria, inteiramente de certo tipo
particular de linguagem. Certamente, nos colocaremos em uma situação difícil se
tentarmos responder à pergunta porque, para isso, temos de falar sobre o mundo
tanto quanto sobre a linguagem, e, para falar sobre o mundo, já temos de impor
ao mundo algum esquema conceitual peculiar à nossa própria linguagem
específica.
Apesar
disso, não devemos cair a conclusão fatalista de que estamos condenados ao
esquema conceitual em que fomos educados. Nós podemos muda-lo pouco a pouco,
peça por peça, embora, nesse meio tempo, não haja nada para nos levar em frente
a não ser o próprio esquema conceitual em evolução. A tarefa do filósofo foi
corretamente comparada por Neurath à de um marinheiro que tem de reconstruir
seu navio em alto mar.”
Willard Van Orman Quine (1908-2000), filósofo e professor
estadunidense em De Um Ponto de Vista
Lógico


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