Jean-Claude Guillebaud

domingo, 1 de novembro de 2026

 

“Nestas condições, os desejos da massa poderiam, sem grande dificuldade, ser orientados para um consumo determinado e para o consumismo em geral. É verdade que os benefícios políticos esperados dessa operação não eram negligenciáveis. A promoção do consumismo não servia apenas para fazer a economia girar. Fabricar consumidores em vez de cidadãos permitia colocar uma sociedade (relativamente) ao abrigo das paixões políticas e das reivindicações plebeias. Em outras palavras, as massas tornavam-se dóceis por meio do consumo. As teses de Bernays tinham tudo para agradar as grandes sociedades que contrataram seus serviços. Para satisfazer os produtores de porcos, ele promoveu a moda dos ovos com bacon no café da manhã; para a empresa Procter & Gamble, ele tornou popular junto às crianças o sabão Ivory; em benefício dos caminhões Mack Truck, ele arruinou deliberadamente a imagem das ferrovias.”

“Citemos André Gorz: ‘Encontra-se no terreno do consumo a mesma sujeição de si que constatávamos no domínio do trabalho. A incitação para que o consumidor produza a si mesmo à imagem do que a publicidade lhe propõe, e para que mude sua identidade de empréstimo segundo as mudanças dos gostos da moda, prepara-o para produzir-se em seu trabalho de acordo com o modelo que o tornará empregável e vendável. Em qualquer um desses casos, a atividade de produzir a si mesmo é a chave que dá acesso ao mudo social.’ ”

 

Jean-Claude Gullebaud (1944-2025), escritor, jornalista e ensaísta francês em A Vida Viva – Contra as novas dominações (2011)

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