“Nestas
condições, os desejos da massa poderiam, sem grande dificuldade, ser orientados
para um consumo determinado e para o consumismo em geral. É verdade que os
benefícios políticos esperados dessa
operação não eram negligenciáveis. A promoção do consumismo não servia apenas
para fazer a economia girar. Fabricar consumidores em vez de cidadãos permitia
colocar uma sociedade (relativamente) ao abrigo das paixões políticas e das
reivindicações plebeias. Em outras palavras, as massas tornavam-se dóceis por
meio do consumo. As teses de Bernays tinham tudo para agradar as grandes
sociedades que contrataram seus serviços. Para satisfazer os produtores de
porcos, ele promoveu a moda dos ovos com bacon no café da manhã; para a empresa
Procter & Gamble, ele tornou popular junto às crianças o sabão Ivory; em
benefício dos caminhões Mack Truck, ele arruinou deliberadamente a imagem das
ferrovias.”
“Citemos
André Gorz: ‘Encontra-se no terreno do consumo a mesma sujeição de si que
constatávamos no domínio do trabalho. A incitação para que o consumidor produza
a si mesmo à imagem do que a publicidade lhe propõe, e para que mude sua
identidade de empréstimo segundo as mudanças dos gostos da moda, prepara-o para
produzir-se em seu trabalho de acordo com o modelo que o tornará empregável e
vendável. Em qualquer um desses casos, a atividade de produzir a si mesmo é a
chave que dá acesso ao mudo social.’ ”
Jean-Claude Gullebaud (1944-2025), escritor, jornalista e ensaísta francês em A Vida Viva – Contra as novas dominações (2011)

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