"Sem mais o antigo ritmo, tão propício às culturas, o clima de S. Paulo vai mudando. Não o conhecem mais os velhos sertanejos afeiçoados à passada harmonia de uma natureza exuberante, derivando na intercadência firme das estações, de modo a permitir-lhes fáceis previsões sobre o tempo." - Euclides da Cunha - Migalhas de Euclides da Cunha
Escrevo este texto no Dia
Mundial do Ambiente, 5 de junho de 2016. A data foi instituída pela ONU durante
a Conferência Mundial do Meio Ambiente, realizada em Estocolmo em 1972. Há 44
anos, portanto. Trata-se de uma data comemorativa, no sentido original da
palavra latina comemorare:
"trazer à memória", "lembrar-se", e não no sentido em que
usualmente a empregamos, como "comemoração" e "celebração".
Em relação ao meio ambiente, infelizmente, não há quase nada a celebrar.
O contexto econômico e
social em que foi criada a data, nos dizem bastante sobre a gravidade da
situação ambiental em todo o mundo, já naquela época. Apesar da Guerra Fria, o
capitalismo estava em pleno desenvolvimento, impulsionado pela gigantesca expansão
da economia mundial nos anos posteriores à 2ª Guerra Mundial. O preço do mais
importante combustível da sociedade industrial, o petróleo, ainda estava barato
- o aumento de mais de 400% no preço do barril só ocorreria em 1973, com a
Crise do Petróleo. A indústria americana estava em plena expansão: a demanda
por moradias, eletrodomésticos, automóveis e demais produtos de consumo crescia
a cada ano. A Europa e o Japão, ajudados pelos financiamentos do Plano
Marshall, recuperavam e ampliavam seu parque industrial, ingressando
definitivamente no capitalismo estilo americano; a sociedade de consumo.
A intensa atividade
industrial, o avanço da agricultura planificada, a expansão das cidades e o
aumento do consumo - mesmo nos países pobres - foram os principais aspectos do
capitalismo mundial daqueles anos. Outra característica é que as leis de
proteção ao meio ambiente eram quase inexistentes, mesmo nos países altamente
industrializados. Rios poluídos por efluentes industriais e descargas de
produtos químicos em terrenos desocupados eram cenas comuns na Europa e nos
Estados Unidos - "Erin Brockovich" (2000), estrelado por Julia
Roberts e "A qualquer preço" (A Civil Action,1998) com John Travolta,
são filmes que retratam estes fatos nesta época nos Estados Unidos. Nos países ainda
comunistas, o meio ambiente era tratado com menos cuidado ainda. A destruição
causada pela indústria nestes regimes, ficou conhecida depois da queda do Muro
de Berlim.
Os tempos estavam maduros,
principalmente nos países capitalistas industrializados. Aqui e ali surgiram as
organizações não governamentais (ONGs) - Friends of the Earth (1969);
Greenpeace (1971); WWF (1961); Worldwatch Institute (1974) - convocando manifestações,
preparando abaixo-assinados, pressionando políticos; a fim de que fossem
criadas leis ambientais rígidas e eficientes para coibir a degradação dos
recursos naturais. Toda essa ação converge para a criação de uma legislação
local e internacional, voltada à proteção do meio ambiente e, como
consequência, fiscalizar governos e o
setor privado. Foi nesse contexto que se realizou a Conferência Mundial do Meio
Ambiente, em 1972.
De lá para cá, outros fatos influenciam
nossa atitude em relação à natureza: o acidente nuclear de Chernobyl, o
aquecimento global, a Queda do Muro de Berlim, a invenção da internet, as
telecomunicações, a expansão do capitalismo global e a sociedade de consumo...
Nossa atitude em relação ao meio ambiente mudou para melhor, mas de maneiras
diferentes os recursos naturais continuam sendo explorados e dissipados como
antes. Lembremo-nos do Meio Ambiente!
(Imagens: fotografias de megalitos)
1 comments:
Parabéns pelo artigo!
Conteúdo muito bom e de fácil entendimento!
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