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quarta-feira, 29 de maio de 2019Marx e as ideias dominantes em cada época
sábado, 25 de maio de 2019
"'A atitude de Nietzsche pode ser concebida como um spinozismo mais radical. Spinoza, sustenta o filósofo, não levou a batalha contra o antropomorfismo longe o bastante.' Em suma, no contexto do pensamento nietzschiano, não só Deus, mas também 'as sombras de Deus' teriam que ser removidas." - André Martins (org.) O mais potente dos afetos: Spinoza e Nietzsche
Estudando a filosofia de Hegel, Marx
passou gradativamente a criticá-la, utilizando como instrumento, entre outros,
os autores materialistas da Antiguidade – Demócrito e Epicuro – os quais
examinou em sua tese de doutorado. Ainda neste período de formação de sua
filosofia, Marx foi também influenciado pela chamada “esquerda hegeliana”;
grupo de filósofos que se utilizando da dialética hegeliana, combatia a visão
idealista de Hegel, tendo como pressuposto uma abordagem materialista. A maior
parte das críticas de filósofos como Bruno Bauer (1809-1882), David Strauss
(1808-1874), Max Stirner (1806-1856) e Ludwig Feuerbach (1804-1872), principais
expoentes da esquerda hegeliana, eram dirigidas à religião.
Estas críticas, no entanto, segundo
Marx, ainda não atingiam diretamente o ponto. Os membros da esquerda hegeliana
criticavam as idéias religiosas como produto da consciência; atacavam-nas como
idéias incorretas sobre a realidade. Marx dizia que esta crítica ainda era
metafísica, idealista, pois não ia às causas das idéias religiosas. Não cabia
provar que conceitos metafísicos como “alma”, “Deus”, “eternidade” eram
ilusões; era necessário identificar as origens de tais conceitos. Em relação a
este ponto, escreve Marx na segunda nota das Teses sobre Feuerbach:
“A
questão de saber se é preciso conceder ao pensamento humano uma verdade
objetiva não é uma questão de teoria, porém uma questão de prática. É na
prática que o homem deve comprovar a verdade, isto é, a realidade efetiva e a
força, o caráter terrestre de seu pensamento. A disputa referente à realidade
ou à não-realidade efetiva do pensamento – que está isolada da prática – é uma
questão puramente escolástica.” (Marx
apud Labica, 1990, p.31)
Marx aprofunda então sua crítica,
dizendo que os integrantes da esquerda hegeliana são conservadores, já que
combatem, segundo Reale e Antiseri, “contra frases e não contra o mundo real de
que tais frases são o reflexo”. Ainda é Marx que escreve: “Não veio à mente de
nenhum desses filósofos procurar o nexo existente entre a filosofia alemã e a
realidade alemã, o nexo entre a sua crítica e o seu próprio ambiente material”
(Marx apud Reale e Antiseri, 1991, p.
187)
É a partir da crítica à religião que
Marx mais adiante passará à crítica de toda a ideologia e terá condições de
explicar a origem da superestrutura – as idéias e instituições que mantêm a
sociedade. Nos Manuscritos
Econômico-Filosóficos, escreve Marx:
“Este
é o alicerce da crítica irreligiosa: o homem faz a religião; a religião não faz
o homem. Mas o homem não é um ser abstrato, acovardado fora do mundo. E a
religião é de fato a autoconsciência e o sentimento de si do homem, que ou não
se encontrou ainda ou voltou a perder-se. O homem é o mundo do homem, o Estado
a coletividade. Este Estado e esta
sociedade produzem a religião, uma consciência invertida do mundo, porque eles
são um mundo invertido.”
(Marx, 2005, p. 45 – negrito nosso).
Nestes escritos Marx já identifica a
religião como sendo algo criado pelo homem; pelos mesmos que dominam o Estado e
a sociedade. Daí para explicar o restante das produções do espírito humano foi
apenas um passo. Marx identificou dois aspectos nas sociedades, que para nós
podem ser evidentes depois de tanto terem sido repetidas por vários pensadores,
mas que foram revolucionários à sua época:
a)
Que
a religião, junto com todo o resto da cultura é uma produção humana, espelho
das condições socioeconômicas; e

Em outras palavras, Marx identificou a
relação existente entra as idéias e as instituições de uma sociedade e a
maneira como funcionava sua economia. Em relação a esta ideia, escreve Marx em A
Miséria da
Filosofia:
“As
relações sociais estão intimamente ligadas às forças produtivas. Adquirindo
novas forças produtivas, os homens mudam seu modo de produção e, mudando o modo
de produção, a maneira de ganhar a vida, mudam todas as suas relações sociais.
O moinho manual nos dará a sociedade com o suserano; o moinho a vapor, a
sociedade com o capitalismo industrial. Os
mesmos homens que estabelecem as relações sociais em conformidade com sua
produtividade material produzem também princípios, as ideias, as categorias, em
conformidade com suas relações sociais. Assim, essas ideias, essas
categorias são tão pouco eternas quanto as relações que exprimem. São produtos
históricos e transitórios.
(Marx, 2007, p. 100-101 – negrito nosso).
Um exemplo clássico desta análise é o
da sociedade feudal; estática, dividida basicamente em três classes: a nobreza,
os religiosos e os servos. Esta divisão de classes reflete a maneira como a
sociedade feudal era economicamente estruturada; o seu modo de produção (pelo
menos em grande parte da alta Idade Média). Os senhores feudais; a nobreza eram,
junto com a Igreja, detentores das terras agricultáveis – a agricultura era a
principal atividade econômica. Os servos de gleba eram responsáveis pela
produção, pela manutenção material da sociedade.
Sob ponto de vista econômico eram os
servos, que praticando a agricultura e o artesanato, proviam a sociedade. A
principal atividade dos nobres eram os torneios e as batalhas, além de gerirem
a política; aos religiosos cabia cuidar dos aspectos espirituais da sociedade:
a religião e a cultura. Nobres e religiosos viviam, pois, à custa dos servos.
Para manter e justificar esta estrutura social, este “modo de produção feudal”,
como dizia Marx, havia necessidade do uso da força e de ideias.
A força era largamente aplicada,
principalmente durante as perseguições aos hereges (que questionando a
religião, colocavam em dúvida a estrutura social) e na repressão de levantes de
agricultores e artesãos, notadamente no final da baixa Idade Média. Além disso,
havia a violência diária, praticada pelo nobre e pelo bispo através de seus
agentes.
As idéias foram sendo elaboradas aos
poucos, sempre adaptadas às necessidades espirituais de cada período (não
podemos esquecer de que a Idade Média é um nome para um longo período de mil
anos na história da sociedade ocidental). Alguns exemplos refletem bem a
relação entre a superestrutura e a infraestrutura; e a justificação desta pela
outra:
- Assim como a sociedade era formada
por servos e nobres – estes divididos em marqueses; condes; barões; príncipes;
e reis, etc. – a hierarquia celestial também era formada por anjos; arcanjos;
querubins; etc., até chegar a Deus. Havia também uma hierarquia infernal,
formada por figuras como Astarot, Asmodeu, Belzebu, etc., cada um com uma
atribuição, até chegar a Lúcifer ou o Demônio;
- O próprio inferno, segundo Dante
Alighieri escreve na Divina Comédia (e nisso se baseava em uma tradição
cultural que já estava formada à sua época), era dividido em nove círculos e
diversas seções – havia até uma hierarquia entre os pecadores e seus pecados;
- As próprias guildas, as associações
de artesãos da baixa Idade Média, tinham uma rígida hierarquia, refletindo
graus de experiência e conhecimento; os mestres e os diferentes graus de
aprendizes.
Outro aspecto da sociedade feudal é
sua visão estática do mundo. Nada mais havia a explicar – e, consequentemente a
pesquisar – já que tudo havia sido estabelecido por alguns sábios da
Antiguidade, como Ptolomeu (astronomia), Aristóteles (ciências naturais)
Hipócrates e Galeno (medicina), entre outros. Os escritos destes sábios, por
outro lado, havia sido aprovada pela Igreja, a representante de Deus na terra,
e deste modo eram lei. Dentro desta estrutura social e culturalmente estática –
exatamente para justificar e manter as
relações de produção – as inovações eram lentas e controladas.
A análise de Marx permitiu que
enxergássemos a sociedade e seu desenvolvimento sob outra ótica, ultrapassando
as visões metafísicas e “místicas”. Finalizamos este texto com a oitava nota
das Teses sobre Feuerbach: “Toda vida
social é essencialmente prática. Todos os mistérios que orientam a teoria para
o misticismo encontram sua solução racional na prática humana e na compreensão
desta prática” (Marx apud Labica,
1990, p.34).
Bibliografia:
Labica, Georges. As “Teses sobre
Feuerbach de Karl Marx”. Rio de Janeiro. Jorge Zahar Editor: 1990, 194 p.
Marx, Karl. A miséria da filosofia. São Paulo. Editora Escala: 2007, 156
p.
Marx Karl. Manuscritos Econômicos-Filosóficos.
São Paulo. Editora Marin Claret: 2005, 198 p.
Reale, Giovanni. Antiseri Dario. História
da Filosofia Vol. III. São Paulo.
Paulus Editora: 1991, 1113 p.
(Imagens: pinturas de Giuseppe de Nittis)
Você sabia (meio ambiente)?
sábado, 18 de maio de 2019
"A dissociação absoluta necessária para evitar a catástrofe ambiental (redução do uso de recursos materiais) nunca foi alcançada, e parece impossível enquanto o crescimento econômico continuar. O crescimento verde é uma ilusão." - Georges Monbiot , escritor e ambientalista inglês
Energia elétrica no Brasil, você sabia?
A
eletricidade que consumimos é produzida por usinas hidrelétricas (64,8%);
termelétricas a carvão e gás (18,3%); queima de biomassa como o bagaço de
cana-de-açúcar (9,4%); reatores nucleares (1,4%); e geradores eólicos (6,1%)?
Cerca
de 10% desta energia é perdida na transmissão da eletricidade, da fonte
geradora para a distribuidora (como por exemplo a Eletropaulo), e na
distribuição (da distribuidora para o consumidor). A energia perdida custou
muito dinheiro para ser gerada.
Você
pode ajudar a reduzir o desperdício de eletricidade usando equipamentos
elétricos e eletrônicos que consomem menos eletricidade, instalando lâmpadas
LED, e verificando a cada cinco anos o estado da fiação elétrica de sua casa.
Lixo e reciclagem no Brasil, você sabia?
O
Brasil é um dos maiores geradores mundiais de lixo doméstico. Em 2014 o país
produziu 78,5 milhões de toneladas de lixo, dos quais cerca de 90% foram
coletados e destes 58% foram destinados corretamente em aterros sanitários?
Isto
significa que 10% do lixo que o país produz não é coletado e 42% são colocados
em lixões sem controle ou jogados em terrenos baldios. Essa grande quantidade
de lixo polui o solo e os rios, além de ser criadouro de insetos, como o
mosquito da dengue, e de ratos que transmitem várias doenças.
O
lixo deve ser acondicionado corretamente em sacos plásticos e sua parte
reciclável (plásticos, metais e papel) deve ser separada onde existe coleta de
material reciclável.
Lixo eletrônico polui o meio ambiente, você sabia?
Equipamentos
eletrônicos e de informática (computadores, celulares, baterias, TVs) não devem
ser jogados diretamente no lixo, já que depois de certo tempos liberam
substâncias altamente tóxicas, que contaminam o solo, os rios e plantas?
Em
2014 o Brasil produziu cerca de 1,4 milhões de toneladas de lixo eletrônico.
Deste volume somente 4% foi reciclado e o restante foi parar em aterros e
lixões.
Muitas
empresas fabricantes de equipamentos eletrônicos e de informática já dispõem de
locais onde você pode entregar seu lixo eletrônico, onde este material é
reciclado e destinado corretamente.
Água, você sabia...
Que
sem a presença de água a vida seria impossível? Marte e Vênus, planetas que não
dispõem de água em quantidades suficientes são exemplos disso.
Que
a quantidade de água no planeta Terra não varia, permanecendo igual, mas
podendo mudar de lugar? O deserto do Saara, por exemplo já teve bastante água e
o local onde está o Pantanal já foi deserto.
Que
pelo uso excessivo e incorreto da água milhões de pessoas são afetadas? No
mundo 1,8 bilhão de pessoas estão sendo ameaçadas pela desertificação e a seca.
(Imagens: grafites dos "Os Gêmeos")
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Ricardo Ernesto Rose
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Labels: Gestão Ambiental, Gestão de recursos, Meio Ambiente
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Darcy Ribeiro, realizador e teórico
sábado, 11 de maio de 2019
"Há uma nova pobreza no mundo, a pobreza de tempo para a vida e, simultaneamente, a abundância de tempo dos desempregados, tempo inútil porque não serve para nada." - José de Souza Martins (sociólogo e professor), em artigo no jornal Valor de 3/5/2019
Em
seus trabalhos Darcy Ribeiro analisa a formação da civilização humana, dando
grande peso ao desenvolvimento tecnológico (Processo Civilizatório), além de
estudar pormenorizadamente o processo de destruição das culturas indígenas do
Brasil (Os índios e a civilização).
Debruçou-se sobre a formação do povo
brasileiro (O povo brasileiro), através da miscigenação biológica e cultural
entre o índio, o colonizador branco e o negro escravizado. Sem ilusões sobre
este processo (diferente de Freyre), Ribeiro o descreve como doloroso,
denunciando que o Brasil “sempre foi um moinho gastando gente”.
Na
área da educação Darcy Ribeiro foi considerado um grande organizador – vide a
UNB, os CIEPs e a Universidade Estadual do Norte Fluminense –, além de
assessoria na reforma de universidades na Costa Rica, Argélia, Uruguai,
Venezuela e Peru.
Grande parte de seu
pensamento teórico nessa área herdou de seu mestre, o educador Anísio Teixeira
(1900-1971). Também foi bom antropólogo de campo, mas algumas de suas obras
foram criticadas como sendo romantizadas demais e não usarem dados e pesquisas
mais atualizados. Mesmo assim, pode ser colocado entre os mestres da cultura
brasileira, como: Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda, Caio Prado
Junior, Celso Furtado, Florestan Fernandes e Antônio Cândido de Mello e Souza.
Trechos
das obras de Darcy Ribeiro
O Processo Civilizatório
"Empregamos
o conceito de revolução tecnológica para indicar que certas transformações
prodigiosas no equipamento de ação humana sobre a natureza, ou de ação bélica,
correspondem alterações quantitativas em todo modo de ser das sociedades, que
nos obrigam a tratá-las como categorias novas dentro do continuum da evolução sociocultural. Dentro dessa concepção,
supomos que o desencadeamento de cada revolução tecnológica, ou à propagação de
seus efeitos sobre contextos socioculturais distintos, através de processos
civilizatórios, tende a corresponder a emergência de novas formações
socioculturais." (Ribeiro, 1997, p.20)
"Em
face destes desenvolvimentos futuros, que propiciarão a generalização da
prosperidade, a divisão da sociedade em classes econômicas (surgida como fruto
dos primeiros acréscimos revolucionários da produtividade do trabalho humano e
que só permitia o progresso pela escravização de extensas camadas) tenderá a
reduzir-se cada vez mais, até se extinguir completamente. Contra esta
tendência, porém, erguer-se-ão com o vigor desesperado da luta pela
sobrevivência todos os interesses privatistas, cujos privilégios se assentam na
desigualdade social. Supunha-se que esse embate se desse de forma catastrófica,
em certo nível do amadurecimento da nova economia. Na verdade, desencadeou-se
diante da mera possibilidade teórica de implantar a igualdade e a abundância,
através do processo civilizatório que se cristalizou nas formações socialistas
revolucionárias como uma antecipação histórica. Sua universalização é que está
em causa, neste momento, bem como as vias pelas quais se efetivará e os modelos
de sociedade que deverão configurar os povos." (Ribeiro, 1997, p. 163)
Os
índios e a civilização
"O
Brasil de que vamos tratar é, principalmente, este Brasil interior, de matas e
campos indevassados, que só agora vão sendo integrados ao sistema
socioeconômico nacional. Ali, índios e civilizados se defrontam e se chocam,
hoje, em condições muito próximas daquelas em que se deram os primeiros
encontros da Europa com a América indígena. De um lado, são índios armados de
arco e flecha que, do recesso de suas matas, olham o brasileiro que hoje avança
sobre suas terras, tal como o Tupinambá quinhentista olhava as ondas de
europeus que se derramavam das naus portuguesas. Do outro lado, são brasileiros
engajados nas frentes de expansão da sociedade nacional que avançam por uma
terra que consideram sua e veem no índio uma ameaça e um obstáculo."
(Ribeiro, 1986, p. 8)
"Prevê-se
uma redução progressiva da população indígena, à medida em que diversos grupos
passem da condição de isolamento à da integração. Esta redução não condenará a
parcela indígena da população ao desaparecimento como contingente humano,
porque o grupo indígenas, ao alcançarem sua integração, tendem a experimentar
certo grau de incremento demográfico. Este incremento que, presentemente,
permite a alguns grupos refazer parte do seu montante original, poderá levar
muitos outros grupos a aumentar sua população, desde que lhes sejam asseguradas
condições de vida adequadas." (Ribeiro, 1986, p.445)
O
povo brasileiro
"Aquela
uniformidade cultural e esta unidade nacional - que são, sem dúvida, a grande
resultante do processo de formação do povo brasileiro - não devem cegar-nos,
entretanto, para disparidades, contradições e antagonismos que subsistem
debaixo delas como fatores dinâmicos da maior importância. A unidade nacional,
viabilizada pela integração econômica sucessiva dos diversos implantes
coloniais, foi consolidada, de fato, depois da independência, como um objetivo
expresso, alcançado através de lutas cruentas e da sabedoria política de muitas
gerações. Esse é, sem dúvida, o único mérito indiscutível das velhas classes
dirigentes brasileiras. Comparando o bloco unitário resultante da América
portuguesa com o mosaico de quadros nacionais diversos a que deu lugar a
América hispânica, pode se avaliar a extraordinária importância desse
feito." (Ribeiro, 2014, p. 20)
"Os
outros povos latino-americanos são, como nós mesmos, povos novos, em fazimento.
Tarefa infinitamente mais complexa, porque uma coisa é reproduzir no além-mar o
mundo insosso europeu, outra é o drama de refundir altas civilizações, um
terceiro desafio, muito diferente, é o nosso, de reinventar o humano, criando
um novo gênero de gentes, diferentes de quantas haja. (Ribeiro, 2014, p. 409)
Utopia
selvagem
"Seu
forte, contudo, não está nas sabedorias do fazer. Está, isto sim, é nas artes
do conviver. Nisto estão sozinhos. Organizam suas vidas em comunidade como quem
acha que o importante na vida é só viverem todos juntos, convivendo livremente,
sem medo de donos, nem de reis, nem de deuses. Até suponho que os socialistas
verdadeiramente comunistas o que querem, sem saber, é um mundo como este
Galibi. O que buscam há tanto tempo e tão afanosamente - esse velho sonho
ansiado de uma coisa que só faltava imaginar bem para possuir realmente - é,
nada mais nada menos, do que essa convivência índia num reino mecânico e
computacional: civilizado." (Ribeiro, 2014, p.140-141)
(Imagens: pinturas de Martha Cohoon)
A filosofia é um esporte de combate
domingo, 5 de maio de 2019
A filosofia é um esporte de combate
(Artigo do filósofo Vladimir Safatle,
publicado no jornal Folha de São Paulo de 3/5/2019)
Quando a filosofia se tornou um
dos alvos prediletos do desmonte do desgoverno Bolsonaro, alguns acharam por
bem adotar a estratégia da sensibilização para o lugar da filosofia na formação
de profissionais eticamente mais orientados e com capacidade de análise
crítica.
Ou
seja, contra a acusação de sua inutilidade seria o caso de expor, ao contrário,
sua pretensa grande utilidade para a reprodução otimizada das estruturas de
nossas formas de vida. Como se este desgoverno atual fosse composto de pessoas
incapazes de compreender a formação necessária e desejada para o estágio atual
de nossas demandas de gerenciamento social.
No
entanto, gostaria de dizer que o sr. Bolsonaro acerta quando elege a filosofia
e a sociologia como seus alvos privilegiados contra a educação nacional.
Pois,
enquanto existir neste país um departamento de filosofia e um departamento de
sociologia, nossos alunos serão ensinados, todos os dias, a desprezar governos
como este que assumiu recentemente.
Desses
departamentos virão levas de jovens que farão de tudo para que este governo
caia.
Não
é necessário filmar aulas ou procurar outras formas de indícios. Mesmo não
falando diretamente das decisões políticas e intervenções atuais, mesmo sem
chamar de gato um gato, nossos alunos estão a todo momento sendo formados para
desprezar e lutar continuamente contra quem governa um país da maneira com este
país está a ser governado.
Quando
eles aprendem a filosofia de John Locke, descobrem como, desde o século 17, a
filosofia política defende o tiranicídio, ou seja, o direito de a população
assassinar os tiranos que procuram submetê-la a golpes de Estado —como o que
conhecemos em 1964 e tão louvado por alguns atualmente.
Quando
eles abrem os livros de Spinoza, descobrem a potência da crítica às construções
teológico-políticas como essas que o evangelo-fascismo de setores que tomaram
de assalto o governo tenta impor à sociedade brasileira.
Quando
ensinamos Rousseau aos nossos alunos, eles entendem melhor o caráter
inegociável da soberania popular, com sua recusa à transferência de poder para
figuras autárquicas que se julgam no direito de decidir até conteúdo de
propaganda de banco.
Quando
eles leem Hegel, compreendem a força de exigências de reconhecimento social das
singularidades, de como a invisibilidade social é a forma suprema da
inexistência.
Quando
é Nietzsche o eixo do debate, fica mais claro o tipo de miséria embutida nos
"valores" morais e religiosos que este desgoverno se vê no direito de
empurrar goela abaixo da sociedade brasileira.
Como
vocês veem, não foi necessário nem sequer falar sobre Marx, Foucault, a
desconstrução, a Escola de Frankfurt e tantos outros que causam pânico no
Planalto atualmente.
Como
vocês veem, não é necessário falar de forma explícita sobre a política atual
para que todas as consequências sejam imediatamente compreendidas pela
inteligência de nossos alunos.
Ou
seja, a história da filosofia é um grande combate contra aquilo que tentam
fazer com a sociedade brasileira. A única maneira de parar esse combate seria,
exatamente, eliminando-nos, como este governo sonha fazer.
No
entanto, a universidade brasileira é composta de gerações e gerações de debates
e ideias que não são apagadas ao sabor de canetadas e cortes ministeriais.
Enquanto
houver um jovem com livros de Spinoza, Rousseau, Hegel, Adorno, Nietzsche,
Deleuze, Lucrécio, Platão (se quiserem saber de onde veio o comunismo, leiam
"A República") esta batalha já está ganha.
Não
será a gritaria de um ministro da Educação piromaníaco e irrelevante que fará
alguma diferença.
(Vladimir
Safatle, professor de filosofia na USP e autor de diversos ensaios)
(Imagem: coruja de Minerva, símbolo da Filosofia)
Você sabia (meio ambiente)?
sábado, 4 de maio de 2019
"Para aqueles que lutam pelo pão diário, o ócio é um prêmio longamente antecipado - até que eles o conquistam." - John Maynard Keynes, citado por Eduardo Gianetti em O Livro das Citações
(Imagem: vitral medieval)
Solos
Você sabia que um solo
propício à agricultura tem uma profundidade média de 30 a 50 centímetros,
demorando milhares de anos para ser formado?
Que a erosão, a salinização,
a compactação e a contaminação destroem anualmente uma quantidade considerável
de solo fértil e que 33% dos solos do mundo estão degradados?
Conservar a vegetação
original, agricultura com pouco uso de agrotóxicos, não espalhar lixo e
resíduos de construção e indústria, são práticas que mantêm a qualidade dos
solos.
Coruja
buraqueira
Você sabia que a coruja
buraqueira é bastante comum em todo o Brasil, afora a Amazônia? Vive em buracos
localizados em campos, pastos, restingas, planícies e praias, inclusive na
cidade de Peruíbe.
Que a coruja buraqueira
enxerga cem vezes mais que o ser humano e também tem uma audição muito
desenvolvida? Sua dieta inclui ratos, insetos e pequenos répteis, contribuindo
para o controle de espécies danosas ao homem.
O casal, de pé fora do
ninho, se reveza no cuidado dos filhotes. Por isso, é bom evitar chegar muito
perto da casa desta simpática ave, para não ser expulso. Ajude a proteger a
coruja buraqueira!
Esgoto
Você sabia que apenas 52% do
volume dos esgotos é coletado no Brasil e que somente 45% deste volume é
tratado? Isto quer dizer que ainda uma grande parte do esgoto de nossas casas
acaba caindo nos rios, lagos e no mar.
O Brasil é um dos países da
América latina com os mais baixos índices de tratamento de esgoto. O governo
federal, os governos estaduais e municipais são responsáveis pelo tratamento do
esgoto.
Esgotos não tratados causam
doenças, principalmente em crianças, poluem os cursos de água e o restante do
meio ambiente.
Posted by
Ricardo Ernesto Rose
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