A floresta
amazônica é uma das poucas regiões ainda parcialmente intocadas pela moderna
civilização. Junto com áreas remanescentes da floresta tropical da Indonésia e
da África Central, é um dos hotspots que
concentra ecossistemas e biodiversidade, grande parte endêmica. Hoje, através
de pesquisas, sabemos que a floresta já teve uma ocupação no passado,
antes da chegada dos europeus, quando povos indígenas estabeleceram aldeias e
áreas de plantio em partes da região. O bioma, portanto, já é objeto de
interferência do homem há milhares de anos. Estas ocupações, no entanto, nunca chegaram
a atingir a extensão e a voracidade atual.

Nas
últimas semanas de agosto de 2019 cresceram as queimadas na floresta amazônica,
segundo diversas fontes: a Agência Espacial Americana (NASA), o Instituto
Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e observadores de diversas organizações
governamentais (ONGs). Os focos de incêndio aumentaram significativamente em
2019, em comparação com 2018 e outros anos. O fato despertou protestos de ONGs
locais e internacionais e provocou manifestações de diversos países europeus,
notadamente a França, Noruega e Alemanha. Os dois últimos países são provedores de
um fundo, o Fundo da Amazônia, criado para implantar ações de preservação da
floresta. Com a França, o governo Bolsonaro teve atrito diplomático, o que
chegou a arranhar a imagem internacional do País.

O
governo interviu ainda a tempo e espera-se que o fogo e a confusão sejam
debelados ao longo das próximas semanas. Há muita coisa em jogo nesta situação.
Grupos de interesse podem tirar vantagens do setor agrícola, pecuário,
madeireiro, da indústria alimentícia, entre outros. É preciso gerir a floresta
fortalecendo órgãos, instituições, agentes econômicos e populações, que efetivamente
contribuem na conservação, ocupação e uso sustentável do bioma.
(Imagens: Fillipo de Pisis)
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