“O
que antes era a apropriação privada do Estado por linhagens políticas e
burocráticas tornou-se, hoje, a subordinação do Estado à lógica da acumulação
financeirizada. Não se trata de “menos Estado”, mas de outro uso do Estado como
menor garantia de direitos e mais comprometido com a proteção da riqueza,
propriedade, pagamento da dívida, fluxos financeiros e grandes interesses
econômicos. Ao longo de mais de três décadas de dominância neoliberal no
Brasil, o Estado capturado passou a sustentar a continuidade dessa ordem
neopatrimonial por meio de juros elevados, rearranjos cambiais, baixo
investimento, privatizações e reconfiguração das políticas públicas.”
“Na
sua forma neoliberal, a corrupção não se resume mais a propina, clientelismo ou
troca de favores, embora tudo isso continue existindo. Ela se transforma também
em arquitetura institucional do privilégio. Corrupção, nesse plano, é fazer da
legalidade um mecanismo de transferência regressiva de riqueza, organizando
regras fiscais, monetárias, regulatórias e administrativas de modo que
interesses privados apareçam como se fossem interesses gerais.”
Marcio Pochmann (1962-), economista, professor, pesquisador e político brasileiro em artigo As faces da oligarquia brasileira, publicado no jornal online Outras Palavras em 15/04/2026


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