O que eles pensam

sexta-feira, 17 de abril de 2026


“O que antes era a apropriação privada do Estado por linhagens políticas e burocráticas tornou-se, hoje, a subordinação do Estado à lógica da acumulação financeirizada. Não se trata de “menos Estado”, mas de outro uso do Estado como menor garantia de direitos e mais comprometido com a proteção da riqueza, propriedade, pagamento da dívida, fluxos financeiros e grandes interesses econômicos. Ao longo de mais de três décadas de dominância neoliberal no Brasil, o Estado capturado passou a sustentar a continuidade dessa ordem neopatrimonial por meio de juros elevados, rearranjos cambiais, baixo investimento, privatizações e reconfiguração das políticas públicas.”

“Na sua forma neoliberal, a corrupção não se resume mais a propina, clientelismo ou troca de favores, embora tudo isso continue existindo. Ela se transforma também em arquitetura institucional do privilégio. Corrupção, nesse plano, é fazer da legalidade um mecanismo de transferência regressiva de riqueza, organizando regras fiscais, monetárias, regulatórias e administrativas de modo que interesses privados apareçam como se fossem interesses gerais.”

 

Marcio Pochmann (1962-), economista, professor, pesquisador e político brasileiro em artigo As faces da oligarquia brasileira, publicado no jornal online Outras Palavras em 15/04/2026

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