Leia o relatório sobre o meio ambiente no Brasil "Passando a boiada"
sábado, 30 de janeiro de 2021PROTEJA A MATA ATLÂNTICA
quinta-feira, 28 de janeiro de 2021PROTEJA A MATA ATLÂNTICA
terça-feira, 26 de janeiro de 2021Crise, até quando?
sábado, 23 de janeiro de 2021O vírus
Covid-19 continua assolando o mundo. O esforço para se chegar a uma vacina foi
algo inédito na história da medicina. Milhares de cientistas e pesquisadores
trabalhando ininterruptamente, dezenas de grandes laboratórios em todo o
planeta utilizando o que de melhor havia em termos de equipamentos e muitos
recursos financeiros investidos. Nunca uma iniciativa para combater uma doença
envolveu países, empresas e profissionais de tal maneira. Assim, quando as
primeiras vacinas foram aprovadas pelos órgãos competentes, foi grande o alívio
e a alegria em todo o planeta.
No
entanto, quando se pensava que com uma vacina os problemas estariam
relativamente encaminhados, surge uma segunda onda mais agressiva do vírus;
aparecem três novas importantes mutações (Inglaterra, África do Sul e Amazônia);
e o processo de vacinação em todos os países é mais demorado e confuso do que
se esperava. Se já havia uma expectativa de uma lenta mas constante
normalização das atividades econômicas, da vida social e cultural, esta
perspectiva teve que ser mais uma vez postergada – provavelmente para o segundo
semestre de 2021.
As
consequências econômicas, sociais e políticas do desenvolvimento da sindemia
(novo termo utilizado para tratar da pandemia do Covid-19) continuam
imprevisíveis. Ao fim de cada fase do processo aparece uma nova surpresa, de
modo que poucos arriscam uma opinião sobre quando literalmente “o mundo
voltará ao normal” – ou pelo menos a uma situação em que possa retomar as
atividades como antes.
No Brasil a situação ainda é mais preocupante, já que mal iniciamos o processo de vacinação por falta de insumos. O governo, propositalmente deu pouca importância à sindemia desde o início, tentando poupar de eventuais prejuízos os grupos econômicos que contribuíram para sua eleição. Assim, evitou decretar lockdown, minimizou a gravidade da doença e a necessidade das medidas profiláticas, desestimulando o uso da máscara e do isolamento social. Pressionado pelo aumento dos casos de contaminação e de mortes, o presidente foi obrigado a instituir o auxílio emergencial, possibilitando às pessoas sem rendimentos a ficarem em casa. O auxílio foi distribuído pelo governo entre abril e dezembro de 2020, para aproximadamente 65 milhões de pessoas. Depois, com a sindemia alastrada e dezenas de milhares de vitimados mortos, o governo, influenciado pelas opiniões do presidente americano Trump, admirado pelo presidente Bolsonaro e com o qual mantinha uma relação de subserviência, resolveu propagar o uso de medicamentos sem eficiência cientificamente comprovada. A aprovação de vacinas e o início da vacinação é mais outra história de conflito ideológico entre grupos negacionistas e representantes da ciência por um lado; e, por outro, de batalha política entre o presidente Bolsonaro e seu antigo admirador, o governador de São Paulo, João Dória.
É
evidente que toda esta confusão traz consequências para a economia – que já
vinha combalida desde o final de 2014 – e para todas as outras atividades
comuns a qualquer sociedade. Tudo isto ainda é agravado pela situação histórica
de concentração de renda e benefícios na sociedade brasileira. A baixa renda,
as péssimas condições de vida e as poucas chances de melhoria econômica e
social da maior parte da população, foram escancaradas durante o período da
sindemia no Brasil.
Assim,
enquanto o processo de vacinação não tiver início efetivo e for mantido até
alcançar a maior parte da população, o país continuará nesta pasmaceira, sujeito a avanços e recuos. Os efeitos, podemos ver claramente na atividade econômica
travada, na ausência de investimentos, salvando-se apenas o mercado financeiro, que pouco agrega à geração de empregos, consumo das famílias e
movimentação da economia real.
Na
educação permanece o impasse sobre o início das aulas presenciais, essenciais
para a maioria dos estudantes do ensino básico. A possibilidade de que mais um
semestre seja praticamente perdido pelos alunos, principalmente por aqueles das
camadas sociais mais baixas, representará uma grande lacuna na educação de centenas de milhares de jovens de todo o país. Quanto esta lacuna
poderá prejudicar as futuras carreiras profissionais destes jovens?
O
Brasil ainda não tem um setor privado suficientemente robusto para que este
possa encabeçar o processo de retomada econômica – aliás, ao que parece, poucos
países têm uma iniciativa privada assim. Quando a situação econômica fica
difícil, as empresas procuram proteção do Estado. Por outro lado, grande parte da iniciativa privada nacional está mais interessada em aumentar
seus lucros no mercado de capitais, do que investindo na economia real. E esta é também a ideologia do atual governo, que sempre se referiu à ideia
do “estado mínimo”.
Dado
este quadro, bastante resumido, da situação atual do país, fica difícil ser
otimista em relação ao futuro próximo. Sem planos ou projetos, cortando
investimentos nas áreas da saúde, da educação, da pesquisa, do meio ambiente,
da cultura, entre outros, ficará difícil a recuperação do país. Por quanto
tempo a sociedade brasileira ainda terá que aguardar por melhores tempos? E o
governo o que fará? Deixará como está, pra ver como fica?
(Imagens: gravuras e desenhos de Käthe Kollwitz)
Labels: Assim se vive no Brasil, Economia, Gestão Pública, Sociologia
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terça-feira, 19 de janeiro de 20212020: sem avanços na área ambiental
sábado, 16 de janeiro de 2021
"Cada um de nós chama de barbárie aquilo que não faz parte de seus costumes." - Michel de Montaigne - Os ensaios
Iniciamos
este blogue em maio de 2010 e desde então vimos comentando principalmente os
temas ligados à área ambiental. Não podemos dizer que durante este período de
mais de dez anos foram grandes os avanços do Brasil nesta área, já que –
sejamos francos – o meio ambiente nunca foi uma preocupação real dos governos e
da maior parte da sociedade brasileira.
Todas
as administrações, inclusive o atual, sempre priorizaram fundamentalmente os
desafios na área econômica, já que o país poucas vezes teve um período de
crescimento constante e harmônico. Sempre vivemos a síndrome do “voo da
galinha”, com expansões e retrações da economia; com todas as consequências
sociais e políticas deste processo. Nestas condições, é até compreensível que a
preocupação com a proteção do meio ambiente não tenha sido um dos temas
principais da sociedade e do Estado brasileiro.
No
entanto, vivemos inseridos no mundo, na teia de relações econômicas e políticas
globais, na qual a questão ambiental, por diversas circunstâncias, é aspecto
importante. Mesmo que certos ministros do atual governo do país não tenham esta
visão, o Brasil deverá tomar outra postura interna e externa em relação à
proteção dos recursos naturais, sob risco de vir a sofrer represálias políticas
e comerciais.
Não
se trata de politizar o tema, fato que interessaria a grupos de pressão
retrógados, que ainda não perceberam – ou querem negar – a relação da economia
com a natureza, por esperarem tirar vantagens da exploração incontrolada dos
recursos naturais. Vejamos, por exemplo, as condições do avanço do
desflorestamento da Amazônia. Entre os anos de 2000 e 2018 a região perdeu 8%
de sua cobertura vegetal, cerca de 270 mil km² - uma área maior do que a do território
do Reino Unido. De 2014 a 2018 foram desmatados em média, 112,8 mil hectares
por ano; média que cresceu para 215,6 mil hectares em 2019 e 226,5 mil hectares
em 2020. Cerca de 60% destes 442 mil hectares desmatados em 2019/2020 ocorreram
em áreas ilegalmente descritas como propriedade particular no Sistema Nacional
de Cadastros Ambientais Rurais (SICAR).
No
entanto é falsa a ideia de que estes territórios estão sendo invadidos para a
expansão da fronteira agrícola, como se o país já não tivesse área suficiente
para ainda ser ocupada pelo agronegócio. Além disso, a produtividade agrícola
da Amazônia é, por razões físicas, climáticas e econômicas, cerca de 1/4 ou 1/5
da produtividade agrícola do estado de São Paulo, por exemplo. O objetivo principal
da derrubada da floresta é a criação de gado de corte, para abastecimento dos
mercados mundiais; sobretudo os países europeus e a China. Outro propósito da eliminação
da vegetação e ocupação da área é a regularização de sua posse, visando futura
especulação imobiliária, já que o Congresso aprovou recentemente a
possibilidade de venda de terras a estrangeiros. Seria uma explicação do aumento de 50% na derrubada das florestas em terras públicas, durante o biênio 2019/2020.
Na
área das mudanças climáticas – estas também negadas por ministros do atual
governo – também demos alguns passos para trás. Depois de um importante
protagonismo internacional durante muitos anos, através de uma parceria entre o
Ministério do Meio Ambiente e o Ministério das Relações Exteriores, a atual
administração conseguiu a desastrada façanha de ser premiada com o “Fóssil
Colossal”. O prêmio, outorgado pela Rede Internacional de Ação Climática (CAN),
reunindo 1,3 mil organizações ambientais mundiais, é oferecido aos países que
mais obstruem negociações mundiais que possam levar a um avanço no combate às
mudanças climáticas. Ainda por este motivo, o Brasil também não foi convidado a
participar Cúpula da Ambição Climática, realizada em dezembro de 2020, reunindo
líderes mundiais e empresários, com o objetivo de debater medidas de redução
dos efeitos da crise climática.
Na
área da gestão de resíduos a situação também permaneceu inalterada, ou quase: a
destinação incorreta de resíduos sólidos urbanos aumentou 16% na última década
no Brasil. Ou seja, em 2010, segundo dados da Associação Brasileira das
Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), 43,2% do volume
total de resíduos sólidos eram descartados de forma incorreta. Em 2019 este
volume cresceu para 59,9% dos resíduos. Ao mesmo tempo a geração destes
resíduos cresceu de 67 milhões de toneladas anuais em 2010, para 79,6 milhões
de toneladas em 2019. A Política Nacional de Resíduos Sólidos, instituída em
2010 e já prorrogada por duas vezes, havia sido elaborada para gradualmente encaminhar
uma solução para o problema dos imensos volumes de resíduos no Brasil. Falta de
planejamento e recursos, no entanto, fizeram com que poucos municípios
conseguissem até 2020 implantar a política de gestão.
Assim, apesar deste imenso volume de resíduos dispostos de maneira incorreta em terrenos, lixões irregulares, córregos e até em clareiras de floresta, somos também o quarto maior produtor mundial de resíduos plásticos, gerando 11,3 milhões de toneladas anuais, segundo estudo realizados pela ONG WWF em parceria com o Banco Mundial. O mesmo estudo, todavia, informa que apenas 1,28% deste plástico são reciclados. Reportagem recente da revista Galileu (outubro de 2020) informa que apenas 3% do volume total de resíduos sólidos gerados no pais são reciclados; volume que praticamente não se alterou nos últimos 10 anos.
Em outras áreas, como a do saneamento, a situação também não avançou nos últimos anos. A reportagem publicada pelo jornal Globo em 24/06/2020, resume a situação: 35 milhões de pessoas não têm acesso à água tratada (cerca de 16% da população) e 47% da população (100 milhões de pessoas) não dispõem de serviços de coleta de esgotos. Do volume total de esgoto coletado, apenas 46% são tratados antes de serem descarregados em córregos, rios ou no oceano. Um Plano Nacional de Saneamento (Plansab) existe desde 2014, mas desde esta data até hoje o saneamento avançou pouco, quase nada. Recentemente o Congresso aprovou uma lei que permite a privatização dos serviços de água e esgoto, que na prática ainda não foi possível ser avaliada. O país ainda aguarda a vinda dos grandes investidores internacionais, largamente anunciados pelo ministro Paulo Guedes desde o início de seu mandato.
Com este quadro do saneamento, o país está colocado entre os países abaixo da média nesta área no ranking mundial. Apesar de ainda sermos a décima-segunda maior economia do mundo e ainda estarmos entre os 15 países mais industrializados do planeta, temos grande parte da população sem acesso ao saneamento básico; o básico para que um país posso se colocar entre as nações minimamente desenvolvidas. Na área de gestão de resíduos urbanos, como vimos, a situação é parecida. Por outro lado, avançamos fortemente na destruição do ambiente natural; seja na Amazônia, no Cerrado, na Mata Atlântica ou em outros biomas.
A impressão geral que se tem, é
que somos uma sociedade que sobrevive – não vive! – exaurindo e poluindo os
recursos naturais; através do desmatamento e da monocultura agrícola, através
do lançamento de esgotos nos rios e no mar, através do descarregamento de lixo
no solo e na água. Sujamos, emporcalhamos e destruímos o meio ambiente, como
insanos. Mas, quem tira proveito disso? Quem é que lucra com isso?
(Imagens: pinturas de Luiz Sacilotto)
Labels: Artigo técnico, Economia, Gestão Ambiental, Gestão Pública, Meio Ambiente, Política
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terça-feira, 12 de janeiro de 2021Antes de Cabral: sambaquis, Peabiru & outras histórias
Temas pré-históricos e históricos brasileirosFaça download de meu mais recente e-book com textos de 2020
sábado, 9 de janeiro de 2021Leituras diárias
sexta-feira, 8 de janeiro de 2021
“A
reclamação que a direita faz quanto ao comunismo – de que todos teríamos de
comprar nossos produtos de um único fornecedor estatal – foi suplantada pela
necessidade de comprar tudo da Amazon.” (Bridle, pág. 131)
James Bridle, A nova idade das trevas – A tecnologia e o fim do futuro
Leituras diárias
quinta-feira, 7 de janeiro de 2021
“Admitir
o indescritível é uma faceta da nova idade das trevas: é aceitar que há limites
naquilo que a mente humana pode conceber. Mas nem todos os problemas das
ciências são superáveis pela aplicação da computação, por mais simpáticos que
sejam. Conforme aplicamos soluções mais complexas a problemas mais complexos, nos
arriscamos a desconsiderar problemas sistêmicos maiores. Tal como o processo
acelerado da Lei de Moore, que travou a computação em uma rota, que exigiu
certa arquitetura e certo hardware, a opção por essas ferramentas também molda
de maneira fundamental o modo como podemos tratar e até pensar o próximo grupo
de problemas que encaramos.” (Bridle, pág. 118-119)
James Bridle, A nova idade das trevas – A tecnologia e o fim do futuro
Leituras diárias
quarta-feira, 6 de janeiro de 2021“Bancos
de sementes são cruciais para manter um arremedo de biodiversidade genética.
São fruto de um movimento que começou nos anos 1970, quando se percebeu que a
Revolução Verde na agricultura estava levando fazendeiros a abandonar suas
sementes usuais, desenvolvidas há séculos em cada local, para dar lugar a
criações nova e híbridas. Acredita-se que há um século a Índia tinha mais de
100 mil variedades de arroz; hoje tem poucos milhares. O número de variações de
maçã nas Américas caiu de 5 mil para centenas. No somatório geral, segundo uma
estimativa da Organização da Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura,
perdeu-se 75% da biodiversidade de culturas agrícolas.” (Bridle, pág. 64)
James Bridle, A nova idade das trevas – A tecnologia e o fim do futuro
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terça-feira, 5 de janeiro de 2021https://consideracoes-oportunas1.webnode.com/
E A VACINA?
segunda-feira, 4 de janeiro de 2021Ainda não o iluminismo?
sábado, 2 de janeiro de 2021
Georges
Minois, historiador contemporâneo francês, relata em seu História do Ateísmo a surpresa de certas autoridades eclesiásticas
medievais, ao constatarem que os camponeses de regiões remotas não estavam totalmente
cristianizados; ainda mantinham muitas crenças e práticas religiosas ligadas ao
paganismo. Depois de mais de mil anos de hegemonia da igreja católica no
continente europeu, o cristianismo ainda não havia conseguido suplantar totalmente
concepções religiosas mais antigas. Escreve Minois: “Algumas dezenas de milhares de pessoas que vivem ao longo de anos fora
do enquadramento religioso provam que é preciso seriamente rever a imagem de
uma Idade Média unanimemente cristã e crente. Jean Delumeau demonstrou já
amplamente a parte de lenda que se prende com a expressão ‘Idade Média cristã’:
esta religião, cheia de superstições, magia, astrologia, restos de crenças
pagãs, que tem realmente a ver com a ‘mensagem evangélica?’”
Não
são poucos os autores que colocam em dúvida esta generalização, praticada principalmente
pelos potentados religiosos da época medieval – com o provável objetivo de afirmarem
a hegemonia da Igreja – e mais tarde tida como fato pelos historiadores a
partir do século XVIII; a de que o cristianismo estava firmado como crença
religiosa entre o povo medieval. Hoje, estudos mais acurados demonstram que
isto efetivamente não foi o caso.
No
decorrer do século XIX, apesar da derrota militar de Napoleão (1815), os paradigmas
do Iluminismo foram gradualmente incorporados pelas nações ocidentais – o próprio
conceito moderno de Estado é fruto de princípios gestados durante este período. O
desenvolvimento do capitalismo mercantil (sécs. XVI – XVIII) e, mais tarde, do
capitalismo industrial (séc. XIX) – este último baseado nos fortes avanços da
tecnologia no final do século XVIII – ajudaram a difundir ainda mais o espírito
iluminista, caracterizado por uma visão de mundo baseada na ciência. A religião
perde sua forte influência sobre as massas, sendo suplantada pela atividade
política, com o surgimento de partidos, das ideologias políticas e dos
nacionalismos.
Da
mesma forma que o cristianismo católico não conseguiu hegemonia na Europa
medieval, o iluminismo também não foi capaz de predominar completamente no mundo
moderno – nem mesmo nas regiões que mais sofreram a influência da cultura europeia,
sejam a própria Europa e as Américas. Apesar de estarem na origem dos avanços
da ciência, dos direitos que se tornaram o fundamento da maioria das
constituições ocidentais, da educação, da cultura e da prática política, os
ideais do iluminismo ainda não impregnaram totalmente as sociedades modernas
ocidentais.
No
Brasil tais reações podem em grande parte ser explicadas pela fraca instrução básica,
ausência de cultura científica, falta de raciocínio lógico e senso crítico – itens
básicos de uma educação alicerçada nos conceitos do iluminismo. Já é
comum que nas redes sociais alguém critique o “exagero das notícias sobre os
mortos com a Covid”. Lê-se frases como: “A imprensa só fala nos quase 200 mil
mortos, mas nada comenta sobre os mais de 6,8 milhões de doentes recuperados.” Dado
o absurdo de tal afirmação, caberia responder no mesmo tom de non sense: “Realmente, também com
relação à Segunda Grande Guerra, só falam dos cerca 70 milhões de mortos, sem
mencionar que quase 2,3 bilhões de pessoas em todo o mundo sobreviveram ao
conflito!”
Labels: Autores, Cultura, Filósofos, Gestão Pública, Sociologia
Leituras diárias
sexta-feira, 1 de janeiro de 2021
“Durante
as últimas décadas, contudo, as ciências biológicas chegaram à conclusão de que
a história liberal é pura mitologia. O único e autêntico ‘eu’ é tão real quanto a alma eterna cristã, Papai Noel e o
Coelhinho da Páscoa. Se você olhar profundamente para dentro de si mesmo, a
aparente unidade que consideramos óbvia se dissolve numa cacofonia de vozes
conflitantes, nenhuma das quais é meu verdadeiro ‘eu’. Humanos não são in-divíduos. Eles são ‘divíduos’” (Harari,
pág. 294)
Yuval
Noah Harari, Homo Deus – Uma breve
história do amanhã