“Desde bilhões de anos, a vida existe nesta terra, e houve tempo suficiente para permitir ao processo vital formar seres humanos a partir das células mais simples e também para deixar perecer miríades de seres vivos que não eram capazes de se opor ao poder de agressão de seu entorno. Nesta concepção que reúne visões fundamentais de Darwin e de Lamarck, deve-se considerar o ‘processo vital’ como uma tendência cuja direção é mantida, ao longo da evolução, em direção a um objetivo eterno de adaptação às exigências do mundo exterior. Neste esforço em direção a um objetivo que não permite nem término nem repouso, dado que as exigências e os problemas impostos pelas forças do mundo exterior nunca poderão obter uma solução definitiva por parte de seres que foram criados por ela, deve ter se desenvolvido também essa faculdade que, segundo o ângulo sob o qual é considerada, é chamada de alma, espírito, psique, inteligência, e que inclui todas as outras ‘faculdades psíquicas’.”
“E, embora nos movamos em um terreno
transcendental ao considerar o processo psíquico, podemos, fiéis às nossas
convicções, sustentar que a alma, pertencente ao processo vital e a tudo o que
nele incluímos, deve apresentar o mesmo caráter fundamental que a matriz, a
célula viva da qual é originária. Esse caráter fundamental se manifesta, em
primeiro lugar, na eterna tentativa de chegar a um acordo vantajoso com as
exigências do mundo circundante, de vencer a tendência a uma forma final ideal
e, conjuntamente, de mobilizar forças físicas preparadas para esse fim ao longo
da evolução, buscando, por meio de influência e ajuda mútua, um objetivo de
superioridade, perfeição e segurança.”
Alfred Adler (1879-1937), médico e psicoterapeuta austríaco, fundador da Escola da Psicologia Individual em O Sentido da Vida


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