“O jornalismo tem se revelado modesto e
mesquinho demais ao definir seu objetivo apenas como a fiscalização de certos
tipos de poder. Essa é uma definição prejudicial, uma vez que se mostra tão
acanhada na própria concepção de jornalismo e do seu papel na sociedade. Ele não
é apenas um ramo de facto da polícia ou do sistema fiscal. Na
verdade, é, ou deveria ser, um governo no exílio que examina todas as questões
da vida nacional com o objetivo de sugerir maneiras de construir um país
melhor.
O único objetivo honesto do empenho de revelar o erro é fazer com que seja menos disseminado. Diante da corrupção, da estupidez e da mediocridade, em vez de permanecer no nível da exultante denúncia dos erros do presente, o noticiário deveria sempre tentar propiciar mais competência no futuro. Por mais satisfatório e importante que seja derrubar os poderosos, a investigação jornalística deveria partir de um objetivo um pouco diferente e nem sempre conflitante: o desejo de tentar melhorar as coisas.”
Alain de Botton (1969-), filósofo, editor e produtor cultural suíço em Notícias – Manual do Usuário


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