“Essa
determinação religiosa da economia não é surpreendente: e até mesmo define a
religião. A religião é a aprovação que uma sociedade dá ao uso das riquezas
excedentes: ao uso, ou melhor, à destruição, pelo menos de seu valor útil. É o
que dá às religiões seu rico aspecto material, que só deixa de ser vistoso quando uma vida espiritual
emaciada retira do trabalho um tempo que poderia ter sido empregado para
produzir. O único ponto é a ausência de utilidade, a gratuidade dessas determinações coletivas. Em certo sentido servem, é verdade, na medida em que
homens atribuem a essas atividades gratuitas consequências de ordem de uma
eficácia sobrenatural. Mas, justamente, elas só servem nesse plano com a
condição de serem gratuitas, de serem antes de tudo consumações úteis de
riqueza.”
Georges Bataille (1897-1962) intelectual francês atuando nas áreas da filosofia, literatura, sociologia, antropologia e história da arte em A parte maldita (1949)

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