George Bataille

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

 

“Essa determinação religiosa da economia não é surpreendente: e até mesmo define a religião. A religião é a aprovação que uma sociedade dá ao uso das riquezas excedentes: ao uso, ou melhor, à destruição, pelo menos de seu valor útil. É o que dá às religiões seu rico aspecto material, que só deixa de ser vistoso quando uma vida espiritual emaciada retira do trabalho um tempo que poderia ter sido empregado para produzir. O único ponto é a ausência de utilidade, a gratuidade dessas determinações coletivas. Em certo sentido servem, é verdade, na medida em que homens atribuem a essas atividades gratuitas consequências de ordem de uma eficácia sobrenatural. Mas, justamente, elas só servem nesse plano com a condição de serem gratuitas, de serem antes de tudo consumações úteis de riqueza.”

 

Georges Bataille (1897-1962) intelectual francês atuando nas áreas da filosofia, literatura, sociologia, antropologia e história da arte em A parte maldita (1949)

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