“Nos processos de desenvolvimento da
‘industrialização clássica’ o emprego cada vez maior de mão de obra gerou um
processo de urbanização crescente. No Brasil as indústrias que têm absorvido
pouca mão de obra na última década ofereceram um terço do total dos empregos
gerados.
No Brasil, a urbanização resulta
principalmente do forte incremento demográfico, cuja parcela rural, por não
encontrar trabalho nos campos, na mesma proporção de seu crescimento, e frente
à crescente pauperização rural, emigra para zonas urbanas. Nestas existe a
perspectiva de algum trabalho, porque é nas cidades que se despende o grosso da
renda, mesmo daquela que se concentra em mãos de proprietários agrícolas.
No Brasil a extrema concentração na
distribuição da renda produz como consequência um crescimento intenso no
mercado de ‘serviços’, absorvendo direta ou indiretamente, importantes
contingentes de mão de obra. Corresponde a um fator sociológico que atua com
particular intensidade nos países em que existe um desnível acentuado nos
padrões de vida entre cidade e campo.
Por outro lado, nos países subdesenvolvidos o aparelho administrativo estatal, geralmente centralizado nas grandes cidades, tende a crescer mais que proporcionalmente, seja porque emprega mão de obra de baixa produtividade, nos serviços públicos, seja porque necessita enfrentar grandes obras em prazo relativamente curto. Em suma, a administração pública acaba tornando-se um elemento de atração, que contribui para intensificar o processo de urbanização.” (Bruna, págs. 102, 103 e 104).
Paulo J. V. Bruna (1941-) arquiteto e professor em Arquitetura, Industrialização e Desenvolvimento
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