“Este preâmbulo histórico é apenas pano de fundo para contextualizar a ideia da seleção natural. A ideia é tão simples que, conforme apontado por Richard Dawkins, poderia ter sido elaborada centenas, ou mesmo milhares de anos antes. Seleção natural consiste na reprodução diferencial de indivíduos no decorrer das gerações, com consequentes mudanças na frequência de características herdáveis (ou frequências gênicas) no decorrer do tempo. A variabilidade das populações fornece a matéria-prima sobre a qual a seleção atua, e variabilidade nova é suprida por mutações que ocorrem constantemente. Na época de Darwin e dos outros idealizadores da seleção natural, claro, não se conhecia quase nada sobre genética ou mecanismos de herança. Sabia-se, contudo, que a maioria das características dos seres vivos era herdável. Isto era suficiente, pois a seleção natural foi baseada em uma série de observações simples.”
“(...) A alguns destes devemos a
difusão e permanência muito infeliz da ideia de um progresso inerente ao
processo evolutivo. A associação da ideia de evolução ao progresso, e
consequentemente à virtude moral e material, já foi utilizada no passado para
objetivos mais vis. Estas ideias ainda permeiam o discurso de muitos, às vezes
inadvertidamente, mas são cientificamente erradas e devem ser combatidas.
Na verdade, há certa dificuldade em entender e aceitar que os produtos dos mecanismos evolutivos são fortemente contingenciais. Não há direção predeterminada, ou um objetivo final. Os resultados da evolução são determinados tanto pelos mecanismos evolutivos intrínsecos como pela situação específica em que cada caso se desdobrou. Uma pequena modificação na cadeia de eventos que resultou em nós, ou em qualquer outra espécie, poderia chegar a algo muito diferente. A evolução é uma ciência histórica. Qualquer tentativa de abordá-la de outra forma será incompleta. A dinâmica dos horizontes físicos onde a vida ocorre é fator determinante na sua evolução.”
Maria Isabel Landim, Cristiano Rangel Moreira (orgs.) em Charles Darwin – Em um Futuro não Distante


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