Conheça mais sobre a vida e obra da artista no link
GUIA DAS ARTES abaixo:
https://www.guiadasartes.com.br/wanda-pimentel/biografia
(Online desde 21 de maio de 2010 - Editor: Ricardo Ernesto Rose)
GUIA DAS ARTES abaixo:
https://www.guiadasartes.com.br/wanda-pimentel/biografia
“De
acordo com os fundamentos do marxismo, o homem é um agente que intervém no mundo
para transformá-lo conforme uma vontade consciente. Baseado nesses fundamentos,
a fim de formular sistemas filosóficos e teorias capazes de subsidiar um
projeto de revolução, Gramsci conferiu uma importância especial ao estudo das
representações, das ideias, das formas de sensibilidade, dos preconceitos, das
superstições, da consciência, dos projetos, das estratégias, das paixões, dos
desejos — em suma, conferiu uma importância especial ao estudo da subjetividade,
das superestruturas, das ideologias. A teoria da revolução deveria estar
voltada, sobretudo, para a esfera da cultura, tendo em vista o desenvolvimento
da consciência crítica das massas, porque no homem é que estariam concentradas
as possibilidades cognitivas e emocionais para a sua libertação.
Ao
estudar as teorias da história de Marx e Engels, bem como a revolução russa,
Gramsci concluiu que não existe uma tática apropriada para todas as situações
históricas. Em cada país, em cada época, os partidos comunistas deveriam
formular um plano de ação específico, adequado para a realidade histórica e
geograficamente determinada.” (Yamauti, pág 125)
Nilson Nobuaki Yamauti, Gramsci: os clássicos da teoria política revolucionária
Aparício Fernando
de Brinkerhoff Torelly, também
conhecido por Apporelly e pelo falso título de nobreza de Barão de Itararé (Rio Grande, 29 de
janeiro de 1895 — Rio
de Janeiro, 27 de novembro de 1971), foi um jornalista, escritor e
pioneiro no humorismo político brasileiro.
Sua
mãe, Maria Amélia, filha de um estadunidense descendente de russos, teve morte
trágica, suicidou-se quando tinha 18 anos e ele 18 meses; seu pai, filho de
um italiano com
uma gaúcha, enviou-o
a um internato jesuíta em São Leopoldo (RS). Apparício Torelly iniciou-se
no humorismo em
1908 no jornalzinho "Capim Seco", do colégio onde estudava,
satirizando a disciplina dos padres jesuítas de São
Leopoldo.
Em
1918, durante suas férias, sofre um AVC quando andava
na fazenda de um tio. Abandona o curso de Medicina no
quarto ano e começa a escrever. Publica sonetos e artigos em jornais e
revistas, como a “Revista Kodak”, "A Máscara" e
"Maneca". Em 1925 entra para “O Globo” de Irineu
Marinho. Com a morte de Irineu, Apporelly foi convidado por Mário Rodrigues
(pai de Nelson Rodrigues) a ser colaborador do
jornal “A Manhã”.
Ainda
em 1925, no mês de dezembro, Apparício Torelly estreava na primeira página com
seus sonetos de humor que, geralmente, tinham como tema um político da época.
Sua coluna humorística fez sucesso e também na primeira página, em 1926,
começou a escrever a coluna "A Manhã tem mais…". Neste mesmo ano
criou o semanário que viria a se tornar o maior e mais popular jornal de humor
da história do Brasil. Bem ao seu estilo de paródias, o novo jornal da capital
federal tinha o nome de “A Manha”, e usava a mesma tipologia do jornal em
que Apparício trabalhava, sem o til, fazendo toda diferença, que era reforçada
com a frase ladeando o título: "Quem não chora, não mama". Para
estréia tão libertadora, Apporelly não perdeu a data de 13 de maio de
1926. “A Manha” logo virou independente.
Durante a Revolução de 1930, quando Getúlio Vargas partiu de trem rumo à capital federal, então o Rio de Janeiro, propagou-se pela imprensa que haveria uma batalha sangrenta em Itararé. Isto foi vastamente divulgado na imprensa. Apporelly não ficou de fora desta tendência. Esta batalha ocorreria entre as tropas fiéis a Washington Luís e as da Aliança Liberal que, sob o comando de Getúlio Vargas, vinham do Rio Grande do Sul em direção ao Rio de Janeiro para tomar o poder. A cidade de Itararé fica na divisa de São Paulo com o Paraná, mas antes que houvesse a batalha "mais sangrenta da América do Sul", fizeram acordos. Uma junta governativa assumia o poder no Rio de Janeiro e não aconteceu nenhum conflito. Na verdade, em outubro de 1930, Apparício se autodeclarara “Duque” nas páginas de “A Manha”: Mas como ele próprio anunciara semanas depois, "como prova de modéstia, passei a Barão."
Na
manhã de 19 de outubro de 1934, Apparício
saía de casa em Copacabana, no número 188 da rua Saint-Romain, rumo ao
Centro, onde trabalhava, quando seu carro, um Chrysler, foi interceptado por
dois veículos. Cinco homens, alguns deles armados, sequestraram o editor do
Jornal do Povo.
"Tem
família?", perguntou um dos sequestradores, já com os carros batendo em
retirada. "Isso não vem ao caso", respondeu o sequestrado. "Nem
é da conta dos senhores". "Escreva despedindo-se", continuou o
sujeito. "É um favor que lhe prestamos". "Dispenso-o",
retrucou a vítima.
Logo,
Torelly descobriu que os homens que se diziam policiais eram, na verdade,
oficiais da Marinha. Estavam indignados com a publicação de um folhetim sobre a
Revolta da Chibata, liderada pelo marinheiro João Cândido (1880-1969), o
Almirante Negro. Como Torelly se recusou a suspender a publicação, que
denunciava os maus-tratos na Marinha, foi espancado.
Os
sequestradores cortaram seus cabelos, furaram os pneus de seu carro e o
abandonaram, quase nu, num local deserto. Na tarde daquele mesmo dia, uma
sexta-feira, depois de voltar para a redação, Torelly pendurou, na porta de sua
sala, uma placa com os dizeres: "Entre sem bater".
O
jornal “A Manha” circulou até fins de 1935, quando o Barão foi preso
por ligações com o Partido Comunista Brasileiro, então
clandestino. Foi libertado em dezembro de 1936, já ostentando a volumosa barba
que cultivaria por boa parte de sua vida. Retomou o jornal por um curto
período, até que viesse nova interrupção, ao longo de todo o Estado Novo e voltando em edições
espasmódicas até 1959.
No
mês de novembro de 1935, uma parte da ANL sob a liderança do PCB iniciou em
Natal, em Recife e no Rio de Janeiro uma insurreição armada, que acabou
sufocada em pouco tempo pelas forças governamentais. Seguiu-se ao levante uma
onda de repressão sobre os aliancistas e A Manha deixou de circular em 1936,
com a prisão de Torelli, acusado de participação na rebelião. Após a
instauração do Estado Novo (1937-1945) em novembro de 1937, Torelli foi
companheiro de cela no presídio da rua Frei Caneca do escritor Graciliano
Ramos, que o citou em seu livro “Memórias do cárcere”. Na ocasião Torelli
declarou a Graciliano que havia adotado inicialmente o título de duque de
Itararé, passando depois a barão “como prova de modéstia”.
Depois
de libertado, foi delegado do Distrito Federal ao I Congresso Brasileiro de
Escritores, que se realizou em São Paulo, promovido pela Associação Brasileira
de Escritores, de 22 a 27 de janeiro de 1945. O congresso, que reuniu
expressivo número de intelectuais de variadas tendências políticas e emitiu uma
declaração em favor da democracia e das liberdades públicas, constituiu uma
contundente tomada de posição contra o Estado Novo. Quando do decreto de
anistia de 18 de abril de 1945, pelo qual foi beneficiado, Aparício Torelli
declarou: “A anistia é um ato pelo qual os governos resolvem perdoar generosamente
as injustiças e os crimes que eles mesmos cometeram.”
Recriou
“A Manha” em 1946 e nessa nova fase o jornal contava entre seus colaboradores
com Rubem Braga, José Lins do Rego, Aurélio Buarque de Holanda, Carlos Lacerda,
Raul Lima e Pompeu de Sousa.
Torelli
elegeu-se vereador pelo Distrito Federal, na legenda do PCB, nas eleições de
janeiro de 1947. Com o cancelamento do registro do partido em maio de 1947 e a
posterior cassação dos parlamentares comunistas em janeiro de 1948, perdeu o
mandato. Nessa época colaborou no jornal “Para Todos”, quinzenário de cultura
brasileira, dirigido por Jorge Amado, e lançou também o “Almanaque”. A “Manha”
perdurou até 1957, quando Torelli deixou o jornalismo para se dedicar a viagens
durante as quais fazia palestras.
Em
1963 visitou a República Popular da China como conferencista. Poucos anos
depois, doente, passou a viver em seu apartamento no Rio de Janeiro, de onde
raramente saía. Faleceu nessa mesma cidade em 27 de novembro de 1971.
Frases
de Aparício Torelli (Barão de Itararé):
“Não é triste mudar de ideias, triste é
não ter ideias para mudar.”;
“De onde menos se espera, daí é que não sai
nada.”;
“Quem empresta, adeus.”;
“Tudo é relativo: o tempo que dura um minuto
depende de que lado da porta do banheiro você está.”;
“Negociata é um bom negócio para o qual não
fomos convidados.”;
“Dizes-me com quem andas e eu te direi se vou
contigo.”.
(Fontes: Wikipedia; BBC News Brasil; FGV CPDOC; Revista BULA)
Assim
como o aumento da criminalidade no Brasil, o assunto das mudanças climáticas tornou-se
tema recorrente. Quase não há semana em que não apareçam na imprensa novos fatos,
alertando sobre a gravidade do problema e a necessidade de se implantar medidas
efetivas de redução das emissões de gases de efeito estufa. Mas, assim como no
caso da criminalidade no Brasil, também no caso do clima, os países continuam
atuando de maneira ineficiente, implantando soluções pontuais, sem atacar a origem
do problema. No caso do Brasil, a criminalidade só será reduzida com a melhoria
das condições sociais e econômicas de grande parte da população, o que implica
a desconcentração das riquezas produzidas pela sociedade, em poder de poucos. A
sociedade mundial, de maneira parecida, só chegará à gradual diminuição das emissões,
quando reduzir o consumo de recursos naturais, atividade centralizada nos
países desenvolvidos. O aumento da anomia social e da degradação climática (e
biológica) são dois aspectos da concentração da renda, característica do
sistema econômico capitalista.
Inócuo
discutirmos aspectos da segurança pública no país, já que não conhecemos o
assunto de maneira aprofundada. Nas mídias estão disponíveis casos concretos de
todos os tipos, depoimentos de pessoas que atuam na área, e estudos de
especialistas apontando causas e medidas corretivas. Concentraremos nosso texto,
portanto, no tema das mudanças climáticas.
Ao
longo das últimas duas décadas, praticamente não houve ano em que não fossem
constatados novos fenômenos atmosféricos relacionados ao clima – chuvas
torrenciais, furacões, pesadas nevascas, secas prolongadas. O que se observa
não é um simples aumento gradual da temperatura média da atmosfera do planeta
(fato colocado em cheque pelos negacionistas climáticos no passado), mas a
incidência cada vez maior de extremos climáticos: temperaturas e precipitações
acima daquelas usuais no passado. O ano de 2023 já começou em condições climáticas
excepcionais no inverno europeu, onde no dia 1/1/2023 a temperatura em Bilbao,
na Espanha, atingiu os 25,1 graus Celsius; Dresden, na Alemanha teve 19,4 graus
Celsius em 31/12/2022; e o norte da Dinamarca registrou 12,6 graus Celsius nos
primeiros dias de janeiro. À mesma época, o leste dos Estados Unidos enfrentava
uma das mais pesadas nevascas das últimas décadas, e a geralmente seca Califórnia
era castigada por chuvas torrenciais, causando grandes inundações. No Brasil, chamam a atenção as violentas chuvas registradas no Litoral Norte do estado de São Paulo, onde no dia 19 de fevereiro a precipitação pluviométrica foi a mais intensa registrada há décadas - algumas fontes reportam que a chuva ocorrida na cidade de Bertioga em 24 horas, 683 mm, foi a mais alta já registrada no país. .
Um
relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), elaborado em dezembro de
2022, informa que em 2023 a temperatura global deverá ficar entre 1,08 graus e 1,32 graus Celsius acima da média do período pré-industrial, que sempre é utilizado como base para estas medições.. Segundo especialistas
do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), ligado à ONU, “mesmo limitando o aquecimento a uma alta de até
1,5 º C na temperatura (acima da média do período pré-industrial), ondas de
calor, inundações e outros eventos extremos aumentarão de forma ‘sem
precedentes’ em sua magnitude, frequência, localização ou época do ano em que
ocorrem, adverte o IPCC.” - o que parece já estar ocorrendo. A taxa de aumento do nível do mar, segundo o
órgão, dobrou desde 1993, subindo quase 10 mm desde janeiro de 2020, atingindo
um recorde em 2020 – o qual, no entanto, tende a ser ultrapassado. Apenas dos últimos 36
meses (desde meados de 2019), o nível dos oceanos aumentou 10% em relação a
todo o período desde o início das medições, iniciadas há 30 anos. As geleiras
dos Alpes mostraram um derretimento recorde em 2022 e as da Groenlândia
perderam volume significativo pelo 26º ano seguido.
Todos
estes fenômenos climáticos também exercem um impacto negativo sobre as
atividades humanas. O calor excessivo no verão do hemisfério Norte em 2022, fez
com que tivessem que ser implantadas medidas de economia de energia na costa
Oeste dos Estados Unidos. Fábricas na China, na região de Sichuan, suspenderam
todas as atividades durante seis dias, devido ao racionamento de energia,
comprometendo a fabricação de semicondutores exportados para todo o mundo.
Estudo realizado pelo instituto americano Gallup para avaliar como a onda de
calor afeta a vida das pessoas, constatou que “em média, a população global experimentou três vezes mais dias de calor
extremo em 2020 do que em 2008, e o bem estar também diminuiu 6,5% neste
período. Pesquisadores também descobriram que, como a crise climática está
elevando ainda mais a temperatura, o bem estar global pode diminuir em mais de
17% até o final desta década.” (Site CNN Brasil 31/8/2022).
Além
de causar mal estar, o aumento médio da temperatura do planeta também provocará
problemas de saúde na população. Um relatório do Fundo das Nações Unidas para a
Infância (UNICEF), alerta todos os países que até 2050 todas as crianças e
adolescentes estarão expostos a ondas de calor cada vez mais frequentes, a
maior parte delas morando nos países pobres – atualmente já são 560 milhões. Dada
esta situação, governos federais, estaduais e municipais terão que ampliar investimentos em saneamento básico, serviços de saúde, vacinação,
educação, higiene e nutrição. O aumento da temperatura fará com que aumentem,
principalmente em nações pobres localizadas na zona tropical (a maioria), os
casos de malária, dengue, febre amarela, doenças respiratórias e vasculares,
infecções viróticas, etc.
Atualmente 55% da população mundial vivem em cidades – no Brasil são mais de 85% - e o deslocamento de populações do campo para cidade só tende a aumentar, principalmente nos países pobres, os mais afetados pelas mudanças do clima. No entanto é nas cidades, onde vive a maior parte da população, que as mudanças climáticas se farão sentir com mais força. O exemplo recente das chuvas torrenciais que caíram sobre as cidades de São Sebastião e Bertioga, em São Paulo, e os 140 municípios gaúchos em situação de emergência decretada em razão da estiagem, são um evidente exemplo disso.
A Organização Mundial de Saúde (OMS)
órgão ligado à ONU, estima que a poluição do ar urbano seja responsável por 24%
das mortes por doenças cardíacas, 25% das mortes por acidente vascular cerebral
(AVC), 29% das mortes por câncer do pulmão e 43% das mortes por problemas
respiratórios em geral. Estes números são mais reduzidos em cidades que dispõem de
cobertura vegetal como arborização nas ruas, áreas verdes, amplos parques e pequenas
reservas florestais, que contribuem para reduzir a poluição, principalmente a
particulada, e diminuir a temperatura média do ar. Áreas verdes também são importantes sumidouros de água nos períodos de chuva, contribuindo para evitar enchentes.
No
entanto, este tipo de ordenamento urbano ocorre geralmente em cidades de
pequeno e médio porte, onde a administração municipal dispõe de recursos
financeiros e pessoal capacitado para implantar e manter medidas de proteção e
manutenção do ambiente urbano. Outro aspecto importante é o grau de
conscientização da população em relação à questão da preservação do ambiente.
Cidadãos esclarecidos sobre seus direitos podem exercer uma influência positiva
sobre administrações municipais – às vezes na forma de uma efetiva pressão
popular –, para fazer com que estas cumpram com suas obrigações estabelecidas
pela Constituição e por legislação específica. O papel do cidadão na melhoria da qualidade ambiental da vida na cidades é cada vez mais importante.
A conscientização da população, todavia, só é alcançada através de diversas ações de educação ambiental nas escolas e atividades junto à comunidade. Nesse quesito o poder público ainda deixa muito a desejar. Apesar de ter sido criada em 1999, ainda no governo Fernando Henrique Cardoso, a Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA), que deveria estar presente em todos os níveis do ensino brasileiro, poucas vezes recebeu a devida importância dos governos nos diversos níveis. Com relação à educação ambiental nas escolas, basta consultar a internet e ver que é diminuto o número de artigos que discutem e analisam o tema. No site do Ministério do Meio Ambiente (que pouca atenção recebeu dos governos Temer e Bolsonaro, por sinal), encontra-se pouco material sobre o assunto; a maior parte ainda elaborada nos governos Lula. Em todos estes anos, desde 2010, a ação mais importante que conseguimos identificar nesta área, foi a criação da Campanha Junho Verde na Política Nacional da Educação Ambiental, sancionada em julho de 2022, estabelecendo que “poderes públicos foram encarregados de trazer o debate da conscientização ambiental junto a escolas, igrejas e comunidades (sic).” É como escreve o jornalista Aparício Torelli, o Barão de Itararé (1895-1971): "De onde menos se espera, daí é que não sai nada". Enfim, mais do mesmo, com os mesmos efeitos da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) criada também no governo Lula em 2010 e que até agora também pouco avançou.
Em
termos gerais, segundo as informações e os poucos dados disponíveis na internet, a
educação ambiental nas escolas públicas é superficial. O setor do ensino
particular parece dar mais atenção ao assunto, dependendo do tipo da escola e da região onde se situa. De modo geral, todavia, estudos realizados
por diversos pesquisadores concluíram que o ensino da educação ambiental é
superficial e pouco voltado para temas e atividades práticas, devido à falta de
recursos materiais e humanos. Trecho de um estudo feito por estudantes do
Centro Universitário Assis Gurgácz e apresentado no 7º Congresso Internacional
de Educação em maio de 2019 diz o seguinte:
“(...)
a falta de material didático que aborda a
questão ambiental, faz com que seja fundamental a busca por outras metodologias
e materiais que possam auxiliar na sala de aula. A falta de interesse por parte
da comunidade em geral e também pelos órgãos públicos é notável, nem mesmo a
comunidade participativa da escola, como pais, professores, alunos, e vizinhos
colaboram com projetos socioambientais quando raramente são realizados. Coisas
simples como coleta de resíduos, descarte adequado dos dejetos e troca de
informações sobre a ecologia, são geralmente ignorados e colocados de lado,
representando a falta do conhecimento da vida e da preservação da mesma.”
(Bragagnollo, Guedes e Oliveira).
É
exatamente a educação ambiental, tão valorizada nos países desenvolvidos,
atraindo cada vez mais o interesse dos jovens – estes os mais preocupados com
os rumos da questão ambiental no planeta –, que no Brasil é tratada com desdém,
e às vezes até com desprezo, como o fizeram muitos representantes do governo
Bolsonaro e continua fazendo parte significativa dos políticos e empresários. As
melhores iniciativas de educação ambiental no país devem-se a grupos organizados,
como: ONGs, associações de bairro, escolas, grupos de interesse, algumas poucas
prefeituras, empresas, e muitos voluntários de boa vontade.
Infelizmente
evoluímos (ou involuímos?) para uma situação na qual, por diversos motivos, o
interesse e o cuidado com o meio ambiente, a natureza, os recursos naturais,
diminuiu bastante ao longo dos últimos dez anos. O entusiasmo com as primeiras
reuniões das Conferências da ONU sobre Mudanças Climáticas (Conference of Parts
– COP) arrefeceu consideravelmente ao longo dos últimos anos. As diversas
promessas feitas em acordos, principalmente pelos países ricos, não foram
cumpridas em parte ou em sua totalidade. Crises econômicas, conflitos regionais
e interesses estratégicos, eram os motivos alegados para que planos
estabelecidos não avançassem. Diversas práticas de gestão ambiental em empresas, implantadas principalmente nas indústrias transnacionais mundo afora (ISO 14000, Triple bottom line, a recente ESG, etc.),
muitas vezes não passam de “greenwashing”; uma maneira enganosa de apresentar a
empresa ou um produto como ambientalmente correto, quando não é. No Brasil, a
crise econômica que teve início em 2014 também foi responsável pela interrupção
de diversas iniciativas ambientais; tanto na área privada quanto pública. Como
se diz por aí: “Quando o caixa está no vermelho, o verde perde o interesse”.
O
capitalismo financeiro visa o ganho máximo para acionistas e diretores (vejam-se
os casos recentes das lojas Americanas e da Light). O empreendimento, a
empresa, é um meio para multiplicar os lucros, o que faz com que as
preocupações com o impacto ambiental das atividades e o bem estar dos
funcionários, sejam colocadas em segundo plano (casos Vale e Samarco, em Minas
Gerais).
Se a
humanidade não conseguir reverter o processo de aquecimento global, as
condições de vida sobre o planeta se tornarão cada vez mais difíceis, tanto para
nossa espécie e para todas as outras. Algumas sofrerão mais e, provavelmente, desaparecerão mais rápido, como já vem ocorrendo. Outras espécies, incluindo a nossa, os sapiens, dotados de uma
resiliência maior devido a fatores naturais e, no nosso caso, culturais,
continuarão existindo sobre o planeta em condições cada vez mais precárias.
Calor e frio intensos, escassez de água, de alimentos, de energia, de
necessidades básicas. A decadência será gradual, mas inexorável. Por isso é
preciso mudar nossa maneira de viver, principalmente através de uma nova
educação baseada em novas premissas, em novos valores, que levem em
consideração a preservação dos recursos naturais, com a mudança de nosso modo
de produzir e consumir.
(Imagens: pinturas de Gabriele Münter)
LEIA ARTIGO DO ECONOMISTA LADISLAW DOWBOR: "DRENO FINANCEIRO QUE PARALISA O PAÍS: A FARSA DO DÉFICIT".
ENTENDA POR QUE O DINHEIRO QUE FALTA PARA MUITOS, É DRENADO PARA POUCOS, COMO NUM BURACO NEGRO. VEJA NO LINK ABAIXO:
https://dowbor.org/2023/02/o-dreno-financeiro-que-paralisa-o-pais-a-farsa-do-deficit.html
As melhores músicas do rock
Mott The Hoople
Album: Mott The Hoople (1969)
Música: Rock and Roll Queen
https://www.youtube.com/watch?v=dNYGpPdguko
Mott the Hoople foi
uma banda inglesa de glam rock de Herefordshire dos
anos 70, e que tinha também forte influência de R&B.
Eles são conhecidos pela canção "All The Young Dudes",
escrita para eles por seu fã, David Bowie. A canção foi utilizada recentemente
no filme "Juno" e também utilizada no jogo Guitar Hero: Aerosmith. Um de seus
integrantes, o guitarrista e compositor Mick Ralphs, viria a formar ao lado de
Paul Rodgers e Simon Kirk, ambos da banda de blues rock Free, o Bad Company em
1974, uma das mais influentes bandas dos anos 70 com grande aceitação no
mercado fonográfico americano.
O
Mott the Hoople que teve seu debut com Mott The Hoople(1969), teve sua
fase mais popular com os discos All The Young Dudes (1972), Mott (1973) e The
Hoople (1974). Sua melhor fase contava com Ian Hunter(vocal, guitarra e piano),
Mick Ralphs(guitarra, vocal), Pete "Overend" Watts(baixo), Verden Allen(órgão)
e Dale "Buffin" Griffin(bateria). Não desmerecendo os discos de
intensidade densa Mad Shadows(1970) e Wildlife(1971), este último seguia
influências da música Folk, com passagens acústicas, mantendo um clima mais
melancólico e introspectivo, não menos significativo em sua carreira. Na
atualidade, o vocalista do Def Leppard, Joe Elliott,
formou uma banda chamada Down 'n' Outz, feita especialmente para tocar covers
do Mott the Hoople e da carreira de Ian Hunter solo.
(Fonte do texto: Wikipedia)
“Na
concepção de Lobato, o Brasil era vítima de uma indolência atávica.
Acompanhando os estudos sobre a formação nacional, que ganhavam grande impulso
na época e estão na base da consciência sobre o Brasil moderno. Lobato
transitou de um enfoque naturalista desta indolência, atribuída a fatores
raciais e climáticos, ao enfoque sociológico que passou a predominar nos anos
1930, deslocando sua causação para fatores ligados à organização material da
sociedade. Nosso autor voltou-se sucessivamente, assim, para o combate das
queimadas, depois das endemias do sertão (impaludismo, amarelão, mal de Chagas,
etc.). O infame Jeca Tatu foi sendo, passo a passo, historicizado, sua condição
atrelada à forma de organização da sociedade em lugar de a uma preguiça supostamente
inata e mórbida. Já nos anos 1930, Lobato – sempre à busca de soluções
espetaculares – resolve que ferro e petróleo, ícones da energia
norte-americana, seriam o antídoto infalível contra nossa indolência, não agora
natural, mas histórica.” (Frias Filho, pág. 80)
Otavio Frias Filho, Seleção Natural – Ensaios de cultura e política
Daniel Luiz de Toledo Piza (São Paulo, 28 de março de 1970 — Gonçalves, 30 de
dezembro de 2011) foi um jornalista, escritor e
crítico de artes plásticas brasileiro.
Estudou Direito na Universidade de São Paulo. Começou sua
carreira de jornalista em “O Estado de S. Paulo” (1991-92), onde foi repórter
do “Caderno2” e editor-assistente do “Cultura”. Trabalhou em seguida na “Folha
de S. Paulo” (1992-95), como redator, repórter e editor-assistente da “Ilustrada”,
cobrindo especialmente as áreas de livros e artes plásticas. Foi editor do
caderno de cultura da Gazeta
Mercantil e atou como comentarista esportivo na Rede CBN.
Em maio de 2000, retornou ao “Estadão” como editor-executivo e
colunista cultural. Colaborou regularmente para as revistas “Bravo!”, “Continente
Multicultural e Classe”, entre outras publicações. Traduziu seis
livros, entre eles: Benito Cereno,
de Herman Melville (1993); A máquina
do tempo, de H. G. Wells (1994), e A
arte da ficção, de Henry James (1995). Foi organizador de seis
livros: Waaal – o dicionário da
corte, de Paulo Francis; O
Teatro das Idéias, de Bernard Shaw (1996); Cinco mulheres, de Lima Barreto, Trechos de Os sertões, de Euclides da Cunha (1997). A vida como performance, de Kenneth
Tynan (2004), Dentro da baleia -
ensaios, de George Orwell (2005)
Daniel
era casado com a também jornalista Renata Piza, e pai de três filhos.
Daniel
Piza escreveu os livros: As Senhoritas de
Nova York - Descoberta de Pablo Picasso (1996); Questão de Gosto - Ensaios e Resenhas (2000); Mundois (2001); Ora, Bolas -
Da Copa de 98 ao Penta (2002); Leituras do Brasil (2003); Jornalismo
Cultural (2003); Ayrton Senna (2003);
Academia Brasileira de Letras - Histórias
e Revelações (2003); Paulo Francis - Brasil na Cabeça (2003); Perfis & Entrevistas (2004); Mistérios da Literatura - Poe, Machado,
Conrad e Kafka (2005); Machado de
Assis - Um Gênio Brasileiro (2005); Contemporâneo de Mim –Dez Anos da Coluna Sinopse (2006); Aforismos sem Juízo (2006); Noites Urbanas
(2010); Amazônia de Euclides (2010); Dez Anos que Encolheram o Mundo (2011).
Frases
de Daniel Piza:
“Liberdade não se dá. Liberdade se tem.”;
“É preciso distinguir os que nadam contra a
corrente e os que nadam na corrente do contra.”;
“Uma cultura deixa de ser cultura quando
podemos resumi-la.”;
“O tédio mais deletério não é o de não fazer
nada. É o de fazer o que não se quer.”;
“Se eu fosse escolher um símbolo para o
século XX, não seria o cinema, a TV, o carro, as guerras ou qualquer outro;
seria a praia. Pessoas em trajes exíguos bronzeando-se na areia e banhando-se
no mar é um hábito realmente novo.”;
“Pouca gente nota que o pop, a cultura midiática que tem marcado este século, tem suas raízes em gêneros menores do século passado, misturando opereta, melodrama, circo, banda, etc. Em versão industrial (cinema, TV, gravadoras), esses gêneros adquiriram uma presença cultural muito maior, enriquecendo o reino da mediocridade.”.
(Fontes consultadas: Wikipedia; Site Editora Contexto; Tiro de Letra; Site Pensador; Livro Questão de Gosto – Ensaios e resenhas)
Leia obras do escritor russo Fyodor M. Dostoevsky, um dos maiores escritores da literatura universal.
https://www.infolivros.org/autores/classicos/livros-fyodor-dostoyevsky/
As melhores músicas do rock
Renaissance
Album: Prologue (1972)
Música: Prologue
https://www.youtube.com/watch?v=41H8smI0dJI&list=PL4D831F451F324FD8
Renaissance
é uma banda de rock
progressivo do Reino Unido popular
nos anos 1970.
Considerada uma das melhores bandas progressivas nesse período ao lado de Yes, Pink Floyd, Genesis, Camel, Focus, Eloy e Gentle Giant.
Os
ex-membros da banda The Yardbirds Paul Samwell-Smith, Keith Relf e Jim McCarty organizaram
um novo grupo dedicado à experimentação entre rock, música folclórica e música
erudita. Juntamente com o baixista Louis Cenammo, o pianista John Hawken e a vocalista Jane
(irmã de Relf) lançaram dois álbuns com a Elektra
Records e Island
Records, mas logo se dissolveram, deixando McCarty para reformular
uma nova formação para a banda, na qual entraram e saíram vários membros.
Apesar disso, logo depois McCarty também deixou o grupo.
A
nova formação, provavelmente a mais famosa na história da banda, consistia
de Annie Haslam no vocal, Michael Dunford no violão, John Tout no piano, Jon Camp no baixo e vocal e Terry Sullivan na bateria. Lançaram Prologue em 1972, com músicas escritas
por Dunford e McCarty e letras pela poetisa Betty
Thatcher. Nos anos 1970 a banda teve uma carreira bem
sucedida comercialmente. Influenciados pela música erudita, incluiam em suas
canções referências a compositores como Bach, Chopin, Albinoni, Debussy, Rachmaninoff, Rimsky-Korsakov e Prokofiev,
entre outros. De 1973 a 1977, eles lançaram 4 ótimos álbuns de estúdio e um ao
vivo: Ashes are Burning (73), Turn of the Cards (74), Scheherazade and Other
Stories (75), Live at Carnegie Hall (76) e Novella (77).
(Fonte
do texto: Wikipedia)
“E,
segundo o grau de certeza, um sistema metafísico poderia decerto conceber-se
como a síntese do conhecimento de uma época e, hoje, existe a tendência para o manter
nesta forma. Mas, em primeiro lugar, semelhante síntese não garante a certeza
de que a ação necessita e, por isso, uma tal metafísica é uma sombra
insubstancial do que outrora a metafísica foi. Já não consegue levar a cabo a
sua função, a saber, oferecer àqueles que se convenceram do caráter
insustentável dos dogmas e ideais de vida religiosos uma posição firme para o
sentimento vital e uma meta segura da ação. Talvez seja agradável aos eruditos
reunir num sistema todo o conjunto do saber da sua época, mas receio que, para
o indivíduo que olha as estrelas e pretende associar o valor da sua existência,
a meta da sua ação, a este desconhecido, tal lhe surja como embuste escolar.”
(Dilthey, pág. 19)
Wilhelm
Dilthey, Teoria das concepções do mundo
José
Ferreira Condé, conhecido por José Condé,
nasceu na cidade de Caruaru, no agreste de Pernambuco, no dia 22 de outubro de
1917. Fez seus primeiros estudos em sua cidade natal. Em 1930, após a morte de
seu pai, muda-se para Petrópolis, no Rio de Janeiro, levado por seu irmão
Elísio Condé que então estudava medicina no Rio de Janeiro. Em Petrópolis matricula-se
no internato do Colégio Plínio Leite, onde funda o Grêmio Literário Alberto de
Oliveira e dirige dois pequenos jornais – “Pra Você” e o “Jaú”, no qual publica
seu primeiro conto.
Em
1934 muda-se para o Rio de Janeiro, para fazer o vestibular de Direito. Nessa
época publica o poema A Feira de Caruaru
na revista “O Cruzeiro”. Ingressa na Faculdade de Direito de Niterói e ao mesmo
tempo começa a fazer contato com as obras da moderna literatura nacional e escreve
reportagens na imprensa. Em 1939, depois de formado, passa por diversos
empregos, até ser nomeado para um cargo no Instituto dos Bancários, instituição
aonde chega a atingir o cargo de procurador. Neste ano, formado em Direito, transfere-se
para o Rio de Janeiro, onde passa a trabalhar para diversos jornais, produzindo
crônicas e outros textos de caráter literário.
Caminhos na sombra,
seu primeiro livro, foi publicado em 1945, com o selo da José Olympio Editora. Neste
período trabalhou um tempo como colunista num jornal chamado “O Jornal”
escrevendo crônicas com o pseudônimo de Mr. Chips. Em 1950 publica Onda
Selvagem, um romance urbano, que recebeu o Prêmio Malheiro Dias no concurso da
revista O Cruzeiro. Ainda nesse período, trabalharia no “Correio da Manhã”,
assinando uma coluna sobre literatura chamada “Escritores e Livros”. Juntamente
com os seus irmãos João e Elísio, funda em 1949 o “Jornal das Letras”.
Em
1951 publica no Jornal das Letras Histórias
da Cidade Morta – pequenas narrativas de conteúdo dramático, passadas na
cidade de Santa Rita, representando as cidades brasileiras que tiveram sua
decadência com a abolição da escravatura. A obra recebeu o Prêmio Fábio Prado,
da União Brasileira de Escritores de São Paulo. Em 1956 escreve Os Dias Antigos, novelas onde retoma ao
tema da abolição da escravatura. Recebe o Prêmio Paula Brito da Prefeitura do
Rio de Janeiro. Posteriormente, essas obras foram reunidas sob o título geral
de Santa Rita.
A
obra de José Condé retrata simultaneamente o regionalismo e o urbano, numa
linha que caminha por diferentes estilos: o dramático, o fantástico, o épico e
o pitoresco. Seus melhores momentos são no regionalismo. Em 1960 publica Terra de Caruaru, obra que ganhou o Prêmio
Coelho Neto da Academia Brasileira de Letras. Na obra, o autor faz um levantamento
histórico e sociológico de sua terra, mostrando o modo de vida da cidade, as
histórias do cangaço, os problemas da política local, casos dramáticos e
pitorescos, seus tipos humanos, com seus dramas de amor, de vingança e solidão.
Em 1961 a obra também foi editada em Portugal.
José
Condé faleceu no Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, no dia 27 de setembro de 1971.
Dentre
as principais obras do escritor, estão: Caminhos
na sombra (novelas, 1949); Onda
selvagem (romance, 1950); Histórias
da cidade morta (contos, 1951); Os
dias antigos (novelas, 1955); Um
ramo para Luísa (novela, 1959); Terra
de Caruaru (romance, 1960); Santa
Rita (Histórias da Cidade Morta e Os Dias Antigos em um
só volume, 1961); Vento do amanhecer em
Macambira (romance fragmentário,1962); Noite contra noite (romance, 1965); Pensão Riso da Noite: Rua das Mágoas (cerveja, sanfona e amor)(novelas,
1966); Como uma tarde em dezembro (romance,
1967); Tempo, vida, solidão (novelas,
1971); As chuvas (novelas, 1972).
Frase
de José Condé:
“Caruaru está dentro de mim e corre em minhas
veias, diluída em ternura.”
(Fontes:
eBiografia Dilva Frazão; Revista
Continente; Revista Medium – Frank Junior; Wikipedia; Repositário UFPB – O caso
José Condé – Tese de doutorado de Edson Tavares Costa)
"Pelo que tenho visto da intuição, ela me parece ser o produto de um tipo de imparcialidade intelectual. Infelizmente, porém, as pessoas raramente são imparciais no que concerne às coisas supremas, aos grande problemas da ciência e da vida." - Sigmund Freud - Além do principio de prazer
Recentemente,
fazendo uma pesquisa na internet sobre pintores brasileiros dos séculos XIX e
XX, me deparei com alguns quadros do pintor primitivista Emygdio Emiliano de
Souza (1867-1949), nascido na histórica cidade de Itanhaém, no litoral Sul de
São Paulo. O artista, que começou como autodidata, foi influenciado por seu
contemporâneo Benedito Calixto (1853-1927), outro pintor itanhaense que se
tornou famoso, retratando paisagens e cenas da história brasileira. Alfredo
Volpi (1896-1988) pintor ítalo-brasileiro da segunda geração do modernismo,
famoso por suas pinturas de bandeirinhas e casarios, frequentador de Itanhaém
nos anos 1940, tornou-se amigo e admirador das obras de Emygdio. Este, para
sobreviver, exerceu diversas profissões ao longo de sua vida; professor de
escola primária, funcionário público e chefe da estação de trem da antiga
Estrada de Ferro Sorocabana em Peruíbe, hoje cidade de Peruíbe, então
subdistrito do município de Itanhaém. Artista versátil e criativo, Emygdio,
além de pintor, também foi escritor, folclorista, autor de peças teatrais e
compositor.
A cena
do quadro retrata a festa junina de São João Batista, padroeiro de Peruíbe – a povoação,
originariamente um aldeamento indígena do início do século XVI, recebeu o nome
de São João Batista de Peruíbe, dado pelos jesuítas. Interessante olharmos a
cópia do quadro (disponível na internet em https://www.guiadasartes.com.br/emidio-de-souza/quadros-do)
e imaginar que a cena retrata uma festa de São João, que efetivamente ocorreu no
dia 24 de junho de 1886, uma quinta-feira (fui verificar!), possivelmente ao
final da tarde. Deve ter sido um dia com temperatura mais baixa do que a média,
pois as pessoas estão vestindo roupas mais pesadas, incomuns para uma cidade
litorânea (ou talvez roupas mais formais para um dia de festejos). Pode-se
notar também a presença de personagens com instrumentos musicais, possivelmente
uma pequena banda de música, e ao fundo outros indivíduos soltando fogos.
Numa
perspectiva histórica, a situação do país e da região onde foi pintado o quadro
é bastante distinta da atual. Em 1886 o Brasil ainda era uma monarquia escravista,
cuja principal atividade econômica estava na agricultura do café, dominada por
latifundiários; grupo social que detinha a hegemonia sobre a economia e a
política do país. Antevendo a iminente abolição do sistema escravista, esta
elite se organizava para substituir a mão de obra escravizada pela dos
imigrantes europeus – notadamente italianos e espanhóis. Em 1888 seria abolida
a escravidão e em 1889 proclamada a República; movimentos que representavam o surgimento
de novos grupos sociais no quadro histórico do país. O país, apesar de seu
imenso potencial e algumas iniciativas, como a do Barão de Mauá (Irineu
Evangelista de Souza, 1831-1889), praticamente não tinha qualquer indústria.
Em 1886 a vila de Peruíbe era uma freguesia, um
subdistrito do município de Itanhaém, que ao norte fazia divisa com a também
histórica cidade de São Vicente, e ao sul com a também antiga Iguape, fundada
em 1538. No entanto, em um mapa da antiga província de São Paulo, elaborado
pela “Sociedade Promotora de Immigração de São Paulo” em 1886, não aparece qualquer
menção ao povoado de Peruíbe. (Disponível em:
https://www.novomilenio.inf.br/santos/mapa268g.htm).
Segundo
dados históricos, antes da chegada dos portugueses à região por volta de 1535,
já existiam ali aldeamentos indígenas. Peruíbe, em língua tupi-guarani quer
dizer “rio do tubarão”, provavelmente devido à grande quantidade dessa espécie
de peixe cartilaginoso encontrável nas águas marinhas desta região. São João Batista
de Peruíbe (ou Peruhybe) começou como um ou vários aldeamento de indígenas do
ramo tupiniquim, estabelecidos pelos padres jesuítas na terceira década do
século XVI. Nos anos seguintes os religiosos, entre outros o português Leonardo
Nunes (apelidado pelos índios de Abarêbebê, o padre voador) e o canariense José
de Anchieta, visitaram regularmente a região, mantendo a organização e a
prática religiosa nas aldeias. Existem indícios de que por esta época foi
fundada uma ermida, em local hoje situado a aproximadamente sete quilômetros do
centro da cidade. Na mesma área, no século XVIII, a ordem franciscana fundou uma igreja que em poucas décadas foi abandonada e da qual atualmente restam apenas ruínas,
conhecidas como Ruínas do Abarêbebê. Estas são tidas erroneamente, por alguns, como datando da ocupação original, no século XVI. Depois, no século XIX,
formou-se uma pequena aldeia de pescadores onde hoje está localizado o centro
da cidade e a praça da matriz, retratada pelo pintor Emygdio Emiliano de Souza
em seu quadro. Este núcleo urbano recente é que daria origem à atual cidade de
Peruíbe.
Em
1914 chega a Peruíbe a linha férrea da Estrada de Ferro Sorocabana, ligando São
Paulo – através de percurso pela então despovoada zona sul da cidade (atualmente
os bairros de Santo Amaro, Cidade Dutra, Parelheiros, Marsillac) e passando por
São Vicente e Itanhaém – a Juquiá, no Vale do Ribeira. A ferrovia trouxe certo
progresso para a vila de Peruíbe, possibilitando acesso mais fácil à capital,
apesar das oito horas de percurso para cobrir os cerca de 170 quilômetros, que então
separavam o povoado da capital por via férrea (93 quilômetros em linha reta). O trem possibilitou o acesso a produtos
antes indisponíveis, não tanto pela distância, mas muito mais pelo terreno
acidentado; os rios, a floresta e a Serra do Mar. Fato surpreendente, aliás, mas
explicável, é que esta região, relativamente perto de São Paulo, tenha ficado isolada
por tanto tempo.
Em 1959 Peruíbe tornou-se município autônomo, emancipando-se de Itanhaém. No início dos anos 1960, com a expansão da rede rodoviária por todo o país promovida pelo governo Kubitschek, dá-se início à construção da estrada de acesso à cidade através de Itanhaém e à via de acesso à rodovia Regis Bittencourt, através do Vale do Ribeira. O acesso facilitou a vinda de turistas e novos moradores, fazendo com que da pequena vila de pouco mais de quatro mil habitantes nos anos 1920 e cerca de 15 mil moradores nos anos 1960, surgisse a cidade com quase 70 mil habitantes em 2022.
O passado da cidade, que pesquisado ainda poderia revelar aspectos interessantes e pouco conhecidos da história local e do país, desperta pouco interesse da maior parte de seus moradores e administradores.
(Imagens: pinturas de Emygdio Emiliano de Souza, retratando paisagens de Itanhaém)