“Na
concepção de Lobato, o Brasil era vítima de uma indolência atávica.
Acompanhando os estudos sobre a formação nacional, que ganhavam grande impulso
na época e estão na base da consciência sobre o Brasil moderno. Lobato
transitou de um enfoque naturalista desta indolência, atribuída a fatores
raciais e climáticos, ao enfoque sociológico que passou a predominar nos anos
1930, deslocando sua causação para fatores ligados à organização material da
sociedade. Nosso autor voltou-se sucessivamente, assim, para o combate das
queimadas, depois das endemias do sertão (impaludismo, amarelão, mal de Chagas,
etc.). O infame Jeca Tatu foi sendo, passo a passo, historicizado, sua condição
atrelada à forma de organização da sociedade em lugar de a uma preguiça supostamente
inata e mórbida. Já nos anos 1930, Lobato – sempre à busca de soluções
espetaculares – resolve que ferro e petróleo, ícones da energia
norte-americana, seriam o antídoto infalível contra nossa indolência, não agora
natural, mas histórica.” (Frias Filho, pág. 80)
Otavio Frias Filho, Seleção Natural – Ensaios de cultura e política
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