“A morte não é um mal, pois liberta o homem de todos os males e, juntamente com os bens, tira-lhe todos os desejos. A velhice é um mal extremo, pois priva o homem de todos os prazeres, deixando-lhe as vontades, e traz consigo todas as dores. A despeito disso, os homens temem a morte e desejam a velhice.”
“Nisso os homens têm uma desculpa, pois é raro alguém que tenha realmente mais do que precisa; e as necessidades dependem quase principalmente de hábitos, e as despesas, em geral, são proporcionais às riquezas e, muitas vezes, maiores. Os poucos que acumulam sem gastar têm essa necessidade de acumular para seus projetos ou para necessidades futuras ou temidas. Não importa que essa ou aquela necessidade seja imaginária, pois demasiado poucas são as coisas da vida que não consistem totalmente, ou em grande parte, de algo imaginado.”
“Rindo de nossos males encontro algum
conforto e procuro levá-lo a outrem do mesmo modo. Se não consigo, tenho como
certo que o rir de nossos males é o único proveito que se possa tirar e o único
remédio que nele se possa achar. Dizem os poetas que o desespero tem sempre um
sorriso na boca. Não deves pensar que eu não me condoa da infelicidade humana.
Mas não podendo defender-se dela com força ou com arte alguma, nem indústria ou
pacto algum, julgo muito mais digno do homem, e de um desespero magnânimo, rir
dos males comuns do que pôr-me a suspirar, a chorar e a clamar com os outros ou
incitá-los a fazer o mesmo.”
Giacomo Leopardi (1798-1837), ensaísta, filólogo, filósofo e um dos maiores poetas da língua italiana em Pensamentos e Opúsculos Morais, 1992

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