Não cola!

quarta-feira, 16 de abril de 2025


 (Fonte: Blog do Eliomar)

Empreendedorismo

terça-feira, 15 de abril de 2025


 (Fonte: Jornalistas Livres / Toni)

Essa não poderia faltar


 

Premiata Forneria Marconi (PFM)

Il Banchetto (1973)

 

https://www.youtube.com/watch?v=U0mqFglZi70

Leituras diárias

segunda-feira, 14 de abril de 2025


 

“Abril, mês que marcava o primeiro aniversário da ‘redentora’ (o Golpe civil-militar de 1 de abril de 1964), marcou também uma bruta espinafração do juiz Whitaker da Cunha no Departamento Nacional de Estradas de Rodagem, que enviara seis ofícios ao magistrado e, em todos os seis, chamava-o de ‘meritríssimo’. Na sua bronca o juiz dizia que ‘meritíssimo’ vem de mérito e ‘meritríssimo’ vem de uma coisa sem mérito nenhum.” 

“Quando se desenhou a perspectiva de uma seca no interior cearense, as autoridades dirigiram uma circular aos prefeitos, solicitando informações sobre a situação local depois da passagem do equinócio. Um prefeito enviou a seguinte resposta à circular: ‘Dr. Equinócio ainda não passou por aqui. Se chegar será recebido como amigo, com foguetes, passeata e festas’.” 

“Era o IV Centenário do Rio e, apesar da penúria, o governo da Guanabara ia oferecer à plebe ignara o maior bolo do mundo. Sugestão do poeta Carlos Drummond de Andrade, quando soube que o bolo ia ter cinco metros de altura, cinco toneladas, duzentos e cinquenta quilos de açúcar, quatro mil ovos e doze litros de rum: ‘Bota mais rum’.” 

“Foi então que estreou no Theatro Municipal de São Paulo a peça clássica Electra, tendo comparecido ao local alguns agentes do Dops para prender Sófocles, autor da peça e acusado de subversão, mas já falecido em 406 a.C.” 

“Era junho e o pensador católico Tristão de Ataíde, o mesmo Alceu de Amoroso Lima, uma das personalidades mais festejadas da cultura brasileira, chegava à mesma conclusão da flor dos Ponte Preta em relação à burrice reinante, ao declarar, numa conferência: ‘A maior inflação nacional é de estupidez’.” 

 

Stanislaw Ponte Preta (Sergio Porto 1923-1968), jornalista, escritor e compositor brasileiro em Febeapá: Festival de Besteira que Assola o País

Paulo Arantes (1942-)

domingo, 13 de abril de 2025

 

Veja trecho da entrevista do filósofo brasileiro Paulo Arantes, dada para o canal Autonomia Literária em 2020. No vídeo o filósofo fala sobre as teorias da origem da Estado:

https://www.youtube.com/watch?v=DyfU2OP_NYc

Outras leituras

sábado, 12 de abril de 2025


 

“O povo, infelizmente, é ainda muito ignorante e mantido na ignorância pelos esforços sistemáticos de todos os governos que consideram isso, com muita razão, como uma das condições essenciais de seu próprio poder. Esmagado por seu trabalho quotidiano, privado de lazer, de comércio intelectual, de leitura, enfim, de quase todos os meios e de uma boa parte dos estímulos que desenvolvem a reflexão nos homens, o povo aceita, na maioria das vezes, sem crítica e em bloco, as tradições religiosas. Elas o envolvem desde a primeira idade, em todas as circunstâncias de sua vida, artificialmente mantidas em seu seio por uma multidão de corruptores oficiais de todos os tipos, padres e leigos, elas se transformam entre eles em um tipo de hábito mental, frequentemente mais poderoso do que seu bom senso natural.

Não me contento em consultar uma única autoridade especialista, consulto várias; comparo suas opiniões, e escolho aquela que me parece a mais justa. Mas não reconheço nenhuma autoridade infalível, mesmo nas questões especiais; consequentemente, qualquer que seja o respeito que eu possa ter pela humanidade e pela sinceridade desse ou daquele indivíduo, não tenho fé absoluta em ninguém. Tal fé seria fatal à minha razão, à minha liberdade e ao próprio sucesso de minhas ações; ela me transformaria imediatamente num escravo estúpido, num instrumento da vontade e dos interesses de outrem.”

 

Mikhail Bakunin (1814-1876), revolucionário anarquista e pensador russo em Deus e o Estado

JUROS

sexta-feira, 11 de abril de 2025


 (Fonte: Portal da CSPB)

A frase do dia

“As crianças encontram tudo em nada, os homens não encontram nada em tudo.”

 

Giacomo Leopardi (1798-1837), poeta, filósofo e ensaísta italiano em Zibaldone dos pensamentos (Zibaldone di pensieri)

O humano e seus ídolos

quinta-feira, 10 de abril de 2025


 (Fonte: Ateus.net)

Arthur Timótheo da Costa (1882-1922)


Conheça mais sobre a vida e obra do artista no Guia das Artes abaixo:

Essa não poderia faltar

quarta-feira, 9 de abril de 2025


 

O que eles pensam


 

“As pessoas em São Paulo estão respirando mesmo floresta amazônica queimada”

 

Karla Longo, cientista do Inpe, sobre o efeito dos incêndios no Norte do País que se espalharam até outras regiões, conforme jornal O Globo em 28/12/2024

Leituras diárias

terça-feira, 8 de abril de 2025


 

“Uma famosa história Zen (budista) sobre os estágios da iluminação afirma: ‘Antes que a iluminação ocorra, montanhas são montanhas; no momento da iluminação, montanhas deixam de ser montanhas; mas então montanhas se tornam montanhas novamente.’ A semelhança com o pensamento de Heidegger parece clara: para Heidegger, antes de viver autenticamente, ‘existe-se’ de acordo com as práticas cotidianas. Quando permitimos que a ansiedade revele que somos ‘Ser em direção à morte – enraizados no ‘Nada’ – as práticas cotidianas deslizam para a falta de sentido; depois, retomamos as práticas cotidianas mais uma vez, mas desta vez guiados por uma consciência de nossas próprias possibilidades em vez das expectativas do ‘eles’ (ou ‘todo mundo’).

Como a iluminação Zen, o estado de autenticidade de Heidegger não requer fé em, ou experiência de, Deus. Além disso, ele afirma que a mente é mais receptiva ao ‘mistério surpreendente do Ser’ enquanto está completamente absorvida na única questão: ‘Qual é o significado do Ser?’ Isso lembra a abordagem koan para a iluminação usada na seita Rinzai do Zen (budismo), onde o aluno medita sobre uma questão que não tem resposta lógica, como ‘Qual é o som de uma mão batendo palmas?’

A abordagem autêntica de Heidegger para a vida compartilha muitas qualidades com o modo de vida Zen iluminado. Ambos surgem espontaneamente após uma percepção da natureza não dualista da existência que libera o indivíduo da ilusão de que ele é um ego independente separado, vivendo em um mundo desconectado de todas as outras entidades, aparentemente independentes. Da mesma forma, Heidegger e Zen estão ambos de acordo que este fim de uma percepção dualista da existência nos permite ver imediatamente a natureza interconectada e mutuamente dependente de todos os seres nesta existência unificada. Esta percepção é evidente na realização de ‘tudo é um’ do Zen e nas expressões de Ser e Tempo (livro) de Heidegger, que descrevem o Dasein como ‘ser-no-mundo’ e ‘ser-com-os-outros’. Além disso, o estado Zen iluminado reconhece que a aparente ‘solidão’ das coisas que encontramos no mundo é ilusória, pois todas as coisas na realidade são ‘vazias’ e impermanentes. Heidegger obviamente concorda com este ponto ao elogiar Sócrates por ‘permanecer continuamente no poderoso rascunho da experiência direta que constantemente evapora e mina a presumida solidão do mundo cotidiano familiar’. O Zen está ciente do sofrimento criado como resultado de nossas tentativas fúteis de transformar o Nada, ou o vazio, que somos em algo duradouro. Heidegger vê esta condição como ‘viver inautêntico’ e aponta que a libertação disto só é possível se o Dasein finalmente perceber que é intrinsecamente um Ser – em direção – à morte.” (Watts, págs. 66 e 67)

 

Michael Watts (1951-), professor universitário e escritor inglês em Heidegger: Um guia para iniciantes (original: Heidegger: A beginners guide)

E a Saúde?

segunda-feira, 7 de abril de 2025

(Fonte: Blog do Ari Cunha)

Dia do Jornalista


 

Jornalismo sem uma posição moral é impossível. Todo jornalista é um moralista. É absolutamente inevitável.”

 

Marguerite Duras (1914-1996) escritora e ensaísta francesa.

Outras leituras

domingo, 6 de abril de 2025


 

“Os personagens trágicos, na Antiguidade, eram deuses, heróis da mitologia, reis e príncipes; o que lhes acontecia era amiúde terrível, mas cumpria que permanecesse no quadro do sublime; o realismo rasteiro, a vida cotidiana e tudo quanto pudesse parecer humilhante era excluído. Ora, para os cristãos o modelo do sublime e do trágico era a história de Jesus Cristo. Mas Jesus Cristo se tinha encarnado na pessoa de um filho de carpinteiro; sua vida sobre a terra se passara em meio a gente da mais baixa condição social, homens e mulheres do povo; sua paixão tinha sido o que havia de mais humilhante; e precisamente nesta baixeza e humilhação consistia o sublime de sua personalidade e o Evangelho que ele e seus apóstolos havia pregado. O sublime da religião cristã estava intimamente ligado à sua humildade, e essa mescla de sublime e humilde, ou melhor, essa nova concepção do sublime baseada na humildade, anima, todas as partes da história santa e todas as legendas dos mártires e confessores. Por conseguinte, a arte cristã em geral, e a arte literária em particular, não tinham o que fazer da concepção antiga do sublime; firmou-se um novo sublime cheio de humildade, que admitia as personagens do povo, que não recuava diante de nenhum realismo cotidiano; tanto mais que o objetivo dessa arte não era agradar ao público de escol, mas tornar a história santa e a doutrina cristã familiares ao povo. É uma nova concepção do Homem que se estabelece, concepção de que já falei a propósito de Santo Agostinho, que lhe entreviu e formulou claramente as consequências literárias. Tais consequências foram muito importantes para a Europa, estenderam-se muito além da arte cristã propriamente dita; todo realismo trágico europeu dela advém; nem a arte de Cervantes e do teatro espanhol, nem a de Shakespeare, para citar somente os exemplos mais conhecidos, poderiam ter sido imaginados sem essa concepção realista do homem trágico, que é de origem cristã. Tão-somente as épocas que imitaram conscientemente as teorias da Antiguidade (por exemplo, o Classicismo francês do século XVII) foi que retomaram à concepção antiga.” (Auerbach, pág. 64)

 

Erich Auerbach (1892-1957) filólogo alemão em Introdução aos estudos literários

Covid-19: o Brasil não pode esquecer!

sábado, 5 de abril de 2025


 (Fonte: Revista VEJA)

Não podemos nos esquecer da pandemia (sindemia) da Covid-19. 

Desinformação, incompetência, má gestão, descaso; que provocaram mais de 700 mil mortes no Brasil. 

Pessoas, famílias e comunidades afetadas.

O país tem 2,7% da população mundial, mas teve quase 13% da mortes por Covid no planeta. 

Teria sido possível minimizar o impacto desta tragédia? 

Como um pandemia (sindemia) inevitável tornou-se uma tragédia nacional e quem contribuiu para isso?


Acesse o site/projeto Acervo da Pandemia de Covid-19, organizado pelo Centro de Estudos Sociedade, Universidade e Ciência (SoU_Ciência) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em parceria com a Associação de Vítimas e Familiares de Vítimas da Covid-19 (AVICO Brasil), o Centro de Estudos de Direito Sanitário da Universidade de São Paulo (CEPEDISA/USP), o grupo de mídia independente Camarote da República e o podcast Medo e Delírio em Brasília e obtenha informações fidedignas sobre aquele dramático período da nossa história. Acesse o site no link:

https://acervopandemia-souciencia.unifesp.br/

Enchanted Mirror - Luiz Bonfá

Música brasileira


Luiz Bonfá

Álbum: Introspection (1972)

Música: Enchanted Mirror



https://www.youtube.com/watch?v=yixoZEO8JUc


Luiz Floriano Bonfá (Rio de Janeiro17 de outubro de 1922 — Rio de Janeiro, 12 de janeiro de 2001) foi um violonistacompositor e cantor brasileiro incluído na lista 30 maiores ícones brasileiros da guitarra e do violão (Categoria: "Mestres Acústicos") da revista Rolling Stone Brasil, em 2012. Um dos integrantes do primeiro grupo de músicos da bossa nova, compositor de clássicos como "Manhã de Carnaval" e "Samba do Orfeu", na década de 1940 tocou na Rádio Nacional, ao lado de Garoto e participou de alguns conjuntos, como o Quitandinha Serenaders, até começar a carreira solo, como violonista.

Teve atuação destacada como compositor e seus primeiros sucessos foram gravados por Dick Farney, em 1953. A peça "Orfeu da Conceição", de Vinicius de Moraes, foi um marco em sua carreira. Participou do Festival de Bossa Nova no Carnegie Hall em Nova Iorque, em 1962. Sempre respeitado como compositor refinado e exímio violonista, uma de suas características era tocar fazendo amplo uso do recurso das cordas soltas, o que conferia uma sonoridade ampla e grandiosa. Gravou diversos discos nos Estados Unidos que não foram lançados no Brasil. Voltou a gravar no Brasil no fim dos anos 1980 e anos 1990, lançando discos bem-sucedidos também nos Estados Unidos. "Almost In Love", composição sua, foi a única música brasileira gravada por Elvis PresleyFrank SinatraSarah VaughanGeorge BensonTony BennettJulio IglesiasDiana Krall e Luciano Pavarotti são outros intérpretes que já cantaram suas músicas.

 

(Fonte do texto: Wikipedia)

Reforma tributária efetiva, quando?

sexta-feira, 4 de abril de 2025


Por quê a carga tributária sobre o consumo é tão alta no Brasil?



(Fonte EXTRA/IBPT)



Por quê não há tributação de dividendos no Brasil?



(Fonte: FORBES)
 

O que são dividendos? 


“Dividendos são parcelas do lucro apurado que serão distribuídos entre os acionistas da empresa. Para entender melhor, vamos imaginar o seguinte: você compra ações de uma empresa, ou seja, você está comprando um pedaço de uma companhia, e isso significa que você passa a ser sócio dela. Por isso, você passa a ter direitos sobre parte dos lucros dela, que podem ser recebidos na forma de dinheiro, ações ou direitos de propriedades.”

Não há tributação destes ganhos no Brasil desde o governo FHC.

 (Fonte: POLITIZE!)


Resumindo, quem tem mais, paga menos. Quem tem muito, não paga quase nada. Mudanças, só quando o Congresso votar leis que beneficiem o povo e não o ricos.

 

(Fonte: agencia Senado)

Christina Motta (1944 -)


Conheça mais sobre a vida e obra da artista no site CHRISTINA MOTTA abaixo:

https://christinamotta.com.br/

Gilbert Freyre (1900-1987)

quinta-feira, 3 de abril de 2025


Veja entrevista do sociólogo, antropólogo, historiador escritor e ensaísta brasileiro Gilberto Freyre, autor de Casa Grande e Senzala (1933), um dos clássicos da sociologia mundial. O vídeo está disponível no site Núcleo de Memória abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=EG97N0x0Rd4

Essa não poderia faltar

quarta-feira, 2 de abril de 2025

 A mesma música, duas versões:



Crosby, Still, Nash & Young

Woodstock (1970) 

https://www.youtube.com/watch?v=4lx86B6a3kc




Joni Mitchell

Woodstock (2021 remaster)

https://www.youtube.com/watch?v=ZzZTSfXcHYI

Leituras diárias

terça-feira, 1 de abril de 2025



“Se alguém tivesse feito esta pergunta a mim, eu teria respondido que, se ele se referisse aos agnósticos, eles não têm credo; e, pela natureza do caso, não podem ter. O agnosticismo, de fato, não é um credo, mas um método, cuja essência reside na aplicação rigorosa de um único princípio. Esse princípio é de grande antiguidade; é tão antigo quanto Sócrates; tão antigo quanto o escritor que disse: ‘Experimente todas as coisas, segure o que é bom’; é o fundamento da Reforma, que simplesmente ilustrou o axioma de que todo homem deve ser capaz de dar uma razão para a fé que está nele; é o grande princípio de Descartes; é o axioma fundamental da ciência moderna. Positivamente, o princípio pode ser expresso: em questões do intelecto, siga sua razão até onde ela o levar, sem levar em conta qualquer outra consideração. E pode ser expresso negativamente: em questões do intelecto, não finja que as conclusões são certas se não são demonstradas ou demonstráveis. Isso eu considero ser a fé agnóstica, na qual se um homem se mantiver íntegro e imaculado, ele não terá vergonha de olhar o universo na cara, seja qual for o futuro que possa ter reservado para ele. 

Os resultados da elaboração do princípio agnóstico variarão de acordo com o conhecimento e a capacidade individual e de acordo com a condição geral da ciência. Aquilo que não está provado hoje pode ser provado amanhã com a ajuda de novas descobertas. Os únicos pontos fixos negativos serão aquelas negações que fluem da demonstrável limitação de nossas faculdades. E a única obrigação aceita é ter a mente sempre aberta a ser convencido. Os agnósticos que nunca falham na realização de seus princípios são, receio, tão raros quanto outras pessoas das quais a mesma consistência pode ser verdadeiramente prevista.” (Huxley, págs. 34 e 35).

 

Thomas Henry Huxley (1825-1895), biólogo e antropólogo inglês em Agnosticismo

1º de abril - 61 anos do golpe civil-militar de 1964

(Fonte: CRP/SP)

Outras leituras

segunda-feira, 31 de março de 2025


 

“Formada entre os anos de 1554 e 1555, a Confederação dos Tamoios durou até 1567, com sua derrota final diante da campanha militar sob o comando do governador-geral Mem de Sá. O momento-chave da aniquilação em massa das tribos litorâneas de língua tupi-guarani foi a construção da fortaleza que marca a fundação da cidade do Rio de Janeiro, no coração do território hostil, base para a vitória militar dos portugueses, com o massacre dos tupinambás. O Brasil não foi, dessa forma, descoberto e ocupado. Foi conquistado em uma luta na qual pereceram milhares de pessoas, entre índios e europeus, portugueses e franceses. Nela, sacrificaram-se velhos, mulheres, crianças e religiosos. Morreram guerreiros e soldados anônimos, chefes de tribo e comandantes, entre os quais um sobrinho e um filho do próprio Mem de Sá. Dali em diante, o caminho estava aberto para a hegemonia de Portugal, tanto sobre os franceses, que tentaram se instalar no Brasil a partir da Guanabara, quanto sobre os índios remanescentes, dispersos e incapazes de oferecer resistência. ‘É certo que os manuais escolares não esquecem a valiosa contribuição das populações nativas para a nossa formação sociocultural, mas pouco informam sobre o seu extermínio, quando não o explicam como consequência inevitável, quase natural, de um longo e difícil processo de acomodação de interesses conflitantes’, afirmou Francisco M . P . Teixeira.” (Guaracy, págs. 18 e 19) 

 

“Com Ramalho, Martim Afonso teve a perspectiva de estabelecer ali uma base para o comércio de pau-brasil e a captura de escravos, aproveitando o fato de que São Vicente se tornara escala para as naus que faziam a rota das Índias pela corrente do Atlântico. Conheceu o planalto de Piratininga, no qual Ramalho havia se estabelecido. Dali, poderia realizar incursões pelo sertão para capturar escravos. Martim Afonso se interessou pelo Peabiru, a velha trilha indígena sertão adentro, que poderia se transformar em acesso para as minas de ouro de Potosí, já em território espanhol, e, mais adiante, ao rico império Inca – vasta extensão que ia dos Andes à floresta amazônica. Por sua determinação, uma expedição com noventa homens partiu de Cananeia, em 1 de setembro de 1531, sob o comando de Pedro Lobo, tendo Francisco de Chaves como guia, com o objetivo de explorar essa via. O resultado da expedição foi funesto. Como confirmam registros da Câmara de São Paulo, encontrados pelo historiador Pedro Taques de Almeida Paes Leme, os exploradores foram dizimados por índios guaranis quando atravessavam o rio Paraná, perto das cataratas do Iguaçu. Em 22 de janeiro de 1532, Martim Afonso fundou a vila de São Vicente, primeira povoação colonial do Brasil, chamada pelos índios de Uapú-nema. O preposto do rei reafirmava o nome já dado a toda a ilha por Gaspar de Lemos, em 1502. Seria a primeira das sete vilas criadas na costa durante o período de dom João III, seguida de Porto Seguro, na Bahia (1534), a Vila do Espírito Santo (1535), Olinda (1537), Santos (1543) e Salvador (1549). Martim Afonso imediatamente instalou na nova povoação os símbolos do poder organizado: uma igreja (o poder atemporal), a câmara dos vereadores (o poder secular) e um pelourinho (o judiciário). Mandou ainda levantar uma trincheira na barra de Bertioga (do tupi Buriquioca, ‘cova dos [macacos] bugios’). Localizava-se no canal que separa do continente a ilha de Guaíbe, mais tarde chamada pelos portugueses de Santo Amaro, vizinha da ilha de São Vicente.” (Guaracy, págs. 68-69) 

 

“Com isso, João Ramalho passou a caçar índios em expedições por mar, atacando tribos tupinambás do litoral. Aldeias entre Ubatuba e Angra dos Reis foram invadidas e destruídas. Vivendo em aldeias, os tupinambás constituíam um alvo fixo. Em vez de fugir, defendiam-se – numa luta desigual. Seus guerreiros eram hábeis com o arco e o tacape, mas enfrentavam um páreo duro diante dos trabucos dos portugueses. Estes contavam também com o conhecimento da mata e a sede vingativa dos guaianazes, seus ferozes aliados, que os auxiliavam no combate. A Ramalho juntaram-se ainda tribos carijós, para as quais ele garantiu liberdade e proteção, em troca da colaboração na captura de índios inimigos. Os caçadores de homens de Piratininga não se limitavam a fazer incursões no litoral ao norte de São Vicente. Em 1553, o espanhol João Sanches, de Biscaia, que seguia para o Prata em uma nau da armada do tesoureiro real João de Salazar na qual se encontrava o alemão Hans Staden, já notava os efeitos da ação dos paulistas fora de território português. Em carta ao rei da Espanha, Carlos V, Sanches conta que encalhou sua nau nas proximidades de Jurumirim, como a chamavam os índios carijós, batizada depois pelos europeus de ilha de Santa Catarina, onde hoje está a cidade de Florianópolis. Não encontrou ajuda de qualquer espécie, ‘visto que a ilha de Santa Catarina estava despovoada por causa dos portugueses e seus amigos (selvagens) terem feito muitos saltos aos índios naturais da dita ilha, e aniquilado todos os silvícolas do litoral que eram amigos dos vassalos de Sua Majestade [sobretudo carijós]’” (Guaracy, págs. 77-78).

 

“Por sua vez, os portugueses criticavam os próprios jesuítas, dizendo que tinham se assenhorado dos índios, pois estes também trabalhavam praticamente como escravos nas propriedades da Igreja. ‘Eram verdadeiros servos […] não só nos colégios, como nas terras chamadas ‘dos índios’, que acabavam por ser fazendas e engenhos dos padres jesuítas’, afirmou Varnhagen. No fim das contas, a situação dos índios se tornava sujeita a todo tipo de interpretação. Os que restaram nas casas dos portugueses podiam ser alugados, vendidos ou forrados, mas pouco disso estava documentado. Nascia aí a ambígua figura do ‘agregado’, comum nas casas brasileiras ao tempo da colônia, em que se adotava ou dava sustento a um morador que não era da família. Este não era empregado, ou escravo, nem parente, e trabalhava na casa e nos negócios da família a título de gratidão por ter sido recolhido da pobreza. O agregado foi uma versão tropical da ‘casta de escravos que os árabes tomavam de seus pais para adestrar e criar em suas casas-criatórios, onde desenvolviam o talento que acaso tivessem’, afirma Darcy Ribeiro. Depois de conviver com os índios em Iperoig, e de toda sua experiência nas escolas, os jesuítas já haviam concluído que seu esforço com o ‘gentio’ era inútil, como afirma o próprio Nóbrega, em carta de 1559 ao então ex-governador-geral Tomé de Sousa: ‘como é gente brutal, não se faz nada com eles, como por experiência vimos todo este tempo que com ele tratamos com muito trabalho, sem dele tirarmos mais fruto que poucas almas inocentes que aos céus mandamos’. Veladamente, os jesuítas amadureciam a ideia de que a única saída para a colonização era o extermínio dos tupinambás. E não apenas defenderiam essa ideia na correspondência a seus superiores e com a corte em Lisboa como atuariam diretamente na sua execução.” (Guaracy, págs. 186-189) 

 

Thales Guaracy (1964-) jornalista, escritor e editor brasileiro em A conquista do Brasil

Paulo Vanzolini (1924-2013)

domingo, 30 de março de 2025


Veja depoimento do zoólogo, cientista e compositor brasileiro Paulo Vanzolini dado ao programa Intérpretes do Brasil. O vídeo está disponível no link abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=Xi4_gLf2Yqs

Privatização?

sábado, 29 de março de 2025

(Fonte: Remolino Cultural/ Facebook)
 

IA


 (Fonte: Pinterest)

Leituras diárias

sexta-feira, 28 de março de 2025


 

“A penetração do capital estrangeiro no setor industrial e seu papel na criação da grande empresa monopólica alteram substancialmente esta situação. O poder da grande empresa a converte no setor líder da classe dominante, representado pelos gerentes das grandes corporações multinacionais. A respeito destes homens, pouquíssimo estudados pelas ciências sociais, sabe-se que são geralmente estrangeiros e que fazem parte de uma espécie de estrato burocrático-empresarial internacional. Estão acostumados aos modelos de ação nacional de longo prazo destas companhias, sua visão ideológica certamente se baseia no pragmatismo científico e, portanto, no seu neocapitalismo baseado na grande corporação e no capitalismo de Estado liderado por uma tecnocracia apoiada nos grupos de pressão dos diferentes setores econômicos. Nesta situação, todas as classes do sistema de poder se reformulam. A oligarquia tradicional perde posições na hierarquia da classe dominante e se torna um setor quase residual. A burguesia industrial é obrigada a converter-se em sócia menor da corporação estrangeira. Parte das classes médias é incorporada às funções gerenciais e em geral se torna assalariada do grande capital. O capitalismo de Estado passa integrar-se diretamente à política do grande capital. O proletariado passa a organizar-se sindicalmente para pressionar o poder, e o camponês se transforma em proletariado sindicalizado ou em pequeno proprietário acomodado.” (Pág.51) 

 

Theotonio dos Santos (1936-2018), economista formulador da “Teoria da Dependência” em Socialismo ou fascismo: O novo caráter da dependência e o dilema latino-americano

"Capitalismo verde"

quinta-feira, 27 de março de 2025

"Capitalismo verde" está contribuindo para a preservação dos recursos naturais



"Capitalismo verde" está contribuindo para a preservação


"Capitalismo verde" está contribuindo para



"Capitalismo verde" está contribuindo



"Capitalismo verde"


(Fonte das imagens: diversas fontes da internet)

Caciporé Torres (1935 - )


Conheça mais sobre a vida e obra do artista no site Enciclopédia Itau Cultural e Wikipedia abaixo:

https://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoas/6169-cacipore-torres/obras

e

https://pt.wikipedia.org/wiki/Cacipor%C3%A9_Torres

Ler!

quarta-feira, 26 de março de 2025
(São Jerônimo) 

Não perca tempo na vida! Leia!

Fronteira - Almir Sater

Música brasileira


Almir Sater

Álbum: Instrumental Dois (1990)

Música: Fronteira






Almir Eduardo Melke Sater (Campo Grande14 de novembro de 1956) é um violeirocantorcompositorator e instrumentista brasileiro. Seu estilo caracteriza-se pelo experimentalismo. Agrega uma sonoridade tipicamente caipira da viola de 10 cordas, também com influências das culturas fronteiriças do seu estado, como a música paraguaia e andina, ao mesmo tempo refletindo traços populares e eruditos.

Com mais de 30 anos de carreira e 10 discos solo gravados, Almir tornou-se um dos responsáveis pela preservação da viola de 10 cordas. O músico acrescentou um toque mais sofisticado ao instrumento, temperado com estilos estrangeiros como o blues, o rock e o folk, uma mistura de música folclórica, clássica e popular. Foi incluído na lista 30 maiores ícones brasileiros da guitarra e do violão (Categoria: Raízes Brasileiras) da revista Rolling Stone Brasil, em 2012.

 

Fonte do texto: Wikipedia 

Frases de Meio Ambiente

terça-feira, 25 de março de 2025

 

Somente quando a última árvore for derrubada, o último peixe comido e o último riacho envenenado, você perceberá que não pode comer dinheiro.”

 

Provérbio do povo indígena Cree (USA). Fonte: Jersey Girl Organics

Manuela Carneiro da Cunha (1943 -)

segunda-feira, 24 de março de 2025


Veja entrevista da antropóloga e professora luso-brasileira Manuela Carneiro da Cunha, referência nas áreas da antropologia histórica e etnologia. O vídeo é do canal Interpretes do Brasil (Luís Eduardo Mascaro):