Não cola!
quarta-feira, 16 de abril de 2025Empreendedorismo
terça-feira, 15 de abril de 2025Leituras diárias
segunda-feira, 14 de abril de 2025“Abril, mês que marcava o primeiro aniversário da ‘redentora’ (o Golpe civil-militar de 1 de abril de 1964), marcou também uma bruta espinafração do juiz Whitaker da Cunha no Departamento Nacional de Estradas de Rodagem, que enviara seis ofícios ao magistrado e, em todos os seis, chamava-o de ‘meritríssimo’. Na sua bronca o juiz dizia que ‘meritíssimo’ vem de mérito e ‘meritríssimo’ vem de uma coisa sem mérito nenhum.”
“Quando se desenhou a perspectiva de uma seca no interior cearense, as autoridades dirigiram uma circular aos prefeitos, solicitando informações sobre a situação local depois da passagem do equinócio. Um prefeito enviou a seguinte resposta à circular: ‘Dr. Equinócio ainda não passou por aqui. Se chegar será recebido como amigo, com foguetes, passeata e festas’.”
“Era o IV Centenário do Rio e, apesar da penúria, o governo da Guanabara ia oferecer à plebe ignara o maior bolo do mundo. Sugestão do poeta Carlos Drummond de Andrade, quando soube que o bolo ia ter cinco metros de altura, cinco toneladas, duzentos e cinquenta quilos de açúcar, quatro mil ovos e doze litros de rum: ‘Bota mais rum’.”
“Foi então que estreou no Theatro Municipal de São Paulo a peça clássica Electra, tendo comparecido ao local alguns agentes do Dops para prender Sófocles, autor da peça e acusado de subversão, mas já falecido em 406 a.C.”
“Era junho e o pensador católico Tristão de Ataíde, o mesmo Alceu de Amoroso Lima, uma das personalidades mais festejadas da cultura brasileira, chegava à mesma conclusão da flor dos Ponte Preta em relação à burrice reinante, ao declarar, numa conferência: ‘A maior inflação nacional é de estupidez’.”
Stanislaw Ponte Preta (Sergio Porto 1923-1968), jornalista, escritor e compositor brasileiro em Febeapá: Festival de Besteira que Assola o País
Paulo Arantes (1942-)
domingo, 13 de abril de 2025Veja trecho da entrevista do filósofo brasileiro Paulo Arantes, dada para o canal Autonomia Literária em 2020. No vídeo o filósofo fala sobre as teorias da origem da Estado:
Outras leituras
sábado, 12 de abril de 2025“O
povo, infelizmente, é ainda muito ignorante e mantido na ignorância pelos
esforços sistemáticos de todos os governos que consideram isso, com muita
razão, como uma das condições essenciais de seu próprio poder. Esmagado por seu
trabalho quotidiano, privado de lazer, de comércio intelectual, de leitura,
enfim, de quase todos os meios e de uma boa parte dos estímulos que desenvolvem
a reflexão nos homens, o povo aceita, na maioria das vezes, sem crítica e em
bloco, as tradições religiosas. Elas o envolvem desde a primeira idade, em
todas as circunstâncias de sua vida, artificialmente mantidas em seu seio por
uma multidão de corruptores oficiais de todos os tipos, padres e leigos, elas
se transformam entre eles em um tipo de hábito mental, frequentemente mais
poderoso do que seu bom senso natural.
Não
me contento em consultar uma única autoridade especialista, consulto várias;
comparo suas opiniões, e escolho aquela que me parece a mais justa. Mas não
reconheço nenhuma autoridade infalível, mesmo nas questões especiais;
consequentemente, qualquer que seja o respeito que eu possa ter pela humanidade
e pela sinceridade desse ou daquele indivíduo, não tenho fé absoluta em
ninguém. Tal fé seria fatal à minha razão, à minha liberdade e ao próprio
sucesso de minhas ações; ela me transformaria imediatamente num escravo
estúpido, num instrumento da vontade e dos interesses de outrem.”
Mikhail Bakunin (1814-1876), revolucionário anarquista e pensador russo em Deus e o Estado
JUROS
sexta-feira, 11 de abril de 2025A frase do dia
“As crianças encontram tudo em nada, os homens não encontram nada em tudo.”
Giacomo Leopardi (1798-1837), poeta, filósofo e ensaísta italiano em Zibaldone dos pensamentos (Zibaldone di pensieri)
O humano e seus ídolos
quinta-feira, 10 de abril de 2025Arthur Timótheo da Costa (1882-1922)
Conheça mais sobre a vida e obra do artista no Guia das Artes abaixo:
Essa não poderia faltar
quarta-feira, 9 de abril de 2025O que eles pensam
“As
pessoas em São Paulo estão respirando mesmo floresta amazônica queimada”
Karla Longo, cientista do Inpe, sobre o efeito dos incêndios no Norte do País que se espalharam até outras regiões, conforme jornal O Globo em 28/12/2024
Leituras diárias
terça-feira, 8 de abril de 2025“Uma
famosa história Zen (budista) sobre os estágios da iluminação afirma: ‘Antes
que a iluminação ocorra, montanhas são montanhas; no momento da iluminação,
montanhas deixam de ser montanhas; mas então montanhas se tornam montanhas
novamente.’ A semelhança com o pensamento de Heidegger parece clara: para
Heidegger, antes de viver autenticamente, ‘existe-se’ de acordo com as práticas
cotidianas. Quando permitimos que a ansiedade revele que somos ‘Ser em direção
à morte – enraizados no ‘Nada’ – as práticas cotidianas deslizam para a falta de
sentido; depois, retomamos as práticas cotidianas mais uma vez, mas desta vez
guiados por uma consciência de nossas próprias possibilidades em vez das
expectativas do ‘eles’ (ou ‘todo mundo’).
Como
a iluminação Zen, o estado de autenticidade de Heidegger não requer fé em, ou
experiência de, Deus. Além disso, ele afirma que a mente é mais receptiva ao ‘mistério
surpreendente do Ser’ enquanto está completamente absorvida na única questão: ‘Qual
é o significado do Ser?’ Isso lembra a abordagem koan para a iluminação usada na seita Rinzai do Zen (budismo), onde o aluno medita sobre uma questão que
não tem resposta lógica, como ‘Qual é o som de uma mão batendo palmas?’
A
abordagem autêntica de Heidegger para a vida compartilha muitas qualidades com
o modo de vida Zen iluminado. Ambos surgem espontaneamente após uma percepção
da natureza não dualista da existência que libera o indivíduo da ilusão de que
ele é um ego independente separado, vivendo em um mundo desconectado de todas
as outras entidades, aparentemente independentes. Da mesma forma, Heidegger e
Zen estão ambos de acordo que este fim de uma percepção dualista da existência
nos permite ver imediatamente a natureza interconectada e mutuamente dependente
de todos os seres nesta existência unificada. Esta percepção é evidente na
realização de ‘tudo é um’ do Zen e nas expressões de Ser e Tempo (livro) de Heidegger, que descrevem o Dasein como ‘ser-no-mundo’ e
‘ser-com-os-outros’. Além disso, o estado Zen iluminado reconhece que a
aparente ‘solidão’ das coisas que encontramos no mundo é ilusória, pois todas
as coisas na realidade são ‘vazias’ e impermanentes. Heidegger obviamente
concorda com este ponto ao elogiar Sócrates por ‘permanecer continuamente no
poderoso rascunho da experiência direta que constantemente evapora e mina a
presumida solidão do mundo cotidiano familiar’. O Zen está ciente do sofrimento
criado como resultado de nossas tentativas fúteis de transformar o Nada, ou o
vazio, que somos em algo duradouro. Heidegger vê esta condição como ‘viver
inautêntico’ e aponta que a libertação disto só é possível se o Dasein finalmente perceber que é
intrinsecamente um Ser – em direção – à morte.” (Watts, págs. 66 e 67)
Michael Watts (1951-), professor universitário e escritor inglês em Heidegger: Um guia para iniciantes (original: Heidegger: A beginners guide)
E a Saúde?
segunda-feira, 7 de abril de 2025Dia do Jornalista
“Jornalismo
sem uma posição moral é impossível. Todo jornalista é um moralista. É absolutamente
inevitável.”
Marguerite Duras (1914-1996) escritora e ensaísta francesa.
Outras leituras
domingo, 6 de abril de 2025“Os
personagens trágicos, na Antiguidade, eram deuses, heróis da mitologia, reis e
príncipes; o que lhes acontecia era amiúde terrível, mas cumpria que
permanecesse no quadro do sublime; o realismo rasteiro, a vida cotidiana e tudo
quanto pudesse parecer humilhante era excluído. Ora, para os cristãos o modelo do
sublime e do trágico era a história de Jesus Cristo. Mas Jesus Cristo se tinha
encarnado na pessoa de um filho de carpinteiro; sua vida sobre a terra se
passara em meio a gente da mais baixa condição social, homens e mulheres do
povo; sua paixão tinha sido o que havia de mais humilhante; e precisamente
nesta baixeza e humilhação consistia o sublime de sua personalidade e o
Evangelho que ele e seus apóstolos havia pregado. O sublime da religião cristã
estava intimamente ligado à sua humildade, e essa mescla de sublime e humilde,
ou melhor, essa nova concepção do sublime baseada na humildade, anima, todas as
partes da história santa e todas as legendas dos mártires e confessores. Por
conseguinte, a arte cristã em geral, e a arte literária em particular, não
tinham o que fazer da concepção antiga do sublime; firmou-se um novo sublime
cheio de humildade, que admitia as personagens do povo, que não recuava diante de
nenhum realismo cotidiano; tanto mais que o objetivo dessa arte não era agradar
ao público de escol, mas tornar a história santa e a doutrina cristã familiares
ao povo. É uma nova concepção do Homem que se estabelece, concepção de que já
falei a propósito de Santo Agostinho, que lhe entreviu e formulou claramente as
consequências literárias. Tais consequências foram muito importantes para a
Europa, estenderam-se muito além da arte cristã propriamente dita; todo realismo
trágico europeu dela advém; nem a arte de Cervantes e do teatro espanhol, nem a
de Shakespeare, para citar somente os exemplos mais conhecidos, poderiam ter
sido imaginados sem essa concepção realista do homem trágico, que é de origem
cristã. Tão-somente as épocas que imitaram conscientemente as teorias da
Antiguidade (por exemplo, o Classicismo francês do século XVII) foi que
retomaram à concepção antiga.” (Auerbach, pág. 64)
Erich Auerbach (1892-1957) filólogo alemão em Introdução aos estudos literários
Covid-19: o Brasil não pode esquecer!
sábado, 5 de abril de 2025Não podemos nos esquecer da pandemia
(sindemia) da Covid-19.
Desinformação, incompetência, má gestão,
descaso; que provocaram mais de 700 mil mortes no Brasil.
Pessoas, famílias e comunidades afetadas.
O país tem 2,7% da população mundial,
mas teve quase 13% da mortes por Covid no planeta.
Teria sido possível minimizar o impacto desta tragédia?
Como um pandemia (sindemia) inevitável tornou-se uma tragédia
nacional e quem contribuiu para isso?
Acesse o site/projeto Acervo da Pandemia de Covid-19, organizado pelo Centro de Estudos Sociedade, Universidade e Ciência (SoU_Ciência) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em parceria com a Associação de Vítimas e Familiares de Vítimas da Covid-19 (AVICO Brasil), o Centro de Estudos de Direito Sanitário da Universidade de São Paulo (CEPEDISA/USP), o grupo de mídia independente Camarote da República e o podcast Medo e Delírio em Brasília e obtenha informações fidedignas sobre aquele dramático período da nossa história. Acesse o site no link:
Labels: Assim se vive no Brasil, Ciência, Gestão Pública, Política
Enchanted Mirror - Luiz Bonfá
Música brasileira
Luiz Bonfá
Álbum: Introspection (1972)
Música: Enchanted Mirror
https://www.youtube.com/watch?v=yixoZEO8JUc
Luiz
Floriano Bonfá (Rio de
Janeiro, 17 de outubro de 1922 — Rio de
Janeiro, 12 de janeiro de 2001) foi um violonista, compositor e
cantor brasileiro
incluído na lista 30
maiores ícones brasileiros da guitarra e do violão (Categoria: "Mestres
Acústicos") da revista Rolling Stone
Brasil, em 2012. Um dos integrantes do primeiro grupo de músicos
da bossa nova, compositor de clássicos como "Manhã de Carnaval" e
"Samba do Orfeu", na década de 1940 tocou na Rádio Nacional, ao lado de
Garoto e participou de alguns conjuntos, como o Quitandinha Serenaders, até começar a
carreira solo, como violonista.
Teve
atuação destacada como compositor e seus primeiros sucessos foram gravados
por Dick Farney,
em 1953. A peça "Orfeu da Conceição", de Vinicius de Moraes, foi um marco em sua
carreira. Participou do Festival de Bossa Nova no Carnegie Hall em Nova Iorque,
em 1962. Sempre respeitado como compositor refinado e exímio violonista, uma de
suas características era tocar fazendo amplo uso do recurso das cordas soltas,
o que conferia uma sonoridade ampla e grandiosa. Gravou diversos discos nos
Estados Unidos que não foram lançados no Brasil. Voltou a gravar no Brasil no
fim dos anos 1980 e anos 1990, lançando discos bem-sucedidos também nos Estados
Unidos. "Almost In Love", composição sua, foi a única música
brasileira gravada por Elvis Presley. Frank Sinatra, Sarah Vaughan, George Benson, Tony Bennett, Julio
Iglesias, Diana Krall e Luciano
Pavarotti são outros intérpretes que já cantaram suas
músicas.
(Fonte do texto: Wikipedia)
Reforma tributária efetiva, quando?
sexta-feira, 4 de abril de 2025Por quê não há tributação de dividendos no Brasil?
“Dividendos são parcelas do lucro
apurado que serão distribuídos entre os acionistas da empresa. Para
entender melhor, vamos imaginar o seguinte: você compra ações de uma empresa,
ou seja, você está comprando um pedaço de uma companhia, e isso significa que
você passa a ser sócio dela. Por isso, você passa a ter direitos
sobre parte dos lucros dela, que podem ser recebidos na forma de
dinheiro, ações ou direitos de propriedades.”
Não há tributação destes ganhos no Brasil desde o governo FHC.
Resumindo, quem tem mais, paga menos.
Quem tem muito, não paga quase nada. Mudanças, só quando o Congresso votar leis
que beneficiem o povo e não o ricos.
(Fonte: agencia Senado)
Labels: Assim se vive no Brasil, Economia, Gestão Pública, Política
Christina Motta (1944 -)
Conheça mais sobre a vida e obra da artista no site CHRISTINA MOTTA abaixo:
Gilbert Freyre (1900-1987)
quinta-feira, 3 de abril de 2025Labels: Antropologia, Autores, Ciência, Cultura, Sociologia
Essa não poderia faltar
quarta-feira, 2 de abril de 2025A mesma música, duas versões:
Crosby,
Still, Nash & Young
Woodstock (1970)
https://www.youtube.com/watch?v=4lx86B6a3kc
Joni
Mitchell
Woodstock (2021 remaster)
https://www.youtube.com/watch?v=ZzZTSfXcHYI
Leituras diárias
terça-feira, 1 de abril de 2025“Se alguém tivesse feito esta pergunta a mim, eu teria respondido que, se ele se referisse aos agnósticos, eles não têm credo; e, pela natureza do caso, não podem ter. O agnosticismo, de fato, não é um credo, mas um método, cuja essência reside na aplicação rigorosa de um único princípio. Esse princípio é de grande antiguidade; é tão antigo quanto Sócrates; tão antigo quanto o escritor que disse: ‘Experimente todas as coisas, segure o que é bom’; é o fundamento da Reforma, que simplesmente ilustrou o axioma de que todo homem deve ser capaz de dar uma razão para a fé que está nele; é o grande princípio de Descartes; é o axioma fundamental da ciência moderna. Positivamente, o princípio pode ser expresso: em questões do intelecto, siga sua razão até onde ela o levar, sem levar em conta qualquer outra consideração. E pode ser expresso negativamente: em questões do intelecto, não finja que as conclusões são certas se não são demonstradas ou demonstráveis. Isso eu considero ser a fé agnóstica, na qual se um homem se mantiver íntegro e imaculado, ele não terá vergonha de olhar o universo na cara, seja qual for o futuro que possa ter reservado para ele.
Os resultados da elaboração do
princípio agnóstico variarão de acordo com o conhecimento e a capacidade
individual e de acordo com a condição geral da ciência. Aquilo que não está
provado hoje pode ser provado amanhã com a ajuda de novas descobertas. Os
únicos pontos fixos negativos serão aquelas negações que fluem da demonstrável
limitação de nossas faculdades. E a única obrigação aceita é ter a mente sempre
aberta a ser convencido. Os agnósticos que nunca falham na realização de seus princípios
são, receio, tão raros quanto outras pessoas das quais a mesma consistência
pode ser verdadeiramente prevista.” (Huxley, págs. 34 e 35).
Thomas Henry Huxley (1825-1895), biólogo e antropólogo inglês em Agnosticismo
Outras leituras
segunda-feira, 31 de março de 2025“Formada entre os anos de 1554 e 1555, a Confederação dos Tamoios durou até 1567, com sua derrota final diante da campanha militar sob o comando do governador-geral Mem de Sá. O momento-chave da aniquilação em massa das tribos litorâneas de língua tupi-guarani foi a construção da fortaleza que marca a fundação da cidade do Rio de Janeiro, no coração do território hostil, base para a vitória militar dos portugueses, com o massacre dos tupinambás. O Brasil não foi, dessa forma, descoberto e ocupado. Foi conquistado em uma luta na qual pereceram milhares de pessoas, entre índios e europeus, portugueses e franceses. Nela, sacrificaram-se velhos, mulheres, crianças e religiosos. Morreram guerreiros e soldados anônimos, chefes de tribo e comandantes, entre os quais um sobrinho e um filho do próprio Mem de Sá. Dali em diante, o caminho estava aberto para a hegemonia de Portugal, tanto sobre os franceses, que tentaram se instalar no Brasil a partir da Guanabara, quanto sobre os índios remanescentes, dispersos e incapazes de oferecer resistência. ‘É certo que os manuais escolares não esquecem a valiosa contribuição das populações nativas para a nossa formação sociocultural, mas pouco informam sobre o seu extermínio, quando não o explicam como consequência inevitável, quase natural, de um longo e difícil processo de acomodação de interesses conflitantes’, afirmou Francisco M . P . Teixeira.” (Guaracy, págs. 18 e 19)
“Com Ramalho, Martim Afonso teve a perspectiva de estabelecer ali uma base para o comércio de pau-brasil e a captura de escravos, aproveitando o fato de que São Vicente se tornara escala para as naus que faziam a rota das Índias pela corrente do Atlântico. Conheceu o planalto de Piratininga, no qual Ramalho havia se estabelecido. Dali, poderia realizar incursões pelo sertão para capturar escravos. Martim Afonso se interessou pelo Peabiru, a velha trilha indígena sertão adentro, que poderia se transformar em acesso para as minas de ouro de Potosí, já em território espanhol, e, mais adiante, ao rico império Inca – vasta extensão que ia dos Andes à floresta amazônica. Por sua determinação, uma expedição com noventa homens partiu de Cananeia, em 1 de setembro de 1531, sob o comando de Pedro Lobo, tendo Francisco de Chaves como guia, com o objetivo de explorar essa via. O resultado da expedição foi funesto. Como confirmam registros da Câmara de São Paulo, encontrados pelo historiador Pedro Taques de Almeida Paes Leme, os exploradores foram dizimados por índios guaranis quando atravessavam o rio Paraná, perto das cataratas do Iguaçu. Em 22 de janeiro de 1532, Martim Afonso fundou a vila de São Vicente, primeira povoação colonial do Brasil, chamada pelos índios de Uapú-nema. O preposto do rei reafirmava o nome já dado a toda a ilha por Gaspar de Lemos, em 1502. Seria a primeira das sete vilas criadas na costa durante o período de dom João III, seguida de Porto Seguro, na Bahia (1534), a Vila do Espírito Santo (1535), Olinda (1537), Santos (1543) e Salvador (1549). Martim Afonso imediatamente instalou na nova povoação os símbolos do poder organizado: uma igreja (o poder atemporal), a câmara dos vereadores (o poder secular) e um pelourinho (o judiciário). Mandou ainda levantar uma trincheira na barra de Bertioga (do tupi Buriquioca, ‘cova dos [macacos] bugios’). Localizava-se no canal que separa do continente a ilha de Guaíbe, mais tarde chamada pelos portugueses de Santo Amaro, vizinha da ilha de São Vicente.” (Guaracy, págs. 68-69)
“Com isso, João Ramalho passou a
caçar índios em expedições por mar, atacando tribos tupinambás do litoral. Aldeias
entre Ubatuba e Angra dos Reis foram invadidas e destruídas. Vivendo em aldeias,
os tupinambás constituíam um alvo fixo. Em vez de fugir, defendiam-se – numa
luta desigual. Seus guerreiros eram hábeis com o arco e o tacape, mas
enfrentavam um páreo duro diante dos trabucos dos portugueses. Estes contavam
também com o conhecimento da mata e a sede vingativa dos guaianazes, seus
ferozes aliados, que os auxiliavam no combate. A Ramalho juntaram-se ainda
tribos carijós, para as quais ele garantiu liberdade e proteção, em troca da
colaboração na captura de índios inimigos. Os caçadores de homens de
Piratininga não se limitavam a fazer incursões no litoral ao norte de São
Vicente. Em 1553, o espanhol João Sanches, de Biscaia, que seguia para o Prata
em uma nau da armada do tesoureiro real João de Salazar na qual se encontrava o
alemão Hans Staden, já notava os efeitos da ação dos paulistas fora de
território português. Em carta ao rei da Espanha, Carlos V, Sanches conta que
encalhou sua nau nas proximidades de Jurumirim, como a chamavam os índios
carijós, batizada depois pelos europeus de ilha de Santa Catarina, onde hoje
está a cidade de Florianópolis. Não encontrou ajuda de qualquer espécie, ‘visto
que a ilha de Santa Catarina estava despovoada por causa dos portugueses e seus
amigos (selvagens) terem feito muitos saltos aos índios naturais da dita ilha,
e aniquilado todos os silvícolas do litoral que eram amigos dos vassalos de Sua
Majestade [sobretudo carijós]’” (Guaracy, págs. 77-78).
“Por sua vez, os portugueses criticavam os próprios jesuítas, dizendo que tinham se assenhorado dos índios, pois estes também trabalhavam praticamente como escravos nas propriedades da Igreja. ‘Eram verdadeiros servos […] não só nos colégios, como nas terras chamadas ‘dos índios’, que acabavam por ser fazendas e engenhos dos padres jesuítas’, afirmou Varnhagen. No fim das contas, a situação dos índios se tornava sujeita a todo tipo de interpretação. Os que restaram nas casas dos portugueses podiam ser alugados, vendidos ou forrados, mas pouco disso estava documentado. Nascia aí a ambígua figura do ‘agregado’, comum nas casas brasileiras ao tempo da colônia, em que se adotava ou dava sustento a um morador que não era da família. Este não era empregado, ou escravo, nem parente, e trabalhava na casa e nos negócios da família a título de gratidão por ter sido recolhido da pobreza. O agregado foi uma versão tropical da ‘casta de escravos que os árabes tomavam de seus pais para adestrar e criar em suas casas-criatórios, onde desenvolviam o talento que acaso tivessem’, afirma Darcy Ribeiro. Depois de conviver com os índios em Iperoig, e de toda sua experiência nas escolas, os jesuítas já haviam concluído que seu esforço com o ‘gentio’ era inútil, como afirma o próprio Nóbrega, em carta de 1559 ao então ex-governador-geral Tomé de Sousa: ‘como é gente brutal, não se faz nada com eles, como por experiência vimos todo este tempo que com ele tratamos com muito trabalho, sem dele tirarmos mais fruto que poucas almas inocentes que aos céus mandamos’. Veladamente, os jesuítas amadureciam a ideia de que a única saída para a colonização era o extermínio dos tupinambás. E não apenas defenderiam essa ideia na correspondência a seus superiores e com a corte em Lisboa como atuariam diretamente na sua execução.” (Guaracy, págs. 186-189)
Thales Guaracy (1964-) jornalista, escritor e editor brasileiro em A conquista do Brasil
Paulo Vanzolini (1924-2013)
domingo, 30 de março de 2025Veja depoimento do zoólogo, cientista e compositor brasileiro Paulo Vanzolini dado ao programa Intérpretes do Brasil. O vídeo está disponível no link abaixo:
Privatização?
sábado, 29 de março de 2025Leituras diárias
sexta-feira, 28 de março de 2025“A penetração do capital estrangeiro no setor industrial e seu papel na criação da grande empresa monopólica alteram substancialmente esta situação. O poder da grande empresa a converte no setor líder da classe dominante, representado pelos gerentes das grandes corporações multinacionais. A respeito destes homens, pouquíssimo estudados pelas ciências sociais, sabe-se que são geralmente estrangeiros e que fazem parte de uma espécie de estrato burocrático-empresarial internacional. Estão acostumados aos modelos de ação nacional de longo prazo destas companhias, sua visão ideológica certamente se baseia no pragmatismo científico e, portanto, no seu neocapitalismo baseado na grande corporação e no capitalismo de Estado liderado por uma tecnocracia apoiada nos grupos de pressão dos diferentes setores econômicos. Nesta situação, todas as classes do sistema de poder se reformulam. A oligarquia tradicional perde posições na hierarquia da classe dominante e se torna um setor quase residual. A burguesia industrial é obrigada a converter-se em sócia menor da corporação estrangeira. Parte das classes médias é incorporada às funções gerenciais e em geral se torna assalariada do grande capital. O capitalismo de Estado passa integrar-se diretamente à política do grande capital. O proletariado passa a organizar-se sindicalmente para pressionar o poder, e o camponês se transforma em proletariado sindicalizado ou em pequeno proprietário acomodado.” (Pág.51)
Theotonio dos Santos (1936-2018), economista formulador da “Teoria da Dependência” em Socialismo ou fascismo: O novo caráter da dependência e o dilema latino-americano
"Capitalismo verde"
quinta-feira, 27 de março de 2025"Capitalismo verde" está contribuindo para a preservação dos recursos naturais
"Capitalismo verde" está contribuindo para a preservação
"Capitalismo verde" está contribuindo
"Capitalismo verde"
Caciporé Torres (1935 - )
Conheça mais sobre a vida e obra do artista no site Enciclopédia Itau Cultural e Wikipedia abaixo:
https://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoas/6169-cacipore-torres/obras
e
Ler!
quarta-feira, 26 de março de 2025Fronteira - Almir Sater
Música brasileira
Almir Sater
Álbum: Instrumental Dois (1990)
Música: Fronteira
Almir
Eduardo Melke Sater (Campo Grande, 14 de
novembro de 1956) é um violeiro, cantor, compositor, ator e instrumentista brasileiro.
Seu estilo caracteriza-se pelo experimentalismo. Agrega uma sonoridade
tipicamente caipira da viola de 10
cordas, também com influências das culturas fronteiriças do seu
estado, como a música paraguaia e andina, ao mesmo tempo refletindo traços
populares e eruditos.
Com
mais de 30 anos de carreira e 10 discos solo gravados, Almir tornou-se um dos
responsáveis pela preservação da viola de 10 cordas. O músico acrescentou
um toque mais sofisticado ao instrumento, temperado com estilos estrangeiros
como o blues,
o rock e
o folk, uma mistura de música folclórica, clássica e popular. Foi incluído na lista 30
maiores ícones brasileiros da guitarra e do violão (Categoria: Raízes
Brasileiras) da revista Rolling Stone
Brasil, em 2012.
Fonte do texto: Wikipedia
Frases de Meio Ambiente
terça-feira, 25 de março de 2025“Somente
quando a última árvore for derrubada, o último peixe comido e o último riacho
envenenado, você perceberá que não pode comer dinheiro.”
Provérbio do povo indígena Cree (USA). Fonte: Jersey Girl Organics
Manuela Carneiro da Cunha (1943 -)
segunda-feira, 24 de março de 2025Labels: Antropologia, arte, Autores, Ciência, Cultura, Sociologia







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