Leituras diárias

sábado, 12 de julho de 2025


 

“Pode parecer haver um desequilíbrio na quantidade de páginas dedicadas ao determinismo, mas há algumas boas razões para isso. Primeiro, tomamos o livre-arbítrio como garantido; vivemos por ele, o assumimos como a base para a maioria de nossas ações e vidas diárias. E ainda assim, há muito pouca explicação confiável, certamente de um ponto de vista naturalista, de como ele funciona mecanicamente. Por outro lado, há uma enorme riqueza de evidências para apoiar o determinismo de todos os tipos de disciplinas diferentes. Na verdade, com o passar dos anos, o alcance do livre-arbítrio que a maioria de nós pensa ter, diminui à luz de novas descobertas científicas. Ao mesmo tempo, a crença em um método dualístico para permitir a escolha se torna mais difícil de aderir.”

“Observando todas as evidências que Wegner (Daniel M. Wegner, autor de The Illusion of Conscious Will) nos dá para o fato de que muito ou toda a nossa vontade consciente pode muito bem ser ilusória (e há muito mais em seu livro do que eu resumi), o ponto crucial do que ele tem a dizer envolve a ideia de que a vontade consciente é ‘emoção de autoria’. Assim como nos sentimos bravos ou tristes, irritados ou contemplativos, também podemos sentir vontade, desde sentir que não temos vontade sobre um evento ou ação, até nos sentirmos os únicos responsáveis ​​por uma vontade. Como conceito, como mencionei antes, o livre-arbítrio não faz sentido. O livre-arbítrio sem nenhuma influência determinante é simplesmente aleatório. Eu poderia entrar em um bar e, se não tivesse fatores determinantes para meu comportamento, eu simplesmente faria qualquer coisa que viesse à minha cabeça. Essa aleatoriedade torna meu comportamento completamente sem sentido. Portanto, eu absolutamente preciso de influências determinantes para dar às minhas decisões qualquer tipo de significado. Eu precisaria ser determinado pelo meu conhecimento das regras sociais, para não tirar minhas roupas e correr nu pelo bar. Eu precisaria dos meus comportamentos aprendidos que se enraizaram em mim, para me influenciarem a não dar um soco na cara da pessoa mais próxima. Eu usaria a influencia dos meus genes, minha criação e minha socialização aprendida, para pagar uma bebida para meu companheiro no bar. É isso que torna o comportamento significativo.

Ter livre-arbítrio libertário completo, em seu sentido extremo, não ajuda em nada. Não ajuda em nada porque somos um animal social que depende da reciprocidade de comportamento. Se eu coçar suas costas, há uma boa chance de você coçar as minhas. Foi assim que aprendemos a cooperar, e essa é uma boa parte da razão pela qual fomos bem-sucedidos como espécie. Aprendemos a trabalhar juntos em comunidades, aprendemos a cultivar e a nos organizar em grupos especializados, em uma sociedade muito complexa.”

 

Jonathan M. S. Pearce, filósofo, escritor e blogueiro inglês em Livre-arbítrio? Uma investigação sobre se temos livre arbítrio ou se eu necessariamente iria escrever este livro (Free Will? An investigation into whether we have free will or whether I was always going to write this book).

Washington Novaes (1934-2020)

sexta-feira, 11 de julho de 2025


Veja depoimento de Washington Novaes, jornalista e ambientalista brasileiro, tratando da vida e da cultura dos indígenas. O filme faz parte da série Intérpretes do Brasil:

Entenda o que acontece na China!

quinta-feira, 10 de julho de 2025


Veja entrevista com Elias Jabbour, geógrafo e professor especialista na China e um dos autores do bestseller China o Socialismo do século XXI. 

Entenda porque a economia chinesa cresce e distribui cada vez mais prosperidade para seu povo. 

A entrevista foi ao ar em 08/07/2025 através do programa Dando a Real, de Leandro Demori, na TV Brasil. 

Vale a pena assistir e aprender! 

https://www.youtube.com/watch?v=TOfCNxIwnuY

Estado brasileiro sucateando a escola pública?

(Fonte: SINESP)

Povo apoia taxar ricos!

quarta-feira, 9 de julho de 2025

 (Fonte: Sindicato dos Bancários e Financiários de Bauru e Região/Cazo)

Povo já viu onde está o problema. Taxar ricos virou cruzada nacional. Veja artigo de 9/7/2025 na revista eletrônica Brasil de Fato:

Onze por Oito - Grupo Um

Música brasileira


Grupo Um

Álbum: Starting Point (2023)

Música: Onze por Oito




https://www.youtube.com/watch?v=zS-SMBZoDyI


Grupo Um foi grupo brasileiro de música instrumental, criado pelos irmãos Lelo Nazário e Zé Eduardo Nazário em 1976, quando faziam parte da seção rítmica dos músicos que tocavam com Hermeto Pascoal. Desenvolveram um trabalho com identidade própria, bem diferente da concepção de Hermeto, que se permitia influenciar pela música eletrônica e pela música eletroacústica.

Completavam o grupo Zeca AssumpçãoMauro Senise Carlinhos Gonçalves, formação que gravou seu primeiro álbum, Marcha Sobre a Cidade, de 1977. Em formações seguintes, contaram com participações como as de Rodolfo Stroeter e Felix Wagner.

 

(Fonte do texto: Wikipedia)

Robert Anton Wilson

terça-feira, 8 de julho de 2025


 

“Para comer, é preciso ter fome. Para aprender, é preciso ser ignorante. A ignorância é uma condição para aprender. A dor é uma condição para ter saúde. A paixão é uma condição para pensar. A morte é uma condição para viver.”


Robert Anton Wilson (1932-2007), escritor, pensador futurista e psicólogo estadunidense, em Leviathan (citado por Goodreads)

Taxar dividendos, quando?

segunda-feira, 7 de julho de 2025


(Fonte: Henrique Fontana/Facebook)

Por quanto tempo o Estado brasileiro vai continuar cortando benefícios do povo, recursos do SUS, da Educação, da pesquisa, da melhoria da infreaestrutura, enquanto uma MINORIA NÂO PAGA IMPOSTO DE RENDA sobre dividendos?

Será que a "culpa" é só do Congresso?

Leituras diárias



“Aqui, os capitais estrangeiros deformaram estranhamente a nossa economia. Dum país que possui a maior reserva de ferro e o mais alto potencial hidráulico, fizeram um país de sobremesa. Café, açúcar, fumo, bananas. Que nos sobrem ao menos as bananas! Os capitais estrangeiros compraram as nossas quedas-d’água e criaram um sórdido e meigo urbanismo colonial que passou a ser o que eles queriam — um dos melhores mercados para os seus produtos e chocalhos. 

Sendo assim, o ouro entra pelo café e sai pelo escapamento dos automóveis. Gastamos trezentos mil contos por ano em pneumáticos, gasolina ou coisa parecida. E a Amazônia da borracha e a baixada do álcool-motor perecem. A nossa capacidade interna de consumo para o café (40 milhões de habitantes) seria normalmente de 5 milhões de sacas por ano. Mas quem foi que disse que o paulista ou qualquer outro litorâneo rico jamais se incomodou senão liricamente com as populações esfomeadas do Nordeste ou com os escravos recentes de Mister Ford? Protegemos o sal da Espanha contra a produção das salinas do Rio Grande do Norte. Comemos maçã da Califórnia, bacalhau e sardinha mas mantemos no mais aviltante dos níveis baixos o produtor das melhores frutas do mundo e o pescador do farto peixe dos nossos rios e do nosso mar. Se não compramos nada dos outros Estados, é mais que lógico que estejamos engasgados com 22 milhões de sacas de café, inclusive a pedra! No bonde em que entramos, no cinema onde vamos, no pão que comemos, pomos sorrindo o óbulo generoso de mais de 50 % para os pobrezinhos estrangeiros que ajudaram a criar a nossa grandeza. É essa a situação do Brasil, onde O Homem do Povo se situa para dizer o que sofre, o que pensa e o que quer.” (Andrade, pág. 44 e 45). 

 

Oswald de Andrade (1890-1954), poeta, escritor, um dos intelectuais organizadores da Semana de Arte Moderna de 1922, em Manifesto Antropófago e outros textos

Quem ainda acredita em "capitalismo verde"?

domingo, 6 de julho de 2025


 (Fonte: Medium/O'Reilly Media)

Ainda existem pessoas que acreditam que o sistema econômico capitalista é compatível com uma 'relativa' conservação dos recursos naturais.

Vale a pena ler o artigo abaixo Confissões do Capitalismo Verde, publicado no jornal online Outras Palavras, se você ainda tem esta crença ingênua.

Depois da "black friday"...


 (Fonte: O Globo e Andre Dahmer)

Outras leituras

sábado, 5 de julho de 2025


 

“Nada é mais estúpido do que desprezar a estupidez, enquanto nos esforçamos para obter seu aplauso.”

“Avaliar o velho ou o moderno é fácil; mas saber avaliar o obsoleto é o triunfo do verdadeiro bom gosto.”

“Eu estaria disposto a pagar para não precisar fazer a maioria das coisas pelas quais os outros pagariam para poder fazê-las.”

“Somente o solitário salva-se do provincialismo.”

“Com aquele que não está um pouco cansado de todas as coisas, não vale a pena conversar.”

“Para o leitor que sabe o que ler toda literatura é contemporânea.”

“Os críticos patriotas descobrem seus patéticos gênios da literatura. Nada estraga tanto o gosto quanto o patriotismo.”

“O individualismo é a balança da vulgaridade.”

“A industrialização só conhece uma alternativa: capitalismo ou comunismo. As velhas e suportáveis opções ela exclui.”

“O ódio ao passado é um claro sintoma de uma sociedade que se massifica.”

“As gerações mais novas passam pelos escombros da cultura ocidental, como os turistas japoneses pelas ruínas de Palmira.”

“A alma moderna é uma paisagem lunar.”

“A fantasia é o único espaço habitável do mundo.”

“As civilizações são como zumbidos de insetos no verão, entre dois invernos.”

“A civilização é um episódio que nasce com a Revolução do Neolítico e morre com a Revolução Industrial.”

“A ‘roda da fortuna’ é uma alegoria melhor da História do que a ‘evolução do homem’.”

 

Nicolás Gómez Dávila (1913-1994) pensador, escritor e aforista conservador colombiano em Aforismos (Aphorismen no original alemão – tradução de Ricardo E. Rose)

Preço da eletricidade vai subir novamente

sexta-feira, 4 de julho de 2025


 (Fonte: Original Eletricidade)

Custo da eletricidade vai aumentar novamente. Apesar do grande número de fontes energéticas - petróleo, hidrelétricas, eólica, biomassa, solar, nuclear, biogás, etc. - sendo um dos maiores produtores mundiais de eletricidade, o custo da eletricidade no Brasil é um dos mais altos do mundo. 

Altos impostos? Desorganização do setor de geração e distribuição de eletricidade depois das privatizações? Custos diversos 'embutidos' na conta da energia elétrica?

Fato é que governos vem e vão, e o Estado brasileiro - usado por todos aqueles que dele se beneficiam - continua 'arrancando o couro do povo'. 

“Nos últimos 10 anos, a tarifa de energia elétrica no Brasil teve um aumento significativo, superando a inflação. Em média, o custo da eletricidade no mercado regulado subiu 177% entre 2010 e 2024, enquanto a inflação (IPCA) nesse período foi de 122%. Isso representa um aumento real (acima da inflação) de 45% na tarifa residencial.” (Fonte: AI Overview). 

https://www.infomoney.com.br/consumo/conta-de-luz-da-enel-vai-aumentar-em-sp-veja-quando-e-valores/

Michel Onfray

 

(Sobre o filósofo romano Lucrécio – Titus Lucretius Carus, 94-50 AEC)

 

“O mundo caminha, aos trancos e barrancos, porque a maioria mente para si mesma, se ilude, constrói cenários de teatro nos quais inventa histórias. Para não olhar de frente a miséria de sua existência, o trágico de seu destino, o ridículo de todo divertimento social e a inevitabilidade de seu desaparecimento anunciado. Daí seu delírio de invenções, suas técnicas criadas para evitar olhar o que deve ser visto. Negação, má-fé, recalcamentos, projeções, bovarismo são mecanismos de defesa estabelecidos durante séculos pelos homens para escapar à crueza da evidência. São ficções, fábulas, mitos que atrapalham a inteligência e o avanço na direção da verdadeira filosofia – a que produz a sabedoria, a paz consigo mesmo, com os outros e com o mundo.

Nem otimista nem pessimista. Lucrécio estabelece as bases de um pensamento trágico. Em nenhum momento opta pelo melhor dos mundos possível, menos ainda pelo pior. Para fazê-lo, seria preciso que ele tivesse montado seu acampamento filosófico nos terrenos da moral onde se encontram o bem e o mal, o bom e o mau. Em nenhum momento o filósofo se move no prescritivo, no normativo: ele descreve o mundo como é, mostra a realidade tal como aparece a um olhar experiente e lúcido. Também aqui ele inaugura a postura do sábio que não quer rir nem chorar, mas compreender. Nem as lágrimas de Heráclito, nem o riso de Demócrito: a sagacidade de Lucrécio.” (Onfray, pág. 254).

 

Michel de Onfray (1959-), filósofo e escritor francês em Contra-História da Filosofia -1. As sabedorias antigas

A Pirâmide brasileira

quinta-feira, 3 de julho de 2025


 (Fonte: Secretaria da Educação do Paraná)

O que eles pensam


 

Nos meus sonhos eu os vejo (os jovens) e fico preocupado com eles. Por que? Porque assim que eu deixar eles, no dia em que eu partir, eles não estarão bem. Eles estão mais aprendendo ritmos da cultura dos brancos – e esquecendo a nossa.

 

Cacique Raoni Metyktire (1930-), líder da tribo indígena dos caiapós em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, publicada em 29/06/2025

Essa não poderia faltar

quarta-feira, 2 de julho de 2025

Allman Brothers Band

Midnight Rider (1971)

https://www.youtube.com/watch?v=Z8zk7XKyoE8&list=RDZ8zk7XKyoE8&start_radio=1

A frase do dia


 

Os genes raramente são sobre inevitabilidade, especialmente quando se trata de humanos, do cérebro ou do comportamento. Eles são sobre vulnerabilidade, propensões, tendências.”

 

Robert Sapolsky (1957-) neurocientista e primatologista estadunidense em Why zebras don’t get ulcers (Por que zebras não têm úlceras), citado por Goodreads

Hermano Vianna (1960-)

terça-feira, 1 de julho de 2025


Depoimento do antropólogo brasileiro Hermano Vianna sobre a música regional do Nordeste e a música popular brasileira. O vídeo faz parte da série Intérpretes do Brasil:

Outras leituras

segunda-feira, 30 de junho de 2025


 

“A teoria marxista-leninista do conhecimento, caracterizada como é pela prática social científica, não pode deixar de se opor resolutamente a essas ideologias erradas. Os marxistas reconhecem que no processo absoluto e geral de desenvolvimento do universo, o desenvolvimento de cada processo particular é relativo e que, portanto, no fluxo infinito da verdade absoluta, o conhecimento do homem sobre um processo particular em qualquer estágio de desenvolvimento é apenas verdade relativa. A soma total de inúmeras verdades relativas constitui a verdade absoluta. O desenvolvimento de um processo objetivo é cheio de contradições e lutas, assim como o desenvolvimento do movimento do conhecimento humano. Todos os movimentos dialéticos do mundo objetivo podem, mais cedo ou mais tarde, ser refletidos no conhecimento humano. Na prática social, o processo de vir-a-ser, desenvolver e desaparecer é infinito, assim como o processo de  vir-a-ser, desenvolver e desaparecer no conhecimento humano. À medida que a prática do homem, que muda a realidade objetiva de acordo com ideias, teorias, planos ou programas dados avança cada vez mais, seu conhecimento da realidade objetiva também se torna cada vez mais profundo. O movimento de mudança no mundo da realidade objetiva é interminável, assim como a cognição da verdade pelo homem.”

 

Mao Zedong, (Mao Tsé Tung, 1893-1976), teórico político, líder da Revolução Chinesa, estadista e fundador da República Popular da China em Five Essays on Philosophy (Cinco ensaios de filosofia).

Leituras diárias

domingo, 29 de junho de 2025


 

“A bem da verdade, quando se leva em conta a desilusão dos missionários que por aqui aportaram – as lamurientas cartas dos padres da Companhia de Jesus, salientando o pouco que a pregação missionária entrava nos corações e nas cabeças dos nativos, são exemplares nesse sentido –, pode-se mesmo dizer que Caminha errou redondamente no que tange aos nativos, mas somente no que tange aos nativos, pois, como numa espécie de vaticínio, acertou, ao menos em parte, no tocante aos colonos dos trópicos, uma criatura que desde cedo mostrou grande pendor para crer barulhenta e festivamente em qualquer coisa. Os jesuítas, de novo eles, talvez tenham sido os primeiros a perceber, não sem alguma revolta, tal inclinação do colono e, consequentemente, o caráter ardente mas degenerado que a religião católica vinha tomando nestas terras quentes – religião que, de cristã, segundo os bons padres, conservava somente um detalhe aqui e outro acolá. Todavia, a desaprovação da Companhia, ou das muitas outras ordens que se instalaram no Brasil – ordens que cedo deixaram de lado a enfadonha e inglória missão de converter os gentios e passaram a se dedicar aos fiéis que estavam mais à mão (brancos, negros e mestiços) –, de pouco serviu para deter o avanço e a consolidação desse cristianismo devoto, porém de contornos próprios. Ao contrário, pelo que tudo indica, tanto o clero secular como o regular trataram rapidamente de, com mais ou menos reclamações, ajustar as suas crenças, princípios e exigências aos gostos locais. 

Desenvolvemos, então, com a benção dos representantes tortos de Roma – lembremos que a Igreja no Brasil era mantida e regida pela coroa lusitana (padroado) – e com a devoção de que somos capazes, um cristianismo de cor local, cristianismo sensualista, eclético, antipático à introspecção e moralmente pouco exigente, como observou, não sem uma ligeira tristeza, o historiador Sérgio Buarque de Holanda. Um cristianismo singular, que cedo, muito cedo, causou espanto aos cristãos de além-mar que o conheceram.” (França, pág. 49 e 50).

 

“Portugueses e brasileiros têm uma lastimável inclinação a crer cegamente no fado, na fortuna, e a depositar pouquíssimas esperanças na planificação. O fatalista de lá, no entanto, carrega consigo a incômoda percepção de que a fortuna vai quase sempre colocá-lo em situações difíceis, diante das quais nada há a fazer a não ser se conformar. O daqui, ao contrário, tem a firme convicção de que a boa fortuna se enamorou dele, de que Deus é brasileiro, e de que, com a sorte que temos e que sempre tivemos, tudo se arranjará para melhor, sem necessidade de muito previdência ou de muito esforço. Desde cedo, aprendemos a cultivar esse doce e consolador princípio, que rapidamente se tornou um dos traços mais marcantes do caráter nacional, marcante e saliente, com um amplo leque de sentenças para expressá-lo: essa é uma terra abençoada por Deus, sem catástrofes naturais e extremamente pródiga, o brasileiro é um povo especial, etc. Nem mesmo a história do país escapou à sua envolvência, ao contrário, para boa parte dos brasileiros, a trajetória do Brasil e do seu povo, malgrado uns pequenos percalços aqui e ali – culpa de estrangeiros mal-intencionados ou de nacionais ricos, mesquinhos e estrangeirados –, parece insistentemente corroborá-lo." (França, pág. 54). 

 

Jean Marcel Carvalho França (1966-), historiador, professor universitário e escritor brasileiro em Ilustres ordinários do Brasil

Enquanto isso, no "Fazendão Brasil"...

sábado, 28 de junho de 2025


 (Fonte: Instagram)

Sonia Ebling (1918-2006)

Conheça mais sobre a vida e obra da artista no site AM Galeria abaixo:

Cartão de crédito e os juros altos

sexta-feira, 27 de junho de 2025

(Fonte: Nani Humor)

O que eles pensam


(Educação no Brasil continua ruim)

 

“No Brasil 66% dos nossos jovens não atingem as habilidades básicas para o mundo do trabalho. Isto significa que 2/3 dos nossos jovens não têm habilidades mínimas necessárias para terem alguma chance de sucesso na vida, especialmente num mundo em que novas tecnologias de informação e inteligência artificial irão substituir os humanos em várias tarefas.”

 

Dr. Naercio Menezes Filho, professor da FEA-USP e membro da Academia Brasileira de Ciências, em artigo publicado no jornal Valor em 23/5/2025

Frases de Meio Ambiente

quinta-feira, 26 de junho de 2025


“Outro dia, entrei no mato para piar um inhambu e o que saiu de trás da moita foi um Volkswagen."

Tom Jobim (1927-1994), cantor, compositor, violonista e arranjador brasileiro citado por Revista Educação Ambiental em Ação

Bendito - Quinteto Armorial

quarta-feira, 25 de junho de 2025

 Música brasileira


Quinteto Armorial

Álbum: Do Romance ao galope nordestino (1974)

Música: Bendito




https://www.youtube.com/watch?v=OKGRA9-VXyA&list=PLItd1GiqTiJRu_8F2BkfVvjsssSqknQ3B&index=9


Quinteto Armorial foi um importante grupo de música instrumental brasileiro formado no Recife em 1970, gravaram quatro LPs até o final do grupo, em 1980. A proposta do Quinteto Armorial era criar uma música de câmara erudita com raízes populares, o grupo conseguiu realizar um trabalho de síntese entre a música erudita e as tradições populares do nordeste, além das medievais galaico-portuguesas.

É considerado o mais importante grupo a criar uma música de câmara erudita brasileira de raízes populares.

 

(Fonte do texto: Wikipedia)

Byung-Chul Han

terça-feira, 24 de junho de 2025


 

“Terra, Deus e Verdade pertencem ao mundo do camponês. Hoje não somos mais camponeses, mas sim caçadores. Em busca das presas, os caçadores de informação rondam pela rede como por um campo de caça digital. Diferentemente do camponês, ele são móveis. Nenhum campo de cultivo os obriga a se assentar. Eles não habitam. O ser humano na era das máquinas ainda não está completamente liberto do habitus [‘hábito’] do camponês na medida em que ele ainda está ligado à máquina como seu novo senhor. Ela o obriga a funcionar passivamente. O trabalhador retorna à máquina como o servo retorna ao senhor. A máquina fornece o centro de seu mundo. A mídia digital produz uma nova tipologia do trabalho. O trabalho digital ocupa o centro. Dito mais exatamente, não há mais aqui nenhum centro. O usuário e seu aparato digital formam, muito antes, uma unidade. Os novos caçadores não funcionam passivamente como parte de uma máquina, mas sim operam ativamente com seus aparatos móveis digitais, que se chamavam, no paleolítico, de lanças, arcos e flechas. Eles não se encontram, ao fazê-lo, em perigo, pois caçam por informação com o mouse. Nisso eles se distinguem dos caçadores do paleolítico.”

 

Byung-Chul Han (1959-) filósofo sul-coreano em No Enxame – Perspectivas do Digital

Gramática na escola cívico-militar

 (Fonte: Jota Camelo Charges/ Facebook)

Outras leituras

segunda-feira, 23 de junho de 2025


 

“O processo econômico, como qualquer outro processo da vida, é irreversível (e irrevogavelmente assim); portanto, não pode ser explicado apenas em termos mecânicos. É a termodinâmica, por meio da Lei da Entropia, que reconhece a distinção qualitativa que os economistas deveriam ter feito desde o início entre as entradas de recursos valiosos (baixa entropia) e as saídas finais de resíduos sem valor (alta entropia). O paradoxo sugerido por esse pensamento, a saber, que tudo o que o processo econômico faz é transformar matéria e energia valiosas em resíduos, é fácil e instrutivamente resolvido. Ele nos obriga a reconhecer que a saída real do processo econômico (ou de qualquer processo da vida, nesse caso) não é o fluxo material de resíduos, mas o fluxo imaterial ainda misterioso do desfrute da vida. Sem reconhecer esse fato, não podemos estar no domínio dos fenômenos da vida.”

“As leis atuais da física e da química não explicam a vida completamente. Mas o pensamento de que a vida pode violar alguma lei natural não tem lugar na ciência. No entanto, como tem sido observado há muito tempo — e mais recentemente em uma admirável exposição de Erwin Schrödinger [71, 69-72] — a vida parece escapar da degradação entrópica à qual a matéria inerte está sujeita. A verdade é que qualquer organismo vivo simplesmente se esforça o tempo todo para compensar sua própria degradação entrópica contínua sugando baixa entropia (neguentropia) e expelindo alta entropia. Claramente, esse fenômeno não é impedido pela Lei da Entropia, que requer apenas que a entropia de todo o sistema (o ambiente e o organismo) aumente. Tudo está em ordem desde que a entropia do ambiente aumente mais do que a entropia compensada do organismo.”


Nicholas Georgescu-Roegen (1906-1994), matemático, estatístico e economista romeno em Energia e mitos econômicos (Enegy and economic myths), publicado no Southern Economic Journal Vol. 41 No. 3 (Jan 1975) pags. 347-381

A última do Trump


 (Fonte: Khamenei.ir)



(Fonte: Politicalcartoon/Rick McKee)


Leituras diárias

domingo, 22 de junho de 2025


 

“A emergência de uma estética nacional foi um dos motes da Semana —‘nascerá uma arte genuinamente brasileira, filha do céu e da terra, do homem e do mistério’, bradou Menotti del Picchia no segundo festival. Mas ainda havia pouco disso em 1922. As obras de arte e as músicas apresentadas basicamente imitavam as vanguardas europeias. Villa-Lobos ainda não tinha feito O trenzinho caipira (1934). O modernismo foi mais um dentre outros movimentos artísticos que tentaram, às vezes através de estereótipos e simplificações, traduzir o Brasil de seu tempo. Mas foi único em afirmar nossa singularidade em tempos de crescente globalização.” (Cordeiro pág. 56). 

“Os jovens vanguardistas tomaram o cuidado de não aborrecer demais sua plateia burguesa, proclamando guerra aos estilos artísticos passadistas e não contra os patrões que se perpetuavam ao longo do tempo. ‘Na impossibilidade de enfrentarem mais diretamente os problemas políticos e sociais do país, os revolucionários [da Semana de Arte Moderna] teriam se contentado em investir contra a colocação pronominal’. O evento, que pretendeu ser um marco na história brasileira, foi promovido por artistas que ainda tinham muito o que aprender sobre seu próprio país. A nova arte que eles proclamavam era muito baseada nas vanguardas europeias, programas estéticos que sequer dominavam adequadamente. O fato não passou despercebido pela crítica especializada: ‘E depois venham dizer que o futurismo é coisa séria, coisa, aliás, que nem os seus próprios apologistas acreditam’. Nos últimos cem anos, e sobretudo mais recentemente, atribui-se  (injustamente) à Semana o defeito de não ter dado espaço às mulheres. Não é verdade. Naturalmente, não se levantou a bandeira da igualdade dos sexos nem de qualquer um dos feminismos. Mas as mulheres estiveram lá, e com notável protagonismo.

A Semana, inegavelmente marcada por contradições, limitações e hipocrisias, foi realizada por pessoas, sobretudo poetas e pintores jovens, que compreenderam melhor as correntes modernistas e desenvolveram sua consciência social ao longo das décadas seguintes. Mário de Andrade, talvez quem melhor exerceu a autocrítica após os excessos de 1922, comentou: ‘Deveríamos ter inundado a caducidade utilitária do nosso discurso, de maior angústia do tempo, de maior revolta contra a vida como está. Em vez: fomos quebrar vidros de janelas, discursar modas de passeio, ou cutucar os valores eternos, ou saciar nossa curiosidade na cultura (...) E apesar da nossa atualidade, da nossa nacionalidade, da nossa universalidade, uma coisa não ajudamos verdadeiramente, duma coisa não participamos: o amilhoramento [sic] político-social do homem.’ Mário buscou viver de acordo com seus aprendizados: ao invés de socializar com os modernistas brasileiros em Paris — que foram em massa para a capital francesa em 1923 — ,viajou por todos os cantos de nosso país, investigando as peculiaridades da cultura popular e os tesouros do passado colonial. Já Tarsila do Amaral, com sua típica lucidez e tolerância, comentou em 1942: ‘Não vejo razão para que Mário de Andrade se tormente tanto por um passado que poderia ter sido mais belo, mais voltado às questões sociais. Tudo quanto artistas e literatos produziram naquele tempo poderia ter sido melhor, mas a verdade é que não estavam preparados para encarar a vida com o espírito de hoje.’”  (Cordeiro, págs. 84 e 85). 

“Enquanto os artistas europeus discutiam os males e as maravilhas da vida moderna, o Brasil era uma nação jovem, de condições absolutamente distintas. Em 1922, a República e o fim da escravidão eram realidades muito recentes, de forma que o país ainda era extremamente autoritário, desigual, rural, repleto de pobres e analfabetos. O desejo por uma modernização nas artes aos moldes europeus só poderia vir de uma classe socialmente privilegiada, enriquecida (no caso de São Paulo, pelo café e pela industrialização) e alinhada com o cenário internacional. Eis a fórmula para uma Semana de Arte Moderna.” (Cordeiro, pág. 172). 

“Diversas vanguardas artísticas, como o cubismo e o fauvismo, desejaram voltar ao primitivo, ou seja, redescobrir a pureza estética de povos considerados menos desenvolvidos. Já outros movimentos, como o futurismo, decidiram-se pelo caminho contrário, de exaltação da modernidade e suas invenções. Na dúvida ou por mera falta de coesão, a vanguarda paulista abraçou as duas coisas: queria o desenvolvimento industrial, a energia elétrica e o avião, mas também a valorização da cultura popular e 'primitiva' do Brasil. Muito antes de 1922, a figura do índigena já havia sido utilizada por diversos artistas como símbolo da identidade nacional. Autores românticos, como Gonçalves Dias e José de Alencar, povoaram nossa literatura com 'bons selvagens', ingênuos e sensuais. Esses índios tão europeizados, já consagrados em pinturas e óperas, pareciam aos modernistas tolices de uma falsa brasilidade.” (Cordeiro, pág. 214).


André Cordeiro, Para entender a Semana de 22: 100 anos em 100 tópicos: Os dias mais agitados do modernismo no Brasil, de Abaporu a Zina Aita

O direito de não desperdiçar a vida

sábado, 21 de junho de 2025


Leitura para reflexão:

Estamos desperdiçando nossas vidas? Como? Leia no link do site Dowbor.org abaixo:

https://dowbor.org/2025/05/o-direito-a-nao-desperdicar-a-vida.html

O planejamento da construção da cidade de Brasília


 (Fonte: Poder360)

Veja filme de 1964 explicando a lógica sobre a qual se baseou o planejamento urbano da cidade de Brasília. A capital foi inaugurada em 1960. O vídeo está disponível no canal Memória Audiovisual Brasileira abaixo:

Enquanto isso, no clube dos amigos do Brasil...

sexta-feira, 20 de junho de 2025


 (Fonte: Blog Disparada)

"Americanas reduz R$ 500 milhões em débitos em acordo com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. Dívida total é de R$ 865 milhões"

Fonte: CNN Money (online) em 13/6/2025

Essa não poderia faltar

 

The Beatles

While my guitar gently weeps (1968)

https://www.youtube.com/watch?v=YFDg-pgE0Hk


Judith Cortesão (1914-2007)

quinta-feira, 19 de junho de 2025


Veja apresentação da geneticista, ecóloga, ambientalista e professora universitária portuguesa Maria Judith Zuzarte Cortesão, falando sobre o período das Grandes Navegações e sobre a ecologia brasileira. O vídeo está no canal Nuestro Sur Brasil abaixo:

Juros a 15%!

Mesmo com um novo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, indicado por Lula, juros continuam aumentando. Quando isso vai parar?


 (Fonte: CUT)

Veja o que Lula disse em 2024:

"Não tem nenhuma explicação os juros da taxa Selic estarem a 11,25 %. Não existe nenhuma explicação econômica, nenhuma explicação inflacionária, não existe nada a não ser a teimosia do presidente do Banco Central (Roberto Campos Neto, então presidente da instituição) em manter essa taxa de juros"

"Porque esse cidadão, quando ele deixar o Banco Central, ele vai ter que medir o que ele fez para esse país. Porque, na verdade, o que ele está fazendo nesse instante é contribuir para o atraso do crescimento econômico desse país"

Declarações do presidente Lula em 11/03/2024 (CNN Online)