“Não
há apenas a questão dos dados que mudam as teorias; a própria visão das teorias
muda. Karl Popper disse que as teorias não são induzidas dos fenômenos, mas são
construções do espírito mais ou menos bem aplicadas ao real, isto é, são
sistemas dedutivos. Em outras palavras, uma teoria nunca é, enquanto tal, um ‘reflexo’
do real. A partir daí, uma teoria científica é admitida não por ser verdadeira,
mas por resistir à demonstração de sua falsidade. Popper concebe, assim, a
história das teoria científicas em analogia com a seleção natural: são as
teorias mais adaptadas à explicação dos fenômenos que sobrevivem, até que o
mundo dos fenômenos que sobrevivem, até que o mundo dos fenômenos dependentes
de análise se alargue e exija novas teorias. Aqui, Popper inverteu a
problemática da ciência; julgava-se que a ciência progredia por acumulação de
verdades; ele mostrou que a progressão se faz sobretudo por eliminação de erros
na procura da verdade.”
Edgar
Morin (1921-2026),
filósofo e sociólogo francês, conhecido por suas pesquisas sobre o ‘pensamento
complexo’ em Ciência com Consciência


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