”O
evento decisivo da modernidade é a morte
de Deus, que, em sua conotação niilista, guia à ruína os valores da
tradição que davam um sentido ao
mundo. Para o filósofo alemão, esse tema não possui nem o significado de um
enunciado metafísico sobre a existência ou não de um ser superior, nem é a mera
expressão literária ou de uma figura estética. A morte de Deus é um evento longamente preparado e necessário no
processo de moralização do mundo, que, por fim, ocasiona a derrocada da
interpretação moral, que é assumida pelos homens modernos como a perda total de
sentido, abrindo um vazio em suas vidas desmundanizadas. É importante ressaltar
que, para Nietzsche, a morte de Deus é
um acontecimento (Ereigniss)
inegável; com ela sucumbe a interpretação moral da existência, apesar dos esforços
humanos de conservar valores antigos.”
Clademir Luís Araldi, filósofo e professor brasileiro em Niilismo, Criação, Aniquilamento – Nietzsche e a filosofia dos extremos

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