“Eheu
fugaces... labuntur anni” (Ai de nós, os
anos fogem rápido)
Horácio (65-8 aec), Odes, II, 14
(Online desde 21 de maio de 2010 - Editor: Ricardo Ernesto Rose)
“Eheu
fugaces... labuntur anni” (Ai de nós, os
anos fogem rápido)
Horácio (65-8 aec), Odes, II, 14
David Friedrich Strauss (1808-1874)
teólogo liberal alemão autor de A vida de Jesus
“Eu sou o que me cerca. Se eu não
preservar o que me cerca, eu não me preservo.”
José Ortega y Gasset (1883-1955), filósofo espanhol, citado pelo site ((o)) eco
Veja abaixo um exemplo de como Carlin fala de seu país (ou será do nosso?):
Veja entrevista com o compositor, cantor, instrumentista, escritor, poeta, romancista, ensaísta e tradutor (Henrique) Jorge Mautner. Ligado ao movimento tropicalista, atuou em várias áreas da cultura, no Brasil e no exterior.
Veja a entrevista de Jorge Mautner com Lázaro Ramos para o programa Espelho (Canal Brasil):
“De
repente, em fins de outubro — 15 mil mortes depois —, a Espanhola pareceu
amainar. Os infectados se recuperavam, os doentes pararam de morrer. Aos poucos,
as portas das casas começaram a se abrir. A cidade voltava à vida. Os caixeiros
reapareceram atrás dos balcões. O comércio retomou seu movimento e o dinheiro,
inútil diante da morte, recuperou seu antigo valor. Os teatros reabriram e
tinham agora filas nas portas. Os navios voltaram a parar no Rio. Das janelas,
ouviam-se tímidos sons de pianos. Algumas moças saíram às ruas. Assim como
surgira, a gripe fora embora. Não por alguma poção ou magia, mas porque as
pessoas haviam ficado imunes. E, com a Espanhola, foi-se também a Guerra. No
dia 11 de novembro, dentro de um vagão-restaurante à margem do rio Oise,
afluente do Sena, os aliados e a Alemanha assinaram o Armistício. A notícia
chegou até nós pelo cabo submarino. O importante é que o Brasil, modestamente,
estava entre os vitoriosos. Não tendo a quem vender café durante o conflito,
diversificara seu setor agrícola. E, como não tinha de quem comprar manufaturas,
começara a produzi-las aqui mesmo, com o que, em poucos anos, saltou de um país
de enxadas e pés descalços para uma incipiente sociedade de máquinas e macacões.
Subitamente,
fabricávamos turbinas, elevadores, vagões ferroviários, tamancos, vasos
sanitários, marmelada em lata, balanças, gravatas e cavaquinhos. Para um país
em que, até então, quase tudo vinha da Inglaterra, de Portugal ou da França,
aquilo era uma revolução. Chaminés surgiram no horizonte e nasceu um embrião de
classe operária, formada, em boa parte, por imigrantes recém-chegados. E, de
uma nova massa de funcionários públicos, brotou uma classe média. Poucas
semanas antes, estávamos a milímetros da morte. Agora já eram as vésperas de
1919. Quem sobreviveu não perderia por nada aquele Carnaval.” (Castro, pgs. 14
e 15)
Ruy Castro (1948-), jornalista, biógrafo e escritor brasileiro em O Carnaval da guerra e da gripe
“Tudo
neste Universo é efêmero. E porque é efêmero, também é precioso. Aproveite este
precioso momento com sabedoria e beleza.”
“A
vida é como uma fatia de pizza. Parece deliciosa no anúncio, mas na prática não
é tão gostosa quanto tínhamos imaginado.”
“Não
lamente o fato de o mundo ter mudado. Não se ressinta porque as pessoas
mudaram. Avaliar o presente através das memórias do passado pode causar
tristeza. Quer você queira ou não, a mudança é inevitável. Abrace e acolha esta
transformação.”
Haemin Sunim (1973-) monge budista, professor e escritor em As coisas que você só vê quando desacelera
“Você tem que dar às pessoas
algo com que sonhar.”
Jimi Hendrix (1942-1970), guitarrista, compositor e cantor estadunidense, considerado pelo Rock and Roll Hall of Fame ‘o maior instrumentista da história do rock’ (Fonte: Goodreads).
Música brasileira
João Donato
Álbum: Coisas tão simples (1995)
Música: Bananeira
João
Donato de Oliveira Neto (1934 – 2023) foi um pianista, acordeonista, arranjador, cantor e compositor brasileiro.
Foi amigo de todos os expoentes do movimento bossa nova, como João Gilberto, Tom Jobim, Vinícius de Moraes e Johnny Alf,
entre outros, mas nunca foi caracterizado unicamente como tal, e sim um músico
muito criativo e que promove fusões musicais, de jazz e música latina,
entre tantos outros. Na década de 1950, João Donato se mudou para os Estados
Unidos onde permaneceu durante treze anos, e nesse mesmo
período ele realizou o que nunca tinha conseguido no Brasil: reincorporar a
musicalidade afro-cubana ao jazz. Gravou o disco A Bad Donato e
compôs músicas como "Amazonas", "A Rã" e "Cadê
Jodel". Retornou então ao Brasil já na década de 60, onde reencontrou a
música brasileira que estava sendo feita no país, mas não abandonou sua paixão
pela fusão entre o jazz e ritmos caribenhos. Como arranjador participou de
discos de grandes nomes da MPB como Gal Costa e Gilberto Gil.
(Fonte
do texto: Wikipedia)
Leia abaixo o artigo '' 'Temos que voltar a discutir reforma agrária no Brasil', diz ex-ministra do Desenvolvimento Social." publicado no site o Joio e o Trigo em 2022. O texto encontra-se no link abaixo:
“O
populismo alético esconde-se por trás de uma variedade de outros populismos. Comumente,
é mais conhecido como exclusivismo religioso e racista, dirigido contra aqueles
que não acreditam e/ou aceitam a verdade professada por um determinado grupo
religioso ou étnico. Aplicar o conhecimento científico e/ou o método científico
em áreas de investigação inadequadas, conhecidas como cientificismo, pertencem
à mesma família. O cientificismo não é tanto um convite a um debate frutífero
sobre as verdades apresentadas pelos cientistas, mas sim uma tentativa de
silenciar aqueles que ousam expressar suas dúvidas sobre elas. Assim, o
cientificismo é o inimigo mais sério da ciência. Podemos, também, mencionar
tipos filosóficos de populismo alético. Sua força populista vem da crença de
que quem questiona a existência da verdade merece o nome de relativista ou
mesmo de niilista. Em outras palavras, o populismo alético é, frequentemente, a
justificativa para várias formas de populismo político que, em nome de sua
própria visão absolutamente verdadeira do mundo, não hesita em recorrer à
mentira ou à violência. O populismo alético funciona como uma mordaça ou como
um freio de conversação.”
“As
conclusões anteriores sugerem que, recorrer à filosofia em busca de uma solução
para o problema da verdade na vida pública certamente será decepcionante. Isso
ocorre porque a maioria das visões filosóficas sobre o assunto, as expectativas
dirigidas aos filósofos a esse respeito e a motivação para buscar na filosofia
uma solução do problema são, frequentemente, amparadas numa atitude que eu
chamaria de ‘falácia cognitocrática’. A falácia é uma crença errônea de que o poder
político pode ser legitimado apenas pelo conhecimento possuído pelos atores
políticos. O erro envolvido é confundir o conhecimento, incluindo o
conhecimento da política, com habilidade política ou perspicácia, e presumir
que o verdadeiro conhecimento seja uma condição necessária e suficiente para
uma ação política bem-sucedida. A falácia é, portanto, um erro categórico óbvio,
mas, comumente cometido e que confunde ‘saber que’ com ‘saber como’. Semelhante
a um eco distante da ideia platônica/baconiana de que conhecimento é poder, a
falácia deriva de uma crença de que a verdade, como propriedade do conhecimento,
seja uma entidade que subsista por si mesma, sendo uma pré-condição para uma
ação política bem-sucedida. A falácia cognitocrática também ignora o fato de
que as declarações políticas não são descritivas por natureza, mas, muitas
vezes, têm um propósito performativo: elas não pretendem transmitir uma verdade,
mas, na maioria das vezes, transformar as crenças de seus destinatários.”
Adam Chmielewski (1959-), filósofo polonês em Pós-verdade e suas implicações
Análoga
dissonância entre a realidade humana e as condições estruturais de sua existência
é assinalada por Freud, porém a partir de um registro situado nos limites entre
os processos emocionais de um indivíduo singular e a civilização. Para Freud, a
existência humana é marcada pelo imperativo de repressão das pulsões exigido
pela vida em civilização. O fato de que a todo homem civilizado são impostos
sacrifícios pulsionais, frequentemente desproporcionais em relação às
recompensas produzidas pelas instituições sociais, conduziu Freud a enunciar o
mal-estar na civilização como condição irredutível da vida em sociedade. O mal-estar
na civilização é a condição estrutural para a vida social, e dele se originam
fortes tendências destrutivas e antissociais que traem, em cada homem
civilizado, a existência de um inimigo secreto da própria civilização. Em suas
reflexões sobre a personalidade autoritária, o filósofo Adorno constatou a
relação direta entre a barbárie do fascismo e o mal-estar na civilização. O
estado de negatividade assinalado por Freud pode ser traduzido na existência de
inclinações agressivas de desintegração social que fazem a civilização se
tornar alvo de violência e irracionalismo.
Em
termos freudianos, a agressividade gerada como subproduto da vida civilizada
deveria ser elaborada e sublimada pelo indivíduo, para que sua existência se
tornasse compatível com a dignidade exigida pela vida em si mesma. Mas no
contexto fascista, notadamente quando manifestada na forma de agremiações
grupais segregadoras e violentas, essa agressividade é desviada contra
populações marginalizadas que são objeto de preconceito social. A violência
fascista se constitui, portanto, como um fenômeno social que se origina de
patologias emocionais dos perseguidores, não tendo, portanto, qualquer relação
com as vítimas da perseguição. Na medida em que a frustração e o ressentimento
próprios ao mal-estar na civilização, em vez de serem elaborados e compreendidos
pelo sujeito, são pura e simplesmente projetados naqueles que representam a
diferença social, podemos entender o caráter cego da destrutividade fascista.
(Bueno, págs. 32 e 33)
Sinésio Ferraz Bueno, O fascismo em dez lições
Conheça os 8 princípios desta filosofia/movimento em artigo do doutor e professor José Eustáquio Diniz Alves, publicado no jornal IHU Online:
Música brasileira
Airto Moreira (percussionista)
Álbum: Free (1972)
Música: Return to Forever
Airto
Moreira (1941-) aprendeu canto, piano, violino, bandolim e
teoria musical. Em 1962 integrou o Sambalanço Trio, juntamente com César Camargo Mariano e Humberto Cláiber. Entre 1966 a 1969 integrou o Quarteto Novo com Theo de
Barros, Heraldo do
Monte e Hermeto
Pascoal e, no fim dos anos 1960,
mudou-se para os Estados Unidos. Lá participou da gravação do
álbum Bitches Brew de Miles Davis na
faixa Feio, que definitivamente o colocou no cenário da música
internacional. Junto de sua esposa, a cantora Flora Purim,
gravou vários álbuns e coproduziu diversos de seus trabalhos.
Free é
um álbum do baterista e percussionista (que foi creditado como
"Airto") com performances gravadas em 1972. O álbum foi lançado pela
CTI Records e alcançou a 30ª posição na parada de álbuns de jazz da revista
Billboard.
(Fonte do texto: Wikipedia)
Veja vídeo do canal Alterquia "Oswald por ele mesmo":
“Ficará
claro pelo que eu disse que, deste ponto de vista, os seres humanos não estão
em casa no mundo: somos como andarilhos na face de uma terra totalmente
indiferente a nós. Sempre foi assim, mas esta situação de sem-abrigo fala com
especial clareza a certas épocas, épocas em que as velhas formas de lidar, de
dar sentido à condição trágica dos seres humanos, parecem cada vez mais implausíveis
ou incríveis.
A
nossa é uma idade assim. É assim porque, para muitos, já não é possível
acreditar num sistema moral-metafísico abrangente que dê sentido à nossa vida,
como o Cristianismo – o meu foco aqui, embora o que digo também se aplica de
várias maneiras a muitas outras formas de fé religiosa – que só podem parecer, na
perspectiva atual, como uma espécie de sistema elaborado de negação da verdade
sobre a nossa condição.”
Christopher Hamilton, filósofo e professor inglês em A philosophy of tragedy (Uma filosofia da tragédia, sem tradução)
Além de aumentar o conhecimento, a capacidade de raciocínio e aguçar o senso crítico, a prática constante da leitura também traz outros benefícios.
Veja texto preparado pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio Grande do Sul:
Neil
Young
One of these days (1992)
“Perguntemos agora o que Protágoras
entendia por ‘medida de todas as coisas’. A realidade dos fenômenos existia
para Protágoras? O homem, como ‘medida das coisas’, era apenas um juiz das
propriedades que as coisas lhe impunham? A sua ‘medida’ correspondia ao ser
real, além da mera aparência? Ou será que o homem criou primeiro o mundo
fenomênico por meio de sua imaginação? Não encontramos resposta para essas
perguntas em Protágoras. No entanto, podemos responder por ele a partir do que
sabemos: é uma questão de total indiferença para o homem se as coisas além do
julgamento e da concepção humana também existem realmente, uma vez que para
todos os efeitos práticos o mundo externo tem apenas valor relativo para o
homem. Para Protágoras não importa se às coisas pode ser atribuída uma
realidade especial além disso. Não só a percepção sensorial individual deveria
ser decisiva, é claro, mas a soma de todo o conhecimento obtido por quaisquer
meios possíveis. As coisas possuem significado e realidade para uma pessoa de
acordo com a medida em que ela está disposta e é capaz de julgá-las. A teoria
do fluxo constante de todas as coisas, quando aplicada ao discernimento dos
fenômenos, leva à relatividade de todas as coisas. Essa é a base dos
ensinamentos de Protágoras.” (Lachmann, págs. 10 e 11)
Benedict Lachmann, Protágoras, Nietzsche e Stirner: expositores do egoísmo (original Protagoras, Nietzsche and Stirner: expositors of egoism)
https://abra.com.br/artigos/alfredo-volpi-muito-alem-do-pintor-de-bandeirinhas/
“Mas
o que é capital? Em certa acepção, é riqueza acumulada. Porém, quando usado no
contexto do capitalismo histórico, o conceito tem uma definição mais específica.
Não é somente o estoque de bens consumíveis, de máquinas ou de demandas
reconhecidas (ou seja, que se expressam sob forma de dinheiro) de coisas
materiais. É claro que o capital continua a referir-se, no capitalismo histórico,
à acumulação dos resultados do trabalho passado, ainda não consumidos; mas se
isto fosse tudo, poder-se-ia dizer que todos os sistemas, desde o do homem de
Neanderthal, teriam sido capitalistas; todos possuíam, em algum grau, estoques
que materializavam o trabalho passado. Algo distingue o sistema social que
estamos chamando de capitalismo histórico: nele, o capital passou a ser usado (investido)
de maneira especial, tendo como objetivo, ou intenção primordial, a auto-expansão.
Nesse sistema, o que se acumulou no passado só é ‘capital’ na medida em que
seja usado para acumular mais da mesma coisa. Trata-se de um processo complexo,
até sinuoso, como veremos. Usamos a expressão ‘capitalistas’ para nomear essa
meta persistente e autocentrada do detentor de capital (a acumulação de mais
capital) e as relações que ele tem de estabelecer com outras pessoas para
alcançá-la. É claro que esse objetivo nunca foi exclusivo. Outras considerações
se intrometem no processo de produção. Contudo, a questão é identificar que
considerações tendem a prevalecer em caso de conflito. Onde a acumulação de
capital tenha tido prioridade sobre objetivos alternativos ao longo do tempo,
podemos dizer que estamos em presença de um sistema capitalista em operação.”
(Wallerstein, pág. 9).
Immanuel Wallerstein (1930-2019), sociólogo e historiador americano em Capitalismo histórico e civilização capitalista
"Policial militar joga motociclista dentro de um rio"
São fatos como estes que nos tiram a pretensão de sermos uma nação civilizada e democrática!
“Homem,
não se orgulhe de sua superioridade sobre os animais, pois eles não têm pecado,
enquanto você, com toda a sua grandeza, contamina a terra onde quer que apareça
e deixa um rastro ignóbil atrás de você - e isso é verdade, infelizmente, para
quase todos nós!”
Fiódor Dostoiévski (1821-1881), escritor
e jornalista russo em Os Irmãos Karamazov,
citado por Goodreads
“Não
há dissolução, não há criação, ninguém está em cativeiro, não há aspirante à
sabedoria, não há buscador de libertação e ninguém é libertado. Esta é a
verdade absoluta.”
Gaudapāda (cerca de 500 ec), filósofo indiano da escola Vedanta em Māndukya Upanishad
“As colonizações portuguesa e espanhola executaram uma política de extermínio que reduziu brutalmente as populações ameríndias, mas, para além disso, no caso guarani, o genocídio tomou a forma de uma sucessão escalonada de matanças, epidemias, escravização, torturas em mãos bandeirantes e, no século XX, os ‘aldeamentos’ que eram nada mais que diminutos espaços confinados. A política territorial do genocídio ameríndio se choca de forma especialmente destrutiva, portanto, contra a concepção guarani de um espaço vital em que caça, pesca, coleta e plantio são concebidos de forma interligada e no qual é de cabal importância a relação com a terra em que estão os corpos dos ancestrais. Nos dias atuais, boa parte da população guarani do Mato Grosso do Sul vive nas oito áreas demarcadas pelo Serviço de Proteção ao Índio entre 1915 e 1928, nas quais os índices de densidade demográfica são altíssimos — ‘caracterizam ostensivamente situações de superpopulação com consequências nefastas para os índios’.
Empurrados para
tendas à beira de estrada ou confinados em fundos de fazendas, em espaços
descaracterizados ecologicamente, com mata derrubada, sem árvores e tomados por
monoculturas de soja ou cana, os guaranis enfrentam enormes obstáculos para
reinventar sua existência no Brasil do agronegócio. Na antropologia brasileira,
pelo menos desde a tese de Antonio Brand (1997), a noção de confinamento tem
sido essencial para definir esses processos de territorialização a que eles
foram submetidos. Para o antropólogo Levi Marques Pereira, trata-se de um
confinamento duplo, ‘espacial e principalmente cultural’, que desestabiliza as
estruturas sociais guaranis. A política do confinamento faz, inclusive, de
muitos guaranis mão de obra para a agroindústria, com frequência contratados
como assalariados para trabalhar no que eram as suas próprias terras.” (Avelar,
págs. 215 e 216)
Idelber Avelar, Eles em nós: Retórica e antagonismo político no Brasil do século XXI
Música brasileira
Raul Seixas
Álbum: Krig-há Bandolo! (1973)
Música: Ouro de Tolo
Ouro
de Tolo é um compacto do cantor e compositor Raul Seixas,
lançado em maio de 1973 pela gravadora Philips
Records e presente no álbum Krig-ha, Bandolo!
O
nome faz uma alusão a sua utilização durante a Idade Média quando
falsos alquimistas prometiam realmente transformar chumbo em ouro, quando a linguagem
da alquimia era,
na verdade, metafórica ou simbólica, referindo-se à transformação espiritual do
homem de um estado "pesado", o chumbo, para outro de elevação, o
ouro. Assim, transpondo para os próprios ideais e aspirações de Raul
Seixas na época, percebe-se que ele indica que o verdadeiro ouro estava no
despertar da consciência individual, visando à construção da Sociedade
Alternativa, e não no discurso ufanista e triunfalista da ditadura militar da
época. Logo, o disco voador ao final da letra seria uma
referência a essa nova sociedade a ser construída.
O
sonho do brasileiro na década de 70 era poder comprar televisão e carro. Aí, o
ousado e gênio controverso, Raul Seixas, vai lá e critica tudo isso criando uma
letra cheia de sarcasmo, em Ouro de Tolo.
A música, que apresenta uma crítica ácida sobre os sonhos e anseios
patéticos da sociedade, foi uma das principais responsáveis por projetar Raul
Seixas para o sucesso nacional. A sonoridade leve de Ouro de Tolo se contrapõe à letra que é um verdadeiro tapa na
cara da classe média brasileira, e que até hoje faz todo o sentido para
compreender nossos valores em tempos sombrios e marcados pelo ódio.
(Fonte do texto: Wikipedia e site Letra, por Érika Freire)
“Há
uma frase famosa no romance O único e eterno rei, de T. H. White: 'Tudo que não
é proibido é compulsório.' Os físicos levam essa afirmação muito a sério. Se
não houver uma lei física que proíba certo fenômeno, então provavelmente ele
acontece em algum lugar do universo. Por exemplo: ainda que buracos de minhoca
sejam incrivelmente difíceis de ser criados, alguns físicos especulam que
talvez eles tenham existido no começo dos tempos e se expandiram após o Big
Bang. Talvez eles existam naturalmente. Um dia, quem sabe, nossos telescópios
talvez encontrem um buraco de minhoca no espaço. Ainda que buracos de minhoca
tenham atiçado a imaginação de autores de ficção científica, criar um, de fato,
em laboratório introduz problemas formidáveis.” (Kaku, 109 e 110)
“Por
exemplo, se a força nuclear fosse um pouquinho mais fraca, o sol nunca teria
acendido, e o sistema solar seria escuro. Se a força nuclear fosse um pouquinho
mais forte, o sol já teria se exaurido há bilhões de anos. A força nuclear tem
a intensidade certa. Do mesmo modo, se a gravidade fosse um pouquinho mais
fraca, talvez o Big Bang já tivesse dado lugar ao Big Freeze, com um universo
frio e morto se expandindo. Se a gravidade fosse um pouquinho mais forte, já teríamos
chegado ao Big Crunch, e toda a vida teria se extinguido no colapso do universo.
Mas a gravidade tem a intensidade certa para permitir que estrelas e planetas
se formem e durem tempo suficiente para o surgimento da vida. Podemos listar
vários desses acidentes que tornam a vida possível, e em cada um deles estamos
no meio da 'Zona de Cachinhos Dourados'. O universo é uma grande loteria, e nós
temos o bilhete premiado. Mas, segundo a teoria do multiverso, isso significa
que coexistimos com um grande número de universos mortos.” (Kaku, págs. 157 e
158)
“Mas
é difícil argumentar que o universo tem sentido se o universo vai acabar um dia.
A física, de certo modo, já proferiu uma sentença de morte para o universo.
Apesar de todas as discussões profundas sobre sentido e propósito do universo,
talvez seja tudo inócuo, porque o universo está destinado a perecer em um Big
Freeze. De acordo com a segunda lei da termodinâmica, tudo que existe em um
sistema fechado vai um dia decair, enferrujar ou se desmanchar. A ordem natural
das coisas é o declínio e o fim eventual de sua existência. Parece inescapável
que todas as coisas morram quando o próprio universo morrer. Então, qualquer
sentido que tenhamos atribuído ao universo será apagado quando o universo
deixar de existir.” (Kaku, pág. 174)
Michio Kaku, astrofísico estadunidense em A equação de Deus: A busca por uma Teoria de Tudo
David Attenborough (1926-), biólogo e naturalista britânico em Uma vida em nosso planeta: minha declaração de testemunha e uma visão para o futuro (Fonte: Goodreads)
“Os
ricos, como ricos, são por si mesmos burgueses; os pobres, como pobres, são por
si mesmos proletários. Uma vez definida esta dicotomia quase óbvia, a análise
marxiana das classes dá um segundo passo afirmando que, além da inserção
efetiva na classe dos ricos ou dos pobres, é necessária a consciência de
pertencer a uma ou à outra. No caso dos proletários, é preciso consciência da
injustiça sofrida. Vou dar um exemplo puramente hipotético: suponhamos que em
um universo de cem pessoas, dez sejam ricas, conscientes de que existem
diferenças de classe e também convencidas de estarem em seu direito, porque,
dizem, ‘sou mais inteligente, meu pai se esforçou mais do que o seu, tenho mais
sorte, porque... porque... porque...; seja como for, sou rico e tenho pleno
direito de sê-lo’. E admitamos que haja noventa pobres, setenta dos quais estão
convencidos de que é natural sê-lo porque lhes disseram na escola, na fábrica,
na igreja. Esses setenta, segundo Marx, são ‘alienados’, ou seja, cada um deles
é pobre, mas raciocina como se fosse um alius,
um outro – um rico.” (Filosofia Ciência&Vida, pág. 22)
Trecho da entrevista do sociólogo, professor e escritor Domenico De Masi (1938-2023) dada à revista Filosofia Ciência&Vida nº 158
“Só nos resta um dia, sempre
recomeçando: nos é dado ao amanhecer e tirado ao anoitecer.”
Jean-Paul Sartre (1905-1980), filósofo, escritor e crítico francês. Fonte: Goodreads.