Leituras diárias

segunda-feira, 15 de maio de 2023

 



“Finalmente podemos ter uma visão do que permitiu aos Neandertais sobreviver! Se atravessaram eras glaciais e sobreviveram a cataclismos climáticos foi porque sua cultura e as restrições exteriores os levam a adotar uma estratégia de mobilidade logística assim que as condições o permitirem, por exemplo, na boa estação. Essas migrações aos saltos favoreciam os encontros com outros clãs. Decerto, não devemos imaginar esses encontros como hostis, mas sim como festas de trocas... culturais e genéticas. No resto do tempo, quando as condições eram ruins, os Neandertais se fechavam sobre si mesmos, mantinham suas práticas, reproduziam-se no interior do clã e exploravam o território numa escala mais reduzida, residindo em cavernas mais do que ao ar livre. Se as culturas Neandertais conseguiram se manter a longo prazo, foi provavelmente por serem extremamente tradicionalistas, isto é, rígidas (a inovação era proscrita; procedia-se sempre do mesmo jeito) e hiperespecializadas (cada um se limitava a seu papel) como as dos inuítes. Os Neandertais não deveriam ter sobrevivido, mas, graças a essas particularidades, sobreviveram.” (Condemi & Savatier, págs. 134 e 135)

 

Silvana Condemi e François Savatier, Neandertal, nosso irmão – Uma breve história do homem

Antonio Carlos Villaça (1928-2005)

domingo, 14 de maio de 2023

 

Antonio Carlos Rocha Villaça nasceu no Rio de Janeiro em 31 de agosto de 1928, filho de Joaquim Ortigão Villaça e Dora Rocha Villaça e faleceu na mesma cidade em 29 de maio de 2005. Escritor, jornalista, conferencista e tradutor, Villaça é um dos mais importantes memorialistas da literatura brasileira.

Cursou o curso primário e ginasial no Colégio Tijuca Uruguai e no clássico no Instituto Lafayette (1937-1946). Cursou dois anos de Direito (1947-1948) na PUC, ainda na Rua São Clemente. Aos dezesseis anos, em abril de 1945, estreou como autor publicando o ensaio Perfil de um Estadista da República, sobre o Barão do Rio Branco, que lhe valeu a Medalha Rio Branco do Ministério das Relações Exteriores (1946).

Em 1949, Villaça volta-se à vida monástica, ingressando no mosteiro de São Bento. Lá toma contato com a filosofia e a literatura religiosa, lendo livros e mais livros de espiritualidade beneditina, patrística e de história do monaquismo.  Em 1950 transfere-se para o Convento dos Dominicanos, em São Paulo, onde viveu um ano. Em seguida volta para o Rio de Janeiro, onde cursa Filosofia no Seminário São José.

Em 1954 começa sua carreira de jornalista, colaborando em vários órgãos da imprensa, entre os quais o “Diário de Notícias”, “Correio da Manhã”, “Tribuna da Imprensa”, “O Jornal” e “Jornal do Brasil”. Neste último, manteve uma coluna diária sobre assuntos religiosos de 1958 a 1961. Como conferencista, Villaça viajou por todo o país e visitou também os Estados Unidos e o Canadá. Sobre esta fase de sua vida, escreve: "Eu estava muito leve, muito moço, andava muito por aquilo tudo. Queria conhecer, queria ver gente, queria ler, queria ir a cinema, ir a teatro, estava muito disponível, muito livre." Visitou o filósofo católico Jacques Maritain em Princeton e o escritor e monge trapista Thomas Merton, na abadia Trapista de Gethsemani. Em 1966 foi para a Europa onde viveu um ano, sobretudo em Paris. Retorna ao Rio de Janeiro em 1967, onde foi morar no Hotel Bela Vista, em Santa Teresa. "Fui para uns dias apenas. Acabei passando dezessete anos e meses. Sempre no mesmo quarto, terceiro andar”, declara em uma entrevista.

A partir dos anos 1970 começa a publicar as obras que o tornaram famoso como escritor de estilo característico, voltado à literatura memorialística e aos ensaios, muito bem recebido pela crítica. O Nariz do Morto (1970 – Prêmio Jabuti de Literatura), O Anel (1972), O Livro de Antônio (1974) e Monsenhor (1975

Em 1972 volta à Europa para entrevistar Jacques Maritain para o “Jornal do Brasil”. Como ensaísta, lançou em 1974 a História da Questão Religiosa e em 1975 O Pensamento Católico do Brasil. Seus estudos críticos foram publicados nos livros Encontros (1974), Literatura e Vida (1976), Tema e Voltas (1976) e Místicos, filósofos e poetas (1976). Mesmo não tendo permanecido no sacerdócio, Villaça tornou-se um importante representante do pensamento católico brasileiro, com grande atuação no Centro Dom Vital, que era dirigido pelo escritor e pensador católico Alceu Amoroso Lima.

Bastante articulado no meio literário brasileiro, Villaça foi membro do Conselho Estadual de Cultura do Rio de Janeiro de 1975 a 1983. Em 13 de maio de 1976 tomou posse no PEN Clube do Brasil, sucedendo o poeta e escritor Murilo Mendes, onde em 1979 se tornaria vice-presidente. A partir de junho de 1984 passou a morar num quarto na sede do clube, na Praia do Flamengo, que em seu livro Degustação denominou "o mirante do Flamengo", por causa da vista, e onde permaneceria até pouco antes de falecer. 

Em 1981 recebeu o prêmio Estácio de Sá e no ano seguinte visita Portugal a convite de instituições portuguesas, tornando-se membro da Academia Brasileira de Arte. Em 1983 recebeu a Ordem das Palmas Acadêmicas da França. Em 21 de novembro de 1984 tomou posse como membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e em 1989 proferiu a conferência inaugural da Academia Brasileira de Filosofia, da qual foi membro fundador e secretário-geral. Em 2003 recebeu o Prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras pelo conjunto de sua obra.

Sobre a missão do escritor, escreveu Villaça em carta a Edmílson Caminha: "Ser escritor é antes e acima de tudo uma posição diante da vida. Independentemente do ato de escrever. Uma opção. Uma escolha. Um estilo. Ser artista é não aliar-se nunca às forças poderosas deste mundo, é ser livre. É dizer não, non possumus, às forças do dinheiro, do poder, da mediocridade."

Antonio Carlos Villaça é autor das seguintes obras: Perfil de um Estadista da República (Ensaio biográfico sobre o Barão do Rio Branco) (1945); Junqueira Freire (1962); O Nariz do Morto (1970); O Anel (1972); Encontros (1974); História da Questão Religiosa (1974); O Livro de Antonio (1974); Monsenhor (1975); O Pensamento Católico no Brasil (1975); Tema e Voltas (1975); Literatura e Vida (1976); Místicos, Filósofos e Poetas (1976); Rui, sua casa e seus livros, o ninho da Águia (1981); O Senador Cândido Mendes (1981); O Desafio da Liberdade : a vida de Alceu Amoroso Lima (1983); Manuel Bandeira: prosa (1983); A Descoberta do Morro (1983); Alceu Amoroso Lima (1984); Introdução a Debret (1989); Introdução a Rugendas (1984); O Duelo com o Ser (ensaio-entrevista de André Pestana) (1992); Os seios de Jandira (com André Pestana) (1993); Estudos para cada um dos romances de José Lins do Rego (1994); Degustação: Memórias (1994); Os Saltimbancos da Porciúncula (1996); Diário de Faxinal do Céu (1998); José Olympio: O Descobridor de Escritores (2001); O Livro dos Fragmentos (2005, póstumo).

Antonio Carlos Villaça faleceu em 29 de maio de 2005 na Casa São Luís no Caju. “Viveu modestamente e modestamente se foi. Enfrentou com paciência monástica privações e necessidades. Mas foi riquíssimo em amigos. Fez amizade com praticamente toda a literatura brasileira do século XX”, escreveu o tradutor e professor Gabriel Perissé

 

Frases de Antonio Carlos Villaça

Ainda tenho certa voluptuosidade em face da vida. E em face da morte. Agora, continuo a amar a vida. Léon Bloy, que parecia um grande angustiado, dizia que tudo que acontece é adorável e tinha uma grande curiosidade diante da morte. A morte é sedutora.”;

Maritain disse que o mundo precisava mais de metafísica do que de carvão. Podemos dizer hoje que o mundo precisa mais de poesia do que de petróleo. A poesia é de fato a emoção reelaborada na tranquilidade. É, assim, a síntese da emoção e da paz.”;

Mestre Graça não teve o que merecia da vida. Sendo um escritor de primeira ordem, um clássico da sua língua, um mestre da arte de escrever, ocupou sempre posições inferiores a seus dons de estilista e criador. Os homens de seu tempo não lhe deram a situação social que o grande homem realmente merecia.”;

“(...) Em suma, o que Machado de Assis estranhou nos cristãos do seu tempo é o que os homens lúcidos estranham sempre nos cristãos de todos os tempos: que sejam tão pouco o que pretendem ser.”;

Quando eu chegar ao Céu, de manhã, de tarde ou de noite, não sei, pedirei para ir à biblioteca de Deus, onde curiosamente bisbilhotarei – com respeito – algumas obras.”;

A grande arte exige amor e ódio.”.



(Fontes: Wikipedia; Site Citações e Frases Famosas; Site itaucultural; Site Tiro de Letra; Blog Sopa no mel; livro “Encontros” e “Os saltimbancos da Porciúncula”; site KDFrases)

Problemas ambientais nas cidades

sábado, 13 de maio de 2023

 

"Numa terra onde todo mundo procura parecer, muita gente deve acreditar - e acredita, com efeito - que mais vale ser falido do que não ser nada."   -   Chamfort   -   Máximas e pensamentos   


É função do poder municipal promover o planejamento das cidades; impedir que o crescimento desordenado comprometa a qualidade de vida das gerações atuais e futuras nos centros urbanos. No entanto, poucos municípios brasileiros, ao longo da história, efetivamente conseguiram alcançar este objetivo. O rápido processo de urbanização pelo qual o país passou desde a década de 50, acelerado pela industrialização e pela mecanização da agricultura, fez com que milhões de pessoas se deslocassem do campo para as grandes cidades; das regiões mais pobres para os centros mais desenvolvidos. Atualmente, mais de 80% da população brasileira concentra-se nas cidades; vinte das quais abrigam 52 milhões de habitantes – cerca de 27% da população do país. No entanto, a maioria dos municípios brasileiros – aproximadamente 3.770, segundo dados do IBGE – ainda tem menos de 20.000 habitantes. O Brasil, acompanhando uma tendência mundial, tornou-se um país majoritariamente urbano. Este rápido aumento da população urbana em curto espaço de tempo e sem qualquer planejamento, fez com que surgissem problemas na infraestrutura e no entorno das cidades, prejudicando, inclusive, o meio ambiente.

Em relação a isso existe uma pesquisa realizada pelo IBGE há alguns anos, informando que cerca de 90% dos municípios relataram terem sido assolados por algum tipo de problema ambiental. Em 14,9% dos municípios os danos ambientais foram considerados graves, com poder de afetarem as condições de vida da população. As ocorrências ambientais mais comuns, segundo o estudo, são as queimadas (54,2%) e os desmatamentos (53,5%), nas regiões Norte e Centro-Oeste; o assoreamento de rios e lagos (53%); poluição da água (41,7%) e escassez de água (40,8%). Outros problemas graves apontados foram a poluição atmosférica, a contaminação de solos e a erosão.

Apesar de ocuparem uma área territorial mínima em relação à área total do país (cerca de 3% do território nacional), a ação das cidades na degradação do meio ambiente tem sido significativa. O aspecto perigoso do impacto ambiental provocado pelos centros urbanos é que acabam poluindo regiões bem maiores. Existem dados, por exemplo, de que a poluição atmosférica da cidade de São Paulo é carregada pelo vento até centenas de quilômetros de distância, alcançando a cidade de Ribeirão Preto e espalhando-se pelo interior do estado. O esgoto de uma cidade ou uma indústria tem grande potencial poluidor de rios e lagos, podendo alcançar longas distâncias rio abaixo. A poluição atmosférica gerada pelo pólo petroquímico de Cubatão na década de 1980, estava destruindo grande parte da floresta atlântica situada na Serra do Mar.

Para colocar um pouco de ordem neste caos, o governo aprovou o Estatuto da Cidade, criado com a Lei Federal nº. 10.257 de julho de 2001. A Lei obrigou cerca de 1.700 municípios com mais de 20.000 habitantes a elaborarem ou reverem seus Planos Diretores. Com isso, as cidades tiveram que preparar um plano para seu crescimento, criando uma ordenação para as edificações, os transportes, o saneamento e as atividades econômicas, entre outros itens. Ainda não existem números definitivos sobre a quantidade de cidades que prepararam ou estão colocando em prática o plano. Dados aproximados estimam que 60% dos municípios já implantaram este dispositivo de planejamento urbano. Todavia, é necessário que neste exercício de planejamento as administrações também contemplem a questão ambiental, fato que muito ocorre na teoria, mas pouco na prática. No Brasil, as políticas que beneficiam a população sem, no entanto, trazerem vantagens diretas e imediatas para grupos hegemônicos, significativamente demoram para serem implantadas – se é que são implantadas.

(Versão alterada de texto publicado originalmente no livro Como está a questão ambiental?, de Ricardo E. Rose)

(Imagens: pinturas de Mark Bradford)

Futuro da educação?

sexta-feira, 12 de maio de 2023

 


(Fonte: Site NSC e ZéDassilva)

Reforma agrária, é preciso falar nela!

quinta-feira, 11 de maio de 2023

 

(Fonte: BrasilEscola)

REFORMA AGRÁRIA, O QUE É E A QUEM BENEFICIA? Leia no link abaixo:

https://www.politize.com.br/o-que-e-reforma-agraria/


Lines on my face - Peter Frampton

quarta-feira, 10 de maio de 2023

 As melhores músicas do rock


Peter Frampton

Album: Frampton´s Camel (1973)

Música: Lines on my face




https://www.youtube.com/watch?v=yaXGf9HgjkA


Peter Frampton (BeckenhamLondres22 de abril de 1950) é um músico britânico mais conhecido por seu trabalho solo nos anos 70 como roqueiro de arena (Album-oriented rock). Ele tornou-se famoso, entretanto, como integrante do The Herd quando se transformou num ídolo das adolescentes na Grã-Bretanha. Frampton ficou famoso por ser o primeiro guitarrista a utilizar do recurso da guitarra falada, que seria anos depois usado por Joe Walsh (Eagles), Slash (Guns n' Roses), Richie Sambora (Bon Jovi) e Dave Grohl (Foo Fighters). Ele então passou a trabalhar com Steve Marriott (dos The Small Faces) na banda Humble Pie, assim como em álbuns de Harry NilssonJerry Lee LewisGeorge Harrison e Ringo Starr (com quem Peter tem uma forte amizade e admiração). Sua estreia solo foi em 1972 com Wind of Change.

A explosão solo de Frampton veio com Frampton Comes Alive, seis vezes platina e que incluía os sucessos "Do You Feel Like We Do", "Baby, I Love Your Way" e "Show Me the Way".

Foi o álbum "ao vivo" mais vendido de todos os tempos. Depois que o álbum seguinte I'm in You foi lançado, Frampton envolveu-se em um sério acidente de carro nas Bahamas. Enquanto se recuperava, ele atuou em 1978, com os Bee Gees, no filme Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, um fracasso retumbante. Nos anos 80, Frampton voltou a gravar, mas só retornou às paradas de sucesso mundiais com "Breaking all the rules". Seu último álbum é Thank You Mr. Churchill, lançado em 2010.

Depois do atentado ao World Trade Center em Nova Iorque, Frampton decidiu tornar-se um cidadão americano. Ele teve papel ativo na campanha eleitoral de 2004 do candidato John Kerry. Recentemente Peter Frampton ganhou o seu primeiro Grammy pelo seu álbum totalmente instrumental "Fingerprints", lançado no fim de 2007 que conta com integrantes do Pearl JamRolling StonesAllman Brothers Band e outros.

 

(Fonte do texto: Wikipedia)

Samson Flexor (1907-1971)

terça-feira, 9 de maio de 2023

 


Conheça mais sobre a vida e obra do artista no link GUIA DAS ARTES abaixo:

Leituras diárias

segunda-feira, 8 de maio de 2023

 


“Assim que aprendemos a ver a realidade da vida, percebemos que somos o resultado de tudo isso. Uma das histórias que construímos acerca do sentido da vida é de que estamos no centro de tudo. Tudo isto existe para nós. Mas a verdade é exatamente o contrário. Existimos somente por causa de tudo que é. Nós, como todas as outras formas de vida, somos o resultado de bilhões de anos de causas e condições. Isto é o vazio. É a compreensão de que como a vida se desenrola, isto não quer dizer nada e isto não é algo positivo ou negativo (quem sabe o que é bom ou o que é mau). Todas as coisas simplesmente são como são.” (Rasheta, pág. 39)

 

Noah Rasheta, Budismo secular: pensamento oriental para mentes ocidentais (Secular buddhism: Eastern thought for Western minds  -  tradução do inglês por Ricardo E. Rose) 

Orígenes Lessa (1903-1986)

domingo, 7 de maio de 2023

 

Orígenes Temudo Lessa nasceu em Lençóis Paulista (SP), em 12 de julho de 1903 e faleceu no Rio de Janeiro em 13 de julho de 1986. Foi jornalista e escritor, tendo sido membro da Academia Brasileira de Letras. Era filho de Vicente Themudo Lessa, historiador, jornalista e pastor presbiteriano pernambucano, e de Henriqueta Pinheiro Themudo Lessa. Em 1906 mudou-se com a família para São Luís do Maranhão, acompanhando o pai como missionário. Dessa sua na infância resultou o romance Rua do Sol. Em 1912, retornou a São Paulo.

Aos 19 anos, ingressou num seminário protestante, do qual saiu dois anos depois. Em 1924 mudou-se para o Rio de Janeiro, enfrentando grandes dificuldades financeiras, quando começou a dedicar-se ao magistério. Terminou o curso de Educação Física, tornando-se instrutor de ginástica do Instituto de Educação Física da Associação Cristã de Moços. Paralelamente ingressou no jornalismo, publicando os seus primeiros artigos na seção Tribuna Social-Operária de “O Imparcial”.

Em 1928 matriculou-se na Escola Dramática do Rio de Janeiro, dirigida então por Coelho Neto. No mesmo ano volta para a cidade de São Paulo, onde passou a trabalhar como tradutor no Departamento de Propaganda da General Motors, ali permanecendo até 1931. Em 1929, começou a escrever no “Diário da Noite” de São Paulo e publicou a primeira coleção de contos, O escritor proibido, calorosamente recebida por Medeiros e AlbuquerqueJoão RibeiroMenotti del Picchia e Sud Mennucci. Seguiram-se a essa coletânea Garçon, garçonnette, garçonnière, menção honrosa da Academia Brasileira de Letras, e A cidade que o diabo esqueceu.

Em 1932 participou ativamente na Revolução Constitucionalista, na qual foi aprisionado e transferido para o presídio de Ilha Grande, no Rio de Janeiro, onde escreveu Não há de ser nada, reportagem sobre a Revolução Constitucionalista, e Ilha Grande, jornal de um prisioneiro de guerra. As duas obras projetaram Orígenes Lessa nos meios literários. Também em 1932 assumiu emprego de redator na N. Y. Ayer & Son, atividade que exerceu durante mais de quarenta anos em sucessivas agências de publicidade.

Voltou à atividade literária, publicando a coletânea de contos Passa-três, a novela O joguete e o romance O feijão e o sonho; obra que conquistou o Prêmio Antônio de Alcântara Machado, tendo sucesso extraordinário e foi adaptada como novela para a televisão.

Em 1942 mudou-se para Nova Iorque para trabalhar como redator na rede NBC em programas irradiados para o Brasil. Em 1943, retorna ao Rio de Janeiro, reunindo no volume Ok, América as reportagens e entrevistas escritas nos Estados Unidos. Também deu continuidade à sua atividade literária, publicando novas coletâneas de contos, novelas e romances. A partir de 1970 dedicou-se também à literatura infanto-juvenil, chegando a publicar, nessa área, quase 40 títulos, que o tornaram um autor conhecido pelas crianças e jovens brasileiros.

Orígenes Lessa foi ocupante da Cadeira 10 da Academia Brasileira de Letras, eleito em 9 de julho de 1981, na sucessão de Osvaldo Orico e recebido pelo Acadêmico Francisco de Assis Barbosa em 20 de novembro de 1981.

Foi casado com a jornalista e cronista Elsie Lessa, com quem teve um filho, o jornalista, cronista e escritor Ivan Lessa (1935-2012). Também foi casado com Edith Thomas, com quem teve outro filho, Rubens Lessa. Na ocasião de sua morte, estava casado com Maria Eduarda Lessa. Foi sepultado em sua cidade natal, Lençóis Paulista, SP.

Recebeu inúmeros prêmios literários: Prêmio Antônio de Alcântara Machado (1939), pelo romance O feijão e o sonhoPrêmio Carmem Dolores Barbosa (1955), pelo romance Rua do SolPrêmio Fernando Chinaglia (1968), pelo romance A noite sem homemPrêmio Luísa Cláudio de Sousa (1972), pelo romance O evangelho de Lázaro.

Orígenes Lessa publicou as seguintes obras:

Contos, romances e reportagens: O escritor proibido, contos (1929); Garçon, garçonnette, garçonnière, contos (1930); A cidade que o diabo esqueceu, contos (1931); Não há de ser nada, reportagem (1932); Ilha Grande, reportagem (1933); Passa-três, contos (1935); O feijão e o sonho, romance (1938); Ok, América, reportagem (1945); Omelete em Bombaim, contos (1946); A desintegração da morte, novela (1948); Rua do Sol, romance (1955); Oásis na mata, reportagem (1956); João Simões continua, romance (1959); Balbino, o homem do mar, contos (1960); Histórias urbanas, contos (1963); A noite sem homem, romance (1968); Nove mulheres, contos (1968); Beco da fome, romance (1972); O evangelho de Lázaro, romance (1972); Um rosto perdido, contos (1979); Mulher nua na calçada, contos (1984); O edifício fantasma, romance (1984); Simão Cireneu, romance (1986).

Ensaios: Getúlio Vargas na literatura de cordel (1973); O índio cor-de-rosa. Evocação de Noel Nutels (1985); Inácio da Catingueira e Luís Gama, dois poetas negros contra o racismo dos mestiços (1982); A voz dos poetas (1984).

Literatura infanto-juvenil (destaques): O sonho de Prequeté (1934); Memórias de um cabo de vassoura (1971); Napoleão em Parada de Lucas (1971 ou 1972); Sequestro em Parada de Lucas (1972); Memórias de um fusca (1972); Napoleão ataca outra vez (1972); A escada de nuvens (1972); Confissões de um vira-lata (1972); Aventuras do Moleque Jabuti (1972); A floresta azul (1972); Os homens de cavanhaque de fogo (1972); O 13º Trabalho de Hércules (1975); O mundo é assim, Taubaté (1976); É conversando que as coisas se entendem (1978); Tempo quente na floresta azul (1983).

 

Frases de Orígenes Lessa:

Fazer 80 anos significa apenas uma coisa: que não se morreu antes.”;

"Eu reescrevo sempre. Anúncio, livro ou conto. Não há linha no mundo que não possa ser melhorada.”;

“Hoje não há mais ausência. Eu é que estive ausente Dele durante quase 50 anos. Mas os problemas da vida me levaram a Ele. Foram problemas grandes, terríveis, trágicos. E eu, já que não acreditava em mais nada, de repente vi que Ele existia, que Ele atendia, que valeu a pena voltar a acreditar Nele";

Literatura do Terceiro Mundo deve ser como a literatura do quarto, do primeiro ou do quinto. Literatura é sempre a mesma coisa. A postura da literatura em qualquer país deve ser acima de tudo, de independência e de repulsa a qualquer forma de injustiça e manifestação de corrupção...”;

"Para ser exato, devo dizer que sofro de literatura hereditária ou adquirida, em segundo ou terceiro grau. Os primeiros sintomas esboçaram-se muito cedo. Não se assuste! Meu primeiro livro, eu escrevi aos oito anos e o pior é que foi em grego. Meu pai era professor de grego no Liceu Maranhense.”;

"Não acredito em inspiração. Acredito em mão-de-obra. Com facilidade maior ou menor, mas mão-de-obra.”.

 

 

(Fontes: Wikipedia; site Academia Brasileira de Letras; site Tiro de Letra)

Emil Cioran (1911-1995)

sábado, 6 de maio de 2023

Filósofo, ensaísta e escritor romeno, radicado na França. Pessimista, foi chamado de "arauto da miséria humana" por um jornal francês nos anos 1970.


Citações de Emil Cioran


A história não passa de um desfile de falsos Absolutos, uma sucessão de templos elevados a pretextos, um aviltamento do espírito ante o Improvável. Mesmo quando se afasta da religião o homem permanece submetido a ela; esgotando-se em forjar simulacros de deuses, adota-os depois febrilmente: sua necessidade de ficção, de mitologia, triunfa sobre a evidência e o ridículo.”

(Genealogia do fanatismo em Breviário da Decomposição)

 

Se todos os nossos atos – desde a respiração até a fundação de impérios ou de sistemas metafísicos – derivam de uma ilusão sobre nossa importância, com maior razão ainda o instinto profético. Quem, com a visão exata de sua nulidade, tentaria ser eficaz e erigir-se em salvador?”

(O Antiprofeta em Breviário da Decomposição)

 

Por que só podemos conhecer os homens nos grandes acontecimentos da vida? Porque aqui a decisão e o cálculo racional não têm valor algum; tudo o que deriva dos valores e critérios exteriores desaparece para dar lugar a determinações mais profundas. É curioso que os homens exagerem o valor da decisão, da atitude nos grandes acontecimentos, quando neles somos mais irresponsáveis, estamos mais perto de nosso fundo irracional.”

(O Livro das Ilusões)

 

Ninguém pode ser consolado, no momento da morte, pela ideia de sermos todos mortais, assim como, num momento de sofrimento, ninguém encontra consolo no sofrimento passado ou presente dos outros.”

(A medida do sofrimento em Nos cumes do desespero)

 

Criar significa salvar-se provisoriamente das garras da morte.”

(Não poder mais viver em Nos cumes do desespero)

 

Cada época tende a pensar que é, de algum modo, a última, que com ela se fecha um ciclo ou todos os ciclos. Hoje, como ontem, concebemos mais facilmente o inferno do que a idade de ouro, o apocalipse do que a utopia, e a ideia de uma catástrofe cósmica nos é tão familiar quanto era para os budistas, para os pré-socráticos ou para os estoicos.”

(Joseph de Maistre – Ensaio sobre o pensamento reacionário em Exercícios de admiração)

 

Há países que gozam de uma espécie de bênção, de graça: tudo lhes sai bem, mesmo as desgraças, mesmo as catástrofes; há outros que não conseguem cumprir-se, e cujos triunfos equivalem a fracassos. Quando querem afirmar-se e dão um salto em frente, uma fatalidade exterior intervém para quebrar o seu ímpeto e os reconduzir ao ponto de partida. Todas as oportunidades lhes são subtraídas, mesmo a do ridículo.”

(Pequena teoria do destino em A tentação de existir)

 

Essa espécie de mal-estar quando tentamos imaginar a vida cotidiana dos grandes homens... Por volta das duas da tarde, o que fazia Sócrates?”

(O escroque de abismos em Silogismos da Amargura)

 

O cético gostaria de sofrer, como o resto dos homens, pelas quimeras que fazem viver. Não consegue: é um mártir do bom senso.”

(O escroque de abismos em Silogismos da Amargura)

 

Un filósofo sólo puede evitar la mediocridad mediante el escepticismo o la mística, essas dos formas de desesperación frente al conocimiento. La mística es uma evasión fuera del conocimiento, el escepticismo um conocimiento sin esperanza. Dos maneras de decidir que el mundo no es una solución.”

(De lágrimas y de santos)

 

Cada um deve pagar pela menor alteração que possa provocar em um universo criado para a indiferença e para a estagnação: cedo ou tarde, ele se arrependerá de não tê-lo deixado intacto. Isto é certo, no que se refere ao conhecimento, e mais certo ainda quanto à ambição, pois atribuir-se direitos sobre os outros traz consequências mais graves e mais imediatas do que tocar no mistério ou simplesmente na matéria.”

(Escola dos tiranos em História e Utopia)

 

Quando Mâra, o deus da morte, busca por meio de tentações quanto ameaças arrancar do Buda o império do mundo, este, para confundi-lo e desviá-lo de sua pretensões, lhe diz entre outras coisas: “Terás sofrido pelo conhecimento?”Essa interrogação, a que Mâra não podia responder, deveria ser sempre utilizada quando se quisesse medir o valor exato de um espírito.

(Máxima e retrato em Antologia do Retrato)

 

 

Fontes consultadas:

 

Cioran. O Livro das Ilusões. Rio de Janeiro. Rocco Editora: 2014, 222 p.

Emil Cioran. Nos cumes do desespero. São Paulo. Editora Hedra: 2012, 153 p.

Cioran. Exercícios de admiração. Rio de Janeiro. Editora Guanabara: 1988, 128 p.

E. M. Cioran. A tentação de existir. Lisboa. Relógios d’ Água Editores: s/d, 185 p.

Cioran. Silogismos da Amargura. Rio de Janeiro. Rocco Editores: 1991, 93 p.

E. M. Cioran. De lágrimas y de Santos. Buenos Aires.Tusquets Editores: 2008, 115 p.

Cioran. História e Utopia. Rio de Janeiro. Editora Rocco: 1994, 142 p.

Cioran. Antologia do Retrato. Rio de Janeiro. Editora Rocco:1998, 251 p.

Grandes fortunas?

sexta-feira, 5 de maio de 2023

 


(Fonte: Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação)

Vai acabar!

quinta-feira, 4 de maio de 2023

 


(Fonte: NANU - André Dahmer)

The last in line - Ronnie James Dio

quarta-feira, 3 de maio de 2023

 As melhores músicas do rock


Ronnie James Dio

Álbum: The last in line (1984)

Música: The last in line 



https://www.youtube.com/watch?v=Q77Ol7eUtO4&list=OLAK5uy_ku3NgHo_d7sW2Jfk2wyoPOuS5u9GWLR0Y


Ronnie James Dio, nome artístico de Ronald James Padavona (Portsmouth10 de julho de 1942 — Houston16 de maio de 2010), foi um músico norte-americano, produtor e compositor de heavy metal, famoso como front-man das bandas RainbowBlack Sabbath e Dio. É considerado um dos melhores vocalistas de todos os tempos pelo seu enorme talento e voz marcante, tendo influenciado muitos dos melhores vocalistas da atualidade. Também é conhecido por ter introduzido a mão chifrada, símbolo do rock.

Em 2010, antes de morrer, Ronnie James Dio era um dos artistas do rock com maior longevidade da carreira, ao lado de Paul McCartney, Mick Jagger, Chuck Berry e Little Richard.

 

(Fonte do texto: Wikipedia)


Juros altos estrangulam a economia!

terça-feira, 2 de maio de 2023


 

Flavio de Carvalho (1899-1973)


Conheça mais sobre a vida e obra do artista no link LAART abaixo:

https://laart.art.br/blog/flavio-de-carvalho/

Leituras diárias

segunda-feira, 1 de maio de 2023

 


“Na época, não havia como saber, mas logo depois disso, em 1939, o Departamento de Estado e o Conselho de Relações Exteriores começaram a fazer o planejamento para o pós-guerra. Nos anos seguintes, eles presumiram que o mundo seria dividido entre um lado controlado pela Alemanha, um controlado pelos nazistas, a maior parte da Eurásia, e um controlado pelos Estados Unidos, que incluiria o hemisfério ocidental, o ex-Império Britânico – que os Estados Unidos encampariam –, partes do Extremo Oriente. Essas noções, agora sabemos, foram mantidas até os russos virarem a maré. Stalingrado, em 1942 e 1943, e a enorme batalha de tanques em Kursk, um pouco mais tarde, deixaram bem claro que os russos derrotariam os nazistas. O planejamento mudou. O panorama do mundo pós-guerra mudou para o que vimos no último período desde aquela época. Foi há oitenta anos.” (Chomsky, pág. 87)

 

Noam Chomsky, Internacionalismo ou extinção

DIA DO TRABALHADOR