“Mas,
a partir de nossas próprias mentes e de nossa própria experiência, não podemos
deduzir nada que nos sirva de base para estabelecer sequer o menor limite ao
comportamento arbitrário da própria natureza. Se o que acontece agora tivesse
acontecido de forma completamente diferente, não nos pareceria, portanto,
minimamente natural. Em outras palavras, embora possa haver um elemento de
inevitabilidade em nossos julgamentos humanos a respeito dos fenômenos
naturais, nunca fomos capazes, e provavelmente nunca seremos, de separar o grão
do inevitável da palha da verdade acidental e casual. Além disso, nem sequer
sabemos o que é mais essencial e importante, o inevitável ou o casual.
Portanto,
somos forçados à conclusão de que a filosofia deve abandonar sua tentativa de
encontrar as veritates aeternae (verdades
eternas). A função da filosofia é ensinar o homem a viver na incerteza — o
homem que tem um medo supremo da incerteza e que está sempre se escondendo
atrás deste ou daquele dogma. Mais resumidamente, a função da filosofia não é
tranquilizar as pessoas, mas perturbá-las.”
Lev Shestov (1866-1938), filósofo existencialista russo em All Things Are Possible, 1919 (Todas as coisas são possíveis)

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