“Os Carvakas são, por vezes, comparados aos filósofos gregos. As crenças heterodoxas atribuídas aos Carvakas evocam imediatamente semelhanças com os filósofos gregos Demócrito e Epicuro. Elas também demonstram afinidade com o filósofo e poeta romano Lucrécio.”
“Para
os Lokayatikas (Carvaka), a totalidade da existência neste mundo reduz-se, em
última análise, a quatro elementos: ar, fogo, água e terra. Tudo surge da
combinação desses quatro elementos, e o seu fim (morte e dissolução) consiste
na separação deles. Esse ponto poderia ser facilmente aceito por oponentes —
tanto heterodoxos (jainismo e budismo) quanto ortodoxos (Nyaya-Vaisheshika,
Samkhya-Yoga e Mimamsa) — no que diz respeito a objetos materiais, os quais
podem ser resultado de uma combinação de elementos materiais, embora alguns
desses oponentes possam acrescentar o akasha
(éter) como um quinto elemento. O verdadeiro conflito surge quando o Carvaka
afirma que até mesmo o ‘eu’ (a personalidade humana), com suas propriedades de
vida e consciência, é um produto resultante de tal combinação. Ao defender um
empirismo realista e racionalista e não admitir a existência de nada além da
natureza, o Carvaka naturalmente sustenta — como todos os materialistas — que a
questão do ‘porquê’ do universo é irrelevante. Não encontramos qualquer ‘propósito’
no universo. A natureza é indiferente à ‘vontade’ de um Ser supremo, cuja
própria existência é posta em dúvida pelo Carvaka. A natureza perdura e existe
por si mesma; não precisamos de nada além dela para explicá-la. A cosmologia
Carvaka, portanto, rejeita a atuação de um Ser inteligente (Deus) como causa do
universo.
O
mundo, segundo o Carvaka, é resultado de um desenvolvimento a partir da
combinação dos quatro elementos em proporções variadas, dando origem a uma
diversidade de coisas, objetos e seres (animais, humanos, etc.), cada qual com
sua própria natureza. Trata-se de uma doutrina de "naturalismo", o Svabhavavada. O Carvaka não acredita na
doutrina da criação e, por isso, não necessita de um Criador ou de uma força
criadora. Ele não apenas rejeita a agência de Deus, mas também a do ‘invisível’
(adrsta), da ‘ação’ (karma), do ‘destino’ (niyati), do ‘tempo’ (kala) e do ‘acaso’ (yadrccha), substituindo todos eles pela ‘natureza’ (svabhava). É a própria dinâmica interna
da matéria que explica o surgimento e o desaparecimento das coisas, segundo
ele.”
Bhupender Heera (1976-) filósofo e professor indiano em
Uniqueness of Carvaka Philosophy in
Traditional Indian Thought, 2011 (A Singularidade da Filosofia Carvaka no
Pensamento Indiano Tradicional)

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