Leia o relatório sobre o meio ambiente no Brasil "Passando a boiada"
sábado, 30 de janeiro de 2021PROTEJA A MATA ATLÂNTICA
quinta-feira, 28 de janeiro de 2021PROTEJA A MATA ATLÂNTICA
terça-feira, 26 de janeiro de 2021Crise, até quando?
sábado, 23 de janeiro de 2021O vírus
Covid-19 continua assolando o mundo. O esforço para se chegar a uma vacina foi
algo inédito na história da medicina. Milhares de cientistas e pesquisadores
trabalhando ininterruptamente, dezenas de grandes laboratórios em todo o
planeta utilizando o que de melhor havia em termos de equipamentos e muitos
recursos financeiros investidos. Nunca uma iniciativa para combater uma doença
envolveu países, empresas e profissionais de tal maneira. Assim, quando as
primeiras vacinas foram aprovadas pelos órgãos competentes, foi grande o alívio
e a alegria em todo o planeta.
No
entanto, quando se pensava que com uma vacina os problemas estariam
relativamente encaminhados, surge uma segunda onda mais agressiva do vírus;
aparecem três novas importantes mutações (Inglaterra, África do Sul e Amazônia);
e o processo de vacinação em todos os países é mais demorado e confuso do que
se esperava. Se já havia uma expectativa de uma lenta mas constante
normalização das atividades econômicas, da vida social e cultural, esta
perspectiva teve que ser mais uma vez postergada – provavelmente para o segundo
semestre de 2021.
As
consequências econômicas, sociais e políticas do desenvolvimento da sindemia
(novo termo utilizado para tratar da pandemia do Covid-19) continuam
imprevisíveis. Ao fim de cada fase do processo aparece uma nova surpresa, de
modo que poucos arriscam uma opinião sobre quando literalmente “o mundo
voltará ao normal” – ou pelo menos a uma situação em que possa retomar as
atividades como antes.
No Brasil a situação ainda é mais preocupante, já que mal iniciamos o processo de vacinação por falta de insumos. O governo, propositalmente deu pouca importância à sindemia desde o início, tentando poupar de eventuais prejuízos os grupos econômicos que contribuíram para sua eleição. Assim, evitou decretar lockdown, minimizou a gravidade da doença e a necessidade das medidas profiláticas, desestimulando o uso da máscara e do isolamento social. Pressionado pelo aumento dos casos de contaminação e de mortes, o presidente foi obrigado a instituir o auxílio emergencial, possibilitando às pessoas sem rendimentos a ficarem em casa. O auxílio foi distribuído pelo governo entre abril e dezembro de 2020, para aproximadamente 65 milhões de pessoas. Depois, com a sindemia alastrada e dezenas de milhares de vitimados mortos, o governo, influenciado pelas opiniões do presidente americano Trump, admirado pelo presidente Bolsonaro e com o qual mantinha uma relação de subserviência, resolveu propagar o uso de medicamentos sem eficiência cientificamente comprovada. A aprovação de vacinas e o início da vacinação é mais outra história de conflito ideológico entre grupos negacionistas e representantes da ciência por um lado; e, por outro, de batalha política entre o presidente Bolsonaro e seu antigo admirador, o governador de São Paulo, João Dória.
É
evidente que toda esta confusão traz consequências para a economia – que já
vinha combalida desde o final de 2014 – e para todas as outras atividades
comuns a qualquer sociedade. Tudo isto ainda é agravado pela situação histórica
de concentração de renda e benefícios na sociedade brasileira. A baixa renda,
as péssimas condições de vida e as poucas chances de melhoria econômica e
social da maior parte da população, foram escancaradas durante o período da
sindemia no Brasil.
Assim,
enquanto o processo de vacinação não tiver início efetivo e for mantido até
alcançar a maior parte da população, o país continuará nesta pasmaceira, sujeito a avanços e recuos. Os efeitos, podemos ver claramente na atividade econômica
travada, na ausência de investimentos, salvando-se apenas o mercado financeiro, que pouco agrega à geração de empregos, consumo das famílias e
movimentação da economia real.
Na
educação permanece o impasse sobre o início das aulas presenciais, essenciais
para a maioria dos estudantes do ensino básico. A possibilidade de que mais um
semestre seja praticamente perdido pelos alunos, principalmente por aqueles das
camadas sociais mais baixas, representará uma grande lacuna na educação de centenas de milhares de jovens de todo o país. Quanto esta lacuna
poderá prejudicar as futuras carreiras profissionais destes jovens?
O
Brasil ainda não tem um setor privado suficientemente robusto para que este
possa encabeçar o processo de retomada econômica – aliás, ao que parece, poucos
países têm uma iniciativa privada assim. Quando a situação econômica fica
difícil, as empresas procuram proteção do Estado. Por outro lado, grande parte da iniciativa privada nacional está mais interessada em aumentar
seus lucros no mercado de capitais, do que investindo na economia real. E esta é também a ideologia do atual governo, que sempre se referiu à ideia
do “estado mínimo”.
Dado
este quadro, bastante resumido, da situação atual do país, fica difícil ser
otimista em relação ao futuro próximo. Sem planos ou projetos, cortando
investimentos nas áreas da saúde, da educação, da pesquisa, do meio ambiente,
da cultura, entre outros, ficará difícil a recuperação do país. Por quanto
tempo a sociedade brasileira ainda terá que aguardar por melhores tempos? E o
governo o que fará? Deixará como está, pra ver como fica?
(Imagens: gravuras e desenhos de Käthe Kollwitz)
Labels: Assim se vive no Brasil, Economia, Gestão Pública, Sociologia
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terça-feira, 19 de janeiro de 20212020: sem avanços na área ambiental
sábado, 16 de janeiro de 2021
"Cada um de nós chama de barbárie aquilo que não faz parte de seus costumes." - Michel de Montaigne - Os ensaios
Iniciamos
este blogue em maio de 2010 e desde então vimos comentando principalmente os
temas ligados à área ambiental. Não podemos dizer que durante este período de
mais de dez anos foram grandes os avanços do Brasil nesta área, já que –
sejamos francos – o meio ambiente nunca foi uma preocupação real dos governos e
da maior parte da sociedade brasileira.
Todas
as administrações, inclusive o atual, sempre priorizaram fundamentalmente os
desafios na área econômica, já que o país poucas vezes teve um período de
crescimento constante e harmônico. Sempre vivemos a síndrome do “voo da
galinha”, com expansões e retrações da economia; com todas as consequências
sociais e políticas deste processo. Nestas condições, é até compreensível que a
preocupação com a proteção do meio ambiente não tenha sido um dos temas
principais da sociedade e do Estado brasileiro.
No
entanto, vivemos inseridos no mundo, na teia de relações econômicas e políticas
globais, na qual a questão ambiental, por diversas circunstâncias, é aspecto
importante. Mesmo que certos ministros do atual governo do país não tenham esta
visão, o Brasil deverá tomar outra postura interna e externa em relação à
proteção dos recursos naturais, sob risco de vir a sofrer represálias políticas
e comerciais.
Não
se trata de politizar o tema, fato que interessaria a grupos de pressão
retrógados, que ainda não perceberam – ou querem negar – a relação da economia
com a natureza, por esperarem tirar vantagens da exploração incontrolada dos
recursos naturais. Vejamos, por exemplo, as condições do avanço do
desflorestamento da Amazônia. Entre os anos de 2000 e 2018 a região perdeu 8%
de sua cobertura vegetal, cerca de 270 mil km² - uma área maior do que a do território
do Reino Unido. De 2014 a 2018 foram desmatados em média, 112,8 mil hectares
por ano; média que cresceu para 215,6 mil hectares em 2019 e 226,5 mil hectares
em 2020. Cerca de 60% destes 442 mil hectares desmatados em 2019/2020 ocorreram
em áreas ilegalmente descritas como propriedade particular no Sistema Nacional
de Cadastros Ambientais Rurais (SICAR).
No
entanto é falsa a ideia de que estes territórios estão sendo invadidos para a
expansão da fronteira agrícola, como se o país já não tivesse área suficiente
para ainda ser ocupada pelo agronegócio. Além disso, a produtividade agrícola
da Amazônia é, por razões físicas, climáticas e econômicas, cerca de 1/4 ou 1/5
da produtividade agrícola do estado de São Paulo, por exemplo. O objetivo principal
da derrubada da floresta é a criação de gado de corte, para abastecimento dos
mercados mundiais; sobretudo os países europeus e a China. Outro propósito da eliminação
da vegetação e ocupação da área é a regularização de sua posse, visando futura
especulação imobiliária, já que o Congresso aprovou recentemente a
possibilidade de venda de terras a estrangeiros. Seria uma explicação do aumento de 50% na derrubada das florestas em terras públicas, durante o biênio 2019/2020.
Na
área das mudanças climáticas – estas também negadas por ministros do atual
governo – também demos alguns passos para trás. Depois de um importante
protagonismo internacional durante muitos anos, através de uma parceria entre o
Ministério do Meio Ambiente e o Ministério das Relações Exteriores, a atual
administração conseguiu a desastrada façanha de ser premiada com o “Fóssil
Colossal”. O prêmio, outorgado pela Rede Internacional de Ação Climática (CAN),
reunindo 1,3 mil organizações ambientais mundiais, é oferecido aos países que
mais obstruem negociações mundiais que possam levar a um avanço no combate às
mudanças climáticas. Ainda por este motivo, o Brasil também não foi convidado a
participar Cúpula da Ambição Climática, realizada em dezembro de 2020, reunindo
líderes mundiais e empresários, com o objetivo de debater medidas de redução
dos efeitos da crise climática.
Na
área da gestão de resíduos a situação também permaneceu inalterada, ou quase: a
destinação incorreta de resíduos sólidos urbanos aumentou 16% na última década
no Brasil. Ou seja, em 2010, segundo dados da Associação Brasileira das
Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), 43,2% do volume
total de resíduos sólidos eram descartados de forma incorreta. Em 2019 este
volume cresceu para 59,9% dos resíduos. Ao mesmo tempo a geração destes
resíduos cresceu de 67 milhões de toneladas anuais em 2010, para 79,6 milhões
de toneladas em 2019. A Política Nacional de Resíduos Sólidos, instituída em
2010 e já prorrogada por duas vezes, havia sido elaborada para gradualmente encaminhar
uma solução para o problema dos imensos volumes de resíduos no Brasil. Falta de
planejamento e recursos, no entanto, fizeram com que poucos municípios
conseguissem até 2020 implantar a política de gestão.
Assim, apesar deste imenso volume de resíduos dispostos de maneira incorreta em terrenos, lixões irregulares, córregos e até em clareiras de floresta, somos também o quarto maior produtor mundial de resíduos plásticos, gerando 11,3 milhões de toneladas anuais, segundo estudo realizados pela ONG WWF em parceria com o Banco Mundial. O mesmo estudo, todavia, informa que apenas 1,28% deste plástico são reciclados. Reportagem recente da revista Galileu (outubro de 2020) informa que apenas 3% do volume total de resíduos sólidos gerados no pais são reciclados; volume que praticamente não se alterou nos últimos 10 anos.
Em outras áreas, como a do saneamento, a situação também não avançou nos últimos anos. A reportagem publicada pelo jornal Globo em 24/06/2020, resume a situação: 35 milhões de pessoas não têm acesso à água tratada (cerca de 16% da população) e 47% da população (100 milhões de pessoas) não dispõem de serviços de coleta de esgotos. Do volume total de esgoto coletado, apenas 46% são tratados antes de serem descarregados em córregos, rios ou no oceano. Um Plano Nacional de Saneamento (Plansab) existe desde 2014, mas desde esta data até hoje o saneamento avançou pouco, quase nada. Recentemente o Congresso aprovou uma lei que permite a privatização dos serviços de água e esgoto, que na prática ainda não foi possível ser avaliada. O país ainda aguarda a vinda dos grandes investidores internacionais, largamente anunciados pelo ministro Paulo Guedes desde o início de seu mandato.
Com este quadro do saneamento, o país está colocado entre os países abaixo da média nesta área no ranking mundial. Apesar de ainda sermos a décima-segunda maior economia do mundo e ainda estarmos entre os 15 países mais industrializados do planeta, temos grande parte da população sem acesso ao saneamento básico; o básico para que um país posso se colocar entre as nações minimamente desenvolvidas. Na área de gestão de resíduos urbanos, como vimos, a situação é parecida. Por outro lado, avançamos fortemente na destruição do ambiente natural; seja na Amazônia, no Cerrado, na Mata Atlântica ou em outros biomas.
A impressão geral que se tem, é
que somos uma sociedade que sobrevive – não vive! – exaurindo e poluindo os
recursos naturais; através do desmatamento e da monocultura agrícola, através
do lançamento de esgotos nos rios e no mar, através do descarregamento de lixo
no solo e na água. Sujamos, emporcalhamos e destruímos o meio ambiente, como
insanos. Mas, quem tira proveito disso? Quem é que lucra com isso?
(Imagens: pinturas de Luiz Sacilotto)
Labels: Artigo técnico, Economia, Gestão Ambiental, Gestão Pública, Meio Ambiente, Política
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terça-feira, 12 de janeiro de 2021Antes de Cabral: sambaquis, Peabiru & outras histórias
Temas pré-históricos e históricos brasileirosFaça download de meu mais recente e-book com textos de 2020
sábado, 9 de janeiro de 2021Leituras diárias
sexta-feira, 8 de janeiro de 2021
“A
reclamação que a direita faz quanto ao comunismo – de que todos teríamos de
comprar nossos produtos de um único fornecedor estatal – foi suplantada pela
necessidade de comprar tudo da Amazon.” (Bridle, pág. 131)
James Bridle, A nova idade das trevas – A tecnologia e o fim do futuro
Leituras diárias
quinta-feira, 7 de janeiro de 2021
“Admitir
o indescritível é uma faceta da nova idade das trevas: é aceitar que há limites
naquilo que a mente humana pode conceber. Mas nem todos os problemas das
ciências são superáveis pela aplicação da computação, por mais simpáticos que
sejam. Conforme aplicamos soluções mais complexas a problemas mais complexos, nos
arriscamos a desconsiderar problemas sistêmicos maiores. Tal como o processo
acelerado da Lei de Moore, que travou a computação em uma rota, que exigiu
certa arquitetura e certo hardware, a opção por essas ferramentas também molda
de maneira fundamental o modo como podemos tratar e até pensar o próximo grupo
de problemas que encaramos.” (Bridle, pág. 118-119)
James Bridle, A nova idade das trevas – A tecnologia e o fim do futuro
Leituras diárias
quarta-feira, 6 de janeiro de 2021“Bancos
de sementes são cruciais para manter um arremedo de biodiversidade genética.
São fruto de um movimento que começou nos anos 1970, quando se percebeu que a
Revolução Verde na agricultura estava levando fazendeiros a abandonar suas
sementes usuais, desenvolvidas há séculos em cada local, para dar lugar a
criações nova e híbridas. Acredita-se que há um século a Índia tinha mais de
100 mil variedades de arroz; hoje tem poucos milhares. O número de variações de
maçã nas Américas caiu de 5 mil para centenas. No somatório geral, segundo uma
estimativa da Organização da Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura,
perdeu-se 75% da biodiversidade de culturas agrícolas.” (Bridle, pág. 64)
James Bridle, A nova idade das trevas – A tecnologia e o fim do futuro
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terça-feira, 5 de janeiro de 2021https://consideracoes-oportunas1.webnode.com/
E A VACINA?
segunda-feira, 4 de janeiro de 2021Ainda não o iluminismo?
sábado, 2 de janeiro de 2021
Georges
Minois, historiador contemporâneo francês, relata em seu História do Ateísmo a surpresa de certas autoridades eclesiásticas
medievais, ao constatarem que os camponeses de regiões remotas não estavam totalmente
cristianizados; ainda mantinham muitas crenças e práticas religiosas ligadas ao
paganismo. Depois de mais de mil anos de hegemonia da igreja católica no
continente europeu, o cristianismo ainda não havia conseguido suplantar totalmente
concepções religiosas mais antigas. Escreve Minois: “Algumas dezenas de milhares de pessoas que vivem ao longo de anos fora
do enquadramento religioso provam que é preciso seriamente rever a imagem de
uma Idade Média unanimemente cristã e crente. Jean Delumeau demonstrou já
amplamente a parte de lenda que se prende com a expressão ‘Idade Média cristã’:
esta religião, cheia de superstições, magia, astrologia, restos de crenças
pagãs, que tem realmente a ver com a ‘mensagem evangélica?’”
Não
são poucos os autores que colocam em dúvida esta generalização, praticada principalmente
pelos potentados religiosos da época medieval – com o provável objetivo de afirmarem
a hegemonia da Igreja – e mais tarde tida como fato pelos historiadores a
partir do século XVIII; a de que o cristianismo estava firmado como crença
religiosa entre o povo medieval. Hoje, estudos mais acurados demonstram que
isto efetivamente não foi o caso.
No
decorrer do século XIX, apesar da derrota militar de Napoleão (1815), os paradigmas
do Iluminismo foram gradualmente incorporados pelas nações ocidentais – o próprio
conceito moderno de Estado é fruto de princípios gestados durante este período. O
desenvolvimento do capitalismo mercantil (sécs. XVI – XVIII) e, mais tarde, do
capitalismo industrial (séc. XIX) – este último baseado nos fortes avanços da
tecnologia no final do século XVIII – ajudaram a difundir ainda mais o espírito
iluminista, caracterizado por uma visão de mundo baseada na ciência. A religião
perde sua forte influência sobre as massas, sendo suplantada pela atividade
política, com o surgimento de partidos, das ideologias políticas e dos
nacionalismos.
Da
mesma forma que o cristianismo católico não conseguiu hegemonia na Europa
medieval, o iluminismo também não foi capaz de predominar completamente no mundo
moderno – nem mesmo nas regiões que mais sofreram a influência da cultura europeia,
sejam a própria Europa e as Américas. Apesar de estarem na origem dos avanços
da ciência, dos direitos que se tornaram o fundamento da maioria das
constituições ocidentais, da educação, da cultura e da prática política, os
ideais do iluminismo ainda não impregnaram totalmente as sociedades modernas
ocidentais.
No
Brasil tais reações podem em grande parte ser explicadas pela fraca instrução básica,
ausência de cultura científica, falta de raciocínio lógico e senso crítico – itens
básicos de uma educação alicerçada nos conceitos do iluminismo. Já é
comum que nas redes sociais alguém critique o “exagero das notícias sobre os
mortos com a Covid”. Lê-se frases como: “A imprensa só fala nos quase 200 mil
mortos, mas nada comenta sobre os mais de 6,8 milhões de doentes recuperados.” Dado
o absurdo de tal afirmação, caberia responder no mesmo tom de non sense: “Realmente, também com
relação à Segunda Grande Guerra, só falam dos cerca 70 milhões de mortos, sem
mencionar que quase 2,3 bilhões de pessoas em todo o mundo sobreviveram ao
conflito!”
Labels: Autores, Cultura, Filósofos, Gestão Pública, Sociologia
Leituras diárias
sexta-feira, 1 de janeiro de 2021
“Durante
as últimas décadas, contudo, as ciências biológicas chegaram à conclusão de que
a história liberal é pura mitologia. O único e autêntico ‘eu’ é tão real quanto a alma eterna cristã, Papai Noel e o
Coelhinho da Páscoa. Se você olhar profundamente para dentro de si mesmo, a
aparente unidade que consideramos óbvia se dissolve numa cacofonia de vozes
conflitantes, nenhuma das quais é meu verdadeiro ‘eu’. Humanos não são in-divíduos. Eles são ‘divíduos’” (Harari,
pág. 294)
Yuval
Noah Harari, Homo Deus – Uma breve
história do amanhã
Leituras diárias
quinta-feira, 31 de dezembro de 2020
“É
por isso que a teoria da evolução não pode aceitar o conceito de alma, se por ‘alma’
entendemos algo tão indivisível, imutável e potencialmente eterno. Tal entidade
não poderia resultar de uma evolução passo a passo. A seleção natural pode
produzir um olho humano porque os olhos têm partes. Mas a alma não. Se a alma
do Sapiens evoluísse passo a passo a
partir da alma do Erectus, quais
exatamente seriam esses passos? Há alguma parte da alma que é mais desenvolvida
no Sapiens do que no Erectus? Mas a alma não tem partes.”
(Harari, pág. 112)
Yuval
Noah Harari, Homo Deus – Uma breve
história do amanhã
Leituras diárias
quarta-feira, 30 de dezembro de 2020
“Em
décadas recentes, cientistas das biociências demonstraram que emoções não são
algum fenômeno espiritual misterioso que é útil somente para quem escreve
poesias e compõe sinfonias. Sim, emoções são algoritmos bioquímicos vitais para
a sobrevivência e a reprodução de todos os mamíferos. O que se quer dizer com
isso? Bem, comecemos por explicar o que é o algoritmo. Esse conceito é de
grande importância não apenas porque vai reaparecer em muitos dos capítulos
seguintes, mas também porque o século XXI será dominado por algoritmos.”
(Harari, pág. 91)
“Um
algoritmo é um conjunto metódico de passos que pode ser usado na realização de
cálculos, na resolução de problemas e na tomada de decisões.” (Harari, pág. 91)
Yuval
Noah Harari, Homo Deus – Uma breve
história do amanhã
RECICLAGEM
segunda-feira, 28 de dezembro de 2020Na perspectiva do paradoxo (V) - Rumos da cultura
sábado, 26 de dezembro de 2020"Paradoxos - Por que é que ministros tão surdos aos interesses dos cidadãos concedem tantas audiências?" - Millôr Fernandes - A Bíblia do caos
Os
perfis dos administradores públicos envolvidos com a cultura, revelam os rumos
que o setor deverá tomar nos próximos períodos – pelo menos durante o atual
governo.
Artigo 215 da Constituição do Brasil:
“O Estado garantirá a todos o pleno
exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional e
apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais.”
“Ao meu lado aqui o Roberto Alvim, o nosso Secretário de Cultura. Depois décadas, agora temos, sim, um secretário de cultura de verdade, que atende o interesse da maioria da população brasileira, uma população conservadora e cristã.”
Presidente
Jair Bolsonaro em 16/01/2020 em live no Facebook
(Em
17/01/2020 o então secretário nacional da Cultura, Roberto Rego Pinheiro, conhecido
como Roberto Alvim, foi exonerado do cargo, por ter feito um discurso no qual
sou frases semelhantes às usadas por Joseph Goebbels, ministro da propaganda de
Aldolf Hitler)
“A arte brasileira da próxima década será heroica e será nacional, será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional e será igualmente imperativa, posto que profundamente vinculada às aspirações urgentes do nosso povo – ou então não será nada.”
Pronunciamento
do então secretário Roberto Alvim, em 16/01/2020
“Gente, vamos embora, né, vamos embora pra frente, ‘prá frente Brasil, salve a Seleção; de repente é aquela corrente pra frente.’ Não era bom quando a gente cantava isso?”
“Bom, mas sempre houve tortura. Meu Deus do
céu... Stálin, quantas mortes? Hitler, quantas mortes? Se a gente for ficar
arrastando estas mortes, trazendo este cemitério... Não quero arrastar um
cemitério de mortes nas minhas costas e não desejo isso pra ninguém. Eu sou
leve, sabe, eu tô viva, estamos vivos, vamos ficar vivos. Por que olhar pra trás?
Não vive quem fica arrastando cordéis e caixões.”
Regina
Duarte, então Secretária da Cultura, em entrevista à CNN em 7/05/2020
“Cultura é aquele pum produzido com talco
espirrado do traseiro do palhaço”
Regina
Duarte, então Secretária da Cultura, em 14/03/2020
Sobre os clássicos da MPB: “Aberrações sonoras que eu não tenho nem coragem de chamar de música.”
Sobre a Terra plana: “Prove que a Terra é uma
bola de água giratória. Aposto que vai adiar essa prova ad eternum e citar como
fonte inquestionável o estudo fotográfico da NASA, que tem sim ótimos
desenhistas, alguns inclusive que já revelaram as fraudes praticadas por lá.”
Sobre
agentes soviéticos: “A União Soviética
levou agentes infiltrados para os Estados Unidos para realizar experimentos com
certos discos realizados inclusive para crianças.”
Sobre
o aborto e John Lennon: “A indústria do
aborto por sua vez alimenta uma coisa muito mais pesada que é o satanismo. O
próprio John Lennon disse abertamente, mais de uma vez, que ele fez um pacto
com o diabo, com o satanás para ter fama, sucesso.”
Dante
Mantovani ex-presidente (por duas vezes) da Funarte – Fundação Nacional de
Artes, em declarações diversas
(A
Funarte já teve cinco presidentes em menos de dois anos de governo. Luciano da
Silva Querido foi sucedido – duas vezes – por Dante Mantovani, que foi sucedido
por Miguel Proença e por Lamartine Barbosa Holanda, presidente atual)
“No Brasil de hoje Zumbi seria um bandido ou defensor de bandido, integrante do MST.”
“A escravidão era um negócio lucrativo
tanto para os africanos que escravizavam, quanto para os europeus que
traficavam escravos. A diferença é que os europeus não escravizam mais. Já os
africanos...”
“A escravidão foi terrível, mas benéfica
para os descendentes.”
“Não há salvação para o movimento negro.
Precisa ser extinto! Fortalecê-lo é fortalecer a esquerda!”
Sérgio
Camargo, presidente da Fundação Palmares, em declarações diversas
“Nunca houve nesse país um homem como Jair Messias Bolsonaro. A partir dele teremos orgulho de chamar de Pátria Amada Brasil. Não uma ‘republiqueta de bananas’.”
“Pro Jair, cara, o que ele precisar eu
tô aqui.”
“Muita gente acha que 'Malhação' só revela atores, mas ali tem formação de diretores, equipe de áudio [...] Tenho 13 anos de TV Globo, é uma escola, é um padrão. Basta para que você olhe uma imagem e aquilo te constranja: 'pô, tá errado'. É um senso crítico que te desenvolve."
“Tudo
que eu faço pode ter certeza que estou em comunhão com meu presidente."
Mario Frias, secretário especial de Cultura
(Imagens: Jean-Michel Basquiat)
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FELIZ NATAL
sexta-feira, 25 de dezembro de 2020Leituras diárias
quinta-feira, 24 de dezembro de 2020
“Quantos
homens, outrora célebres, foram devorados pelo esquecimento! E quantos já
desapareceram, dos que os celebravam!
Marco
Aurélio, Meditações
Leituras diárias
quarta-feira, 23 de dezembro de 2020
“Veja
a oração dos atenienses: ‘Faze chover, faze chover, bom Júpiter, nos campos e
prados dos atenienses!’ Ou não se reze, ou dessa forma se reze, com nobreza e
simplicidade.”
Marco
Aurélio, Meditações
Livro, o melhor presente!
segunda-feira, 21 de dezembro de 2020Vacina obrigatória?
sábado, 19 de dezembro de 2020O
Brasil já passou por poucas e boas, como diriam nossos avós, com relação à sindemia
da Covid-19. O termo “sindemia”, criado pelo antropólogo Merril Singer nos anos
1990, foi retomado recentemente pela prestigiosa revista científica The Lancet, com o argumento de que a
pandemia, além dos impactos na saúde das pessoas, também tem efeitos sobre a
economia, o meio ambiente, as relações sociais e muitas outras áreas. Nós, por
aqui, já escutamos muitos relatos, em sua maioria falsos, sobre a sindemia da
Covid-19. Foi dito que se tratava apenas de uma gripezinha; que afetaria poucas
pessoas; que existiriam drogas baratas e de fácil acesso (hidroxicloroquina e
ivermectina) para combater a doença; que o vírus fora criado na China, com
objetivo de destruir a civilização cristã ocidental; que era preciso que
deixássemos de ser maricas em relação à doença; que um plano de vacinação
estava em gestação, e assim ad nauseam.
Além dessas informações, vários outros boatos, por vezes maldosos, tiraram a serenidade
da população. Muitos, ante o desencontro das notícias, ficaram completamente
confusos, sem saber como agir, esperando uma orientação firme, clara e
convincente – que não veio. Se o povo tivesse sido melhor esclarecido, talvez
não chegássemos às mais de 180 mil mortes.
O
segundo capítulo desta história está se desenrolado agora: a questão da vacina.
Quais imunizações estão sendo aprovadas; quais foram compradas pelo ministério
da Saúde; quando o plano de vacinação estará definitivamente elaborado; quando
começará a vacinação? Na população, em grande parte como resultado das
campanhas de fake news disseminadas
nas bolhas das redes sociais, e da
falta de informação e clareza por parte do governo, aparece outra (falsa) discussão:
a vacina deve ou não ser obrigatória?
Para
indivíduos de bom senso, a resposta seria clara: “Sendo ou não obrigatória, a
vacina será tomada por todos, a fim de desacelerar a pandemia de covid 19,
reduzindo as mortes e internações, para que a sociedade brasileira possa
gradualmente retomar suas atividades normais.” Esta deveria ser a reação de
pessoas sensatas e racionais, que reconhecem a gravidade da sindemia.
O
número de pessoas que são contra a obrigatoriedade da vacina sob pretexto da
defesa da “liberdade individual”, está, ao que parece, diminuindo. Apesar
disso, ainda é grande o número daqueles que – seja por que motivo for – dizem
que não pretendem tomar a vacina. Não farei aqui, como outros já fizeram,
comentários sobre a idade mental desses indivíduos; deixemos isto de lado.
É
evidente que a liberdade individual não é absoluta para quem vive em sociedade.
A questão da liberdade só não se coloca para alguém que, como Robinson Crusoé,
viva completamente isolado. Neste caso, não faz o menor sentido falar em
liberdade; não há necessidade. Liberdade em relação a quem ou o a quê? No
famoso romance homônimo de Daniel Defoe, até a chegada do nativo batizado de
“Sexta-Feira”, Robinson vivia sozinho; agia absolutamente de acordo com sua
vontade, que era sua lei.
Assim,
só faz sentido falar em liberdade quando se vive junto com outras pessoas,
sujeito a regras e leis – o que é o caso de 99,9% da humanidade. A exceção
talvez sejam Rômulo e Remo, os irmãos da obra Eneida do poeta romano Virgílio, dos quais o primeiro foi o
fundador de Roma, que foram criados por uma loba. Também poderíamos incluir
nesta curta lista o jovem Kaspar Hauser (1812-1833), que dizia ter crescido em
uma masmorra, sem contato com humanos. Afora estes personagens míticos e
misteriosos e alguns outros relatos de outras partes do globo, parece que a
maioria de nós nasceu, cresceu e vive em sociedade.
Os
contratualistas como filósofos Hobbes e Locke, situam o origem do Estado num
acordo feito entre os homens de um passado remoto. Para assegurar sua
segurança, contando com a proteção do chefe, do rei ou de um governante do
Estado, os homens abriram mão de parte da liberdade da qual gozavam, quando
estavam sem governo (em estado selvagem, de liberdade total). Assim, em troca
de proteção contra inimigos externos, contra ataques de vizinhos, os homens
dispuseram-se a seguir certos regulamentos, certas leis – o que significava
abrir mão de parte de sua liberdade. Não se sabe se a história humana
transcorreu exatamente desta forma, mas fica evidente que, a partir do momento
em que os homens decidem viver em grupos cada vez maiores, precisam abrir mão
de parte de sua autonomia. A independência da qual desfrutavam grupos nômades
de caçadores do Paleolítico e do Mesolítico, sem dúvida era muito maior daquela
dos primeiros agricultores sumérios do Neolítico. Todavia, gradualmente, ao se
formarem as aldeias com sua infraestrutura, seus grupos de defesa e seus
estoques comunitários de alimentos, a renúncia à parte da liberdade terá valido
a pena para a sobrevivência destas primeiras sociedades, sujeitas a rudimentos
de leis ou acordos de convivência.
Receber
os benefícios, mas não fazer os sacrifícios? Em sociedade teocráticas – muitos
grupos antivacina têm forte orientação religiosa – a desobediência às normas do
Estado significa uma desobediência às leis da religião. Paradoxalmente, tal
tipo de revolta contra a vacina só é possível em um Estado laico e não
“terrivelmente cristão”.
O
impasse está colocado. A questão será, sem dúvida, resolvida de forma
democrática. Mas é possível que em diversos lugares as próprias instituições cuidem
do caso à sua forma, colocando barreiras aos não vacinados. Países instituirão barreiras
sanitárias, empresas podem exigir que seus funcionários sejam todos vacinados;
o mesmo valendo para cinemas, teatros, clubes, academias de ginástica, eventos,
museus e outros locais de grande frequência de público. De uma forma ou de
outra, a solução virá, já que quanto mais demorar para que se alcance um número
ideal de imunizados – a imunidade de rebanho – mais tempo se estenderá a
sindemia, com todas as suas implicações.
Mais uma pergunta que me ocorre agora, ao final do
texto. Não sendo obrigatória a vacina, ocorrerá que muitas pessoas não a
tomarão, alegando motivos diversos, frutos da ignorância e falta de informação
e outros baseados em ideologias extremistas. O jornal Folha de São Paulo
informa que cerca de 20% dos brasileiros afirmam que não querem ser imunizados.
Neste caso, o que ocorrerá se alguém que ainda não pôde tomar a vacina, for
comprovadamente infectado por alguém que se negou a tomá-la? Quem será responsabilizado?
O Estado, que facultou a cada um a escolha de tomar a vacina ou não, colocando
assim parte da população em risco? Ou, como geralmente acontece, o ônus recairá
sobre o cidadão?
(Imagens: pinturas de Phillip Bauknecht)
Labels: Antropologia, Assim se vive no Brasil, Cultura, Filósofos, Política, Sociologia
Leituras diárias
sexta-feira, 18 de dezembro de 2020
“Repara
este autor ser bastante conhecida a opinião emitida em carta pelo Padre Manoel
da Nóbrega, em janeiro de 1550, quando, ao referir-se à catequese, afirmava a
respeito dos selvagens: talvez por medo
se converterão mais depressa do que o não farão por amor.” (Barros, pág. 131)
Gilberto
Leite de Barros, A cidade e o planalto –
processo de dominância da cidade de São Paulo, vol. 1
Leituras diárias
quinta-feira, 17 de dezembro de 2020
“Em
decorrência conclui-se, que em nenhuma parte do Brasil colonial a ação dos
religiosos foi tão tenaz como no planalto, máxime junto à vila de São Paulo de
Piratininga. É suficiente lerem-se documentos coevos para se verificar que o
jesuíta esteve sempre intrometido com aldeamentos nos perímetros urbanos ou
suburbanos dos municípios principais de São Vicente." (Barros, pág. 125)
Gilberto
Leite de Barros, A cidade e o planalto –
processo de dominância da cidade de São Paulo, vol. 1
Leituras diárias
quarta-feira, 16 de dezembro de 2020
“O
espírito do povo no Brasil colonial, resumia-se na conformação e na falta de
curiosidade. Não se encontrava, de nenhuma maneira, no Brasil de então, o
pequeno burguês semi independente de ideias, inteligentinho, cheio de
iniciativas, tipo comum na América Inglesa da época. Os calvinistas e os ‘quakers’
eram homens habituados a duvidar, a discutir, a expender ideias próprias, ainda
que errôneas. (Barros, pág. 64)
Gilberto
Leite de Barros, A cidade e o planalto –
processo de dominância da cidade de São Paulo, vol. 1
NÃO ÀS ARMAS!
segunda-feira, 14 de dezembro de 2020Notas rápidas (homenagem a C. G. Lichtenberg)
sábado, 12 de dezembro de 2020A pandemia nas letras e na realidade
Todo
acontecimento digno de nota em uma sociedade é tema para os historiadores. A
partir de um fato como um crime político, uma guerra, uma reforma econômica,
uma epidemia ou um acidente de grandes proporções, o estudioso procura-lhe as
causas e consequências. Analisa suas implicações em outros fatos, os
envolvidos, descobrindo e esclarecendo intenções e interesses de pessoas e
grupos, por trás do ocorrido. O fato é apresentado dentro de um ambiente social,
político e econômico, específico de um determinado momento da história, o que
permite entendermos sua origem e desenvolvimento.
Foi
assim que os historiadores, sociólogos e escritores estudaram as epidemias e as
pandemias ocorridas ao longo da história da humanidade, principalmente no
Ocidente a partir da Idade Média, dada a dificuldade de se obter informações
sobre tais acontecimentos em outras partes do globo. Baseados nas informações
obtidas de diversas fontes sobre estes surtos de doenças, suas origens e
consequências econômicas, sociais, políticas e culturais, os autores
construíram relatos, verdadeiros ou fictícios, descrevendo como sociedades e
pessoas reagiram a estas ameaças.
Assim,
são numerosos as publicações tratando do tema, nas listas dos livros mais lidos
e nos novos lançamentos. Textos abordando o surto de sarampo entre os índios
americanos e sobre a peste bubônica em uma aldeia da Toscana, ambos ambientados
no século XVII; outra obra estudando a origem da malária na África; os quase
100 milhões de mortos com a Gripe Espanhola entre 1918/1919; e a disseminação
da febre amarela nos Estados Unidos em meados do séculos XIX. Todos livros em
inglês, ainda não disponíveis no Brasil. Em todos os mais importantes sites de
literatura americanos, encontra-se uma lista dos sete ou dez mais importantes
livros sobre epidemias a ler durante a quarentena – apesar da crise econômica
também afetar os Estados Unidos, o americano médio ainda tem condições de
manter um relativo isolamento e ainda sobra dinheiro e tempo para os livros.
Aqui
no Brasil os sites especializados em literatura indicam, por exemplo, O Diário do Ano da Peste de Daniel Defoe
(1660-1731), novela que retrata a peste bubônica que assolou a cidade de
Londres de 1665 a 1666, matando um quarto da população, e o romance A Peste do escritor e filósofo Albert
Camus. Gabriel García Márquez, com seu O
Amor nos Tempos de Cólera e o Ensaio
sobre a Cegueira de José Saramago também são lembrados. Com uma pesquisa na
internet é possível encontrar diversos livros que tratam das epidemias sob
aspectos históricos, científicos e literários. A rede também dispõe de uma
série de textos informativos – de nível jornalístico e científico –, com
informações e conhecimento detalhados a respeitos da pandemia que afeta o mundo
e o Brasil.
Informação e conhecimento são importantes em momentos históricos como o que vivemos. Capacitam a população a entender o fato; suas origens e as consequências que terão para a vida individual e da sociedade. Permitem compreender como chegamos às condições históricas nas quais nos encontramos – o aqui e o agora – e o que é necessário fazer para que possamos avançar.
(Imagem: gravura retratando C. G. Lichtenberg)
Leituras diárias
sexta-feira, 11 de dezembro de 2020
inteligentes
o bastante para entender a existência das questões, mas não o suficiente para
chegar a resolvê-las o orgulho dos filósofos, ou pelo menos da maioria, leva-os
a sustentar que a razão é suficiente para tudo, para conduzir o pensamento ao
verdadeiro ou governar a vida, acabar com os percursos sem rumo, apagar os incêndios
de todos os desregramentos, o que, no fim das contas, não passa de uma loucura
a mais, pois a verdade também gera paixões que cegam mais que esclarecem” (Droit,
pág. 54)
Roger-Paul
Droit, Se só me restasse uma hora de vida





































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