Leituras diárias

segunda-feira, 18 de outubro de 2021

 


“Evidentemente, a física moderna afirma que as correntes (de água) são compostas de átomos, que por sua vez são compostos de ‘partículas elementares’, tais como elétrons, prótons, nêutrons, etc. Mas, por um bom tempo, achava-se que esses últimos eram a ‘substância final’ de toda a realidade, e que todos os movimentos fluindo, tais como os dos rios, devem ser reduzidos a formas abstratas das movimentações através do espaço de grupos de partículas interagindo. Entretanto, foi descoberto que mesmo as ‘partículas elementares’ podem ser criadas, aniquiladas e transformadas, e isso indica que nem mesmo elas podem ser substâncias finais; ao contrário, elas também são formas relativamente constantes, abstraídas de algum nível mais profundo de movimento.” (Bohm, pág. 62)

 

David Bohm, Totalidade e a ordem implicada


Mudanças climáticas e algo mais

sábado, 16 de outubro de 2021

 

"O segredo do demagogo é se fazer passar por tão estúpido quanto sua plateia, para que esta imagine ser tão esperta quanto ele."   -   Karl Kraus   -   Citado por Ruy Castro em Mau humor - Uma antologia definitiva de frases venenosas


Entre 31 de outubro e 12 de novembro próximos ocorrerá a COP 26, realizada em Glasgow, na Escócia. A Conferência das Partes (COP) é um encontro anual que congrega 197 países, com o objetivo de discutir as mudanças climáticas e acordar medidas para combatê-las. As reuniões da COP foram estabelecidas em 1994, como um apêndice à Convenção-Quadros da Nações Unidas sobre Mudança do Clima (United Nations Climate Change Framework Convention – UNFCC) e sua primeira reunião ocorreu em Berlim, em 1995. Desde então, os países vêm se reunindo anualmente para discutir providências, no sentido de que se diminuam as emissões de gases de efeito estufa, resultantes das atividades econômicas. A temperatura média do planeta já subiu 1,2º C desde o início da industrialização no século XVIII, continua aumentando e espera-se conservá-la abaixo de um aumento de 2º C, preferencialmente em torno de 1,5º C.

Os progressos feitos durante todos estes anos não foram muito grandes. Em diversas fases das negociações houve resistência de governos, de grandes grupos econômicos afetados pela necessidade de redução de emissões, de think tanks e ONGs, defendendo interesses de empresas ou associações. Atualmente, se bem que bastante reduzidos devido às evidências factuais e científicas, ainda existem grupos de pressão – notadamente nos Estados Unidos – e governos – caso do atual governo brasileiro – que colocam em dúvida as mudanças climáticas ou sua origem antrópica.

Os avanços que podem ser considerados como positivos, ocorreram principalmente na União Europeia, que até antes do governo Biden, nos Estados Unidos, tem sido a principal impulsionadora de medidas concretas, como aprovação de leis e normas técnicas, que visam diminuir a emissão de gases. Uso de energias renováveis, redução na geração de resíduos e gradual substituição da gasolina e do diesel nos veículos, são as principais áreas onde os governos europeus estão atuando. A China, atualmente o segundo maior emissor de gases, depois dos Estados Unidos, acordou para o problema da poluição atmosférica, por constantemente enfrentar altos níveis de contaminação em suas grandes cidades.

Os Estados Unidos, tradicionalmente, sempre se empenharam com as causas ambientais e de conservação da natureza. Foram o primeiro país a criar parques nacionais, desenvolveram e investiram em energia eólica antes da maioria dos países e criaram a energia solar fotovoltaica. Os americanos também foram os primeiros a organizarem movimentos ambientalistas, que através de sua pressão sobre o congresso daquele país conseguiram aprovar as primeiras leis sobre poluição atmosférica. Todavia, por sua posição crítica em relações aos organismos internacionais – ONU (Organização das Nações Unidas), OMS (Organização Mundial de Saúde), entre outros –, ciosos de sua autonomia no plano internacional, o governo e o congresso americanos sempre foram reticentes em aderirem ao Acordo Climático. Tanto, que seu último presidente, Donald Trump, saiu do acordo firmado na COP 21 em Paris. O atual dirigente americano, Joe Biden, voltou a incluir seu país no acordo. 


No que se refere às ações efetivas que ocorrem no plano das reduções de emissões, temos aproximadamente o seguinte quadro. Por um lado, publicam-se constantemente novos e mais acurados relatórios de cientistas e instituições internacionais alertando sobre os já perceptíveis efeitos das mudanças climáticas, como aumento da frequência e do volume de chuvas e nevascas, a maior incidências de estiagens, tornados e furacões. Por outro, persiste a imobilidade da maioria dos governos dos países não europeus, em dar início a programas de redução de emissões. Na maioria dos casos, especialmente nos países em desenvolvimento, trata-se, sobretudo, de falta de recursos financeiros e de conhecimento técnico para implantação de iniciativas concretas. Todavia, as elites de tais países, os latifundiários, os industriais e os políticos, também exercem considerável pressão, no sentido de barrar a aprovação de marcos legais que visem reduzir emissões, por representarem custo adicional nas atividades econômicas deste grupos.

Ao mesmo tempo, aumentaram consideravelmente nos últimos dez anos os projetos para o uso de energias renováveis em todo o planeta. A economia de escala e a pesquisa tecnológica, permitiram que o custo dos equipamentos para geração de energia solar fotovoltaica, tivessem uma redução em seu custo de quase 90% entre 2010 e 2020. No setor da energia eólica, o desenvolvimento da tecnologia, da engenharia financeira dos projetos e a escala de produção, também possibilitaram uma importante redução dos custos de implantação de projetos nos últimos dez anos. No Brasil, o setor de energia eólica já é responsável por cerca de 10% da energia da matriz energética, devendo chegar a 16% em 2026.

As maiores setores geradores de gases de efeito estufa são o de geração de energia, atividades agrícolas e a indústria. O setor de energia, que também inclui os transportes e a geração de calor, é responsável por cerca de 73% das emissões mundiais. Nos países do hemisfério Norte, a maior parte da eletricidade é produzida por usinas acionadas a carvão mineral, óleo combustível e gás natural; todos combustíveis geradores de gases de efeito estufa, principalmente o carvão. Além disso, em todo planeta rodam mais de 1,215 bilhão de veículos, entre automóveis, comerciais leves e veículos pesados. Além desses, há centenas de milhões de motocicletas e dezenas de milhares de aviões e navios de diversos portes.

A agropecuária é responsável por cerca de 12% das emissões de gases, principalmente por causa da fermentação entérica; o processo digestivo que ocorre em animais ruminantes, como gado, ovelhas e cabras. Além disso, o estrume deixado pelos animais no campo também é gerador do óxido nitroso, um gás de efeito estufa maior que o gás carbônico. O uso de fertilizantes e o cultivo de arroz, também contribuem para a formação de gases poluidores, da mesma forma como a derrubada e a queima de florestas, para início das atividades agrícolas.

O quadro geral do planeta em relação às mudanças climática, segundo os cientistas, é preocupante. No entanto, parece que o que diz a ciência e o que mostram os eventos climáticos – enchentes, secas, nevascas, aumento do nível dos mares, derretimento de geleiras – não está preocupando em demasia os principais agentes envolvidos com o problema: governos e empresas. Se os países desenvolvidos e industrializados procuram, de diversas formas, diminuir as emissões de suas atividades econômicas, nos países em desenvolvimento estas iniciativas são quase inexistentes. Exemplo disso, é a atuação na área ambiental do atual governo brasileiro. Desmantelou o órgão ambiental federal, flexibilizou leis e diminuiu a fiscalização ambiental em todas as áreas.


Mas o problema ambiental do planeta não se resume às emissões atmosféricas. A maior dificuldade a ser enfrentada pela civilização planetária nas próximas décadas, tem a ver com os rumos a serem dados ao nosso modo de produção, o capitalismo. Este sobrevive através da expansão; criação ou conquista de novos mercados, tendo como base a produção de mercadorias. No entanto, é conceito cada vez mais corrente nos estudos econômicos, que toda a atividade econômica humana ocorre dentro de um sistema mais abrangente, a natureza. Os recursos utilizados para manter a expansão do capitalismo, a energia e as matérias primas mais variadas, são limitados; alguns mais e outros menos. Sabemos também que diversos recursos naturais estão começando a rarear e que não podem ser substituídos por outros. Por outro lado, nenhuma matéria prima ou produto é reciclado em cem por cento, havendo sempre uma perda a cada ciclo de reciclagem. Assim, a tendência é que aos poucos comecem a faltar certas matérias primas básicas, insubstituíveis. Estaremos com isso correndo o risco de paralisarmos definitivamente este sistema econômico, por falta de insumos? Será este o fim do capitalismo como o conhecemos?


(Imagens: pinturas de Susan Weiss Rose)

LEIA!

sexta-feira, 15 de outubro de 2021

 


Moto Perpétuo - Matinal

quarta-feira, 13 de outubro de 2021

 As melhores bandas de rock de todos os tempos 


Moto Perpétuo

Album: Moto Perpétuo (1974)

Música: Matinal



https://www.youtube.com/watch?v=gxBLb4dvJVc


Moto Perpétuo foi uma banda brasileira de rock progressivo e MPB que esteve em atividade de 1973 até 1975. O grupo ficou conhecido por ter revelado o cantorcompositor e pianista brasileiro Guilherme Arantes. Lançaram um único álbum autointitulado que, após sucessivos relançamentos nas décadas seguintes, tornou-se um clássico cult.

Em 1970, Guilherme Arantes foi assistir a peça Plug, produzida pelo seu primo Solano Ribeiro no Teatro Ruth Escobar e conheceu Diógenes Burani. Em pouco tempo, Guilherme (teclados), Diógenes (bateria e percussão) e Rodolfo Grani Júnior (baixo) estariam acompanhando Jorge Mautner em shows por São Paulo. Quando entrou na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, Guilherme conheceu outro músico: Cláudio Lucci. Quando Guilherme apresentou seus dois amigos - Diógenes e Cláudio - um ao outro, os três resolveram montar uma banda. Diógenes, por sua vez, tinha participado de um "embrião" do grupo que Rita Lee tentava montar com sua amiga Lucinha Turnbull, após a saída da primeira dos Mutantes, que se chamava Cilibrinas do Éden. Deste projeto, Diógenes havia conhecido Gerson Tatini (baixo) e Egídio Conde (guitarra), sugerindo seus nomes a Guilherme e Cláudio.  

Após um tempo da formação do grupo, chamam a atenção de Moracy do Valjornalista e produtor do álbum de estreia dos Secos & Molhados que começa a trabalhar na promoção da banda, conseguindo um contrato com a gravadora GEL para o lançamento de um álbum de estúdio pelo selo Continental - mesma gravadora do grupo de Ney MatogrossoJoão Ricardo e Gérson Conrad. Assim, em setembro e outubro de 1974 gravam - no Estúdio Sonima, em São Paulo - o seu álbum de estreia, Moto Perpétuo, produzido por Pena Schmidt e lançado em 11 de novembro de 1974 com uma apresentação no Theatro Treze de Maio. Alguns meses mais tarde, o grupo acabaria por divergências internas, com Guilherme Arantes querendo se afastar daquela sonoridade progressiva que ele considerava "elitista".

O álbum "Moto Perpétuo" é um dos mais bem produzidos álbuns do rock progressivo brasileiro. Vale a pena escutar todo o álbum!


(Fonte do texto: Wikipedia e autor)

Leituras diárias

segunda-feira, 11 de outubro de 2021

 


“O hospital, em sua concepção moderna uma inovação social do Iluminismo do século XVIII, tem tido maior impacto na assistência médica do que muitos avanços em medicina. A administração, isto é, o ‘conhecimento útil’ que permite ao homem pela primeira vez, converter indivíduos produtivos, com habilidades e conhecimentos diferentes trabalhando juntos, em uma ‘organização’, é uma inovação deste século. Ela transformou a sociedade moderna em algo bem novo, alguma coisa, por sinal, para a qual não temos sequer uma teoria política ou social: uma sociedade de organizações.” (Drucker, pág. 41)

 

Peter Drucker, Inovação e espírito empreendedor

Ouse saber!

sábado, 9 de outubro de 2021

Faça download de clássicos da filosofia no blog do Prof. Dr. Marcos Fábio A. Nicolau (UVA), "que visa disponibilizar material didático on line das atividades docentes no semestre [aulas, cursos, oficinas, grupos de pesquisa], assim como a produção acadêmica [publicações, artigos, comunicações e palestras]"

Veja no link abaixo:

https://marcosfabionuva.wordpress.com/textos-classicos-da-filosofia/


Leituras diárias

sexta-feira, 8 de outubro de 2021

 


“Qual é a agenda da nova direita? Na verdade, se a observarmos, ela é velha até cair de podre. No século XIII, os nominalistas separaram linguagem e mundo. E a teoria averroísta da dupla verdade cindiu religião e ciência. Mais tarde, Maquiavel sacralizou a ruptura entre moral e política. A nova direita, em seus surtos de integrismo católico ou de fundamentalismo evangélico, reconecta em uma mesma massa conceitual religião, natureza, ciência, política e moral. É, portanto, pré-nominalista e pré-maquiavélica.

No século XVIII, Kant fez a crítica do realismo metafísico, pois tudo o que existe, existe na mente. A nova direita afirma Deus, o mundo e as religiões como realidades. É portanto pré-kantiana. Antes do criticismo kantiano, Descartes fizera crítica da autoridade e da tradição, pois nenhuma delas pode fornecer fundamento aos nossos juízos. O que a nova direita mais ama além de tradição e autoridade? A nova direita é, portanto, pré-cartesiana e pré-racionalista.

Nos séculos XIX e XX, a psicanálise inseriu a sexualidade no âmago da atividade simbólica. Separou, radicalmente, sexo e gênero, anatomia e desejo. À medida que é sexista e naturalista, a nova direita é pré-freudiana. Quando fala em raças, a nova direita também é pré-darwinista, pois não compreendeu ainda a teoria da evolução das espécies feita pelo acaso e não por qualidades inerentes aos seres vivos. Por fim, quando defende valores universais, a nova direita demonstra que luta contra Marx sem ter compreendido sequer uma linha de Marx. Luta contra um fantasma. Agora que todo valor é um valor particular universalizado.”

 

Rodrigo Petronio, professor, escritor e filósofo, em O complexo de Bacamarte, publicado na revista Filosofia Ciência & Vida nº 146


FIQUE DE OLHO TAMBÉM!

quinta-feira, 7 de outubro de 2021

 

Terreno Baldio - Primavera

quarta-feira, 6 de outubro de 2021

 As melhores bandas de rock de todos os tempos 


Terreno Baldio

Album: Além das lendas brasileiras (1977)

Música: Primavera 



https://www.youtube.com/watch?v=1eVorI6ZQvQ


Em 1973, João Kurk (vocais e flauta), Roberto Lazzarini (teclado) e Joaquim Correia (bateria) - ex companheiros de Islanders (cover de bandas de sucesso - 1966/1971), convidam Mozart Mello (guitarra) e João Ascenção (baixo) para formarem o Terreno Baldio, grupo de progressivo com forte inspiração na banda inglesa Gentle Giant.

Sua primeira apresentação notável ocorreu na noite de 28 de agosto de 1974, numa estrutura geodésica montada no Parque do Ibirapuera, especialmente para o evento "Festival do Cometa", que reuniu várias bandas de rock, entre elas a Jazzco. Em 1975, gravam o primeiro LP - Terreno Baldio, lançado pelo selo Pirata no ano seguinte, com prensagem de apenas 3.000 cópias.

Nesse mesmo ano, participam do festival Banana Progressiva, ocorrido no Teatro da GV, em São Paulo. O evento procurou apresentaro o que havia de progressivo na música brasileira como os grupos Vímana, Os Bolhas, O Terço, O Som Nosso de Cada Dia e Apocalypsis entremeados de outros grupos instrumentais e de vanguarda; tais como Hermeto Paschoal e grupo, Jazzco, A Barca do Sol - incluisive conta com a presença de Erasmo Carlos & Cia Paulista de Rock. Por essa época, a fitas-master de registro do primeiro álbum extraviam-se, inviabilizando novas tiragens.

O ecletismo sonoro da banda funde elementos eruditos aos jazzísticos e a ritmos e harmonias extraído da música popular e regional brasileira; tais como xaxado, baião, incluindo instrumentos de percussão típicos do nosso folclore. Os elementos poético remetem-se a temas daquele período e citam a liberdade, em oposição ao regime militar, a solidão e a poluição em alusão à vida em grandes cidades, como São Paulo.

No próximo registro, Além das Lendas Brasileiras - 1978, o tema conceitual do álbum foi encomendado pela gravadora (Continental/Warner) ao fechar contrato com o grupo. Naquele momento, Ascenção já havia sido substituído po Rodolfo Braga (ex-Joelho de Porco) no contrabaixo (início de 76). O novo repertório incluiu, além de temas do folclore nacional, a canção Passaredo, de Francis Hime e Chico Buarque, num arranjo original - tema vinculado à preservação da natureza. Ao final de 1979, o grupo dissolve-se em função do declínio do progressivo junto às mídias (...) 


Fonte:  last.fm 

(https://www.last.fm/pt/music/Terreno+Baldio/+wiki)

Leituras diárias

segunda-feira, 4 de outubro de 2021

 



“No fundo, somos algo que não deveria existir: por isso, cessamos de existir. Na verdade, o egoísmo consiste no fato de que o homem limita toda realidade à sua própria pessoa, imaginando que exista apenas ela, e não as outras. A morte lhe mostra que ele está enganado, na medida em que suprime essa pessoa, de maneira que a essência do homem, que é sua vontade, doravante continuará a existir somente em outros indivíduos.” (Schopenhauer, pág. 28)

 

Arthur Schopenhauer, Sobre a morte – Pensamentos e conclusões sobre as últimas coisas

A "melhor idade"?

sábado, 2 de outubro de 2021

 
"É sábio ser cético sobre qualquer religião que diz não estar interessada em poder político. Dadas as circunstâncias propícias, a maioria das religiões não poderá resistir à tentação."   - Darrel W. Ray   -   O vírus de Deus - Como a religião infecta nossas vidas e nossa cultura    


Comemorou-se ontem, 1 de outubro de 2021, O Dia Nacional do Idoso e o Dia Internacional da Terceira Idade. A data foi criada em 1991 pela Organização da Nações Unidas (ONU), a fim de conscientizar as comunidades humanas da importância das pessoas idosas na estrutura social, e proporcionar aos anciãos uma vida mais proveitosa. Em dezembro de 2020 a Assembleia Geral da ONU declarou o período de 2021 até 2030 como a Década do Envelhecimento Saudável (https://www.paho.org/pt/noticias/14-12-2020-assembleia-geral-da-onu-declara-2021-2030-como-decada-do-envelhecimento). No Brasil, a data comemorativa foi instituída em 2006, durante o governo de Luís Inácio Lula da Silva.  

Tecnicamente a Organização Mundial de Saúde (OMS) classifica como idosos as pessoas com mais de 65 anos de idade nas nações desenvolvidas e acima de 60 anos nos países em desenvolvimento. No Brasil atualmente cerca de 15% da população – aproximadamente 31 milhões de pessoas – situam-se na categoria de idosos. A principal lei que rege sobre o tema é a Lei nº 10.741, o Estatuto do Idoso, aprovado em 1 de outubro de 2003 (http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/l10.741.htm.). Em seu Artigo Segundo, o texto do documento legal define:

Art. 2º: O idoso goza de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei, assegurando-se lhe, por lei ou por outros meios, todas as oportunidades e facilidades, para preservação de sua saúde física e mental e seu aperfeiçoamento moral, intelectual, espiritual e social, em condições de liberdade e dignidade.” 

No Artigo Terceiro o Estatuto estabelece que cabe à família, à comunidade, à sociedade e ao Poder Público garantir ao idoso, com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária. Ao idoso, segundo os termos da lei, ainda são assegurados outros direitos, como proteção contra negligência, discriminação e violência (Art. 4º); proteção da vida, pelo Estado (Art. 9º); atenção integral à saúde, através do Sistema Único de Saúde (SUS) (Art. 15); direito à educação, cultura, lazer, diversões, etc. (Art. 20º); direito ao exercício de atividade profissional (Art. 26º), entre outros. Recomendo a todos os idosos, ou àqueles que os tenham na família ou no círculo de amigos, que consultem a referida lei, para que possam conhecer melhor o Estatuto do Idoso. A conscientização do cidadão é fator importante para aumentar o grau de cidadania da população. Por isso, vale a pena conhecer os diversos Estatutos em vigor no Brasil – ao todo são 21 – tratando de variados temas de interesse (https://pt.wikipedia.org/wiki/Estatuto).  

Se a lei estabelece diversos direitos para as pessoas idosas, seja de acordo com as diretrizes dos órgãos internacionais nos quais o Brasil participa (ONU, OMS), ou através de legislação específica criada no país (Estatuto do Idoso), a situação real da maioria dos idosos no Brasil ainda deixa muito a desejar. A condição dos velhos, no acesso aos benefícios e direitos estabelecidos por lei, depende em grande parte de sua situação social; da classe econômica à que pertencem.

Enquanto que sêniores dos cerca de 20% mais ricos da população dispõem de recursos médicos, alimentação, moradia, lazer e outras vantagens, 80% dos restantes dos idosos brasileiros sobrevivem nas mesmas condições difíceis em que sempre viveram – ou, às vezes, em situações piores. Isto porque o valor médio das aposentadorias pagas no Brasil é baixo, (em novembro de 2020 o valor médio mensal do benefício pago pelo INSS era de R$ 1.349,05), em relação ao custo de vida no país. No entanto, as alterações nas aposentadorias de funcionários do setor privado e público, excluindo os militares, introduzidas pela Reforma da Previdência votada em 2020, deverá diminuir ainda mais os valores dos benefícios pagos pelo Estado brasileiro no futuro.    

Chamam a atenção as imagens de idosos de países europeus, viajando pelo mundo. A maioria recebe uma aposentadoria compatível com os antigos ganhos, quando ainda exerciam uma profissão. Também dispõem de assistência médica de qualidade fornecida pelo Estado, além de outros benefícios, facilitando o acesso à cultura e ao lazer. O Brasil, apesar de ser uma das maiores economias do mundo, com um considerável número de cidadãos milionários ou bilionários, não consegue oferecer estes benefícios a seus cidadãos. Novamente, assim como em várias outras áreas, as vantagens de uma sociedade econômica, social e culturalmente desenvolvida, ficam limitadas a uma parcela diminuta da população. No Brasil, cerca de 70% da população não possui planos de saúde privada, dependendo do SUS, e menos de 10% da população tem algum plano de previdência privada.

Voltamos novamente ao assunto que já abordamos por várias vezes em nossos artigos neste blog. Enquanto não se criarem condições de igualdade para todos, a começar por uma alimentação, assistência e educação de boa qualidade na fase da infância e juventude – pública, onde estudam os filhos do empresário e do empregado, como ocorre nas nações desenvolvidas – não poderá haver uma mudança nas condições socioeconômicas da maior parte da população. Esta assimetria social tem influências em todos os outros aspectos da sociedade: acesso a empregos melhor remunerados, cargos políticos, benefícios de diversos tipos, incluindo aposentadoria, assistência médica e vida mais digna na velhice (na “melhor idade”, eufemismo criado para escamotear uma realidade muitas vezes sórdida e cruel).

O Brasil, no entanto, sempre caminhou em direção contrária, comandado pelos grupos que dominam desde sempre a economia e, consequentemente a política. A própria estrutura do Estado é formada de modo a atender aos interesses apenas destes grupos e daqueles diretamente ligados a eles, as (cada vez menores) classes médias. 

A grande massa da população sempre teve que se contentar com as migalhas: a fila da vaga de emprego, a fila do SUS, a fila do auxílio emergencial, a fila do seguro-desemprego, a fila da distribuição de comida, etc., etc... Assim, o Dia do Idoso é apenas mais uma data comemorativa para celebrar um ideal, o qual ainda estamos muito longe de alcançar – pelo menos pela maior parte da população.     

 

 (Imagens: pinturas de Jyoti Bhatt)

ACORDE!

sexta-feira, 1 de outubro de 2021

 


Grand Funk Railroad - People let's stop the war

quarta-feira, 29 de setembro de 2021

 As melhores bandas de rock de todos os tempos 


Grand Funk Railroad

Album: E pluribus funk (1972)

Música: People let's stop the war



https://www.youtube.com/watch?v=oIHyQ5HNiqE&list=PLdgFk-dTMiRifWtuCwCZMdD1P6Tx6DWPG&index=2


O grupo Grand Funk Railroad nasceu em 1964, na cidade de Flint, Michigan, Estados Unidos, quando quatro amigos se juntaram para formar uma banda. Seu nome original era Jazzmasters e não tocavam jazz como o nome sugere, "mestres do Jazz", mas faziam um rock'n roll tão alto quanto seus amplificadores podiam suportar. Era formado por: Mark Farner, guitarra e vocal; Don Brewer, bateria e vocal; Craig Frost, órgão e piano e Mel Schacher, baixo elétrico.

Dois fatores foram claramente favoráveis ao sucesso do Grand Funk Railroad: sua participação no Festival de Altamont e, em termos de mercado musical, a separação dos Beatles, que acabou gerando novas oportunidades nas gravadoras, sequiosas para investir nas bandas promissoras, pois haviam testemunhado níveis nunca antes alcançados de lucro com os Beatles.


(Fonte do texto: Wikipedia) 

Leituras diárias

segunda-feira, 27 de setembro de 2021

 


“(...) A filosofia é uma via por meio da qual o eu pensante perde os privilégios a ele outrora concedidos de ter ascendência sobre o mundo, de controla-lo e dominá-lo, curvando-se aos seus fins. A filosofia é uma espécie de caminho ascético de autossuperação e representa o momento preliminar que serve para se transportar além do eu. O uso desse tipo de eu transcendente kantiano em um sentido que remete ao budismo, ainda que em maneira um pouco genérica, passa através da rejeição das formulações opostas da substância e da função e visa afirmar uma dimensão de verdadeira subjetividade que é decididamente não kantiana.” (Cestari, pág. 69)

 

Matteo Cestari, Além da metafísica do conceito? Nada e negação na lógica do lugar em O Nada absoluto e a superação do niilismo: Os fundamentos filosóficos da Escola de Kyoto


Os grandes temas históricos do início do século XXI

sábado, 25 de setembro de 2021

"Os fatos só têm significado quando o historiador recorre a eles: é o historiador quem determina a que fato dará a palavra e em que sequência ou contexto."   -   Edward H. Carr   -   O que é história?    


A história da humanidade, incluindo a pré-história, sempre foi o relato de mudanças de todo tipo. Nenhum período na cronologia humana é igual ao outro. Sempre houve e haverá um fato inédito, ocorrendo a cada novo dia – uma complicada equação que finalmente é resolvida por um estudante, provocando uma revolução na ciência, um terremoto que ocorre em algum lugar da Ásia, ou a contaminação de aldeões africanos por um vírus ainda desconhecido. Até em nossa vida individual essa ideia de constante modificação está implícita: “nada como um dia depois do outro”, significando uma mudança de uma situação – ou, pelo menos, a expectativa disto.

Os historiadores do futuro muito provavelmente lembrarão das duas primeiras décadas do século XXI, como significativas na história humana moderna ou pós-moderna (seja lá o nome que darão ao período que vivemos). Mesmo para nós, leigos, contemporâneos deste período, é fácil apontar os três principais acontecimentos deste época: o ataque terrorista ao World Trade Center de Nova York, em setembro de 2001; a crise econômica, também conhecida como a “crise dos subprimes”, que começou 2008; e a sindemia da Covid-19, iniciada em 2019. Até o dia em que estamos escrevendo este artigo, 7 de maio de 2021, o mundo ainda está sob os efeito das guerras no Oriente Médio e da instabilidade política provocada pelos “ataques de 11 de setembro”, como são chamados pelo povo americano. Os países ainda se ressentem também do colapso econômico de 2008 e permanecem enredados em todas as consequências sanitárias, econômicas, políticas e culturais da disseminação do vírus.

Dirá o futuro a que outros acontecimentos na história da humanidade, estes três eventos – o primeiro, de características políticas, o outro, de origem econômica e o terceiro iniciado por uma crise sanitária – poderão ser comparados. Fatos que abalaram não apenas um país ou região do planeta, mas todas as nações; dependendo da maneira como cada Estado encontra-se inserido na comunidade mundial. É certo que já atualmente os historiadores e outros especialistas estão estudando o inter-relacionamento entre estes três acontecimentos históricos; suas origens no passado, a maneira como se influenciaram, e, como juntos, influirão nos próximos 10, 50 ou 100 anos da história humana.

O registro da história, ensinam os próprios especialistas, é dinâmico e depende do ponto de vista e das condições históricas daqueles que a estão registrando. Muito provavelmente, os escribas do império asteca no México dos séculos XV e XVI, se os houve, escreveram a história daquele período de maneira bem diferente, daquela que nos foi relatada pelos letrados espanhóis daquele período. Enquanto que para a história da cultura ocidental, a “conquista” ou invasão do México foi uma etapa na história do império espanhol ou da expansão europeia, para os astecas e outros povos de seu império, foi o final de sua organização social, política, econômica, de sua cultura, enfim, de sua civilização. Comparativamente, seria a dominação de nossa civilização planetária por alienígenas, que nos matassem, roubassem nossas riquezas, eliminassem nossa cultura e nos impusessem suas crenças. Ao longo dos séculos seríamos incorporados por essa cultura alienígena, nos transformando em apenas mais um povo que, privado de suas tradições, formaria mais uma etnia (ou espécie), inserida em um império que dominasse nosso canto da via Láctea.

Mencionaremos ainda outro acontecimento – o qual, aliás, já vem ocorrendo há décadas – que sob uma perspectiva histórica, será considerado muito importante pelos futuros estudiosos. Trata-se da questão ambiental. Há tanto tempo vimos degradando o meio ambiente, nos adaptando às condições de uma natureza cada vez mais descaracterizada, sem sentirmos as consequências de nossas ações? A espécie humana vem alterando seu ambiente, aqui e ali, cada civilização e cultura em seu local de florescimento, praticamente desde que inventamos a agricultura, há cerca de dez mil anos. No período Paleolítico e no Neolítico, grupos humanos talvez chegaram a eliminar espécies através do excesso de caça, mas, desde que praticam a agricultura, as comunidades humanas afetam áreas cada vez maiores e aumentam consideravelmente em número de indivíduos. Assim, durante milhares de anos, nossos antepassados vêm derrubando florestas, construindo canais, aterrando pântanos, cada vez mais ocupando áreas virgens com a agricultura.

O grande salto qualitativo veio com a industrialização (a partir do final do século XVIII) e suas consequências, na forma como os humanos passaram a se apropriar dos recursos naturais. Nos últimos 50 anos o ritmo de expansão das atividades humanas – agricultura, pesca, indústria, urbanização e crescimento populacional – vem se acelerando ainda mais, com sua correspondente degradação da natureza. As decorrências desta deterioração já são perceptíveis, mas ainda encaradas como “fatos naturais”, “fatos sem importância” ou “inevitáveis consequências do progresso”, pela maior parte da população do planeta. Cientistas nos alertam sobre as lentas, graduais, mas inexoráveis mudanças que estamos provocando na natureza. Escassez de água potável, contaminação de solos, rareamento de matérias primas, diminuição de terras agricultáveis, poluição do ar, redução de florestas naturais, poluição dos oceanos. Além disso, estamos extinguindo milhares de espécies vivas a cada década; elos de ligação no complexo ecossistema da vida na Terra, os quais, uma vez rompidos, farão todo o sistema gradativamente desabar, não sem antes provocar uma sequência de crises econômicas de menor ou maior impacto.   Em todo este processo, muito provavelmente, surgirão novas pandemias provocadas por vírus ou bactérias, desalojadas de seu habitat natural pelas atividades humanas. 

As maiores mudanças na área ambiental ocorrerão durante este século, segundo vários cientistas. Ou mudamos a maneira como vivemos no planeta, ou seja, a maneira como a economia funciona, ou sofreremos os efeitos cada vez mais graves de nossas ações, dificultando em muito a sobrevivência de nossa espécie. Comparada ao “11 de setembro”, à “crise dos subprimes” ou à “sindemia da Covid”, a crise ambiental terá consequência mais demoradas, mais impactantes e, talvez, irreversíveis. A maneira como nossa civilização aprendeu (ou não) a lidar com os escassos recursos naturais, talvez será o mais importante tema histórico do século XXI para os historiadores do futuro.  


(Imagens: arte de Lygia Pape)    

Rush - Lakeside Park

quarta-feira, 22 de setembro de 2021

 As melhores bandas de rock de todos os tempos 


Rush

Album: Caress of steel (1975)

Música: Lakeside park 



https://www.youtube.com/watch?v=O5_rwkCGKN4


Rush foi uma banda canadense de rock formada em agosto de 1968 na cidade de TorontoOntário. A banda era composta pelo baixistatecladista e vocalista principal Geddy Lee, pelo guitarrista e backing vocal Alex Lifeson e pelo bateristapercussionista e letrista Neil Peart. A formação original da banda passou por algumas modificações entre 1968 e 1974, alcançando sua formação definitiva com Peart em julho de 1974, duas semanas antes da primeira turnê nos Estados Unidos, devido a problemas de saúde de John Rutsey, antigo baterista da banda.

Desde o lançamento do seu álbum de estreia em março de 1974, Rush tornou-se conhecido pelas habilidades instrumentais de seus membros, composições complexas e letras ecléticas, que abordam pesadamente a ficção-científicafantasia e filosofia, dirigindo-se a assuntos humanitários, sociais, emocionais, e ambientais. Musicalmente, o estilo evoluiu ao longo dos anos, iniciando-se na inspiração do blues no rock em seus primeiros álbuns e, em seguida passando por fases em que predominaram as influências do hard rockrock progressivo e sintetizadores. A banda e sua musicalidade têm sido citadas como influência por vários artistas musicais, incluindo Metallica, The Smashing Pumpkins e Primus, bem como as bandas de metal progressivo como Dream Theater e Symphony X.

A banda ganhou um número considerável de Juno Awards, e foi adicionada ao Canadian Music Hall of Fame em 1994. Ao longo de sua carreira, os membros foram reconhecidos como sendo alguns dos melhores em seus respectivos instrumentos, com cada membro ganhando vários prêmios em diversas publicações especializadas. A banda terminou a turnê mundial que promoveu o seu álbum Snakes & Arrows em 2007 e a Time Machine Tour em 2011, turnê na qual tocaram o álbum Moving Pictures inteiro e estiveram no Brasil. Em julho de 2012, a banda lançou o seu mais recente álbum, chamado Clockwork Angels, que recebeu aclamação mundial de críticos e fãs. Clockwork Angels Tour, sua mais recente turnê, começou no dia 7 de setembro de 2012, e o seu setlist foi surpreendente. A novidade foi a execução de muitas músicas dos álbuns Power Windows e Clockwork Angels. Em dezembro de 2012 foi anunciado que a banda seria induzida ao Rock and Roll Hall of Fame.


(Fonte do texto: Wikipedia) 

Leituras diárias

segunda-feira, 20 de setembro de 2021

 



“Mestre Graça não teve o que merecia da vida. Sendo um escritor de primeira ordem, um clássico da sua língua, um mestre da arte de escrever, ocupou sempre posições inferiores a seus dons de estilista e criador. Os homens do seu tempo não lhe deram a situação social que o grande homem realmente merecia.” (Villaça, pág. 14)

 

Antonio Carlos Villaça, Encontros – Graciliano Ramos

Escrever um ensaio de filosofia

sábado, 18 de setembro de 2021

Faça download do texto Como se escreve um ensaio de filosofia de James Pryor, da Universidade de Princeton, publicado em Crítica na Rede (https://criticanarede.com/):

https://filosofia.ufsc.br/files/2013/04/JamesPryor.pdf

AGORA!

sexta-feira, 17 de setembro de 2021

 


Steppenwolf - The pusher

quarta-feira, 15 de setembro de 2021

 As melhores bandas de rock de todos os tempos 


Steppenwolf

Album: Steppenwolf (1968)

Música: The pusher



https://www.youtube.com/watch?v=Np7x0KgLet0


Steppenwolf é uma banda de rock americana formada em São Francisco em 1967 por antigos membros da banda canadense The Sparrows. O nome da banda Steppenwolf foi influenciado pelo nome do livro O Lobo da Estepe (do original Der Steppenwolf), escrito por Hermann Hesse. A formação inicial da banda contava com três ex-membros do The Sparrows −o vocalista John Kay, o tecladista Goldy McJohn e o baterista Jerry Edmonton−, além do guitarrista Michael Monarch e do baixista Rushton Moreve.

O grupo foi o intérprete de um dos maiores hinos do rock'n'roll, dos motociclistas de todo o mundo, e de uma atitude durante aquele período musical "Born to Be Wild", a canção de maior sucesso da banda, que foi usada como tema do filme Sem Destino (Easy Rider).

Born to be Wild também recebe o crédito com a frase, "heavy metal thunder", contido no segundo verso da terceira estrofe da letra do clássico, o qual serviria mais tarde para denominar o estilo heavy metal. A canção foi escrita por Mars Bonfire (Dennis Edmonton), antigo membro da Sparrow e irmão de Jerry, baterista da banda. Esta foi a primeira menção do termo heavy metal associado com a música rock.


(Fonte do texto: Wikipedia) 


Leituras diárias

segunda-feira, 13 de setembro de 2021

 


“A falência da tradição cartesiana e o absurdo de supor que há dois tipos de substâncias ou propriedades no mundo, ‘mental’ e ‘física’, são tão ameaçadores para nós e têm uma história tão execrável que relutamos em admitir qualquer coisa que possa cheirar a cartesianismo.” (Searle, pág. 23)

 

John R. Searle, A descoberta da mente


Produtos ecologicamente corretos

sábado, 11 de setembro de 2021

 

"Duas coisas bem opostas nos predispõem igualmente: o hábito e a novidade."   -   La Bruyère   -   Caracteres  

De tempos em tempos aparecem novas pesquisas sobre os hábitos de consumo dos brasileiros. Na maior parte destas enquetes conclui-se que os consumidores são em grande parte conscientes, preferindo comprar produtos que sejam menos prejudiciais ao meio ambiente, mesmo sendo mais caros. Pessoalmente, sempre duvidei dos resultados deste tipo de pesquisa, já que na prática diária vemos que não é isto que acontece. Além disso, essas pesquisas por vezes interpretam os dados de forma capciosa, colocando diferentes produtos, de diferentes classificações – ecológicos, verdes e sustentáveis – todos na categoria de “produtos verdes.” Assim, de alguma forma as pesquisas, muitas delas encomendadas por grandes empresas, dão a entender que significativa parte do compradores está relativamente conscientizada em relação à sustentabilidade.

Procura-se assim sugerir que efetivamente a economia está se tornando mais sustentável, que os consumidores estão comprando mais produtos “verdes”, e que as empresas – principalmente aquelas que apoiam este tipo de pesquisa – estão contribuindo para tal avanço.  (Muito provavelmente com o intuito de melhorarem sua imagem perante os consumidores). Fato é que ainda existe muito desconhecimento por parte dos consumidores, em relação ao que sejam produtos sustentáveis.

Também há que se levar em conta que o cidadão brasileiro, comparado ao europeu ou americano, tem renda muito baixa – ainda mais nos últimos anos, quando o país está sendo afetado por uma (aparentemente) insuperável crise da economia. Para cerca de 15 milhões de desempregados, 33 milhões de subutilizados e 6 milhões de desalentados – 54 milhões de pessoas ou 25% da população brasileira – a maior preocupação é sobreviver, comprando os produtos mais baratos, sustentáveis ou não. Além disso, há o fato de que a maior parte dos produtos de consumo - pelo menos nos últimos cinco anos - tornou-se tão cara, que ultrapassa os preços dos mesmos produtos vendidos na Europa ou nos Estados Unidos. Já é comum, estrangeiros virem para cá, ou mesmo brasileiros voltarem ao Brasil, comentando que o custo dos produtos de consumo em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, são mais altos do que em Nova York, Londres ou Berlim. Sendo assim, é pouco provável que o cidadão comum – não me refiro às elites abonadas – vá gastar mais dinheiro com produtos verdes, que via de regra são ainda mais custosos do que os comuns. 

Pouco informado e com poucos recursos, o consumidor se confunde mais ainda com a rotulagem incorreta de muitas embalagens, que com afirmações dúbias podem induzir o comprador a pensar que se trata de um produto sustentável, quando na realidade não é. Para este tipo de conduta, segundo os especialistas da área, ainda não há nenhum tipo de punição. Para colocar um pouco de coerência no processo, a agência de controle ambiental do Estado de São Paulo (CETESB), a Associação Brasileira de Embalagem (ABRE) e o Centro de Tecnologia de Embalagem do Instituto de Tecnologia de Alimentos da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo (CETEA/ITAL) elaboraram uma apostila com recomendações, a fim de orientar as empresas com relação às embalagens, no que se refere à questão da sustentabilidade do produto. (https://www.cetesb.sp.gov.br/media/embalagem_sustentabilidade.pdf).

Estes fatos também foram confirmados pela pesquisa "Sustentabilidade: Aqui e Agora", realizada em 2010 – portanto ainda antes do início da crise econômica – contratada pelo Ministério do Meio Ambiente e pela empresa Wal-mart (atualmente BIG). A análise foi realizada pela empresa Synovate, e tinha como objetivo principal esclarecer os hábitos dos consumidores brasileiros, em relação ao consumo verde e aos problemas ambientais. Responderam à enquete 1,1 mil pessoas de 11 capitais e apesar do tempo decorrido, os resultados não devem ter mudado significativamente.              

A primeira constatação da pesquisa foi que 74% das pessoas entrevistadas declararam estar motivadas para comprar produtos ambientalmente corretos. O fator limitante, no entanto, seria o custo do produto, o que fez com que 93% das pessoas não estivessem dispostas a gastar mais dinheiro em um eletrodoméstico econômico, por exemplo. O mesmo ocorria com o item alimentação, para o qual 91% dos entrevistados afirmaram que não gastariam mais por um alimento cultivado sem produtos químicos, e apenas 27% haviam comprado produtos orgânicos nos últimos 12 meses anteriores à pesquisa. Estes percentuais, dada a pior situação econômica do país atualmente, podem ser ainda menores, agora em 2021.    

Com relação aos resíduos, 53% não fazem qualquer tipo de separação do lixo, mas 66% aceitariam reciclar mais. A pesquisa também identificou grande desconhecimento com relação à maneira correta de descartar determinado tipo de resíduos: 70% dos consumidores jogam baterias e pilhas no lixo comum; 39% descartam óleo de fritura na pia da cozinha. Aqui também os números não devem ter melhorado, já que a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), implantada em 2010, quase não avançou nestes últimos dez anos. Na área do transporte, ainda segundo a pesquisa, é baixo o percentual de cidadãos que estavam dispostos a abrir mão do veículo particular em benefício do transporte público. Esta situação deve persistir ainda hoje, dada a presença da epidemia da Covid-19 e o perigo de contaminação pelo vírus no transporte público.

Uma outra pesquisa realizada pela empresa Mercado Livre entre junho de 2019 e maio de 2020 mostra que aumentou a procura por produtos sustentáveis. Durante o período observado cresceu muito a procura por tal tipo de mercadoria, chegando a 1,4 milhões de consumidores segundo a Mercado Livre. Novamente, cabe apontar que a maior parte dos consumidores que faz uso do comércio eletrônico situa-se nas classes A e B, que atualmente perfazem cerca de 14% da população. (Classe A: renda acima de 20 salários mínimos; classe B: entre 10 e 20 salários mínimos; classe C: R$ 2.238,00 a R$ 4.206,00; Classe D: R$ 981,00 a R$ 1.585,00 – dados de abril de 2021). Com isso, por terem um poder aquisitivo e geralmente nível educacional mais altos, estes consumidores costumam dar preferência a produtos sustentáveis. 

Os dados coletados em um estudo realizado pelo Instituto Akatu em 2018, também indicam isso. A pesquisa (www.akatu.org.br/pesquisa-akatu2018/) pesquisou hábitos dos consumidores brasileiros, utilizando como base de avaliação 13 práticas tidas como sustentáveis. A investigação procurou determinar o número de práticas sustentáveis de cada pessoa, para depois incluí-la em categorias de comportamento sustentável. Os critérios de avaliação do estudo foram:

  1. Ler o rótulo dos produtos as serem adquiridos;
  2. Pedir a Nota Fiscal da compra;
  3. Fazer a separação do lixo na residência, mesmo na falta de coleta seletiva;
  4. Usar o verso das folhas para fazer anotações;
  5. Fechar a torneira, enquanto escova os dentes;
  6. Esperar os alimentos esfriarem, antes de colocá-los na geladeira;
  7. Não deixar lâmpadas acesas em cômodos vazios;
  8. Desligar aparelhos eletrônicos sem uso;
  9. Divulgar suas ações e seus sucessos no uso sustentável de recursos, entre conhecidos;
  10. Planejar as compras de alimentos;
  11. Planejar a compra de roupas;
  12. Comprar produtos de materiais reciclados;
  13. Comprar alimentos orgânicos.

Na pesquisa os entrevistados também foram classificados em quatro categorias:

a)   O indiferente, aquele que tem de 0 a 4 dos comportamentos listados acima;

b)    O iniciante, com 5 a 7 destas práticas;

c)    O engajado, com 8 a 10; e

d)   O consciente, com 11 a 13 dos comportamentos sustentáveis listados.

Os resultados da pesquisa, realizada através de entrevistas individuais com 1090 pessoas de todas as regiões do país, foi o seguinte: 38% dos entrevistas incluem-se na categoria dos indiferentes, 38% na dos iniciantes, 20% são engajados e 4% consumidores conscientes. Outros dados levantados pelo estudo indicam que, a grosso modo, os consumidores mais sustentáveis são aqueles com grau de instrução e renda mais altos, mulheres e pessoas acima de 60 anos.

A propaganda sobre a sustentabilidade de certos produtos é, geralmente, dirigida aos seus consumidores alvo. Em muitos casos, são pessoas com renda mais alta e todos os seus corolários. Por outro lado, constata-se que o mercado consumidor brasileiro ainda não está suficientemente evoluído em termos de conscientização ambiental, de modo que mesmo os fabricantes e comerciantes de produtos mais “populares” ainda não precisam focar na questão da sustentabilidade para realizar as vendas. O Estado, que deveria ser o indutor da melhoria do nível de conscientização ambiental da população através de seus diferentes aparelhos públicos (escolas, mídia, bibliotecas, atividades culturais, etc.), permanece inerte. Assim, a demanda por produtos, ideias e práticas mais sustentáveis fica de certo modo restrita àqueles que têm maior poder aquisitivo e conhecimentos. Como quase tudo no Brasil.


(Imagens: fotografias de Charles Marville)