Amazônia: riqueza em perigo

sábado, 25 de maio de 2013
"Todas as comunidades humanas percebem com rapidez, necessariamente, que os efeitos benéficos  do assassinato fundador não duram para sempre e se esforçam para renová-los imolando, no modelo desse assassinato, novas vítimas escolhidas deliberadamente para esse papel. A invenção do sacrifício ritual deve ser a primeira iniciativa propriamente humana, o ponto de partida da cultura religiosa, a única especificamente humana."  -  René Girard  -  O sacrifício

Três fatos aparentemente isolados, noticiados recentemente pela imprensa, chamam a atenção daqueles que acompanham as informações sobre a Amazônia. Apesar da grande extensão da região, reunindo diferentes tipos de biomas e ainda maior numero de ecossistemas, ainda são desencontradas as políticas ambiental e agrícola para a região.  
O primeiro fato refere-se a um estudo elaborado pelas universidades de Viçosa, do Pampa, de Minas e o Centro de Pesquisa Woods Hole dos Estados Unidos, sobre a relação entre o avanço da agropecuária sobre a floresta e a redução do regime de chuvas na região.Pesquisas realizadas indicam que existe uma simbiose entre a floresta e o clima da Amazônia e que o desmatamento provocará uma gradual redução no regime das chuvas já até 2050. Como consequência, prevê-se uma redução na produtividade das pastagens entre 30% e 34%. Outro aspecto, o aumento da temperatura decorrente da redução dos índices pluviométricos, provocará uma redução entre 24% a 28% no plantio de soja. A variação nos porcentuais se refere a dois cenários: aquele resultante do cumprimento da legislação e da forte atuação do governo protegendo a floresta; e o outro com desflorestamento acentuado, como ocorrido entre 2000 e 2004. As regiões mais afetadas por estas alterações climáticas - que ainda podem ser evitadas - são o leste do Pará e o norte do Mato Grosso.
A segunda notícia diz que a Comissão de Meio Ambiente do Senado aprovou projeto de lei que permite o plantio de cana-de-açúcar na Amazônia e no Cerrado, utilizando 20% da área da propriedade agrícola, conforme estabelecido no Código Florestal aprovado em 2012. Segundo o senador Acir Gurgacz (PDT-RO), relator do projeto, o País tem 64 milhões de hectares, ocupados pela pecuária de baixa produtividade e que poderão ser utilizados para o plantio da gramínea. A aprovação do marco legal causa certa surpresa, já que por anos governo e as associações de plantadores afirmaram que a cultura da cana não entraria na Amazônia, porque havia terras improdutivas e degradas suficientes em outras regiões. Com isso, o setor canavieiro volta a dar munição aos críticos estrangeiros - ONGs, jornalistas desinformados e grupos de interesse - que vinham afirmando que o Brasil estava desmatando a Amazônia para plantar cana-de-açúcar a fim de produzir etanol.
O terceiro fato diz respeito à descoberta de 15 novas espécies de aves na Amazônia, o maior achado da ornitologia brasileira nos últimos 140 anos. A identificação foi feita por cientistas brasileiros e americanos em áreas próximas de rios, no sul da Amazônia, em regiões dos estados do Amazonas, Pará, Acre, Mato Grosso e Rondônia. A identificação de tão grande numero de pássaros ainda desconhecidos da ciência é fato que ocorre muito raramente. Das 15 aves descobertas, 11 vivem exclusivamente no Brasil, sendo que quatro delas já são consideradas em situação vulnerável, correndo risco de extinção. Outro fato preocupante com relação a estes pássaros, é que vivem na região conhecida como "Arco do Desmatamento"; área de muitas queimadas e crescente atividade agrícola.
Três fatos aparentemente isolados. Todavia, quando analisados em conjunto, mostram-nos duas coisas: de um lado, uma imensa riqueza natural; de outro, a ausência de políticas de zoneamento e ocupação planejada da região. Ainda há tempo para evitar o pior, mas é preciso que os administradores responsáveis pela região comecem a tomar providências desde já. 
(Imagens: fotografias de Otto Steinert)

Aquecimento global cada vez mais real

sábado, 18 de maio de 2013
"Foi a partir daí que Lacan pôde afirmar um ateísmo do próprio cristianismo contra o paganismo, pela revelação final do Vazio criador, isto é, de uma criação a partir de um Nada de imaginável. Os sinificantes são criados ex nihilo, criados sem fim. Diz Lacan: 'Há uma mensagem ateia do próprio cristianismo. Por meio do cristianismo, diz Hegel, é que se completa a destruição dos deuses'."  -  Philippe Julien  -  A psicanálise e o religioso -  Freud, Jung, Lacan

Durante a primeira quinzena de maio de 2013 foi alcançada uma marca muito importante para a humanidade e para o planeta Terra. Segundo medições, o nível de dióxido de carbono (CO²) atingiu as 400 partes por milhão (ppm); o que significa que há 400 partes deste gás para cada milhão de partes de ar. As medições de CO² dissolvido na atmosfera terrestre começaram no fim da década de 1950, quando estavam em 315 ppm. Para se evitar o aumento do aquecimento global e das mudanças do clima, a ciência havia estabelecido o limite de 350 ppm.
Segundo a ciência, com relação ao clima, o último bilhão de anos da história do planeta pode ser dividido em dois períodos de aproximadamente 500 bilhões de anos. De um bilhão até 500 milhões de anos atrás, o planeta era muito frio, muito mais do que hoje. Neste período, segundo o geólogo Ernesto Lavina em entrevista para o jornal IHU online, "havia muitas geleiras espalhadas pelas latitudes médias e altas. Houve um momento, em torno de 640 milhões de anos atrás, em que toda a Terra se congelou, inclusive o Equador. É a teoria da Bola de Neve." Através do vulcanismo, com o lançamento de cinzas vulcânicas, CO² e vapor d´água para a atmosfera, o clima foi gradativamente se tornando mais quente, através do processo que hoje chamamos de efeito estufa. Ainda segundo Lavina, nos últimos 500 milhões de anos o clima do planeta foi na maior parte do tempo mais quente do que atualmente, não havendo gelo nos polos. Os períodos de polos congelados são raros; há 444 milhões de anos, há 300 milhões e no período atual, que teve início há cerca de 1,8 milhões de anos.
Tudo indica que devido às recentes condições climáticas do planeta associadas às atividades humanas, vivemos o período mais quente na história da Terra dos últimos 3,5 milhões de anos. Segundo o professor Brian Hoskins, diretor do Instituto Grantham para Mudanças do Clima do Imperial College de Londres, da última vez que a Terra estava tão quente não havia gelo permanente na Groenlândia e o nível dos mares era muito mais elevado. Já não restam mais dúvidas, portanto, de que a atmosfera está gradualmente se aquecendo por força do efeito estufa, ou seja, acúmulo de gases na atmosfera. O que não se sabe ainda é se este fenômeno pode ser creditado unicamente às atividades antrópicas (humanas).

O aquecimento do planeta deverá causar grandes impactos ao clima e ao tempo meteorológico. Onde existe abundância de chuva poderá ocorrer estiagem, alterando biomas e atividades econômicas; regiões frias se tornarão mais quentes; nível dos oceanos aumentará lentamente. O impacto destas mudanças provavelmente se manifestará em tempo perceptível no espaço de uma vida humana. Exemplo concreto disso é a diminuição da calota de gelo no Ártico, cujos primeiros sinais apareceram na década de 1970.
Enquanto o processo avança na natureza, a maior parte das pessoas, empresas e países está convencida de que a inventividade humana criará novas tecnologias, capazes de fazer frente ao desafio climático - o que é bastante provável. No entanto, ainda não conseguimos avaliar qual o custo a ser pago na realocação de cidades litorâneas e áreas de plantio inundadas; na reconstrução de portos, estradas e centrais elétricas. Além disso, desconhecemos o impacto social e econômico, resultante da migração de milhões de pessoas para outras regiões.  
(Imagens: fotografias de Herbert Bayer)

Aspectos sociológicos do capitalismo avançado

sábado, 11 de maio de 2013
"Um povo que concebe a vida exclusivamente como busca da felicidade só pode ser cronicamente infeliz"  -  Marshall Sahlins  -  Esperando Foucault, ainda

Foram várias as transformações econômicas, sociais, tecnológicas, culturais e políticas pelas quais vem passando a sociedade industrial ao longo das últimas décadas do século XX e início do século XXI. Um dos principais fatores de mudança – segundo pensadores cujas idéias serão descritas adiante – é a importância assumida pela informação e seu fluxo. Este talvez seja o aspecto que melhor poderia resumir a sociedade pós-industrial ou pós-moderna.
A primeira grande característica deste grande quadro de mudanças foi o desaparecimento da União Soviética e do mundo socialista, resultando na incorporação de mais países à economia de mercado. Tais fatos, aliados ao uso disseminado das novas tecnologias de informação, formaram a base do que depois se convencionou chamar de "sociedade pós-industrial", "sociedade do conhecimento", "sociedade em rede", "sociedade pós-moderna", entre outras denominações. O sociólogo americano, Francis Fukuyama (1952) em seu livro "O fim da história e o último homem" (1991) à época falava no “fim da história” – clara alusão ao fim do embate capitalismo versus socialismo, com a (aparente) vitória do sistema de livre mercado.
Na área da produção, por exemplo, deixa de vigorar o modelo taylorista-fordista; baseado na divisão de tarefas nos diversos níveis hierárquicos e na clara divisão entre planejamento e execução. Esta forma de organização fabril foi criada por F. W. Taylor (1856-1915) no início do século XX, nos Estados Unidos. Entre a Primeira e Segunda Guerra Mundial o conceito da linha de montagem foi adotado por parte das indústrias produtoras de bens de consumo e equipamentos – até porque o esforço de guerra exigia rápida reposição de produtos e equipamentos. A partir da década de 1950 a linha de produção teve grande expansão, sendo implantada tanto nas fábricas dos países fortemente industrializados, quanto nas nações que davam início a sua industrialização, como o Brasil. A partir da década de 1960 são incorporados mais desenvolvimentos tecnológicos, os quais a partir dos anos 1980 delinearão um novo tipo de indústria, baseada no paradigma informacional. Para este avanço contribuíram o desenvolvimento da tecnologia eletrônica, com a invenção do transistor e do circuito eletrônico miniaturizado (anos 1950) e do circuito lógico programável (anos 1980). As aplicações destes inventos às diversas atividades – telecomunicações, automação, mobilidade, segurança – foram variadas e levaram a um aumento da capacidade de produção e distribuição. Estas mesmas inovações possibilitaram o desenvolvimento de computadores, da automação industrial e bancária e da rede mundial de computadores e das redes sociais (com a internet versão 2.0). No entanto, com unidades de produção e comercialização automatizadas, diminuía a necessidade de mão de obra. A economia demandava um novo tipo de profissional; dotado de mais conhecimentos, flexível, capaz de trabalhar em equipe e tomar decisões. No mundo da administração o final dos anos 1980 e início dos 1990 é caracterizado pelas políticas do downsizing, da reengenharia e da normatização; que fizeram com que milhões de trabalhadores do sistema fordista-taylorista perdessem seus empregos.
Este, o quadro geral introdutório. Para efetuar a análise dos fatos que descrevemos nas linhas acima, fazemos referência à visão de três sociólogos, cuja interpretação da sociedade pós-capitalista resumiremos e comentaremos abaixo.
Adam Schaff (1913-2006), influente filósofo e sociólogo marxista polonês, foi membro do Partido Comunista Polonês e do Comitê Executivo do Clube de Roma. Em sua obra “A sociedade informática” (1985) o filósofo faz análises bastante acertadas, sobre como se desenvolveria a sociedade industrial poucos anos depois, apontando a rápida difusão da tecnologia da informática e, consequentemente, a diminuição dos postos de trabalho. Em outro trecho de seu livro, Schaff aponta as mais importantes áreas da revolução técnico-científica então em andamento: a microbiologia e a engenharia genética; a revolução técnico-industrial e a revolução energética. Efetivamente, foram estas tecnologias – amparadas pelo grande desenvolvimento da atividade agrícola (revolução verde, OGM), da medicina, da informática e da difusão das energias renováveis – que rapidamente se desenvolveram ao longo dos últimos 20 anos.
Schaff também faz referência aos aspectos humanos da nova sociedade: o papel do Estado, a questão da democracia e o papel do cidadão. Fato é que muitos autores marxistas tinham uma visão pessimista das novas tecnologias da informação, encarando-as como novo instrumento de dominação do homem. Se isto efetivamente ocorreu nos meios de produção, o mesmo não é válido para a circulação da informação (o mais importante elemento da sociedade pós-industrial). A posterior história mostrou que a informática e a internet contribuíram para colocar em cheque o poder de elites de diversos países, apoiando movimentos democráticos, como no caso da "Primavera Árabe".   
Outro autor a ser citado é o futurista e escritor Alvin Toffler (1928). Em seu livro “Powershift” (1990) Toffler anuncia o surgimento de uma nova economia baseada no conhecimento, na qual a produção de riquezas é totalmente dependente da comunicação instantânea e disseminação de dados e idéias. Assim como Schaff, Toffler (escrevendo em 1990, depois da Queda do Muro de Berlim) também aponta dois fatores influentes na economia: a automatização aliada à procura por trabalhadores treinados, com capacidades diversificadas. Convencido da importância do conhecimento e de sua comunicação, Toffler também alerta para o perigo da formação de elites com acesso quase exclusivo à informação e conhecimentos, provocando a divisão da sociedade em “inforricos” e “infopobres”.
Outro pensador de relevância na análise deste período é o sociólogo espanhol Manuel Castells (1942), autor de importante obra em três volumes "A sociedade em rede”. Em sua análise do novo quadro da sociedade industrial Castells apresenta quatro aspectos principais: 1) A importância da tecnologia da informação; 2) A substituição do conceito de "modo de produção" por "modo de desenvolvimento"; 3) A compreensão da importância do Estado como indutor do processo de desenvolvimento; e 4) A visão da sociedade informacional como uma sociedade em rede (conexões de todos os tipos). Neste contexto, a exemplo de Toffler, Castells considera a informação e sua comunicação como suportes do novo sistema de riqueza e poder, apontando cinco principais aspectos deste paradigma: a) A informação é a matéria prima principal, fazendo com que; b) As novas tecnologias se façam presentes em todas as atividades humanas; c) Organizadas na forma de redes; d) Provocando a flexibilidade na organização e reorganização de processos e organizações; e implicando na e) Crescente integração entre biologia e microeletrônica. Castells, talvez porque escreva em uma fase mais avançada da mudança social que ora analisamos, consegue apresentar uma visão mais ampla da sociedade pós-industrial, incorporando em sua análise todas as características apontadas por vários outros autores. 
Um fator de grande influência no desenvolvimento da sociedade pós-industrial é o tema do meio ambiente. A questão ambiental afetará tanto aspectos econômicos quanto sociais, tecnológicos e culturais da sociedade pós-industrial.
No capitalismo "turbinado" da sociedade pós-industrial as novas tecnologias (web, informática, automação, etc.) estão disponíveis para todos, não sendo mais vantagem competitiva. Os grandes fabricantes de produtos de consumo não ganham mais dinheiro com a valorização da qualidade de seus produtos, como no passado. Esta atualmente está acessível a todos os concorrentes com o uso da tecnologia. Hoje a taxa de lucro do fabricante depende de volumes vendidos. As vendas, por sua vez, dependem de design, propaganda, distribuição - basicamente do marketing. Para lucrar bastante, cabe aos fabricantes e distribuidores inundar o mundo com produtos de ciclo de vida curto, para forçar o consumidor a acelerar seu ritmo de consumo e assim aumentar a taxa de lucro das empresas.
Se o lucro está na quantidade, é necessário fabricar volumes cada vez maiores, aumentando o consumo de recursos (água, eletricidade, matérias primas). No entanto, o maior uso de insumos eleva o impacto ao meio ambiente: destroem-se mais recursos naturais (mineração, desmatamento para agricultura, uso de água, etc.) e geram-se mais resíduos (efluentes, poluição atmosférica, resíduos). Não existe processo produtivo sem geração de resíduos; a produção 100% eficiente é impossível.
Por um lado, parece que para sobreviver na forma atual, o capitalismo baseado no consumo de massa precisa continuar funcionando dentro da lógica que tem como conseqüência a depleção rápida dos recursos naturais. Por outro, sabe-se que estes são finitos e que já estão mostrando sinais de exaustão - falta de água em diversas regiões do planeta, aquecimento global, rareamento de certos metais, exaustão de solos para atividades agrícolas, entre outros.
A humanidade está perante um grande impasse envolvendo a reestruturação econômica, social, política e tecnológica; talvez o maior que já enfrentou. A população ainda apresenta um crescimento vegetativo considerável em algumas regiões, aumentando o numero de consumidores, pelo menos até a metade deste século, segundo especialistas. É fato que todos precisamos sobreviver, direta ou indiretamente dependentes de atividades produtivas. No entanto, o sistema de produção está organizado de forma a explorar os recursos naturais, utilizando-os em um ritmo mais rápido do que podem ser repostos pela natureza. Novas tecnologias não representam uma solução definitiva, já que a demanda crescente por recursos está na lógica do sistema. O que fazer?
Fontes pesquisadas:
O microchip, pequena invenção, grande revolução. Disponível em :
Adam Schaff: from semantics to political semiotics. Disponível em: 
O fim da história e o último homem. Disponível em:
A sociedade em rede. Disponível em:
Executive book report: Alvin Toffler Powershift. Disponível em:
Breve histórico do desenvolvimento das atividades econômicas e da destruição ambiental. Disponível em:
<http://ricardorose.blogspot.com.br/search/label/Meio%20Ambiente?updated-max=2010-10-14T12:53:00-07:00&max-results=20&start=85&by-date=false>. Acesso em 22/04/2014
Sociedade em rede e modo de desenvolvimento informacional: descrições sociológicas da sociedade contemporânea sob o capitalismo avançado. Disponível em
<http://devotuporanga.edunet.sp.gov.br/OFICINA/geografia-Sociedade_Rede_paradigma.pdf>. Acesso em 10/05/2013
(Imagens: fotografias de Roman Vishniac)

Mudanças climáticas e negócios

sábado, 4 de maio de 2013
"Governança diz respeito a como os hábitos culturais, as instituições políticas e o sistema econômico de uma sociedade podem se alinhar para gerar qualidade de vida desejada pela população."  -  Nicolas Berggruen e Nathan Gardels  -  Governança inteligente para o século XXI

Já se foi o tempo em que a preocupação ambiental era considerada apenas mais um modismo inventado nos países ricos. Também vai longe a época na qual bastava às empresas atender à legislação ambiental, o que nem sempre ocorria na prática. As condições de atuação das empresas mudaram: aumentou a pressão da lei, cresceu o senso crítico do consumidor e escasseiam os recursos naturais.  
A ONG Carbon Disclosure Project (CDP) atua a nível mundial, ajudando empresas a operarem de maneira mais sustentável, preservando os recursos e reduzindo a pegada de carbono; as emissões de gases que provocam as mudanças climáticas. Recentemente a CDP elaborou um estudo, procurando identificar a influência das mudanças climáticas na cadeia de produção de grandes empresas. A pesquisa foi realizada com 2.415 empreendimentos de todo o mundo, incluindo seus 2.363 fornecedores e 52 corporações com grande poder de compra, totalizando uma movimentação anual de aproximadamente US$ 1 trilhão (o PIB mundial em 2012 foi de aproximadamente US$ 77 trilhões). A parte brasileira da pesquisa, intitulada "CDP Supply Chain Brazil 2012-2013" (Cadeia de Suprimentos Brasil 2012-2013) foi elaborada com as respostas de 202 fornecedores de sete grandes compradores: AES Eletropaulo, Bradesco, Braskem, Fibria, Mafrig, Suzano Papel e Celulose e Vale. Alguns dados da pesquisa merecem ser comentados, pois demonstram a importância dos recursos naturais na própria subsistência das empresas.
No que diz respeito ao grau de conscientização das empresas pesquisadas este é cada vez maior, especialmente quanto à importância das mudanças climáticas no futuro dos seus negócios. Na pesquisa realizada neste ano, 70% dos que responderam ao questionário identificaram este fenômeno como um dos principais riscos às suas atividades. Com relação a isto, enquanto 92% dos consultados informaram ter metas de redução de emissões, somente 27% de seus fornecedores compartilham deste objetivo.
Às empresas da pesquisa preocupam problemas como a escassez de recursos hídricos e fenômenos climáticos adversos com suas consequências, como tempestades, secas e nevascas; ocorrências que podem causar a interrupção ou redução da capacidade produtiva e o aumento dos custos operacionais. A escassez de água é mencionada por mais da metade dos entrevistados como um dos maiores riscos para sua cadeia de fornecimento.

Com relação a este tema, veja-se a situação das empresas cujo processo de produção demanda grandes quantidades de água, caso das indústrias de papel ou de alimentos. Ou as empresas cuja matéria prima principal é o próprio líquido, como as indústrias de bebidas em geral. Caso estes empreendedores não estejam estabelecidos em regiões onde a água seja abundante, muitas vezes com elevado grau de pureza, os custos de produção se tornarão cada vez elevados, podendo inviabilizar os negócios.
O estudo também identificou três níveis de evolução nos quais se encontram as empresas envolvidas na pesquisa. Em um primeiro estágios, estão os empreendimentos preocupados em melhorar a sua atuação. Em um segundo degrau as empresas que incrementaram a qualidade de seus produtos ou serviços. No estágio mais alto estão as empresas que, passando pelos anteriores, desenvolveram novos modelos de negócios, agregando valor aos seus produtos e desenvolvendo mercados.
(Imagens: fotografias de Eve Arnold)