Mudanças climáticas e negócios

sábado, 4 de maio de 2013
"Governança diz respeito a como os hábitos culturais, as instituições políticas e o sistema econômico de uma sociedade podem se alinhar para gerar qualidade de vida desejada pela população."  -  Nicolas Berggruen e Nathan Gardels  -  Governança inteligente para o século XXI

Já se foi o tempo em que a preocupação ambiental era considerada apenas mais um modismo inventado nos países ricos. Também vai longe a época na qual bastava às empresas atender à legislação ambiental, o que nem sempre ocorria na prática. As condições de atuação das empresas mudaram: aumentou a pressão da lei, cresceu o senso crítico do consumidor e escasseiam os recursos naturais.  
A ONG Carbon Disclosure Project (CDP) atua a nível mundial, ajudando empresas a operarem de maneira mais sustentável, preservando os recursos e reduzindo a pegada de carbono; as emissões de gases que provocam as mudanças climáticas. Recentemente a CDP elaborou um estudo, procurando identificar a influência das mudanças climáticas na cadeia de produção de grandes empresas. A pesquisa foi realizada com 2.415 empreendimentos de todo o mundo, incluindo seus 2.363 fornecedores e 52 corporações com grande poder de compra, totalizando uma movimentação anual de aproximadamente US$ 1 trilhão (o PIB mundial em 2012 foi de aproximadamente US$ 77 trilhões). A parte brasileira da pesquisa, intitulada "CDP Supply Chain Brazil 2012-2013" (Cadeia de Suprimentos Brasil 2012-2013) foi elaborada com as respostas de 202 fornecedores de sete grandes compradores: AES Eletropaulo, Bradesco, Braskem, Fibria, Mafrig, Suzano Papel e Celulose e Vale. Alguns dados da pesquisa merecem ser comentados, pois demonstram a importância dos recursos naturais na própria subsistência das empresas.
No que diz respeito ao grau de conscientização das empresas pesquisadas este é cada vez maior, especialmente quanto à importância das mudanças climáticas no futuro dos seus negócios. Na pesquisa realizada neste ano, 70% dos que responderam ao questionário identificaram este fenômeno como um dos principais riscos às suas atividades. Com relação a isto, enquanto 92% dos consultados informaram ter metas de redução de emissões, somente 27% de seus fornecedores compartilham deste objetivo.
Às empresas da pesquisa preocupam problemas como a escassez de recursos hídricos e fenômenos climáticos adversos com suas consequências, como tempestades, secas e nevascas; ocorrências que podem causar a interrupção ou redução da capacidade produtiva e o aumento dos custos operacionais. A escassez de água é mencionada por mais da metade dos entrevistados como um dos maiores riscos para sua cadeia de fornecimento.

Com relação a este tema, veja-se a situação das empresas cujo processo de produção demanda grandes quantidades de água, caso das indústrias de papel ou de alimentos. Ou as empresas cuja matéria prima principal é o próprio líquido, como as indústrias de bebidas em geral. Caso estes empreendedores não estejam estabelecidos em regiões onde a água seja abundante, muitas vezes com elevado grau de pureza, os custos de produção se tornarão cada vez elevados, podendo inviabilizar os negócios.
O estudo também identificou três níveis de evolução nos quais se encontram as empresas envolvidas na pesquisa. Em um primeiro estágios, estão os empreendimentos preocupados em melhorar a sua atuação. Em um segundo degrau as empresas que incrementaram a qualidade de seus produtos ou serviços. No estágio mais alto estão as empresas que, passando pelos anteriores, desenvolveram novos modelos de negócios, agregando valor aos seus produtos e desenvolvendo mercados.
(Imagens: fotografias de Eve Arnold)

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