Baleias ainda precisam de proteção

sábado, 27 de agosto de 2016
"O tempo cura e o tempo mata"  -  Adágio mexicano

Entre o final do mês de maio e o mês de junho deste ano, aumentou o número de baleias da espécie jubarte encontradas mortas no litoral paulista. Os cetáceos morreram em alto mar e foram levados para as praias pela maré. Segundo os biólogos, é durante o inverno que estes animais se deslocam do Atlântico Sul para águas mais quentes em regiões tropicais como o Nordeste do país, onde procriam e alimentam seus filhotes. Nestas longas viagens de até 10 mil quilômetros, é comum ocorrer algum acidente que ocasione a morte de um ou outro indivíduo. 
Os primeiros registros históricos de caça às baleias datam do século 9, quando estes animais eram caçados na costa atlântica da Espanha. Foi o aprimoramento dos arpões e a construção de barcos mais ágeis, que permitiram o aumento da caça do cetáceo a partir do século XVII. No século XIX haviam grandes frotas de navios americanos, ingleses e russos, que se dedicavam à caça da baleia. No início do século XX o arpão foi aprimorado, ao mesmo tempo em que surgiam os navios fábrica, que faziam o processamento do animal já em alto mar. A caça em ritmo industrial, principalmente depois da Segunda Grande Guerra, fez com que o número de indivíduos começasse a diminuir, pondo em risco a sobrevivência da espécie.
A caça da baleia, como atividade econômica de certa importância, está bastante ligada à história do Brasil colonial. O óleo, que envolvia suas espessas camadas de gordura, era o produto com a maior possibilidade de aplicações. Em artigo no site "Revista de História.com.br" o historiador João Rafael Moraes de Oliveira escreve que "este óleo servia para a iluminação dos engenhos, casas, fortalezas, para calafetagem de barcos (vedação com estopa), para fabricação de sabões e velas e ainda podia ser usado na lubrificação de engrenagens." Misturado com barro ou conchas moídas, formava uma argamassa que ainda hoje pode ser vista em construções antigas do litoral brasileiro - principalmente entre a Bahia e Santa Catarina, que eram a principal zona de caça ao mamífero. A carne era alimento, os ossos eram usados na construção e na indústria moveleira e as barbatanas, que ficavam no céu da boca do animal, eram usadas na indústria da confecção.

As armações - locais onde eram processada a baleia capturada - começaram a surgir no litoral brasileiro a partir de 1730, principalmente em São Paulo e Santa Catarina, empregando em grande parte mão de obra escrava. Por volta de 1750, segundo Oliveira, "apenas em uma armação chegava-se a capturar 500 baleias numa boa temporada de pesca." A caça da baleia teve seu auge por volta de 1780 e começou a declinar nas primeiras décadas do século XIX - primeiro sinal de que a captura excessiva estava reduzindo o número de indivíduos.
As baleias são o maior mamífero que já habitou o planeta. Sua evolução, da terra à água, é um dos mais belos exemplos de adaptação de uma espécie aos diferentes ambientes. Das 26 espécies conhecidas, muitas correm risco de extinção. A jubarte, por exemplo, de tanto ser caçada, quase desapareceu. Em 1986 foi acordada uma moratória global sobre comércio baleeiro, que todavia ainda não é respeitado por alguns países; principalmente o Japão, a Noruega e a Islândia. Atualmente, além da caça, ainda que reduzida, as baleias convivem cada vez mais com a poluição e acidificação das águas dos oceanos.
(Imagens: templos egípcios)

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