Píndaro

sábado, 13 de janeiro de 2018

(publicado originalmente na página da Academia Peruibense de Letras no Facebook)


O poeta Píndaro, também conhecido como Píndaro de Cinoscefale ou Píndaro de Beozias, nasceu na cidade de Cinocéfalas em 518 a.C. e morreu em 438 a.C. Pertencia à aristocracia local, pois sua família era de origem dórica, do clã dos Égidas. Jovem mudou-se para Atenas, onde estudou com poetas e filósofos e aprendeu música como os então famosos músicos Agatides e Apolodoro. Aos 20 anos escreveu seu primeiro poema, iniciando uma carreira que o tornaria um dos maiores poetas na história.

Píndaro escreveu hinos, lamentos, elogios e outros gêneros, organizados em 17 livros. No entanto, o que restou de sua obra foram 45 epinícios ou odes; uma forma de poesia lírica que celebrava a vitória dos vencedores dos jogos pan-helênicos (dos quais faziam parte os jogos Olímpicos, os jogos Pítios, os Nemeus e os Ístmicos).

A maior parte das odes de Píndaro eram compostas por encomenda. Através delas o poeta louvava homens ilustres ou os ganhadores dos torneios esportivos. Escrito, o poema era entregue ao destinatário ou ao mestre de coro, que organizava a recitação da ode. A cópia do homenageado, feita em papiro melhor acabado, muitas vezes era depositada em algum templo.

Trechos das obras de Píndaro são citados por diversos autores gregos; como o historiador Heródoto, o comediógrafo Aristófanes, o filósofo Platão, entre outros. As odes do poeta continuaram a ser estudadas e reunidas em volumes durante a Antiguidade, por eruditos gregos e romanos. Durante a Alta Idade Média (século V ao XI) os poemas de Píndaro passaram por certo esquecimento, e sua leitura limitou-se praticamente à área de influência cultural do império bizantino. Com o florescimento dos estudos clássicos a partir do século XIII na Europa, a obra de Píndaro volta a ser lida e divulgada.

Nos séculos XIX e XX diversos estudiosos da Alemanha, Inglaterra e França passaram a dedicar-se ao estudo das odes do poeta, pesquisando sua gramática, aspectos religiosos e míticos, históricos, sociais e políticos de sua obra. Em Píndaro espelha-se o ambiente da Atenas do século V a.C., às vésperas de a cidade se tornar o centro cultural, econômico e político da Grécia antiga.

As odes que nos chegaram do poeta foram divididas em quatro livros, cada um correspondendo ao jogo que celebrava: as "Odes píticas", as "Odes olímpicas", as "Odes nemeias" e as "Odes ístmicas". Da obra do poeta, selecionamos os seguintes trechos:


Do livro "Odes Olímpicas" (Editora Abysmo, 2017), apresentando as odes do autor em linguagem atual (disponível no site http://deusmelivro.com/mil-folhas/odes-olimpicas-pindaro-26-9-2017/):


“Se a morte é inevitável, porque havíamos de acalentar, em vão,

Uma velhice inominável, sentados nessa escuridão pesada

Que é não tomar parte de nada do que é belo?”


“Dizer coisas belas sobre as divindades

É o que convém a um homem,

Pois pesará menos a sua responsabilidade.”


“O Além é inacessível,

Tanto para quem tem perícia quanto para quem a não tem.

Não o perseguirei. Não faria qualquer sentido.“



Trecho de "Neméia XI" (do trabalho "Contingência em Píndaro: Olímpica 12, Píticas 8 e 10, Nemeias 6 e 11" de Gustavo H. M. Frade, disponível em http://www.bibliotecadigital.ufmg.br/dspace/bitstream/handle/1843/ECAP-8STND8/conting_ncia_em_p_ndaro__ol_mpica_12__p_ticas_8_e_10__nemeias_6_e_11.pdf?sequence=1):


"Eu louvo o homem como bem-aventurado, pelo pai Arcesilas,

e também pelo admirável aspecto e pela firmeza congênita.

Mas, se alguém, tendo prosperidade, supera os outros na forma

e, sendo o melhor nas competições, demonstra sua força,

que se lembre que veste membros mortais

e será vestido de terra, o fim de todos."


(Imagem: foto de escultura do busto de Píndaro)

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