“Um
dos aspectos mais evidentes da crise das sociedades ocidentais é a volta da
desigualdade, no fim de um período histórico de democratização que se instalou
há séculos. No momento em que o mundo desenvolvido pensava ter atingido uma
espécie de idade do ouro, que combinava uma distribuição de renda justa com um
sistema de proteção social razoável, voltam a surgir desigualdades objetivas e
doutrinas que afirmam que a ideia de desigualdade é socialmente útil.”
“Doutrinas
e teorias cada vez mais numerosas afirmam a necessidade econômica da
desigualdade. Frequentemente, elas se manifestam sob a forma política de
reivindicação que exige uma diminuição do imposto direto nas faixas de renda
elevada: ‘para estimular trabalho, a poupança e o investimento das camadas
superiores da sociedade’, mais ativas e, talvez, mais inteligentes...
Novamente, pode ser observada uma defasagem temporal e intelectual entre o
mundo anglo-saxão e o continente europeu, pois a redução da progressividade do
imposto estava no centro das realizações ultraliberais reaganianas e
thatcherianas dos anos 80 (...)”
Emmanuel Todd (1951-), historiador, antropólogo e sociólogo francês em A Ilusão Econômica – Ensaio sobre a Estagnação das Sociedades Desenvolvidas


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