Emmanuel Todd

quarta-feira, 13 de maio de 2026

“Um dos aspectos mais evidentes da crise das sociedades ocidentais é a volta da desigualdade, no fim de um período histórico de democratização que se instalou há séculos. No momento em que o mundo desenvolvido pensava ter atingido uma espécie de idade do ouro, que combinava uma distribuição de renda justa com um sistema de proteção social razoável, voltam a surgir desigualdades objetivas e doutrinas que afirmam que a ideia de desigualdade é socialmente útil.”

“Doutrinas e teorias cada vez mais numerosas afirmam a necessidade econômica da desigualdade. Frequentemente, elas se manifestam sob a forma política de reivindicação que exige uma diminuição do imposto direto nas faixas de renda elevada: ‘para estimular trabalho, a poupança e o investimento das camadas superiores da sociedade’, mais ativas e, talvez, mais inteligentes... Novamente, pode ser observada uma defasagem temporal e intelectual entre o mundo anglo-saxão e o continente europeu, pois a redução da progressividade do imposto estava no centro das realizações ultraliberais reaganianas e thatcherianas dos anos 80 (...)”

 

Emmanuel Todd (1951-), historiador, antropólogo e sociólogo francês em A Ilusão Econômica – Ensaio sobre a Estagnação das Sociedades Desenvolvidas

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