O principal e na prática o único tema
da política nacional até o mês de novembro próximo são as eleições. O que
interessa à quase totalidade dos políticos no momento, são as alianças entre os
partidos, o apoio mútuo de candidatos, os repasses do vultoso Fundo Eleitoral a
serem recebidos e as distribuições de cargos para apoiadores e seus cabos
eleitorais. Enquanto ocorre esta frenética atividade, todos permanecem de olho
nas pesquisas eleitorais semanais, cuja tendência de subida ou de queda de
candidatos pode mudar apoios e alianças.
Os programas dos partidos, em sua
maioria, limitam-se a trivialidades, retomando temas de eleições passadas,
prometendo providências óbvias e inconsistentes – “controle dos gastos públicos”,
“combater a criminalidade”, “menos impostos”, “apoiar a família brasileira”,
“combate às desigualdades”, “defender o meio ambiente”, etc. – ad
nauseam. Desgastadas propostas, que os mais velhos já ouvem há pelo menos
quarenta anos. Vale observar que nenhum partido ou candidato – excetuando os da
chamada esquerda radical – fala em “arcabouço fiscal” ou “taxação de grandes
fortunas”.
Tudo isso mesmo com 30 partidos
concorrendo às eleições, entre os quais serão distribuídos 5 bilhões de reais
do Fundo Eleitoral. Sobre essa quantia, diz a AI Overview do Google:
“Com R$ 5 bilhões, é possível construir entre 40 e 50 hospitais de médio
porte (com cerca de 60 a 100 leitos e alto padrão tecnológico), ou até 3
unidades de ponta ultra tecnológicas e inteligentes — como o primeiro grande
hospital público inteligente planejado para o Complexo do Hospital das Clínicas
em São Paulo, orçado em R$ 1,7 bilhão”.
Já os candidatos, estes precisam
apresentar uma imagem mais concreta, mais palatável, ao gosto do eleitor de
cada tendência política. Apresentam-se iniciativas e projetos – mesmo sabendo
serem praticamente irrealizáveis – que de alguma maneira despertem o interesse
(ou pelo menos a curiosidade) do potencial eleitor e que ajudem a tirá-lo de
seu sono, durante o horário eleitoral obrigatório na TV.
Ajudam também os coordenadores de
campanha, as assessorias de marketing, os psicólogos e os especialistas
em media training, contratados a peso de ouro com os recursos do
Fundo Eleitoral, para burilar e tornar mais simpática a desgastada imagem de
muitos candidatos. São investimentos necessários que podem trazer um grande
retorno: um cargo público. Além disso, é preciso levar em conta que, segundo
pesquisas recentes (Datafolha e Quaest), 63% dos brasileiros
não confiam em políticos e 82% relatam desconfiança em relação ao Congresso
Nacional.
Para os candidatos o esforço
concentrado nesse período pré-eleitoral vale a pena – pelos seus resultados
futuros. Por isso não sobra tempo para votar projetos importantes que
beneficiariam o povo brasileiro, aquele do qual os candidatos esperam receber seus
votos. Sistema de saúde precário, segurança pública ruim, catástrofes
climáticas, baixos salários, juros altos, corrupção em todos os níveis do
governo, falta de moradias, transporte público de baixa qualidade, baixo nível
da educação, falta de saneamento, incipiente incentivo à cultura, justiça
lenta, revogar a escala 6 por 1, etc., são temas que ficam para 2027.
Se for o caso.
Ricardo E. Rose, 13/08/26
(Imagens: personagens de desenhos animados - Os sobrinhos do capitão, o Pica Pau e Mr. Magoo)




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