Minha opinião

sábado, 15 de agosto de 2026

 

O principal e na prática o único tema da política nacional até o mês de novembro próximo são as eleições. O que interessa à quase totalidade dos políticos no momento, são as alianças entre os partidos, o apoio mútuo de candidatos, os repasses do vultoso Fundo Eleitoral a serem recebidos e as distribuições de cargos para apoiadores e seus cabos eleitorais. Enquanto ocorre esta frenética atividade, todos permanecem de olho nas pesquisas eleitorais semanais, cuja tendência de subida ou de queda de candidatos pode mudar apoios e alianças.

Os programas dos partidos, em sua maioria, limitam-se a trivialidades, retomando temas de eleições passadas, prometendo providências óbvias e inconsistentes – “controle dos gastos públicos”, “combater a criminalidade”, “menos impostos”, “apoiar a família brasileira”, “combate às desigualdades”, “defender o meio ambiente”, etc. – ad nauseam. Desgastadas propostas, que os mais velhos já ouvem há pelo menos quarenta anos. Vale observar que nenhum partido ou candidato – excetuando os da chamada esquerda radical – fala em “arcabouço fiscal” ou “taxação de grandes fortunas”.

Tudo isso mesmo com 30 partidos concorrendo às eleições, entre os quais serão distribuídos 5 bilhões de reais do Fundo Eleitoral. Sobre essa quantia, diz a AI Overview do Google: “Com R$ 5 bilhões, é possível construir entre 40 e 50 hospitais de médio porte (com cerca de 60 a 100 leitos e alto padrão tecnológico), ou até 3 unidades de ponta ultra tecnológicas e inteligentes — como o primeiro grande hospital público inteligente planejado para o Complexo do Hospital das Clínicas em São Paulo, orçado em R$ 1,7 bilhão”.

Já os candidatos, estes precisam apresentar uma imagem mais concreta, mais palatável, ao gosto do eleitor de cada tendência política. Apresentam-se iniciativas e projetos – mesmo sabendo serem praticamente irrealizáveis – que de alguma maneira despertem o interesse (ou pelo menos a curiosidade) do potencial eleitor e que ajudem a tirá-lo de seu sono, durante o horário eleitoral obrigatório na TV. 

Ajudam também os coordenadores de campanha, as assessorias de marketing, os psicólogos e os especialistas em media training, contratados a peso de ouro com os recursos do Fundo Eleitoral, para burilar e tornar mais simpática a desgastada imagem de muitos candidatos. São investimentos necessários que podem trazer um grande retorno: um cargo público. Além disso, é preciso levar em conta que, segundo pesquisas recentes (Datafolha e Quaest), 63% dos brasileiros não confiam em políticos e 82% relatam desconfiança em relação ao Congresso Nacional.  

Para os candidatos o esforço concentrado nesse período pré-eleitoral vale a pena – pelos seus resultados futuros. Por isso não sobra tempo para votar projetos importantes que beneficiariam o povo brasileiro, aquele do qual os candidatos esperam receber seus votos. Sistema de saúde precário, segurança pública ruim, catástrofes climáticas, baixos salários, juros altos, corrupção em todos os níveis do governo, falta de moradias, transporte público de baixa qualidade, baixo nível da educação, falta de saneamento, incipiente incentivo à cultura, justiça lenta, revogar a escala 6 por 1, etc., são temas que ficam para 2027. 

Se for o caso.

 

Ricardo E. Rose, 13/08/26

 

(Imagens: personagens de desenhos animados - Os sobrinhos do capitão, o Pica Pau e Mr. Magoo)

0 comments:

Postar um comentário