Perguntando é que se aprende (XII)

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Termina mais um ano e pouca coisa mudou no Brasil. Muitos dizem que é assim mesmo, que sempre foi assim e que não podemos fazer nada; a corrupção e a incompetência são doenças crônicas do sistema político brasileiro - com raríssimas exceções. Afora a queda de alguns ministros - cuja dispensa era inevitável, pelo menos para manter uma certa aparência de decência - pouca coisa se fez para combater os grupelhos e as quadrilhas, que se fixaram como carrapatos sugadores de recursos à máquina pública.

O PAC, o Plano de Aceleração do Crescimento, iniciado no governo Lula - que com seus impulsos demagógicos lançou até o PAC-2 - está praticamente parado. Obras anunciadas como grandes conquistas do govêrno, como a Transposição do Rio São Francisco, foram abandonadas. O dinheiro até agora investido está se desfazendo junto com as ruínas dos canais inacabados, que servem de pasto para as cabras.

A Justiça, como um gigante brontossauro, com um imenso corpo e cabeça minúscula, continua lenta, só funcionando quando o reclamante ou o réu tem recursos para pagar caríssimos advogados - como é recorrente nos casos de bêbados ricos que atropelam e matam pessoas por todo o país. Para o povão só sobra a lentidão quelônia da Justiça. Mas, nem tudo é imobilidade! Existem os juizados de pequenas causas, que estão resolvendo 0,0037% dos casos parados na Justiça.

A segurança não está melhorando; os criminosos apenas mudaram de praça. Saíram do Sudeste e foram para o Nordeste. Os índices de criminalidade na Bahia e em Perbambuco, por exemplo, cresceram assustadoramente nos últimos anos. Bem, assustam ao cidadão comum, mas não aqueles patriotas que estão incumbidos de fazer leis e de apararelhar melhor os órgãos de segurança. Estes, estão encastelados em suas mansões e vivem cercados de seguranças. A massa que se dane, não é?

Não poderia deixar de falar também deste maravilhoso evento que o Brasil sediará em 2014: a Copa Mundial de Futebol. As obras, apesar dos atrasos aqui e ali, começam a aparecer. Bilhões e bilhões investidos na construção de muitos elefantes brancos, digo, estádios de futebol. Se tomarmos a África do Sul como exemplo, alguns destes "coliseus" provavelmente serão demolidos poucos anos depois da Copa. Muitas cidades que sediarão os jogos não têm eventos suficientes para dar uma utilização regular aos coliseus e muito menos recursos para mantê-los. A época dos gladiadores, das lutas com as feras, para infelicidade dos prefeitos, acabou. Mas sobrou "o pão e o circo".

Mas quem deve estar mesmo radiante com toda esta agitação (nos cofres públicos) por causa da Copa, são as empresas construtoras - muitas nacionais e algumas estrangeiras - que, evidentemente, também precisam ter seu quinhão (e que quinhão!) desta Copa. E a coisa fica melhor a cada dia que passa. Cada dia a menos até o evento, mais aumenta a urgência - e a urgência tem um preço extra.

Depois vêm os patrocinadores, aqueles fabricantes de todas aquelas coisas sem as quais seria impossível viver: hamburgueres com muita gororoba, salgadinhos extra salgados, refrigerantes com bastante açúcar (todos produtos saudáveis!), cervejas pra nenhum bebum botar defeito, carrões com 15 marchas e 37 opcionais, celulares que até fritam ovos, tênis fabricados por felizes crianças-operárias; e muitas bugigangas, badulaques e traquitanas mais. Em grande parte a Copa foi feita para que estes anunciantes continuem desovando seus produtos no mercado. E nós pagamos pela montagem deste circo! Quem sabe, o consumismo nos ajude um pouco durante a crise, que deverá estar forte até lá.

Enfim, acaba 2011 e já estamos tremendo de medo de mais uma crise do capitalismo. Logo agora que estávamos indo tão bem! Será que aos poucos as pessoas se convencerão de que devemos, todos juntos, começar a promover mudanças no sistema, e não sempre esperar que os outros - lá fora e aqui dentro - as façam por nós?

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