A poluição das praias

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
"Fosse como fosse, a descoberta da motivação econômica dera a Marx e Engels um instrumento que lhes permitiria  escrever história de uma maneira nova, como  uma candente agulha pirográfica."  -  Edmund Wilson  -  Rumo à estação Finlândia

Voltam as festas de final de ano, o verão e as férias e, novamente, milhões de brasileiros se dirigem ao litoral para descansarem e se divertirem. Além dos enormes congestionamentos nas estradas, da falta de água na maioria das cidades à beira-mar, repetem-se os mesmos problemas dos anos anteriores. Cidades abarrotadas de veículos de turistas, grandes volumes de lixo gerados em todos os lugares, comércio com grande movimento. Bom para os cofres das cidades, mas uma sobrecarga à infra-estrutura. Os grandes deslocamentos de pessoas, principalmente durante o Ano Novo e o Carnaval, geram grande impacto ao frágil meio ambiente da maioria das cidades litorâneas do Brasil. Somente no Estado de São Paulo tivemos, por ocasião das festas de final de ano, um deslocamento de cerca de 3,5 milhões de pessoas em direção às praias. Não é de se admirar que os serviços públicos (hospitais, coleta de lixo, água e esgoto) não possam atender uma demanda tão grande, sem qualquer tipo de problema.  
Um dos grandes impactos ambientais nas cidades turísticas à beira-mar é o lixo descartado nas praias. Apesar das constantes campanhas da Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, com o apoio de canais de televisão e de voluntários de diversas Ongs, ainda é muito grande o volume de resíduos jogados pela população nas praias. O pior é que a maior parte deste lixo é gerada por turistas; pessoas que estão no litoral apenas em visita e, supostamente, deveriam estar condicionados a não sujar a areia onde tomam sol ou descansam. Trata-se de imensos volumes de restos de comida, latas, copos e sacos de plástico, cigarros, papéis, vidro quebrado, etc., que a cada manhã se encontram na praia. Ainda bem cedo, um trator da prefeitura remove a camada de cima da areia, misturada aos resíduos, coloca-a em um caminhão, que então a deposita em algum lugar afastado da praia.
São volumes que podem chegar a alguns metros cúbicos a cada dia, durante o período da alta estação. Esta areia é definitivamente tirada da praia e não retorna mais, servindo apenas a algum aterro na periferia da cidade. Aos poucos, durante os anos, as praias sofrem um processo de erosão, permitindo que as marés avancem cada vez mais. Para resolver problema semelhante, as prefeituras de cidades litorâneas nos Estados Unidos – além de imporem pesadas multas aos poluidores – adquiriram equipamentos especiais, que permitem separar a areia do lixo, evitando que a praia desapareça. A maioria das cidades litorâneas do Brasil, com certeza, poderia implementar tecnologias semelhantes (com uma melhor gestão dos recursos).
Como dizem, somos um país jovem, uma sociedade em desenvolvimento, e ainda temos muito que aprender. Mas, será que aprender implica cometermos os mesmos erros que outros cometeram? Sabemos que o grau de civilidade está relacionado ao nível educacional do cidadão. Todavia, será que precisaremos esperar até que a maior parte da população tenha um nível razoável de educação, para que, por exemplo, nossas praias estejam limpas?
(Imagens: fotografiras de Ernst Haas)

1 comentários:

Gabriela Guimarães disse...

isso e muito grande resumir de,or um ano

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