Medidas para a proteção do tubarão

sábado, 6 de abril de 2013
"Acabam-se as tradições muito antes que acabe o mundo; porque a ordem dos sucessos não se inclui na fábrica do Universo; é coisa exterior, e indiferente."  -  Mathias Aires  -  Reflexões sobre a vaidade dos homens

O tubarão é vítima de sua própria fama. Conhecido até o século XVI pelos marinheiros portugueses como “cão do mar”, o peixe sempre teve má fama entre as tripulações dos barcos devido a sua agressividade. Mas qual animal, incluindo o homem, não é agressivo quando movido pela fome? O filme “Tubarão” de Steven Spielberg, produzido em 1975 e tendo três sequências – “Tubarão II” (1978), “Tubarão III” (1983) e “Tubarão IV – A Vingança” (1987) – chamou a atenção do grande público para o animal, sempre caracterizado como uma criatura agressiva, fria e obtusa. Com esse desserviço prestado pelo cinema de Hollywood, grande parte das pessoas passou a ver o tubarão como um terrível predador, com especial predileção por carne humana - pelo menos nos filmes.
O tubarão é uma das espécies de peixes mais antigas que existem, tendo surgido há aproximadamente 400 milhões de anos. No entanto, ao longo de sua existência como espécie, os tubarões foram se adaptando às condições mutáveis dos oceanos, desenvolvendo uma série de capacidades físicas que fizeram com se tornassem uma das espécies mais bem-sucedidas na história da vida sobre a Terra. O animal está dividido em 375 espécies, dos quais a menor, o tubarão-lanterna anão, tem apenas 17 centímetros de comprimento, enquanto a espécie de maior tamanho, o tubarão-baleia, pode atingir 12 metros. As espécies conhecidas como tubarão-branco, tubarão-tigre, tubarão-azul, tubarão-mako e tubarão-martelo são superpredadores e ocupam o topo da cadeia alimentar dos oceanos; algo parecido com os leões, tigres, ursos polares e onças.
Ao contrário do que pensa a maioria das pessoas, grande parte das espécies de tubarões não ataca os seres humanos. Das 375 espécies do peixe, apenas quatro estiveram envolvidas em ataques mortais a pessoas: o tubarão-branco, o galha-branca-oceanico, o tubarão-tigre e o tubarão-de-cabeça-chata. No entanto, a maior parte destes ataques ocorreu quando humanos invadiram o ambiente natural do animal. A média mundial anual de mortes provocadas por ataques de tubarões entre 2001 e 2006 foi de 4,3. O índice é tão pequeno, que para cada pessoa morta por esses peixes por ano, morrem outras 4.757 em acidentes de trânsito. 
Mesmo assim a espécie é perseguida e seus cadáveres são orgulhosamente exibidos como troféus de grandes pescarias. Além disso, barcos pesqueiros de diversas nacionalidades capturam e sacrificam estes peixes, apenas para extrair-lhes as nadadeiras, apreciadas nas sopas de barbatanas de tubarão. A matança de algumas espécies de tubarão já se tornou tão grande, que as colocou em perigo de extinção. No final de 2012 o Ministério da Pesca e da Aqüicultura do Brasil já havia proibido a pesca de tubarões e raias para o comércio da barbatana.  
 A mesma proteção deverá beneficiar tubarões em todo o mundo. Durante a 16ª Conferência da Convenção sobre Comércio Internacional das Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção (Cites) a delegação brasileira conseguiu uma vitória memorável. Os delegados brasileiros conseguiram aglutinar representantes de outros 120 países em torno da proposta de maior controle sobre o comércio internacional de quatro espécies de tubarão: o martelo, o galha-branca, o porbeagle e as raias-jamanta. A matança indiscriminada destes animais somente para extrair as barbatanas, deverá sofrer uma queda e ajudar a preservar a espécie. O ideal, no entanto, seria que se criassem áreas de proteção mais extensas nos oceanos, como já sugerido pela ONU em 2012, durante a Convenção sobre Biodiversidade.
(Imagens: fotografias de Gianni Galassi)

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