Rio: "Queremos atitude"

sábado, 13 de abril de 2013
"O Expressionismo toca profundidades. Nele predomina o trágico, com alguma coisa de profético. Um ensaísta francês classificou-o de "um simples Fauvismo mais violento'".  -  Raul Bopp  -  Movimentos modernistas no Brasil  - 1922-1928

Em final de março de 2013 o governo federal acabou reconhecendo a situação de emergência em Petrópolis, região serrana do Rio de Janeiro. Até aquele momento já haviam morrido 33 pessoas, a maioria soterrada por imensas quantidades de lama. Ao mesmo tempo, mais de mil pessoas estavam desalojadas e outras 15 mil continuavam em áreas de risco. A missa realizada na catedral São Pedro Alcântara em memória das 33 vítimas das chuvas, contou com a presença da presidente Dilma, do governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral e do ministro da integração nacional Fernando Bezerra, entre outras autoridades. Fora da igreja, uma pequena multidão portava cartazes com dizeres como "Não queremos sua oração, mas sua ação", "Lamentar não ressuscita" e "Queremos atitude". Os manifestantes protestavam contra falta de iniciativa e transparência nos gastos públicos relacionados com a recuperação da região.
A situação de calamidade na região serrana do Rio vem se arrastando há mais de dois anos, quando quase mil pessoas foram mortas por causa de avalanches causadas por pelas fortes chuvas. De lá para cá, pouca coisa mudou na região. A burocracia, a desorganização e a insuficiência de verbas fizeram com que parte da população continuasse morando em área de risco, já que as novas moradias prometidas pelas autoridades municipais e estaduais em parte ainda não foram entregues. Algumas casas recentemente construídas foram inundadas por estarem em local inadequado, sujeito a enchentes. Com relação a essa situação, segundo o jornal O Globo, "a declaração da presidente Dilma, de que "as pessoas não querem sair", é uma meia verdade: de fato o risco existe, mas como abandonar a residência sem ter para onde ir?".
As condições na região são, no mínimo, confusas. Aparentemente as verbas destinadas à reorganização da região nunca forma suficientes. Além disso, não se sabe se todos os recursos destinados à recuperação, através do governo estadual e das prefeituras, efetivamente foram aplicados em benefício da população. Com relação a isso, o Ministério Público Federal chegou a fazer investigações na região em 2011, levado por suspeitas de desvio de recursos públicos, através de superfaturamentos, fraudes e dispensa de licitações, entre outros crimes. À época e prefeito de Nova Friburgo e seu secretário de governo foram preventivamente afastados e o prefeito de Teresópolis perdeu o mandato. 
Nos últimos dias, segundo o ministro da Integração Nacional, a prefeitura de Petrópolis solicitou ao governo federal recursos de R$ 112 milhões, para socorrer as vítimas. Não ficou claro de que vítimas a prefeitura está falando: se as recentes, se daquelas de 2011, ou ambas; nem como serão gastos estes recursos. Com relação às verbas destinadas à prevenção e resposta às catástrofes, o ministério da Integração Nacional não chegou a gastar nem um terço dos fundos de que dispunha em 2012, segundo o jornal Folha de São Paulo.
Falta de capacidade de gestão, de planejamento e controle, parecem ainda ser características de parte da administração pública no Brasil. No entanto, catástrofes causadas pelas mudanças climáticas, como as chuvas no Rio de Janeiro e as secas no Nordeste, serão cada vez mais comuns. É preciso capacitar pessoas e fiscalizar administrações, para que além da "indústria da seca" do Nordeste também não se crie a "indústria da chuva" no Rio de Janeiro.
(Imagens: fotografias de Mario de Biasi)

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