Fenômenos climáticos, somente coincidência?

sábado, 15 de março de 2014
"No fundo, somos algo que não deveria existir; por isso, cessamos de existir. - Na verdade, o egoísmo consiste no fato de que o homem limita toda a realidade à sua própria pessoa, imaginando que exista apenas nela, e não nas outras. A morte lhe mostra que ele está enganado, na medida em que suprime essa pessoa, de maneira que a essência do homem, que é sua vontade, doravante continuará a existir somente em outros indivíduos. [...]"  -  Arthur Schopenhauer  -  Sobre a morte

Nas últimas semanas o calor tem aumentado em todo o Brasil, especialmente no Sudeste e no Sul. As temperaturas, dizem os especialistas, são as mais altas dos últimos 50 anos, em média. Em São Paulo, por exemplo, a maior parte da população nunca passou por uma onda de calor deste tipo, já que temperaturas tão altas só ocorreram há mais de 70 anos. As temperaturas estão tão altas que em Joinville (SC) a sensação térmica foi de 57 graus Celsius. No Rio de Janeiro e em grande parte do litoral Sudeste o mar não oferece mais um banho refrescante, com a temperatura do oceano em torno dos 30º C ou até mais alto em alguns dias.
Aliado ao forte calor ocorre também um período sem chuvas, coisa não muito comum para esta época do ano em grande parte do País. Como consequência, esvaziam-se os reservatórios e o fornecimento de água para abastecimento da população começa a ser um problema em muitos municípios, a começar pelo interior do estado de São Paulo. Partes da cidade de São Paulo e várias cidades do interior na região de Campinas já entraram em um regime de racionamento de água.
A situação do fornecimento de energia também preocupa, pois, aliado ao atraso nas obras de infraestrutura, muitos reservatórios começam a ficar vazios com a ausência de chuvas. Não se fala em racionamento de energia, já que muitas usinas termelétricas podem ser colocadas em funcionamento quase que imediatamente. O que todos esperam é que esta situação não se estenda por muito tempo, pois a partir de certo ponto as chuvas não serão mais suficientes para regularizar a situação em apenas uma estação.
Todo este quadro nos mostra o quanto dependemos da boa vontade da natureza. Se no passado a população era menor, assim como a demanda por água potável e eletricidade, atualmente vivemos em novos tempos. O crescimento da economia, mesmo tendo sido pequeno nos últimos anos, ajudou a colocar milhões de novos consumidores no mercado. Aumentando a demanda por serviços, principalmente nos últimos dez anos, não cresceu proporcionalmente a infraestrutura. Por diversos motivos, da falta de recursos até a de capacidade, o fato é que o governo não fez ou fez muito mal a sua parte.
É muito provável que estes fenômenos se repitam com mais frequência no futuro, a depender das previsões da mudança do clima. Assim como outros países, nos defrontaremos cada vez mais com extremos: altas e baixas temperaturas, chuvas em excesso e secas mais ou menos prolongadas. O suprimento de água seja para abastecimento de cidades, agricultura e geração de eletricidade será uma dos primeiros a serem afetados. As informações sobre os possíveis efeitos das alterações climáticas já estão documentadas e são de conhecimento de diversos órgãos do governo, institutos de pesquisa e entidades privadas.
Os primeiros sinais já foram dados através de desastres naturais, como o da passagem do furacão Catarina em 2004 no estado de Santa Catarina e da tragédia da região serrana do Rio de Janeiro em janeiro de 2011. Agora enfrentamos uma forte onda de calor associada à falta de chuvas em quantidade suficiente a reabastecer os reservatórios. Apenas coincidências, dizem alguns. Pode até ser uma sucessão de fenômenos que nenhuma relação têm entre si. Pode ser, mas convêm não arriscar, se o preço a pagar são vidas humanas e grandes prejuízos materiais.  
(Imagens: fotografias de Vivian Maier)

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