A crise hídrica na região Sudeste

sábado, 21 de fevereiro de 2015
Alguma dúvida que Deus não é magricela com dores de úlcera e sim gordo bonachão que se delicia com moela, coração e sambiquira?"  -  Dalton Trevisan  -  A trombeta do anjo vingador

Macro fatores
A região Sudeste passa por uma seca muito forte; a maior nos últimos 80 anos pelo menos. As origens desta crise ainda não estão estabelecidas, mas alguns fatores chamam a atenção:
- Especialistas aprofundam uma teoria bastante aceita, de que grande parte da água que cai na forma de chuva sobre o Sudeste, Sul e Centro-Oeste origina-se na Amazônia – teoria conhecida popularmente como “rios voadores”, devido à grande quantidade de água nas nuvens. O processo é mais ou menos o seguinte: nuvens vindas do oceano Atlântico se precipitam sobre a floresta. Através do processo de evapotranspiração a água volta a evaporar e novamente se transforma em nuvens. A barreira da cordilheira dos Andes impede que estas nuvens formadas sobre a Amazônia continuem avançando, o que faz com que elas se desloquem para o Sul do continente, precipitando-se sobre São Paulo, Minas Gerais, etc. Uma das consequências que os especialistas tiram desta teoria científica é que quanto mais se desmata na Amazônia, menos nuvens e, consequentemente chuva, vão para o Sul. Apesar de ter diminuído nos últimos dez anos, o desmatamento na Amazônia ainda continua forte e cresceu novamente ao final do primeiro mandato de Dilma Rousseff.
- O fenômeno do “El Ninõ” (aquecimento sazonal das águas do oceano Pacífico, com influências sobre o clima global) também tem forte efeito sobre o volume das chuvas, principalmente do Norte e do Nordeste, e das temperaturas do Sudeste.
- O aquecimento global, causado pelas emissões de gases poluentes nas atividades econômicas – geração de energia, transporte, agricultura, indústria – também provoca mudanças no clima, como secas e chuvas intensas e extremos de temperatura. Além disso, o que é mais grave, o aquecimento global também está aumentando a temperatura média do grande sistema de controle do clima da Terra: os oceanos.


Fatores locais e políticos
A estes macro-fatores que têm influência no clima da Terra e nas regiões brasileiras, podemos ainda associar aspectos climáticos locais (diminuição de chuvas, aumento da temperatura), provocados pela atividade antrópica. Isto porque, ao longo dos últimos 100-150 anos, quando as atividades econômicas na região Sudeste começaram a aumentar através da agricultura e posterior industrialização, o impacto das atividades econômicas sobre o meio ambiente só aumentou. Destruíram as florestas (a Mata Atlântica), esgotaram-se os recursos hídricos; as cidades se expandiram.
Em todo este processo, os cuidados na conservação e recuperação dos estoques hídricos foram quase inexistentes – notadamente ao longo dos últimos vinte e cinco anos, quando o consumo de água aumentou exponencialmente. Pouco foi feito para recuperar a qualidade da água dos grandes reservatórios no entorno da região metropolitana (Guarapiranga, Billings) e quase nada foi investido para ampliar a zona de mata ciliar no entorno dos reservatórios do sistema Cantareira (Jaguarí, Jacareí, Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro, entre os principais). Além disso, em muitas regiões do estado e da capital continuaram as invasões em áreas de mananciais, como acontece na região da Cantareira e na zona Sul de São Paulo.
Isto sem falar da falta de saneamento e da perda de água já tratada. Cerca de 60% dos efluentes domésticos de todo o país ainda são descarregados na natureza sem tratamento, poluindo os rios que abastecem as cidades. Quando chove pouco e o volume dos rios diminui, aumenta a concentração de esgotos na água, dificultando o tratamento para posterior distribuição à população. A perda de água provocada pelo mau estado das tubulações e por ligações clandestinas é de 35% em média; comparados aos 18% na Inglaterra e 8% na Alemanha e Japão.  
Para a crise hídrica há, portanto, causas climáticas e causas políticas. As primeiras são praticamente inevitáveis (pelo menos em curto prazo, quando se fala em redução de gases de efeito estufa), mas poderiam ter seu efeito diminuído. As causas políticas, porém, seriam evitadas ou diminuídas, se as administrações federal, estadual e municipal tivessem levado em conta o que cientistas, ONGs e outras instituições já estavam dizendo há tempos. Projetos de Lei relacionados à captação e reuso de água por residências, por exemplo, tramitam sem aprovação na Câmara dos Vereadores de São Paulo pelo menos desde 2003. Já em 1992 a SABESP havia encomendado um estudo de viabilidade para utilização das águas do rio Juquiá, afluente do Ribeira de Iguape. Desde lá, nada foi feito.
Do mesmo modo, também não se aprovaram leis que pudessem criar condições para que os recursos hídricos fossem mais bem utilizados. Por exemplo: incentivos para agricultores que produzem água através da conservação da floresta; para indústrias e plantações que utilizam menos água; para edifícios que coletam a água da chuva e reutilizam a água “cinza”; e muitos outros exemplos. 

Conclusão
A crise hídrica deverá estender-se por alguns anos, já que a recuperação do volume de água no lençol freático e nos reservatórios só ocorrerá com volumes constantes de chuva ao longo de anos. Nesse ínterim, o governo e a sociedade civil precisarão implantar rapidamente novas maneiras – mais eficientes – de utilizar os recursos hídricos. Este será o grande teste para o poder público e a sociedade: todos precisarão trabalhar juntos, de maneira coordenada, caso contrário o prejuízo ainda será maior para todos.
Por outro lado, existe também o questionamento que muitos cientistas estão se fazendo a respeito da mudança do clima, principalmente na região Sudeste do país. Será a atual falta de chuvas e o aumento médio das temperaturas uma tendência que se manterá no futuro? Estarão as condições climáticas se alterando de tal maneira, que nos próximos 50 a 150 anos a vida das populações da região Sudeste estará completamente alterada em seus aspectos econômicos e sociais? Haverá deslocamentos de atividades econômicas e de populações, para onde? O Estado saberá como acomodar estas mudanças?  
(Imagens: fotografias de John Gutmann)

2 comentários:

Arnaldo Ribeiro disse...

SINAIS PROFETICOS: AQUECIMENTO GLOBA-CRISE HIDRICA–ADVERTÊNCIA DIVINA-E OUTROS SINAIS...
(MC.12.10) Ainda não lestes esta Escritura: (GN.5.1) No dia em que Deus criou o Homem à sua semelhança; (GN.6.12) viu Deus a terra, e eis que estava corrompida, porque todo ser vivente havia corrompido o seu caminho na terra: (IS.59.15) O Senhor viu isso, e desaprovou o não haver juízo:
(RM.9.’) Digo a verdade em Cristo, não minto, testemunhando comigo, no Espírito Santo, a minha própria consciência: (IS.24.5) Na verdade, a terra está contaminada por causa dos seus moradores; porquanto transgridem as leis, violam os estatutos, e quebram a aliança eterna: (SL.82.5) Eles nada sabem nem entendem, (SL.78.22) porque não creram em Deus, nem confiaram na sua salvação: (LC.8.25) Onde está a vossa fé? (JR.14.22) Acaso, haverá entre os ídolos dos gentios, algum que faça chover? Ou podem os céus dar chuvas de si mesmos? (MC.12.27) Laborais em grande erro:
(LV.18.27/28) Não suceda que a terra vos vomite havendo vós a contaminado, como vomitou o povo que nela estava antes de vós; porque todas estas abominações fizeram os homens desta terra que nela estavam antes de vós, e a terra se contaminou: ((IS.55.11) Assim será a palavra que sair da minha boca: Não voltará para mim vazia, , mas fará o que me apraz, e prosperará naquilo para que a designei: (NM.24.4) Palavra Daquele que ouve os ditos de Deus, o que tem a visão do Todo-Poderoso e prosta-se, porém, de olhos abertos:(EZ.12.11) Eu sou o vosso sinal:
Arnaldo ou Israel

Eleíze Ferreira disse...

Excelente post, parabéns! Objetivo, claro e rico.

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