Chuva de verão no quintal de casa (memórias de infância)

sábado, 18 de junho de 2016
"Freud chegou a dizer que uma mudança nas relações entre os homens e a propriedade poderia representar um avanço civilizatório maior do que se conseguiu com as ordens éticas. No entanto, a concepção idealizada da natureza humana criada pelos socialistas impediu que isso acontecesse."  -  Nina Saroldi  -  Para ler Freud - O mal-estar na civilização 

No verão as chuvas eram fortes e vinham rápidas. Vento sudeste, nuvens escuras avançando da direção do morro e da Prainha.

Os abacateiros no quintal envergavam seus troncos, dobrando e quebrando os ramos mais podres, cobertos de líquens. O vento arrancava dos galhos as folhas velhas, junto com abacates maduros e outros ainda pequenos. O céu escurecia ainda mais e então caia forte chuva, encharcando a areia de todo quintal, formando poças d'água limpa aqui e ali, cheias de brotos de abacate ressecados.

As nuvens mais escuras e pesadas se foram. O sol volta a brilhar por entre nuvens mais claras. A areia já absorveu toda a água e as poças desapareceram. Os pingos continuam a cair das folhas, mas os primeiros sanhaços e sabiás já pousam para bicar os abacates maduros, que o vento arrancou dos galhos e que se partiram ao caírem ao solo. O ar está úmido e fresco, o céu azul vai reaparecendo aos poucos e o sol retorna com seu calor e sua luz.

Amanhã cedo preciso rastelar as folhas que caíram, juntar e deixar secar. Depois de amanhã à tarde, boto fogo. Agora, por hora, ainda tenho tempo e isca pra ir pescar caratingas no rio.
(Imagem: fotografia de Ricardo E. Rose)

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